quinta-feira, 9 de setembro de 2010











Capítulo 4 - Desilusão


Virei meu corpo na cama, percebi que estava só, forcei meus olhos a se abrirem e olhei ao redor do quarto escuro. Senti meu coração doer pela rejeição do meu marido, que me abandonou na nossa noite de núpcias, sem sequer, me dizer um “boa noite”.
Uma lágrima rolou em meu rosto, meu coração ficou apertado e meu corpo se recusou a reagir. Foi nesse momento que ouvi o barulho da porta se abrir e vi Mary entrando com uma vela nas mãos.
- Bom dia, menina! Eu a acordei? - Perguntou com uma voz baixa quase um sussurro. Vi que estava ainda de camisola, com um sobretudo preto e usava uma toca branca na cabeça.
- Já amanheceu? - Perguntei bocejando e esticando meu corpo na cama.
- O sol já está nascendo. Vim aqui só para acender novas velas nos castiçais. Fiquei temerosa que acordasse no escuro e se espantasse. Afinal, é a sua primeira noite no castelo e poderia estranhar ao acordar. – Caminhou até a mesa e colocou velas sobre o castiçal, depois, foi até a minha cama e colocou mais velas sobre o que estava sobre a mesa de cabeceira.
- Mary, onde está o meu marido¿ Eu não o vi... Acho que ele saiu cedo. – Disse com vergonha de confessar que ele não havia dormido comigo. Precisava de alguma explicação sobre o que havia acontecido. Lord Jacob não estava ao meu lado, não o vi no quarto durante a noite e acordei sentindo a sua ausência. Aquilo era no mínimo estranho, porque um homem jamais recusaria a sua donzela na primeira noite e certamente ele não seria indelicado a tal ponto. Já havia provado que possuía modos de cavalheiro e não agiria como um tratante.
- Querida, o menino Jacob dormiu em seu antigo quarto... – Hesitou por um momento. – Sinto muito... Acho que ele não quis te acordar. – Passou a mão em meu rosto e fez um breve carinho.
- Certo! – Respondi segurando as lágrimas para não caírem do meu rosto em sua frente. Já me sentia humilhada, rejeitada demais para ainda me permitir chorar como uma criança boba. Sabia que as coisas não seriam nada fáceis e não desistiria de ser feliz nessa nova vida. Se ele havia me rejeitado, seja lá pelo motivo que fosse, eu o faria me amar aos poucos. E um dia seria feliz ao seu lado. Esperaria até que ele se dispusesse a me desposar e ficaria grata com o que pudesse me oferecer.
- O desjejum será servido em poucas horas. Quando ouvir o sino da capela tocar, é porque Lord Billy já terminou de orar pela sua falecida esposa e está se dirigindo para o desjejum. Então, ainda tem uma hora para dormir mais um pouco. Se estiver cansada demais para descer, trago o seu café na cama.
- Obrigada, Mary. – Sentei na cama e beijei o seu rosto. – A senhora é um anjo que caiu do céu para me ajudar. Descerei após o sino tocar. – Respondi e a vi se levantar e caminhar em direção à porta. Depois que saiu, sentei na cama, abracei os meus joelhos e fiquei chorando, sentindo a dor corroer o meu coração magoado. Tentava imaginar os motivos pelos quais ele se recusa a me desposar na nossa primeira noite de casados. Nada lógico vinha a minha mente. Caminhei até o meu closet e procurei nas gavetas um dos poucos livros que tinha. Depois voltei para a cama e comecei a ler.
Depois de algum tempo lendo, resolvi me trocar para o desjejum e fui escolher uns vestidos sem muitas saias, babados e rendas. Peguei um bem simples, que nem precisaria usar o espartilho que tanto odiava. Coloquei as roupas íntimas e depois o vestido. Precisava fechá-lo e não sabia como. Foi aí que resolvi procurar o quarto de Rachael. Saí do meu quarto e caminhei por um longo corredor na penumbra, mas não identifiquei exatamente o quarto.
Caminhei em direção as escadarias e encontrei uma serviçal no caminho.
- Ei, menina! Pode me ajudar?. – Disse para a jovem baixinha, com o tom de pele semelhante ao dos Lordes Billy, Jacob e de Mary. – Sorri para ela que caminhou em minha direção.
- O que posso fazer pela Milady¿ - Abaixou a cabeça e vez uma reverência.
- Não precisa de reverência. Sou uma condessa, mas não gosto desse tipo de tratamento. – Afirmei sorrindo. – Preciso que arrume o meu vestido atrás. Eu não consigo fechar os botões. Pode me ajudar, por gentileza¿ - Pedi educadamente.
- É claro! Vamos até o seu quarto fazer isso de forma mais reservada. – Disse e caminhamos pelo corredor escuro, até a porta meu quarto. Entramos e a menina me ajudou com o vestido e depois penteou os meus cabelos.
- Qual é o seu nome¿ - perguntei gentilmente.
- Sou Claire Young... Filha de Mary. – Disse sorrindo. – Você é ainda mais linda do que a Rachael contou. Seus olhos parecem duas esmeraldas. – Disse me olhando encantada.
- Você também é linda, Claire. Quantos anos tem¿ - Perguntei.
- Tenho quinze. – Respondeu arrumando os meus cabelos.
- E de onde vieram¿ São do mesmo lugar de Lord Billy¿ - Perguntei curiosa.
- Sim! Viemos de um lugar no novo mundo, chamado La Push. Uma aldeia indígena. Sabe o que é isso? - Perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
- Já me explicaram uma vez... E a mãe do meu marido¿ Eles não falam sobre ela. – Disse ainda inquieta para saber de tudo sobre a casa.
- Ela morreu na travessia que fizemos há alguns anos. Billy nunca se recuperou da perda da nossa querida Sarah .- Respondeu.
- Sarah era como vocês? Fale-me dela.
- Ela não era de lá... – Pareceu hesitar um poucos. – Não fale que te contei sobre isso. As pessoas evitam falar nela nessa casa. Porque causa dor ao nosso senhor. – Olhou-me apreensiva e continuou. – Ela era uma moça branca assim como você. Filha de um Lord Londrino de muitas posses. Assim que o meu senhor ficou rico, o seu pai morreu e ela ficou com toda a herança. Ela e o senhor eram apaixonados, então se casaram e ele fez o dinheiro prosperar. A minha senhora sentia falta do seu castelo e de sua vida aqui nesse lugar. E por isso viemos do novo mundo, como vocês chamam. Mas na viagem tivemos um acidente terrível e ela morreu. Não quero falar sobre isso, porque é muito doloroso. Entende? - Quando ela disse isso, ouvimos o sino tocar e soube que estava na hora de descer para o desjejum com o resto da minha nova família.
- Obrigada, Claire! Você é muito linda e se puder me ajudar de vez em quando com esses vestidos, eu agradeceria muito. – Eu a abracei e saímos do quarto juntas.
- Milady...
- Chame-me apenas de Ness. – Pedi.
- Tenho que arrumar os quartos. Falamos-nos depois. – Seguiu na direção oposta do corredor e eu caminhei em direção a escadaria, passando pela penumbra de sombras, por aquele longo e frio.
Cheguei à escadaria, caminhei silenciosamente tentando encontrar a sala de jantar. Ouvi vozes depois de alguns passos. Parei atrás da porta e ouvi uma breve e curiosa conversa.
- Você é um irresponsável! – Era a voz áspera de Lord Billy.
-Eu aceitei me casar por causa de sua imposição. Mas não tenho que fazer tudo o que quer. – Lord Jacob, meu marido, parecia irritado e pela primeira vez o ouvia falar com vigor e atitude.
- Não podia ter abandonado sua esposa na noite de núpcias. – O outro acusou.
- Sabe que eu não a amo! Sabe que meu coração pertence a outra e não pode me obrigar a isso. Eu não a desposarei se é o que quer... Não mesmo!!! Ela ainda é uma menina, quase uma criança inocente e não abusarei de sua pureza com leviandade. – Respondeu com raiva.
- Ness! – Senti uma mão tocar o meu ombro e pulei de susto. Meu coração bateu rapidamente e me virei para ver Rachael, minha cunhada, que acabava de me flagrar ouvindo a conversa atrás da porta. – Vamos entrar para comer? - Disfarçou educadamente e segurou a minha mão, conduzindo-me até a sala de jantar. Senti as minhas bochechas arderem de vergonha, abaixei a cabeça e só pude dar bom dia.
- Bom dia! – Queria sair correndo e me esconder. Tentei digeri tudo o que havia ouvido, mas não tive tempo para conjecturar e tentar entender o que realmente estava acontecendo. No meio de tudo, uma frase começou a me afligir violentamente: “Sabe que meu coração pertence a outra...” O que significava aquilo¿ A quem pertencia o seu coração¿ Será que eu não teria o amor do meu marido¿ Mal havia casado e já o tinha perdido para uma cortesã qualquer¿ Meus olhos começaram a se encher de lágrimas e segurei para não chorar de desespero naquele momento.
- Bom dia, querida! Dormiu bem¿ - Lord Billy me perguntou educadamente, como se não soubesse que seu filho havia me abandonado na nossa primeira noite.
- Sim, obrigada. – Sussurrei de cabeça baixa, tentando não encarar os olhares curiosos sobre mim, segurando as lágrimas para não cair em prantos ali mesmo.
O clima de tensão foi quebrado quando Mary, Claire e outra jovem muito parecida com ela entraram na sala com os alimentos.
- Bom dia, Senhor! – Mary cumprimentou.
- Bom dia, querida! O que prefere comer¿ - Perguntou olhando para mim.
- Qualquer coisa... Não tenho fome. – Ela me deu um olhar expressivo, como se soubesse a dor que sentia, tocou meu rosto e fez um breve carinho. Senti-me de certa maneira confortada. Então, Rachael começou a tagarelar para minimizar o clima de tensão que havia no ar.
- Ness, querida, o que gosta de fazer¿ Podemos pintar, tocar piano, coser, fazer alguns trabalhos manuais, podemos ver a nossa Mary fazendo coisas deliciosas na cozinha, posso te levar para ver as flores na pequena estufa que papai montou. Temos muitas possibilidades e não quero que fique o dia inteiro sem ter o que fazer, morrendo de tédio. O que me diz¿ - Todos me olhavam e estava na hora de deixar claro que eu não era uma condessa cheia de mimos e frescuras como imaginavam. Então resolvi falar a verdade e ver como reagiriam.
- Não gosto de nada disso... – Comecei falando baixinho. – Eu sei fazer tudo, cuidar bem de um castelo e dar ordens aos empregados. Toco piano divinamente, pinto bem, faço bordados lindos e sei até cozinhar. Mas odeio isso tudo. – Disse de uma vez. – Eu gosto de mato, de correr, de tomar banho no rio, subir em árvores, montar cavalos e brincar com os animais. Também adoro me misturar com a plebe e não espero que isso seja um problema. – Ergui a cabeça e vi Lord Jacob rindo satisfeito para o pai, que o encarava com uma face de surpresa e indignação.
- Não será problema, “minha esposa”... Pode fazer o que bem quiser nesse castelo. Espero que se sinta em casa. – Lord Jacob disse com sorriso malicioso olhando para mim. Mostrando que estava gostando da bofetada que havia dado em seu pai, que escolhera tanto para acabar levando uma rebelde para casa.
- Tudo bem, querida! Acho que vai adorar as acomodações do castelo. Se precisar de ajuda, pode levar Claire ou Leah com você. – Rachael disse tentando parecer simpática.
- Não é necessário! Em pouco tempo conhecerei todos os esconderijos desse castelo. Pode acreditar. – Respondi.
- Quero que se sinta livre e feliz aqui, Renesmee. Ninguém vai impedi-la de fazer nada. Muito menos obrigá-la a fazer o que não sente vontade. Tudo o que precisar, pode pedir aos criados e em último caso ao seu esposo ou a mim. – Disse Lord Billy.
- Obrigada, Lord Billy.
- Chame-me apenas de sogro ou Billy se precisar. Sem formalidades. Afinal, estamos em família. – Olhou de forma expressiva e sorriu lindamente para mim. Vi Lord Jacob dando de ombros, meio que decepcionado, pela reação de seu pai e Rachael o encarar seriamente.
Depois que fizemos o nosso desjejum, pedi permissão para sair da mesa depois que meu esposo se foi, precisando ficar sozinha para pensar no que fazer da vida a partir daquele momento.
- Se me permite sair¿ - Disse olhando para Lord Billy.
- À vontade, Renesmee. – Sorriu e continuou a comer tranquilamente.
Caminhei até a porta apressadamente e quando estava longe da sua vista, comecei a correr sentindo-me oprimida e com uma imensa vontade de chorar. Afinal já havia segurado as lágrimas mais do que poderia.
Saí na porta principal do castelo e comecei a correr pelos arbustos na entrada principal. As lágrimas desciam em meu rosto e precisava parar para me acalmar.
Sentei em uma pedra, abaixei a cabeça e comecei a lembrar da conversa que ouvi:
“Sabe que eu não a amo! Sabe que meu coração pertence a outra e não pode me obrigar a isso. Eu não a desposarei se é o que quer... Não mesmo!!! Ela ainda é uma menina, quase uma criança inocente e não abusarei de sua pureza com leviandade.”
Ele não me amava, não me queria como mulher e não me desposaria. Meu coração batia forte, cada batida era como se fosse um soco violento, meu corpo inteiro trêmulo, minha cabeça doía e um medo, misturado com decepção e angustia cresciam dentro de mim.
Não era feia... Todos me diziam que era linda e quando me via no espelho, tinha uma visão bem agradável. Então por que me desprezava daquela forma¿ Quem era a outra mulher que dizia amar¿ O que havia por trás de tudo aquilo¿
Aos montes as perguntas viam a minha mente e precisava cavalgar para espairecer as ideias e tentar pensar racionalmente sobre tudo o que havia ouvido. Precisava encontrar uma maneira de descobrir quem era a mulher a quem se referiu. Como eles se conheceram, os motivos de não estarem juntos. Mas acima de tudo, precisava encontrar uma forma de fazê-lo se esquecer dela e olhar para mim como uma mulher, não como uma criança que mal acabara de desmamar.
Por entre arbustos e rochas do imenso castelo, andei por um tempo de forma solitária. Até que cheguei a um local onde parecia um pequeno vilarejo, com casinhas, poço, curral, cocheira, pastos, horta, entre outras coisas.
- Milady! – Fui abordada por um rapaz moreno, alto, com os olhos negros e as expressões características de Lord Billy, sua família e seus empregados. – Está perdida¿ - Perguntou arqueando as sobrancelhas.
- Não... Mais ou menos... É que... – Fiquei sem graça com o rapaz me admirando com veneração. –Procuro o estábulo... Quero cavalgar um pouco. – Disse para ele, admirando o seu corpo másculo, forte, com o peitoral quase à mostra naquela camisa branca com os botões abertos. Usava uma calça de linho marrom e botas negras.
- Eu sou Seth Cleawater. Você deve ser Milady Renesmee, a esposa do Jacob. – Disse o nome de meu esposo com muita intimidade, como se fossem amigos íntimos e não patrão e empregado.
- Sim! Sou a esposa... – Sussurrei.
- Quer que eu a acompanhe até a cocheira¿ Temos lindos cavalos e a ajudarei escolher um para montar. – Disse enquanto caminhávamos.
- Seth, onde está o meu marido¿ Essas pequenas casas parecem um vilarejo...
- Billy é muito generoso e cada família que trabalha para ele tem a própria casa, assim como fartas glebas dadas por ele.
- HUM! Interessante.... Vocês têm as suas casas e ele deu um lote de terras para casa família¿ E como funciona¿
- Nós cuidamos das terras dele, cultivando e fazendo render um bom lucro. E cuidamos da nossa. Ainda recebemos moedas de ouro pelos serviços prestados. – Respondeu e depois de caminhar um tempo, sendo observados por algumas pessoas, chegamos até a cocheira.
- Você não me respondeu sobre o meu marido. – Disse para ele.
- Está cavalgando... – Olhou para mim com curiosidade. – Jacob adora se banhar no rio e cavalgar pela floresta. Gosta de caçar e a essa hora é isto que está fazendo. Chegamos!
A cocheira era enorme, com divisória para os estábulos onde ficava uma grande variedade de cavalos, com cores, raças e tamanhos diferentes.
- É enorme! Bem maior do que o que tem no meu castelo... Digo no castelo da minha família. – Disse.
- Pode escolher um dos animais, que preparo para a Milady montar. A maioria são mansos e só tem dois que não são permitidos montar. Um deles é o de Jacob, Pérola Negra, o outro é selvagem e ainda estamos domando. Jacob o chamou de Nefasto por causa do seu gênio. Ele é arisco demais e difícil de ser domado.
- HUM! Posso vê-lo¿ - Perguntei curiosa.
- Pode... – Hesitou. – Só não pode tentar montá-lo. Jacob acabaria comigo se Milady se machucasse.
- Eu prometo. – Juntei as palmas das mãos e fiz um gesto para ele, como se estivesse orando e riu para mim.
Caminhamos até a baia do estábulo e vi o animal negro, com os olhos flamejando, relinchando para nós. Senti um arrepio no corpo ao observá-lo e tive a nítida impressão de ele encarar meus olhos.
- Já está bom! Pode me ajudar a escolher um animal para montar¿ - Perguntei para ele.
- Claro!
Começamos a andar e quando vi aquela criatura linda, branca como a neve, olhos castanhos escuros me olhando tranquilamente,tive a certeza de querer montá-lo.
- Ele é lindo!!! – Exclamei empolgada.
- Ela! – Corrigiu-me enquanto eu admirava a beleza da égua.
- Qual o nome dela¿ - Perguntei curiosa.
- Princesa. – Ele sorriu. – Essa égua Jacob comprou de um mercador e se encantou com ela. Ele pretendia... – Hesitou.
- O que ele pretendia¿ - Perguntei curiosa e imaginei que seria um presente para a tal mulher que amava. Não me importava se ele pretendia dá-la, pois no momento que pus os meus olhos sobre a égua, soube que seria minha algum dia.
- Nada. – Respondeu.
- Posso montá-la, por favor? – Praticamente implorei.
- Pode! Deixa-me colocar a sela para a Milady montar. – Respondeu sorrindo.
- Pode me chamar apenas de Ness¿ Por favor, Seth. – Pedi gentilmente pare ele enquanto selava a égua para eu montar.
- Tudo bem, Ness. Só espero que Jacob não se incomode com essa intimidade. – Resmungou.
- Se ele reclamar, mande-o falar comigo. Tudo bem¿ - perguntei e ele sorriu.
Depois que Seth selou a égua Princesa, eu montei e comecei a cavalgar pelo pasto verdejante que circundava o castelo. A conduzi até a floresta com enormes árvores e poucos raios de sol penetravam pelas folhas. O vento frio batia em meus cabelos que esvoaçavam-se enquanto galopava sentindo uma sensação de liberdade em meu corpo.
- Renesmee – Ouvi a sua voz rouca e sensual chamando o meu nome. Segurei as rédeas de princesa, fazendo-a parar, enquanto virava para olhar de onde vinha a voz que tocava o meu coração como música.
- Milord! – Sussurrei ao encará-lo, observando o seu corpo perfeito sobre o animal belíssimo. Seus cabelos desgrenhados, os botões da blusa abertos, as calças negras justas em seu corpo, as longas botas... Uma figura perfeita e encantadoramente sensual que me deixou com falta de ar no momento que o fitei.
- Não deve cavalgar pela floresta sozinha. – Começou a falar. – É perigoso e algum malfeitor poderia lhe fazer mal. Não me perdoaria se fosse atacada fora dos muros do castelo.
- Desculpe, meu senhor! Eu gosto de cavalgar pela floresta, pelos campos e estava procurando o rio. Sei que em algum lugar próximo há um rio. – Respondi para ele, desviando o meu olhar dos seus, sabendo que me entregaria, já sentindo minhas bochechas arderem, a sensação estranha se formando em meu estômago.
- Tudo bem! Venha, eu a levarei até o rio. – Cavalgou até mim, pegou a minha mão gentilmente e senti um choque no momento do contato, fazendo os pelos do meu corpo se eriçarem. Depois de alguns segundos soltou a minha mão.
Cavalgamos juntos até o rio, Lord Jacob desceu de seu cavalo, o amarrou em uma árvore e depois veio até mim para me ajudar. Segurou minha cintura de forma vigorosa, pegou minha mão e desceu o meu corpo, fazendo o espaço entre o seu corpo e o meu diminuírem. Meus olhos voltaram a se fixar nos seus, não conseguia parar de admirar aquele rosto tão belo e tão exótico que me deixava completamente perdida.
- Você está bem¿ - Perguntou-me encarando de forma estranha.
- Sim! Obrigada. – Ele me pôs no chão e caminhei até a margem do rio. Sentei e fiquei jogando pedrinhas, enquanto ouvia os seus passos bem atrás.
- Quantos anos você tem¿ - Ele me perguntou sentando-se ao meu lado.
- Acabei de completar dezesseis. – Respondi nervosa, sem saber o que fazer,o que perguntar e como agir diante daquele homem lindo, que era o meu marido e estava tão próximo e tão longe de mim.
- Você é tão nova... Esse casamento foi um erro, menina. – Senti uma dor tão profunda no meu coração enquanto ele falava cada palavra. Ele doía muito e não sabia como olhá-lo. Senti a dor da rejeição, vi toda a esperança se esvaindo entre os meus dedos. Tinha que ser forte e tentar conquistá-lo. Mas quando se ouve algo como isso, um dia após o casamento, é pior do que uma bofetada na cara. E apesar de saber que ele estava tentando ser legal comigo, de certa forma até carinhoso, não havia como não sofrer diante da sua confissão. Eu teria que ser paciente, esperar que ele me visse como mulher. Talvez em alguns anos, quando adquirisse um pouco mais de corpo e meu rosto não se aparecesse como o de uma menina. Só que meu desejo só fazia aumentar com ele tão perto e queria provar de seus beijos. Saber que sensação era aquela que deixava as pessoas tão felizes. Por isso esperar até que ele me notasse seria uma grande tortura para mim. Mesmo assim estava disposta a esperar e seguir firme, mesmo que para isso fosse preciso derramar todas as lágrimas do mundo. Seria forte e um dia me olharia como uma mulher, não como uma criança que entrou em sua vida por um lamentável engano. – Não quero te magoar... – Hesitou. – Ferir os seus sentimentos é a última coisa que pretendo. Por isso, não me queira mal... Só acho que você é muito criança para estar casada.
- Muitas jovens se casam mais jovens do que eu, meu senhor – Engoli seco e tentei controlar a minha respiração.
- Você é linda, meiga e parece uma boneca. Percebi que é muito mais forte e decidida do que havia imaginado. Espero que não seja infeliz ao meu lado... Só me dê um tempo para me acostumar com isso tudo... – Ele falava como se entendesse tanto a dor e o sofrimento que me doía o coração cada a palavra que dizia. – Sei que deve se sentir rejeitada. E essa era a última coisa que queria lhe fazer. É tão linda e delicada... Merecia alguém melhor do que eu... Não merecia sujar o seu nome com um “selvagem” como as pessoas costumam dizer.
- Eu não o acho um selvagem. – Eu interrompi.
- Você não entende nada da vida. E um dia olhará a besteira que fez e sentirá vontade de voltar atrás. Eu tentei evitar esse casamento, mas agora não é mais possível. Só queria que as coisas não fossem tão difíceis para você... Só quero o seu bem e um dia compreenderá isso, Renesmee.
- Pode me achar de Ness¿ Por favor! – Praticamente implorei.
- Só se parar de me chamar de Milord ou meu senhor. Apenas Jacob. Tudo bem¿ - Estendeu a mão e apertou a minha. Quase desmaiei naquele momento e tive vontade de cair em seus braços. Não sabia o que fazer e o que dizer. Minha língua parecia travada e meu coração batia em ritmo descompassado.
- Eu não tenho vergonha de você e nunca terei, Jacob. – Enchi-me de coragem e falei.
- Será¿ - Vi uma tristeza tão grande em seus olhos negros e tive vontade de colocá-lo em meu corpo e acariciá-lo. Mas não consegui fazê-lo.
- Nunca... – Sussurrei.
- Você é uma boa moça. – Tocou o meu rosto e fez um carinho enquanto olhava em meus olhos. – Agora vamos! Mary ficará furiosa se perdermos a ceia.
- Tudo bem! – Ele se levantou, estendeu a mão e me puxou do chão, colando nossos corpos. Eu senti-me mole naquele momento, quase desmaiei e se não me segurasse, cairia estatelada na grama.
-Você está bem¿ - Perguntou apertando o meu corpo contra o seu enquanto sustentava o meu peso.
- Só uma vertigem... – Sussurrei.
Jacob caminhou comigo até Princesa e depois me ajudou a montar. Subiu no Pérola Negra e começamos a cavalgar juntos de volta ao castelo dos Black.
Senti uma felicidade enorme por ele se permitir conversar comigo pela primeira vez. E principalmente por ser tão carinhoso e gentil. De nenhum modo, aparecia a figura do homem “selvagem” que as pessoas falavam. Pelo contrário, era um verdadeiro cavalheiro, senti seus gestos protetores, sua forma carinhosa de me tocar e de se dirigi a mim. Havia um grande respeito em cada palavra e ele parecia sempre medir exatamente o que me diria. Depois de alguns minutos galopando comigo, percebi que ele começou a relaxar e pela primeira vez vi aquele sorriso lindo se abrindo, os dentes branquinhos, as covinhas mais acentuadas, as maçãs redondas do rosto sem a expressão rígida e incômoda que sempre demonstrava. A máscara de homem duro acabava de cair em minha frente, deixando-me ainda mais apaixonada e encantada com ele. Ali, eu o quis ainda mais. Mais do que antes e estava disposta a ter muita paciência até que me visse como uma mulher desejável, não mais como uma criança ingênua e frágil.





NGlau:

Espero que gostem do cap.

Fiz umas modificações de última hora e espero não deixar passar erros.

O cap 6 é o PVO do JAcob e o cap está lindissimo! Esse cap será postado na quiinta feira.





bjus



n/h:

Ah! tia Glaucia que Seth mais lindo esse! Camisa aberta, de botas....morri

Nossa, que capitulo doido!!! Senti até dor no peito....Mesmo assim o Lord Jacob não destratou ela...e esses pegas ai? ... ELE PASSOU A MÃO NO ROSTO DELA E FEZ CARINHO... Ele se levantou, estendeu a mão e me puxou do chão, colando nossos corpos....FALA SERIO, MENINA VC PRECISA AGIR...aproveitar as oportunidades....duvido que ele resista...16 anos muito novinha!!!!....bjs....meninas estão gostando? então recomendem....

quarta-feira, 8 de setembro de 2010




Eu queria fazer uma montagem com altar bem bonitinha para vcs, mas realmente não tive tempo e fiz a montagem da foto correndo. Então espero que me perdoem por isso.

Esse foi o vestido que pensei para a NEss. A imagem não está com boa resolução e nao teve como melhorá-la no editor de imagem. Mesmo assim espero que goste.




CAPÍTULO TRÊS – CASAMENTO

Mal o dia amanheceu, estava eu acordada, cansada e preocupada com o que viria. apesar dos meus receios, algo em mim aguçava a minha curiosidade e fazia crescer uma ansiedade enorme por aquele momento.
A todo instante, o rosto de Jacob vinha a minha mente, fazendo-me sentir uma estranha sensação, meu coração palpitava mais forte e a sua presença tornando-se tão necessária quanto o meu próprio ar.
Era extremamente estranho, pois havíamos nos visto poucas vezes. Nunca tivemos uma oportunidade de conversar a sós. Mesmo assim, sentia-me fortemente atraída por aqueles olhos que pareciam estar em uma profunda solidão.
Estava eu pensando com os meus botões, quando meu quarto foi invadido por minha mãe, tias e avó.
- Vamos acordar, bela adormecida. – Era a voz aveludada de minha tia, que soava como uma doce melodia num timbre delicioso de se ouvir.
- Não tia, Alice. – Resmunguei descontente, ainda sentindo muito sono por causa da noite mal dormida. Virei-me para o lado, colocando o travesseiro em minha cabeça.
- Nada disso! Não é porque se casará com um selvagem aborígene que se parecerá com uma no seu casamento. – Disse minha avó com o tom arrogante de sempre. – Vamos tratar de levantar dessa cama e se arrumar com calma. O dia está ensolarado, o jardim já está quase pronto e logo os primeiros convidados começarão a chegar. – Completou altivamente e a vi linda, em um vestido roxo longo, com chapéu com penas, combinando com a cor do seu vestuário.
- Não gosto que fale assim de meu noivo. – A repreendi. – Lord Jacob tem se mostrado um gentleman. – Vi cara de nojo da Rosalie, torcendo o nariz enquanto falava.
- Um gentleman fica por sua conta, querida. Porque mesmo bem vestido e tentando demonstrar bons modos, sempre será um aborígene vindo do novo mundo... Estamos perdidos com esse na família. – Disse ela fazendo um muxoxo para demonstrar o seu desgosto com a situação.
- Olha, eu tô cansada de ficar repreendendo vocês. – Sentei na cama e cruzei os braços. – Ele será meu marido e não admito que falem dessa maneira. Se estão tão incomodadas, podem ir embora antes da cerimônia. Agora, se pretendem ficar, guardem a opinião de vocês... Já estou irritada com isso tudo. – Levantei da cama e me dirigi para a casa de banho.
- Ness, filha, hoje é o seu casamento e não deve se aborrecer. – Disse minha mãe tentando aparentar calma. Percebi que suas expressões não eram as melhores naquele momento.
- Estou cansada de ficarem falando do meu noivo... Meu futuro marido. Então se puderem fingir ao menos que estão felizes, agradeceria muito a gentileza. – Entrei na casa de banho, tirei a camisola e entrei na tina com água. Depois de alguns minutos, todas entraram.
- Olhem para ela! Mal tem seios e já vai se casar. – Alice disse me observando.
- Será que posso tomar banho sozinha? Não sou nenhuma inválida. – Resmunguei desgostosa e ouvi todas saindo.
Estava me sentindo muito incomodada com a forma desrespeitosa a que se referiam a Lord Jacob, meu futuro marido e pai dos filhos que teria. Eu pretendia me impor para evitar a todo o custo que ele fosse descriminado pela minha família arrogante.
Depois que saí da tinha, peguei a toalha e comecei a secar o meu corpo, fiz a minha higiene bucal e voltei para o quarto, onde encontrei todas super ansiosas para me arrumar.
Fiz um breve desjejum, depois sentei-me em frente ao meu espelho e fiquei vendo minha tia pentear os meus cabelos.
Minha mãe trouxe o meu vestido, as calças bufantes, minha petticoats, as armações, o espartilho. Comecei a me arrumar calmamente, enquanto elas estavam prestes a ter um ataque de tão nervosas que estavam.
Depois que coloquei toda aquela roupa, minha mãe apertou bastante o espartilho antes de fechar o vestido e quase sufoquei de tão apertado que ficou, mas ela sempre dizia que uma dama precisava mostrar uma cintura muito fina.
- Ai, mãe! Está apertado! – Reclamei.
- Uma dama precisa de uma cintura fina e elegante. Não quer que o seu noivo a ache bonita? Então aguente firme... Não sei por que reclama tanto. Já era tempo para ter se acostumado com os espartilhos. – Respondeu e continuou arrumando antes de fechar os botões do meu vestido.
- Está ficando divina.... Esplêndida! – Disse minha avó com os olhos verdes brilhando ao me olhar.
- Essa moda de vestidos brancos para casamentos veio em boa hora. O que seria de nós se não fosse nossa estimada rainha Vitória? – Disse Rosalie com a mesma altivez de sempre.
- Esse vestido está lindo, elegante e caiu muito bem em você, minha filha. – Minha mãe disse orgulhosa.
- Agora, deixa eu arrumar os cachos dos cabelos dela, colocar as joias e enfeitar um pouco esse rosto. – Alice bateu palminhas e ficou em minha frente, com uma pequena bolsa com seus objetos pessoais.
- O que tem aí, tia¿ - Perguntei curiosa.
- A última moda de Paris... – Suspirou fundo. – A condessa de Lancaster, minha querida amiga, veio de Paris há alguns dias e trouxe novidades para nós. – Riu entusiasmada. – Sabe, os franceses inventaram um pó para passar no rosto para deixá-lo um pouco mais branco. Além disso, criaram essa pequena massa, que chamam de batom, para deixar os lábios vermelhos. Mas eles são usados apenas por cortesãs. Algumas mulheres da corte já ousam usá-lo também. É claro que de forma bem suave para não chamar a atenção. Ele deixa os lábios com uma cor bonita e deixa os homens com vontade de beijar. – Ela revirou os olhos e riu.
- Mas se são usados por cortesãs, por que vai passar em mim¿ - Perguntei sem entender.
- Mulheres casadas também podem usar. Mas não podem exagerar para não parecerem vulgar. Eu passarei levemente em seus lábios para dar um leve tom avermelhado. – Alice começou a passar o pó em meu rosto, depois passou o dedo na pasta vermelha, tocou levemente os meus lábios. – Agora junte os lábios para espalhar a pasta assim. – Flexionou os lábios, movendo-os lentamente e depois abriu a boca. Vi que o seu contorno ficou levemente avermelhado e com um pouco de brilho.
- Assim¿ - Repeti o seu movimento e flexionei os meus lábios.
- Ficou linda! – Exclamou minha tia Rosalie.
- Tem certeza de que não estou vulgar como uma cortesã¿ - Perguntei preocupada.
- Absoluta! – Minha avó disse rindo. – Está simplesmente divina! – Seus olhos brilhavam a me olhar.
- Agora as joias. – Lembrou Rosalie.
- Ah, Sim! – Abriu a sua bolsa novamente e tirou um colar de brilhantes lindo, colocou-o em meu pescoço, depois pegou um par de brincos e colocou em cada orelha. Virou-me para o espelho e pude ver a minha figura pela primeira vez totalmente arrumada.
O vestido era longo, com uma enorme armação que o deixava completamente aberto, era de seda e tinha rendas ao seu redor. A parte de cima era de renda, cobrindo os ombros e todo o contorno de meus braços. Ele era justo até a altura do meu cotovelo, depois a renda ficava mais folgada na altura dos meus punhos.
Olhei o meu rosto e quase não me reconheci com a boca levemente avermelhada. A pele mais clara, os meus olhos verdes estavam num tom mais intenso, os cachos dos meus cabelos simetricamente arrumados. Em meu pescoço, um lindo colar de brilhantes combinando perfeitamente com os brincos.
- Nossa! – Disse de boca aberta, ao me ver tão linda em frente do espelho.
- Falta colocar os sapatos. – Disse minha mãe, agachando-se para calçar-me.
- Eu não pensei que ficaria tão bonita de noiva. – Disse quase chorando enquanto me observava em frente ao espelho.
- Você é linda, filha. Só é uma pena o noivo não estar a sua altura. – Disse minha tia Alice.
- Não fala dele, tia. – Reclamei com ela.
- Tudo bem, querida! Hoje é o seu dia e não falaremos mais nisso.
Todas saíram e fiquei nervosa andando de um lado para o outro no quarto até que Lizzy entrou.
- Querida, tem alguma coisa que queria mandar para o castelo dos Black¿ O cocheiro deles já levou os seus baús e está à nossa disposição. – Perguntou para mim.
- Não! Já coloquei todas as minhas coisas nos baús e as únicas coisas que ficaram, foram para passar este dia. – Disse para ela, que pegou a minha mão e fez um leve carinho.
- Você está nervosa¿ Está com medo¿ Ainda tem tempo para desistir desse casamento. – Disse franzindo o cenho enquanto me encarava.
- Não... Eu estou ciente do noivo que escolhi e estou feliz com meu casamento... – Hesitei com medo de contar sobre o sonho. – Só estou com medo... Você sabe... Não é¿ - Falei nervosa.
- Tudo acontecerá muito rápido e logo se acostumará. E quando estiver com seu bebê no colo, saberá que valeu a pena o que passou. – Tentou me acalmar.
- É... Pode ser...
- Quer comer algo¿ Tem bolo e doces na cozinha. – Disse caminhando para a porta.
- Trás qualquer coisa para comer. Afinal, não terei tempo para me alimentar durante a minha festa. – Respondi.
Fiquei no quarto por algum tempo, comi bolo e doces que Lizzy trouxe, enquanto pensava na nova vida que teria.
Depois de algum tempo, meu pai veio até meu quarto me buscar para a cerimônia de casamento e tivemos uma breve conversa.
- Filha, você está linda! Tem certeza de que quer se casar? Ainda pode desistir. – Disse afagando o meu rosto, enquanto os seus olhos azuis, ainda mais brilhantes, me observavam com extrema admiração e ansiedade. Percebi que estava preocupado com a responsabilidade que havia colocado sobre os meus ombros. E que se sentia receoso pelo futuro que teria.
- Pai, estou certa do que farei. Não precisa se preocupar comigo. Tudo bem? Agora, vamos para o altar que o meu noivo certamente está ansioso à minha espera. Não quero fazer Lord Jacob esperar muito. – Disse sorrindo para ele, tentando acalmá-lo naquele momento em que parecia tão preocupado.
- Filha, sei que você acha que está fazendo a coisa certa para salvar a nossa família. Mas não quero que estrague a sua vida por nossa causa. Então, te pergunto novamente. Tem certeza que quer se casar? Que esse noivo te agrada? Sabe que sofrerá preconceitos ao lado dele? - Arqueou a sobrancelha e mordeu o lábio inferior.
- Tenho, pai! Eu quero me casar hoje e não desistirei agora. Então vamos parar com drama e seguir até o altar para encontrar o meu noivo¿ - Peguei a sua mão e o puxei para a porta.
Caminhamos juntos pelo longo corredor, descemos a longa escada, até a parte inferior do castelo. Caminhamos até a porta e seguimos até a carruagem. Meu pai me ajudou a entrar e depois subiu. Fomos conduzidos até o jardim que ficava no lado norte do castelo.
O cocheiro parou, meu pai desceu e depois abriu a porta para me ajudar a descer.
Desci da carruagem e meu pai me ajudou a arrumar o vestido. Olhei para frente e vi o longo caminho enfeitado com flores brancas e vermelhas, fazendo uma passagem pelo longo tapete vermelho que se estendia até o altar. Havia várias mesas brancas revestidas com toalhas de seda e com arranjos de flores. Nelas, muitas damas e cavalheiros bem vestidos da mais pura elegância me aguardando.
Olhei para frente e vi bem longe um grande altar feito de carvalho, revestido de flores de todos os tipos. Ao lado, uma pequena orquestra tocando a marcha nupcial. No altar, estavam o padre da igreja anglicana com uma túnica roxa, minha mãe com um longo vestido azul, Billy com um traje preto e uma flor branca na lapela, Rachael com um lindo vestido verde e Jacob... Lord Jacob... Meu... Meu Jacob lindo, com um traje negro e flor branca na lapela.
Meu coração disparou quando o vi. Senti minha ansiedade aumentando a cada passo que dava em sua direção. Meus olhos se encheram de lágrimas. Sem perceber, estava sorrindo, senti algo estranho revirando o meu estômago, fazendo crescer ainda mais o meu nervosismo.
Ali, eu soube que o amava. E pela primeira vez me dava conta daquela verdade, pois a todo o momento em que o observava, imaginava ele me tomando em meus braços e me beijando, assim como meu pai sempre fazia com minha mãe.
Os minutos pareciam eternos. Eu pensei que nunca fosse chegar até ele, estava completamente hipnotizada com sua beleza exótica, ele chamava tanto a atenção, que chegava a doer em meu coração, fazendo-me ficar cega e só enxergá-lo, enquanto ouvia a melodia ecoando docemente eu meu coração.
Naquele momento, só havíamos nós dois ali, e só me dei conta da presença dos outros, quando meu pai me virou para si, beijou a minha testa e depois entregou a minha mão para ele. Despertei-me do transe e senti seus lábios macios beijando carinhosamente a minha mão. Senti o meu corpo inteiro se arrepiar e uma enorme vontade de me entregar aos seus braços.
Já não havia medo ou receio. E sim uma ansiar em ser tomada por ele, virando finalmente a sua mulher e sentindo o doce gosto dos seus lábios sobre os meus.
Mal conseguia respirar, foi preciso ele mexer meu braço para me despertar. Naquele momento, meus olhos estavam completamente perdidos naqueles olhos negros e enigmáticos que demonstravam um medo ou talvez algo que o fazia sofrer.
O Clérigo começou a falar coisas que para mim não faziam o menor sentido. Enquanto eu ficava imaginando a minha vida ao lado dele, as conversas que teríamos e a forma como passearíamos e os filhos que nasceriam de nós dois.
Até aquele momento, só havia trocado algumas palavras e não conhecia bem o som da sua voz. Mas naquele momento, conseguia ouvir as nossas conversas e a sua voz rouca ecoava em minha mente. Era só isso que consegui ouvir e novamente fui despertada quando o clérigo perguntou se eu aceitava e eu assenti.
- Sim! Eu aceito.
- Sim! - Ouvi a sua voz que mais se comparava a um sussurro afirmando o nosso compromisso.
Recebemos os cumprimentos de nossos familiares e pessoas que nunca havia visto em toda a vida. A todo o momento, percebia a forma como o olhavam, deixando-me ofendida e muito magoada. Me mantive firme e usei a altivez preponderante dos Cullen para aguentar toda aquela prepotência.
Depois dos cumprimentos, dançamos uma valsa ao som da orquestra.
Foi um dos momentos mais lindos, quando senti sua mão segurando de forma firme a minha cintura, seus olhos cravados nos meus, seus lábios mexiam lentamente algumas vezes, seu rosto divino parecia perdido em algum lugar distante e quando voltava à realidade, olhava-me de forma estranha, como se um grande sofrimento assolasse o seu coração. Aquilo me sentir vontade de acariciar os seus cabelos e tomar a sua dor para mim.
Não trocamos muitas palavras, apesar de eu o olhar hipnotizada o tempo inteiro, completamente ansiosa para partir dali e ter a oportunidade de ficar a sós com “meu marido” pela primeira vez.
Nunca desejei tanto uma coisa quanto ficar sozinha com ele. Quando finalmente pediu para nos retirarmos, senti-me grata pela sua atitude.
- Renesmee, podemos ir embora¿ Acho que já ficamos muito tempo e estou cansado. – Sua voz rouca, atraente e melódica era como música para meus ouvidos, depois de tanto tempo em silêncio.
- Claro que sim, meu Senhor! – Respondi sorrindo.
- Então, vamos nos despedir de sua família para partirmos. – Disse e caminhou, segurando a minha mão até a mesa onde se encontravam nossos pais.
- Estamos partindo. – Anunciou para todos.
- Mas já¿ Fiquem mais um pouco. – Minha mãe disse com a voz triste. Levantou-se e caminhou até nós.
- Estou cansada, mãe. Preciso me deitar e descansar um pouco. – Menti para ela, porque a coisa que menos queria era descanso. Queria me entregar em seus braços, sentir seus beijos, o seu cheiro e o calor do seu corpo emanando sobre o meu. Mesmo com o receio pelo sonho e as coisas que a Lizzy havia contado, não via a hora de estar com meu marido em nosso leito.
- Cuida bem da minha menina. – Ela estendeu a mão para ele, que a beijou como um perfeito cavalheiro.
- Filha, nós a visitaremos em alguns dias. Qualquer coisa que precisar é só enviar um mensageiro. – Disse meu pai me abraçando.
- Ficarei bem, meu pai. Não precisa se preocupar. – Coloquei a cabeça em seu ombro e fiquei me lembrando de tudo o que vivi até aquele momento. – Eu amo você. – Uma lágrima solitária correu pelo meu rosto naquele momento.
Depois da despedida da família e dos convidados, entrei na carruagem ajudada por meu marido e seguimos viagem para o seu castelo.
A viagem foi muito mais longa do que eu imaginava e eu me sentia cansada, sonolenta e um pouco dolorida com os solavancos da carruagem que corria pela floresta.
O silêncio era insuportável e tinha vontade de conversar, mas não sabia exatamente sobre o que falar. Jacob por sua vez parecia perdido em seus pensamentos, com a mesma expressão de dor, sequer notando que eu estava ao seu lado.
Sentia meu coração apertado e uma angústia se formava enquanto estávamos naquela longa viagem. Adormeci, sendo acordada pelo toque delicado de sua mão em meu rosto.
- Renesmee, querida, acorde. – Era a voz encantadoramente rouca e atraente do meu marido sussurando.
-Ah! – Abri os meus olhos e vi aqueles lindos olhos negros, observando o meu rosto. Então senti meu corpo frágil sendo carregado no colo e finalmente acordei.
- Pode me colocar no chão. – Sussurrei quando chegamos a uma enorme sala em tom de amarelo, vi castiçais, querubins, quadros e uma enorme escadaria.
- Pode andar¿ - Perguntou tirando os meus cabelos do rosto.
- Posso. – Respondi.
Meu marido me colocou no chão e eu comecei a me recompor.
- Mary, essa é minha esposa Renesmee. Leve-a até os seus aposentos e a ajude com tudo o que for necessário para se acomodar. – Disse para a senhora morena, com a pele escura, cabelos lisos e feições marcantes como as de meu sogro e meu marido.
- Venha comigo, Milady. – Disse para mim e eu a acompanhei subindo a escadaria.
- Mary¿ Esse é o seu nome¿ Você é parente do meu marido¿ - Perguntei curiosa.
- Não! Mas eu vim com ele do novo mundo. Você deve estar estranhando o meu tom de pele, não é¿ - Perguntou e eu assenti.
- Sim. – Respondi. – Desculpa a impertinência.
- Que é isso, Milady¿ Estou aqui para servi-la. – Disse para mim enquanto caminhávamos por um imenso corredor pouco iluminado.
- O meu marido não fala muito. Você o conhece bem? Conhece? Ele é sempre tão calado? - Precisava saber o motivo daquele jeito estranho de Lord Jacob, meu marido.
- Ele está passando por uma fase difícil. Mas sei que ao seu lado ele se recuperará. – Respondeu abrindo uma grande porta de madeira e entrando por ela. – Chegamos! – Disse apontando-me os meus aposentos, um quarto enorme, iluminado com muitos castiçais, uma enorme cama de madeira com cueiro branco, cortinas em tom de amarelo, duas grandes poltronas diante de uma mesa, um aparador de roupas e um espelho enorme que dava para ver todo o corpo.
- Grande! – Disse para ela.
- Naquela porta está o seu closet. Eu arrumei todos os seus vestidos e objetos pessoais lá. Se tiver alguma dificuldade é só me chamar. Na outra porta à direita, a casa de banho. Eu deixei uma tina com água pronta para a Milady se banhar. Também tem um gomil* com água para limpar o rosto e fazer a higiene bucal. Qualquer coisa que precisar pode me pedir. – Disse, sorrindo para mim.
[*gomil - jarra utilizada para guardar água, geralmente posta sobre uma bacia do mesmo material, onde fazia-se a higiene]
- Eu vou me banhar. Será que a senhora pode me ajudar a tirar o vestido, o espartilho e toda essa roupa¿ - Pedi docemente observando a sua presteza e a forma carinhosa com que me tratava. Percebi que seria para mim como Lizzy era em meu castelo, ficando mais aconchegada e tranquila por essa fase de mudanças que passava.
Mary começou a abrir o meu vestido e depois soltar as amarras do meu espartilho.
Aos poucos, foi me ajudando a me despir e depois levou o meu vestido para guardar, enquanto partia apenas com a camisola para a casa de banho.
Entrei na tina e comecei a me banhar quando ela entrou para me ajudar.
- Milady, deseja comer ou beber algo¿ - Perguntou colocando uma camisola no aparador de roupas.
- Eu quero um copo de leite quente e se houver pão ou bolo, gostaria de um pedaço. Quase não comi nada hoje e sinto fome. – respondi. – Posso pedir um favor¿ - Virei e vi que assentiu com a cabeça.
- Pode me achar só de Nessie? Estou mais acostumada assim... Milady fica muito formal. – Disse para ela.
- Tudo bem, Nessie. – Respondeu sorrindo. – Sua mãe deixou uma carta, pedindo para deixar esta camisola e perfume para a sua noite de núpcias. Está aqui na pia. – Disse e saiu.
- Obrigada, Mary.
Fiquei um pouco na casa de banho, refrescando o meu corpo e depois saí. Sequei o meu corpo e coloquei as peças de roupas que minha mãe separou para a minha noite de núpcias.
Passei o perfume, penteei os cabelos e fui para o quarto.
Vi que sobre a mesa havia alimentos e sentei na poltrona para me alimentar antes do meu marido entrar no quarto. Depois, fui até a casa de banho novamente e fiz a minha higiene bucal.
Voltei para o quarto, deitei na cama e fiquei à espera do meu marido.
O tempo começou a passar, olhava para a porta ansiosa para encontrá-lo e sentir os seus braços me envolvendo. Mas ele não entrava, nunca entrava e depois de muito esperar comecei a ficar sonolenta.
As lágrimas já ameaçavam se formar em meu rosto. Meu coração batia descompassado, minha cabeça fazia milhares de suposições sobre a sua demora. Ao mesmo tempo, que recordava quão lindo estava na nossa cerimônia.
Comecei a chorar sentindo-me estranhamente, desconfortável. Uma estranha sensação de vazio começou a se formar, enquanto observava a porta, que não se abria. A penumbra foi ficando ainda maior com as velas se apagando uma a uma. Finalmente, caí em um profundo sono.
N: Glau: Tadinha da Ness! Doida para dá e o Jacob não aparece....Isso não se faz!

Agora a bichinha ficará se sentindo a pior pessoa do mundo. Imagina ISS! Vc se casa com um deus gregos, seu corpo já começa a reagir só de olhar. Está morrendo de vontade de sentir seus toque e mais e o homem não aparece? OMG Eu estou com pena dela. Mas sinto que ainda cortará um dobrado até o Jacob resolver dá o ar da sua graça e comer a parte do bolo do casamento. Kkkkk Vamos esperar para ver como isso se desenrola.

OBRIGADA POR TODOS OS COMENTÁRIOS E CARINHO DE VCS!

BJUS NO CORE


NOTA DA VALÉRIA: Bom, gente. Esta é oficialmente, a primeira vez que eu beto uma fic. Estou muito feliz com os reviews. Quando abro a minha caixa de e-mail, tem tantos comentários dessa fic pra ler. Cada um mais fofo que o outro. Obrigada pelo carinho de vocês. É essa receptividade toda que faz com que, Gláucia, Heri e eu passemos o tempo todo articulando novas histórias pra vocês, podem acreditar. Quanto ao nosso capítulo, só vou dizer isso: tadinha da Ness, achando que iria ser comida pelo “lobo mau” na noite de núpcias! Kkkkkkk Vai rolar muita coisa antes de ela provar daquele corpinho lindo. Aguardem!!!]



n/heri: Meu Senhor!!! To começando achar que autora não gosta muito da Nessie...talvez é recalca porque ela nasceu pra ele!!! kopksoskokoskop....ok....vamos falar serio. SER REGEITADA NA 1ª NOITE, ABANDONADA E DESPREZADA...mas a culpa é dela..(G)kkkkk ...Tadinha, ele tão lindo e educado no casamento ,até dançou e na hora “H”....ela já ta enfrentado preconceito da família...e ele nem ai pra ela...meninas vcs estão gostando do ROMANCE?...ta lindo né não? Então RECOMENDEM.....bjs

terça-feira, 7 de setembro de 2010






Capítulo 2 - PREPARATIVOS


Justificar
Os dias seguiram rápido e saí da minha velha rotina de jovem travessa. Porque naquele momento, tinha que me dedicar ao meu enxoval, resolver com a minha mãe coisas para o preparativo da minha união com Lord Jacob Black, tais como convite, vestido e preparativos para a festa e cerimônia.

Lord Billy, sabendo a situação financeira pela qual passava a minha família, resolveu abrir mão do dote e arcar com todas as despesas para grande celebração.

- Eu não posso aceitar, Lord Billy. – Meu pai olhava com austeridade e consternação. Afinal era um conde, vendo aquilo tudo como uma grande humilhação. Ao mesmo tempo, sabia que não era provedor de moedas que pagassem o dote de uma condessa e também não tinha condições de oferecer uma festa abundante digna da nobreza londrina. Assim, sentia-se mal e totalmente desorientado diante de tal oferenda.


- Sabemos que o Conde não tem condições para ostentar uma festa digna da realeza. Muito menos pagar um dote que honre o nome dos famosos condes de Cullen. Por isso, ofereço a minha ajuda, já que em breve estaremos ligados por parentesco. – Minha mãe se abana com seu leque, da mesma forma nervosa e apreensiva ao observar Lord e suas sábias especulações.


- Mesmo assim. – Meu pai engoliu seco, olhou para nós e demonstrou toda sua indignação, diante de tal oferta. Sabia que não tinha alternativas e recusar a oferta não seria inteligente da sua parte.

- Estamos em um impasse e temos que resolver isso. Se acha melhor a recusa da minha generosa oferta, espero que encontre outra forma de oferecer uma grandiosa festa na celebração do matrimônio dos nossos filhos. – Regozijou-se com um sorriso malicioso ao encarar o olhar desgostoso do meu pai.

- Pois bem... – Meu pai balançou a cabeça e encarou com firmeza. – Não tenho outra alternativa e sinto que estou em suas mãos. Aceito que seja o provedor dessa celebração. Contudo, clamo que mantenha isso entre família. Sentiria-me tremendamente mal se isso viesse a se espalhar na corte. – Disse para Lord Black, que assentiu com a cabeça.

- Fique com essas moedas de ouro e faça bom gasto delas. – Olhou para mim com aquele sorriso que havia um misto de encantamento e sarcasmo. – Quero que a minha nora seja a mais linda das noivas. Então providencie o melhor vestido que o dinheiro possa comprar. E se esse ouro não lhe for suficiente. Rogo-te que me peça mais... O que não fazemos pelos filhos.

Senti desconforme com as palavras de Lord Black, mas ao mesmo tempo percebi naqueles dias que seguiram que ele não era de todo o selvagem que o chamava.

Vi que os seus modos à mesa, assim como os de seus filhos, Lord Jacob e Lady Rachael, não eram nada selvagens. Eles sabiam como usar perfeitamente os talheres à mesa. Que tinham bons modos e educação refinada e apesar da aparente timidez que demonstravam, nos poucos momentos que falavam, não pareciam em um todo pessoas ignorantes.

Lady Rachael tinha uma beleza singular, nos traços definidos de seu rosto, na pele com tom mais escuro, nos cabelos longos e negros, os traços do rosto marcantes e definidos. Parecia talhada a mão por um artista de tão bela e o jeito meigo como sorria, ou quando falava, era encantador e me fazia prestar a atenção e cada movimento de sua face.

Lord Jacob sempre muito sério e calado, trocando raramente palavras com os outros. E sempre dando a impressão de ter o olhar perdido em outro lugar. Um olhar triste e cheio de melancolia que me feria o coração. Sempre muito gentil nos gestos e cumprimentos formais, mas nas conversas se mantinha alheio e quando se permitia dizer algo, só assentiu ou dava um ligeiro sorriso.

Seu rosto encantador cada vez mais me atraía e nas duas vezes em que estiveram em minha casa, fiquei completamente hipnotizada pelos seus traços marcantes. Já vendo muitas vantagens no casamento com um rapaz tão lindo e exótico, gentil no seu trato e na forma de lidar com as pessoas.

Minha mãe nada se agradava com a presença dos Black, sempre se mostrando mal humorada e agitada nas poucas ocasiões que estivemos juntos. E nos preparativos do casamento, mesmo fazendo tudo com zelo, reclamava o tempo inteiro do tamanho despautério que estava prestes a cometer me sujeitando ao casamento com um “selvagem”, assim dizia nas suas lamúrias.

Os dias foram corridos com os preparativos do meu casamento. E o mais difícil não foi escolher um recatado e belo vestido, visto que Lord Black mandou vir a modelista mais famosa de Londres. O problema foi enviar os convites e colocar o clã dos Condes de Cullen à parte dos acontecimentos.

Minha mãe estava em um estado de nervos que ninguém aguentava. Tinha medo da desaprovação, que certamente viria, de minha queria condessa Esme Cullen. Aquilo estava lhe roubando o sono e a sobriedade para conduzir as coisas. Mesmo assim, tudo estava saindo conforme solicitado pelo Lord Black e todas as famílias de posses ou títulos foram convidadas para a grande celebração, onde sua família entraria para aquela sociedade cruel e hipócrita.

Há dois dias do casamento, os condes de Cullens chegaram em suas carruagens em nosso Castelo em Crawley, deixando claro de imediato a desaprovação e a consternação pelo meu casamento com um “selvagem”, deixando-me extremamente irritada com a forma como falavam de meu noivo.

- Eu não creio que tenha descido tão baixo¿ - Disse a Condessa Esme, minha querida avó, ao descer da carruagem amparada pelo cocheiro.

- Mamãe, não comece com isso agora. Não é hora para brigas. – Meu pai tentou argumentar.

- Edward, como pode entregar sua filha a um Selvagem¿ - Ela estava quase gritando com olhos flamejantes de pura raiva. Meu avô, Conde de Cullen, homem ponderado e sempre demonstrando sangue frio e calma para raciocinar as coisas, parecia dessa vez decepcionado e balançava a cabeça enquanto ela acusava meu pai e olhava com superioridade para minha mãe.

- Você não podia ter consentido isso. Sabe que está condenando a sua filha a ser rejeitada e humilhada pela sociedade. Sabe que seus netos nunca herdarão o título de nobreza, que nunca serão aceitos por uma família de posses e títulos¿ Como cometeu tal imprudência concedendo a sua única filha a uma família de má reputação¿ Sinceramente não sei o que deu em sua cabeça para tamanho desatino.

- Ela é só uma criança e terá que se deitar com um mestiço fedido, bruto e sem menor compostura. – Era Rosalie, a mais pretensiosa, arrogante e preconceituosa dos Cullens. – Sabe o que é para uma jovem se deitar com um homem. E como permite que esse aborígene despose sua filha¿ Isso é absurdo, insensato e estúpido! – Atacou meu pai caminhando na direção do conflito dele com meus avós. Teve o prazer de sair correndo de sua carruagem, seguida por seu marido, para advertir o meu pai de forma arrogante.

- Eu posso falar¿ - Perguntei em meio à calorosa discussão. Vi quando minha outra tia e seu marido caminhavam em nossa direção. Minha mãe se abanando com o leque de forma nervosa, quase tendo um ataque de nervos, minha avó e minha tia fuzilando o meu pai, meu avô olhando de forma questionadora, sem entender o porque do despautério.

- Eu aceitei casar... – Engoli seco e comecei. – Eu! E ninguém tem nada haver com isso. Vocês estão aqui como convidados. Não como inquisidores do clérigo. Então não quero que briguem com meus pais por uma escolha que foi minha. – Disse segura de minhas palavras e os encarei severamente.

- Você é uma criança. – Meu avô disse com tom apaziguador. – O que aconteceu¿ Ele desonrou a sua filha¿ Se for o caso, mandaremos esse infeliz aborígene para a forca. – Disse arqueando uma das sobrancelhas enquanto encarava meu pai.

- Como¿ Como... – Tentei falar, mas minha mãe me conteve, segurando-me pelo braço e me olhou de forma severa. Percebi que ela não queria que eu entrasse na discussão e contasse o real motivo para o casamento.

- Ele não a desonrou. – Meu pai disse consternado e de cabeça baixa.- Perdi o castelo para o rei por não ter pago os impostos. Ele foi a leilão e o distinto Lord que o arrematou, propôs casamento a nossa filha para o seu filho. – Confidenciou aniquilado pela vergonhosa fraqueza em conceder a sua filha como barganha pelo castelo.

- Você é um fracassado, Edward! Como pôde¿ É sua filha! – Rosalie cuspia as palavras com raiva. – Agora teremos o nome dos Cullens, misturados com o nome de um mestiço selvagem que veio do fim do mundo para tentar entrar na sociedade. Acha isso justo¿ Acha justa a vergonha que nossa família passará¿

- Rosalie, por favor! Não se trata de você e sim da sua sobrinha. Não seja egoísta e pondere as suas palavras. – Seu marido Emmett, um homem alto, loiro, olhos azuis e muito forte a advertiu diante da sua indignação que nada tinha haver com a minha vida, sim com a sua reputação na sociedade.

- Edward, o que nossos amigos pensarão¿ Condes, Duques... a rainha Vitória¿ Meu Deus! Estamos na lama... tantos anos tentando manter uma reputação. – Minha avó lamentava e quase chorava de raiva e vergonha. – Mas também não é de se admirar. Não é a primeira vez que arruína tudo. – Disse com olhar de superioridade para a minha mãe, que ficou dura como estátua com aquilo.

- Acho que estão fazendo uma tempestade. Sei que Edward errou ao entregar a filha para um forasteiro, sem reputação e que as pessoas consideram selvagens. Mas aqui o que está em jogo não é a reputação do nosso nome e sim a felicidade da Renesmee. Porque não tentam deixar toda essa arrogância e esse egoísmo de lado, tentando pensar na situação dela. – Minha tia Alice pela primeira vez se manifestou.


- Obrigada, tia!- Disse agradecida. – O meu noivo não é um selvagem de maus modos como dizem. É um rapaz discreto, educado e que sabe se portar muito bem. Apesar das pessoas considerarem a sua família selvagem, posso dizer que são mais educados que algumas pessoas que chegam ao castelos dos outros gritando e fazendo escândalos desnecessários. Se querem participar do meu casamento fico grata, mas se desejam estragar tudo no último momento ou infernizar a minha vida colocando veneno antes mesmo de eu casar, podem entrar em suas carruagens e dar meia volta. – Fitei todos com olhar severo, vi minha mãe me olhando com olhos arregalados e meu pai mais respirava de nervoso. – Não quero ser indelicada com vocês que são meus parentes. Mas daqui a dois dias eu me caso e não quero interferências externas. Podem entrar e ocupar os seus aposentos, alegrando-se comigo pela minha felicidade ou simplesmente ignorar o fato de eu ser parente de vocês e irem embora.

- Desculpa, minha neta! Não sabia que se sentia assim. – Meu avô me abraçou forte e depois beijou a minha testa.

- Só queremos que seja feliz, querida. – Minha avó deixou toda aquela prepotência de lado e me beijou ternamente.

- Eu gosto do noivo que meu pai me arrumou e estou feliz por me casar com ele. Acho que não haveria noivo melhor em toda Inglaterra. E tenho certeza que serei feliz em seu castelo em Reading. – Disse sorrindo.

- Que você seja muito feliz, minha preciosa. – Alice veio até mim e me abraçou forte. – Minha pequena boneca de porcelana está crescendo. – Estava quase chorando.

- Tia, eu já fiz dezesseis. – Disse e todos riram.

- Já está mais do que na hora de se casar. Apesar do noivo não ser apropriado... – Minha avó comentou.

- Apropriado não seria a palavra correta. Mas deixa para lá. – Rosalie resmungou e depois veio me abraçar.

- Pedirei aos serviçais que as ajudem com as malas. Eles levarão tudo até os seus aposentos e espero que esteja ao agrado. – Minha mãe disse tentando ser gentil. Mas percebi que ainda estava muito nervosa com tudo aquilo.

Entramos no castelo e meus pais receberam nossos parentes no grande salão. E eu corri para a cocheira para aproveitar os últimos momentos com o meu velho cavalo.

Passei o dia inteiro adorando a natureza, banhei-me no rio, andei descalça pela grama, subi em uma macieira para provar da fruta no pé... enfim, tive o meu último dia de liberdade, já que o dia seguinte teria a prova do vestido e começaria a arrumar as minhas coisas para enviar ao castelo do meu futuro marido em Reading.

-----xxx ------

Lizzi me banhava na tina, esfregando as minhas costas e começou uma indelicada conversa sobre casamento e coisa de casais.

- Minha menina, sentirei tanta saudade de você. – Disse enquanto passava a esponja em minhas costas.

- Eu também! Mas Lord Billy disse que eu poderia vir visitar sempre que quisesse. – Disse tristonha para ela, sentindo que não seria a mesma coisa quando eu partisse e não pudesse contar com seus carinhos, o seu calor, os conselhos e broncas. Ela era a minha segunda mãe e sempre me ajudava quando me metia em encrencas. Sabia que sentia falta dos meus pais, mas o mimos e cuidados de Lizzy me deixaram completamente desamparada quando estivesse longe.

- Você está com medo¿ - Perguntou com a voz baixa, quase que um sussurro.

- Medo de que, oras¿ - Não entendi a sua inquietação.

- Você estará casada em poucas horas e terá suas obrigações com seu esposo. – Disse-me deixando ainda mais curiosa.

- Que tipo de obrigações, Lizzy¿ Como é que as coisas acontecem entre um homem e uma mulher¿ Como nascem os bebês¿ - Nunca havia parado para pensa sobre aquilo. Mas sabia que era algo bom e mágico, que os casais se amavam e haviam toques e gemidos. Já havia escutados gemidos e sussurros de meus pais, sabendo que era algo bom para agirem daquela forma apaixonada. Eu imaginava se seria assim comigo. Se o meu marido me amaria e faria comigo as coisas delicadas e carinhosas que meu pai fazia com minha mãe.

- Os homens têm desejos e instintos animalescos, filha. O que precisa saber é que as coisas nem sempre são boas para as mulheres. E poucas têm a sorte que a sua mãe teve. O ato da cópula costuma doer, ser cruel e difícil na maioria das vezes. – Sua voz expressava amargura e medo ao mesmo tempo. Sabia que estava preocupada comigo e aquilo me deu um nó na garganta.

Será que sofrerei¿ Será ruim para mim¿

- Será doloroso, mas você não pode gritar ou chorar. Tente ficar calma e deixe que ele faça tudo. Feche os olhos, abras as pernas, segure a dor e o desespero do seu copo. E quando menos perceber, terá terminado e você poderia se recompor. – Ela dizia tudo de forma dura e fiquei assustada com tudo aquilo.

- Como assim Lizzy¿ Não entendo. – Disse nervosa.

- Ele vai possuir o seu corpo, você vai senti-lo de forma dura e cruel dentro de você. Vai querer gritar e fugir daquilo. Mas precisa se acalmar e tentar não lutar, porque isso acaba sendo pior. Eles ficam mais irritados e a dor é ainda pior com a violência e a raiva que nos tomam. – Respirou fundo e continuou a me banhar, lavando os meus cabelos caramelos.

- Vai me machucar¿ - Arregalei os olhos e um frio subiu em minha espinha, fazendo-me estremecer com o medo que senti.

- O meu noivo não me parece bruto. Acha que pode me machucar¿ - Perguntei nervosa e ouvi a porta se abrir.

- Não encha a cabeça dela de coisas, Lizzy. – Era a voz aveludada da minha mãe, num timbre tão baixo que era difícil de se ouvir.

- Só estou contando as coisas da vida para ela, Milady! Ela precisa estar preparada para a noite de núpcias... Aquele homem selvagem pode machucá-la muito. – Retorquiu com a voz calma, mas ainda áspera.

- Deixe-me com minha filha, Elizabeth. – Minha mãe respirou fundo. – Preciso de uma conversa de mãe e filha com ela.

- Certo, Milady! – Afagou os meus cabelos e depois saiu.

- Mãe, o que a Lizzy disse é verdade¿ O meu noivo me machucará¿ - Senti um nó na garganta ao pergunta.

- Filha, as primeiras vezes de uma moça são dolorosas. E precisa ser forte nesse momento. Mas sei que seu noivo vai ser gentil com você e tudo sairá bem. Então não precisa se preocupar com isso agora, meu bem. – Levantei da tina e ela me enrolou na toalha. – É complicado explicar, mas o que posso dizer é que você se acostuma com o tempo. E a coisa vai se tornar prazerosa para os dois. Não precisa ficar com medo e tente relaxar quando a coisa acontecer. – Ela sorriu. – Quando você tiver o seu bebê nos braços, verá que valeu a pena.

- Já estou com medo, mãe. – Eu a abracei forte e ela ficou afagando as minhas costas. – Será que ele vai me tratar bem¿ É tão triste e calado. – Disse para ela. – Meu coração começou a bater muito rápido, não sabia se de medo, ansiedade ou vontade de conhecer essa coisa que minha mãe e Lizzy falavam com tanta reserva.

Depois do banho deitei em minha cama, na última noite em meu quarto, tentei dormir por horas sem conseguir. Quando o dia estava quase nascendo, finalmente peguei no sono e sonhei com o meu noivo pela primeira vez.

Corri desesperada pelos corredores do enorme castelo, não havia muita luz, figuras soturnas de cabeças de animais penduradas nas paredes. Tentava encontrar uma porta aberta para entrar e me esconder sem conseguir.Não sabia do que estava fugindo, mas algo terrível naquele lugar me colocava medo.

Cheguei até uma enorme porta negra e a abri, entrando correndo, resfolegando enquanto tentava controlar o corpo trêmulo, naquele camisolão que deixava as minhas penas amostras, meus seios, e meu corpo estava quase despido na vestimenta tão pequena e quase transparente.

Vi a porta se abrir e ele entrou, com roupas brancas, a pele escura, cabelos negros, olhos negros marcantes na face linda exótica e desconhecida.

Peguei um pequeno candelabro sobre uma mesinha e posicionei em minha frente para vê o homem melhor... meu corpo gelou: Lord Jacob...

- Lord Jacob... – Sussurrei temerosa, encolhi-me sobre a enorme cama como um gato assustado.

- Não tenha medo, criança. – Sua voz rouca e sexy parecia uma canção ao falar para mim, hipnotizando-me de forma tentadora e muito sensual. Seu peitoral à mostra naquela camisa com os botões aberto. Foi se aproximando lentamente, enquanto me olhava de forma abrasadora, despind- me com seus olhos.
- O que você quer¿ O que pretende comigo¿ - Disse nervosa, ainda enfeitiçada com o seus olhar e corpo magnífico.

- Quero consumar o nosso casamento, criança. – Engoli seco e me encolhi ainda mais quando sentou-se na cama, tocou meu rosto de forma suave, depois segurou meu rosto com as duas mãos, olhou no fundo dos meus olhos e aproximou os lábios dos meus. Quis gritar, correr, lutar e escapar de toda aquela tentação que me deixava zonza. Mas fiquei perdida quando senti seus lábios pousarem os meus. Fechei os olhos e me permitir sentir o toque da sua pele.

De repente estava deitada, como Lizzy disse, fiquei calada e fechei os olhos. Senti uma dor terrível e comecei a gritar que parasse.

- Pare! Por favor, pare!

Acordei ofegante, suando muito, não conseguia conter a minha respiração e quando tentava fechar os olhos para dormir, só via a imagem perfeita de Lord Jacob, meu esposo, vindo com roupas brancas, o peitoral definido à mostra, em seus olhos desejo e quando se aproximava de mim, causava-me calafrios por todo o corpo.

Não consegui dormir e fiquei me revirando na cama, lembrando daqueles olhos negros cheios de desejo fitando os meus até a hora que minha mãe e Lizzy entraram para me arrumar.




CAPITULO 1 - ESCOLHA



- Acorda, filha! – Minha mãe disse com sua voz de fada, afagando os meus cabelos, enquanto tentava me despertar do meu sono profundo.

- AH! Está tão bom aqui na cama. Quem me dera ficar o dia inteiro sonhando¿ - Sussurrei e virei para observá-la.

- Renesmee, hoje teremos uma visita muito importante. Então quero que se banhe, coloque aquele vestido azul que está sobre o aparador e vista rápido. – Sua expressão era séria e havia certa cerimônia em suas palavras. Isso me deixou bem curiosa.

- Teremos visita¿ De quem se trata¿ Não acredito que meus avós finalmente vieram de Londres para nos visitar. – Disse sorrindo ao sentar-me na cama. Mas vi que minha mãe continuava com a expressão séria e de certo modo preocupada. Fiquei mais apreensiva e curiosa naquele momento.

- Lizzy já preparou seu banho. A água foi ligeiramente amornada e colocou dentro da tina pétalas de rosas para dar um cheiro mais agradável. Então, levante dessa cama, banhe-se, coloque o vestido, tratando de apertar bem o espartilho e desça para se alimentar antes que o nosso convidado chegue. Peço-lhe que comporte-se diante dele, não faça movimentos bruscos e tenta parecer uma jovem comportada. Essa visita de hoje é muito importante para o seu pai. Por isso, peço que não se comporte como uma criança minada ou um moleque selvagem. – Ela franziu o cenho e me observou com olhar inquieto. Senti um aperto no coração, pois não era casual minha mãe falar comigo daquela forma. Resolvi não contrariá-la e levantei-me para me arrumar antes que tivesse um colapso nervoso.

Caminhei para a casa de banho, coloquei o meu camisolão de banho, prendi os cachos dos meus cabelos cor de mel, entrei à tina e comecei a banhar meu corpo com a água morna, levada por Lizzy até o meu quarto, para me deixar mais apresentável ao nosso misterioso visitante.

Banho era algo bem complicado, ainda mais quando se tinha que subir muitos degraus de escadas com balde pesado de água. Não tínhamos o costume de nos banhar todos os dias. Mas eu adorava os banhos e ficava na expectativa para chegar o fim de semana, onde finalmente podia me deliciar dentro da minha tina, vinda direta de Londres como presente dos meus avós, Conde e Condessa Cullen.

Como minha mãe tinha urgência em minha presença, não pude aproveitar o meu banho e saí rápido para limpar os dentes, com aquela coisa horrível que inventaram para fazer a higiene da boca, sentindo o gosto nada agradável da coisa que mais parecia sabão. Eca!!!

- Renesmee, arrume-se logo! – Minha mãe ordenou ao adentrar à casa de banho.

- Mãe, uma moça precisa de tempo para se arrumar. Estou limpando os meus dentes, ainda tenho que me vestir e arrumar os cabelos. – Respondi de forma mal humorada.

- Por isso acordei você cedo... – Ela respirou fundo e fez um muxoxo. – Ainda tem que se alimentar. Então não demore a se preparar. Vou pedir para Lizzy te ajudar com a roupa. – Disse com tom nervoso.

- O que está acontecendo¿ Por que está nervosa dessa maneira¿ Tem algo incomodando¿ - Comecei a indagar enquanto colocava a ceroula e a calça bufante.

- A visita de hoje é importante, pois receberemos um pretendente a sua mão. Então não estrague tudo com infantilidade. Você acabou de completar dezesseis anos e muitas na sua idade já são até mãe. – Disse fazendo um muxoxo e me olhando desgostosa.

- Meu pai disse que eu poderia escolher o meu futuro esposo... – Respirei fundo e tentei não demonstrar a minha insatisfação com aquela situação. – Agora ele vai querer me casar com qualquer um¿ - Virei-me para o espelho e coloquei petticoats [tipo de saia de baixo, depois as armações de arame para o vestido.]

- Seu pai só quer o seu bem e não vai te casar com um rapaz que não te agrade. Sabe muito bem que a última palavra será sua. Mas tem que receber os pretendentes que desejam lhe fazer a corte. – Murmurou e saiu do quarto demonstrando a sua impaciência.

Continuei a me arrumar e coloquei o espartilho. Naquele momento, Lizzy chegou para me ajudar e começou a apertar bem forte. Senti minha respiração faltar e pedi que afrouxasse um pouco.

- Está muito apertado. Pode afrouxar um pouco esse espartilho¿ - Pedi docemente para ela.

- Sua mãe disse para apertar e deixar a sua cintura bem marcada. – Ela respondeu e percebi que estava silenciosa demais naquela manhã.

- Vou sufocar desse jeito... Solta só um pouco. – Pedi e a senti afrouxando as amarras do espartilho. – Sabe algo sobre esse pretendente que vem me ver hoje¿ - Perguntei curiosa para Lizzy.

- O pai dele é quem vem... – Ela respirou fundo e continuou. – Ele é muito rico, mas não tem boa reputação. E é por isso que sua mãe está tão tensa. – Lizzy disse. – Levante os braços para eu colocar o vestido. – Ela pediu.

- Mas se ele não tem boa reputação por que meu pai vai recebê-lo¿ - Perguntei inquieta enquanto me arrumava.

- Não sei responder. Mas ao que parece, tem a ver com negócios e o seu pai está muito nervoso. – Ela disse enquanto arrumava o vestido em meu corpo.

- Estranho isso. – Sussurrei fazendo uma careta.

- Sente-se para eu arrumar os seus cabelos. – Ela ordenou e me sentei na cadeira, diante do espelho, observando os meus olhos verdes inquietos, minhas expressões tensas enquanto Lizzy prendia os meus cabelos para arrumar os meus cachos. – Você é tão linda e parece uma princesa, com seu rosto de boneca. – Ela comentou.

- Meus pais são lindos e meus avós também. Acho que se fosse feia, minha família estranharia. – Disse rindo.

- Está pronta¿ - Minha mãe disse ao entrar no quarto, observando Lizzy arrumar os meus cabelos.

- Quase! – Ela respondeu.

- Ainda precisa comer algo antes de ele chegar. – Minha mãe disse, andando de um lado para o outro, com expressões preocupadas em sua face enquanto se abanava com o seu leque francês.

- Qual o problema, mãe¿ - Perguntei nervosa, já sentindo uma aflição horrível me consumindo pela sua atitude no mínimo suspeita.

- Filha, o homem que vem nos ver não tem classe... – Ela respirou fundo e começou a desabafar. – Sabe muito bem que em nossa sociedade casamentos são feitos por conveniências. Que os pais procuram o melhor partido para suas filhas, que as pessoas são preconceituosas e orgulhosas. Usam de seus status para sobrepujar os demais com sua arrogância, ostentando o que possuem. E você é uma condessa, neta de condes de uma linhagem muito especial. Sabe que os seus avós consideram a minha união com o seu pai um erro terrível. Eles nunca aceitaram o fato de seu pai ter se misturado a plebe. Nunca aceitaram o fato de ele não ter escolhido alguém de brasão para se casar. Mas agora... – Ela estava quase chorando, com olhar aflito e a voz trêmula ainda se abanando de forma nervosa.

- Agora o quê¿ Se o meu pretendente não está a minha altura, por que meu vai recebê-lo¿ O que realmente está acontecendo¿ - Estava com medo do que ouviria. Mas precisava saber a verdade. Toda a verdade!

- Seu pai teve um ano difícil e perdeu a última safra. – Respirou fundo. – Não sei se sabe disso. Mas o fato é que ele ficou sem pagar os impostos. E o rei colocou o nosso castelo a leilão. – Minha mãe chorava baixinho, demonstrando todo o medo e aflição que sentia em seu coração. – Esse castelo não nos pertence mais e foi comprado por um homem de má reputação... Não sei se os boatos são verdadeiros, mas dizem que ele veio do Novo Mundo, que traficava escravos, eu matou muitos e seus negócios são suspeitos... – Mais uma pausa. – Ele é muito rico e agora é o dono do nosso castelo.

- Por isso meu pai quer me casar¿ Para pagar uma dívida¿ - Senti um nó apertar a minha garganta naquele momento e uma aflição invadir o meu corpo.

- Seu pai não a obrigará a casar... Sabe que Edward nunca faria isso com você. Mas ele vai te dar a oportunidade de conhecer o filho desse homem, para fazer a sua escolha. – Disse de forma ressentida.

- Se for para salvar o nosso castelo e vocês, que tanto amo, não tenho nem o que pensar. – Lágrimas rolaram sobre o meu rosto naquele momento. Vi todos os meus sonhos passarem pela minha frente e fiquei calada.

- Termine de se arrumar e não demore. – Minha mãe saiu chorando do quarto e fiquei calada, chorando enquanto Lizzy terminava com os meus cabelos.

Imaginar minha vida como esposa de um homem de má reputação, um selvagem pelo que havia entendido, não era nada agradável para mim. Vou confessar que nunca pensei seriamente sobre o casamento, nunca conheci muitos rapazes além dos que vi nas duas festas que participei no ano anterior.

Era muito nova e meus pais não me permitiam ir para festejos nos castelos da vizinhança. Não conhecia rapazes, não tinha um amor, não pensava em romance além dos que li nos livros.

Minha vida se resumia em aprender a tocar piano, pintar, bordar, cuidar da casa como uma boa senhora deveria saber e dar ordens aos empregados. Mas o que gostava mesmo de fazer, era sair correndo pelos vastos campos, com meu velho cavalo, também presente dos meus avós Condes, tomar banho no rio que ficava próximo ao castelo, subir em árvores para pegar frutas, brincar com os cachorros, correr atrás das galinhas... Eu ainda era uma criança, aprendendo a ser uma dama e isso tirava a minha mãe do sério. Ela tentava me ensinar boas maneiras, virtudes que uma dama deveria ter, principalmente sendo uma condessa, mas eu não queria aprender nada daquilo.

Mal tivera a minha menarca e o meu corpo ainda era de uma criança. E mesmo sendo bonita demais, não tinha atrativos para que um homem me olhasse como uma mulher.

Minha vida era simples, feliz, gostava de viver livre, sentir o cheiro da terra molhada. E a minha maior paixão era o meu velho cavalo... Sentiria muita falta do meu cavalo e dos animais que havia no castelo. Mas sobre tudo, sentira saudade do colo agradável da minha mãe, que mesmo tentando ser severa e me ensinar a ser uma condessa, desmanchava-se ao olhar os meus olhos verdes, minhas bochechas rosadas sorrindo alegremente e dançando pelos campos verdejantes.

- Terminamos, querida. – Lizzy me levantou e fiquei observando o meu rosto no espelho, meus olhos tristes que reluzia todo o meu esplendor naquele rosto de boneca.

- Vamos descer antes que minha mãe tenha outro filho. – Tentei parecer animada, mas sentia o meu estômago revirando de tanto nervosismo. E na minha cabeça, uma pergunta me sondava o tempo inteiro: E se eu não gostar dele¿

Fiz o meu desjejum sendo observada pelos olhares apreensivos do meu pai, que estava claramente nervoso e desgostoso com a vida. Tentei não parecer triste ou desanimada, mas devo confessar que eu queria sumir naquele momento.

- Chegaram! – Lizzy, a nossa governanta falou e foi recebê-los. É agora! Pensei.

- Bom dia, Conde Cullen! – Um senhor alto, com a pele muito escura, um tipo de cor que nunca havia visto, suas sobrancelhas marcantes acentuavam os olhos negros, havia algumas rugas em sua testa, seu nariz levemente arredondado, a boca carnuda e um semblante que acentuava toda a sua rigidez. Atrás dele havia um rapaz, que não consegui enxergar em um primeiro momento. Mas soube que ele, provavelmente, seria o meu pretendente. Senti meu estômago revirando, uma sensação de desconforto invadir o meu ser, uma leve ansiedade me consumindo por inteira. Quis gritar, sair correndo e chorar. No fim, consegui conter os meus ânimos e continuar sentada, tentando demonstrar tranquilidade em minha face.

- Bom dia, Lord Black! – Meu pai o cumprimentou com um aperto de mão.

- Esse é o meu filho, o jovem de quem falei. – Vi o rapaz apertando a mão do meu pai. Senti meu coração disparar de ansiedade, borboletas voavam em meu estômago, um frio estranho percorreu todo o meu corpo e mal consegui respirar de tão tensa que fiquei naquele momento.

Eles caminharam até o salão, vindo em nossa direção e pude observar cada detalhe do seu corpo. Sua pele escura, suas maças do rosto arredondadas, covinhas no queixo, nariz levemente arredondado, os negros e marcantes sendo evidenciado pelas grossas sobrancelhas, assim como o pai. Vi que pareciam ligeiramente, mas alguns traços de seus rostos eram distintos, destoando a semelhança. Era alto, forte, musculoso, cabelos negros e lisos. Aquela primeira visão me fez lembrar pinturas indígenas que vi na casa da Duquesa, amiga de minha avó Esme, em Londres... Ele parecia com os índios daquela foto.

- Renesmee, Bella, esses são os Lordes Billy e Jacob Black. – Minha mãe e eu levantamentos lentamente do sofá, tentando fazer os nossos momentos sutis e demos as mãos para eles beijarem.

O primeiro foi o pai, que tomou minha mão com delicadeza e encostou levemente os lábios e depois repetiu os gestos com a minha mãe. Depois o filho tomou a minha mão, senti o seu calor, os calos em seus dedos, fiquei completamente arrepiada com o seu toque e um frio esquisito, misturado com uma sensação estranha tomaram conta do meu estômago, enquanto sentia o toque suave de seus lábios carnudos sobre ela. Meu corpo inteiro se arrepiou e percebi os meus pêlos eriçados. Não entendia aquela estranha sensação causada pelo seu toque e tive que me concentrar para não deixar transparecer o meu estado.

- Milady! – Ele assentiu com a cabeça, observando meu rosto pálido e senti uma quentura tomando conta das minhas bochechas, que deveria ser de vergonha e medo naquele momento. Não sabia o que me fazia sentir medo, mas ele exerceu um fascínio avassalador em mim desde o primeiro momento. Meu coração parecia um relógio, batendo ritmadamente enquanto o observava com curiosidade.

- Caro, conde. – O pai começou. - Como conversamos antes, tenho intenção de casar o meu filho. E tendo em vista a situação atual, creio que o Conde não negaria a mão de sua filha. – O pai foi direto ao assunto, sem rodeios, enquanto o filho observava tudo sem muito interesse.

- Sei que não estou em condições de negar. Mas a minha filha é o bem mais precioso que tenho. E não entregaria a sua mão a qualquer um, somente por uma conveniência. – Meu pai respirou fundo. Vi que minha mãe apertou a sua mão fortemente, demonstrando toda a sua aflição. – O Lord há de convir, que o seu filho não é o melhor partido para a minha filha. Também que sua família tem uma reputação no mínimo duvidosa. Isso me deixa seriamente preocupado e realmente prefiro entregar o meu castelo, que é apenas um amontoado de pedras, do que a minha filha. – Meu pai disse de forma decidida. – Por isso, pedi que seu filho o acompanhasse hoje. Pois a decisão de casar será dela e se me disser que não tem nenhum tipo de simpatia pelo seu filho, pedirei a gentileza de me dar um prazo para arrumar as coisas e partir com a minha família para Londres. – O homem olhou seriamente para o meu pai e deu um sorriso malicioso.

- Ouvi dizer que era um homem de fibra e caráter forte. Mas não podia supor que teria a coragem de colocar tudo o que tem em jogo. – Disse encarando o meu pai com olhar enigmático.

- Tudo o que tenho são minhas meninas e o que faço é por elas. Minha filha acabou de completar dezesseis anos e não conhece rapazes, nunca foi cortejada por ninguém e não tem nenhum tipo de malícia. Como pode observar é apenas uma menina. – Ele apontou para mim. – Nem sei se é capaz de julgar o que é melhor para sua vida. Por isso, eu colocarei a decisão nas mãos dela e lhe peço uns dias para dar a resposta.

- Não precisa! – Eu interrompi e minha mãe me olhou de forma severa. Vi que o jovem rapaz parou para prestar a atenção em mim.

- O quê¿ - Meu pai perguntou me observando de forma inquieta.

- Eu aceito... – Sussurrei de cabeça baixa.

- Está ciente que somos considerados selvagens, transgressores, que temos uma péssima reputação e que você sujaria o nome dos Condes Cullens casand- se com meu filho¿ - O Lord Black me encarou e eu o olhei pela primeira vez sem medo ou vergonha.

- Eu não me importo com nome, com reputação, com título e muito menos com a opinião alheia. – Respondi de forma decidida.

- RENESMEE!!- Minha mãe se exasperou aflita.

- Deixa! – Meu pai levantou a mão e pediu que me deixasse continuar.

- Só me importo com a felicidade dos meus pais... – Ri para ele. – Se tenho que me casar para a vida continuar tranquila, eu o farei de bom grado. Se acham que são selvagens e outras coisas, saberei com o tempo e quem sabe me acostumo com o modo de vida de vocês. Não tenho vergonha de me casar com alguém que não tenha nome, que não tenha título e educação. Só espero que seu filho tenha bons modos comigo. Só isso. – Eu o encarei, mas ele continuou com a expressão séria e não teceu nenhum tipo de comentário.

- Eu gostei da sua filha! Ela é o tipo de jovem que o meu filho precisa... – Ele riu para mim. – Não tenha nunca vergonha de dizer o que pensa.

- Pode marcar o casamento para breve. Eu realmente não me importo. – Respondi.

- Filha, você tem certeza¿ É a sua felicidade que está em jogo¿ Casamento é para a vida inteira e vai ter que conviver com seu esposo enquanto viver. – Minha mãe quase chorava naquele momento. Sabia que tentava se conter para não demonstrar fraqueza e o meu pai estava perplexo com a minha segurança.

- A minha felicidade depende da forma como eu vejo as coisas. Se eu for pensar no casamento como fim do mundo, tudo será ruim. Mas eu penso nele como uma nova fase na minha vida. Sei que ser feliz depende de mim, da minha alegria interior, da força que existe dentro de mim, do amor que tenho pelas pessoas e animais. Pelo contentamento que sinto todos os dias ao escutar o barulho dos pássaros cantando... – Respirei fundo lembrando-me do meu cavalo e dos animais da fazenda. – Eu só vou sentir falta do meu cavalo, dos animais, de correr pelos campos, nadar no rio, subir nas árvores...

- Renesmee, chega! – Minha mãe disse irritada.

- Nosso castelo é praticamente uma fazenda e não vão faltar animais, principalmente os cavalos. – O Lord Billy disse rindo.

- Então está tudo acertado! Só precisam me avisar quando é o casamento. – Disse sorrindo.

- Isso é inacreditável! Sua filha é simplesmente encantadora. – Ele disse. – Não acha, Jacob¿ - Ele olhou para o filho, que parecia impaciente com aquilo tudo.

- Realmente! – Disse fazendo uma careta e demonstrando total insatisfação com o acordo de casamento.

- Pai, posso me retirar¿ Tenho muitas coisas para fazer. – Disse para ele.

- Pode ir, filha. – Levantei me e ele beijou a minha testa.

- Milord! – Acenei com a cabeça.

- À vontade Milady! – Sorriu para mim.

Fui para o quarto e Lizzy em ajudou a tirar o maldito espartilho que estava sufocando. Então tirei o vestido, coloquei botas, um vestido mais leve e sem armações, e saí do quarto correndo para brincar com o meu cavalo.

O dia estava nublado como sempre, mas o cheiro da grama de causava uma felicidade, uma vontade imensa de correr pelos campos verdejantes. Isso me fez querer correr, correr muito até o rio.

- Flip! Você está bem garotão¿ - Passei a mão sobre o meu velho cavalo e fiquei observando o seu olhar, como se estivesse conversando comigo. Coloquei a cela, montei e sai da cocheira correndo com ele. Soltei os meus cabelos e os deixei esvoaçando ao vento enquanto corria.

Estava longe de casa, lembrando do encontro com aquele que seria o meu esposo, com quem dividiria os meus dias e teria que me amar. Já sentia meu coração bater forte por ele, lembrando o seu toque em minha mão, do beijo suave e olhar penetrante de homem forte e altivo que fez meu corpo inteiro se arrepiar com uma sensação que nunca havia sentido até aquele momento.

Estava no campo correndo com Flip, quando a carruagem passou por nós, a janela se abriu e vi o Lord Black acenar para mim. Então retribuí o aceno, envergonhada por tê-los deixado com meus pais para cavalgar, mas eu amava cavalgar e ele me conheceria mais profundamente os meus gostos quando me mudasse para o seu castelo.

Vi o rosto do seu filho me observando enquanto galopava pelo campo, como uma menina selvagem e sem modos, sem requinte, frescuras ou formalidade. Senti novamente a sensação estranha em minha barriga e não consegui parar de pensar em seu lindo e exótico rosto.




segunda-feira, 6 de setembro de 2010





PRÓLOGO



O azul do céu cintilante inebriava os meus olhos, enquanto galopava a toda velocidade sobre Nefasto, sentindo os solavancos que meu corpo miúdo sofria com os movimentos rápidos e bruscos do animal que mais parecia um demônio.



Via flashes da arquibancada, da pouca platéia que assistia aquele último treino. E mesmo com a grande preocupação se formando em minha mente, pelo óbvio fato de eu ser a única mulher em meio a grandes cavaleiros naquela competição, minha mente rejeitava qualquer angústia por aquele momento.



Não queria decepcionar Jacob e sabia que mesmo que não vencesse ainda me olharia com admiração. Entretanto aquela era a forma de chamar a sua atenção para mim. Obrigando-me a empenhar o máximo possível naquela corrida. Apesar disso, a minha mente estava presa a uma idéia que não me abandonava: Caroline.



Aquela seria a noite em que nós três estaríamos dividindo o mesmo ambiente. Eu já havia me sentindo estranha nos poucos encontros que tivemos, mesmo sem a presença de Jacob. Naquele momento, com a constatação que estaria ao seu lado, presenciando a sua dor, meu coração apertava e não sabia como me comportaria diante daquela situação. Imaginava de antemão o seu olhar sofrido ao vê-la com outro. Sabia que não era capaz de me sobrepor ao amor que ele sentia. Aquilo me machucava e me levava ao desespero.



Queria arrancar a sua dor e fazer com que me visse como a sua mulher. Estaria segurando a sua mão e se fosse necessário, limparia as suas lágrimas também. Mesmo sabendo o quão orgulhoso e reservado seria, tentando esconder de mim o seu sofrimento.



Tinha que encontrar uma forma de conquistar o seu amor. Mas era desprovida de malícia, só conhecendo a coisa sobre cópula por apenas um vago relato de Lizzi... Minha querida e saudosa Lizzi...



“Será doloroso, mas você não pode gritar ou chorar.

Tente ficar calma e deixe que ele faça tudo. Feche os olhos, abras as pernas, segure a dor e o desespero do seu copo. E quando menos perceber, terá terminado e você poderia se recompor.”



Se ela realmente estivesse correta, não deveria me sentir tão ansiosa por aquele momento, que teoricamente seria doloroso, cruel e me deixaria marcas profundas. Mas o fato era que me sentia desejosa de passar por tudo aquilo só para estar em seus braços ao menos uma única vez.



Procurei não rememorar aquelas conversas e os detalhes que me fariam desistir de conquistar o seu amor.



Precisava me concentrar na corrida, no olhar de aprovação e orgulho que ele teria quando estivesse acabado. Tentaria afastar as poucas lembranças de Caroline... Minha rival... Uma mulher linda e desejosa que com seus encantos roubou-me o marido antes mesmo de ele ser meu... Roubou a oportunidade de ser feliz antes mesmo de ela se apresentar diante de mim.



Aquela noite, estaríamos frente a frente. E eu lutaria com todas as forças para provar que ela não era merecedora do seu sofrimento.



Depois das últimas milhas, cheguei até a cocheira e Jacob estava com um sorriso lindo no rosto, fazendo sentir um frio gostoso na barriga ao me olhar.



Nefasto parou, mas ficou inquieto relinchando com a presença de Jacob e Seth ao nosso lado. Então fiz lhe um carinho e sussurrei ao seu ouvido.



- Calma, menino! Está tudo bem... Tudo bem.



O cavalo negro, com fogo no olhar, impaciente e de temperamento completamente arredio parou finalmente. Jacob segurou a minha mão e me ajudou a descer.



- Você foi maravilhosa, Ness! – Glosou com sorriso maravilhoso no rosto, deixando os dentes branquinhos à mostra e o olhar de encantamento transparecer. – Está cada vez mais rápida e acho que sairá campeã amanhã.



- Obrigada, Jacob... – Arqueei a sobrancelha e fiquei por um momento perdida em seu olhar inquisitivo, que parecia se questionar o motivo da minha inquietação aquela manhã. Sem imaginar que aquela noite, a fatídica noite, estaria frente a frente com Caroline. Eu não sabia se suportaria tal feito. Não sabia como me sentiria ao ver o seu olhar apaixonado para ela, enquanto eu estava ali, disposta a lhe dar tanto amor e ele sequer notava os meus sentimentos.



- Você está preocupada com a corrida¿ Ou tem outra coisa que esteja lhe deixando apreensiva¿ - Franziu o cenho, segurou a minha delicada mão com a luva de coro, depois apertou a minha cintura e com toda a gentileza me ajudou a descer de Nefasto.



- É só que... – Senti meu coração apertar forte, uma angústia me consumir por inteiro enquanto tentava arrumar coragem para lhe contar sobre o jantar... “Maldita hora que fui aceitar o convite.” Pensei – O jantar de hoje... – Engoli seco. - É na casa de um velho conhecido e achei que deveria ter te contado antes de aceitar o convite. – Abaixei a cabeça, engoli seco e senti sua mão segurar o meu queixo, erguendo o para fitá-lo.



- Velho conhecido¿ - Perguntou com estranheza sem entender as minhas inquietações.



- General Foster! – Sussurrei e Jacob ficou absorto, largou a minha mão, pegou a rédea de Nefasto e o conduziu para a cocheira.



Vi Seth me olhar com desaprovação, mas não teceu nenhum comentário a respeito do fato.



Caminhei sozinha pela enorme pista, observando o céu cintilante, as nuvens com suas formas mais engraçadas e me lembrei do dia em que tive que fazer aquela difícil escolha. O dia em que achei que me casaria com um selvagem para salvar a minha família. Mas que sem querer, acabei casando com o amor da minha vida. O único homem que poderia amar e me entregar de corpo e alma. O qual não tinha medo de sentir os infortúnios que a cópula poderia me proporcionar. E de certa forma me fazia almejar estar com ele e sentir o seu corpo envolvendo o meu.



Uma lágrima correu em minha face e caminhando sem destino, comecei conjecturar se um dia ele me amaria como eu o amo, sentindo meu coração apertado pela proximidade desse encontro e do meu maior pesadelo se realizar, tirando Jacob de mim e o jogando direto nos braços de Caroline.