quarta-feira, 15 de setembro de 2010




Capitulo 11 - Convite

A carruagem percorria as ruas de Londres com dificuldade, pois havia muita movimentação, carruagens de diversos tamanho, tomavam o centro, havia muitas pessoas andando aglomeradas em ruas estreitas. A maioria delas pareciam miseráveis, pois tinham expressões famintas, sem falar que estavam terrivelmente mal vestidas, com roupas que eram puro trapos feitos do mais vagabundo dos tecidos. Possuíam expressões que demonstravam a infelicidade pela condição em que viviam.

Crianças de todas as idades andavam pelas ruas vendendo coisas, carregando pesos e fazendo os mais variados serviços para sobreviver. Via se mulheres carregando trouxas de roupas em suas cabeças e homens fazendo trabalho pesado.

Tudo aquilo contrastava com Lady, madmoseiles e cavalheiros bem vestidos e alinhados, mostrando a diferença de sua condições sociais. E notava se claramente o desgosto pelo menos afortunados.

Claire e eu olhávamos pela escotilha da carruagem, enquanto muitos observavam com curiosidade ou desdém Jacob, Seth, Jared e Quil que conduziam o nosso cortejo.

Minha amiga parecia assustada com aquela visão e a todo o momento olhava para mim, como se eu pudesse explicar mais sobre aquela cidade. Contudo, pelo que me lembro, a última vez que estivera em Londres era bem pequena e naquela época, a cidade não estava tão desenvolvida.

Sabia, por ouvir falar, que as pessoas dos vilarejos estavam migrando para as cidades grandes como Londres, na esperança de encontrarem trabalho melhor e abandonar a vida de servidão no campo. Mas o que encontravam não passava de uma grande desilusão, amontoando-se em casebres nos grandes centros, com ruas estreitas e sem muitas condições de higiene, apesar do desenvolvimento urbano.

Meu pai chamou aquele fenômeno de Revolução Industrial. Pois segundo ele, aquele movimento migratório, devia-se ao fato de as pessoas virem buscar empregos nas “indústrias” recém construídas.

Não entendia bem o significado daquela palavra, mas segundo a sua explicação, era o local em que máquinas, alimentos e roupas, entre outros, eram criados por trabalhadores que vivem em regime de quase escravidão.  A aristocracia enchia os seus bolsos e ficava mais ricas, as cidades cada vez mais cheias e os miseráveis cada vez mais miseráveis.

Percorrendo as ruas de Londres, vi que as casas se aglomeravam, o comércio era bem diferente do que costumava ver nos vilarejos. Percebi ao cair da noite, que havia “luz” por toda a cidade e fiquei encantada com aquela visão totalmente diferente do castelo em que vivíamos.

Eles fizeram postes e não sei que milagre conseguiram fazer aquela coisa, que parecia vidro se iluminar sobre grandes estruturas de ferro.

- Nossa, Ness! Mas tudo aqui é tão diferente... – Claire disse assustada me observando.

- Meu pai disse uma vez que Londres, assim como as grandes cidades, estava passando por um fenômeno chamado “Revolução Industrial”. – Respondi para ela.

- Mas o que isso quer dizer? E por que tem tanta gente nessas cidades? Por que parecem necessitadas? Por que as coisas são grandiosas e diferentes? Sinto que até o ar aqui é mais pesado e difícil de se respirar.  – Claire começou a tagarelar enquanto observava as pessoas e as coisas apavorada com a visão que tinha.

- Meu pai disse que eles estão construindo locais onde várias pessoas vindas do campo se aglomeram para construir coisas. Lá fazem os objetos que temos em nossas casas, tecidos para nossas roupas, coisas necessárias para construções de carruagens e coisas necessárias para a nossa comodidade. Mas sei disso tanto quanto você. Já faz anos que não venho a Londres e as coisas estão bem diferentes do que eram.

- Eu estou assustada com tanta gente e coisas diferentes. Pensei que todos fossem bonitos, bem vestidos, que só veria castelos e nobres. – Disse decepcionada.

- Minha querida, os nobres se escondem em seus castelos super protegidos por um monte de serviçais. O castelo da Rainha Vitória é o lugar mais seguro da Inglaterra e para eles terem a vida luxuosa que têm, precisam explorar a plebe.

- Eu ainda não entendo, Ness. – Olhava tudo com curiosidade.

- Muitos plebeus camponeses, achando que teriam uma vida boa e cheia de riquezas, saem de seus vilarejos e vão para os grandes centros por conta do que estão chamando de Revolução Industrial. Já ouvi meu pai e meu avô conversarem sobre esse progresso, mas só agora entendo o que isso significa. E vendo como as pessoas são carentes e miseráveis, acho que não fazem idéia de como são felizes em suas vilas ou castelos onde vivem. O fato é que Londres já não é mais o reduto dos nobres, que só vêem aqui para comprar coisas e reuniões sociais.

- Sei!

- Estou tão espantada com o que vejo como você, querida...

Londres já não era mais a mesma e fiquei assustada com a visão da cidade. Cheguei a pensar em voltar para o Castelo e me esconder de toda aquela movimentação, mas era muito tarde para qualquer tipo de arrependimento. Seguiria em frente e faria o meu melhor naquela cidade totalmente estranha aos meus olhos.

Depois de algum tempo, paramos em frente a uma grande casa, já em uma rua mais vazia e com casas grandes e luxuosas, nada lembrava a visão dos pequenos e miseráveis casebres que encontramos pelo caminho. Jacob abriu a porta da carruagem, segurou a minha mão gentilmente e depois me ajudou a descer.

Após me ajudar, fez o mesmo com Claire e ficamos todos parados à espera que o sujeito arrogante abrisse os portões para que entrássemos na casa.

- Ness, o que são essas coisas brilhosas que iluminam tudo? Minha nossa! Eu não entendo o que vejo. – Claire colocou a mão na boca e riu.

- São lamparinas, Claire. – Jacob responde rindo. – Eles chamam de luzes artificiais, que iluminam as ruas e as casas dos mais afortunados. Eu pensei em levar algumas dessas para o castelo, mas posso assegurar que  essas coisinhas são caras demais. – Respondeu e vi que Jared, Quil e Seth estavam tão espantados com o que viam como minha dama de companhia e amiga.

- Podemos entrar? – O Sujeito arrogante nos perguntou ainda envergonhado pela situação constrangedora que havia passado na taverna.

- É claro!  - Jacob respondeu e após abrir os portões, seguem com os cavalos, carroça e carruagem, enquanto Claire e eu seguimos caminhando atrás do sujeito.

- Vocês precisarão de serviçais? – Ele me perguntou casualmente.

- Sim! Pode nos indicar alguém? Precisaremos de uma cozinheira, algumas arrumadeiras para cuidar da casa, uma lavadeira e mais outras pessoas eu acho.

- Pedirei a minha senhora e minhas filhas que fiquem à disposição de vocês. Mas adianto que sairá caro esse serviço. – Disse tentando parecer simpático.

- De certo! Pode mandar que venham falar comigo e veremos se o valor que pedirão está de acordo. – Eu disse caminhando atrás dele e ouvi os passos dos outros atrás de nós.

O sujeito abriu a grande porta da casa, que era em tom marrom escuro, grandes janelas e postas de madeira e um enorme jardim. Entramos atrás dele e logo nos deparamos com a enorme escadaria em tom negro, o piso madeira era escuro e brilhoso, as paredes eram em tom amarelo claro.

Caminhamos atrás dele até uma enorme sala, onde havia móveis cobertos com tecido branco. Nas paredes havia alguns quadros, em um dos cantos da sala alguns bibelôs. Depois, seguimos para o outro aposento, que parecia uma grande sala de jantar, mas não pude ver os móveis que também estavam cobertos por um tecido branco.

O homem nos mostrou toda a casa, desde a cozinha, casas de banho (o qual chamou de banheiro), até os quartos.

Apesar de não ser o tipo de acomodação que estava costumada, pois parecia mais frio e menos acolhedor, fiquei satisfeita com o que conseguimos para pousar os nossos dias em Londres.

Depois que o homem se foi, fiquei um pouco aborrecida com a divisão dos quartos. Afinal, pensei que teria uma oportunidade perfeita para dividir os mesmos aposentos com o meu marido. Tive que ficar com Claire, por causa do receio que Jacob tinha em relação a ela e Quil. Ele começou a fazer a corte a ela durante a nossa viagem. Sendo assim, Qui e Jared ficaram com um quarto, Jacob e Seth com outro, e Claire e eu ficamos com o aposento maior.

Depois da divisão dos quartos, recebemos as filhas e a esposa do dono da casa, que se apresentaram de forma bem gentil, ao contrário do sujeito arrogante, e começaram o serviço de limpeza para melhorar as nossas acomodações.

Aquela primeira noite, fomos limpar os nossos corpos e para a minha surpresa, não havia enormes tinas de madeira como no castelos de minha família e de minha nova morada. Vi o que a Sra. Meredith chamou de “banheira”. E para aumentar a minha perplexidade com as mudanças que estavam ocorrendo na vida do povo em Londres, não precisávamos pegar água para encher a “banheira”, pois havia uma coisa cumprida com um objeto totalmente estranho para mim, onde eu girava com a mão e saía água. A isso ela chamou de torneira e disse que aquilo era água encanada, fiquei muito surpresa.

As luzes da casa, o qual Jacob chamava de lamparinas, era algo inacreditável e Claire e eu olhávamos para as de nosso quarto encantadas com tal modernidade.

- Pedirei a Jacob que consiga uma dessas coisinhas para o castelo. Só de pensar que não precisamos mais de velas fico imensamente feliz. – disse rindo para ela.

- Só você? Eu acho tudo tão diferente e tão estranho ao mesmo tempo. Às vezes fico assustada com essa coisa toda, Ness. – Disse tocando a superfície da lamparina.

- Eu também... A última vez que vim a Londres era muito pequena e não me lembro dessas coisas. – Ri para ela observando o estranho objeto. – Agora vamos aproveitar a cama quentinha para dormir. Amanhã teremos um dia muito cheio, querida. – Beijei a sua testa e puxei a sua mão para cama. E depois que nos deitamos, ouvi uma batida na porta.

- Posso entrar? – Jacob perguntou e nos escondemos atrás dos lençóis.

- Pode! – Respondei.

- Só vim dar boa noite para vocês. – Caminhou até a cama, sentou a beira e beijou a minha testa. – Sonha com os anjos, pequena. – Disse  e depois saiu do aposento.

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Os primeiros dias em Londres passaram rapidamente e logo a notícia da nossa chegada se espalhou por toda a cidade, tornando-nos alvos das fofocas das pessoas.

Nas ruas, meninas vendiam jornais e ficavam gritando as notícias em destaque do dia. E por toda aquela semana, estivemos na primeira folha do jornal, sempre com especulações sobre o nosso casamento e a corrida em que eu participaria.

Ninguém entendia como uma condessa criada com o mais fino trato, foi se casar com um homem sem título e que o consideravam selvagem, por possui o tom de pele como o dos aborígenes que víamos em pinturas feitas pelos pintores que estiveram no novo mundo, local que apelidaram de América. Por isso, faziam varias especulações e quando saíamos às ruas, olhares curiosos estavam sobre nós o tempo inteiro.

Era bem complicado me locomover em uma cidade daquela, havia vários estabelecimentos, que chamavam de lojas; casas onde serviam comida para as pessoas, que chamavam de restaurante; barbearias, locais onde varias costureiras faziam suas roupas, apelidadas de fábricas e muitos locais que eu nem sonhava que poderia existir.

Confesso que até gostei de comprar vestidos lindos, perfumes de várias fragrâncias, coisas para higiene pessoal e para enfeitar o rosto, os cabelos e principalmente o corpo. Mesmo assim, sentia-me mal com as pessoas intriguistas fazendo fofocas sem se preocuparem com a minha presença. Diversas vezes, tive que colocar a minha língua afiada para fora, rebatendo os insultos que tentavam nos fazer.

A maior parte do tempo, eu passava no hipódromo cuidando dos cavalos que trouxemos da fazendo ou treinando com Nefasto naquela enorme pista de corrida.

No início, fiquei um pouco temerosa ao ver o tamanho do local, o formato circular da pista e me dei conta da grandeza do que iria fazer. Todavia, meus temores sumiram quando comecei a galopar em meu cavalo arisco. Conheci cada saliência da pista, vi das arquibancadas e através das poucas pessoas que assistiam aos meus treinos que tudo passava tão rápido, que não era possível distinguir nenhum traço de seus rostos ou corpos.

Um Lord muito elegante e criador de cavalos puro sangue, se ofereceu para nos ajudar com os treinos, dado a sua experiência no negócio e começou a marcar o tempo que Nefasto e eu levávamos para fazer todo o trajeto da pista de corrida.

Ele usava uma coisa que chamou de cronômetro, um pequeno objeto metálico, que cabia na palma de sua mão, marcando o tempo rapidamente.

Fiquei admirada com aquela coisinha miúda, afinal o único relógio que já havia visto na vida, era de madeira, muito grande e tinha uma coruja que saía de dentro dele ao marcar as horas e fazia um barulho enorme: Cuco Cuco Cuco.


Os treinos ocorriam sem o menor transtorno, Jacob e eu estávamos felizes  e não tínhamos maiores preocupações, além das fofocas ao nosso respeito. Recebemos um convite da minha família para jantar no castelo dos Cullen, que se situava fora do centro da cidade, fugindo de toda aquela agitação e visão melancólica da realidade que a vida nos apresentava.

Fomos ao jantar, mas eu estava temerosa pela reação de minha avó e minha tia diante de meu marido. Sabendo quão arrogantes eram e como poderiam feri-lo com os comentários maldosos.

Chegamos ao castelo e a priori fomos recebidos com educação pela minha família. Porém fomos questionados pelo meu avô sobre o absurdo que cometeríamos expondo o nome dos Cullen em uma corrida. Mas Jacob e eu nos mantivemos firmes em nossa posição, usando argumentos plausíveis a nosso favor. Mesmo assim, os Cullen não estavam nem um pouco à vontade com toda aquela exposição, que poderia arruinar o nome que zelavam por séculos.

Minha avó ficava o tempo inteiro medindo as reações de Jacob, sempre analisando cada gesto que ele fazia e cada palavra que ele dava, com olhar malicioso de uma cobra prestes a dar o bote em sua presa. E eu, diante da situação, preparei a minha língua venenosa para rebater qualquer acusação ou constrangimento que viesse a impor. O que menos esperavam ocorreu e Jacob soube se portar como um verdadeiro cavalheiro, usando a louça e prataria com conhecimento, sabendo como beber e que taças usar para cada bebida servida, como se portar diante das argumentações do meu avô, sendo firme, perspicaz e objetivo em suas colocações. Coisa que deixou a arrogante família Cullen admirada e sem argumentos para atacá-lo.

Resolvi então falar de sua linhagem, totalmente desconhecida pelos Cullen e da nobreza elitista que só fazia pisar sobre as pessoas sem a menor compaixão.

- Jacob tem descendência nobre, meu avô. Não sei se já ouviu falar no Marquês de Ligestain. Ele era avô da mãe de Jacob, Sarah Leclair. Os Leclair eram condes da mais alta aristocracia Francesa. E o Marquês se casou som Françoais LeClair e tiveram Marguetire Ligestain, mãe de Sarah e avó de Jacob. A mãe de Jacob era neta de um marquês inglês com uma condessa francesa. E só perdeu o seu título, porque não se casou com um nobre. – Todos me olhavam arregalados enquanto eu esnobava a linhagem desconhecida de Jacob, considerado um selvagem por todos, mas que possuía sangue nobre correndo em suas veias. – Como vê meu avô, a sociedade hipócrita julga as pessoas sem saberem a sua origem. Sarah se casou por amor com o pai de Jacob. Mas era de origem nobre e esse que vós julgais selvagem, tem uma linhagem quase tão pura quanto a nossa. Se comporta como verdadeiro gentleman diante de todos. Conhece as regras de etiquetas melhor até do que eu. É como eu digo, vocês só olham a aparência das pessoas.

- Realmente não tínhamos conhecimento da linhagem de seu marido. Pensei que a linhagem dos Ligenstain houvesse morrido há muitas décadas. – Disse para mim, analisando a minha expressão debochada e vitoriosa.

- Isso não o redime diante da sociedade. Afinal, para todos eles continua sendo um selvagem. – Disse minha tia Rosalie com a mesma face de desdém de sempre.

- E o que todos significam para você, dama do gelo¿ Quer que coloquemos a linhagem dele no jornal¿ Que anuncie aos quatro ventos suas gerações¿ Se importa com a opinião dos outros, que a achem bonita e impecável. Que respeitem o seu nome e a venerem. Mas o que isso realmente significa se é uma mulher fria, amarga e estéril¿ O que importa a opinião alheia se nem ao menos terá filhos para deixar a sua descendência¿  - Respondi de forma cruel e todos me olharam de olhos arregalados.

- Renesmee, não deveria se referir assim a sua tia. Deve-lhe respeito! – Disse minha avó me repreendendo pela ousadia. Ninguém à mesa ousava abrir a boca para falar uma palavra sequer. Rosalie estava com os olhos cheios de lágrimas, mesmo assim não tive pena.

- Eu respeito quem me respeita. Primeiro, respeito os outros e depois exijo o respeito. Quem abre a boca para dizer o que quer, está sujeito a ouvir o que não quer. Isso é transparente como água. Então, não me calarei diante de qualquer palavra mal dada. Se têm medo da minha língua, então não a provoque, minha avó. – Respondi encarando-a de forma fria. Percebi que Jacob começava a ficar tenso com o rumo da conversa, apertando forte a minha mão como quem pedia para eu me calar.

- Ela está certa. – Disse Emmett, quebrando o nosso pequeno confronto.

- Você não deveria ser tão atrevida, querida. – Disse o meu avô com tom complacente.

- A quem crês que eu puxei, meu querido avô¿ Se sou atrevida, é porque herdei essa audácia e altivez de alguém. Não aprendi a ser assim... Nasci assim. – Eu o encarei e ele sorriu achando graça.

- Você é astuta, perspicaz, altiva e corajosa como sua avó Elizabeth. – Respondeu rindo.

- Lady Elizabeth não era desaforada, querido. Sua mãe sabia se portar muito bem. Ao contrário da nossa neta, que parece ter veneno em sua língua. – Minha avó respondeu.

- Olha quem fala... – Ri ironicamente. – Veneno por veneno, acho que a senhora tem bem mais. – Ela arregalou os olhos quando praticamente a chamei de cobra e se calou.

- Vamos mudar o rumo dessa conversa. – Alice disse sorrindo e me perguntou sobre a corrida. – Ness, meu amor, acha que tem chance de ganhar¿ Ouvi dizer que o seu cavalo é muito veloz. – Disse sorridente.

- Nefasto é muito veloz realmente, muito teimoso e arisco também. Tenho certeza de que se não ganhar, chegarei entre os primeiros lugares. – Respondi para ela.

- Nefasto... – Rosalie sussurrou. – Que nome é esse¿ Bem típico da dona. – Riu ironicamente para nós.

- É um cavalo forte, de fibra, de valor e merece ser estimado pelo que é. Ele não tem que se mostrar manso e agradável para ninguém, Rosalie. Assim como eu! – Arquei a sobrancelha. – Eu tenho uma égua que parece bem mansa, é linda, parece tranquila, mas quando você menos espera, ela vem e te dá um coice. Quem olha para ela, não diz o que ela é pela sua beleza. Acho que irei chamá-la de “Dama do Gelo”- Disse arqueando as duas sobrancelhas e ela se levantou irritada da mesa.

- Você passou dos limites, mocinha! – Disse apontando o dedo para mim enquanto caminhava em minha direção.

- Se eu fosse você guardava esse dedo... Posso morder e ficará sem ele. – Todos riam quando ela perdeu a compostura e saiu gritando com ódio da sala.

- SUA SELVAGEM! É ISSO QUE DÁ SE MISTURAR COM QUEM NÃO PRESTA!!! SELVAGEM!!! DEUS, O QUE FIZEMOS PARA MERECER UMA CRIATURA TÃO TERRÍVEL!!!

- Louca! – Disse balançando a cabeça.

Naquela noite, terminamos o jantar e fomos para casa, rindo do destempero de minha tia e da raiva que minha avó ficou quando praticamente a chamei de cobra.

Sei que fiz errado em discutir com minha avó, mas subia uma raiva incontrolável quando vinha com aquele ar de superioridade e tentava impor a sua opinião.

Jacob me repreendeu pelas minhas palavras duras, mas não conseguiu se manter tranquilo muito tempo e caiu na gargalhada enquanto íamos para casa.

- Você é terrível e tenho medo da sua língua. Não deve desafiar as pessoas dessa forma, menina. Ainda encontrará alguém para te agredir fisicamente por causa dessa sua língua. Por favor, não faça mais isso. – Pediu com ar sério.

- Amor, eu posso até apanhar. Mas não espere que fique calada e calma diante disso. Porque revidarei na mesma moeda. Se bater, leva! – Jacob começou a gargalhar.

- Eu não acredito que estou ouvindo isso. RARARA. Depois eu quem sou selvagem. RARARARA Comprei gato por lebre. RARARA

- Você acha que tenho medo de apanhar¿ OH, meu caro, não se engane comigo. Já levei tantas palmadas da minha mãe e nem por isso morri. Quando era pequena, tinha um menino no meu castelo, filho do jardineiro, nós vivíamos brigando e acabávamos rolando no chiqueiro, puxando os cabelos um do outro, dando chutes e tapas. E no final de tudo, ainda apanhava da minha mãe, que dizia que era uma lady e precisava aprender a me comportar. E você acha que ficava quieta¿ Quando saía do meu castigo, batia nele novamente. – Respondi rindo e Jacob não se aguentava de tanto ri com tudo aquilo.

- Você brigava com um menino, chegando a rolar dentro de um chiqueiro¿ - Perguntou franzindo cenho e eu assenti com a cabeça. Voltou a rir novamente e assim foi o restante da viagem para casa.

- Aprende uma coisa, se me ofender, eu ofendo e se me bater, eu bato. Acha que ficaria calada aceitando os desaforos que me fazes¿ Você ainda não me conhece, amor! Lizzy dizia que se voltasse o tempo de caças às bruxas, eu seria queimada na fogueira acusada de está enfeitiçada pela coisa ruim.

- Eu acredito! Tenho até medo de você. – Começou a rir novamente, puxou meu corpo contra o seu, colou os nossos lábios e sussurrou. – Eu adoro você, minha pequena travessa.

- E eu amo você, Jacob Black.

---- xx -----

Mais alguns dias se passaram e continuamos na nossa rotina de treinamento árduo. Cada vez galopava mais rápido com Nefasto e muitas pessoas já acreditavam que poderia ter uma chance de ganhar.

Estava tão entretida com tudo aquilo, que já havia me esquecido de Caroline Foster e o perigo que ela representava para mim. Foi justamente nesse momento, que o meu fantasma se apresentou em minha frente, disposto a me tirar completamente o chão e a enfraquecer a minha esperança de ter o amor do meu marido.

Dois dias antes da corrida, tudo estava perfeito, Billy, Rachael e meus pais haviam chegado juntos de viagem e fizemos o possível para instalá-los na casa que não era tão grande. E apesar de complicado, conseguimos organizar todos nos quartos que tínhamos à disposição.

Billy ficou no quarto que estavam Jared e Quil. Rachael e Claire ficaram no quarto que estavam Seth e Jacob. Meus pais foram para o castelo dos Cullen. Jared, Quil e Seth improvisaram um local para dormir em um velho celeiro nos fundos do quintal e Jacob foi para o meu aposento ficar comigo.

Estava radiante de felicidade, mesmo sabendo que não aconteceria nada entre nós com a casa tão cheia de gente e a tensão pela corrida que se aproximava.

Foi então que recebi o convite da minha avó para um chá em homenagem à chegada dos meus pais. E sem ter muito alternativa, peguei Rachael e Claire e partimos na carruagem para o castelo dos meus avós.

Durante o trajeto, aproveitei a oportunidade para conversar com minha cunhada.

- Rachael, contou para seu pai¿ - Perguntei enquanto olhávamos para a cidade cheia de gente perambulando de um lado para o outro.

- Contei. – Respondeu tristonha.

- E ele¿ O que falou¿ O que aconteceu¿ - Perguntei curiosa, louca para saber como foi a reação de Lord Billy

- Esbravejou e quase quebrou a sala inteira. Mas depois de um tempo, resolveu concordar com nosso casamento – Respondeu arrasada.

- Mas não era isso que queria¿ - Questionei vendo o seu desapontamento.

- Sim! Eu me caso em um mês em nosso castelo. Mas o problema não é esse, Ness. – Começou a chorar. – Será que não entende¿ Meu pai não fala direito comigo. Mal olha em meu rosto. Não sabe como foram difíceis esses dias de viagem. Se não fossem seus pais conosco, não sei o que teria sido. – Respondeu magoada, chorando e com expressão de desolamento em sua face.

- Eu disse para você tomar cuidado. Disse que não era prudente. O que está feito está feito. O que importa é que irão se casar em breve. – Disse para ela.

- Alguém pode me dizer o que acontece¿ - Claire perguntou curiosa encarando nós duas.

- Rachel está grávida de Paul e os dois irão se casar.

- OH, MEU DEUS!  - Colocou as mãos no rosto e olhou chocada para Rachael.

- Para, Claire! Não venha me criticar. – Disse para a garota.

- Ela não fez por mal, Rachael.- Disse para ela.

- Eu sei! Mas tudo isso é difícil demais para mim. Será que não podem me entender¿

- É claro! Desculpa, Rachael. – Respondeu.

Nesse momento, Claire e eu sentimos a carruagem parar de súbito.

- Chegamos! – disse ao olhar pela escotilha da carruagem.

Quando chegamos lá, fomos conduzidas até um grande salão com algumas ladies que não conhecia. Respirei fundo e tentei parecer simpática para não espantar ninguém. Sabendo que minha mãe teria um ataque histérico se a fizesse passar vergonha.

Todas as ladies nos olharam, e apesar da expressão de desdém para Rachel e Claire, tentaram ser simpáticas e acenaram para nós.

Sentamos ao lado de minha mãe e tia Alice, e ficamos o resto da tarde com elas, falando o mínimo possível para evitar maiores constrangimentos.

Acredito que minha avó tenha advertido as suas amigas quanto a comentários maldosos quanto ao meu casamento, porque nenhuma delas foi capaz de abrir a boca para falar uma palavra sobre Jacob.

Quando nos despedimos das Ladies e caminhamos até a porta, minha avó caminhou em nossa direção com uma amiga para me fazer um convite.

- Renesmee, essa é a lady Foster.

- Muito prazer, Milady! – Disse sorrindo para ela.

- Eu darei um jantar amanhã à noite e seria uma honra se me contemplasse com a sua presença e a do seu marido, é claro. – disse sorrindo.

- Ela receberá os pais do noivo de sua filha Caroline, que se casará em quinze dias. E fará um jantar de homenagem para eles. Por isso, está convidando os amigos para estarem presentes a esse momento tão importante. – Minha avó disse com olhar de advertência para mim.

- Creio que não...

- Ela vai sim, Janet. Não se preocupe que Renesmee e Lord Black estarão lá, assim como todos os Cullen. – Minha avó se adiantou e aceitou o convite por mim.

- Milady, eu... Eu... – Estava tão mal com aquela situação, que não conseguia recusar o convite. A única coisa que vinha a minha mente era Jacob e Caroline juntos mais uma vez e na minha frente. Meu coração começou a sangrar e não sabia como sairia daquela situação.

- Você estará lá! – Minha mãe disse aproximando-se de nós.

- De certo! – Respondi derrotada, segurando as lágrimas para não rolarem em meu rosto, com o pavor de presenciar o reencontro dos dois.

- Acredito que Milady e minha filha serão boas amigas. – Disse sorridente

- Quem sabe¿ - Respondi, cumprimentei todas antes de continuar o meu trajeto e saí do castelo dos meus avós completamente arrasada com aquela situação.

Sabia que seria o dia mais difícil da minha vida e ainda teria que contar a Jacob que jantaríamos no castelo dos Foster, para comemorar o casamento da mulher que havia destruído a sua vida.

Naquele momento, fiquei sem forças, sem chão e sem rumo ao pensar em ver juntos Jacob e a mulher que amava na minha frente. Sabia que não conseguiria me manter firme diante de tal situação.

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NOTA GLAU: E agora José? O que será que acontecerá nesse jantar? OMG Ness e Caroline juntas? Ness com a língua solta? Um monte de nobres bestas? K**** ISSO VAI DÁ M!!!!

E ai? Gostaram do cap? O que acharam?

Amores, passem lá na fic que estou betando: Love ande hate!
Ela está lindissima!!!!

http://fanfiction.nyah.com.br/historia/89359/Love_And_Hate


Amores, a Valéria não conseguiu enviar o arquivo e chegará em casa tarde. Por isso ainda não tem nota dela.


Bjus no core



n/h: OMG! A PEQUENA É UM PERIGO MESMO...viram...bateu levou..isso mesmo...Eu já estou aflita com esse jantar, já não basta com os Cullen...pensei que a Rosali levaria uns tapas da Ness, mas não é pra tanto e... a venenosa da vó? Sinceramente uma vó deveria ser heroína e não carrasca!!!...oi Sarahhale,sentiu minha falta....to de volta...só me pedir das meninas um dia...kpoksokpoko....bjs a todas... pontinhos pra vocês....

terça-feira, 14 de setembro de 2010


Capítulo 10 – Viagem


Como já esperávamos, Lord Black fez uma tempestade quando recebeu a notícia de que eu correria em Londres, exibindo a minha agilidade e o cavalo arisco que todos temiam.
O conflito entre ele e o filho se estabeleceu, mas em nenhum momento Jacob cedeu às vontades do pai e fez menção de voltar atrás na sua decisão de partirmos. O clima ficou tenso, mas não foi preciso eu intervir e colocar a minha opinião sobre o fato. Assim, começamos os preparativos, para partir em cinco dias, eu estava muito feliz e orgulhosa com a postura firme de meu marido.
Depois do anúncio da nossa viagem à Londres, Rachael chegou a conclusão que eu precisaria de roupas adequadas, já que iria dar uma de amazonas. Eu não poderia participar de uma corrida oficial como cavaleiro usando longos vestidos.
Resolvemos ir até a costureira, só que não foi necessário porque Leah se ofereceu para fazer as minhas novas roupas, entrando em conflito com minha cunhada.
- Acreditas que não sou capaz de fazer um traje à altura de uma condessa¿ - Questionou Leah em seu momento de irritação.
- Não é isso, Leah. – Respondeu sem graça. – Renesmee precisará de alguém que lhe faça trajes de homem, mas que fique perfeito em seu corpo de mulher. – Disse para ela.
- Eu sei coser perfeitamente e as roupas de todos os serviçais do castelo são feitas por mim. Só preciso de bons tecidos para que os trajes da condessa sejam dignos dessa corrida. – Respondeu Leah friamente para ela.
- Tudo bem, Leah! – Eu interferi no conflito. – Pode fazer os meus trajes de amazona. Confio em suas mãos. Vamos começar o trabalho agora. Precisaremos partir em cinco dias. Acreditas que és capaz de preparar esses trajes em cinco dias¿ - Perguntei para ela franzindo o cenho e vi um sorriso largo se formar em sua face.
- Será uma honra para mim! – Exclamou entusiasmada. – Cinco dias são mais do que suficiente para eu preparar tudo. Agora vamos tirar as suas medidas e depois vocês precisam ir comprar fazendas para eu começar a coser. – Respondeu e formos para os meus aposentos. Rachael fez aquela expressão de desgosto, contudo não ousou falar sobre o assunto.
Horas mais tarde, depois que ela tirou as medidas, partimos para o vilarejo mais próximo para comprar algumas fazendas. No caminho, conversei com Rachael sobre a sua situação com Paul.
- Rachael, como andam as coisas com Paul¿ Quando pretende contar ao seu pai que ele está fazendo a corte pra você¿ - Perguntei tentando parecer casual e sem forçar uma conversa incômoda para ela.
- Ele está me cortejando e estou muito feliz. Mas temo a reação de meu pai ao saber da notícia. – Respondeu olhando para a pequena janela na carruagem.
- Acreditas que seu pai não saberá¿ Todos já comentam sobre vocês e cedo ou tarde Lord Black saberá dos seus encontros furtivos. Não achas melhor falar com ele e evitar atritos desnecessários¿ Sabe o que pode fazer com Paul quando descobrir? E conhecendo o seu pai, já deu pra perceber que ele não vai perdoar vocês dois. – Hesitei para não assombrará.
- O quê¿ - Perguntou nervosa.
- O mínimo que fará será mandar Paul para longe... Isso se...
- Se¿
- Você sabe onde quero chegar, Rachael. Não se faça de inocente para mim... Sei bem que andam se encontrando às escondidas e que ficam se agarrando por aí. Se Lord Black descobre isso, não quero pensar no que fará com Paul. Então não seja medrosa e fale com ele antes que uma desgraça ocorra. – Disse firme para ela.
- Acha que seria capaz de enforcar Paul¿ - Perguntou com olhos arregalados.
- Há grande possibilidade... Depende do que os dois fizeram. – Respondi tentando aparentar calma. Mas pelo seu nervosismo, sabia que se entregara para ele e estaria perdida se Lord Black descobrisse o fato.
Durante as compras, Rachael ficou bastante calada e não toquei mais no assunto para não atormentá-la ainda mais. Contudo percebi que sofria com a possibilidade de perder o seu amor. Eu fiquei me sentindo um pouco culpada por tê-la deixado preocupada, mas era necessário alertá-la para que nada pior acontecesse.
Compramos todos os tecidos que ela achava necessário e ao partirmos para a carruagem, encontramos a costureira.
- Margarithe! – Rachael e eu assentimos com a cabeça.
- Tudo bem, Lady Black¿ - Perguntou para Rachael.
- Bem, Senhora! Estamos comprando fazendas para fazemos trajes de amazonas para a minha cunhada. Ela está partindo com o meu irmão para Londres e precisará dos trajes. – Rachael disse para a mulher e vi em seu rosto um sorriso malicioso se formar enquanto me olhava.
- Londres¿ Que coincidência! - Riu ligeiramente.
- Coincidência¿ Que coincidência¿ - Perguntei curiosa.
- Lady Caroline Foster partiu para Londres com a mãe há dois dias. – Disse rindo. – O seu casamento será realizado em um mês no castelo que possuem em Londres. – Sorriu para mim.
- Bom para ela. – Respondi desgostosa.
- Quem sabe não se encontram por lá. – Afirmou analisando as minhas reações.
- Pode ser! Mas não será do meu gosto encontrar Lady Foster. Adeus! – Encerrei a conversa e dei as costas para continuar o trajeto para a carruagem, mas Rachael continuou a conversar com ela.
- Inferno!! Tantos lugares no mundo para essa ir... Tinha que ser em Londres¿ - Rachael chegou e me pegou resmungando, enquanto Paul segurava a minha mão para me ajudar a entrar na carruagem
- Não devia mostrar essa irritação diante das pessoas. Quer que essa leva-e-traz descubra o que aconteceu entre Caroline e Jacob¿ - Repreendeu-me Rachael.
- Ela já sabe! – Afirmei. – Escutou a nossa conversa naquele dia e se hoje me interpelou dessa forma, é porque já sabe e certamente está chantageando a vadia porca. – Respondi quando Rachael se sentou ao meu lado.
- Crês que ela chantageia Caroline¿ OH! – Perguntou indignada.
- Você acha que uma mulher maliciosa como ela guardaria tal segredo se não fosse por um motivo forte¿ Certamente está pedindo favores para a porca. – Respondi fazendo um muxoxo.
- É verdade!
- Rachael, toma cuidado com essa mulher. Ela aproveitaria qualquer ensejo para tirar proveito de você também. Seja esperta e não conte sua vida pessoal pra ela. – Eu a aconselhei.
- Pode ficar tranquila, Ness. Nunca falaria de minha vida para tal criatura.
- De certo.
Voltei para o castelo, estava de mau-humor e arisca. Mesmo assim, começamos os preparativos para a viagem.
Conversei com Mary e tentei convencê-la a deixar Claire ir como minha dama de companhia, pois certamente precisaria de alguém para me ajudar com a vestimenta. E depois de muita conversa, mesmo preocupada, acabou cedendo ao meu pedido e permitiu que sua filha viajasse conosco para Londres.
Arrumamos dois baús com roupas e coisas que seriam necessárias para o meu conforto. Depois dei alguns vestidos para Claire, que os levaria para Leah fazer os pequenos ajustes. E fui para a cocheira ver como andavam as coisas por lá.
- Milord! – Avistei Jacob e chamei-o nome ao vê-lo escovando Pérola Negra.
- Por onde andou o dia inteiro, pequena¿ - Perguntou com um sorriso lindo para mim. – Como ousa permitir que sinta a sua falta¿ - Arqueou a sobrancelha e me encarou.
- Estava cuidando dos preparativos para a viagem. Mas não queria que milord sofresse demais com a minha ausência. – Respondi caminhando para ele e me aconcheguei em seus braços.
- Sim! Eu sofro demais com a sua ausência. – Cheirou os meus cabelos e fez carícias nas minhas costas.
- Como estão os preparativos por aqui¿ Faltam apenas quatro dias para partirmos. – Suas mãos faziam pequenos movimentos em meus braços, enquanto beijava a maçã do meu rosto de forma gentil.
Com apenas esse simples carinho, meu corpo já o desejava ardentemente. Fiquei imaginando como seria no momento em que nos entregaríamos de corpo e alma.
- Tudo está correndo bem. Já preparamos a carruagem, a carroça que levará Nefasto, escolhemos os cavalos para nos conduzir, separamos as tendas para acamparmos. – Ele mencionou a palavra acampar e eu estremeci. – O que foi, pequena¿ Precisa saber que nem sempre teremos local para pernoitar e precisamos montar acampamento na floresta. Mas não se preocupe com isso, meu bem.
- Eu só estranhei a notícia... Mas não tem problema, amor. – Respondi para ele.
- Eu mandarei avisar aos seus pais sobre a viagem e a corrida. Não quero que sejam pegos de surpresa. – Disse preocupado.
- Mande Paul enviar a mensagem depois que partirmos. Não quero que meus pais tentem interferir em nossa viagem. – Respondi sabendo o drama que minha mãe faria quando soubesse da corrida.
- Você é muito danadinha. – Sussurrou em meu ouvido.
- Sou precavida. – Ri achando graça da forma como havia falado.
- Você é daninha e consegue tudo o que quer, pequena. – Mordeu levemente o meu lóbulo depois de sussurrar de forma sensual.
- Quase tudo... - Dei um sorriso malicioso. Ele me virou para si, segurou o meu rosto com as duas mãos e me beijou docemente.
- Agora me deixa trabalhar, menina. – Disse beijando o meu pescoço e rapidamente se livrando de mim, parecendo querer mais alguma coisa, mas sem querer deixar transparecer.
- Tem certeza que precisa trabalhar¿ Não quer nadar no rio comigo, amor¿ - Passei a língua nos lábios e Jacob se arrepiou.
- Não mesmo, pequena. Você é desejosa demais para um banho de rio... Não apresse as coisas. – Puxou-me para o seu corpo, passou a língua no contorno de meus lábios, senti meu corpo estremecer com aquela sensação gostosa de prazer. Colou nossos corpos e começou a aprofundar um beijo. Empurrou-me contra a parede, pressionou o seu corpo no meu enquanto me beijava de forma voraz, explorando cada canto de minha boca. Sua mão apertou meus seios, ele se encaixou entre as minhas pernas, pressionando-me em sua cintura. De repente, a porta da baia se abriu e Sam entrou. Interrompemos o beijo, senti minhas bochechas arderem com a vergonha que senti naquele momento, abaixei a cabeça e Sam pigarreou, Jacob depois se virou para falar com Sam.
- Voltarei para o castelo, Milord. – Disse e saí envergonhada com aquela situação constrangedora.
--- xx ----
- Sentirei falta de você, menina. – Mary beijou meu rosto e me abraçou forte. - Vê se cuida bem do meu menino. - Disse em meu ouvido.
- Eu cuidarei, Mary... Eu cuidarei. Acredito que não há pessoa no mundo que saiba cuidar dele como eu sei. Eu o amo muito, Mary.
- Cuidado com a minha filha... Muito cuidado! Não permita que nenhuma mal ocorra a ela. Traga a minha filha de volta da mesma forma.
- Não se preocupe! Tomarei conta da sua filha, Mary.
- Juízo, menina! – Lord Black beijou a minha mão e me encarou.
- Eu tenho muito juízo, Milord! Depois dessa viagem, ninguém mais torcerá o nariz para os Black. – Respondi para ele.
- Assim espero. – Respondeu e se afastou para falar com o filho.
- Ness, querida, boa sorte nessa coisa louca de corrida. Espero que você e meu irmão se entendam bem. E que Caroline não cruze os caminhos dos dois em Londres. – Disse Rachael sussurrando em meu ouvido.
- Rachael, conta para o seu pai sobre Paul. Será mais complicado se ele descobrir a sua desonra. E no seu acesso de ira, pode até mesmo matar Paul. Então tome uma atitude enquanto ainda há tempo para isso. – Sussurrei em seu ouvido.
- Eu tentarei, Ness... Eu tentarei... – Sua voz estava embargada e ela começou a chorar. – Eu preciso ser forte... Terei um bebê... – Chorou emocionada.
- OH, meu Deus! Rachael... Eu... Eu...
- Não diga nada, querida. Eu preciso tomar uma atitude diante dessa situação. Se não tentar, meu pai matará a nós dois.
- Paul já sabe¿ - Perguntei e ela negou com a cabeça.
- Então conte para ele e converse com seu pai, Rachael... Não espere a barriga crescer para tomar uma atitude. – Disse temerosa que uma desgraça ocorresse.
- Eu o farei... – Ela hesitou por um momento. – Não conte nada para Jacob, por favor. – Pediu chorando.
- Não o farei, querida... Não o farei. – Afastei-me dela e caminhei até a carruagem. Antes de entrar, vi Claire beijando a mãe e a irmã.
Depois de um tempo, Claire entrou na carruagem e partimos para Londres.
Foi uma viagem dura e cansativa. Ficamos quatro dias dentro da carruagem, só saindo para pernoitar nos vilarejos por onde passamos ou para acampar na floresta.
Às noites, eu dormia ao lado de Claire, enquanto Jacob se arrumava como podia com Quil, Jared e Seth. Assim não tivemos a oportunidade de ficar juntos e nem havia como naquela jornada longa e cansativa. E o mais duro foram às florestas sombrias e escuras em que fomos obrigados a acampar. Sabia que Jacob e os outros permaneciam acordados tomando conta do nosso acampamento.
Depois de quatro dias, chegamos ao centro de Londres, observados por olhares curiosos das pessoas que acompanhavam todos os nossos movimentos.
Procuramos uma hospedaria para nos alimentarmos e lá fomos orientados sobre uma grande casa que estava para alugar no centro da cidade.
Fomos até o local indicado e encontramos o dono em sua taverna. Jacob conversou com o sujeito, que de imediato se recusou a nos alugar a casa. Fiquei tão indignada com a forma como falava, que entrei no meio da conversa e impus o meu título de nobreza diante dele. Afinal, mesmo não sendo mais uma Cullen, continuava uma condessa e o nome de minha família tinha muita influência na sociedade.
- Como dizes¿ Recusas a nos alugar a casa¿ Pode nos apresentar um motivo plausível¿ - Cruzei os braços e o indaguei, encarando os seus olhos.
- Primeiro, creio que não tenham dinheiro para pagar a casa. Segundo, não alugarei a minha casa para tipo como vocês. Não têm traquejo para habitarem uma casa como a minha e não o farei. – O homem disse em tom arrogante, arqueando a sobrancelha.
- Ness! – Jacob me advertiu quando viu que tinha perdido completamente a paciência. Mas eu não me calei e desafiei o homem arrogante.
- Você sabe com quem está falando, Milord¿ Acredito que não! Se soubesse não teria a ousadia de nos falar dessa forma.
- E com quem estou falando, criança? – Disse com um sorriso sarcástico em seu rosto. Jacob segurou o meu braço, com medo que partisse a cara do sujeito. E eu me contive.
- Condessa Renesmee Carlie Cullen Black a seu dispor! Creio eu que não precisa arrumar problema com o Conde Carlisle Cullen. Deve conhecer a sua fama e como trata os seus inimigos. Por isso, ofender a sua neta não seria nada apropriado para um sujeito que precisa se manter. Fui clara¿ Preciso ser mais direta¿ Agora mostre o seu singelo casebre, que possivelmente nem está à altura para receber uma condessa como eu! – Ordenei arqueando as sobrancelhas e o homem tremeu com as minhas palavras.
- Condessa Cullen¿ OH! Perdoe-me o atrevimento. Mas não pensei que fosse uma condessa andando com tipos como esses¿ - Apontou para Jacob, seus amigos e Claire.
- Esse Lord é o meu marido. E por ventura se referir a ele dessa forma, mando-lhe acoitar pelo seu atrevimento, entendeu¿ Como ousa um plebeu enfrentar um nobre¿ Não conhece o perigo que corre¿ Não estou com tempo e nem paciência para tentar dialogar com um sujeito da sua estirpe. – Cruzei os braços e o homem abaixou a cabeça.
- Eu os levarei até a casa. – Disse e saiu de trás do balcão da taverna. As pessoas que acompanhavam a conversa olhavam assustadas a minha altivez e ousadia. Mas não me envergonhei por usar o meu título para pôr o homem arrogante em seu lugar. Não permitiria que ninguém humilhasse o meu marido e só me calaria se a língua me fosse arrancada.
- Você é terrível! Como conseguiu isso¿ - Perguntou Seth ao sairmos da taverna seguindo o homem.
- Quando se tem uma avó e uma tia como eu tenho, fica fácil aprender a como por as pessoas em seus devidos lugares. Eu odeio fazer esse tipo de coisa. Não acho justo ou sensato, mas não permito que ninguém humilhe Jacob ou qualquer um de vocês. Sou muito meiga e pareço criança, Seth, mas não sou tão boazinha quando me tiram do sério. – Respondi para ele enquanto caminhávamos para a carruagem.
- Não deveria ter se intrometido no meio da conversa, pequena. Ele poderia ter te agredido e eu teria que partir para cima do sujeito. – Jacob beijou a minha mão e olhou em meus olhos antes que eu subisse na carruagem.
- Eu disse para você que não abaixaria a minha cabeça e não permitiria nenhum tipo de humilhação. Não menti quanto a isso, meu amor. – Respondi beijando as suas mãos que seguravam as minhas.
- Você disse que viraria uma égua arisca. – Jacob riu enquanto me encarava.
- Sim! Não sou tão boazinha quanto pareço, Milord. Tentar me tirar do sério não é boa coisa a se fazer se não quer ouvir umas verdades. – Respondi para ele.
- Eu às vezes tenho medo de você, pequena... – Rui para mim. – És impulsiva demais e tens uma língua terrível.
- Disse para você que sou assim e não mudaria. Falo o que penso e não me sujeito a humilhações. Sabes que teremos muitos desafios nesse lugar e muita gente metida entrará nos nossos caminhos. Então, Milord, prepara-te para ouvir muitas coisas duras de meus lábios. Eles não se calarão diante de nossos ofensores. Não mesmo!
- Tudo bem, pequena! Vamos logo para esse casebre antes que o homem desista de alugar. – Disse e eu entrei na carruagem.
Sabia que teríamos dias difíceis naquela cidade onde a nobreza se concentrava. A hipocrisia e a maledicência nos perseguiriam e seríamos alvos de muitas intrigas. Mesmo assim, estava disposta a seguir o meu caminho e continuar forte diante dos meus ofensores. Sendo sempre altiva diante de qualquer ofensa, para retribuir na mesma moeda qualquer conjectura maliciosa.
Jacob parecia temeroso, mas não por ele, que já estava acostumado a ser apontado como selvagem, e sim por mim. Ele não queria que passasse o mesmo tipo de humilhação com que vivera em sua vida. Mas eu não tinha qualquer tipo de receio quanto ao seu temor, porque a única coisa que poderia me ferir, era a sua rejeição e o amor que ele ainda nutria por aquela vadia porca chamada Caroline.
Sabia que a encontraríamos em breve. E já preparava o meu coração e a minha língua para rebater as suas ironias. Porém sabia que sairia muito ferida daquele confronto. Daquilo sim eu tinha medo... Medo do que ela poderia me dizer ou de ver nos olhos de Jacob o amor que ainda sentia por ela. Porém estava disposta a passar sobre o meu orgulho e lutar por ele, lutar pelos meus sentimentos e pelo futuro que nós teríamos juntos. Sofreria o que precisasse naquele momento, mas de uma forma ou de outra, um dia Jacob seria somente meu.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010




Capítulo 9 - Toques

- Ness, escuta o que vou te falar. Tenta ouvir apenas uma vez o que preciso dizer. – Jacob acariciou os meus cabelos e beijou o meu pescoço enquanto me abraçava por trás. – Eu não me deitei com Caroline. Não marquei um encontro com ela. Tudo ocorreu ocasionalmente. – Suas mãos passaram pela minha barriga delicadamente, sentia seu hálito quente em meu pescoço enquanto sussurrava baixinho roçando seus lábios, causando-me arrepios pelo corpo. – Eu estava muito confuso, pensando no nosso beijo, por isso precisava andar um pouco, também queria nadar no rio e tentar colocar as ideias em ordens. Foi nesse momento que encontrei Caroline. – Meu corpo estremeceu e senti um frio em minha barriga ao ouvir aquele nome de sua boca.

- Jacob, por favor, não! – Choraminguei, sentindo as lágrimas rolarem em meu rosto. Não queria ouvir sobre ela, não queria ser humilhada novamente com aquela verdade que tanto me machucava.

- Ness, por favor, tente me ouvir. Se você tivesse nos observado, veria que nada ocorreu, que apenas discutimos e eu nem sequer cheguei muito perto dela. – Sua voz ficou embargada, ele parecia chorar enquanto falava. – Ness, meu coração está ferido, minha alma foi destruída e hoje não sou nada. Não estou em condições de te dar o amor que você quer e precisa. Mas eu quero muito... – Jacob se calou por um momento e depois continuou chorando. Senti meu coração apertar com o seu choro e a sua dor se transformou em minha dor. – Hoje você é tudo o que tenho, sinto-me feliz ao seu lado, sinto falta do seu sorriso, do seu toque e do seu cheiro. Você não faz idéia de como fiquei infeliz esses dias em que me desprezou, pequena. Você hoje é o meu Sol particular. – Jacob dizia tudo aquilo de forma tão intensa e tão verdadeira que era impossível não acreditar em suas palavras.

- OH Jacob... – Sussurrei e ele colocou os dedos sobre os meus lábios.

- Pequena, eu quero te amar, quero me entregar e ser feliz ao seu lado. Mas hoje meu coração está partido e não posso te dar um monte de pedaços para você juntar. Você merece muito mais do que um homem fraco, emotivo e completamente destruído por uma rejeição.

- Jacob, eu quero você do jeito que está. Podemos ser felizes juntos...eu sei.

- Eu quero amar você de verdade. Não acho que seja justo me deitar com você pensando em outra. – Aquelas palavras me feriram, senti meu coração doer muito forte e quis acabar com a minha agonia, sabia que ele precisava de mim. Que precisava desabafar tudo o que sentia e por isso eu o ouviria até o fim.

- Percebi que você não é mais uma criança. Meus sentimentos são mais fraternais do que gostaria que fosse. Eu a desejo como mulher e isso para mim, que sou homem, é a coisa mais natural do mundo. Só que você é importante demais para eu tratar isso com leviandade e fazê-la minha mulher por uma simples necessidade de satisfazer o meu corpo. – Jacob voltou a beijar o meu pescoço, causou mais arrepios por todo o meu corpo estremecido. Virei-me para fitar os seus olhos chorosos. - Você merece muito mais, Ness. Já não basta esse destino de ter se casado com um homem como eu¿ Já não basta ter sujado o seu nome¿ Eu não quero simplesmente deitar com você. – Seus olhos negros, cheios de lágrimas, cravaram nos meus enquanto falava e comecei a chorar. – Quero fazer amor com você, Ness. Mas para isso, eu preciso juntar os meus pedaços e me refazer desse duro golpe que recebi. Só peço que seja paciente e me dê um tempo para arrumar o meu coração. Não desista de mim, pequena. – Jacob colou as nossas testas e nossos olhares ficaram ainda mais pertos, sentia a sua respiração em meu rosto, o hálito quente enquanto falava. Vi quando fechou os olhos e aproximou o rosto do meu. Então, fechei os olhos e esperei o toque dos seus lábios.

Seus lábios quentes e molhados tocaram os meus, movendo-se de forma gentil e carinhosa, permitindo-me aproveitar cada toque, os movimentos sinuosos, o gosto doce e a paixão nascendo lentamente entre nós.

Suas mãos seguraram a minha cintura de forma firme e me puxaram ainda mais para o seu corpo. Senti um volume em suas calças, como na noite em que nos beijamos, suas mãos deslizaram lentamente pela minha cintura até chegar aos meus seios. Depois, ele fez singelos movimentos sobre eles enquanto me beijava.

Jacob interrompeu o beijo, que não foi como o primeiro, ficou ofegante, ainda com o rosto próximo ao meu. Tocou a maçã do meu rosto de forma gentil, abri os olhos e vi um sorriso em sua face exótica. Um sorriso que nunca havia presenciado. Senti um frio na barriga, meu coração acelerou ao perceber que ele gostava de mim. Havia uma chance para nós dois e só precisaria de paciência para esperar a sua recuperação.

No meio disso tudo, senti uma forte cólica, devido ao fato de estar nos dias de meus sangramentos, mordi os lábios e tentei disfarçar o meu desconforto.

- Você está sentindo alguma coisa¿ - Ele perguntou ao ver a expressão de dor se formando em minha face.

- Jacob, tem coisas sobre mulheres que precisa saber. – Comecei constrangida, sem fazer a ideia se ele sabia do que falava. – Todos os meses, nossos corpos passam por um estado complicado que nos afeta fisicamente. Eu fico um pouco mais nervosa e irritada. Não sei se percebeu a mudança de humor que tive no mês passado. Ficamos mais emotivas também. Sentimos dores em alguns momentos e depois de dias, a coisa acaba e voltamos ao normal. – Disse envergonhada e fiquei observando o seu rosto abrindo um sorriso malicioso.

- Você narrou tudo isso para dizer que está sangrando¿ - Riu e abaixei a cabeça.

- Não tem graça! – Resmunguei. – Sabe o que é isso¿ Como¿ - Perguntei curiosa.

- Nós homens conversamos sobre essas coisas, Ness... Precisamos aprender uns com os outros como funciona o corpo de uma mulher. Apesar de ser novo, não sou ignorante nesses assuntos.

- Tudo bem! Então, pode entender o motivo de eu estar tão irritada¿ - Mordi os lábios e fiquei vendo os seus olhos encarando os meus de forma estranha. Meu corpo queimava, meu estômago se revirava e um frio percorria a minha espinha com aquele olhar.

- Ness, sempre tentarei entender você... Sempre... Eu quero tanto te amar. – Sussurrou me encarando.

- Vamos deixar as coisas acontecerem então, Jacob. – Falei passando os dedos sobre os seus lábios carnudos e molhados, vendo seus olhos acompanhar os meus movimentos.

- Só não vou dormir com você por enquanto. Não quero cometer o desatino antes da hora. Tudo bem¿ - Perguntou.

- Tudo bem, Milord! Vamos nos conhecer aos poucos e deixar as coisas acontecerem. Um dia, quando menos percebermos, seus sentimentos serão outros e nada nos separará. – Respondi e aproximei os meus lábios dos seus. Fechei os olhos e o beijei.

Jacob começou com um beijo lento, doce e com muita calma. Mas depois inclinou a cabeça e pediu passagem para sua língua. Senti o seu toque molhado, seus movimentos em minha boca me causavam sensações completamente desconhecidas. Meu corpo gritava sentindo aquela sensação gostosa percorrendo todo ele. Meu desejo fazia percorrer as minhas mãos pelo seu corpo, tentando mapear cada pedacinho de seus braços fortes, o peito estufado, o pescoço grosso e a barriga durinha e cheia de pequenas saliências que me deixava bem intrigada.

O corpo de um homem era completamente misterioso para mim. Desde o dia em que o vi sem camisa, fiquei completamente alucinada por aquela figura perfeita de homem que se apresentava diante de mim, desejei tocar cada pedaço com meus dedos. E em seus braços, com nossos corpos colados, senti a reação que aqueles toques me proporcionavam, meu corpo queimando, uma forte vontade de querer mais e mais dele. Queria sentir tudo o que ele pudesse me proporcionar. Contudo, a paciência seria a minha melhor aliada, enquanto tentava juntar os pedaços de seu coração ferido.

- Chega, pequena! – Sussurrou ofegante

- Por quê¿ - Arfei quando se afastou de mim.

- Porque não quero cometer um desatino. Quero estar completamente curado desse sentimento que me destrói para me entregar a você e te tomar minha mulher. Quero te dar tanto prazer e amor que nunca mais sentirá vontade de se afastar de mim.

- Mas eu não tenho vontade de me afastar de você. – Retruquei.

- Falo em outro sentido, pequena... Outro sentido... Não vai mais querer sair da cama. – Começou a distribuir beijos pelo meu pescoço. – Agora eu vou trabalhar. Tem muita coisa para fazer e tenho que dar ordens aos serviçais. Fica bem! Mas tarde conversaremos um pouco.

- Jacob, fala para mim o que aconteceu com Caroline¿ Quero ouvir tudo de você, amor. – Disse tocando o seu rosto e vi seus olhos entristecerem novamente. Mas eu precisava falar tudo naquele momento e colocar as coisas às claras entre nós.

- Ness, eu amei aquela vadia... – Respirou fundo e depois de hesitar um tempo voltou a falar. - Eu a amei, e ela me usou, Ness. - Revirou os olhos e depois voltou a me encarar. – Eu dei tudo de mim para ela, amando-a de forma enlouquecedora, ma ela só me usou para se satisfazer e quando terminou o nosso caso, pisou em mim e me humilhou da forma mais cruel. Chegou até a dizer que me mandaria à forca por tê-la seduzido. Eu sofri muito e hoje sinto meu coração quebrado. Sinto-me um lixo humano incapaz de despertar amor, uma pessoa repugnante que não pode ser vista ao lado de alguém de bem. Eu nem sei como não sente vergonha de mim, pequena... – Coloquei os dedos em seus lábios e o impedi de continuar.

- Nunca, Jacob. Eu amo você e acho que o amei desde o primeiro momento. OH! Jacob se você pudesse ler os meus pensamentos, se conseguisse entender o que se passa em meu coração, saberia o quão importantes é para mim, amor. Eu não admito que se sinta assim por causa de uma cortesã porca... Tenho vontade de arrancar os olhos dela, Jacob... Ela não é merecedora do seu sofrimento e sei que vai superar isso. Essa dor, essa rejeição e esse sentimento de inferioridade que sente passarão. Eu prometo que o ajudarei nisso, amor... Prometo. – Eu o abracei forte e ficamos chorando juntos em silêncio por um momento.

- Você merecia um marido melhor, pequena... Não merecia ter se casado com um homem como eu. – Sussurrou em meu ouvido.

- Nunca mais diga isso, amor... Não há ninguém melhor do que você... Quando eu te vejo, meu coração dispara, sinto coisas estranhas em meu corpo, tenho pensamentos impróprios e vontade de estar em seus braços... Jacob, você é o meu marido e eu me orgulho de você. Eu o amo do jeito que é e vejo que não há pessoa mais decente nesse mundo... – Comecei a distribuir beijos o seu rosto, enquanto chorava emocionado. – Todos os dias, eu direi como é especial, como eu o amo e o quero. – Mais beijos. – Ficarei ao seu lado e o ajudarei até que se cure. E quando estiver pronto para me receber como sua mulher, amor, estarei aqui pronta para me entregar de corpo e alma... Eu fui paciente até agora e continuarei assim. Pode ter certeza.

- Você é um anjo que caiu do céu para me salvar, Ness. Eu sei que a amarei muito... Muito... – Ele me olhou nos olhos de forma tão intensa, fazendo-me suspirar fundo. – Hoje o que sinto por você é tão forte, que a sua falta, a sua dor e as suas lágrimas chegam a me doer. Por favor, não desista de mim, pequena.

- Nunca, Milord! Você é o dono do meu corpo e do meu amor incondicional. Mesmo que nunca venha a me amar, o que sinto por você é tão forte que dá para nós dois.

- Não fale assim! Você não merece ter um homem pela metade. – Colou a bochecha na minha, fechou os olhos e continuou. – Você merece um homem que te ame com paixão e muito ardor, Ness. E eu serei capaz disso... OH, pequena, você desperta tantos sentimentos em mim... Não faz noção como já me fez feliz desde que chegou a esse lugar.

- Chega de falar, Milord! Beije-me agora!!! – Ordenei e senti seus lábios procurarem os meus com paixão, sua boca se movia sobre a minha com intensidade, sua língua explorava cada canto de minha boca, suas mãos acariciavam os meus seios. Gememos juntos com aquela explosão de emoções em nossos corpos. Senti Jacob nos girar na cama e quando percebi, estava sobre mim, acariciando o meu corpo sem restrição, beijando minha boca com loucura. E eu, perdida com aquela sensação nova aflorando em meu ser, correspondia o beijo da forma mais apaixonada possível, aproveitando o doce gosto da sua boca, os arrepios de meu corpo. Uma ligeira sensação gostosa em meu ventre e o cheiro forte de homem me inebriou por inteira, enquanto era tomada pelo meu marido, que pela primeira vez não tinha medo de se mostrar como era.

- Pequena... – Gemeu meu nome após interromper o beijo, ainda arfando enquanto segurava o meu rosto com as duas mãos.

Abri os olhos e vi a paixão naquele novo brilho que transparecia sem o menor medo.

- Eu amo você... – Sussurrei. – Continua, por favor... Preciso disso, amor.

- Pequena, você está com sangramento e não podemos abusar agora... – Ofegou. – Queria te dar prazer, mas não posso te tocar mais do jeito que está.

- AH! Sempre tem algo para interferir... Sempre...

- Deixa de reclamar! Já avançamos muito, meu pequeno botão de rosa. – Beijou a maçã do meu rosto, desceu uma das mãos pelo meu pescoço até o meu copo e a posicionou em meus seios. – Gosta disso¿ - Perguntou acariciando-os com carinho.

- Muito... - Sussurrei.

- Eu te farei a corte e apenas trocaremos carícias. Aos poucos, vamos nos soltando, até que eu tenha certeza que posso te dar o que merece. – Mordiscou o meu queixo delicadamente.

- Eu sei esperar, amor.

- Prometo que você não vai se decepcionar. – Disse levando os lábios, roçando pelo meu rosto, até chegar a minha orelha e mordeu o meu lóbulo. – Eu te darei de tudo, pequena.

- Você já me dá tudo estando comigo, Milord. – Disse de forma provocante.

- Por que me chama desse jeito¿ - Perguntou curioso.

- Gosto de te provocar... Sei que não gosta disso, mas acho charmoso, Milord.

- Tudo bem, Milady! - Elefoi descendo os lábios até o meu pescoço e começou a lamber lentamente, passando a língua quente pela minha pele.

- Assim eu não aguento, Milord!

- Eu tenho que controlar o meu desejo, Milady... És desejosa e provocante demais... Quero te respeitar. Mas minha boca não me obedece, ansio sentir o gosto de sua pele... Você é linda demais e está acabando com meu controle, Milady!

- Milord, não sou uma criança... Sou uma mulher... A sua mulher. Nessa condição, sinto à vontade para revelar que também sinto desejo. E que estou feliz por você me ver como mulher. Por perceber que não sou a menina que pensava e que estou aqui, esperando ansiosamente para ser sua...

- Me deixa partir de sua cama, antes que cometa um desatino... Se não estivesse nessa condição, não sei se aguentaria, após ouvir essa confissão. – Jacob deu um breve beijo em meus lábios, levantou da cama e caminhou em direção a porta. Antes de sair, olhou brevemente para mim.

Senti uma felicidade tão grande que era quase impossível descrever os meus sentimentos, o desejo aflorando dentro de mim quando sentia suas mãos tocarem o meu corpo de forma tão intensa.

Sabia que não seria fácil e que ele ainda estava preso às lembranças de seu passado doloroso, mas o primeiro passo já havia sido dado. Ele confessou seus sentimentos por mim. E eu só teria que esperar um pouco mais e usar de todos os meus encantos para ajudar a descobrir que também me amava... Sim, Jacob me amava! Ele ainda não tinha a noção daquilo, porque ainda estava preso a sua dor. Mas a forma como me olhava e tocava, revelava os seus sentimentos e fortalecia o meu ser.



---- xx ----

Os dias se passaram rapidamente e nós começamos a nos conhecer como homem e mulher.

Jacob me fazia a corte, levava-me para passear, trazia flores para mim todos os dias, galopava comigo pelos campos. Entretanto, evitava certas intimidades, como banhos no rio, ele sabia que seria demais para o seu controle.

À noite, ficava em minha cama, nos aposentos escuros, apenas iluminados pelas singelas chamas das velas acesas nos castiçais, desejando que ele estivesse ao meu lado, imaginando os seus beijos quentes e úmidos pelo meu corpo. Mas a sua prudência impedia que ficasse comigo sozinho.

A maior parte do tempo, passava montando os cavalos, principalmente Nefasto, e brincava com Seth, e os outros serviçais, de corridas pela floresta.

Poucas vezes, ficava no castelo com Rachael, que sumia frequentemente e já era alvo de boatos.

Ela estava sendo cortejada por Paul, o cocheiro dos Black. Ela sumia furtivamente em alguns momentos. Eu comecei a me preocupar com aquilo.

Cheguei até a conversar com ela, ao perceber que estava apaixonada, mas não queria ser indelicada e deixar minha cunhada amável mal com meus comentários. Apenas dei conselhos para que conversasse com o pai e evitasse os encontros às escondidas com Paul. Afinal era uma moça e a sua atitude poderia arruinar a sua reputação. Mas ela não me deu ouvidos e continuou os seus encontros secretos.

Jacob trabalhava muito para colocar as coisas em ordem. E às vezes precisava viajar para comprar suprimentos, vender a safra do castelo e fazer novos negócios, deixando-me sozinha por dias.

Quando voltava, sempre trazia pequenos mimos para mim e contava cada detalhe de seus dias.

Já tínhamos quatro meses casados, apenas me fazia à corte, procurando sempre ser mais o respeitoso possível e pedindo que eu tivesse paciência com ele.

Ainda tinha pesadelos e não conseguia se livrar do feitiço da vaca porca da Caroline. Deixando-me mal com a confissão, mas também mais compassiva com o fato de ele ainda não ter consumado o nosso casamento.

Às vezes, quando começávamos a nos beijar e tocar, as coisas esquentavam um pouco e ele sempre tinha que se refrear para não pôr tudo a perder. Apesar de desejá-lo com toda força de minha alma, estava gostando da oportunidade de ser cortejada e paparicada pelo meu marido. Coisa que não fizemos no período breve do nosso noivado.

No início da primavera, ele precisou viajar por vários dias. Senti tanto a sua falta, que às vezes pensei que não suportaria. Aproveitei a sua ausência para conhecer melhor Nefasto e era treinada por Seth, que dizia que eu tinha um grande potencial para sair como campeã nas corridas de cavalos que havia no hipódromo de Londres.

As corridas eram famosas, possuíam os melhores cavaleiros, os melhores cavalos e o público era formado da nata da sociedade, que assistia e fazia apostas usando uma boa quantidade de ouro nas bilheterias.

Fiquei super curiosa e desejei participar de uma daquelas corridas. Mas para aquilo ser possível, teria que convencer Jacob a me deixar correr. Coisa que me custaria muita argumentação. Já com a certeza de ser vencedora, uma vez que o cavalo era muito veloz e nenhum outro conseguia acompanhá-lo.

Depois de quinze dias fora, fui avisada que a carruagem de Jacob se aproximava dos muros dos castelos. Corri pelo pátio até chegar aos portões e fiquei à espera da carruagem.

Avistei-a vindo em nossa direção e senti meu coração apertado acelerar de tanta saudade que sentia dele.

A carruagem vinha letamente e quanto chegou a mim, parou e o meu lord desceu.

Corri para os seus braços, pulei em seu corpo, sendo erguida pelas suas mãos fortes me sustentando no alto. Comecei a distribuir muitos beijos pelo seu rosto.

- Jacob... Jacob... OH, Jacob... Pensei que não aguentaria mais a sua ausência. - Ele me sustentava no alto com suas duas mãos, abriu um sorriso enorme, fitou-me com intensidade e depois de alguns instantes, colou os seus lábios nos meus, beijando-me com intensidade.

Seus movimentos eram rápidos, pareciam querer me devorar com aquela ansiedade toda, sua língua se movia de forma desesperada sobre a minha, como se aquele fosse o nosso último beijo, o último encontro e precisasse aproveitar cada momento ao meu lado.

- Senti sua falta, pequena. – Gemeu após interromper o beijo. Ouvimos risadinhas ao nosso redor enquanto nos observávamos. Sentia o seu hálito quente sobre o meu, enquanto seus olhos pareciam analisar cada detalhe do meu rosto.

- Nunca mais se atreva a me deixar por tanto tempo, amor. – Sussurrei para ele.

- Não quis me demorar nessa viagem. Mas tive imprevistos, pequena. – Colocou o seu rosto em meus cabelos e cheirou profundamente. – Prometo que da próxima vez a levo comigo.

- Espero que sim! – Disse sorrindo, enquanto me agarrava em seu pescoço, recostando a minha cabeça em seu ombro.

- Filho, como foi a viagem¿ - Lord Billy disse para nós e fiquei envergonhada ao perceber que todos, ele,Rachael, Mary, Seth e o restante dos serviçais nos observavam.

- Não como esperávamos. Mas terei tempo para lhe contar depois, meu pai. – Respondeu-me colocando no chão.

- AH, menino! Sentimos a sua falta. – Mary caminhou até ele e o abraçou.

- Também senti falta de todos, Mary. – Ele beijou sua cabeça.

- E eu¿ Não ganho beijos¿ - Rachael reclamou.

- É claro que sim! Minha irmã, carente. – Caminhou até ela e a abraçou.

- Você fez muita falta, mano! Alguém aqui ficou o tempo inteiro reclamando a sua ausência. – Ela deu um sorriso para mim, enquanto contava a ele.

- Eu imagino! Mas agora eu preciso tomar um banho. Estou cansado e preciso me recuperar. – Disse e caminhamos para o castelo.

- Amanhã, quando estiver mais disposto, quero que me conte o que ocorreu nessa viagem. – Disse-lhe Lord Billy.

--- xxx ---

- A comida estava ótima! Senti saudade do tempero da Mary. – Disse enquanto caminhávamos de mãos dadas pelo jardim.

- Sim, estava maravilhosa. – Virei-me para ele e fitei os seus olhos negros. – Estava apreensiva quanto ao seu conforto nesses dias de viagem. Às vezes, mal dormia imaginando se estava bem acomodado e se alimentando direito.

- Você se preocupada demais, pequena. – Beijou a ponta do meu nariz e continuou a falar. – Já sou um homem feito. Não sou mais um menino. – Completou e eu o abracei forte, prendendo o meu corpo no seu. Se pudesse, nunca mais o soltaria.

- Sempre me preocuparei com você, meu amor. – Encostei a cabeça em seu ombro e fiquei ali, de olhos fechados, sentindo o calor que emanava de seu corpo.

- O que fez esses dias¿ Conte-me tudo. – Pediu de forma exigente.

Virei-me de costas, olhei para lua e fiquei observando a maravilha que era, toda branquinha enfeitando o céu.

- O de sempre... Cuidei dos cavalos, brinquei com Duque, cavalguei bastante... Seth me treinou no Nefasto... Sabe, ele está cada vez mais rápido. E Seth disse que poderia competir e ganhar nas corridas de Londres.- Quando terminei, ouvi-o bufar.

- Seth... Seth... Seth... – Repetia com a voz áspera, aparentando raiva e indignação. – Você passou todos esses dias com Seth. - Vociferou.

- Mais o que é isso¿ Você está com ciúmes do Seth¿ - Virei para ele e encarei o seu rosto.

- Você é uma senhora casada e não é adequado que fique andando por aí com um criado enquanto o seu marido está viajando. – Encarou meus olhos com uma expressão de raiva e por um momento tive vontade de estapeá-lo pelo insulto.

- Está a me insultar, Milord! –Respondi de forma debochada. – Seth não é só um serviçal. Ele é nosso amigo e não deveria nos julgar tão mal.

- Ele continua sendo um serviçal e a sua aproximação com ele é imprópria. – Revirou os olhos e olhou para o céu. – Por que acha que fiquei tão perto de você quando chegou aqui¿ Foi justamente para evitar esse tipo de aproximação. – Respondeu com raiva.

Desvencilhei-me de seus braços e me afastei de seu corpo indignada com o insulto.

- Pelo que me tomas, Milord¿ Acha que sou uma cortesã porca para me deitar com qualquer um no meio do mato¿ - Perguntei com raiva, dei as costas e saí andando de volta para o castelo. Não acreditava na maneira leviana como me tratava e falava as coisas. Estava magoada e muito decepcionada pelo seu acesso de ciúmes. Senti seus braços me envolverem por trás, impedindo a minha trajetória. Quis correr e gritar, mas acabei cedendo aos seus lábios roçando em meu pescoço, para proporcionar aquela sensação gostosa que eriçava os pelos do corpo.

- Perdão, Milady... Não tive a intenção de ofendê-la e não quero que perdure esse nosso dilema. Só estava morrendo de ciúmes por saber que ficou sozinha com ele, galopando por essas terras. Mas sei que jamais me trairia e que Seth é um amigo leal. Perdoa esse meu desatino. – Suas mãos apertaram a minha cintura e começaram a fazer carinho sobre ela. Seus lábios beijavam docemente o meu pescoço e ombro, deixando-me completamente perdida em seus toques.

- Tudo bem, Milord... Contudo quero que me ouça, antes de darmos essa conversa por encerrada. – Disse para ele.

- Sim! Pode dizer tudo o que quiser, pequena. – Seu tom ficou mais brando e sua voz mais suave e meiga. Continuava a fazer carinho pelo meu corpo, beijava minha mão, braços o meu colo, enquanto eu falava. Senti que estava muito apaixonado e talvez já me amasse, mas ainda não havia se dado conta do fato.

- Seth me falou sobre as corridas de Londres e eu gostaria de participar com Nefasto, Jacob. Quero levar o nosso cavalo e mostrar a sua grandeza para o mundo. Fazer aquela gentinha metida se render aos pés dos Black. – Disse para ele, que me encarou de forma estranha.

- Não, Ness! Não é pelo cavalo, mas por você. Será doloroso demais para mim vê-la apontada nas ruas como esposa de um selvagem, pequena. Ainda por cima, montando em um cavalo arisco... Será um escândalo!

- Achas que eu me importo com a opinião alheia¿ As pessoas já falam e já me apontam. Mas no final das contas não são elas que proveem meus alimentos e vestuário. Eu não ligo para o que essa gentinha elitista hipócrita e mesquinha fale de mim. Sei me impor e colocar cada um em seu lugar. Na semana passada, fui com Rachael à costureira e três senhoras que lá estavam tentaram depreciar Rachael e eu. Soube colocá-las em seus devidos lugares e no fim as três saíram de lá envergonhadas. – Jacob abriu um sorriso com a minha altivez. – Se nos escondermos agora, o que será dos nossos filhos¿ Ficarão presos nesse castelo¿ Terão que omitir que são Black para serem respeitados¿ Eu não concordo e não aceito isso, meu amor. E essa corrida será uma chance de estarmos no meio da mais seleta sociedade. Talvez até a Rainha Vitória estará lá... É claro que não sou louca de desafiar a rainha. Mas abaixar a minha cabeça de forma alguma... Eu aprendi com meus avós que um Cullen nunca abaixa a cabeça e não o farei agora que sou uma Black... Não mesmo... Não permitirei que ninguém nos humilhe. – Disse com a voz segura e ele me olhava sem acreditar nas coisas que havia dito.

- Você não tem mesmo vergonha de mim¿ Teria coragem de desfilar comigo nas ruas de Londres¿ De me apresentar como seu marido para os amigos de seus avós¿ - Perguntou arqueando as sobrancelhas.

- Como terei vergonha do homem que amo¿ Pode me explicar¿ Você não é um brinquedo que eu uso e escondo, uso e escondo; e quando não quero mais, simplesmente jogo fora... Jacob, você é especial para mim e o amo da forma que é. Não teria vergonha nunca... E que ninguém ouse querer humilhá-lo na minha frente, porque esqueço que sou uma lady e viro uma égua selvagem para dar um coice. – Ele riu com o meu comentário e me abraçou forte, prendendo os nossos corpos.

- Eu sinto orgulho de você, pequena. – Sussurrou em meu ouvido. – Mesmo com essa língua afiada, sinto orgulho de você.

- Mas foi da minha língua afiada que você gostou primeiro. Ou se esquece do risinho que deu quando a minha mãe quase teve um ataque na primeira vez que foi ao meu castelo¿ - Jacob riu achando graça naquilo. – E no risinho que deu quando disse ao seu pai que não ficaria dentro de casa cosendo e pintando... Que gostava de correr, subir em árvores, cavalgar... Você riu, amor. Eu me lembro disso perfeitamente.

- É... Eu ri... Agora vamos entrar. Já está esfriando aqui fora e eu preciso colocar a mocinha na cama. – Pegou a minha mão e me conduziu para o castelo.

- Mas não me disse o que acha da corrida. – Insisti com ele.

- Vou pensar. – Respondeu.

- Jacob, você não me negaria isso. Negaria¿ Por favor! – Implorei.

- Meu pai terá um ataque quando souber dessa ideia. – Respondeu.

- Eu não sou casada com seu pai e ele não manda em mim. E só te obedeço por respeito, porque você também não manda em mim. Então não venha jogar para cima dele essa responsabilidade.

- Você é terrível, pequena. – Disse ao entramos pela porta principal.

- Eu sou assim... Simplesmente assim e não mudarei. – Ele me encarou com olhar encantador.

- Está na hora de ir para seus aposentos e descansar. – Disse dando um leve beijo em meus lábios.

- Você não me acompanha¿ - Perguntei mordendo os lábios enquanto o observava com segundas intenções.

- Não é prudente...

- O que as pessoas vão pensar, não me interessa. Afinal, você é meu marido e o fato de estar apenas me cortejando não lhe tira essa condição. Então vamos! – Peguei a sua mão e o conduzi pelas escadarias. – Por que está calado¿ Eu notei que você voltou estranho dessa viagem. Aconteceu algo anormal¿ - Perguntei enquanto caminhávamos pelo corredor quase escuro.

- Não se preocupe, pequena... Não se preocupe. – Disse baixinho, mas sabia que algo ainda o incomodava e não era o ciúme de Seth ou a possibilidade de eu correr em Londres.

- Chegamos! – Abri a porta e entramos.

- Bem, já está entregue. Durma e sonhe com os anjos. – Beijou a minha testa e virou-se para se despedir.

- Jacob... – Ele se virou para me olhar.

- Pode me ajudar com esse vestido¿ Só preciso que desabotoe os botões e solte o espartilho. – Disse toda dengosa e vi um brilho se formando em seus olhos.

- Você está me tentando¿ - Perguntou sorrindo.

- Eu¿ Apenas preciso de ajuda... Ou quer que durma com essa coisa me apertando¿ - Perguntei me fazendo de inocente.

- Tudo bem, pequena. Vire-se! – Disse e eu obedeci. Senti os seus dedos sobre o vestido e depois senti o espartilho ficar frouxo em meu corpo. Depois disso, meu corpo se arrepiou quando os seus lábios começaram a beijar as minhas costas, passou os dedos suavemente pela minha pele, seus beijos foram subindo até o meu pescoço. Meu coração acelerou, minhas pernas tremeram e esperei ansiosa pelos seus toques. Suas mãos tocavam o meu colo e foram descendo até os meus seios, passando os dedos suavemente sobre eles enquanto beijava o meu pescoço. Então parou de repente e disse.

- Já vou, pequena. Boa noite! – Disse e se foi.

Depois que tirei toda aquela roupa e coloquei a camisola, deitei na cama e fiquei vendo os vultos das sombras que as chamas das velas faziam nas paredes, até ficar cansada demais e adormecer.

--- xx ----

- Ness... Ness... OH, Ness... – Acordei assustada com Jacob me chamando na cama. Estava praticamente sobre mim, havia lágrimas em seus olhos, seu corpo estava trêmulo e sua voz embargada.

- O que foi, meu amor¿ O que aconteceu¿ - Sentei na cama e o puxei para o meu colo, apavorada com a cena. Comecei a fazer carinho em sua cabeça, depois que o deitei sobre ele e pedi que me contasse o que havia acontecido. – O que aconteceu, Jacob¿ Foram os pesadelos novamente¿

- Promete para mim que não vai me abandonar¿ Todas as pessoas que eu amo me abandonam. – Disse chorando.

- Jacob, por favor, não faz assim! Eu não abandonarei você... Prometo... – Passava as mãos pelos seus cabelos e suas costas fazendo carinho. Ele estava tão frágil e atordoado com aquilo, que parecia um menino chorando.

- Eu vi você me abandonar... Eu vi você dizendo que eu não servia... Que era um selvagem sujo... – Jacob chorava apavorado.

- Você sonhou comigo dizendo essas coisas¿ Jacob, eu não sou a Caroline... Por favor, você tem que superar isso... Sua mãe não te abandonou... Ela morreu...

- Não...não...não... – Ele chorava ainda mais e meu coração doía com toda aquela fragilidade. Lembrei da conversa com Rachael, que contou que os seus pesadelos começaram depois da morte da mãe. Que ele foi a última pessoa a vê-la viva e depois disso nunca mais foi o mesmo. Que passou por momentos super complicados e quando parecia ter melhorado dos pesadelos, sofreu com a perda de Caroline. E desde aquele momento, tinha pesadelos com ela e com a sua mãe. Percebi que toda aquela fragilidade, era medo de abandono e que ele não se permitia me amar, com medo que eu também o fizesse. Aquilo estava acabando comigo e queria encontrar uma forma de ajudar a superar a dor da perda e o medo de ser abandonado.

- Eu nunca o abandonarei, meu amor... Nunca... Nunca. – Comecei a beijar a sua cabeça enquanto tentava acalmá-lo.

- Eu vi! Vi você indo embora e me humilhando... AH, Ness!

- Não, Jacob! O que você viu foi um pesadelo. Não foi real e nunca será. Porque eu te amo muito e nunca ficaria sem você, meu meninão.

- Jura para mim¿ Por favor! – Ele suava frio e seu corpo tremia em meu colo.

- Eu prometo, amor! Nunca o abandonarei. – Jacob acabou adormecendo em meu colo e sem perceber, dormi sentada na cama.

--- xx ---

Meu corpo doía. Tentei me virar, mas senti um peso me prendendo. Abri os olhos e vi a penumbra do quarto o corpo frágil de meu amor sobre a minha barriga. Então, tentei movê-lo para mudar de posição e me esticar na cama.

- HUM! Oh, meu Deus! Eu dormi assim sobre você¿ - Perguntou saindo do meu colo.

- É! Acho que sim... Deixa só eu esticar o corpo e as pernas. – Sussurrei passando as mãos em seus cabelos.

- Eu só te dou trabalho, não é, pequena¿ - Deitou de costa na cama e me puxou para si, deitando a minha cabeça em seus largos e fortes ombros.

- Você nunca me dá trabalho, amor! – Aconcheguei-me sobre ele, passei os braços sobre o seu peito e respirei fundo para inalar aquele cheiro forte de homem que me inebriava.

- Vamos para Londres, pequena... A temporada de corridas começa em vinte dias e nós partiremos para lá. – Disse com aquela voz rouca que me deixava completamente perdida.

- Promete! AH, Jacob! - Subi em seu corpo e o abracei com entusiasmo, comecei a distribuir beijos pelo seu rosto, enquanto ele ria para mim. Então, me apertou forte contra seu corpo, tomou meus lábios com voracidade e me beijou de forma desesperada. Senti o volume aumentar nas suas pernas enquanto me beijava e acariciava o meu corpo. Nesse momento, a porta se abriu e interrompemos o beijo. Olhamos juntos para o lado e vimos Mary constrangida com as velas nas mãos.

- OH! Perdão... Eu... Eu... – Colocou as velas sobre a mesa e saiu envergonhada.

- Vou para o meu quarto, pequena. Tenho que me arrumar e descer para falar com meu pai. Faremos o nosso desjejum juntos daqui a pouco. – Tirou meu corpo debaixo do seu, levantou-se da cama, beijou a minha testa e saiu me deixando ali completamente sem ação.

---xx ---


N: Glaucia / E aí¿ Gostaram¿ Lord Jacob está completamente apaixonado pela sua pequena travessa. Mas se perceberam no final do cap, tem medo de perdê-la e por isso não consegue abrir o seu coração. A vaca da Caroline só mexeu em uma ferida que já existia e o rapaz agora morre de medo de perder a sua pequena. Mas apesar disso, a relação dos dois começa a esquentar e o seu desejo aumentar. Até quando vão segurar isso¿ Será que nessa viagem, sozinhos, apaixonados e vivendo as primeiras experiências dos primeiros toques irá rolar¿ Acho que Lord Jacob gostosão não vai agüentar muito para desposar sua pequena. E vocês¿
Espero que tenham gostado do cap.

bjus

[Nota da Valéria: Meninas, essa Glaucia e incrível mesmo!!!! Ela tem uma imaginação. Um casal casado fazendo a corte apenas. Oh, my God!!! Pode isso???? Eu queria mesmo é ver o lesco lesco deles. Mas eu sei que vai acontecer, sim vai. Apaixonado ele já está, só falta... Meninas, falta o quê mesmo????? Kkkkkkkkkkkkkk]

N/H: ó gente esse cap foi o melhor....ele dizendo: ... não posso te dá um monte de pedaços para você juntar.....muito fofo, desejos intenso da parte dele... TA QUASE. FALTA MUITO POUCO....Glaucia você cada dia está melhor...bjs meninas e vamos recomendar pq esse LORD JACOB merece..ah se merece!!!

Capítulo 8 – PVO Especial Jacob – Desejos
Durante todo o caminho para o castelo, fiz carinho em seu rosto e fiquei analisando cada traço delicado daquela pele macia e cheirosa. Senti-me culpado pelo que lhe havia acontecido, sabia que não adiantaria nada ficar me recriminando pela minha displicência com Nefasto. E a única coisa que poderia fazer naquele momento era cuidar da minha pequena e fazer o impossível pela sua recuperação.
Chegamos ao castelo e enquanto a levava para os seus aposentos, dava ordens para Mary.
- Mary, tem água no quarto dela¿ Precisamos dar algum chá para dor e precisamos cuidar dessa ferida na mão antes que piore. – Já estava na escadaria, segurando o seu corpo pequeno e frágil com todo o cuidado para que não o ferisse ainda mais. Sentia o meu corpo tenso, com tanto temor que a queda houvesse lhe causado algum dano maior. Eu tinha urgência em limpá-la e deixá-la bem acomodada em sua cama. Só então, teríamos uma exata noção do seu estado.
Os corredores estavam na total penumbra naquele momento e Mary vinha atrás de nós, com velas para luminar o aposento.
Entrei com ela e a carreguei direto para a casa de banho, Mary vinha atrás acendendo todos os castiçais no cômodo. Fiquei olhando para o seu rosto, que ainda mantinha expressão de dor, com o coração tão apertado naquele momento, senti uma angustia tão grande que o meu único desejo era ter a plena certeza de que estava bem. Sabia que não suportaria que algo de ruim acontecesse com a minha pequena.
- Ainda dói muito¿ O que você está sentindo¿ - Olhava para ela consternado e tentava não deixar transparecer aquela angústia que me consumia.
- Dor... Muita dor. – Coloquei-a de pé ao lado da tina, segurando para que não se desequilibrasse e caísse. Observei o seu rosto mais uma vez, chamei Mary que terminava de acender os castiçais para iluminar o aposento.
- Mary, me ajude com ela. Precisa banhá-la antes de acomodá-la na cama. – Chamei Mary e por um momento me afastei dela, quase deixando-a cair, um instinto protetor, me fez agir muito rápido, segurando o seu corpo para impedir a sua queda.
- Ajude-me a tirar as suas roupas. – Quando Mary disse isso, meu coração disparou, fiquei com o corpo inteiro rígido, sem saber o que dizer, sem saber como reagiria ao vê-la sem roupa, sem conseguir imaginar a pequena ao meu lado expondo toda a sua vergonha. Confesso que se pudesse fugiria dali. Não por ter medo de mulher, pelo contrário. Afinal, já me envolvi com algumas antes de Caroline e nunca passei vergonha. Mas com Ness era diferente, porque eu tentava preservar a sua virtude e não queria abusar do seu corpo. Naquele momento, ali com ela nua em minha frente, não sabia como seriam as reações do meu corpo.
- Como¿ Eu... Eu... Eu... – Tentei falar, mas acabei gaguejando e Mary me fitou com uma expressão estranha naquele momento. Vi que Ness estava tão envergonhada quanto eu. Mas o que poderia fazer¿ Mary não conseguiria manter o seu corpo de pé sozinha e precisava da minha ajuda. Como recusar a ajudá-la¿ E o pior, como fazer isso sem olhar o seu corpo despido¿
- Deixa de coisas, menino! Ela é sua esposa e mais cedo ou mais tarde verá o que tem debaixo das roupas. – Estava envergonhado demais para responder, por isso, me mantive calado, caminhei até elas e a segurei pela cintura, apoiando o seu corpo de forma a não permitir uma possível queda. Olhava para o lado, meu corpo tremia, comecei a sentir um calor aumentando, uma curiosidade me consumindo, ao mesmo tempo, me sentia tenso. Era tudo muito estranho. Eu não sabia o que fazer, muito menos o que dizer. Só pedia para aquela tortura acabar logo e sair daquele lugar. Tive medo das minhas reações e do que poderia vir a desejar depois que a visse.
Depois de tirado o vestido, ficou apenas de calçola e um leve tecido cobrindo os seios. Meu corpo começou a tremer mais e apesar de tentar disfarçar, não conseguia esconder a minha vergonha.
- Coloque-a dentro da tina! – Mary me ordenou, peguei-a no colo e a coloquei na tina, depois me afastei e fui para um dos cantos do aposento, encostando-me na parede enquanto a observava retirar o resto das roupas de minha pequena e lavar o seu corpo calmante.
Uma tensão absurda tomou conta do meu ser, ao ver partes daquele corpo franzino molhado, que tremia aparentando frio. Não consegui desviar os olhos em momento algum. Mesmo que o meu lado racional me chamasse à razão, o desejo começava a inflamar as minhas veias de uma forma assustadora. Minha respiração começou a ficar mais pesada, minhas mãos ainda mais trêmulas e meus olhos inquietos tinham a necessidade de olhá-la.
Depois que ela banhou minha pequena, pediu que me ajudasse a tirá-la da tina. Fiquei ainda mais constrangido, com uma vergonha enorme do desejo que sentia. Mesmo assim, fui até elas e a ajudei alevantar.
Ela ficou vermelha de vergonha, abaixou o rosto e cruzou os braços entre os seios. Mas antes que o fizesse, pude vê-los lindos, perfeitos, pequenos... Saborosos demais.
OH, Meu Deus! Como resistir a criatura mais linda e perfeita¿ Aquele corpo lindo, perfeito, branquinho que não era de uma criança.
Muitas vezes a olhei usando lindos vestidos e imaginava que não tinha mais corpo que uma menina de dez anos. Mas vendo-a nua, percebi que tinha curvas perfeitas, as pernas arredondadas, coxas grossas, quadris largos, uma barriga perfeita e linda que dava vontade de beijar e morder... Deus! Eu a quis naquele momento, observando os detalhes do seu corpo, mas o que mais me tirou do sério, fazendo-me perder a sanidade completamente, foram os seios lindos e perfeitos.
Observei rapidamente antes de ela cruzar os braços sobre eles e depois que precisou tirar para se vestir. Senti meu sexo endurecer aflito por ela, meu corpo esquentou absurdamente, meu coração começou a bater muito rápido, minha boca ansiava desesperadamente sentir aqueles bicos rosados, que pareciam dois pequenos botões de rosas desabrochando.
Era exatamente isso! Ela era um botão de rosa desabrochando e se tornaria a mais linda e perfeita das mulheres quando houvesse desabrochado por completo. Mesmo assim, como um pequeno botão, era assustadoramente desejosa e me fazia perder complemente o juízo. Já imaginando minhas mãos cariciando os botões e meus lábios sentindo o seu gosto.
Mary precisou sair e nos deixou ali, naquela situação constrangedora para nós dois.
Voltando depois de um breve momento com as suas vestimentas.
Percebi, enquanto nós a vestíamos, que ela também sentiu algum tipo de excitação, quando os bicos de seus seios enrijeceram e me deixaram completamente louco de desejo, expressando luxúria aos meus olhos.
Depois que a vestimos, peguei a minha pequena nos braços, por estar constrangido e desejoso de seu corpo, levei-a para a sua cama e a coloquei com muito cuidado.
- Ah pequena! Olha o trabalho que nos dá. – Disse baixinho, acariciando o seu rosto.
- Eu vou tomar um banho e volto para ver como está. Tudo bem¿ Pode sobreviver sem mim por alguns minutos¿ - Sorri para ela e fiquei observando a expressão de encantamento que me olhava, com a plena certeza de que ela havia se apaixonado por mim e que me desejava ao seu lado. Não sabia o que fazer diante daquela situação e precisava pensar a respeito dos meus sentimentos, entender o que se passava comigo e o que me fazia querer estar sempre ao seu lado, cuidando e protegendo.
- Promete que volta¿ - Perguntou-me fazendo dengo enquanto me olhava. E se pudesse, nem sairia do seu lado. Mas estava sujo e ainda por cima, molhado pela excitação que tivera enquanto a observava se banhar. Eu precisava me limpar para ficar ao seu lado. Eu queria muito aquilo, queria sentir sua pele, o cheiro dos seus cabelos, sentir que estava bem e segura comigo. Era uma necessidade física a sua presença, que nem eu mesmo entendia o motivo.
- Prometo! – Acariciei os seus cabelos, louco para beijá-los e sentir o seu cheiro, que era algo que estava me acostumando a cada dia e sentia muita falta quando estava longe. – Deixa só eu me limpar para não sujar a sua cama. – Saí dos seus aposentos e fui para os meus, sentindo-me estranho, confuso e tenso com toda aquela situação.
Enquanto andava pelos corredores escuros, só uma imagem vinha a minha mente, deixando a minha sexualidade excitada, aumentando consideravelmente o volume nas minhas calças enquanto o desejo tomava conta do meu corpo.
Entrei em meus aposentos, fui para o meu closet pegar vestes limpas, depois fui para a casa de banho, tirei as roupas e antes de entrar, comecei a me estimular enquanto pensava naqueles pequenos botões rígidos, lindos, suculentos chamando por mim.
Tocava o meu sexo com desespero e meus pensamentos intercalavam entre os seus olhos verdes e os seios maravilhosos.
Foi então que outro pensamento invadiu a minha mente: Caroline.
A imagem era clara, perfeita e vi o seu corpo lindo despido, seu sorriso travesso, os dedos chamando por mim, seus lábios beijando os meus... Quis gritar, quis correr e arrancar aqueles pensamentos da minha mente.
Era não era digna de mim e mesmo depois de tudo o que havia me feito, ainda continuava a rondar a minha mente de forma cruel.
Senti as lágrimas se formarem em meus olhos, a dor ferir o meu coração e a única coisa que quis naquele momento, foi o toque de Ness, o seu cheiro, os seus olhos verdes me olhando com tanto amor, assegurando que eu era especial para ela e que sempre estaria ao meu lado.
Eu precisava dela, precisava da sua presença, do carinho e conforto para afastar aquela dor que Caroline me fazia sentir. Então, entrei na tina e comecei a me banhar rapidamente, louco para voltar aos seus aposentos e ficar ao seu lado. Necessitando daquilo mais do que a água que matava a minha sede.
Troquei de roupa, passei um pouco da lavanda que a Rachael me deu, passei os dedos nos cabelos para tentar arrumá-los e corri para os seus aposentos, ansioso pela sua presença.
- Ai! – Ela gemeu de dor e caminhei preocupado para a sua cama. Fiquei observando Mary conversar com ela e a minha preocupação voltou ao perceber que não estava nada bem.
- A dor já vai passar, menina! HUM! Acho que está ficando quente... Se ficar com febre será um problema... Alguém terá que passar a noite para controlar a sua temperatura. – Mordi os lábios e pensei em como seria aquilo. Afinal, Mary já tinha certa idade, trabalhava o dia inteiro, dava ordens aos demais serviçais e organizava a tudo para nós. Como ficaria a noite velando o sono de Ness¿ Ela não poderia, mas eu como marido tinha essa obrigação. Sabia de antemão, quão difícil aquilo seria. Mesmo assim, estava disposto a cuidar da minha pequena e velar o seu sono quantas noites fossem necessárias.
- Eu fico com ela, Mary! Pode ir cuidar dos seus afazeres. – Disse para ela.
- Farei uma sopa para ela beber. – Levantou-se da cama, pegou o copo e caminhou em direção à porta. Enquanto me aproximei da cama e sentei ao seu lado. Fiquei observando o seu rosto por um breve momento, com medo de que algo pior viesse a ocorrer. Depois pensei em como aquilo aconteceu, senti raiva de mim por deixar Nefasto solto. Por ela, pela sua teimosia em montá-lo.
Procurava as palavras certas para falar, mas sabia que não poderia passar as mãos na sua cabeça. Que precisava ser duro e enérgico com ela, fazendo-a ver quão irresponsável havia sido, montando o animal arisco.
- Ness, você não vai montar mais aquele demônio. – Falei sério e friamente com ela.
- Jacob... Eu... – Ela até tentou se justificar, mas coloquei os dedos sobre os seus lábios e a impedi de falar. Não poderia dar uma oportunidade de ela me desafiar e colocar tudo a perder. Aquela era a minha última palavra e não voltaria atrás em minha decisão.
- Isso não é um pedido... É uma ordem! – Arqueei a sobrancelha e olhei duro para ela. Naquele momento, seus olhos se encheram de lágrimas e ela começou chorar. Então me respondeu magoada.
- Está certo, Milord! – Meu coração se derreteu naquele momento. Não aguentei ver tanta dor em seus olhos e uma mágoa tão profunda. Quis tomá-la em meus braços e perdir perdão. Mas se fizesse aquilo, perderia a minha autoridade. Precisei então ser forte, sem deixar de ser carinhoso. Segurei o seu queixo e ergui o seu rosto. Vi a decepção em seus olhos, misturada com uma dor muito grande. Senti-me ainda pior ao ver o que vi.
- Ness, olha para mim. Eu só quero o seu bem, pequena. E não acho que aquele cavalo seja apropriado para você. Não quero que se machuque e por isso tenho que ser duro. – Tentei ser mais brando e fazê-la entender a minha posição. Mesmo assim, com seu gênio forte, continuava irredutível e me tratava com uma ironia que me feria.
- Tudo bem, Milord! – Ela virou os olhos para outro canto, ainda com as lágrimas descendo e com tom ferido em sua voz.
- Ness, para de chorar... Por favor! Odeio vê-la chorar. – Deitei na cama, puxei seu corpo para mim e beijei a sua cabeça de forma carinhosa, sentindo-me arrependido pela forma rude como a tratei. – Desculpa, vai! – Cheirei os seus cabelos, afaguei o seu rosto e me senti leve novamente, como se tudo estivesse perfeitamente bem e nada de ruim pudesse nos ferir ali. Esqueci as mágoas, desilusões e tristezas em seus braços ternos.
- Tudo bem, Jacob. – Respondeu ainda parecendo decepcionada comigo.
- Essa é a minha menina. – Fiquei acariciando as suas costas e os seus cabelos até dormir. Senti que seu corpo estava muito quente e fiquei preocupado.
Durante aquela noite, mal consegui dormir com Ness tremendo de frio enquanto eu a abraçava fortemente para lhe aquecer.
Ouvia os gemidos de dor e os seus lábios tremerem, deixando-me completamente angustiado com aquela situação.
Passei cinco dias me dedicando a ela, dormi todas as noites ao seu lado para velar o seu sono. Pensei que assim me veria livre dos meus pesadelos, mas o pior era acordar gritando durante a noite, enquanto chamava o nome de Caroline, percebendo a decepção nos olhos de minha pequena. Mesmo assim, sempre era consolado por ela, que com todo carinho e paciência me abraçava forte, enroscava o seu corpo no meu e me fazia carinho até me acalmar.
Já estava me acostumando a dormir ao seu lado e ser cuidado por ela durante os meus pesadelos, quando eu era que deveria cuidar da sua saúde.
Foi então que o temia aconteceu e quase perdi o meu controle diante da situação.
Naquela noite, entrei no quarto e deitei ao seu lado como sempre fazia. Porém a sua atitude diante de mim mudou e percebi que Ness começou a me acariciar de forma diferente.
- Eu estou sentindo uma coisa. – Ela disse fazendo manha enquanto eu a observava, maravilhando-me com cada detalhe do seu rosto.
- O que foi¿ Ainda está com dor¿ A febre voltou¿ - Passei a mão em seu rosto e a observei preocupado, com medo de que a febre voltasse, que tivesse uma recaída.
- Somente saudade de você. – Ela roçou o corpo no meu, senti seus seios entrarem em contato com o meu peito, sua mão descer pela minha barriga e os dedos percorrerem a minha pele de forma carinhosa e sensual. – Muita saudade. – Havia tanto amor em seus olhos, uma coisa tão bonita na forma como me observava, me deixando encantado. O pior de tudo aquilo, foram as reações do meu corpo, que se aqueceu de imediato, meu sexo começou a endurecer e quando percebi, já estava completamente excitado com desejo pelo seu corpo. Tentei protestar, mas foi em vão.
- Ness, por favor... – Levantei nervoso da cama, vendo a fuga como única saída para fugir da tentação que se apresentava diante de mim. Sabendo que ela não merecia um homem que só queria o seu corpo. Que merecia um amor de verdade, um amor que a fizesse feliz, que desse prazer e a realizasse. E nas condições em que me encontrava, não tinha a menor condição de dar aquilo para ela. Era apenas um homem destruído, sofrendo por uma mulher que não me merecia e que não era capaz de amar novamente. Eu só conseguiria sentir por ela muito carinho. Como poderia tomá-la em meus braços sem o amor necessário para realizá-la¿ Corria até mesmo o risco de chamar pela outra quando estivesse consumando o ato e seria terrível para ela... Eu não podia.
- Jacob... – Senti seus braços me envolverem e apertarem a minha cintura, impedindo-me de progredir até a porta.
Meu corpo queimava, ardia e gritava por ela. Precisava sentir o seu gosto, precisava sentir o sabor da sua pele, beijar o seu corpo, sentir aqueles pequenos botões em meus lábios... Estava perdido em desejos.
- Ness, não faz assim... – Tentei protestar e fazê-la voltar à razão, mas foi em vão. - Eu não quero te machucar.
- Jacob, eu quero que faça o que quiser comigo... Eu sou sua. – Ela se esticou, ficando na ponta dos dedos e colou os lábios sobre os meus. Naquele momento, senti o seu cheiro me inebriando, o seu corpo quente e o gosto tirando a minha razão.
- Não! Por favor... Não – Já não aguentava mais. Estava no limite das minhas forças, mas ela insistia em me provocar de forma ousada.
- Eu quero ser sua, Jacob... Eu já sou sua. – Aquelas palavras foram o estopim para acender o meu pavio. Segurei o seu rosto com as duas mãos, colei os nossos lábios e comecei a mover os meus sobre os delas carinhosamente.
A cada movimento, podia sentir ainda mais o seu gosto, perdendo-me completamente em seu toque, calor, cheiro, gosto e carícias que fazia em meu corpo.
Aquele foi o beijo mais gostoso e perfeito que já tive na vida. Era doce, calmo, cheio de paixão, de entrega e nele nada podia me ferir, nenhuma dor era capaz de me alcançar, porque o seu gosto já estava impregnado em minha pele. Eu queria mais, muito mais. Então, inclinei o rosto e pedi passagem para a minha língua e o beijo que era calmo, ficou mais intenso, mais urgente e cheio de volúpia.
Senti seu corpo estremecer ao toque da minha língua e a apertei contra o meu peito, comecei a acariciar o seu corpo, mapeando cada pedaço delicado daquele pequeno corpo de "mulher"... Sim ,"mulher"! Ela não era tão criança quanto pensava e mesmo sendo pouco desenvolvida, já tinha traços de mulher em seu corpo, causando-me um desejo louco por provar de seu néctar virginal.
Comecei os meus carinhos pelo seu pescoço, desci até as suas costas, percorri a lateral de sua cintura e massageei a sua barriga. Depois subi as minhas mãos de forma carinhosa, aproveitando cada pedacinho de perdição que se colocava em minhas mãos, enquanto minha língua passeava em sua boca doce e desejosa.
Subi as minhas mãos e cheguei exatamente onde queria: os pequenos botões que estavam prestes a se desabrochar em meus dedos, rígidos, desejosos e ansiosos por conhecê-lo profundamente... Eu queria aqueles seios mais do que tudo. Nunca fiquei tão louco com uma visão como as dos seus seios e chegando a sonhar acordado por muitas vezes com as minhas mãos e principalmente a minha boca se deliciando com o pequeno bico rosado.
Já estava completamente louco, desesperado e não me aguentava mais. Precisava provar mais do seu corpo. Então, interrompi o nosso beijo, levei-a para a mesa, sentando-a de pernas abertas, encaixei-me entre elas e puxei-a para mim, roçando o meu sexo sobre o seu.
Voltei a beijá-la de forma desesperada, minha língua se movia ainda mais rápida, minhas mãos acariciavam o seu corpo, meu sexo começou a estimular o seu. Gememos enquanto nos beijávamos, senti que o seu corpo estava completamente pronto para mim, meu sexo não via o momento de invadir a sua pequena passagem e sentir que era minha... Totalmente minha...
Estava fora de controle, parecia um animal no cio e enquanto a beijava de forma desesperada, vi a imagem de Caroline embaixo do meu corpo, movendo-se como uma cobra peçonhenta, enquanto gemia o meu nome. Seus olhos exalavam prazer, enquanto eu a penetrava rápido.
Despertei dos meus devaneios e percebi a estupidez que cometeria, tomando o seu corpo, fazendo-a minha mulher enquanto pensava na outra.
Não podia fazer aquilo! Não era certo! Não era justo e não faria... Eu a machucaria sentindo raiva da dor que Caroline havia me causado e ela sairia ainda mais magoada.
Tive vontade de chorar de tanto desespero, ao pensar na "praga" da mulher no momento em que finalmente tomava posse da minha "esposa"... Inferno! Só podia ser castigo! Pensei naquele momento de desespero e raiva que sentia de mim e de Caroline por interromper o momento que deveria ser perfeito.
- OH Não! Não! O que eu estou fazendo¿ O quê¿ Você é apenas uma criança... – Eu a repeli e me afastei super nervoso, enquanto tentava conter as lágrimas que queriam descer em meu rosto. Tentei suportar aquela dor tão forte rasgando o meu peito.
- Jacob, eu preciso de você... Preciso muito... Por favor. – Seus olhos encheram de lágrimas e a decepção em seu rosto me machucava. Porque eu também a queria, mas sabia que não era justo, enquanto eu ainda amasse outra. Não era justo não dar o melhor de mim, não beijar o meu melhor beijo, tocar da forma mais suave, possuir o seu corpo entregando o meu também... Eu não poderia ser tão injusto e cruel... Eu precisava fugir dali.
- Não, Ness! Chega! – Saí correndo de seus aposentos, desesperado para me acalmar, sentindo a dor me consumir em desespero. Cheguei até o meu quarto, deitei em minha cama, comecei a estimular o meu sexo de forma desesperada, até que consegui chegar ao ápice do meu prazer. Aquilo foi tão horrível, tão doloroso e vergonhoso que não teria coragem de revelar a ninguém. Não conseguiria olhar sequer o seu rosto de anjo depois do que havia feito.
Tentei dormir por um bom tempo e não consegui. Quando finalmente fui tomado por um sono incontrolável, adormeci sozinho em minha cama. Ao invés de uma noite tranqüila, tive pesadelos ainda piores e acordei super mal no meio da noite.
Fui até os seus aposentos e fiquei a observando enquanto dormia.
Depois de um bom tempo, resolvi voltar para a minha cama e tentar dormir novamente.
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Acordei cedo, fui para o estábulo e ajudei os serviçais logo cedo. Mas depois de um tempo, fiquei super inquieto e tenso com as minhas lembranças da noite anterior.
Precisava cavalgar e depois tomar um banho no rio para aliviar os pensamentos tortuosos de minha cabeça. Assim peguei Pérola Negra e cavalguei para fora dos muros do castelo. Depois de um bom tempo sentindo a sensação de liberdade que aquilo me proporcionava, fui até o rio para me banhar.
Amarrei meu cavalo, caminhei até a margem do rio e me sentei. Foi naquele momento que ouvi o barulho e um cavalo se aproximando.
Sorri imaginando que era a minha pequena que vinha ao meu encontro e quando me virei para fitá-la, meu fantasma aparecia em minha frente com sorriso triunfante.
- Jacob. – Disse com os lábios pequenos sorrindo para mim, enquanto me olhava com desejo.
- Caroline! Que ventos a trazem a essas bandas¿ - Perguntei de forma áspera, tentando parecer calmo quando muitas coisas passavam em minha mente e sentia uma pontada forte de dor em meu coração.
- Soube que você encontrou uma pretendente de brasão para se casar... – Arqueou a sobrancelha e me olhou de forma debochada. – Pena que a talzinha é uma criança. – Riu debochadamente.
- O que você sabe de mim ou da minha esposa¿ O quê¿
- Vamos mudar de assunto, querido¿ Podemos fazer coisas bem mais interessantes do que ficarmos aqui falando em uma pirralha, não acha¿ - Senti uma raiva enorme. Uma vontade de dar umas boas bofetadas naquela uma que se atrevia a falar de forma desdenhosa da minha "esposa"... Sim! Minha "esposa" e ela não tinha o direito de se referir a ela com falta de respeito.
- Não temos nada a fazer. Muito menos a falar! E por favor, não abra essa boca suja para falar da minha esposa. Ela é muito mais digna de que você. Não se atreva a tocar no nome dela! – Disse em tom imperativo para ela, apontando o dedo enquanto tentava me controlar para não cometer uma loucura. Naquele momento, ouvimos barulhos de cavalos se aproximando e virei para ver quem era.
- Jacob! – Era Seth e parecia nervoso.
- Seth! O que aconteceu¿ - Perguntei preocupado, imaginando que algo havia acontecido com minha pequena.
- Podemos falar a sós¿ Não quero falar na frente dessa aí. – Disse olhando para a expressão desdenhosa de Caroline.
- Certo! Vamos, que essa conversa já deu.
Antes de ir, virei-me para ela e a olhei de forma debochada.
- Espero que o seu futuro marido seja capaz de apagar esse fogo... – Arqueei a sobrancelha. – Ou certamente, você precisará de um macho para trepar com você no meio do mato. – Disse e saí com Seth, deixando-a vermelha de tanta raiva.
Depois que nos afastamos, Seth finalmente falou o que havia acontecido.
- Jacob, Ness veio atrás de você e o viu com Caroline. Ela chegou chorando muito e exigiu que me contasse sobre ela. – Ele hesitou por um momento. – Ela ficou mal, Jacob, e chorou muito se sentindo traída e humilhada.
- Deus! Preciso ir até ela e esclarecer a verdade. Onde está¿ - Perguntei nervoso, já montando em meu cavalo.
- Está na baia de Princesa. – Seth respondeu e montou no seu.
- Então, vamos! – Disse.
Galopamos pela floresta, até chegar ao castelo, fui direto para a cocheira, desci do cavalo, entreguei as rédeas para Sam e corri para a baia onde estava.
Entrei sorrateiramente e fiquei observando-a sentada no chão, abraçando os joelhos, de cabeça baixa enquanto chorava.
- Ness, meu bem, olha para mim! Eu nunca quis te magoar! Nunca quis te magoar, minha pequena. Sempre te disse para não se apaixonar por mim.
- Eu quero ficar sozinha, Jacob. Por favor, me deixa em paz! – Havia tanta dor na sua voz, que senti meu coração sendo cortado de forma implacável. Sentia o seu desespero pela forma como falava e queria tentar tranquilizá-la. Precisava que soubesse que tudo aquilo era apenas um mal entendido e que eu não havia marcado um encontro romântico com Caroline.
- Ness, por favor, olha para mim! Eu não tenho nada com ela... Nada... – Sentei ao seu lado e a abracei, mas ela me empurrou com raiva. Não aguentava vê-la daquele jeito, sabia que era teimosa e que não me ouviria. Mesmo assim, não desistiria de tentar dizer a verdade. Precisava que soubesse o que havia acontecido realmente. Não podia permitir que sofresse por algo que nem havia acontecido.
- Não toca em mim! Eu estou com nojo de você! Nojo! Como ousa tocar em mim depois de se sujar com aquela porca¿ Como¿ De hoje em diante você pode se deitar com quem quiser! Eu não ligo!
- Ness, tenta me ouvir, por favor! – Meus olhos se encheram de lágrimas, meu corpo se apertou, mas não me permiti chorar na sua frente. Precisava ser forte por nós dois naquele momento.
- NÃO! NÃO! MILORD!
Em uma breve distração, Ness correu dali e montou em Nefasto, que estava solto no pasto, saiu galopando rapidamente.
Senti um desespero me consumir naquele momento, enquanto a via se afastando do castelo.
- SETH! SETHHH! MEU CAVALO! SETHHH
Ele apareceu com Pérola Negra e Sam trazia outro cavalo para Seth montar.
Saímos dali montando os cavalos atrás dela por léguas. E depois que se cansou de fugir, deu volta e voltou para o castelo, passando por nós de forma rápida.
Por duas semanas, fui desprezado por ela, que sequer olhava para mim. Fiquei muito mal com tudo aquilo, sentia a sua falta, sofria com a sua ausência, mal dormia direito com os pesadelos cada vez piores e o que mais me magoava, era perceber o tamanho da dor que ela sentia. Saber como ela estava magoada, ferida e como se sentia humilhada com toda aquela situação.
Tentei me aproximar tantas vezes, mas só recebi o seu desespero. O que era ainda pior do que a sua ausência, porque já estava tão acostumado com ela, que sentir seu olhar frio, a falta de palavras ou tom formal e o desdém pelas coisas que se referiam a mim
Mas uma vez, vivia o meu inferno particular e sabia que era o único culpado, por não conseguir esquecer a víbora da Caroline, quando tinha uma mulher tão maravilhosa quanto ela ao meu lado.
Sabia que tudo o que passava, era resultado das más escolhas que fiz e somente eu poderia remediar aquilo. Mas para isso, precisava de uma única oportunidade de me aproximar para dizer como me sentia... Dizer que não era capaz de me entregar e fazê-la minha mulher, porque não era justo não dar tudo para ela. Não era justo usá-la enquanto pensava na outra. Como diria aquilo para ela¿ Como¿ Sabia que dizer aquilo seria ainda mais humilhante para Ness e não poderia. Contudo, precisava encontrar uma forma de fazê-la entender as minhas ações.
Estava perdido e não encontrava uma solução para o meu problema. Foi justamente em um desses dias, quando me aconselhava com meu pai, que ela entrou pela porta soltando fogo pelas ventas, sendo agressiva até mesmo com Mary.
Fiquei assustado e quando partiu para o seu quarto, Rachael nos contou o motivo daquele destempero todo.
- O que aconteceu, Rachael¿ Por que ela está assim¿ - Perguntei preocupado com a situação.
- Encontramos Caroline e ela foi desdenhosa com Ness. Mas sabe como é a sua pequena. – Deu um sorriso travesso. – Ela deu o troco e a deixou humilhada. – Disse rindo.
- Quero ver como ela está! Está na hora de acabar com isso. – Caminhei em direção aos seus aposentos de forma rápida.
- Ness, precisamos conversar. – Disse com o coração apertado ao ouvir o seu choro compulsivo e perceber quão grande era a sua dor.
- Vai embora! – Disse quase soluçando.
- Não! - Rebati
- VAI EMBORA! SAI! DEIXA-ME EM PAZ! EU NÃO QUERO OLHAR PARA VOCÊ – Gritou com ódio para mim.
- Ness, não podemos viver desse jeito. Não dá para continuar assim. Sabe que nunca quis te magoar, mas também nunca te prometi o meu amor. Vamos tentar conversar, pequena. – Respirei fundo, tentei passar tranquilidade enquanto falava.
-Não há nada que eu possa querer conversar com você, Milord! Nada! Eu não me importo com a sua vida. Deitar-se com uma porca cortesã é problema seu. Estou cansada disso tudo... Agora sai daqui. – Falou nervosa enquanto chorava.
- Você está nervosa e não está pensando direito, pequena. – Tentei acalmá-la, sentindo uma aflição me consumir enquanto falava com ela. A sua dor era minha dor e o seu desespero era o meu desespero. Precisava encontrar uma forma de arrancar o seu desespero e fazê-la compreender a confusão que estava na minha cabeça. A complexidade dos meus sentimentos e como tentava lidar com aquilo. Como me sentia desesperado e confuso. Como precisava dela para curar a dor que sentia, pelo abandono, traição e humilhação que Caroline me fez passar quando me trocou por um duque, chutando-me como um animal sarnento. Tudo era complicado para mim e sabia que dor era aquela que sentia. Precisava fazer algo... Precisava encontrar uma saída.
- NÃO ME CHAME DE PEQUENA! NUNCA MAIS! FAÇA O QUE QUISER DA SUA VIDA E EU FAREI O QUE QUERO DA MINHA! DEITE-SE COM SUA PORCA, SUJE-SE COM A MULHER QUE TE ABANDONOU E TE HUMILHOU, MILORD! EU NÃO ME IMPORTO MAIS! VOCÊ NÃO ME QUER! NÃO PRECISA ME EXPLICAR NADA! NADA! EU DAREI A OUTRO O QUE VOCÊ REJEITA E SEREI FELIZ À MINHA MANEIRA, MILORD! ISSO É UMA PROMESSA! AGORA, SAIA! SAIA! EU NÃO QUERO MAIS TE VER! SAIAA! ÃNNNÃNNNÃNÃN MÃE! ÃNÃNÃNNN – Ela chorou, chorou e chorou ajoelhada no chão sem forças para reagir. Ajoelhei-me por trás, abracei-a de forma carinhosa e comecei a fazer carinho em sem corpo enquanto tentava acalmá-la.
- Eu não tive nada com ela, Ness... Eu juro... OH, minha pequena me perdoa. – Peguei-a no colo de forma carinhosa, levei-a para a sua cama, deitei-a de costas para mim, abracei-a por trás e comecei a fazer carinhos até que se acalmasse.