terça-feira, 16 de novembro de 2010

Capítulo 7 – Reencontro





- Não!!! – Acordei gritando, meu corpo tremia, havia suor em meu rosto, sentia meu coração batendo acelerado. Senti uma grande dor me consumir e urgência para estar com Bella. Não podia esperar mais e mesmo ainda cansado, viajaria ao seu encontro o mais rápido possível.



Aquele sonho foi tão real, que casou-me um medo muito grande. Pensar em Isabella humilhada e meu órgão sendo arrancado da forma mais cruel era algo terrível. Levantei-me de sobressalto, peguei a minha trouxa e sai do casebre apressadamente. Caminhei até o cavalo, soltei suas rédeas e o montei.



Começamos a cavalgar muito rápido, mesmo sentindo o vento frio e os flocos de neve me afligirem. Logo o dia foi mais escuro e as nuvens acinzentadas tomaram todo o céu. Entrei novamente em uma floresta e via pouca claridade adentrar pela cópula das árvores. A natureza foi novamente tomando um tom soturno e pouco a pouco voltei a sentir o mesmo pavor da noite anterior. Mas assim mesmo não iria parar... Não podia parar.



O cavalo continuava a galopar em alta velocidade e quando a floresta ficou totalmente escura, diminuiu e foi lentamente adentrando pela mata tenebrosa. Estava quase dormindo sobre ele, meu corpo não agüentava mais o frio e os sacolejo causados pelos seus galopes. Cai sobre o seu lombo e não vi mais nada.



- Hey, moço! – Uma moça me chamava. Sim, era a voz de uma donzela me chamando. Tentei abrir os olhos, mexendo as pálpebras lentamente e a vi de forma turva. Ela tinha uma trouxa de roupas sobre a cabeça, vestidas com trapos, pele suja e cabelos desgrenhados. Havia uma criança, um menino, ao seu lado. Ele estava nas mesmas condições e me olhava assustado.



- Olá! – Disse para eles.



- Milord, o senhor dormiu sobre o cavalo.Parece-me péssimo! – Disse a donzela me observando.



- Milady pode me informar se a capela do padre Emmett fica nesse vilarejo. Estou viajando há dias e preciso ter com ele. – Disse bocejando.



- Sim! Segue direto por essa trilha. No final vire no rio e siga a margem. Quando chegar até uma enorme pedra em forma de um cão, você sobe a ladeira e no final é a capela de Padre Emmett. – Disse e eu agradeci.



- Obrigada pela informação. – Segurei as rédeas do animal e comecei a galopar muito rápido, sentindo a urgência me consumir. Meu coração batia rápido e tinha urgência em estar com Bella. Precisava desesperadamente ver o seu rosto, beijar seus lábios, abraçar o seu corpo e ter a certeza que estava bem. E por mais cansado que estivesse, continuaria a minha jornada até chegar a ela, para finalmente tê-la em meus braços.



Fiz o caminho informado pela moça e pude ver na subida da ladeira a pequena capela de Padre Emmett, meu primo e amigo. Galopei o mais rápido que o animal, exausto pela viagem, pode agüentar aquela altura.



Quando chegamos a porta da capela, eu a vi correr em minha direção. Pulei do cavalo e corri para ela. Nos abraços e começamos a nos beijar de forma desesperada. Sentia seus lábios se movendo juntos aos meus com urgência. Sua pele parecia ferver com os meus toques, sua língua procurava a minha como se fosse a última coisa a fazer no mundo. Nossos braços acariciavam os corpos saudosos, que explodiam em um desejo desesperado.



- RUMRUM – Ouvimos alguém pigarrear e interrompemos o beijo. Abri os olhos e vi aqueles lindos olhos verdes me encarando. Eles brilhavam tanto quando na primeira vez que fizemos amor. E podia ver o desejo explodindo sobre ela através daquele brilho. – Primo! – Desviei o olhar de Bella e vi a expressão consternada de Emmett... Ou melhor, padre Emmett nos olhando. Soltei o seu pequeno e frágil corpo, segurei sua mão entrelaçando os nossos dedos e caminhamos na direção deles.



- Padre Emmett! – Disse o cumprimentando com a cabeça e ele tentou ficar sério, mas depois acabou sorrindo.



- Sabia que você não agüentaria muito tempo, Edward. Mas olha a besteira que você fez¿ Como pode desonrar a Lady¿ - Balançou a cabeça em sinal de negativo. – Agora só resta casar... Já está no fogo mesmo, então acabe de se queimar. Padre você não vira mais... Não depois de descobrir sobre os prazeres da carne. E pelo que vejo de vocês dois. – Começou a rir. – Tenho que casá-los logo, antes que vão direto para o inferno. Deus até perdoa se houver arrependimento sincero. Mas vejo que não há e a única saída agora, a contrair o matrimônio para abandonar o pecado. – Estendeu me a mão, eu abandonei a mão de Bella e a apertei.



- Obrigado, Emmett! Sabia que me ajudaria... – Hesitei. – Tem consciência dos fatos¿ Sabe quem ela é¿ E o que está acontecendo¿ - Precisava ser honesto com ele e não o colocaria uma situação difícil. – Completei e ele franziu o cenho, demonstrando preocupação.



- O meu dever como sacerdote é fazer o certo. A minha consciência precisa estar bem com Deus e não com os homens. Se vocês vivem em pecado, o meu dever é orientá-los para que saiam dessa condição. E não é porque a moça em questão é sobrinha do cardeal, que não os casarei. Posso sofrer represálias depois. Mas preciso fazer o que é certo... e rápido.



- Sim! O meu tio continua a ser o meu dono até me casar. E ele até aceitaria Edward se ele possuísse bens. Por isso preciso me casar antes que venham atrás de mim. Depois que for a esposa dele, ninguém pode me obrigar a voltar. Case-nos logo, padre Emmett! Eu vos rogo que nos case agora mesmo! Temo que seja tarde demais se esperarmos mais tempo. Certamente já devem estar a minha procurar. – Bella disse com a voz aflita para ele.



- Então vamos entrar, Milady! Eu os casarei agora mesmo e depois vocês podem seguir viagem até a casa de minha prima. Ela ficará muito feliz em receber o irmão de volta. Ainda mais com uma esposa e um bebê a caminho. – Respondeu para ela.



- Onde está Jacob¿ - Perguntei ansioso ao notar a sua ausência.



- Calma, Milord! – Ela beijou o meu rosto e fez um carinho em minha face. – Está dormindo apenas. Viajamos por um longo tempo e ele não dormiu. Agora só precisa descansar. – Completou sorrindo para mim, com os olhos brilhando de desejo enquanto me olhava. Senti minha sexualidade endurecida e pulsante.... Precisava dela... Precisava muito dela.



- Se algo acontecesse a vocês, não teria me perdoado... Não teria! – Disse beijando a sua testa.



- Vamos entrar¿ - Emmett perguntou já caminhando para a capela.



- Vamos! – Seguimos de mãos dadas atrás dele e entramos na pequena capela.



- Vou chamar Jacob para servir de testemunha. Você não quer se trocar minha querida¿ - perguntou para Bella, que assentiu em sinal de positivo. Depois seguiu até uma porta, deixado me sozinho diante do altar.



Caminhei alguns passos até o altar, ajoelhei e depois fui pedir perdão pelos meus atos. Precisava fazer as pazes com Deus depois de tudo o que havia feito. Precisava que entendesse e me perdoasse. Não conseguiria viver sem Isabella, mesmo com o remorso por ter quebrado o meu compromisso me corroendo.



Pai, perdoe-nos por termos pecado. Por não termos seguido as suas escrituras e deixado que a nossa carne falasse mais alto.

Não é da sua vontade que o homem viva só e justamente por isso o Senhor fez a mulher para ser sua auxiliadora.

Sei que tinha compromisso de me manter casto e ensinar a sua palavra. Que só precisava fazer os votos para me tornar um padre, dedicando assim a minha vida a Ti, Senhor!

Mas fui um fraco e acho que sempre continuarei sendo. Porque esse sentimento é muito forte.

Eu a amo... amo muito... não posso viver sem ela... se não posso me tornar um mestre casado com ela... não posso continuar a usar esse dom que me destes... perdoe-me por isso...Perdoe-me por ter amado tanto, Senhor!

Eu louvo e me rendo a Ti, mas não posso continuar a pregar o que não vivo... não sou um homem santo.

Perdoe-me por ter amado tanto e permita que seja feliz ao lado da minha companheira.



Fiz o sinal da cruz e me levantei. Fiquei olhando por um tempo para a imagem na cruz e depois me virei, ouvindo um barulho atrás de mim.



- Mestre! – Jacob veio até mim e me abraçou.



- Graças que estejam bem! Estava tão preocupado com vocês.



- Eu disse que cuidaria bem deles. Não disse¿ - Sorriu para mim, depois caminhou até um banco e se sentou.



- Jacob, acho prudente voltar daqui. Você tem a sua vida e já fez muito por nós, meu amigo. – Disse sentando me ao seu lado.



- Não, Mestre! Enquanto vocês não estiverem segurança, não posso abandoná-los. E depois vejo o que fazer da minha vida. Certamente não voltarei para a catedral. Não tenho vocação para padre.



- Só não quero que se prejudique. – Disse para ele.

- Mestre, é a minha missão proteger vocês. Sinto que tenho que ir junto e não voltarei atrás. Não mesmo! – Teimou.



- Tudo bem! Vamos nos casar e passaremos esse dia aqui. Amanhã assim que amanhecer, seguiremos viagem até a casa da minha irmã. Temos uma pequena propriedade ao sul e lá Bella e eu começaremos a nossa vida. Quem sabe você não encontra uma Lady que te agrade por lá.



- De certo que sim! – Sorriu e se virou quando escutou os passas atrás de nós. Virei me também e vimos Bella adentrando com um vestido branco e um véu de renda sobre a cabeça. Padre Emmett a seguia.



- Acho que podemos começar. – Disse olhando para nós, que levantamos e caminhamos até o altar.



Padre Emmett começou a cerimônia em latim, falando sobre a ordença casamento e as que aquilo implicava. Depois do seu breve discurso nos declarou marido e mulher.



Bella e eu nos beijamos, ela me deu as alianças que foram dos seus pais e havia herdado com as suas mortes prematuras. E colocamos nos dedos, depois nos beijamos ardentemente e formos declarados marido e mulher. Padre Emmett fez uma carta declarando o casamento e depois carimbou com o selo da sagrada madre igreja e me entregou.



Peguei o papel e dobrei, beijei a mão de Bella e caminhamos juntos para o aposento onde fora instalada. Entramos no local, trancamos a porta, coloquei o pedaço de papel sobre uma pequena mesa. Depois a puxei pela cintura, fiquei olhando em seus olhos, beijei os seus lábios de forma desesperada, sentindo o desejo explodir de cada parte do meu corpo.



Minha sexualidade pulsava de forma descontrolada, enquanto sentia o beijo ardente de Isabella roubando me completamente a minha sanidade. Senti sua mão tocar a minha sexualidade, após passar por baixo do tecido de minha túnica. Sua mão começou a estimular meu sexo, enquanto sentia os seus gemidos abafados em minha boca. Nossas línguas travava uma deliciosa batalha de amor, com movimentos sinuosos que nos proporcionavam um prazer indescritível.



Comecei a soltar as amarras do seu vestido, enquanto senti os rápidos movimentos que fazia em meu sexo. Ela interrompeu o nosso beijo e depois me olhou com fogo em seus olhos luxuriosos. Seu corpo estava mais quente que o normal e o sorriso malicioso se abriu naquele instante.



- Quero sentir você dentro de mim, Edward! – Mordeu os lábios e começou a apertar mais forte o meu sexo, enquanto eu gemia de prazer. – Preciso te sentir, amor... Tome-me como sua mulher... agora amor!



- Bella, sussurrei ofegante... – Já não conseguia mais pensar, não tinha nenhum resquício de sanidade em mim. Eu estava completamente perdido naquele corpo de pecado... Sim! Ela era a encarnação do meu pecado e não havia como voltar atrás.



Precisava sentir o meu membro pulsando dentro dela.



Toc Toc Toc Foram três batidas na porta, que nos tiraram do nosso momento perfeito de entrega e me deixaram completamente alarmado.













CAPÍTULO 10



  Jacob entrou no escritório e Renesmee entrou junto em prantos com a voz trêmula.
Uma dor terrível o dilacerava. Nunca imaginara que tamanha dor pudesse apoderar-se de alguém. Sua respiração estava desregular, enquanto lágrimas preenchiam os seus olhos.
- Há quanto tempo se deita com Seth?
Renesmee reagiu indignada. Como ele ousara tal pergunta? Nunca deu-se tamanho motivo para tal pergunta. Sentia-se uma vagabunda ao ser tratada assim... Pior, pelo pai de seu filho e pelo homem que ela amava.
- Deitar-me com ele?
- Chega de mentiras! Eu os vi juntos... Beijando-o! - Rugiu Jacob. Segurou Renesmee pelo pulso, não brutal e nem gentil. Faltava muito pouco para se descontrolar. Porém, juntou suas forças, pensando no filho que estava no ventre de sua... De Renesmee.
- Eu só digo a verdade! Eu nunca dormi com Seth. A simples idéia me enoja... Eu não sabia que ele queria me beijar! - Disse sinceramente.
Jacob tinha o rosto empedernido. Petrificado, não sabia o que pensar.
- Todas as mulheres são dissimuladas. - Afirmou.
Renesmee sentiu suas pernas bambas. Céus, nunca o vira tão zangado, nem tão magoado.
- Pode não acreditar no amor de uma mulher, mas duvida do sentimento de uma mãe pelo filho? Não pode tirar ele de mim.
Jacob rosnou. Ele estava totalmente fora de si e não estava pensando com muita clareza. Para ele, naquele momento, o certo era o rumo que estava tomando.
- Pelas circunstâncias, eu até duvido que esse filho seja meu.
- Você está me ofendendo! Essa criança que cresce no meu ventro e sua! Você disse que sempre quis ter um filho! - Renesmee disse consternada com tal afirmação. O filho deles era o fruto do amor que surgiu entre eles e, renegá-lo ou dá-lo, como algo banal, seria o pior ato que já fizera... Além de ser um meio de renegação ao amor deles.
- Eu quis que as minhas sementes se enraizassem em você. Não as de um covarde qualquer. - Jacob rugia feito leão ferido.
Paralisada de medo, Renesmee sentia-se pequena e insignificante. Após noites de paixão, o vinculo entre ambos significava tão pouco? Talvez não existisse sentimento da parte dele, afinal, talvez nunca fosse amá-la como ela o amava, acabara de afirmar. Ela o perdoou pela sua vingança contra sua família e ele, vendo que ela que jurava que nunca tivera nada com Seth, a beijou a força não acreditava nela. Agora, convencia-se de que tal emoção não poderia florescer num coração tão vazio.
Jacob remexeu o maxilar, mas em seus olhos frios não havia um pingo de pesar ou remorso.
- É novamente minha prisioneira. Renesmee Cullen, tente fugir e conhecerá a crueldade de que sou capaz.
- Jacob... - Tentou protestar.
Jacob pegou um copo de uísque e começou a beber.
Renesmee, que vira nele um traço de afeição, arrependeu-se. Lágrimas inundavam os olhos. Uma angústia tão intensa lhe oprimia o peito que mal conseguia respirar. A dor em seu peito era tão forte, porém não era física... Era emocional. Tudo o que acontecera nesse meio tempo, não fazia bem a eles.
Com a cabeça erguida Renesmee saiu do escritório. Ela precisava guardar a sua honra. Afinal, já perdera a virgindade para aquele ser. Agora tinha que se dar dignidade.
Quando fechou a porta, ouviu um som que recordava muito bem. Jacob atirara um copo contra a parede, movido a raiva.
Jacob estava à janela do escritório, encostado à parede, olhando para o pátio do castelo.
Distraído, ouviu a porta a abrir-se .
- Pelo amor de Deus, Jacob! O que disseste à Renesmee? - Perguntou Sam. - Estava pálida. Discutiram por que?
Ele virou-se lentamente para o seu amigo, apertando o punho com força, enquanto tentava controlar-se.
- Peguei ela com Seth no jardim, aos beijos! - Murmurou com o maxiliar trincado.
- Ela foi forçada a fazer isso. Jacob, será que o Senhor não encherga que essa moça te ama incondicionalmente e Seth sempre o invejou?
Jacob apertou o queixo, duvidoso. Porém, não mudou a sua decisão, afinal, estava convicto que seus olhos não mentiram.
- Mais eu os vi!- gritou Jacob e deu um murro na mesa. - Quantas vezes tenho de dizer isso?
Atônito ao ver aquela explosão de raiva, Sam afastou-se e fez um gesto para acalmar o seu amigo. Ele sabia que Jacob estava apenas de cabeça quente e poderia refletir melhor depois... Ele sabia que o seu Senhor se arrependeria.
- O que ela disse?
- Negou tudo é claro.
- Pois seria melhor que acreditasse nela! Ou vai perdê-la pra sempre! Lembre-se, meu lorde, foi o senhor que a resgatou, a trouxe aqui e tirou sua honra!
Era possível que já a tivesse perdido, pensou Jacob. Sentiu um aperto no coração perante àquela ideia.
- Amanhã quero Seth fora daqui! - Ordenou Jacob que, repentinamente, tinha dificuldade para pronunciar as palavras e colocando mais uísque em seu copo.
- Pelo amor de Deus, está bêbado! - Exclamou Sam
- Ah, sério? Perguntou Jacob, enjoado, como se tivesse batido com a cabeça. Olhou para o copo que tinha na mão e deu um sorriso torto, totalmente inconsciente de seus atos. - Devo estar. - Murmurou e atirou o copo para o chão. - Isso explicaria... Esquece! - Olhou novamente para o seu amigo e perguntou bravo, atropeçando as palavras:
- O que quer? Você também vai questionar essa minha decisão em expulsar Seth?
Sam arqueou as sobrancelhas, incrédulo.
- O senhor é o lorde aqui. Eu só quero que o senhor tome as decisões certas!
- Eu não tenho que lhe dar explicações! - Disse Jacob e apontou com um dedo hesitante para a porta, ao mesmo tempo que sentia uma tontura passageira. - Vai-te embora!
Em vez de sair, Sam apoiou-se na beira da mesa e cruzou os braços enquanto continuava a observar o seu amigo com o seu habitual sangue-frio.
Jacob apoiou as costas nas costas da cadeira e olhou para ele com os olhos avermelhados.
- Eu comecei a gostar da ideia de ter um filho...
- Mas o terá!
Jacob levantou-se imediatamente. A cadeira caiu para trás e ele teve de se segurar à mesa para se manter de pé, devido a posição cambaleante.
- Mas ela me traiu! Nem sei se esse filho é meu. - Disse desgostoso, ao mesmo tempo que sentia a dor das palavras o afetarem.
- No fundo, o Senhor sabe que é! Você tem o coração bom e sabe que a mãe de seu filho também tem!
Jacob assentiu, sombrio.
- Ótimo. Agora, pára de beber e, quando estiver sóbrio, vai falar com a sua futura esposa! - Indagou Sam
- Qual delas? - Disse Jacob com sarcasmo.
- Aquela que seu coração bate mais forte. - Sam limitou-se a falar e saiu da sala à passos pesados e arrastados. Não sabia que o patrão era capaz de tamanha estupidez.
(***)
O humor de Jacob era negro como uma noite sem lua. Desejos conflitivos retumbavam em seu peito. Ele não conseguia dar uma resposta sorrindo, ou amigável. Vivia emburrado e sombrio pelos corredores do Castelo.
Jacob passou três noites dormindo em um banco do salão, enquanto Renesmee permanecia isolada durante todo o dia.
Jacob lançava sua ira a qualquer um que fosse o suficientemente insensato para cruzar seu caminho. Não havia mais motivos para ter bom humor e descontava as suas mágoas na bebida e nos outros.
Os olhos de Renesmee estavam vermelhos e inchados de tanto chorar. A mera menção do nome de Jacob lhe tremia os lábios. As lágrimas caíam sem que ela as pudesse controlar.
Ela voltava a pensar em coisas que feriam o seu coração. Você ficara aqui até que o bebê nasça. Assim que nascer você vai embora com Seth e o bebê ficara comigo! Essas palavras proferidas pelo Jacob não saíam da cabeça de Renesmee. Uma criança crescia dentro dela, uma criança de seu sangue. Muito antes do dia em que sentiu um movimento em seu ventre, soube que nunca poderia abandonar essa criança. Nunca poderia abandonar seu filho.O que devia fazer? Ele não acreditava que ela não tinha o traído. Ela tinha que fugir e voltar para sua família eles iria compreender e aceitar!
- Meu amor, você não está comendo direito! Você tem que pensar em seu filho! - Indagou Sue chegando ao quarto.
Renesmee olhou para Sue e desabou em lágrimas. Sue lançou-a um olhar de pena e já havia se acostumado com a Renesmee chorando. Era uma rotina diária.
- Não fique assim. Jacob é muito orgulhoso, mas no fundo ele sabe que você e Seth nunca tiveram nada. - Sue tentou consolá-la, não obtendo sucesso.
- Ele não olha na minha cara e não pergunta como estou!
- Mas ele pergunta para os empregados e está furioso porque você não está se alimentando.
- Eu quero ir embora Sue! Eu me sinto sozinha aqui.
Sue olhou para Renesmee assustada. Sue sabia que era a ruína para Renesmee, caso Jacob descobrisse que queria fugir e se não obtesse sucesso na ação.
- Ah, então eu não sou boa companhia? - Brincou.
Renesmee olhou para Sue assustada.
- É lógico que é Sue. Me desculpa! Eu prezo muito sua amizade. - Murmurou Renesmee dando um abraço carinhoso em Sue, e logo foram interrompidas pelas batidas na porta.
- Pode entrar, -disse Sue.
- Sue, o Senhor Jacob está convocando todos os empregados no escritório e quer urgência na convocação. - Anunciou Quill e logo saiu.
- Jacob deve estar furioso, – murmurou Renesmee.
- Não está não Renesmee! Bem, deixe-me ir logo. Eu volto trazendo um lanche. - Afirmou Sue, não esperando uma resposta negativa da patroa. Saiu do quarto, enquanto Renesmee sentia-se novamente aquela saudade da família.. E saudade do antigo Jacob, o qual se apaixonou e que não era o atual Jacob, frio e sombrio. O impassível que não mostrava sentimentos e tinha uma obscuridade a sua volta.
Renesmee esperou Sue sair. Fez uma trouxa de roupas aproveitando que todos estavam em reunião... Ela iria fugir.
(***)
No escritório, Jacob esperou que todos se posicionassem para dar uma decisão.
- Convoco todos vocês aqui para anunciar que amanhã vou me casar!
Todos olharam um para os outros com pontos de interrogação.
Sue por vez sentiu uma ponta de dó por supor que Jacob, por vingança, iria casar com Leah. Era provável que fizesse isso apenas para causar ciúmes em Renesmee. Afinal, Sue via o amor preencher cada canto do olhar deles, quando estavam conectados. Agora, só via dor... E sabia que Renesmee sofreria muito mais por causa de Leah. Mas levou um baita susto quando ele anunciou o nome de sua noiva.
- Quero que preparem tudo e que convoquem o padre que amanhã vou me casar com Renesmee Cullen.
Sem esperar, Jacob foi pego por murmuros de alegria. Todos achavam que Renesmee seria a melhor escolha ao reino e a Jacob. E depois do anúncio pediu para que todos se retirassem.
Jacob encostou-se à janela e observou que o céu se encontrava coberto por densas nuvens. O ar estava carregado e não demoraria a chover. A ventânia aumentava com a aproximação da tempestade.
O pesar que ele sentia antes no coração, libertou-se do seu ser. Só de pensar que estaria casado com a futura Renesmee Black, sentia uma paz interior. Mas isso seria passageiro...
- Senhor! Srta Renesmee fugiu! - Anunciou Sue entrando no escritório sem bater, apavorada. Ela estava transtornada, pois Renesmee acabara de arruinar o seu destino.
- Como? - Perguntou Jacob, sentindo seu coração falhar sobre o que acabara de ouvir.
Tudo aconteceu muito rápido. Mal acreditando no que acontecia, Jacob respirou fundo e tirou seu cavalo da baia. Colocou rédeas na montaria, mas não se importou em selá-lo e foi para a mata à procura de Renesmee.
Renesmee começou a lutar contra o vento forte que percorria o matagal. Só após alguns minutos, perguntou-se o que estava fazendo. A ira, a humilhação e a aceitação da derrota tinham tomado conta de seu ser e ela agira sem pensar. Ela sentou-se e encostou-se em uma árvore, pois não já estava cansada. Devido a gravidez, era impedida de fazer o trajeto sem descansar.
Não demorou e ouviu os cascos de um cavalo se aproximando e de longe viu que era Jacob. Seu coração acelerou, mas ela não sabia se era de alívio, de medo ou por pura adrenalina.
Só não entendia porquê Jacob a perseguia. Seria orgulho masculino? Ou simples arrogância por não permitir que alguém agisse sem seu consentimento?
Maneou a cabeça, pois não queria pensar nas razões dele. A verdade era que não desejava fugir. Não queria se expôr ao perigo das estradas.
Talvez fosse esse o motivo pelo qual ele a perseguia. Os homens não costumavam acreditar no sucesso das mulheres, e ele temia que algo lhe acontecesse. Afinal, mesmo ele pensando que ela era uma vadia, ela estava sob seus cuidados. Se algo lhe acontecesse, teria de enfrentar o questionamento de sua família.
A chuva desabou de repente, gelando-a até os ossos. Não contara com esse inesperado em seus planos. Respirou fundo, tomando fôlego e paciência. O que representava um pouco de chuva? Não era feita de papel e nunca adoecera na vida. Tudo ficaria bem.
— Peguei você, — declarou com um misto de satisfação e raiva na voz.
— Não vou voltar com você, Jacob. — Afirmou convicta. Ela não iria voltar para os bracos de Jacob, para ele roubar-lhe o filho que nascia em seu ventre.
— Vai fazer o que eu mandar. — Retrucou.
— Isso não faz sentido algum! Você não me quer. O que pretende humilhar-me ainda mais? Quer me acompanhar até minha família com uma corda no pescoço, talvez? Anunciar que sou uma vadia e que sou amante de seu amigo e ainda carrego um bastardo, que não mereço sua consideração? Não imaginei que pudesse ser tão cruel.
Ele franziu o cenho. Sua raiva era justificável, sabia disso. No entanto, Renesmee o colocava na defensiva, pintando-o tal qual um monstro.
Inferno. Ele era um homem educado, articulado, racional... E, ainda assim, ela o manipulava. Nenhuma mulher jamais conseguira isso antes.
— Venha. Vamos voltar!
— Não!
— Como pretende impedir que eu a arraste? Não vejo nenhum Castelo. Aliás, não importa a arma que pretenda usar, não fará nada. Não tolerarei violência de sua parte, Renesmee. Obedecerá e virá comigo sem reclamar. Vamos!
— Não!
Nesse instante, um raio caiu numa árvore próxima, partindo um galho. Renesmee gritou de susto.
— Vê aquela trilha ali? Ela leva a uma cabana. Vamos até lá. Estamos muito longe da mansão. — Indagou Jacob a puxando para montar no cavalo.
A cabana ficava no fim da trilha, numa clareira. Obviamente era um lugar para alguém que valorizava a privacidade: pequeno, porém muito bem cuidado. Parecia um lugar limpo e ocupado recentimente, porém não havia ninguém lá.
Com um empurrão entraram na cabana, Jacob por vez já começou a colocar lenha na fogueira e ordenando que tirassem as roupas.
Renesmee olhou para ele assustada.
— Pare de bobeira Renesmee! Já conheço todas as partes do seu corpo, — murmurou.
— Mas mesmo assim não ficarei nua perante você. — Esbravejou Renesmee
Jacob sorriu.
— Lá, naquele baú, tem roupas secas. Pode colocar uma delas. — Ordenou ele já tirando as suas roupas.
Eles se deitaram em um colchão e esticaram uma manta. Ela deitou-se hesitante, porém sentiu uma necessidade de abraçar Jacob e sentir a sua pele novamente, mas evitou tal pensamento.
Durante a noite, Jacob ouviu um gemido de Renesmee. Minutos depois, ele sentiu sua pele quente.
— Nessie? — Chamou baixinho e pousou a mão no rosto delicado. Estava pegando fogo!
Por um instante, não quis acreditar. Concluiu que Renesmee estava doente e ela e seu filho precisavam de ajuda. Pelo menos, sabia o que tinha de fazer. Chovia muito ainda e não havia como chamar um médico, portanto Renesmee e seu filho também dependiam dele.
Levantou-se rapidamente e seguiu para a porta. Pegou água e compressas e tocou Renesmee na fronte: ela suava. Começou a fazer compressas para esfriá-la. Quando ela tentou se esquivar do pano frio, ele a impediu.
— Nessie você está doente!— Avisou com suavidade. Sabia que ela não o compreendia, mas continuou a falar mesmo assim. — Está ardendo em febre... Confie em mim, sei o que estou fazendo.
Molhou o pano diversas vezes, passando-o pelo corpo alvo, tentando não analisar como se sentia diante do que via. Esforçou-se para ignorar a reação do próprio sexo.
Renesmee provavelmente não o desejaria mais, mesmo que estivesse sã.
— Abra os olhos e olhe para mim, Nessie... Maldição abra os olhos!
Mais uma vez, ela obedeceu, encarando-o com olhos límpidos e brilhantes.
— Olá... — murmurou, esboçando um sorriso.
— Como está se sentindo?
— Tudo dói.
— Isto a faz se sentir melhor? — ele perguntou ao passar o pano úmido pelo torso ainda quente.
— Sim, — ela respondeu e fechou os olhos.
Sentou-se ao lado dela e amparou sua cabeça no braço.
— Acorde de novo, vamos... Precisa beber este chá. Abra a boca.
Ela engasgou no primeiro gole e ele diminuiu a dose a um fio. Com paciência, ofereceu toda a caneca.
Renesmee tornou a gemer em seu desconforto, e Jacob a deitou novamente, retomando as compressas.
Ele tornou-se atencioso e carinhoso, bem diferente do Jacob que deixara o Castelo tomado pela ira.
Após uma hora, a febre tinha cedido. Logo, ela começou a tremer de frio.
Ele não pensou duas vezes. Subiu na cama e a aconchegou junto ao próprio corpo e posou sua mão no ventre dela. Renesmee se enroscou nele, buscando seu calor.


Quando começou a suar, Jacob não se afastou. Apoiou o rosto no topo de sua cabeça com um suspiro. Sentia-se responsável por ela e estava ciente de que suas mãos não paravam de afagá-las nas costas. Maldição...
Ela voltou a gemer. Ao perceber o calor da respiração quente em sua pele nua, ele se sentiu tomado por uma sensação estranha. Fechou os olhos, exausto. Não demorou e adormeceu.
Despertou ao alvorecer. Ainda chovia, notou, portanto não podia levar Renesmee de volta ao castelo. Tentou despertá-la, mas ela ainda estava grogue com um resto de febre. Tenso, ele a obrigou a beber mais chá.
Jacob por vez continuou alternando xingamentos e compressas com abraços, visto que a febre aumentava e diminuía em ciclos intermináveis.
Assustado, chegou até mesmo a rezar por sua amada e por seu filho. Nunca fora muito religioso, mas em momentos de apertos sempre apelara para o Criador.
No fim do mais longo dia de sua vida, teve certeza de que ela sobreviveria. Parou ao lado da cama, observando-a, ciente de que a melhora agora só dependia dela.
— Não se atreva a desistir agora, meu amor! Temos uma vida aí dentro! — Falou em voz alta. — Vai apanhar para valer se ousar desistir...

Renesmee gemeu e tentou ficar de lado. Jacob se viu entrando debaixo das cobertas outra vez, pois Renesmee tremia dos pés à cabeça e a beijou na fronte e a trouxe para perto de si. Tomada pelo desejo, ela apoiou os braços sob o abdômen definido dele e tentou ali, nos braços do seu amado - pois o antigo Jacob voltara -, tentou relaxar e salvar o seu tão amado filho. Será que ela iria conseguir?
Capitulo 6 – Fuga



Caminhei para a hospedaria e por onde passava, era alvo de pessoas me apontando e falando sobre mim. Sentia-me estranhamente constrangido, mas naquele momento aquela era a minha última preocupação que poderia me permitir. Tinha que pensar na fuga e em como proteger Bella. Não podia permitir que nada desse errado. Era vital para ela e o nosso filho que o nosso plano fosse bem sucedido.



Cheguei até a hospedaria e alguns hóspedes me olhavam de forma estranha. A dona da casa fez uma careta e balançou a cabeça em sinal de negativo. Fui até o salão de jantar para comer algo e todos fizeram questão de ignorar a minha presença. E a senhora, com muita má vontade, colocou prato e talheres sobre a mesa, a travessa com a comida e saiu sem dizer nada.



Fiz rapidamente a minha refeição e depois fui para os meus aposentos pensar sobre todos os acontecimentos.



Sentia o meu coração aflito só de imaginar Bella trancada, sendo maltratada naquela casa e cada vez que imaginava o tamanho da sua aflição, por não ter notícias e não saber o que se passava do lado de fora. Sabia que se ficasse muito tempo naquela situação não agüentaria e perderia a cabeça. Gritaria e quebraria tudo ao seu redor até ser atendida. E sentia medo que se machucasse em um ato de desatino.



O tempo foi passando e a minha ansiedade só crescia. Comecei a andar de um lado para o outro. Esperava que Jacob, Jared e Paul dessem notícias. Contudo, apesar de saber que estavam agindo, eles não apareciam e já sentia a minha sanidade indo embora com o passar do tempo.



Começou a anoitecer e não apareciam. Então sai do quarto e fui para o salão ceiar com os demais hóspedes, mesmo sabendo que seria rechaçado. Mas precisava que me vissem na hospedaria, para que não houvesse desconfiança da minha fuga quando o alerta sobre o sumiço de Bella fosse espalhado pelo vilarejo.



Cheguei ao salão e todos me olhavam com repulsa. Cochichavam intrigas sem o menor pudor. Quando me sentei em uma das cadeiras, todos que estavam naquela mesa saíram, deixando-me a sós como se fosse um leproso. Continuei a fingir que nada acontecia e servi o meu prato com a sopa servida na tigela. Comecei a bebê-la lentamente, quando Jacob entrou e veio até mim.



Ele se sentou ao meu lado e começou a falar muito baixo. O som era quase inaudível e tive que fazer um esforço enorme para entender.



- Mestre, conseguimos que a cozinheira abrisse a porta dos aposentos de Lady Isabella. E pedimos para que lhe entregasse o nosso recado. Ela esperará até todos irem dormir e depois Jared e eu a conduziremos até o barco. Também pedimos que não contasse nada para a serviçal Rosalie, pois ela pode por tudo a perder. – Disse de cabeça baixa e tentando disfarçar aquela situação.



- Então eu já posso ir até o local. – Sussurrei e depois beberiquei um cole da sopa.



- Não, Mestre! – Disse balançando a cabeça e depois a abaixou novamente para falar de forma mais discreta. – Estás sendo vigiado! A hospedaria está cercada e se resolver sair, eles o seguirão. Por isso precisaremos de um novo plano. Conversei com os outros e acham melhor eu seguir com ela até a outra cidade e procurar padre Emmett. Se ele o considerar tanto, não negará abrigo e esconderijo para ela em sua paróquia. Depois teremos que despistar os seus vigias, para que possa seguir a diante. Mas julgamos mais seguro ir por outro caminho e partir a cavalo. Já conseguimos um bom cavalo, que corre muito, e assim em dois dias vocês estarão juntos e poderão se casar.



- Mas eles vão alertar a guarda de todas os vilarejos e certamente a notícia chegará até ao local onde ela estiver escondida. – Respondi para ele preocupado, vendo a inquietação nos olhos do meu discípulo.



- A cavalo você poderá chegar lá antes que a notícia se espalhe, Mestre. E Jared e Paul despistarão os seus seguidores. Um deles virá para cá na calada da noite e sairá bem cedo, usando uma capa com capuz para esconder a face. Depois ele se encontrará com o outro e ali quem estiver os seguindo, ficará na dúvida quem é o Mestre Cullen. Eles se separam e os outros também terão que se dividir. Enquanto isso, o senhor já estará muito longe. Então quando descobrirem a verdade, terão perdido a pista de vocês. Isso dará um tempo para chegar até Lady Isabella e se casar com ela antes que a notícia chegue. Entendeu o plano¿ - Sussurrou.



- Sim! Só peço que cuide bem dela. – Disse para ele, sentindo-me temeroso que algo lhes acontecesse no caminho. Jacob era um dos meus melhores e mais fieis discípulos. Era quase que um irmão e não me perdoaria se algo lhe acontecesse. Já com Bella, a coisa era ainda pior, por não suportar a possibilidade de perdê-la ou que algo acontecesse, fazendo-a abortar o nosso bebê.



- Eu cuidarei, Mestre! Estou indo agora. Deixe a janela do seu quarto aberta, que Paul ou Jared entrará por ela essa noite. Que Deus nos abençoe e tudo dê certo. – Disse, deu-me um breve olhar e saiu em seguida. Percebi que as pessoas o olhavam de forma estranha. Mas ele fingiu não perceber. Continuei a minha refeição e depois me retirei para o meu aposento.



Caminhei lentamente, fingindo que nada estava acontecendo, enquanto tentava organizar tudo o que Jacob havia me dito. Cheguei ao quarto, tranquei a porta, acendi algumas velas e sentei-me na cama. Fiquei vendo o tempo passar, enquanto me lembrava dos momentos que estive com Bella, dos nossos beijos, da dúvida que me corroia por dentro, o arrependimento pelos meus atos, as estranhas sensações de prazer que os nossos corpos sentiam quando estavam juntos.



Tudo começou a passar em minha mente, como se estivesse em um sonho, revivendo cada momento, sentindo as emoções em meu corpo, fazendo a minha sexualidade dá sinais que precisava dela, que dependia de seus toques mais do que tudo para continuar a sobreviver. Era uma dependência tão grande, que chegava a me causar dor física a sua falta. Queria sentir os seus lábios se movendo sobre os meus, o toque quente de sua língua, o corpo quente e macio envolvido com o meu, formando uma só carne com os nossos movimentos.



O tempo passou e de repente, preso em meus sonhos, ouvi um barulho na janela do quarto. Assustei-me e dei um pulo da cama. Vi uma figura vestida de preta entrando na janela e pedi a Deus que fosse Paul ou Jared.



- Quem está ai¿ - Perguntei assustado.



- Sou eu, Mestre... Paul! – Ele respondeu baixinho, quase que em um sussurro. Entrou pela janela e veio até mim. – Tem dois homens a espreita na escuridão. Eles esperam que saia para fazerem uma covardia. Mas pelo que ouvi, vão levá-lo até um local reservado para tal ato. – O Mestre é uma figura notória e não querem um escândalo.



- Então não pode se passar por mim! Não pode! - Disse nervoso para ele, com medo do que lhe pudesse lhe ocorrer. Mas ele balançou a cabeça em sinal de negativo e depois continuou.



-Mestre, eles não vão me pegar em frente a hospedaria. Vão esperar que esteja em um local mais escuro e deserto. São mercenários e estão sendo cautelosos. Ao contrário disso, não esperariam e invadiriam o seu quarto essa noite. O cardeal Swan não é burro para se expor enviando mercenários para o atacarem. Ele vai agir na surdina e é com isso que contamos para que o plano dê certo.



- Tudo bem! Mas prometa tomar cuidado. Promete¿ - Perguntei para ele, vendo o assentir com a cabeça.



- Não sou maluco, Mestre. Por isso se acalme. – Respondeu rindo com tom zombeteiro.



- E Isabella¿ Conseguiram tirá-la da casa¿ - Perguntei nervoso e o vi rir novamente.



- O seu relicário está seguro, Mestre. Ela saiu pela porta dos fundos e já está no barco. Logo estarão seguros e Jacob não permitirá que nada lhe aconteças. Não se aflijas por nada.



- Não posso permitir que algo lhe aconteça. Tenho medo que não consigam e da represália que podem sofrer. – Sentei-me na cama novamente e fiquei olhando para ele, que apertava as duas mãos de forma que me dava a impressão que estava nervoso.



- Não acontecerá nada! Cadê a fé no Deus que serve¿ Ele não é carrasco! E não acredito que Tenha lhe abandonado. Pare de pensar no mal e pense que logo estará casado com sua Lady.



- É verdade! Estou tão desesperado que me esqueci de ter fé. – Ri para ele de forma nervosa. – Obrigado meu amigo.



- Não tem de quê! Agora eu colocarei a capa e o capuz e sairei tentando me disfarçar, Mestre. Não poderemos nos encontrar com vocês. Porque certamente seremos seguidos. Mas desejo boa sorte... Espere um tempo antes de ir. Deixei o cavalo na saída do vilarejo, perto da taverna. – Apertou a minha mão, depois de se disfarçar, e saiu sem fazer barulho.



Conforme o combinado, fiquei um tempo a esperando e depois peguei as minha trouxas, e sai pela janela, para não dá pistas aos possíveis seguidores.



A noite estava muito escura, apenas algumas tochas iluminavam as vielas e não se via quase ninguém fora das casas. O frio era cruel, o vento forte chegava a machucar a face, pequenos flocos de neve caiam sobre a capa e o capuz que cobriam o meu corpo. Corri pelas vielas em direção a taberna e avistei o cavalo. Peguei as suas as rédeas, montei o animal e sai galopando para o mais longe o possível do vilarejo.



Uma noite muito fria e uma viagem muito longa foi o que encontrei enquanto galopava pela floresta, seguindo a margem do Rio para encontrar abrigo em outro vilarejo, cavalgando por um longo tempo, fazendo o meu corpo dolorido pelas rajadas de vento sucumbir por descanso. Entretanto, por mais que precisasse descansar, precisasse de um abrigo seguro na tempestade de neve que só ficava pior, sabia que Bella e meu filho precisavam de mim. E que tinha que encontrá-los antes de que algo terrível lhes acontecessem.



Jacob era responsável demais e cuidaria dela, dando a sua própria vida se necessário. Já havia dado provas de sua extrema lealdade. Contudo, mesmo com habilidades para lutas, se fossem cercado pela guarda real, que certamente seria avisada como o escândalo estourasse, não daria conta de uma tropa de soldados. Por isso, por mais cansado e dolorido que estivesse pela viagem, precisava continuar a galopar até o meu corpo não agüentar mais.



Vi a noite passar com os vultos tenebrosos escondidos na floresta e ouvindo os estranhos sons que faziam. Confesso que senti medo, mas tinha urgência e nenhum medo me faria parar até chegar ao próximo vilarejo.



Logo a claridade foi adentrando por entre as folhas das árvores e o pude ver o céu ficando com um tom de azul cetim, misturado com um tom cinza que se formava com a neblina que se formava. Em pouco tempo, tudo foi ficando acinzentado e não conseguia ver nada em minha frente, galopando às cegas pela floresta.



Não demorou muito, conseguimos sair daquele local que me causava medo e ao longo do horizonte, pude avistar os primeiros sinais de habitação.



O Senhor seja Louvado!



Usei o resto de forças que me restava, após uma longa jornada em uma noite fria, tenebrosa e muito cansativa.



Imaginei se Jacob e Bella já estavam em porto seguro. Se já haviam encontrado um local para repouso e alimentação, fazendo a minha preocupação aumentar ainda mais depois daquela noite de horrores.



Pai, sei que pequei! Contudo sei que é capaz de perdoar os meus pecados.

Não me abandone... não abandone a “minha mulher” e o meu filho...

Tendes compaixão de nós!



Continuei a galopar até chegar ao primeiro casebre, que por sinal era extremamente pobre e deixava evidente a falta de condições dos moradores, que provavelmente eram servos e viviam em regime de escravidão pelos nobres que detinham a posse das terras.



Senti remorso por precisar de ajuda, mas não me agüentava mais sobre o lombo daquele cavalo e precisava de pouso e local quente para repousar por um curto tempo, até que estivesse em condições para continuar a viagem,que ainda duraria um dia e uma noite até a paróquia de padre Emmett.



Bati palmas duas vezes e uma senhora muito idosa veio me atender.



- O que deseja, meu filho¿ - Disse com a voz trêmula, observando-me de forma curiosa. Tinha os cabelos grisalhos, a pele enrugada pelos anos de vida, os olhos eram tristes, as mãos tremiam e vestia trapos que não deveriam se quer aquecer o corpo debilitado.



- Desculpe-me o incomodo, MiLady! - Disse com o tom formal e apesar de ter noção que ela desconhecia aquele tipo de tratamento, dispensado apenas para senhoras de sociedade, não custava nada ter um pouco de educação com alguém a quem pediria ajuda. – Viajei a noite inteira pela floresta e estou por demais cansado. Meu corpo doe com tanto frio que sinto. E se não for muito abuso de minha parte, gostaria de lhe pedir abrigo até descansar e ter condições de seguir viagem.



- É claro, meu filho! Entre! Entre! – Disse, assentindo com a cabeça enquanto fazia sinais com as mãos para que eu entrasse em sua casa.

- Obrigado, é muito generosidade! – Assenti e a acompanhei, passando pelos trapos que ocupavam lugar do que deveria ser uma porta.

O casebre era a coisa mais depreciante, sem a menor condição para uma pessoa viver. Havia apenas uma tocha iluminando o local, não havia mobilha e onde deveria ter uma cama, havia uma rede de pano. O espaço era bem reduzido e no mesmo local havia a sua cozinha e a sala, com objetos velhos ou quebrados de barro.

Ela me conduziu até a rede e fez sinal para que eu me sentasse.

- Pode se acomodar aqui nessa rede, meu filho. – Disse para mim.



- Não quero tirar o seu conforto... Desculpe. – Disse envergonhado e ela retrucou.



- Não tem problema. Acabei de acordar e tenho os meus afazeres na terra, filho. Farei um chá para beber e trarei um resto de pão que sobrou de ontem. Não precisa ficar acanhado. – Apesar da extrema pobreza, havia uma grande generosidade no falar e nos gestos delicados da mulher. Fiquei admirada como uma pessoa sozinha, em um casebre em condições precárias, ainda mais com a sua idade, ainda era capaz de gestos tão humanos, quando a maioria das pessoas com condições um poucos melhores agiam com egoísmo.



Deitei me na rede, fechei os olhos e antes que o sono pudesse me alcançar, a senhora veio até mim.



- Beba esse chá, filho. Ele lhe fará bem. – Entregou-me o chá e depois um pedaço de pão. – Ficarei um bom tempo fora cuidando dos meus afazeres. Aproveite para descansar. – Disse e saiu.






Depois da breve refeição, coloquei o copo no chão, fechei os olhos e deixei o meu corpo relaxar, caindo em sono profundo.






- Edward! Edward!! Nãooo!!! Por favor, não!!! Eu imploro – Seu rosto vermelho, lágrimas desciam pelos olhos arregalados, que outrora me mostravam tanta felicidade. Havíamos feito amor e estávamos deitados sobre a palha do estábulo. Vários homens entraram e a puxaram de mim com o corpo desnudo. Vi as figuras dos Cardeais fazendo acusações, mulheres batiam em Isabella, enquanto se debatia, gritava e ao mesmo tempo tentava esconder o seu corpo. Um homem veio até mim e me puxou do chão.Outro pegou me pelo outro braço e me colocou de joelhos.






Fiquei ajoelhado diante dos cardeais, que exigiam a minha punição imediata. Muitos gritos e murmúrios, mas o único som que conseguia ouvir com clareza eram os gritos desesperados de Isabella.






- Edward!! Edward!!! Seus covardes não façam mal a ele!! Por favor! Não!!! Por favor!






- Peça perdão pelo seu mal feito, seu degenerado! Você foi excomungado e pagará com a sua carne pelo seu erro. O abade dizia com olhar furioso, exalando a fúria de um dragão fora de controle.






- Não façam mal a Isabella!! Ela está grávida!!! Não façam mal ao meu filho! Por favor!! – Comecei a gritar me debatendo, enquanto meus carrascos seguravam os meus braços, um de cada lado, impedindo me de reagir aquela agressão.






- Vai pegar com a sua carne!! Dê me o facão! – Disse o Abade olhando um dos cardeais.






- Não!! Não!!! – Tentei lutar com eles, mas eram mais fortes e não conseguia me soltar. O meu desespero era tão grande, que tive medo de morrer e deixar Isabella nas mãos dos meus carrascos. Já não me importava mais comigo... apenas com ela, que continuava a gritar desesperadamente.






- Não!! Não!! Não o machuquem seus animais! – Uma mulher bateu em seu rosto quando disse isso e depois se virou para mim. Vi que era a serviçal Rosalie com os olhos cheios de maldade e um sorriso malicioso.






- Seus pecadores! Eu os vi fornicando e agora vão pagar por isso! Matem os dois! Matem os fornicadores!! - Gritava de forma exasperada.


- Não! Não!! Cale-se sua cobra peçonhenta! – Gritava Isabella, sendo jogada de um lado para o outro pelas mulheres no local.






- Vamos matar essa Jezebeu!!! Ela está trazendo Sodoma e Gomorra para o nosso vilarejo. Seremos castigados por causa das suas formicações. Acabem com ela! – Uma velha senhora gritava.






- Não toque nela, sua maldita!! Não toque nela!!! – Continue a me debater e vi um sorriso malicioso nos olhos do Abade.






- Vocês morrerão juntos! Serão castigados pelos seus crimes, excomungados e depois vão para a fogueira... Você era brilhante Edward Cullen! Era brilhante e caiu no veneno dessa pecadora... Ela é a encarnação do pecado e essa criança o anti-Cristo. Nenhum de vocês viverá! Nenhum! – Pegou um facão nas nãos do Cardeal Swan e o levou até a minha sexualidade.






-NÃO!






-NÃO! – Isabella e eu gritamos juntos.

domingo, 14 de novembro de 2010

Capitulo 5 – A escolha








Estava atordoado e não conseguia colocar os pensamentos em ordem. Vivia um terrível conflito interno, deixando-me em dúvida entre o santo e o profano. Sofria pela saudade de Isabella, mas sabia que nossa proximidade poderia prejudicar ainda mais a situação. Mas naquele momento, em que recebi a sua mensagem, as coisas estavam cada vez mais confusas e eu me ressentia pelo mal que lhe causara.







Queria voltar atrás, mas não tinha como remediar o mal feito. E minha certeza me dizia que precisava fazer algo a respeito. Mas que independente de minha decisão, saiba que nossas vidas estariam completamente e irremediavelmente fora do rumo.







Andei pelo quarto soturno, vendo as estranhas formas geradas pelas labaredas do fogo das velas. Vi monstros se formando ao meu redor. Estava sufocado e fazia conjecturas sobre quais ações deveria tomar.







Depois de algum tempo resolvi escrever uma mensagem para Isabella e marcar um encontro para falarem sobre o assunto. Sentei-me na cadeira, peguei uma pena e comecei a escrever no papiro.







Lady Swan







Preciso lhe falar o mais rápido possível.



Encontre-me no córrego fora da cidade amanhã bem cedo.







Mestre Cullen







Sai de meu aposento e caminhei até a saída da hospedaria. Corri o mais rápido possível até a antiga estalagem e fui até o quarto em que os meus discípulos ficavam. Chamei Jacob para conversarmos e saímos caminhando juntos pelo vilarejo na calada da noite.







- O que aconteceu, Mestre Cullen¿ Por que tenho a impressão que estás tão consternado¿ - Jacob me perguntou, fitando os meus olhos enquanto balançava a cabeça, mexia as minhas mãos de forma nervosa, não sabia como introduzir a conversar. Contudo, apesar do medo que sentia, sabia que ele era o único capaz de me ajudar naquele momento. E que não havia ninguém mais confiável do que Jacob para aquela tarefa. Encarei-lhe atentamente, ainda tomando coragem para lhe pedir o favor, e introduzi a conversa.







- Jacob, meu amigo, pode lhe parecer estranho, mas és o único que pode me ajudar nesse momento. – Disse para ele, vendo a confusão em sua face. Ele assentiu com a cabeça e ficou calado. – Preciso que leve uma mensagem para Lady Swan.







- O que se passa entre Isabella e você, mestre¿ - Perguntou depois de instantes me encarando.







- Só posso dizer que estamos com um problema e precisamos falar. – Respondi, ainda tentando disfarçar a minha angústia, tentando não olhar em seus olhos para não me denunciar naquele momento.







- Mestre, eu vi a forma como se olharam no natal. Vi o jeito que ficou nervoso ao seu lado. – Disse aparentando constrangimento diante das suas palavras.







- Jacob, há coisas que não posso falar. Mas pelo bem de Isabella, preciso que me ajude a marcar um encontro. Preciso falar com ela e só você pode me ajudar. – Disse para ele e fiquei esperando a sua resposta. Ficou pensativo por uns instantes e depois assentiu com a cabeça, sem dizer palavra alguma, estendeu a mão e lhe dei o papiro com o recado.







- Espero que saiba o que está fazendo. – Respondeu e saiu caminhando na calada da noite. Fiquei parado uns instantes e depois voltei para a hospedaria, caminhando lentamente pelas ruas do vilarejo.







Fui aos meus aposentos, caminhei até a cama e deitei. Fiquei olhando para o teto, enquanto pensava em tudo o que havia acontecido, no filho que estava a caminho e como faria para evitar o escândalo que estragaria a reputação e a vida de Bella.







O tempo passou, o dia começou a raiar e via pelas frestas da janela os primeiros indícios dos raios de sol, anunciando que um novo dia começava e eu teria que decidir o que faria da minha vida.







Sentei na cama, coloquei os cotovelos sobre as pernas, abaixei a cabeça e comecei a lembrar de todos os nossos momentos, dando-me conta do quando a amava. E apesar da minha consciência pesada, dos votos com Senhor rompidos, sabia que a amava e que não poderia abandoná-la naquele momento.







Caminhei até a casa de banho, peguei o gomil e comecei a lavar o rosto com a água fria. Arrumei os cabelos e depois sai apressadamente, sem mesmo esperar que arrumassem a mesa para o desjejum.







Sai apressadamente e fui ao local marcado com Bella, pensando no que me falaria e em seu desespero. Corri o mais rápido que pude pelas ruas do vilarejo, sentindo o vento frio ferir o meu rosto e quando cheguei ao córrego, estava amarrando as rédeas do cavalo em uma árvore. Usava um lindo vestido verde, os cabelos soltos alvoroçados pelo vento, sua silueta franzina e delicada se movia com graciosidade.







Escutou o barulho de minha chegada e se virou sorrindo para mim.







- Edward! – Correu em minha direção e me abraçou forte, aconchegando o delicado corpo em meu peito. Senti meu corpo estremecer ao seu contato e o desejo tomar conta de mim novamente. Quis chorar de emoção ao vê-la tão graciosa em meus braços, tão dependente de mim e da minha decisão. Era tão difícil escolher o certo, porque mesmo vivendo um drama de consciência, sabia que amava e a queria perto de mim. A idéia de ter um filho era algo tão fora do normal, mas ao mesmo tempo me emocionava.







- Bella, o que faremos¿ – Sussurrei em seu ouvido e ela estremeceu em meu peito. – Eu não queria estragar a sua vida. Não podia fazer isso com você e arruinar tudo.







- Edward, preciso de você. Não pode nos abandonar... não pode. – Disse chorando e senti um aperto profundo em meu coração.







- Bella, quando descobrirem que está grávida, será apontada em praça pública, nosso filho seria enviado para um convento e você provavelmente terminaria os dias como serviçal na casa de algum Lord rico. OH Deus! O que eu fiz com a sua vida, Bella¿ O que eu fiz¿ - Sentia uma culpa tão grande, o meu tormento só aumentava e a dúvida ainda me corroia. E sabia que a única alternativa para nós, seria fugir para longe e tentar começar uma nova vida. Mas era um Mestre conhecido e certamente não passaria despercebido. Seria um escândalo e não poderia mais dar aulas. Teria muita sorte se conseguisse um emprego para sustentar a minha família. Todos aqueles pensamentos me torturavam e me deixavam com ainda mais culpa.







- Edward, meu tio é capaz de me matar quando descobrir. E a serviçal está me chantageando. Não sei mais o que fazer. Preciso fugir... fugir... pelo meu filho. Não pode me abandonar. – Ela ergueu os olhos e me olhou chorando muito. Seus olhos verdes, que outrora me traziam uma sensação de volúpia, deixaram-me completamente entorpecido naquele momento. Tentava sentir arrependimento, mas não conseguia... não conseguia... eu a amava e precisava cuidar dela e do nosso filho.







- Bella, vá para casa e pegue as suas coisas. Fugiremos amanhã ao amanhecer. Juntarei todo o dinheiro que arrecadei e iremos para a casa de minha irmã. Lá conseguiremos ficar incógnitos e ter o nosso filho em paz... Eu não a abandonarei... não mesmo. – O nosso abraço foi tão apertado e podia sentir a sua respiração apertada me corroendo. Sabia que sentia medo de eu voltar atrás. Eu mesmo, devo confessar, sentia medo de não seguir a diante com o plano.







Ela ergueu a cabeça, seus lábios procuraram os meus e o tocaram de forma gentil. Começamos um beijo doce e sem urgência. Senti toda a sua fragilidade e o remorso por fazê-la passar por aquilo me corroeu.







- Bella, eu amo você. – Sussurrei entre muitos beijos.







- Também amo você, Edward. – Respondeu, sorriu e ficou me encarando com olhar melancólico.







- Agora vá! Disse que a serviçal está te chantageando e não pode deixá-la perceber o nosso plano. Acorde bem cedo, pegue só o necessário e me encontre nesse mesmo lugar ao raiar do dia. – Beijei a sua testa e ela sorriu docemente, com os finos lábios rosados emoldurados como se fossem uma pintura em uma moldura. Passei os dedos gentilmente sobre eles e a levei de volta ao cavalo, ajudando a montar. – Eu te amo, Bella.







- Eu também te amo, Edward. – Ela colocou o capuz sobre a cabeça e partiu. Fiquei a beira do córrego por um tempo e depois voltei a hospedaria. Comecei a arrumar as minhas coisas para partida. Contei as moedas de ouro que estavam guardadas no saco e deixei tudo preparado.







Sai para a catedral para dar a minha última aula antes de partir. Já sentia saudade daquela vida e dos meus discípulos. Caminhava pensativo, quando fui abordado por Paul e Jared.







- Mestre Cullen! – Disseram em tom nervoso, enquanto me observavam com curiosidade.







- Aconteceu algo¿ Por que estão tão sobressaltados¿ - Perguntei estranhando a situação.







- Todos estão comentando que... – Jared hesitou e olhou para Paul. Senti um nervoso me consumir e medo do que viria em sua resposta. Mas algo me dizia que as coisas haviam saído do controle e haviam descoberto o nosso romance.







- O quê¿ - Perguntei arqueando a sobrancelha e eles continuavam a me encarar.







- O cardeal Swan foi até o abade e fez uma queixa... – Paul respondeu a pergunta, evitando me encarar e senti meu estômago se revirar.







- Que tipo de queixa¿ - Fingi não entender o que diziam, mas no fundo sabia que ele havia descoberto tudo e que Bella estava em perigo. Um medo começou a me consumir e a única vontade que tive, foi de correr ao seu encontro e tentar salvá-la.







- Disse que o Mestre engravidou a sua sobrinha. Está uma grande confusão na catedral e todos o esperam. – Jared disse em tom baixo e depois me olhou nos olhos. – Não é verdade¿ É¿ - Não tive nenhum tipo de reação por instantes. Depois comecei a correr, sentindo o desespero me consumir, fui até a catedral e lá estavam os meus acusadores.







Todos gritavam e me apontavam o dedo. Vi o cardeal Swan com os olhos acusadores, devorando-me com um ódio que nunca havia presenciado. Os discípulos gritavam palavras de apoio e os cardeais de ofensas.







Caminhei até o abade e pedi para lhe falar a sós.







- Podemos falar em particular¿ - Perguntei encarando os seus olhos inquisitivos, que pareciam conjecturar sobre toda aquela situação. Ele assentiu com a cabeça, levantou de sua cadeira e saímos juntos, ouvindo os gritos de protestos dos cardeais e padres presentes no recinto.







Antes de sair, vi que meus discípulos foram postos para fora aos gritos. Havia uma multidão gritando palavras de apoio e ofensa em frente a catedral. Andava com o Abade em silêncio, enquanto sons de todos os lugares me afligiam. Pensei em Bella e uma estranha sensação de frio percorreu a minha espinha. Sabendo que aquela gente seria até mesmo capaz de apedrejá-la.







- O que disseram é verdade¿ - O abade perguntou me encarando assim que adentramos a sua sala.







- E o que disseram¿ Do que sou acusado¿ Disseram que Lady Swan está grávida¿ - Perguntei e o vi juntar as duas mãos ao se sentar em sua cadeira. Ele ficou me encarando em silêncio por um tempo e depois respondeu.







- Então é verdade! – Afirmou desgostoso. – Pedi a Deus que tudo isso fosse mentira. Mas pela sua forma de falar e olhar, vejo que você não só cometeu o pecado da carne, quebrando os votos com Deus, mas também arruinou com a vida daquela moça. O que pretende fazer¿ - Começou a bater os dedos sobre a mesa, de forma inquieta, enquanto me encarava.







- Casar com ela. – Respondi seguro de minha decisão e ele gargalhou.







- Julgas que o cardeal Swan permitirá isso¿ Ela é propriedade dele e do jeito que está furioso, nunca permitirá que se case com ela. E o que vai fazer¿ - Continuou a bater os dedos sobre a mesa, balançava a cabeça e franzia o cenho.







- Fugir com ela... Se nós conseguirmos nos casar diante de Deus, ele não poderá fazer nada para nos afastar. Entende que é a única coisa que posso fazer agora¿ Não posso abandonar Bella e o nosso filho. – Respondi enquanto via a sua expressão desgostosa.







- Você adiou muito os seus votos. Sempre soube que tinha uma vocação nata para padre. Mas que era jovem demais para fazer os votos. Sabia que um dia aceitaria a sua vocação e cumpriria os desígnios de Deus. – Balançou a cabeça e continuou a falar de forma calma. –Contudo, a sua vocação não foi mais forte do que sua carne. E arruinou não só a sua vida, mas também a honra dessa moça. Espero que você consiga sair dessa situação. – Levantou-se e começou a caminhar para a porta. – De momento, só posso te dar duas alternativas e espero que pense bem antes de se decidir. Nem tudo está arruinado, você ainda pode fazer os votos, Lady Swan pode ir para o convento e seu filho será criado pelas freiras, dentro da palavra de Deus. A decisão é sua. – Abriu a porta e me apontou a saída. – Vá e pense na decisão que tomará. Espero que a tome com sabedoria. – Levantei da cadeira, assenti com a cabeça e caminhei até a porta.







- A decisão já está tomada! – Respondi e ele assentiu com a cabeça.







- Pois bem, agora estás por sua conta. Nada mais tenho haver com a sua vida. Espero que consiga convencer o cardeal a permitir o casamento. Agora vá! Preciso pensar!- Assenti e sai de sua sala, caminhando pelos corredores da catedral. Encontrei os cardeais e padres furiosos me apontando e gritando a ponto de me agredirem.







Continuei a andar de cabeça erguida e ouvi o grito do cardeal Swan.







- SEU MALDITO! VOCÊ PAGARÁ PELO QUE FEZ A MINHA SOBRINHA.







Dei as costas e sai da catedral, com a multidão gritando feroz, meus discípulos dizendo palavras de apoio. Fiz sinal com a cabeça e Jacob, Paul e Jared me seguiram.







- E agora, mestre¿ - Jacob me perguntou preocupado enquanto andávamos apressadamente pelo vilarejo.







- Preciso da ajuda de vocês para tirar Bella da casa do cardeal Swan. Preciso fazer isso antes que ele a mande para longe ou a mate. – Disse para eles.







- Soube pela cozinheira que Lady Isabella está presa no quarto. Seu tio está furioso e ela não pode se quer transitar pela casa. Como conseguiremos tirá-la de lá¿ - Paul perguntou.







- Você não consegue convencer a serviçal a abrir a porta¿ Precisamos que Bella saia daquele quarto, para que possamos levá-la para longe o mais rápido possível. – Disse para ele.







- E para aonde vão¿ Não pode fugir com ela... é propriedade dele. – Jacob disse para mim. Paramos os três e começamos a arquitetar o que fazer.







- Se o Mestre conseguir tirá-la de lá, precisa fugir o mais rápido possível. Mas o cardeal é bem capaz de pedir a ajuda da guarda real e ir pelas estradas será perigoso. – Paul afirmou.







- Acho que vocês podem ir pelo rio. Eu consigo um barco para descer o Rio e quando estiverem longe, poderão seguir a pé. Mas precisam se casar o mais rápido possível. Assim o tio perde os direitos sobre ela. - Jared disse.







- Nenhum padre casará os dois quando souber o que fizeram. – Jacob afirmou







- Eu conheço um padre... Emmett. – Disse para eles franzindo o cenho. – Ele é meu primo e o vilarejo onde mora fica a três dias daqui. Acho que se partimos hoje a noite, chegaremos a ele antes que o boato se espalhe. E ele nos casará. – Respondi a ele.







- Paul, a velha cozinheira é muito pobre e o cardeal avarento demais. Acho que se lhe der umas moedas de ouro, ela solta Bella e a ajuda a sair da casa. – Disse para ele.







- Tratarei disse, Mestre. – Respondeu.







- Eu vou atrás do barco. – Jared completou.







- Eu prepararei os mantimentos para comermos na viagem. – Jacob disse e ou o olhei espantado. Não sabia que ele iria conosco.







- Nós¿ - Perguntei arqueando a sobrancelha e ele assentiu com a cabeça. – Não pode largar tudo aqui, Jacob. – Disse severamente para ele, sabendo que a sua lealdade o faria abandonar tudo para me seguir.







- Mestre Edward, não sabe lutar e certamente os soldados do rei irão atrás de vocês. Estarei junto para impedir que o matem. – Respondeu decidido e eu neguei com a cabeça.







- Não! Não! Você tem a sua vida e um futuro brilhante pela frente, Jacob. – Afirmei para ele.







- Não quero me tornar padre. Isso sempre foi o desejo da minha família, mas não o meu, mestre. E sabe muito bem que não possuo vocação para castidade. Irei com vocês e farei a proteção de Lady Isabella até que se casem. Depois vejo o rumo que darei a minha vida. – Retrucou de forma decidida.







- Nós também iremos, Mestre! Quando mais gente melhor e não permitiremos que acabem com vocês sem lutar. Iremos juntos e nem adianta negar, porque já está decidido. – Paul disse e Jared confirmou.







- É isso mesmo! Agora vamos fazer o combinado e mais tarde, se tudo der certo nos encontraremos no rio para partir. – Jacob disse e cada um seguiu para um lado. Eu comecei a caminhar pensando em que faria das nossas vidas a partir daquele momento.













Nota Glau

E ai¿ O que acharam¿ Srá que eles conseguem fugir juntos¿ O que será que vão fazer¿ shauhsuas Só lendo o próximo cap.

Bjus no core



n/b: Quantas emoções!!!! Este capítulo final promete...

Será q Edward vai conseguir salvar Isabella e se casarem??? Será q o cardeal Swan vai obter sua vingança??? E o q acontecerá se eles conseguirem viajar???...

São tantas as perguntas... Glau agora vc precisa postar logo antes q nós fiquemos sem unhas de tanta ansiedade. Meninas muitos reviews e recomendações para estimular a nossa querida autora, please.

Bjkasss, Eli

PS: Padre Emmett??? Kkkkk, não consigo imaginar o Emmett padre... não mesmo, kkkk

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Capítulo 4 – Culpa

Corri para os meus aposentos, cai de joelhos em frente a cama e comecei a rezar, pedindo perdão ao meu Senhor pelo meu desvio de conduta. Sentia-me muito culpado, apesar do sentimento em meu coração dizer que eu ainda a queria.


Pai, perdoe por que pequei!
Por ter deixado me levar pelos desejos da minha carne.
Não fui digno de Ti e me arrependo disso.
Sinto o peso da culpa em meu coração por ter desonrado a Ti e a doce donzela.
Agora, no meio dessa confusão que está minha mente, ó PAI, não sei o que fazer.
Ajude a andar no caminho da luz e me dê forças para lutar contra as trevas que querem me sugar.
Mostre o caminho que Tu queres que eu ande, oh Senhor!
Sinto-me debilitado e preciso da Sua orientação.
Por favor, não abandones esse filho pecador.

- Mestre Edward! – Ouço ao ficar de pé.

- Sim! Pode entrar. – Respondi sentindo a tensão me conduzir. Virei-me e vi o cardeal Swan me fitando. Tive medo que soubesse o que havia feito. Mas tentei controlar o meu nervosismo naquele momento.

- Preciso viajar por uma semana ou mais. Tenho que ir até o Porto buscar umas peças vindas da Terra Santa. E temo que minha sobrinha fique desprotegida nessa casa, apenas com os poucos serviçais que nos servem. Sei que o Mestre tem muitas obrigações na catedral, mas se concordar com o meu pedido, irei pessoalmente falar com o abade e pedir que o libere das aulas esses dias. – Disse me fitando.

-Eu nem sei o que dizer, cardeal. Tens tanta confiança em mim, a ponto de me deixar aqui sozinho com sua sobrinha. Não se importa com que podem falar¿ - Perguntei arqueando a sobrancelha para ele.

- O Mestre é quase um padre e todos sabemos de sua castidade. Ninguém ousará levantar falso contra ti e minha sobrinha. Só peço que não a deixe só nessa casa. Não confio em mais ninguém para essa tarefa. – Diz com toda segurança me encarando e fico ainda mais culpado, sabendo o meu crime, mas assenti com a cabeça e ele sorriu.

- Bem, se concordas comigo, falarei com Bella e depois irei pessoalmente ao seu superior. Devo ficar uma semana no máximo fora e não há pessoa melhor para cuidar do que é meu. – Ele me dá as costas, sai do quarto e imediatamente caio de joelhos, com medo do que poderia acontecer em sua ausência. Sabia que seria demais para eu suportar tamanha tentação. E mesmo com a grande fé, tinha medo de sucumbir aos desejos de minha carne.

Ouço duas batidas na porta e a vejo se abrir.

- Edward! – Ela me chama com expressão de dor em sua face. Vejo o sofrimento que lhe causei e a culpa volta a me corroer como espada cortando a carne.

- Lady Isabella, o que desejas¿ - Pergunto franzindo o cenho e vejo a dor em sua face, com a frieza de minhas palavras.

- Por que me tratas assim¿ Por que me renega depois do que aconteceu entre nós¿ Eu o amo e sei que me amas também. Não rejeites o nosso amor, Edward. Por favor! Não seja cruel conosco! – Caminhou em minha direção, pegou a minha mão e a beijou com doçura. Olhei no fundo de seus olhos de esmeraldas e vi solidão e carência, misturada com a dor da rejeição. Senti pena dela e de mim mesmo, mas sabia que precisava ser duro para o nosso próprio bem.

- Isabella, não faça assim conosco. Já não basta o que nos aconteceu ontem¿ Por favor! – Pedi com o coração doendo por renegar o amor que tanto queria.

- Não, Edward! Você me ama tanto quanto eu te amo. E não deixarei que renegue o nosso amor. Sei que tens a sua fé, mas Deus fez os homens para se amarem e para procriação. Amar não é pecado aos olhos do nosso criador e não posso aceitar essa atitude. – Ela me abraçou e apertou seu corpo fortemente contra o meu. Senti o calor de seu corpo e logo a lúxuria estava tentando me dominar. A minha sexualidade latejando por ela. O meu coração batia muito rápido, quando de repente ouvimos um barulho próximo a porta e ela se afastou bruscamente de mim antes que se abrisse.

- Seu tio a chama, Lady Isabella. – Disse a serviçal nos olhando de forma estranha. Tive medo que soubesse o nosso segredo e fiquei tenso com aquela situação.

- Já descerei! – Disse e continuou me encarando. – Falarei com o meu tio sobre a sua viagem e volto para a nossa aula, Mestre Edward. – Completou e saiu seguindo a empregada.

Fiquei em meu aposento pensando no que fazer e em como conduzir aquela situação, que se complicaria ainda mais com aquela viagem do Cardeal Swan.

Depois de algum tempo sozinho, Isabella voltou e contou sobre a conversa com o seu tio. Ajoelhando-se diante de mim, pegou a minha mão e beijou docemente enquanto contava os detalhes da viagem. E pelo que havia entendido, ele partiria logo depois do ano novo e assim ficaríamos muitos dias sozinhos na casa e a minha situação, que já era delicada, ficaria ainda mais insustentável.

Fomos para sala e fingimos repassar alguns assuntos do velho testamento, enquanto o seu tio, tentando em frente a lareira, olhava as suas “relíquias” sagradas.
Isabella me olhava com desejo e muitas vezes tocava a minha mão se insinuando para mim. Sentia-me tenso e temeroso pela sua ousadia de me tocar com seu tio no mesmo ambiente. Mas ela parecia segura de si e me mostrava com seus olhares e toque que continuava me querendo ainda mais.

No final daquele dia, já cansado de admirar as suas relíquias, o cardeal Swan se recolheu e ficamos sozinhos na sala. Então sentamos diante da lareira e ela me abraçou, sussurrando que me amava e me queria.

- Eu te amo, Edward! Não existe pecado em nosso amor... Não existe!

- Bella, isso é muito perigoso para nós. Podemos ser enforcados por fornicação. Podem nos condenar por estarmos dominados pelo demônio. Será que não entende isso¿ Não entende que eu preciso te proteger¿ - Sussurrei em seu ouvido.

- A única coisa que quero entender, é que te amo e preciso se você ao meu lado, Edward. Não posso concordar com você, quando diz que o nosso amor é pecado. Não aceito isso! Nunca aceitarei! – Passou a mão em meu peito e olhou no fundo dos meus olhos. – Quero te amar novamente... preciso te amar. – Disse e nós nos levantamos, caminhamos até o meu quarto, entramos e tranquei a porta. Tirei a minha túnica, depois comecei a tirar o seu vestido lentamente, deixando-a nua diante de mim. Beijei o seu pescoço, descendo os lábios até o seu colo. Passei a mão sobre o seu pequeno seio e acariciei gentilmente. Desci meus lábios e suguei os seus mamilos com vontade. Senti a minha sexualidade latejando e implorando por sentir o seu corpo. Peguei-a no colo, levei para cama e comecei a beijar a sua barriga.

Seu corpo lindo, delicado, branquinho como a neve, com os pequenos mamilos rosados me chamavam. Subi meus lábios e comecei a distribuir os beijos sobre o contorno dos seios. Chupei novamente o mamilo, senti as suas mãos cravando as unhas em minhas costas, acariciei os seus cabelos, subi meus lábios distribuindo beijos e tomei seus lábios, movendo-os gentilmente sobre a fina pétala de flor, que se movia docemente dando passagem a minha língua.

Meu corpo estremeceu aos sentir os movimentos suaves de nossas línguas. Acariciei a sua cintura e desci a mão ate a sua sexualidade. Senti sua nata molhada, mostrando que estava preparada para mim. Interrompi os beijos e olhei em seus olhos de esmeraldas. Ela sorriu para mim e sussurrou que me amava.

- Eu te amo,Edward! Te amo!

- Eu também te amo, Bella... te amo do fundo da minha alma.

Desci meus lábios e comecei a distribuir beijos pelo seu torso, chegando até a sua virilha. Depois o levei até a sua sexualidade e senti o agridoce de sua nata. Passei a língua em seu sexo, fazendo leves movimentos enquanto ela gemia baixinho o meu nome. Comecei a beijar em sua perna e fui descendo até chegar ao seu lindo tornozelo. Olhei em seus olhos e vi a excitação em chamando. Abri a suas pernas e me encaixei entre elas, sentindo o latejar de minha sexualidade. Encaixei me em sua entrada e comecei a penetrar o seu corpo, sentindo os deliciosos movimentos de nossos corpos ardentes, que se moviam como se estivessem em uma linda dança.

Eu entrava e saia do seu corpo, ouvindo os gemidos abafados do meu nome. Voltei a sugar os seus seios, enquanto sentia o meu corpo completo com os nossos movimentos. Era como se fossemos apenas uma só pessoa naquele momento.

Sentia-me no auge do meu prazer e no ápice do meu gozo. Entre beijos e gemidos abafados, chegamos juntos ao nosso clímax e meu corpo caiu sobre o seu deitando a cabeça em seu colo. Senti suas mãos acariciarem os meus cabelos suavemente.

- Ainda acreditas que nosso amor é pecado¿ Que o Nosso Senhor vai nos castigar por esse amor tão grande¿ - Sussurra em meu ouvido.

- Sei que estamos pecando, Bella. O que estamos fazendo chama-se formicação e podemos até ser enforcados por isso, Milady.- Disse acariciando o seu seio que mais parecia um pequeno botão de rosa.

- O que estamos fazendo é amor, Edward... somente amor. – Sussurrou.Deitei de costas para cama, puxei o seu corpo e a deixei dormindo em meus braços, enquanto pensava nas conseqüências de nossos atos. Sabia que ela poderia ser apedrejada ou mesmo ir para a forca. O meu castigo, era o que menos me incomodava naquele momento. Pois a minha prioridade era a sua segurança e tinha medo do que pudesse lhe acontecer

Os dias passaram rapidamente e logo chegaram às celebrações do ano novo. E eu sabia que em poucas horas o cardeal Swan estaria partindo, deixando-me sozinho com Bella. Fazendo o meu medo crescer ainda mais, por saber que ficaríamos sozinhos durante dias e que não resistiria aquela tentação me chamando.

Como era previsto, logo após a passagem do ano, o cardeal viajou e ficamos sozinhos na casa para o meu mais total desespero.

Os serviçais só nos incomodavam nos momentos das refeições e tínhamos a casa inteira a nosso dispor. Assim nos amamos muito e eu vivia com o peso do pecado em minha consciência, sem saber o que fazer para reverter aquela situação. Já não conseguia mais me confessar, por medo de revelar o meu grande pecado e por a perder a honra de Bella. Sentia mais medo por ela do que por mim e precisava encontrar uma forma de reverter aquela situação.

Depois de três semanas, o cardeal Swan voltou de viagem e me vi em uma encruzilhada, sem saber o que fazer a partir daquele momento. E decidi que partiria de sua casa, como única alternativa para fugir daquela situação que só piorava com o tempo, que me lembrava no gosto agridoce de sua sexualidade.

- Cardeal Swan, agradeço a sua hospitalidade, mas acho que já abusei demais. Ficarei em casa de amigos por um tempo e logo encontrei uma casa só minha. Espero que tenha sido útil na educação de sua sobrinha. – Disse para ele um dia após a sua volta.

- Mas não precisa partir, Mestre Cullen! Sabe que é bem vindo a minha casa. – Disse consternando com o meu anúncio. Vi Bella me olhando da porta, com os olhos cheios de lágrimas e senti uma dor imensa apertando o meu corpo. Quis tomá-la em meus braços, mas sabia que era para o seu próprio bem. Tinha que fugir dela e evitar uma situação ruim para nós dois. Por isso a partida se tornou necessária naquele momento.

- Eu sei, cardeal. Mas temo que as pessoas possam falar maledicências. Afinal o tens uma sobrinha linda e solteira sob sua responsabilidade. E precisa encontrar-lhe um marido. Não quero que minha presença nessa casa possa prejudicar a sua reputação.

– Disse olhando para ela que nos observava.

- Entendo! Mas afirmo que pode continuar nessa casa. Não vejo problema na sua presença. – Diz para mim. – Fique a vontade.

- Devo partir ainda amanhã. – Afirmei e caminhei para a porta, olhei nos olhos dela e depois fui para os meus aposentos. Depois e algum tempo, ela entrou no quarto e me abraçou por trás, implorando que não partisse.

- Por favor, Edward! Não! Não me abandone! Não me deixe! Preciso tanto de você! – Diz chorando,desesperada, frágil como nunca havia visto antes. Eu a tomei em meus braços, abracei forte, beijei a sua cabeça de olhos fechados enquanto sentia seu doce cheiro.

- É para o seu bem, amor... é para o seu bem...

- Não... não... não... – Choramingava em meus braços.
Afastei a de mim e sai do aposento, deixando-a sozinha e fui para cocheira, peguei um cavalo e cavalguei até uma capela no vilarejo vizinho.

Fui até o confessionário e comecei a confessar.

- Padre, eu pequei. – Disse para ele.

- E qual o seu pecado, filho¿ - Pergunta com a voz baixa, quase que um sussurro.

- Fornicação, padre... eu cedi aos pecados da carne. – Disse consternado.

- Você se arrepende do pecado de coração¿ - Perguntou.

- Eu a amo, padre. – Respondo desviando da pergunta.

- Não foi isso que eu perguntei, filho. – Ele diz de forma austera. – Você se arrepende de fornicar¿ - Repete a pergunta.

- Não, padre... eu a amo! – Respondo sentindo o peso do pecado em minhas costas.

- Se não se arrepende, filho, não posso lhe absolver. Vai e penses no seu pecado, converse com o Senhor e depois de se arrepender poderá vir se confessar novamente. – Disse, eu me levantei e sai da capela consternado.

Voltei para a casa do cardeal Swan, comecei a arrumar os meus pertences e depois desci para jantar com Bella e o cardeal.

Jantamos em silêncio e via os olhos tristes de Bella, denotando todo o seu sofrimento. Quis arrancar-lhe a sua dor e me senti um monstro pelo que estava fazendo por ela. Mas sabia que só existiria uma chance para nós dois se nos mantivéssemos afastados. Do contrário, até poderíamos morrer pelos nossos atos.

Terminamos o jantar e segui para os meus aposentos. Tranquei a porta para evitar que entrasse. Ajoelhei diante da cama e orei ao Senhor que em mostrasse o caminho correto. Depois me deitei e tentei dormir, rolando por um bom tempo sobre a cama enquanto relembrava os nossos momentos íntimos de prazer.

Na manha seguinte, peguei os meus pertences, desci até a cozinha e fiz um rápido desjejum e depois fui até o cardeal Swan e me despedi dele antes que Bella acordasse. Sentia medo que ela me visse antes de ir embora e chorasse com a minha partida.

Fui para uma hospedaria em um vilarejo vizinho e me acomodei, sentindo a falta de Bella doendo em todo o meu corpo. Deitei na cama e fiquei relembrando os nossos momentos.

O tempo passou rapidamente e sai da hospedaria, afinal ainda tinha aulas na catedral e precisava que as coisas aparentassem os mais normais possíveis.

Fui para a catedral, ministrei as minhas aulas sem a menor empolgação e quando sai para voltar a hospedaria, Jacob veio até mim e me deu uma carta de Bella.

- Mestre Edward, Swan lhe enviou essa carta. – Entregou-me o papel dobrado e depois saiu me deixando sozinho.
Caminhei até a hospedaria, entrei no meu aposento, tranquei a porta e me sentei na cama.

Depois abri o papel e comecei a ler a mensagem de Bella.

Edward, meu amor
Sei que acreditas em sua fé e que o que está fazendo é para o meu bem.
Mas agora não se trata apenas de nós dois.
Acordei passando muito mal e a cozinheira da casa veio me ajudar.
Depois de uma longa conversa, ela me disse que carrego um filho em meu ventre.
Não sei o que fazer, amor.
Sei que essa situação é delicada, mas não posso ficar na casa do meu tio.
Sabes bem que ele me mataria se descobrisse o meu crime. E pior do que isso, mandaria o nosso filho para as freiras criarem.
Por favor, meu amor, não me desampares nesse momento.
Preciso de ti!!!
Com amor, Isabella.

Naquele momento, o mundo estava desmoronando sobre as nossas cabeças e não sabia o que fazer com aquela situação. E a única certeza que tinha, era que amava Bella e precisava encontrar uma forma de salvá-la e também ao nosso filho. Meus olhos encheram de lágrimas e meu coração começou bater muito rápido. Cai de joelhos no chão e comecei a orar ao meu Senhor que me mostrasse o caminho e não me abandonasse naquele momento.