sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Capítulo 3 – Emoções


Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você



Nossos lábios se moviam de forma lenta, suave e cheia de carinho. Sentia o leve toque de suas mãos subindo pelas minhas costas. A outras mexia em meus cabelos, prendendo a minha cabeça com mãos firmes. Sua língua fazia movimentos circulares junto com a minha. Meu corpo foi tomado por um sentimento que nunca havia provado, enquanto pouco a pouco eu descobria o verdadeiro significado do amor nos braços de Jacob.



Ele gemeu gostoso em minha boca, depois afastou deus lábios, colou sua testa sobre a minha e ficamos respirando de forma irregular, enquanto vários tremores percorriam a minha pele. Suas mãos foram até o meu rosto, segurando o de forma delicada. Abri os olhos e vi aqueles olhos negros tão penetrantes me encarando. Eles brilhavam tanto que pareciam pérolas negras sob a luz. Seus lábios estavam trêmulos e havia uma emoção diferente misturada em sua face enquanto me olhava.



- Desculpa... – Sussurrou e abaixou o olhar, como se tivesse medo de encarar o meu. As batidas do meu coração pareciam uma bateria de escola de samba. E por mais que quisesse ter me arrependido, sentia uma vontade tão grande de está em seus braços. Uma emoção tão forte foi me dominando a cada segundo em seus braços. Tinha a necessidade de ser protegida e ao mesmo tempo de protegê-lo. Vi através daqueles olhos que ele também se sentia estranho e que tinha remorso, desespero ou quem sabe medo. Recostei a minha cabeça em seu peito e o abracei. Ficamos calados por um tempo, até que finalmente tivesse condições de falar algo razoável.



- Não se desculpe, Jacob... –Sussurrei em seu peito, passando a mão carinhosamente sobre ele. Então pegou a minha mão e levou até sua face. Estremeci com o beijo carinhoso em minha palma. Levantei a cabeça e fiquei vendo como a passava em seu rosto, que estava de olhos fechados e com um discreto sorriso nos lábios. – A culpa foi minha... – Pisquei lentamente e vi que ele abriu os olhos e acompanhou cada movimento suave de meu rosto. Era como um filme em câmera lenta estivesse passando, como cada ação ocorrendo quadro a quadro. Assim acontecia conosco, desde o primeiro instante, do primeiro gesto até chegar ao primeiro beijo.



- Eu também quis... – Sussurrou distribuindo selinhos sobre a minha mão, enquanto seus olhos não desviavam um segundo dos meus. Podia acompanhar cada leve movimento das suas pálpebras, da sobrancelha, os olhos mexendo para acompanhar os meus movimentos como se estivesse hipnotizado... Acho que foi isso que nos aconteceu. Nós hipnotizamos e não conseguíamos desviar o olhar ou manter uma conversa razoavelmente sensata. Porque aquele sentimento nos consumia de forma tão intensa, que as palavras eram totalmente desnecessárias... Falávamos apenas com o olhar.



Algum tempo passou, não sei dizer o quanto, quando finamente ele saiu do transe e disse que já era tarde, e que precisava me levar para casa em segurança.



- Está tarde e preciso te levar para casa em segurança. – Afastou o seu corpo e imediatamente senti falta do seu calor. Era como se aquele calor fizesse parte de mim e no exato momento que se afastou, senti o frio da noite me afligir. Meu corpo se arrepiou, olhei para o céu e vi a linda lua cheia despontando no horizonte. Quando voltei o meu olhar novamente para ele, estava tirando a jaqueta... Foi a cena mais linda! – Está esfriando. – Disse com aquela voz rouca e sexy, que era quase um sussurro soando como canção para os meus ouvidos. Virou me de costas e colocou a jaqueta em mim lentamente. Depois deu a volta, ficando a minha frente, pegou a minha mão e entrelaçou os nossos dedos.



Caminhamos pela praia na linda noite estrelada. A brisa soprava em nossos cabelos e podia sentia o cheiro da maresia e ouvir as ondas quebrando na areia da praia.



Chegamos à beira da estrada, ele ficou a minha frente e me encarou novamente. Parecia constringindo com o que havia nos acontecido. O silêncio permaneceu por alguns segundos e não tinha condições para falar nada. Estava totalmente anestesiada com as estranhas sensações que o meu corpo havia acabado de conhecer. Finalmente quebrou o silêncio entre nós, dando me instruções para a viagem de moto.



- Já andou de moto, Ness¿ - Perguntou de cabeça baixa, tentando fugir do meu olhar. Percebi naquele momento que apesar de não está completamente arrependido, parecia muito culpado pelo que nos havia acontecido.



- Já! – Disse abaixando a cabeça e ele pegou a minha mão de forma gentil e fez um leve afago.



- Olha só, tentarei não correr muito. Mas se ficar com medo, pede que eu paro. Tudo bem¿ Tenta subir na moto e apoiar os pés aqui. Depois me segura bem forte e não solta. Pode fazer isso¿ - Ergueu a cabeça e eu assenti timidamente, já pensando que teria que agarrar aquele corpão de deus grego. Comecei a ficar com falta de ar só de imaginar. Depois minhas pernas começaram a tremer e tive medo de desmaiar de emoção. Só consegui assentir com a cabeça, completamente sem graça e envergonhada por me sentir atraída daquela maneira.



Ele colocou o capacete em minha cabeça, subiu na moto e depois apoiei o meu pé, segurei o seu ombro,fiz força e subi. Agarrei a sua cintura, apertando muito forte, recostei a cabeça em suas costas e o seu cheiro começou a me inebriar, invadindo a minha sanidade mais do que pensei que pudesse ser possível. Acelerou a moto aos poucos e quando percebi estávamos flutuando pelas estradas de La Push, cercada por uma vasta vegetação. O vento forte vinha contra nós e me deixava com uma sensação tão boa de liberdade. Minhas mãos agarraram o seu abdômen, pressionando forte e senti o corpo dele estremecer... Quase me perdi tocando aquele corpo tão perfeito.



Aquela foi uma viagem completamente surreal e parecia que estava em um filme de ação, correndo agarrada ao mocinho por estradas perigosas. E pela primeira vez em dois meses, consegui sorrir espontaneamente, sentindo uma sensação de conforto e felicidade invadir o meu corpo... Como me senti segura, mesmo sob uma moto em alta velocidade.



Em pouco tempo, a moto chegou a minha casa e foi desacelerando. Ele estacionou em frente a escada, imediatamente eu o soltei e ele desceu lentamente. Pegou a minha mão, encarando o meu olhar de forma misteriosa, ajudou me a descer, tirou o capacete, colocando sobre a moto, e ficamos frente a frente nos olhando, sem conseguir dizer absolutamente nada por segundos. Depois agradeceu a companhia e perguntou se podia falar mais sobre o seu irmão no dia seguinte.



- Obrigada pela companhia e por escutar o meu desabafo. – Disse com o tom triste e vi que o olhar de encantamento deu o lugar ao mesmo olhar triste que vi quando nos conhecemos. – Será que amanhã pode me falar mais sobre ele. Se tiver fotos ou recordações que possa me mostrar... – Mordeu os lábios e olhou para o outro lado, parecendo super sem graça com a situação. Meu coração batia acelerado novamente, com o seu cheiro roubando mais uma vez a minha lucidez. Quis sentir os seus lábios mais uma vez. Precisava desesperadamente provar o seu gosto novamente, sentir os toques carinhosos em meu corpo, os braços me envolvendo de forma protetora. Mas não conseguia dizer absolutamente nada... Estava travada e só assenti com a cabeça.



Jacob se aproximou novamente e lentamente foi levando o seu rosto até o meu, enquanto seus olhos me encaravam. Meu corpo começou a tremer, comecei a piscar e a mexer os lábios de forma nervosa, enquanto via o movimento sinuoso de sua cabeça aproximando o seu rosto do meu. Ele ficou a milímetros do meu rosto e pude sentir a sua respiração em minha boca. Seus lábios também tremia lentamente e quando estava prestes a beijar os meus, inclinou o rosto e beijou minha bochecha tão perto da minha boca, que quase desmaiei novamente de nervoso.



- Boa noite, Ness! – Disse afastando o rosto lentamente, ainda encarando o meu olhar como se desvendasse a minha alma.



Caminhou dois passos até a moto, colocou o capacete e a montou. Deu partida e ao invés de seguir em frente, circundou me com a moto encarando o meu rosto assustado e depois partiu.



Fiquei estática em frente a porta de casa. Havia me esquecido de respirar, de me mover ou falar. Não conseguia pensar em nada que fosse os lábios de Jacob se aproximando dos meus em câmera lenta. Um susto me despertou de súbito dos meus devaneios.



- Filha!



- MÃE! – Gritei pulando de onde estava.



- O que aconteceu, filha¿ Ele foi falar com você¿ Como está¿ Como se sente¿ Blablaalbla – Começou a falar tudo ao mesmo tempo e ao invés de prestar a atenção nas suas perguntas, a imagem do beijo veio a minha mente, levei a mão a boca e sorri. – FILHA! – Ela começou a me sacudir, pensando que estava em choque.



- O que foi, mãe¿ Eu estou bem... quero dormi! Só dormi! – Sai andando, deixando a para trás e passei por minha tia sem ao menos falar com ela. Estava completamente perdida em meus pensamentos e emoções.



Cheguei ao quarto não sei como e quando despertei das minhas alucinações, estava de camisola e deitada sobre a cama, com as duas me olhando de forma preocupada.



Virei de lado e acabei pegando em um sono pesado.



---xx ---



Acordei cedo, fui para o banheiro, tomei banho e fiz minha higiene matinal. Coloquei uma calça jeans e uma blusa preta. Peguei umas sapatilhas pretas e calcei. Penteei os cabelos, passei perfume e um pouco de batom nos lábios. E enquanto me arrumava, as imagens de Jacob e tudo o que ele me contou não saia da minha cabeça.



Fui até o meu closet e pequei a caixa que havia guardados os porta retratos, CDs, DVDs e livros que comprei ou ganhei de Seth.



Aquelas eram as únicas coisas materiais que haviam restado dele e levaria para Jacob ver. Assim teria a desculpa de está ao seu lado novamente.



Coloquei tudo em uma mochila, enquanto imaginava o seu rosto, a forma delicada de me tocar, os lábios se movimentando lentamente, os olhos negros me encarando o tempo inteiro. Um frio percorreu a minha barriga, revirando o meu estômago. Fechei os olhos e tentei me lembrar de cada detalhe do nosso beijo, com o dedo tocando os lábios de forma suave.



Sai correndo do quarto com a ansiedade me corroendo. Desci as escadas e encontrei minha mãe na sala.



- Filha, vamos tomar café¿ - Perguntou me analisando de forma estranha.



- Não, mãezinha! Tenho que ir ver o Jacob. – Disse correndo para a porta.



- Você vai se magoar mais uma vez! Ele não é o Seth, Ness! Não vai atrás desse rapaz!- Implorou.



- Mãe eu preciso ajudá-lo. – Respondi abrindo a porta.



- Não é só isso que vejo no seu olhar. Ontem você chegou completamente catatônica em casa. Acho que não percebemos como ficou mexida com ele¿ Ness...



- Não, mãe! Como alguma coisa lá! Beijos! – Lembrei que estava sem bicicleta e sem carro e voltei. – Mãe, pode me emprestar o seu carro¿ Por favor! – Juntei as duas mãos, como se estivesse rezando, e implorei para ela.



- Tudo bem! A chave está na cozinha! – Disse e corri para a cozinha, passando por ela como um furação, peguei a chave sobre o balcão e depois sai ainda mais rápido.



Fui até a garagem, abri a porta do carro, sentei, coloquei a chave na ignição e respirei fundo para tomar coragem e dirigir.



- Vamos lá, Ness! – Disse para mim mesma e dei partida.



Acelerei o máximo que poderia agüentar com aquele carro e dirigindo a 100km/h. Cheguei a casa de dona Sarah em quinze minutos.



Estacionei o carro na frente da casa, abri a porta e sai. Vi a moto estacionada logo a frente. Senti meu coração batendo forte novamente, como uma britadeira, meu corpo foi tomado por aquelas sensações esquisitas. O nervoso começou a me consumir enquanto caminhava lentamente até a casa. Percebi que a porta estava encostada e abri lentamente.



Tudo estava como há dois meses, mas havia um vazio estranho no ar. Um tom de tristeza que talvez fosse um reflexo do que meu coração sentia. Ou vi um pequeno barulho vindo do quarto de Seth e soube que era Jacob. Parei de súbito tentando controlar a respiração e o nervosismo. Passo a passo fui andando até ao quarto, abri a porta e vi mexendo no violão de Seth.



Quando me viu arregalou os olhos e foi tomado de susto. Ficou me olhando sem dizer nada, colocou o violão do lado, e depois fez um sinal com a mão para que sentasse ao seu lado. Dei um ligeiro sorriso e caminhei em sua direção. Sentei ao seu lado e ficamos nos olhando em silêncio. Finalmente consegui quebrar o gelo e dizer algo.



- Trouxe algumas coisas para você ver. – Disse baixinho e abri a mochila com os olhos nela. Percebi de relance que seus olhos não saiam de minhas mãos e a vi se movendo na direção dela. Senti o seu toque suave nas costas de minha palma e feche os olhos por um reflexo. Ele fez um breve carinho com os dedos e finalmente conseguiu dizer algo.



- Você já comeu algo¿ - Perguntou e neguei com a cabeça. – Quer tomar café comigo¿ Comprei algumas frutas... De repente gosta. – Pouco a pouco fui virando o meu rosto e vi que me observava com aquele mesmo olhar, enquanto eu parecia a Kristen fazendo a cara de amora azeda da Bella no Crepúsculo. Era a coisa mais bizarra, mas não tinha domínio sobre as minhas ações e acho que aquilo o assustava. – O gato comeu a sua língua¿ - Deu um ligeiro sorriso e eu neguei com a cabeça, sentindo as lágrimas se formarem em meus olhos por aquela reação tão estúpida. Mas era compreensível com a dor que sentia pela morte do meu namorado e o estranho “envolvimento” com o irmão gêmeo que eu nem sabia existir. Estava me achando a mais completa idiota das criaturas, quando ele se aproximou de mim lentamente, colou os nossos corpos e colocou a minha cabeça em seu peito. Depois começou a secar as minhas lágrimas com a ponta dos dedos. Passou as mãos em meus cabeços e começou com leves carícias, fazendo me chorar ainda mais naquele momento. Então o abracei tão forte e deixei toda a dor sair de dentro de mim. A culpa que sentia pelo acidente e os sentimentos que estava descobrindo por ele, que tanto me atordoavam. Tudo foi saindo lentamente através do choro compulsivo e das caricias que Jacob me fazia
CAPÍTULO 13

By Mica Black



Jacob estava sozinho no escritório. Era o seu lugar preferido para refletir sobre a vida e tomar decisões.



Olhava através da janela, contemplando o panorama de sua propriedade.



Um orgulho imenso inchou seu peito. Essas eram as terras do seu pai. Suas terras. As terras que algum dia seria as terras de seu filho, pois de algum jeito Jacob sabia que esse menino seria seu filho. Sua mente estava em tumulto.



Ele havia casado com uma Cullen... Jesus! Seu pai morto jamais o perdoaria por isso? Mas, se não se casasse, seu próprio filho o perdoaria?



Jacob fechou os olhos. Tudo o que pôde ver foi ela... Renesmee. Sua esposa, Renesmee, com os cabelos negros e seus olhos verdes como a grama, miúda e delicada, belamente arredondada agora que carregava seu filho.



Um sorriso se desenhou em seus lábios. Ela pensava que era mansa, mas, na verdade, Jacob nunca tinha conhecido uma mulher com muita coragem. Nessie nunca capitulava. Ela tinha lutado contra ele a cada passagem do caminho. Não tinha sido tarefa fácil conseguisse tê-la em seus braços e em sua cama. De fato, seu desejo por ela só aumentou. Não importava quantas vezes ele a possuísse, pois nunca era suficiente. Nunca seria suficiente. Afinal, o que ele sentia por ela era muito mais profundo que o desejo... Era amor.



Sim, ele a tinha seqüestrado de sua família... Mas tinha perdido seu coração e sua alma nessa façanha. Sentia-se culpado por tê-la submetido a uma separação da sua família. Ele sabia que a mulher sofria com isso, porém não conseguiria reverter o fato.



Não podia negar que havia trazido Renesmee sem que ela soubesse da vingança contra a sua família. Seduziu-a e tinha plantado um filho nela. Que loucura, meu Deus! Mas não se arrependera, pois a amava completamente.



Ele iria ensinar ao seu filho tudo sobre seu clã. Mostraria que, mesmo ele carregando nas veias um sangue inimigo, ele sempre iria ser um Black legítimo!



Ao pensar nos Cullen, seu coração começou a sangrar ao perceber que o próprio irmão teve a coragem de renunciar a sua irmã. E esta era fruto de um amor entre os pais. Correndo nas veias, era o mesmo sangue! Jacob nunca teve coragem de mostrar a carta para Renesmee, mas sabia que um dia tinha que ser revelado.



Sem dotes da sua esposa, ele iria ter que lucrar com outros meios. Com a reconstrução do vilarejo, o clã possuía uma renda baixa. Porém, com a oferta do rei para ele ajudar em uma exploração de terras na Escócia, - que levaria no mínimo três meses, - pelo menos ele voltaria com muitas moedas de ouro e terras que o rei prometera.



Entretanto, em três meses seu filho já estaria nascido. Como contar a Renesmee que ele iria se ausentar todo esse tempo sem mencionar o ocorrido com seu dote?



Os pensamentos de Jacob foram interrompidos pelas batidas ríspidas na porta.



_ Perdão, MiLorde, mas tem um cavaleiro no portão do Castelo dizendo que precisa falar com o Senhor! – Anunciou Sam.



_ Não me lembro de estar esperando visita. Sam, ele se apresentou? – Indagou Jacob com o cenho franzido.



_ Sim! Seu nome é Edward Cullen, seu cunhado.



Jacob grunhiu de raiva. Mas porque a família dela estava aqui sendo que renegaram Renesmee? Pensou consigo mesmo.



_ Quais são as ordens? Devo pedir para ir embora? – Indagou Sam curioso.



_ Não! Pelo o que a minha esposa me conta, Edward é o irmão mais calmo dos irmãos. Peça para ele entrar e o traga aqui no escritório. E nos deixe sozinhos, pois quero conversar com ele antes que Renesmee saiba que ele está aqui! – Indagou Jacob para Sam.



_ Desculpe a intromissão, mas vocês vão conversar à sós? Ele pode matar o senhor? – murmurou Sam prevendo um atrito entre ambos.



_ Por favor, Sam! Faça que eu ordenei! Não se preocupe, ele não irá matar o marido de sua irmã! – disse Jacob, tentando não preocupar seu amigo.



Ao sair, Jacob apertou o punho e depois colocou sua mão no queixo, ansioso em saber o porquê de Edward está aqui.



Novamente, a porta foi aberta e acompanhado com Sam, entrou o irmão de Renesmee. Era aparentemente alto, sem porte físico de um guerreiro, e com cabelos marrom. De fato não se parecia com sua esposa, exceto pela pele branquinha.



_ Edward Cullen! A que eu devo a honra da sua inesperada visita? – disse Jacob com um destingüível tom sarcástico em sua voz.



_ Você sabe muito bem o que me fez vir aqui, Black! Onde está a minha irmã? – Indagou Edward com a voz seca.



_ Pelo o que eu fui informado pela carta do seu lorde e irmão, sua irmã me pertence!- murmurou Jacob.



_ Ela não te pertence! – esbravejou Edward



_ Ah, ela muito me pertence! É minha esposa! – Alfinetou Jacob.



_ Seu bastardo, filho da mãe! Você abusou da minha irmã! Ela é apenas uma criança! – grunhiu Edward.



_ Então, não estamos falando da mesma pessoa. Renesmee, minha adorável esposa, é uma mulher linda e sabe proporcionar muito prazer na cama!



Edward sentiu seu sangue ferver. A ira apossou de seu corpo, afinal, como Jacob ousara falar tal atrevimento? Edward não pensou duas vezes em dar um soco em Jacob.



Renesmee ouviu a voz do seu marido como se estivesse discutindo com alguém enquanto descia as escadas. Percebeu que as vozes vinham do escritório e não hesitou em ver o que estava acontecendo. Ao se aproximar da porta, foi impedida pelo Sam, que estava em prontidão ao lado da porta.



_ Senhora! O seu marido pediu para não ser incomodado. - Afirmou Sam cumprindo as ordens do patrão.



_ Como não? Sam, posso ouvir os gritos. Pelo amor de Deus, ninguém vai me impedir de ver o que está acontecendo! – Esbravejou Renesmee e, sem se importar com Sam, abriu a porta bruscamente e se deparou com um homem atacando o seu marido.



Ao reparar no homem, viu que não se tratava de um estranho e sim do seu irmão. Assustou-se com a cena e impressionou-se com o que acabara de presenciar.



_ Edward!!!!! – Ela gritou horrorizada ao se deparar com o mais calmo dos seus irmãos tentando matar seu marido.



Edward, por sua vez, ao ouvir o som da voz de sua irmã, soltou Jacob e abraçou-a. Sentiu-se aliviado com tal sensação.



_ Renesmee, minha irmãzinha! Céus! Não acredito que te encontrei! – Murmurou em um suspiro de alívio e se afastou um pouco para poder reparar na sua irmã convicta, que não sofrera nenhuma agressão. Ao baixar o olhar no ventre arredondado dela, sentiu sua ira voltar.



_ Ele te engravidou? – grunhiu Edward indo para cima de Jacob de novo.



_ Ah, desculpe, meu amor, mas acho que já suportei demais – disse Jacob dando um soco no nariz de Edward.



_ Oh céus! Sam, venha! Eles estão se matando! – Ela berrou muito assustada.



Meia hora mais tarde, Renesmee levou seu irmão ao quarto de hóspedes e se propôs a cuidar dos ferimentos dele.



_ Meu irmão, como estou feliz em vê-lo! Mas confesso que temi em perder você e meu marido. – Murmurou Renesmee.



— No entanto, se não estivesse reparado que você está carregando um filho de Jacob, eu o mataria.



— Edward, ele é meu marido. Apesar do que ele fez, eu o amo! – Ela Indagou, olhando-o séria.



Edward assentiu e prosseguiu:



— Saiba que não concordei com o que Emmett fez com você!



Renesmee encarou-o, sentindo-se arrepiar.



_ O que Emmett fez comigo, Edward?



_ Jacob não te contou? – Perguntou Edward confuso.



_ Não, eu não contei para ela! – Declarou Jacob parado na porta do quarto com as mãos cruzadas sobre o peito.



_ O que você está escondendo? – Perguntou Renesmee com os olhos arregalados de surpresa em saber que o marido escondeu algo sobre sua família.



_ Achei que você iria adorar falar pra ela sobre a renúncia. – Murmurou Edward ríspido ao olhar para Jacob, que ainda permanecia na porta com os braços cruzados.



_ Minha paciência está se esgotando. Vamos, falem! – Renesmee se enfureceu pela falta de informações. Ela sentia-se um pouco indignada e temerosa do que poderia ter acontecido para tal seriedade vinda de Edward.



Jacob saiu do quarto. Minutos depois, voltou trazendo um bilhete nas mãos e o mesmo entregou para ela.



Renesmee, nervosa, abriu o bilhete e leu. Sua expressão se transformou: os lábios ficaram sem cor. Ela olhou para seu marido transtornada, com os olhos cheios de lágrimas. Jacob não hesitou em abraçá-la e confortá-la.



_ Meu Deus! Não tenho nada! Com os meus dotes poderiam te ajudar nas despesas da reconstrução da aldeia, mas agora os perdi! Desde quando você sabia disso? E mesmo assim você se casou comigo? – Perguntou em voz baixa.



_ Meu amor, eu casei com você, porque te amo. Logo vamos conseguir dinheiro, não se preocupe. O melhor presente que você poderia me dar está à caminho. É nosso filho. – Confessou Jacob com ternura, tentando acalmar Renesmee.



_ Reconstrução da aldeia? O que aconteceu? – Quis saber Edward.



Renesmee olhou para seu irmão com fúria e respondeu entre os dentes.



_ Nosso irmão mandou queimar o vilarejo do meu marido e ele lutou para reconstruí-lo, sem reclamar. Mesmo assim, sabendo que poderia casar com outra que possuisse dotes, ele se casou comigo, Edward! Agora me diga quem é o porco traidor aqui? O que Emmett fez comigo e com o meu marido não tem perdão! – Esbravejou Renesmee.



Edward não podia acreditar no que acabara de ouvir. Emmett tinha ido longe demais dessa vez. Mas por que razão de tanta crueldade? Seguiu-se um momento de um desconfortável silêncio. Renesmee suspirou perante a reação do irmão, sabendo o quão transtornado ele ficara, assim com ela sentiu-se quando descobriu.



_ Renesmee, eu não sabia! E sobre a renúncia, eu nunca fui a favor. Por isso vim aqui, para te levar embora!



_ Mas eu não vou! Meu lugar é aqui! Tenho muito orgulho de ser uma Black e meu filho ter esse sangue. _ Avisou em voz alta.



_ Renesmee...



Renesmee ergueu a mão com autoridade e Edward se calou.



_ Posso ver que foi um grande choque para minha esposa e pelo seu estado ela deveria descansar. Com a sua licença, meu cunhado, vou levá-la aos nossos aposentos. – Indagou Jacob pegando nas mãos de Renesmee preocupado.



Edward assentiu com a cabeça e murmurou:



— Eu não sou responsável por esta terrível catástrofe e peço desculpas pelo transtorno que o meu irmão causou a você, Jacob. Canalha! — Edward cerrou os punhos. — Vou estrangular o Emmett! Depois de acertar um murro no olho do desgraçado!



— Edward! Que linguagem é essa? — Renesmee repreendeu o irmão. — Compreendo sua indignação, mas nada justifica essa vulgaridade. Você não é assim! Deixe como esta! Emmett, um dia, vai reconhecer o mau que causou.



_ Ó, minha irmã, você sempre é generosa com os outros, mesmo sendo você o alvo dessa injustiça.



_ Edward, não é questão de generosidade e sim se trata que amadureci e meu grande professor é esse homem com quem me casei. Edward, você pode até não entender o porquê Jacob quis se vingar de Emmett. Ele me usou. Confesso que quando fiquei sabendo, também não entendia. Mas conhecendo-o melhor, eu vi que ele fez isso por honra e para proteger seu povo e sua família. E Emmett deveria fazer o mesmo, mas, por pensar em seu poder, ele renunciou sua irmã, quem ele jurou perante nosso pai que protegeria. – Renesmee declarou, com os olhos marejados e sentindo um alívio no peito, ao ver a sinceridade em suas próprias palavras. Sentiu o bebê chutar na barriga pouco volumosa e pôs a mão sobre a mesma. Sorriu em resposta ao ato do bebê, que já era amado pelo pai e pela mãe... Talvez também pelo tio.



_ Saiba, Jacob, que você sempre terá o meu apoio – Indagou Edward esticando a mão em sinal de paz.



_ E você o meu, cunhado! – Murmurou Jacob com um sorriso no rosto.



Renesmee se comoveu com a cena e abraçou os homens que ela mais amava em sua vida. Talvez, as coisas finalmente estivessem se ajeitando... Porém, as aparências enganam.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Capítulo 2 – Sentimentos



Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo

E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua

E se entregar é uma bobagem...


Jacob e eu nos sentamos de frente para a praia e ficamos admirando o mar ao longo do horizonte. E apesar da dor que sentíamos, começou a me transmitir uma paz tão grande, que pouco a pouco foi acalmando o meu coração.



Eu olhava para ele e via Seth, mas quando prestava atenção nos seus gestos, no falar e no agir, era uma pessoa completamente diferente. Fazendo o meu coração começar a bater de forma estranha. E me sentir culpada por está atraída pelo meu cunhado. Afinal havia perdido o namorado há dois meses e era no mínimo estranho sentir algo pelo seu irmão.



- Posso te perguntar uma coisa¿ - Perguntei para ele, virando o meu rosto para fitá-lo. Vi que virou o seu e encarou o meu olhar de forma estranha. Um frio repentino se formou em meu estômago e meu coração acelerou quando nossos olhos se encontraram.



- O que você quiser. – Respondeu com a voz rouca e sexy, fazendo pequenos tremores afligirem o meu corpo.



- Como sabia que eu estava aqui¿ - Perguntei, tentando decifrar as suas expressões, e vi um ligeiro sorriso se formar em seu rosto. Era algo inacreditável, suave, encantador e ao mesmo tempo havia dor denotando uma estranha frustração. Ele sofria mais do que eu, vivia um drama familiar muito complicado e veio a mim pedindo socorro. Sorriu forçado para mim e mesmo assim foi lindo ver os dentes branquinhos, as covinhas no queixo, o nariz ligeiramente arredondado, a boca carnuda e desenhada se abrindo ligeiramente. Fiquei completamente fascinada por aquele sorriso e ao mesmo tempo culpada por me sentir daquela forma.



- Sua tia... – Sussurrou enquanto franzi o cenho, sem entender o que dizia. Como ele conhecia a minha tia¿ Do que estava falando.¿ - Fui à sua casa e usa mãe caiu dura quando me viu. Foi a mesma reação que teve. Sua tia a acudiu e depois expliquei quem eu era e o que queria com você. Mas sua mãe não queria que te procurasse. Achou que você teria um colapso e se negou a me dizer como achá-la. Agradeci e sai, e foi naquele momento que sua tia, uma moça baixinha com cabelos pretos, curtinhos e picotados veio correndo para me alcançar e disse que você estaria na praia ou nos penhascos . Falou da sua pedra a beira do mar e que sempre vinha para remoer a morte dele. – Quando falou a forte “dele”, engoliu seco e seu tom ficou mais áspero. Senti um desconforto em seu falar e o sorriso se fechou no mesmo instante.



- Coitada da minha mãe... – Sussurrei imaginando o seu susto e como deveria ter ficado. – É verdade. Sempre venho até aqui para pensar no que farei e me lembrar do que vivemos. Seth e eu tínhamos muitos planos. Fizemos projetos para o nosso futuro e eu não pensei na minha vida sem ele. Agora tenho que me acostumar e aceitar o que aconteceu. Aceitar que a minha infantilidade o matou. – Meu coração apertou novamente e as lágrimas começaram a se formar novamente no canto dos meus olhos. Minha voz ficou embargada e não conseguia conter o choro eminente. Jacob me olhava com tanta pena. Era algo tão estranho de ser ver, um homem daqueles completamente compadecido da minha dor. – Se não fosse a minha criancices... – Segurou o meu rosto com as duas mãos e começou a negar as minhas palavras novamente.



- SHIII!!! Você não teve culpa, meu anjo. O que aconteceu foi uma fatalidade e todos nós estamos sujeitos a isso. Agora o que tem a fazer é pensar no seu futuro... Isso sim. Mas não que a sua vida acabou... Ela só está começando e você ainda terá muitos namorados. Viverá grandes amores até encontrar o homem da sua vida. Só está na flor da idade e na sua idade tudo parece grande demais. Mas pode acreditar, isso tudo vai passar e você só sentirá uma grande saudade. – Falava com tanta sabedoria. Havia tanta maturidade para um rapaz de apenas 19 anos. Fiquei espantada como conseguia falar daquela maneira e foi inevitável pensar em Seth, em como ele era brincalhão, fazia besteiras e não tinha a maturidade de um homem com as responsabilidades que precisava para ajudar a mãe. Às vezes Seth parecia um verdadeiro homem, mas na maioria tinha atitudes imaturas. Com Jacob era tão diferente... Ele era tão adulto.



- Não... – Sussurrei desviando meus olhos dos deles. Não agüentava encarar aquele lindo olhar. Ver suas expressões e senti-lo tão de perto. – Podemos caminhar um pouco¿ - Perguntei sentindo o desconforto da situação.



- É claro, meu anjo. – Em um estalar de dedos Jacob se levantou, segurou gentilmente minha mão e me puxou. Começamos a caminhar lado a lado pela praia, enquanto falávamos sobre as coisas que precisava saber. Era tão doloroso para mim, mas sabia o quanto aquilo era importante para ele.



- O que ele fazia¿ Como vivia¿ Quais eram os seus projetos¿ Que tipo de música gostava¿ Os livros que já leu¿ - Começou uma série de perguntas sobre o irmão, deixando me completamente zonza. E cada vez que abria a boca, falando algo, sentia correntes elétricas percorrerem meu corpo, aumentando ainda mais o meu remorso.



- Você está rápido demais. – Disse para ele. – Ficará quanto tempo em La Push¿ Podemos conversar com calma sobre tudo isso. Não precisa ser de uma vez. Também tenho muitas fotos para te mostrar e sei que você conseguirá conhecer melhor o seu irmão. – Respondi.



- Eu tirei duas semanas de licença e pretendo ficar até o último dia. – Suspirou fundo e percebi o desconforto. – Sinceramente não quero voltar e encontrar o meu pai... Não quero! Ele se quer sentiu a morte do filho... Não quero olhar para ele e pensar nele machucando a minha mãe. Se o fizer, farei uma grande besteira. – Respondeu.



- Você disse que seu pai é militar... – Ele me cortou quando comecei a falar.



- Ele é um capitão linha dura do exército. Tivemos muitos problemas há dois anos, quando decidi não ir para o exercito. Primeiro tentei a força aérea. – Calou-se por breves segundos. – Passei em todos os testes, mas tenho problema de vista e um piloto não pode pilotar um caça aéreo com o problema que tenho... Não tenho uma boa visão há longa distância. Nessa época, meu pai infernizou a minha vida. Mas eu não aceitaria de forma alguma ficar sobe o seu comando e ser visto como filho do Capitão Black. Assim resolvi ir para marinha, mas devo confessar que às vezes é muito chato. Só gosto mesmo quando fico meses em alto mar, longe de tudo o que me faz mal.



- Nossa! Eu nem imaginava isso tudo. Mas como você já está há dois anos na marinha¿ Apesar de que Seth repetiu um ano no colegial. – Disse curiosa.



- Eu comecei a estudar bem cedo, Ness. Os professores me adiantaram dois anos e terminei o colegial quando ia completar dezessete. Ainda fiquei quase um ano fazendo cursos fora da base. E o que gostaria mesmo era ter feito engenharia. Cheguei até a me inscrever para algumas universidade e fui aceito. Mas... Você já deve imaginar.



- Seu pai não aceitou¿ Não acredito nisso!



- Não aceitou! Eu tinha uma única alternativa... Seguir carreira militar.



- Isso é horrível! – Disse para ele.



- Mas eu até gosto da marinha e tem uns cursos legais lá. Só que as turmas estão lotadas e estou esperando vaga para entrar no curso de engenharia. Se eu conseguir, além de marinheiro também serei engenheiro. Isso é um sonho e sei que sou capaz. – Ele ficou de frente para mim, cruzou os braços na altura dos peitos de forma sexy, encarou o meu olhar e sorriu. – Agora me conta sobre “ele”.



- Ele era incrível e como todo o rapaz da sua idade, jogava no time de foot baal do colégio. Era um dos populares e as garotas morriam por ele. Pode imaginar como eu me sentia insegura, não é¿ Era como um peixe fora d’água e ele me fazia sentir como uma pessoa especial. Quando me mudei para Forks, era muito tímida e me achava feia, desengonçada, sem graça e além disso CDF. Então as pessoas passaram a implicar comigo. Ai Seth apareceu com aquele jeito “cheguei” e foi logo mostrando a que veio. De início fiquei receosa e tive muito medo de me envolver. Afinal nunca havia namorado e ele era muito descolado. Um mês depois começamos a namorar e as garotas da escola morreram com isso. – Comecei a rir lembrando.



- Você é linda, Ness... Não sei o motivo dessa baixa estima. Mas posso dizer que sei bem o que meu irmão viu em você... É simplesmente linda e encantadora. – Disse me encarando e senti minhas bochechas queimarem de vergonha. E sabia que estava vermelha como um camarão.



- Isso é bondade sua, mas deixa eu continuar. - Sorri e continuei a minha história. – Ele foi o meu primeiro tudo... Se é que me entende. E nós nos entendíamos muito bem, mas às vezes ele ficava calado demais e pensativo. Quando perguntava o que se passava, ele se trancava em uma concha e não se abria. Hoje sei que eram por causa dos problemas familiares. Tirando isso, ele era muito alegre, adorava fazer piadas, cativava as pessoas logo de cara... Tinha um jeito único. – Jacob me olhava encantado enquanto falava de seu irmão. E as estranhas sensações de correntes elétricas continuavam e me afligir quando me tocava ou me olhava de forma mais penetrante.



- Queria muito conhecê-lo. Acho que sou bem mais tímido que ele. – Respondeu.



- Ele era bem descolado, adorava dançar... – Comecei a rir. – Ele adorava hip hop e dançava como aqueles caras dos filmes. Era tão engraçado! – Gargalhei ao me lembrar e Jacob também riu. – Eu tentava acompanhar os passos, mas não conseguia. Uma vez ele me levou num club e os caras ficaram me olhando com um jeito estranho. Ai um deles falou: Seth essa branquela não leva jeito pra coisa, mano! – Eu ria tanto me lembrando da cena e Jacob, mesmo sem saber como realmente havia acontecido, ria comigo. – Eu me senti ridícula e humilhada. Eles se sentiam os maiorais e ainda me chamavam de branquela. Aquela noite foi uma das mais engraçadas e rimos muito depois.



- Eu não quero te cortar, mas já está anoitecendo e pelo que vi quando cheguei está a pé. Como você chegou aqui¿ - Perguntou arqueando uma das sobrancelhas.



- Eu fui de bicicleta até a casa do Embry e ele me trouxe de carro. Ficou de me buscar depois, quando eu ligasse.



- Eu estou de moto. Quer uma carona¿ Se não sentir medo, eu a levo para casa. – Encarou novamente o meu olhar, fazendo as minhas bochechar arderem mais uma vez e a estranha sensação de frio percorrer o meu estômago. As correntes elétricas faziam festa em meus braços e tive vontade de fugir. Ele era tão real, tão perto, tão lindo... tão... Eu não podia... Não devia pensar nele como...



- Não vou te incomodar¿ - Perguntei abaixando a cabeça, sem querer ver o que seus olhos me diziam.



- De forma alguma, meu anjo. – O timbre da sua voz era como música para mim e fazia meu coração acelerar. Era algo tão estranho que fazia meu corpo doer. Naquele momento soube que o queria, mas que não podia me atirar em seus braços. Ele estava pedindo socorro para mim, era o meu cunhado e não poderia simplesmente me oferecer para ele.



- Tudo bem! Deixa só eu ligar para o Embry e avisar. – Peguei o celular no bolso da calça e disquei.



-Oi, sou eu!



- Ness, quer que vá te buscar¿ - Perguntou.



- Eu arrumei uma carona, Embry. Não precisa vir.



- Tudo bem! Se precisar de algo... Mais tarde levo a sua bicicleta.



- Obrigada, amigo!



- Vê se fica bem! Disse e desligou.



- Pronto! – Disse para ele, que entrelaçou os dedos em minhas mãos, fazendo meu corpo gelar naquele momento. Não consegui me mover, ele parou e ficou me olhando por uns instantes.



- O que foi¿ - Perguntou angustiado. Senti as lágrimas queimarem em meus olhos. Abaixei a cabeça e tentei não olhar... Eu não podia... Não devia...



- Desculpa... é... que... – Ele me puxou pela cintura e colou os nossos corpos. Colocou a minha cabeça em seu ombro e me abraçou forte. Senti o choro incontrolável naquele momento, mas ao mesmo tempo um conforto tão bom. Os seus braços pareciam o melhor lugar do mundo. Fiquei tão segura neles, que não queria sair. Seu cheiro invadiu as minhas narinas, deixando-me completamente inebriada pelo seu perfume. Seu calor era tão grande, que alcançava o meu coração. Um sentimento tão estranho tomou conta de mim naquele momento, que não conseguia entender. Não era como me sentia com Seth... Era mais forte.



- Vai passar, meu anjo. Vai passar! – Beijou a minha cabeça e fez carinho em minhas costas. Depois segurou o meu queixo com uma das mãos e ergueu a minha cabeça, fazendo os nossos olhos se encontrarem. Seus olhos estavam lacrimosos e me olhavam com intensidade. Parecia atingir a minha alma quando em olhava. Beijou minha bochecha e depois começou a secar as minhas lágrimas com os dedos. Ao terminar, colocou a minha cabeça em seu peito novamente e voltou a afagar os meus cabelos de forma delicada com minha mão. Sua outra mão acariciou as minhas costas. Fechei os olhos e me perdi em seu abraço.



A noite começou a cair, uma brisa fria percorria os nossos corpos, as correntes elétricas brincavam com meu corpo, meu coração batia tão forte e descompassadamente, as lágrimas não cessavam e um medo novo, e inesperado começou a tomar conta de mim. Eu estava me apaixonando por ele, talvez nem fosse a palavra correta, e não podia... Não devia.



Era tão doloroso pensar que eu perderia pela segunda vez. Sabendo que em duas semanas ele iria embora e eu ficaria sem chão.



Envolvi os meus braços em sua cintura e o abracei tão forte, mas tão forte que parecia querer algemá-lo a mim. Não queria que partisse, mas era inevitável e já estava me doendo. Sentia saudade de alguém que não era meu, de algo que não vivi e que talvez nunca fosse acontecer.



- Jacob... – Sussurrei seu nome com dificuldade, elevei a minha cabeça e o encarei. Vi que ele também chorava e as suas lágrimas me doeram. Levei o meu rosto até o seu, fechei meus olhos e beijei seus lábios. Naquele momento duas coisas acontecerem. Primeiro uma revolução se formou em meu estômago, fiquei completamente zonza com o encontro dos nossos lábios. Depois ele intensificou o nosso beijo e me abraçou ainda mais forte.



Seus lábios começaram a se mover de forma lenta e gentil sobre os meus. Sua pele macia e quente me proporcionavam sensações inenarráveis quando se moviam, davam leves chupões na parte inferior dos meus lábios. Inclinou a cabeça e senti a sua língua pedir passagem. Abri a boca e deixei que invadisse e se encontrasse com a minha. Nós dois estremecemos e gememos juntos quando eles se tocaram. Ele me apertou ainda mais e intensificou as carícias em meus cabelos. Começou com movimentos lentos, explorando cada parte da minha boca. A língua molhada flutuando de forma deliciosa, o gosto de menta de sua boca, os movimentos graciosos que fazia enquanto a movia me tiravam a sanidade. Sua mão pousou em minha cintura e fez uma caricia sobre a minha pele. Estremeci novamente e senti suas mãos subindo pelas minhas costas, aumentando as estranhas sensações em meu corpo, fazendo meu coração bater cada vez mais forte.



Intensifiquei o movimento de nossas línguas, fazendo o gemer gostoso em minha boca. De repente, um volume se formou em sua calça... E que volume... O desejo começou a consumir o meu corpo e desejei senti-lo vibrando dentro de mim. Era algo mais forte do que eu. Uma necessidade tão grande, que não podia suportar. Eu o queria mais do que tudo e os seus beijos me proporcionavam algo que nunca tive, algo que nunca havia sentido até aquele momento. Perdê-lo me causaria ainda mais dor e sabia que não suportaria mais uma perda. Lágrimas desceram pelo meu rosto e chorei enquanto nos beijávamos.



- Desculpa! – Ele disse arfando ao interromper o nosso beijo. – Não queria fazer você chorar, meu anjo... Não queria! Você está sofrendo tanto e eu não tinha o direito de fazer isso. – Disse com expressão de agonia.



- Não, Jacob... – Coloquei o dedo em seus lábios. – Eu estou chorando de emoção...Nunca senti isso antes... eu... eu... – Não conseguia falar e ele abriu um discreto sorriso para mim.



- Eu também não... – Hesitou e segurou meu queixo, ainda me olhando de forma penetrante. – É como eu conhecesse esses lábios há muito tempo. Eu me sinto tão estranho e ao mesmo tempo feliz...Mas você ainda é a viúva do meu irmão. – Virou o rosto e pareceu arrependido. Então o puxei para mim, virei o seu rosto, segurei com as duas mãos e ficamos nos encarando. Calmamente, como se estivéssemos em câmera lenta, foi aproximando o seu rosto do meu. Ficamos a centímetros um do outro, encarando o olhar apaixonado, até que fechei os olhos e senti o toque dos lábios quentes, macios e úmidos pelas lágrimas nos meus. Começou com ligeiros selinhos, depois começou com movimentos intensos, até pedir passagem para sua língua e recomeçar a explorar a minha de forma singela.
CAPÍTULO 12




Aro Volturi andava incisivamente pelos campos esverdeados do interior. Procurava loucamente e continuamente pelo alvo de sua vingança: Jacob Black.



Aro fora muito apaixonado por Sarah, mãe de Jacob Black, no passado. Seu casamento com Suplicia, sua atual esposa, era uma fraude e ele remoia as suas mágoas por Billy Black. Porém, ele descobriu sobre a morte de sua amada e jurara vingança contra os Black. Decidira por combater o membro que mais afetaria Billy: Jacob, o herdeiro. Aquele que fora fruto do amor entre Billy e Sarah Black.



Aro calvagava em um cavalo preto, negro como as nuvens daquele dia, enquanto perguntava às pessoas algumas informações sobre o Clã Black. Um homem jovem e de aparência fina - Edward -, dera informações a ele de como chegar lá e o mesmo foi afoito. Porém, isso não era um bom sinal.



Ao se aproximar da propriedade, resolveu se alojar em alguma cabana próxima. Ele simplesmente abandonara a mulher e os filhos, Alec e Jane, a fim de vingar-se. A sede de vingança o cegava, tanto que destruiu a própria família e o próspero futuro.



Ele bateu levemente na porta de uma cabana que parecia amigável. Era bem cuidada, porém humilde. Uma mulher de cabelos negros e curtos, além de um corpo com muitos atributos, abriu a porta curiosa.



- Poderia ajudá-lo? - Era a voz de Leah e aquela era a casa dos Clearwater. Com certeza, isso não iria prestar.



- Sim. Estou procurando abrigo. Não se assuste, estou disposto a pagar algumas libras pela hospedagem. - Murmurou Aro, procurando em um de seus bolsos as moedas.



- Eu preciso perguntar à minha tia, mas posso saber o porquê de você estar aqui? Digo, há algum interesse comercial em nossas terras? Pois queremos nos mudar. - Leah disse cabisbaixa, relembrando da conversa séria que sua tia havia tido com ela e Seth, quando descobrira sobre a armação contra Renesmee.



Sue queria tranqüilidade à sua família e, por isso, estava tentando vender as suas terras mais afastadas da Sociedade dos Black, em busca de uma vida mais digna.



- Mas posso ficar abrigado aqui até você falar com ela? É que eu estou com um pouco de sede e fome. Entretanto, prometo pagar a hospedagem. - Indagou Aro.



- Claro que sim. Seth! - Leah gritou, chamando-o. O mesmo apareceu com os olhos inchados de chorar, com enormes olheiras de sono, pois a insônia não o deixava dormir.



Ele sentia-se muito perturbado com tudo o que causara aos seus amigos, mesmo que fosse por amor. Só de pensar que Renesmee havia fugido e poderia estar em apuros - por sua culpa - já sentia o peito contorcer-se e uma enorme falta de ar cabia-lhe. Não entendia como ambos os sentimentos eram possíveis, porém isso era o que menos importava a ele.



- O quê, Lee? - Perguntou com a voz mais rouca do que normal. Fitou o homem à sua frente, dando-se conta de o quanto não apresentável estava. Vestia apenas roupas sujas e antigas, que possuíam algumas marcas devido ao uso.



- Esse homem precisa de hospedagem. Ele alugará um quarto, pode acomodá-lo, então. - Leah falou rispidamente para o irmão.



Como se ainda fossem crianças, - onde Leah sempre falava a ele o que fazer - ele obedeceu e, a passos arrastados, foi em direção ao quarto. Arrumou com alguns lençóis improvisados uma cama simples, enquanto seus pensamentos se dispersavam... Em direção à reação da Renesmee ao seu beijo. Teria ela sentido algo? Ou apenas ódio dele?



- Moço, o que houve com o senhor? - Aro perguntou curioso, enquanto sentava-se na cama improvisada, ansioso para poder descansar um pouco.



- Decepção amorosa. - Limitou-se a sussurrar. Aro acenou positivamente com a cabeça, entendendo o que Seth dissera... Afinal, ele já sentira na pele isso.



- Sei como é... E sei que não vai querer falar sobre isso. - Aro pronunciou-se. - Já sofri uma vez, algo que me corroeu para a vida inteira.



- Mesmo? - Interessou-se Seth, enquanto sentia os olhos, antes marejados, brilharem de excitação.



- Verdade. Eu amava a Sarah, mas um desgraçado a roubou de mim. Claro que proporcionei uma luta, mas ela o escolheu... Então a deixei ser feliz e renunciei a minha felicidade assim. Tenho mulher, filhos e dinheiro, no entanto, permaneço infeliz com essa vida. Esse maldito sentimento de quatro letras pode mudar o curso de uma vida. - Falou referindo-se ao amor.



- Espero que isso não aconteça comigo, mesmo o meu patrão tendo me demitido. Sabe, eu sempre fui amigo dele, Jacob, só que eu me apaixonei pela Renesmee Cullen e isso só gerou atrito entre nós... Bem, eu provoquei-os. Entretanto, já me arrependi do feito, ele poderia ter me levado a forca pelo que fiz - Seth pronunciou cabisbaixo, mas evitando um vexame ao chorar na frente de um estranho.



Aro surpreendeu-se e arqueou ambas as sobrancelhas, incrédulo. Balançou a cabeça negativamente e riu roucamente. Fora um riso rouco devido à inutilizarão da fala por algum tempo.



- Jacob Black e Renesmee Cullen? - Perguntou ele gargalhando.



Seth o encarou confuso e piscou, tentando raciocinar. Por que aquele homem tão... Peculiar estava o tratando assim? Seria a sua história tão ridícula assim?



- O que foi? - Finalmente perguntara Seth. Já Aro, estava preste a chorar de tanto rir.



- Eu estou voltando das minhas origens. Sabe a Sarah que lhe falei? Então, eu vou contar a história da minha vida.



"Quando jovem, eu era filho de famosos fazendeiros aqui de nossas terras, na verdade, nas redondezas. Por cerca dos dezesseis anos, encontrei Sarah McCartney - você conhecera como Sarah Black - e me apaixonei à primeira vista. Recordo-me até hoje que ela usava um vestido azul, bordado na saia e bem trançado no corpete. Seu busto se destacava e mostrava a quão fina era a sua cintura. Seus olhos negros como a noite me hipnotizavam com os seus segredos obscuros. Seus cabelos também negros caiam em cachos delicados e bem feitos. A maquiagem era leve e aqueles lábios sinuosos e carnudos chamavam-me com um delicado batom sobre. Os seus gestos eram tão graciosos e delicados... Lembro-me que, no baile onde estávamos Billy Black pediu para dançar com ela, enquanto eu me aproximava. Corroí-me de inveja ao vê-los trocando olhares, toques, risadas e falas, porém me agüentei por compostura.


Depois de um tempo, a encontrei novamente próxima a minha propriedade. Perguntei a ela o que estava fazendo ali e esta disse que esperava uma pessoa. Naquele momento, pensei que fosse eu, mas logo descartei a idéia, quando vi o Black se encontrando com ela.


Desesperadamente, pedi ao meu pai que pagasse um alto dote a ela. Entretanto, ela achou uma atitude mesquinha comprarmos o seu amor - pois era uma pessoa com muita fibra e moderna; acreditava até em amor verdadeiro. Ela me ignorou por alguns meses, porém foi inevitável o nosso encontro em uma troca de gado que nossos pais queriam fazer. O senhor McCartney permitiu que eu fosse junto, afinal, eu já tinha idade o suficientes de assumir o trabalho de meu pai, Luigi Volturi. Eu sorria internamente ao pensar naquele momento, mas nada fora como o esperado.


No Castelo, Sarah estava graciosamente vestida, acompanhada de Billy Black. Eu perguntei o que eles faziam lá, no entanto, ela apenas virou o rosto e acariciou o de Billy. O senhor McCartney não só me informou que eles estavam noivos, mas ela também me mostrou a aliança do noivado. Consternado, exigi explicações, o que só piorara a situação.


Preocupado, o meu pai decidiu levar-me para fora, pois soube que eu estava disposto a fazer qualquer coisa para separar a minha amada do noivo. Então, arranjou um casamento para mim, onde eu moraria na casa dos sogros, mesmo sendo deselegante.


Viajamos algum tempo em carruagens, de modo precário, até chegarmos à Bristol, Inglaterra, para conhecer a família com quem eu me casaria. Conheci a minha noiva e não podia negar que me atrai por ela, afinal, a sua beleza também era estonteante.


Entretanto, eu pensava diversas vezes em Sarah, não em Sulpícia - minha noiva. O casamento logo aconteceu e então eu não tinha mais saída.


Vivi infeliz durante muitos anos, até tive dois filhos. Porém, ambos são mesquinhos e apenas dão valor às futilidades da vida. Acho que nunca existira alguém mais infeliz do que eu. Assim, eu morrerei feliz ao vingar-me... “E o meu alvo é acertar Jacob Black, o herdeiro de Sarah e Billy.”





Aro terminou o seu discurso com os olhos marejados ao relembrar de tanta dor. Era indescritível tamanha dor que sentira, nem quisera comentar com Seth sobre isso. Apenas a palavra "infeliz" descrevia a sua vida. Tudo fora em vão para ele.



Já Seth estava totalmente incrédulo. Sentira um misto de sentimentos perante àquele homem. Desde medo à pena. Medo do que ele seria capaz de fazer a Jacob, pois Seth não desejava o pior para o amigo, apenas o amor de Renesmee. A pena de vê-lo sofrer, porque não achava que Aro merecia tanto desfeito em uma vida e percebera isso nos olhos desse homem amargo.



- Aro, não sei nem o que lhe dizer. No entanto, tenho uma dúvida: como se vingará de Jacob Black? - Seth perguntou temeroso, mas ao mesmo tempo, estranhamente, com um pouco de esperança.



Os olhos de Aro brilharam de expectativa, esperando que Seth aceitasse a proposta que estava prestes a fazer.



- Renesmee Cullen - em breve Black - é o meu alvo principal. Para atingí-lo, basta capturá-la. Gostaria de tê-la como refém? Submetida a todos os seus comandos e desejos? - Aro perguntou, deixando Seth um tanto abismado.



Os pensamentos de Seth dirigiram-se a ser um tanto quanto indecentes. A viu amarrada em uma cadeira, totalmente entregue a ele. Abanou a cabeça negativamente, sentindo o seu membro pulsar sobre a sua calça. Imaginá-la tão submetida o excitava, porém ela amava outro e seria como abusar de alguém assim... Mas quem sabe ela - com apenas ele em uma cabana - não alterava as suas emoções? E se começasse a sentir algo por ele?



Os olhos de Seth brilharam de expectativa, repetindo o que Aro fizera anteriormente.



- Eu aceito! - Uma voz pronunciara, mas não fora a de Seth... Fora Leah que escutara toda a história de trás da porta e se interessara. Separando o Jacob de Renesmee, ela teria todo o poder necessário para conquistá-lo. Era apenas livrar-se da pacata lady. Pensara assim, com a inveja crescendo em seu ser. - Portanto, me disponibilizo a ajudá-lo, porém Jacob não sairá ferido, não é? - A sua voz tornou-se trêmula a pensar em tal possibilidade.



- Não, apenas infeliz. Talvez você consiga fazê-lo feliz, pois vejo a ambição em seus olhos. - Aro respondeu, avaliando a expressão de Leah. - E você, menino? - Dirigiu-se a Seth.



Este olhou temeroso para a irmã. Fizera ela bem? Porém, ao ver que Renesmee e Jacob podiam ser felizes separados, um com cada Clearwater, sentiu-se completo. Imaginar Renesmee respondendo as suas carícias o fazia suspirar e com Leah não era diferente.



- Sim, eu também aceito.





(***)



Renesmee e Jacob já se encontravam nas as redondezas do Castelo. Jacob trotava o cavalo para seguir mais rapidamente, pois percebera a aparente fraqueza de Renesmee.



A moça sentia-se fraca e mal conseguia segurar-se na cintura de Jacob. Ela sentiu a cabeça rodar assim que Jacob parou o cavalo em frente ao Castelo, próximo à Torre.



Desceu do animal em que estava montado e pegou Renesmee no colo, correndo para dentro do lugar.



Sue a tratou e nem precisou de muitos cuidados. Era apenas uma febre devido ao excesso de chuva e ao tempo, pois estava esfriando nos últimos dias.



Passara-se dois dias desde ocorrido e todos já festejavam a volta da senhorita Cullen. Jacob, quase êxtase ao ver a sua amada boa e com a gravidez correndo bem, decidira apresar o casamento - o que fora um tanto inesperado a todos.



Isso não havia chegado aos ouvidos dos Clearwater, porque Sue evitara contar qualquer coisa. Estranhava aquele hóspede em sua casa, porém qualquer dinheiro era bem vindo a ela.



Jacob preparou tudo elegantemente, com direito a baile para os convidados, até das comidas mais finas. Ele não tinha o concedimento da família da noiva, mas também nem haveria por que pedir se a resposta seria obviamente não.



Sam e Paul, braços direitos de Jacob, arrumaram os últimos detalhes, pois fora algo apressado e seria algo pequeno, apenas para os mais íntimos.



Enquanto isso, Renesmee descansava na sua cama, quando Sue interrompeu o seu relaxamento, entrando um tanto alvoroçada.



- Renesmee, levante-se! O que fazes aí deitada? Vamos, temos um baile à noite e você precisa se arrumar. - Sue disse, seguindo as instruções de Jacob de não contar nada à Renesmee. Seria uma surpresa inusitada.



- Como? Baile? Por que Jacob não me dissera nada antes? - Perguntou confusa, levantando-se lentamente e já indo colocar o seu corpete.



- Ele decidira há pouco. Não se preocupe você irá gostar. - Sue dissera sorrindo. Porém, logo o seu sorriso se desfez. - Senhorita, a senhora perdoa o que o meu sobrinho fez? Juro que não tenho envolvimento algum sobre isso... E também jurei lealdade ao meu lorde. - Sue pronunciou-se, ajeitando o corpete que ficara um tanto apertado no corpo - com a barriga já aparente - de Renesmee.



- Claro que lhe perdôo Sue. Não fora sua culpa nada do que ocorrera. Não se preocupe agora eu já estou me entendendo melhor com o Jacob.



- A moça murmurou pensando nos últimos acontecimentos. Realmente, eles estavam já trocando carícias, mas não era como antes.



- Aposto que depois dessa noite, vocês se entenderão perfeitamente. - Disse Sue alegre.



(***)



A noite se pôs, e a carruagem já estava pronta para levar os noivos à Igreja, onde um laço reuniria dois amores em uma só união. Jacob estava totalmente extasiado, mal se agüentava em pé. Já estava a caminho da Igreja, enquanto todos se encontravam lá.



Renesmee estranhou o seu vestido ser tão branco e bonito. Encantara-se com o bom gosto de Jacob para escolhê-lo. Ela fitava-se no espelho, enquanto balançava a saia armada. Sentia-se com uma emoção positiva, como se algo bom estava por vir. Não sabia o que era, mas Sue pedira para ela aguardar no quarto, até o devido sinal.



Então, Jacob, com tudo pronto, pediu para Renesmee descer, acompanhada por Sam. O mesmo subiu as escadas e viu a majestosa da noiva no belo vestido branco que Jacob escolhera.



Descendo as escadas lentamente, de braços dados a Sam, Renesmee começou a estranhar toda aquela cerimônia. Sam limitara-se a dizer que eram algumas exigências de seu patrão – o que não deixava de ser verdade.



Eles entraram na carruagem e foi então que Renesmee estranhou e ousou perguntar.



- Sam, afinal, para que tudo isso?



- Senhorita!, Estamos indo a um evento muito importante. Espero que goste... Aliás, aposto que gostará. - Sam respondeu, sendo evasivo.



Renesmee fez um muxoxo, visto que a resposta a desagradou. Repentinamente, a carruagem parou de andar e logo a moça dos cabelos cacheados espiou sobre a frecha que havia para apreciar a vista.



- A Igreja? Espera, eu estou... De branco! - Murmurou Renesmee um tanto chocada.



A Igreja era enorme, também pudera com tantas contribuições dos nobres para erguê-la. As pessoas entravam nela com vestido maravilhosos, chiques e elegantes. Renesmee sabia o que isso significava e um grande sorriso abriu em sua boca. Ela, normalmente, não gostava de ser surpreendida, pois era um tanto curiosa... Porém poderia estar mudando os seus conceitos, afinal, a felicidade era tanta ao saber que casaria com o homem da sua vida.



Com a ajuda de Sam, ela saiu da carruagem e preparou-se psicologicamente para entrar na Igreja. Era o seu dia, o dia em que casaria com o homem que ama.



Um pouco trêmula, recebeu palavras aliviadoras de Sam. Não havia nada que estragaria aquele dia, nem mesmo Seth e Leah - que não sabiam.



Ao entrar na Igreja, seus passos ritmados a levaram de encontro ao homem que a esperava sorrindo no altar. Jacob pegou a sua mão assim que Sam a entregou e sorriu inacreditavelmente extensamente.



- Te amo, Ness. - Jacob sussurrou ao pegar a mão de sua amada. Sam se dirigiu ao lado esquerdo de Jake, enquanto os noivos caminhavam em direção ao padre.



- Também te amo, Jake. Falando nisso, adorei a surpresa. - Murmurou dando um risinho baixo.



A cerimônia se passou sem mais interferências. Fora algo bem rápido, pois Jacob apenas queria oficializar o compromisso entre eles. Porém, durante os trinta minutos, sorrisos preencheram as suas faces e diferentes emoções dominaram os seus corpos. Era um misto de alegria, êxtase, felicidade... Todas as emoções positivas passaram por seus olhos.



Jacob e Renesmee se fitaram a cerimônia inteira, mal notando os votos de felicidade ao padre. Este - o padre - não sabia da gravidez de Renesmee, se não teria renegado a fazer o casamento. Jacob fizera questão de não revelar esse detalhe.



A hora mais desejada por Renesmee finalmente chegara, logo que o padre perguntou:



- Renesmee Cullen, você aceita Jacob Black como o seu esposo? Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Em todos os dias da sua vida?



- Sim, eu aceito. - Renesmee pronunciara alto e sem nenhuma dúvida. Estava convicta de que Jacob a faria feliz.. Afinal, ele já a fizera.



- E você, Jacob Black? Aceita Renesmee Cullen como a sua legítima esposa? Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Em todos os dias da sua vida?- O padre perguntou.



- Sim, eu aceito.



- Então eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. - O padre disse concedendo a Jacob para que ele pudesse selar os lábios de sua mulher.



O beijo foi intenso, mostrando o desejo que os dois sentiam naquele momento, assim como a felicidade, Renesmee sentiu o fruto de esse amor dar um chute no seu ventre indicando que ele também estava contente com a união, mais ela sentiu seu coração vacilar um pouco, pois se lembrou de sua família, como ela queria tanto que eles presenciassem a sua felicidade.



Após a cerimônia os noivos fizeram uma comemoração no castelo, pois todos eram a favor da união.



-Um brinde ao Senhor e Senhora Black!- anunciou Sam levantando a taça para que os outros o acompanhassem.



-Contemplem sua nova se¬nhora, minha esposa – declarou Jacob para os presentes - e saibam que quando ela der uma ordem, será como se eu próprio tivesse dado. Qualquer serviço que prestem a ela estará prestando a mim. A lealdade que dedicarem a ela estará dedicando a mim.



Renesmee olhou seu marido com uma expressão próxima à reverência, conteve as lágrimas de gratidão e admiração e sentimento com a mão em seu braço, isso tudo parecia sonho.



– Este dia é seu, meu amor – Jacob murmurou, beijando-a e levando ela para os aposentos senhorais .



Começou a desabotoar-lhe o vestido e puxou-o para que deslizasse até o chão. Fitou o ventre dela e deu risada.



– Primeiro já fizemos um filho pra depois nos casarmos, como somos apressados?.



Entre risos e beijos, eles se despiram. Jacob ajeitou-a com todo o cuidado na cama e beijou a nuca de Renesmee.



Renesmee suspirou. Seu grande sonho de amor estava se tornando realidade.



– Você é tão bonita!– Jacob lhe acariciava o corpo inteiro. – Nessie, venha para cima de mim, tenho medo de machucar o bebê.



Ela obedeceu e posicionou-se, deixando-se penetrar bem devagar. Começou a movimentar-se cada vez mais rápido, até ser sacudida por vigorosos espasmos. Jacob a acompanhou naquele momento de êxtase, entregando-se por inteiro ao amor de sua esposa.



– Está feliz por ter se casado comigo? – Indagou Renesmee aconchegada nos braços fortes do seu marido.



–Lógico! Eu tenho tudo o que um homem poderia desejar. È como se eu havia esperado a minha vida inteira para te conhecer.



– Eu te amo, Jacob Black. Para sempre.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

CAPÍTULO 11
By Mica Black e Leticia Silveira






Já era de madrugada e um nascer-do-sol mostrava-se no horizonte chuvoso. Renesmee estava com um pouco menos de febre, porém sentindo um terrível mal estar e uma constante tontura. Mesmo deitada, entreabria os olhos e via tudo girar ao seu redor.









Tentou levantar-se, porém a dor a fez gemer e, consequentemente, Jacob acordou. Ele esfregou os olhos e, sonolento, levantou-se e tratou de ajudar Renesmee, sem dizer ao menos uma palavra.









Ele sonhara novamente com o seu filho, mas dessa vez fora um pesadelo. Sonhara com a criança rindo e brincando... Nos braços de Leah. A mesma tinha um sorriso cínico estampado no rosto, enquanto acariciava os cabelos curtos do menino. O menino era muito cheinho, como qualquer bebê normal, e brincava com os dedos da mão de Leah.









- Cadê a mamãe? - O bebê perguntou, olhando em volta freneticamente. Jacob aproximou-se e estendeu os braços acolhedoramente. Leah passou o bebê para os braços de Jacob e esfregou freneticamente as mãos no vestido, pois estava suja com terra que o menino brincara.









- Mamãe se foi, mas eu ainda estou aqui. E você tem ainda à Leah, a qual servirá de mãe para você. - Jacob murmurou no sonho, pensando que estava fazendo o melhor à criança, para que ela não crescesse sem mãe.









Repentinamente, Jacob acordara no meio da noite, muito atordoado e confuso. Mas nada que um abraço acolhedor de Nessie, que dormia tranquilamente, não revertesse.









Um pouco exausto, devido ao dia anterior, preparou alguns alimentos para a Renesmee, pois pensava rotineiramente em seu filho e sua amada. Ao longo do dia chuvoso, Jacob tentou aproximar-se de Renesmee, tocando em sua barriga ou afegando os cabelos macios dela. Porém ela afastava-se bruscamente, na defensiva. Renesmee não queria magoar-se novamente e por isso não poderia deixar-se levar pelas carícias sedutoras de Jacob.









Já era noite e não haviam voltado para o Castelo devido à tempestade. Jacob pegara algumas frutas quando saira de casa, assim que a chuva amenizou. Trovões atingiam a terra, causando diversos arrepios na nuca de Renesmee.









Quando os dois estavam sentandos, um ao lado do outro em cima da manta. Jacob estava inseguro se Renesmee estaria bem, porém ele não queria falar perante da insensibilidade dela, pois não queria causar qualquer mal estar ao seu filho... Ele temia admitir a si mesmo, porém sabia que amava muito Renesmee e nunca a esquerecia. Aliás, queria o bem dela acima de tudo.









De repente, um trovão atingiu o solo ruidosamente, o que fez Renesmee pular e agarrar-se no que havia de mais próximo: Jacob. O mesmo enlaçou a cintura dela e só então ela se deu conta do que fizera. Não pôde deixar de embaraçar-se, pois encostou a face sob o abdômen definido de Jacob. O mesmo, aproveitou o momento para fitar profundamente os olhos achocolatados de Renesmee e, para ambos, o mundo poderia desabar que eles não notariam. Apenas aquele simples olhar, acelerou a respiração deles, assim como diminuiu a distância entre.









Aproximando-se, Jacob posicionou sua mão sobre a nuca de Renesmee, porém a mesma afastou-se de súbito, procurando distanciar-se de Jacob. Ele ouviu alguns soluços vindos de Renesmee e percebeu uma lágrima solitária escorrer por sua face.









- Por que está chorando? Está sentindo dor? - Jacob perguntou preocupado, afagando a bochecha pálida de Renesmee. Esta recusou o seu afeto de modo brusco. Não queria magoar-se novamente, mesmo sabendo que isso não reverteria a sua dor. - Você não tem direito de agir assim comigo! - Esbravejou Jacob, irritando-se. - Primeiro, vejo-te traindo-me com Seth! Isso foi o cúmulo. Depois, tu tentaste fugir da propriedade e arriscaste a vida do nosso filho! Quando trato você, simplesmente afasta-se de mim, como se eu você um bicho ou algo do gênero! - Urrou consterado.









- Jacob, eu nunca lhe traí! Já lhe disse! - Explicou Renesmee, dessa vez, aproximando-se dele. Tocou-lhe o corpo e ergueu-se nas pontas dos pés, levando os lábios até o ouvido de Jacob. - Juro que te amo e nunca o trairia. Foi algo quase à força e saiba que me arrependo de ter brigado com você devido a vingança.









Jacob estremeu sob o hálito fresco de Renesmee. Ela afastou-se lentamente, porém Jacob a puxou de encontro ao seu corpo, de modo bruto, mas não grosseiro. Ele sabia que estava errado ao culpá-la e que tudo era culpa do cretino do Seth.









- Eu sei que errei ao culpá-la. - Disse seguindo o rumo de seus devaneios. - Quer se casar comigo, Renesmee Carlie Cullen?







Renesmee supreendeu-se e um grito abafou-se em sua garganta. Recuou, andando a passos lentos para atrás. Acabou por cair de bunda no chão e um barulho oco entoou pelo cômodo. Jacob abaixou-se para levantá-la, porém ela foi mais rápida e ergueu-se.









A chuva havia diminuído no horizonte, porém garoava levemente e o sol se punha.







- Co-como? - Renesmee perguntou gagamente, não crendo no que acabara de ouvir. Arrumou suas vestes e pôs a mão sobre a barriga, sentindo o bebê se mexer. Um chute acertou bem no local onde sua mão estava e ela deu um pequeno sorriso.









- Quer se casar comigo? Será melhor para o nosso filho, além de que estou disposto a perdoá-la. - Falou Jacob fitando-a intensamente e tentando passar pelo olhar todos os sentimentos que sentira. Ele nunca fora alguém romântico ou sensível, porém Renesmee despertava os mais obscuros e diversos sentimentos nele.









- Eu não sei o que responder. - Renesmee falou ainda incrédula, colocando a mão sobre a boca entreaberta. Porém, ela falara com sinceridade, afinal, o seu orgulho estava falando mais alto, contudo, ela realmente queria casar com ele. Seria a hora certa para aceitar ao pedido? Ou recusá-lo? Ela estava inacreditavelmente incrédula, não conseguindo acreditar no que ouvira.









- Apenas fale o que sente. - Ele sussurou de forma sexy, aproximando-se lentamente, como um jaguar pronto para dar o bote. Com um sorriso matreiro, deu um passo a frente, fazendo Renesmee recuar um passo para trás.









- Eu não sei, Jacob. É exatamente isso que eu não sei. Os meus sentimentos estão tão conturbados... Eu o amo, porém você irá casar comigo apenas por pena. Eu não quero o seu olhar de piedade, me encarando todo santo dia como uma qualquer que lhe dera o golpe. Eu amo o meu filho e posso criá-lo sozinho. Mas não posso criá-lo infeliz. - Renesmee dizera e disparou a correr porta afora.









Sentira os olhos marejarem, enquanto algumas lágrimas já caiam pela sua face macia. Levantou o vestido e correu até onde Jacob amarrara os cavalos, procurando apenas ficar sozinha. Sentiu a garoa molhar minimamente as suas vestes, porém não ligara para isso.









Jacob correu atrás da mulher, mas ela estava incrivelmente rápida. Ele parou ofegante ao local de onde deixara o cavalo, mas viu ela cavalgar no horizonte, sumindo pelo mesmo.









Com um murro no chão de terra batida, lágrimas tomaram os seus olhos e uma dor apossara-se de seu peito. Sim, aquele era um Jacob Black apaixonado chorando por amor... Chorando por uma Cullen.









(***)







Já haviam se passado duas horas desde a discussão de Jacob e Renesmee.









Jacob a aguardava na cabana ainda, pois não tinha como sair de lá, a não ser a pé, o que a escuridão não permitia.







Ele deitou sobre a pequena acomodação onde dormiram juntos, e ali sentiu o seu perfume exalar da manta. Agarrado a ela, ouviu cascos pisarem fortemente no chão: era o cavalo. Renesmee havia voltado!









- Nessie! - Gritou de felicidade ao vê-la decendo do cavalo sã e salva. Seu vestido estava úmido e precisava trocá-lo logo, se não poderia pegar uma gripe ou pneumonia.









- Vamos para o Castelo do clã Black. - Ela sussurou, sentindo-se fraca novamente. Jacob preocupou-se com o estado dela e esquecera de qualquer mágoa que tivera com ela, mesmo ela tendo recusado o pedido.









- Isso, vamos para casa. - Murmurou Jacob, pegando-a no colo e carregando-a até o cavalo. Ela esperneou um pouco, porém sentiu uma leve tontura, menor do que a de manhã cedo, e resolveu render-se.









Renesmee sentiu uma lágrima escorrer ao ouvir a palavra casa, pois sentia saudade do seu lar... Ou talvez fosse isso e o seu humor alterado devido a gravidez.









Ela não sabia ao certo, porém queria esquecer os problemas e queria esquecer, principalmente, o pedido de Jacob. Ela estava pensando que ele não a amava, pois se casaria com ela por dó. Contudo, isso era apenas algumas loucuras que ela criara a si mesmo.









- Segure firme em minha cintura. - Ele murmurou e o cavalo trotou para seguir o rum em frente.







Era de noite, porém, nas condições de Renesmee, eles não poderiam permancer na cabana e, como o clima estava relativamente melhor, decidiram viajar aquela hora mesmo.









Jacob sentiu uma paz interior ao sentir os braços de Renesmee cercarem a sua cintura. Era incrível a emoção que sentiu ao ver os braços finos, delicados e branquinhos dela firmes em sua cintura. Ele estava feliz pela mãe de seu filho e sua amada estarem lá... Porém, a sua noiva não estava. Afinal, ele não estava noivo.









Nunca pensara que gostaria de casar-se tão jovem, mas, com uma bela dama como Renesmee, faria as maiores loucuras. Ele sentia-se mais livre amando Renesmee, pois sabia que faria qualquer coisa para tê-la em seus braços... Assim como o seu filho.









Jacob Black apaixonado, era mais feliz do que Jacob Black vingativo.







(***)









- Emmett, já chega! Eu irei ver a nossa irmã! Não quero nem saber! - Declarou Edward irritado, bebendo mais um gole de seu copo de uísque.







Isabella afagou o seu braço, pedindo-lhe calma. Ele esbravejou algo inteligível e Rosalie logo reclamou:









- Precisa ter calma! Imagina o que o Black fará caso lhe veja lá!







Todos murmuraram concordações e Rosalie apenas arrumou o cabelo, vaidosa.









- Vocês não me entendem! Não podem ir lá! - Emmett explodiu de ira e andou de um lado para o outro da sala, rapidamente e como se estivesse ansiando algo.









- Como assim? - Perguntou Alice confusa e esfregando as têmporas, devido a dor de cabeça após tanta discussão em sua família. Ela e o seu marido, Jasper, já não aguentavam mais esse clima tenso de brigas e discussões que se formara no Clã Cullen. Tudo o que ela queria, era ter a sua irmã de volta.









- Vocês simplesmente não podem! - Urrou Emmett. - O Black está vingando-se e apenas temos que devolvermos na mesma moeda. Por que não nos vingamos? - Perguntou como se achasse a solução mais óbvia e brilhante de todas.









- Claro que não! - Rebateu Isabella dando-lhe uma lição de moral: - vingança nunca é o meio mais ético de se reverter uma situação.







- Concordo, amor. - Falou de modo meloso, Edward. - Acho que alguém deveria fiacr de olho nas terras dos Black, a fim de notarmos o movimento por lá. Talvez vejamos Renesmee também!









Rosalie deu um tapa na nuca de seu irmão e um sorriso brotou-se na linda face.







- Finalmente, verei a minha irmã-emprestada novamente! - Rosalie dissera. Ela sempre teve afeto e carinho por Renesmee. A tratava como uma verdadeira irmã, mesmo ela sendo a irmã de Emmett na verdade.









- Tudo bem. Edward, amanhã você irá até as terras dos Black e nos trará notícias sobre Renesmee, está bem? - Emmett disse com um olhar fixo na paisagem. Ele estava impassível, porém seus pensamentos dirigiam-se à culpa. Ele causara todo esse sofrimento a sua própria família e era o verdadeiro responsável pelos últimos acontecimentos que ocorreram com sua irmã... Porém, ele ainda não sabia do sobrinho que estava a caminho.









No outro dia, Edward madrugara e despediu-se da mulher. Logo partiu para perto das terras dos Black, porém, no caminho, um homem estranho e de aparência rica, mas descuidado, perguntou sobre alguma informação sobre os Black.







- Poderia me informar onde se encontra o clã Black? - Perguntou o homem. Ele aparentava ter mais de quarenta anos e Edward reparou que o homem possuia uma aliança na mão esquerda. [N/L: Nossa, o Edward reparou nisso, então? @_@]







- Posso sim, mas poderia saber por que tu queres saber isso? - Edward perguntou arqueando a sombrancelha. O homem deu um riso fraco e tossiu roucamente. Aparentava gripado após a tempestade da noite anterior.









- Eu queria rever um grande amigo... Jacob Black. - Respondeu.







Um tremor percorreu a espinha de Edward e este engoliu secamente.









- Estou indo naquela direção. Se quiser, posso lhe levar. - Murmurou, ainda surpreso. Ele não sabia porquê, porém não achava o homem simpático e um tremor percorria o seu corpo quando olhava profundamente naqueles olhos cheios de mágoas.









- Não precisa. Eu estou indo a pé. Porém, é para lá, não? - Indagou o homem. Edward apenas assentiu e subiu no cavalo, trotando-o em seguida. Ele apenas tinha a sensação de que não viria nada de bom daquele homem...


Capitulo 1 – Lembranças

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...


- Como... como... como¿ - Comecei a gaguejar chorando, sentindo um desespero tomar conta do meu coração. Seus braços me envolviam de forma carinhosa. Passou as mãos em meu rosto e ficou me olhando de forma estranha. Sua face era tão triste e parecia esconder uma grande dor. Estava tão nervosa, que imaginei que aquilo pudesse ser um sonho. Que todas as sensações que sentia: de calor, cheiro e toque; fossem apenas frutos da minha imaginação.



- Calma, Ness! Esse é o seu apelido¿ Não é¿ - Sua voz rouca me causou um frio na espinha. Assenti com a cabeça, sem conseguir falar nada. Meu corpo estava completamente torpe e não conseguia reagir diante daquela sensação tão estranha. Ele passou a mão em meus cabelos, tirando os de minha face e começou a falar muito baixo, talvez por medo de me assustar ainda mais. Se eu pudesse me olhar no espelho, certamente veria a face branca de um fantasma, tamanho era o susto que me afligia. – Eu Jacob Black, irmão gêmeo do Seth. – Começou o relato bem devagar. – Eu moro em Pear Harbo, sou marinheiro e não via meu irmão e minha mãe há 12 anos.



- Isso não é possível. – Disse praticamente sussurrando, enquanto sentia os seus braços me envolverem e o seu olhar penetrar o meu, como se estivesse sondando a minha alma. Balançou a cabeça em sinal de negativo e deu um ligeiro sorriso. Comecei a olhar bem de perto, percebendo que havia algumas diferenças em suas expressões faciais.



- Meus pais se separaram quando tínhamos 7 anos. – Havia uma dor tão grande em cada palavra. Ele parecia incomodado em falar sobre aquilo. Contudo, pela situação que se apresentava, tinha que falar no assunto para que eu entendesse. – Minha mãe teve que partir e escolheu apenas um dos filhos. Ela trouxe Seth para a reserva e me deixou com meu pai... – Ele engoliu seco e seus olhos encheram de lágrimas. Seu timbre de voz mudou e ficou mais áspero. Ele parou de me encarar e olhou para o mar, como se sentisse medo de eu ver a sua dor. – Nunca a perdoei por isso e evitei qualquer tipo de contato. Hoje, no entanto, com essa perda tão precoce do meu irmão, sinto não ter deixado o orgulho de lado e procurado os dois antes.



- Seth nunca falou de vocês... – Sussurrei observando lágrimas se formarem no canto de seus olhos. Fiquei tão emocionada com as palavras, que comecei a chorar também enquanto ele relatava tudo.



- Meu pai é militar e sempre foi muito severo. E minha mãe não agüentou a difícil vida ao lado dele. Por isso resolveu ir embora.- Naquele momento estava chorando e visivelmente emocionado. – Senti tanto remorso, inveja e raiva... Sim, raiva! Ela não escolheu a mim... não escolheu. – Balançou a cabeça em sinal de negativo. – Passei anos da minha vida com um pai amargurado, que descontava em mim toda a sua dor. Ele não se conformava com o abandono, mas também não fazia nada para mudar a situação. Com isso me fazia sofrer, sempre me impondo castigos severos, humilhando quando me dizia que era tão imprestável que a minha mãe havia me deixado para trás. Aquilo fez com que sentisse raiva dela e dele... Sim, eu odiava o meu irmão... eu achava que o odiava. Até que... – Ele fechou os olhos e começou a chorar muito. Não me agüentei e me afoguei em minhas lágrimas. De repente ele se sentou e me puxou para os seus braços novamente. Depois me abraçou tão forte, que quase me sufocou.



- Eu sinto... – Tentei falar, mas não sabia como o consolar naquele momento.



- Eu estava em alto mar há dois meses. Um dia, deitado em minha cama, senti uma dor tão forte que parecia que iria sufocar. Uma angústia me consumiu, meu corpo começou a tremer e a suar frio. Fui ao banheiro e comecei a vomitar muito. Um choro incontrolável tomou conta de mim e depois de umas duas horas sentindo aquela dor, tudo foi embora e eu senti vazio. Era como se um pedaço de mim havia morrido e deixado um vazio. – Ele colocou a cabeça em meu ombro e entre lágrimas começou a me contar tudo. Senti tanta vontade de cuidar dele, tirar as suas mágoas e dores. Nunca havia me sentido daquela maneira com ninguém... nem mesmo com Seth.



Ficou calado por um breve momento me abraçando e depois continuou.



- No dia seguinte, fui chamado à cabine do capitão do navio e estranhei. Até pensei que havia cometido alguma falta. Afinal sou marinheiro há pouco tempo e estou aprendendo tudo na marra. Mas ai ele veio com um tom solene, dizendo que tinha uma mensagem e que sentia muito. Naquele momento pensei que meu pai havia morrido. E de certa forma me senti aliviado. Quando abri o pedaço de papel, levei uma descarga elétrica em meu corpo. Só então entendi o que havia acontecido... Meu irmão estava morto! - Ficou em silêncio por mais um tempo e chorou ainda mais. A minha dor era tão grande e o remorso pelo acidente também. Mas nada se comparava com a dor dele. Era algo que dava vontade de entrar em seu coração e arrancar todo aquele desespero.



Um homem lindo, forte e encantador, mostrando se para mim da forma mais frágil. Ainda mais sendo um militar, o que era de se estranhar. Não entendi como ele se sentiu a vontade para me contar aquelas coisas. Mas quis que continuasse. Dependia saber sobre o passado dos gêmeos e tentar fazer algo para acalmar o seu coração.



- E¿ - Sussurrei, passando os dedos pelos seus cabelos, enquanto permanecíamos abraçados na areia da praia. Seu cheiro começou a me inebriar, o toque o seu corpo causou-me um estranho frio na barriga. Meu coração batia rápido e ao mesmo tempo doía. Era algo tão estranho, que senti como se sentisse na carne a sua dor.



- Recebi os pêsames e voltei para a minha cabine. Tive que me conter para não chorar... Imagina um marinheiro chorando¿ - Deu uma risada sarcástica. – Fiquei dois meses no mar, pensando sobre toda a minha vida, os motivos que me levaram a não procurar a minha mãe e o meu irmão. E decidi que ao desembarcar, pediria licença e viria para La Push procurar o meu passado.



- E você achou o que procura¿ - Sussurrei em seu ouvido, sentindo o seu corpo estremecer com aquele gesto. Acariciei o seu rosto, seus cabelos e suas costas, enquanto chorava abraçado a mim.



- Ainda não! – Disse e se calou. – Meu pai pareceu não se importar com a morte de Seth. Mas eu senti um pedaço de mim morrer com ele. – Afastou se de mim, sentou se na areia de frente para o mar e ficou olhando para o por do sol. – Esse lugar é tão lindo... – Sussurrou.



- É sim! – Respondi.



- Não entendi porque Seth usava Cleawater no nome. – Disse para ele.



- Minha mãe se chama Sarah Cleawater Black. Mas acho que Seth não quis usar o nome do nosso pai e preferiu o da nossa mãe. Ao contrário de mim, que sentindo uma mágoa tão grande dela, nunca usei o Cleawater. – Ele respondeu e se virou para me fitar. – Mais alguma coisa¿ - Perguntou franzindo o cenho.



- Como pretende achar o que procura¿ Ele está morto. – Disse para ele.



- Eu vim para cá com a missão de me acertar com a minha mãe e buscar o passado do meu irmão. E quando tive a minha primeira conversa com ela, contou me sobre vocês dois. Disse que você poderia me contar quem era o Seth Cleawater. Ela já não tem estrutura emocional para falar sobre ele. Por isso vim te procurar... preciso de muitas respostas. – Seus olhos penetraram os meus novamente e havia um encantamento tão grande. Comecei a me lembrar da forma que Seth me olhava e senti algo estranho em meu estômago.



- Eu estou abalada demais para falar agora... – Comecei a chorar me lembrando do acidente. Os gritos dos paramédicos tentando me tirar do carro e da minha mãe contando que ele havia morrido. Uma pontada atingiu em cheio em meu coração. Fechei os olhos e depois olhei para o céu. Vi o seu rosto sorrindo nas nuvens. Jacob me abraçou e ficamos chorando juntos, sem precisar dizer nada. A nossa dor e perda eram as mesmas. – Conversou tudo com a sua mãe¿ - Perguntei dando uma de intrometida.



- Sim! Hoje entendo que ela não me preferiu... ela não quis me abandonar e não foi uma escolha fácil. Na época Seth estava doente e precisava de seus cuidados. Ela não agüentava mais viver com meu pai. Disse que ele a agredia e abusava dela. Estava tão desesperada que resolveu fugir para reserva e pediu ajuda a sua prima Sue. E foi por isso que me abandonou. Como ela teria condição de cuidar de duas crianças pequenas¿ E ainda tinha um filho doente... – Ele começou a gaguejar e chorar muito ao falar da mãe, do passado e dos seus sentimentos. Mais uma vez nos abraçamos e fiquei ouvindo o seu relato, enquanto lhe transmitia o meu carinho.



- É difícil, mas as feridas não cicatrizaram, Jacob. – Nos olhamos por um momento e parecia ver Seth na minha frente. Mas apesar de iguais, os gestos e expressões eram distintos. Fiquei confusa olhando o seu rosto e ele pareceu constrangido.



- Algumas feridas nunca se fecham, Ness... nunca... – Passou a língua nos lábios e depois começou a secar as lágrimas. – Nunca perdoarei o meu pai...



- Jacob, você já perdeu tantos anos longe da sua mãe e do seu irmão. Acha que alimentar ainda mais ódio vai te fazer bem¿ Tenta viver bem com o seu pai. Pelo menos isso. - Ele assentiu com a cabeça e depois começou a rir. – Todos dizem que sou muito certinho. Mas ninguém imagina o inferno que vivi com o capitão linha dura como pai. Quantas noites eu chorei e apanhei por isso. Os castigos que sofri por não ser tão duro quanto ele. A educação que tive diz que um homem não chora, não apanha e não se arrepende. Ele tentou me criar assim, mas felizmente não aprendi. Do contrário, não conseguiria chorar a mágoa que sinto e a dor pela perda do meu irmão. Se me visse agora, certamente me repreenderia, humilharia e me faria agir como um brutamontes sem coração. Hoje conversando com minha mãe, imagino o que ela sofreu em suas mãos. E até consigo perdoar o meu abandono. – Disse para mim, engolindo seco, enquanto terminava de enxugar as suas lágrimas. Depois passou a mão delicadamente em meu rosto e foi secando as minhas. Fiquei completamente sem reação com a sua atitude tão carinhosa naquele momento.



- Eu te direi tudo sofre o Seth, Jacob... Pode contar com a minha amizade. Só que estou numa fase complicada e ainda me culpo pelo acidente. – Comecei a me lembrar de tudo. Os fatos foram ressurgindo em minha mente. Quando percebi as lágrimas rolavam em me rosto novamente.



- Não chore, pequena... – Puxou me para os seus braços e me abraçou novamente. Senti-me confortável em seus braços. Então pude relatar o acidente que mudou completamente as nossas vidas e cruzou os nossos caminhos.



- Era aniversário da minha amiga Jéssica. Naquela noite chovia bastante e já estávamos atrasados. Ele reclamou que demorei muito para me arrumar e estava resmungando muito até o caminho do meu carro. Como não gosto muito de dirigir, Seth sempre conduzia o carro. Partimos para Forks em alta velocidade e no meio do caminho, eu me lembrei do presente. Comecei a encher a paciência dele para voltarmos até a minha casa. Ele não queria ir e achava fútil da minha parte. Mas sentia vergonha em chegar a uma festa de mãos abanando. Por isso ele deu ré de forma rápida na pista, fez um cavalo de pau e quando estava virando o carro... AHHHH!! AHHHH! Não!! – Tudo se formou em minha mente como um filme. Uma dor tão grande me afligia o coração. Fiquei sem ar, tentei controlar a respiração enquanto chorava muito. Jacob tentava me acalmar, fazia carinho em meu rosto, em meus braços e dizia que foi uma fatalidade. – AHHH!! AHHH!!





- A culpa não foi sua... não foi... foi uma fatalidade... – Apertou forte o meu corpo contra o dele, enquanto chorava muito com aquela dor me rasgando. – Calma! Foi um acidente! – Sussurrava em meu ouvido.



- Um... um...



- Não precisa falar agora. – Colocou a minha cabeça em seu ombro e continuou a me fazer carinho.



- Caminhão... um caminhão... fui eu... se não fosse... AHHH!!



- Não! Calma, Ness! Calma!! Estou aqui com você. Eu a ajudarei passar por isso. Agora está muito recente, mas essa dor vai passar e você voltará a ser feliz novamente.



- Nós fizemos tantos planos... AHHH! AHHH!!!



- Eu sei, meu bem! Mas precisa se acalmar... – Ficamos abraçados por um longo tempo. Choramos muito para espantar os fantasmas a nossa volta. Mas eles continuavam lá... sempre lá. Jacob naquele momento era o meu porto seguro e em seus braços sentia em terra firme. Ele me segurava e não deixava as ondas me levar... Era a minha rocha firme e evitava que os fortes ventos não me derrubasse na água.







Agora está tão longe

ver a linha do horizonte me distrai

Dos nossos planos é que tenho mais saudade

Quando olhávamos juntos

Na mesma direção

Aonde está você agora

Além de aqui dentro de mim...