quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Capitulo 15
By Mica Black

 Jacob!

O grito torturado, que brotou de sua garganta, a acordou e provocou um momento violento que fez Renesmee sentar-se na sua cama estreita.
Era um sonho... Só um sonho. Ele não estava ali, não a encontrara.
Assustada, balançou a cabeça e os cabelos negros caíram sobre o rosto úmido.
Se rendendo em ir com Aro, ela achou que seu marido logo a encontraria; mas por que ele não a achou?

Estaria mesmo com Leah? Como Seth havia afirmado?
Pela primeira vez nos últimos seis anos, deixou-se realmente pensar sobre o assunto.
Ele se casaria com Leah?

__  Pare com isso, Renesmee! - Censurou-se em voz alta. O rosto delicado estava pálido, como conseqüência do esgotamento. Entregar-se as recordações só traria mais sofrimento.
Estava acabado. Estabelecera um ponto final. Amara Jacob com loucura, mas fora obrigada a deixá-lo.
- Tudo bem, mamãe?

Arrancada do devaneio, virou-se e viu o rostinho preocupado de seu filho.
Seu filho: a única prova de amor que teve de Jacob.,

__  Oh, Brandon! Mamãe teve um pesadelo, só isso. - Sorriu, tentando disfarçar seu sofrimento.
Brandon já tinha seis anos a essa altura. Ele era a versão menor de Jacob e somente uma única coisa que os diferenciava: Brandon tinha os olhos esverdeados de Renesmee.

__  Mamãe, Seth está no sofá largado, com uma garrafa de conhaque vazia caída sobre ele. Seth está roncando como um porco.

__  Brandon! Vamos deixar eu lhe trocar para podemos recolher as verduras na horta para entregarmos para o mercado. – Interveio Renesmee.

__  Ah, eu já sou grande o bastante para me trocar sozinho, – esbravejou.

__ É? Então vai logo! Rápido.
Antes de sair, Brandon parou na porta e olhou para sua mãe com os olhos lacrimejados.

__ Mamãe, por favor, não brigue com Seth. Eu gosto muito dele.

Renesmee assentiu com a cabeça, com pena do seu filho. Mesmo não querendo, Brandon se afeiçoou a Seth.

Seth tornou uma obsessão em falar que Brandon é seu filho e, mesmo não obrigando Renesmee ir à cama com ele - pois para ele a honra vinha em primeiro lugar - ele jamais possuiria uma mulher sem que ela aceitasse-o também. Então, para honrar esse voto, ele fez Renesmee jurar também que nunca mencionaria quem era de fato Jacob Black na vida de Brandon.

Renesmee colocou seu robe e foi até a sala acordar Seth, para que ele pudesse tomar um banho gelado a fim de curar a ressaca.

__  Seth! Seth! Acorde – ela o chamava ao cutucá-lo.
Seth grunhiu com um bafo de conhaque de segunda linha e abriu os olhos com dificuldades.

__  Renesmee, acho que bebi demais – indagou-o passando as mãos nos cabelos; estava envergonhado por Renesmee, mais uma vez, presenciar essa cena.
Renesmee suspirou cansada.

__ A quem você quer enganar?Você é um alcóolatra!

__  A culpa é toda sua! Você me negou e ainda me nega durante todo esse tempo. Se você pensa que Jacob vai voltar pra você, você está muito enganada! Ele está com a minha irmã! Eles têm uma filha! –

Desabafa Seth, desafiando Renesmee a encarar os fatos.
Renesmee sentiu uma dor aguda no peito e sentiu que suas pernas estavam fraquejando; precisou sentar-se para não cair.

Eles têm uma filha?

__  Eu não queria te contar; mas, a semana que estive fora, fui visitar minha tia Sue e eu vi a menina com Leah. Ela confirmou que o pai era o Jacob! – explica

__  Foi você que nos tirou dele, Seth! – ela começou a dar golpes no peito dele chorando. Seth, por sua vez, a segurou pelos punhos e a jogou no sofá. Logo se arrependeu do seu ato e foi até ela, colocando carinhosamente sua mão em seu rosto; porém, de imediato, Renesmee afastou-se.

__ Não tenho nenhuma doença contagiosa.

__  Eu sei. Só não quero que me toque – Ela cortou e saiu da sala, o deixando sozinho.
Ao entrar no seu quarto, Renesmee fechou a porta atrás de si e caiu escorrendo da parede até o chão; fechando os olhos como se já não pudesse mais suportar tanta dor.
Como sentia falta de Jacob!

Ele talvez nem se lembrasse dela, e talvez nem do filho que ela estava esperando; a dor em seu peito era tão intensa que ela tinha impressão que iria morrer.

Uma suave batida na porta interrompeu-lhe as conjecturas.

A batida repetiu-se novamente e era Brandon avisando que estava pronto para recolher as verduras na horta.

Recolhendo as verduras com Brandon, Renesmee começou a lembrar quando teve que encarar a difícil vida no campo; como uma camponesa e não como uma baronesa como foi criada para ser.

Flash back
__  Agora preste atenção, pois lhe ensinarei a cuidar dos animais – indagou Seth para ela, um dia depois de se mudarem para um vilarejo mais distante do qual eles estavam habitados.

__ Que delícia...

Ele ignorou o sacarmo.

__ Quando eu estiver caçando, a tarefa de cuidar dos animais será sua e depois terá que cuidar do pomar e da horta.

Aos passarem na horta Seth passou-lhe a explicar como identificar cada planta e a explicava a ocasião da colheita de cada erva medicinal e hortaliça.

De volta para casa, ele ainda explicou como se faziam pão e velas.

E, hoje, ela não precisava mais que ele lhe ensinasse as coisas; pois já sabia de tudo e ainda melhor. Renesmee ganharia bastante dinheiro com as verduras que vendia no mercado do vilarejo, pois Seth desistira de trabalhar e só ficara na bebedeira.

Renesmee olhou para seu filho, feliz por ajudá-la a recolher as verduras.

Ele era tão jovem, tão precioso e vulnerável... Renesmee faria qualquer coisa para protegê-lo.

Naquele momento, Renesmee teve de lutar para controlar as lágrimas. Brandon, seu menino, tentava ajudá-la, do mesmo modo que Jacob fizera anos atrás.

— Mamãe? — Brandon veio correndo e segurou a mão dela. — Meu pai me odeia tanto? Pois Seth sempre fala mal dele.

— Seu pai sempre amara você, Brandon. - disse Renesmee, com o coração partido ao ver a expressão ansiosa do menino.

Brandon olhou para baixo e traçou um circulo no chão, com a ponta da bota.

— Se ele me ama, eu deveria conhecê-lo. Você e Seth me amam e estão sempre junto comigo.
Renesmee suspirou, sabendo como o filho se sentia.

— Seu pai é um homem muito ocupado, meu bem. Você é muito, muito importante para ele. Talvez nunca o vejamos, mas não quero que você o culpe por isso.  Venha, vamos ao vilarejo, temos verduras para entregar.

(***)

      O tempo quente de verão parecia ter-se escondido, para o aborrecimento de Jacob Black. O ar estava gélido, e uma neblina envolvia à tarde. A atmosfera, assim úmida e sombria, combinava com seu estado de espírito.

Já vira neblina demais durante os anos e  agora detestava esse tempo cinzento e queria vê-lo desaparecer. Ou como ele próprio estava querendo naquele minuto: sumir da face da Terra.

Renesmee se fora e levara com ela a felicidade que ele possuía. Nenhum homem nunca teve o que eu tive com ela, ele pensou. Vou me contentar com as minhas memórias e não ficarei desejando aquilo que jamais terei.

Jacob limitou-se a ficar bebendo para curar a ferida que ainda não cicatrizava; sem pressas, mas sem pausas; alternando-se entre gritar contra o aborrecido do Sam por intrometer-se em seus excessos, ou amaldiçoar sua própria estupidez por deixar Renesmee sozinha e voltar e não ter mais ela ao seu lado.

Como ele a procurou, mas não obteve nenhum sucesso, talvez ela e seu filho estivessem mortos.
Se ela estivesse viva, será que ainda o amava?

Depois do que compartilharam do modo em que ela esteve entre seus braços, entregou-se a ele com
grande generosidade, com muita paixão.

—Cristo, eu me encontro mal, mas você está pior.

A cabeça Jacob não estava de todo em seu lugar quando levantou o olhar da garrafa de uísque escocês, que estava nas mãos, e viu uma pessoa emoldurada na soleira.
O chato do Paul.

Com a taça cheia até a borda, Paul se deixou cair na poltrona que havia em frente de Jacob e se ajeitou com as pernas estiradas, e os tornozelos cruzados.

Levantou o copo e ficou olhando-o enquanto murmurava.

—Mulheres. Capazes de acabar com a existência tranqüila e ordenada de qualquer homem. - Engoliu meio copo, fez uma careta e depois cravou o olhar em Jacob. – Agora eu sei o que você está passando, velho amigo!

— De que diabo está falando? E, em primeiro lugar, por que está falando? Por que está aqui?
Jacob se ergueu na cadeira.

—Do que estou falando? Jacob, pode achar que estou louco, mas me apaixonei! E agora que eu estou apaixonado posso sentir o que estava passando todos esses anos por estar longe de sua esposa.
Jacob  ficou olhando no além. Como doía pensar em Renesmee.

Renesmee... Pois esse é o nome que povoa seus sonhos e que ele sussurrava em suas preces.

— Vamos, Jacob. Quando se divide uma preocupação, ela se torna mais leve — insistiu Paul.
Jacob suspirou e recostou-se, tentando afastar aqueles pensamentos tão dolorosos.

— Não quero falar sobre isso.

__OK! Deixe-me ir. Sabe que você tem que pensar na sua filha, Jacob. Ela está crescendo.

__ Obrigado pela sua preocupação!

Filha! A palavra atingiu Jacob de um modo como jamais imaginara. Se tudo fosse diferente, ele poderia estar com o filho dele e de Renesmee. Jacob procurou afastar a tristeza, mas era difícil demais.
Sua filha, Selena, já estava com quatro anos. Depois de dois anos que Renesmee tinha partido, ele bebeu tanto que acordara com Leah em sua cama. Meses depois, ela veio alegando que estava grávida.

Jacob nunca se casaria de novo, e Selena passou a ser a filha ilegítima dele.

__ Senhor!!! Senhor!!! – Chamou Sam interrompendo os pensamentos de Jacob.

__ Pode falar, Sam!

__ Bem, queria pedir quinze dias de férias; pois a mãe de Emily está muito doente, e ela quer visitá-la antes que sua mãe venha a falecer.

__ O que será de mim sem você, Sam?

__ O Senhor sabe que nunca deixaria sozinho, mas é uma questão muito importante.

__ Está bem, Sam. Pode ir, mas somente quinze dias, OK?

__ Certamente!

__ Sam? Minha filha, Selena, onde está?

__ Está brincando com Sue no jardim. Quer que eu chame-a?

__ Não! Muito obrigado. Boa viagem, Sam!

Jacob foi até a janela do seu escritório e espiou sua filha brincar com Sue.


A garotinha tinha um sorriso com covinhas, cabelos negros e cacheados batendo nos ombros. Sua filha parecia com ele; não tinha como negar que Selena não fosse filha dele.

De repente, Selena viu seu pai a observando e acenou para ele toda sorridente. Jacob, por vez, sorriu para ela envergonhado de ser flagrado.

__ Jacob Black, observando sua filha brincar? Mas isso tem que ser comemorado! Até que fim se lembrou que tem uma filha!

Jacob nem se moveu para olhar quem era aquela voz irritante que ironizava.

__ Leah! Mas que ironia é essa? Eu sei que tenho uma filha e muito linda por sinal.

Leah se aproximou de Jacob para um beijo, e o mesmo se esquivou.

__  O que você quer Jacob?

__ Como assim o que eu quero?

__ O que você quer de mim?

Jacob suspirou e  Leah continuou a falar

__ Às vezes, quando fala comigo, parece que não me vê.

Jacob deu mais um gole do seu uísque e a ignorou; porém Leah chegou mais perto dele.

__ Uma mulher sabe quando um homem olha e vê outra pessoa.

__ Sabe de quem meu coração pertence, não sabe?

__ Ela te abandonou!

Jacob jogou o copo contra a parede e tentou manter a calma.

__ Leah, eu te dou tudo o que você deseja. Já o meu amor eu não posso dar.

Leah grunhiu e saiu batendo a porta com tanta força que o escritório tremeu.

( *** )

__ Suas verduras estão muito lindas. Desde que vendem para nós, nossos fregueses aumentaram. __ 

Elogiou Zac, o filho do dono do mercado.

__ Muito obrigada, Zac. Sua mãe está melhor? – Indagou Renesmee.

__ Não! Se for a vontade de Deus, que ela se vá. Temos que aceitar.

__ Verdade, Zac... Deixe me ir, pois tenho que fazer almoço. Você sabe que tenho um rapazinho muito comilão.

__ Renesmee, você é tão jovem e bonita. Não pensa em se casar de novo?

__ Zac, por favor, não comece de novo. Meu filho já me preenche totalmente.

__ Não é desse amor que estou falando.

__ Tchau, Zac. Até amanhã. __ ela o cortou e saiu de mãos dadas com seu filho.


Quando ela saía do mercado, percebe-se uma aglomeração de pessoas em um bar.

__ Mamãe, é o bar onde Seth freqüenta, não é?

__ Sim! Mas vamos logo, pois já perdemos tempo demais.

__ Ah, mãe! Vamos passar por lá! Quem sabe ele pode ir embora conosco.

__ Mas, Brandon, bar não é um lugar apropriado de irmos.

__ Sra Renesmee!

__ Pois não, Xerife?

__ Seth Clearwater é parente da Senhora?

O xerife suspirou, e Renesmee fitou-o.

— A senhorita o conhece, não é mesmo? — O xerife perguntou com tranqüilidade.

— Não posso dizer o contrário. — Renesmee deu de ombros. — Digamos que somos parente sim, xerife.
Serei capaz de entender se o senhor for obrigado a prendê-lo, pois deve estar bêbado.

Os pensamentos se sucediam com rapidez. Naquele momento, Renesmee enfrentava uma grave descoberta. Não poderia, para ser honesta consigo mesma, mentir para o xerife, pois Seth a fez jurar que perante aos olhos dos outros eles não se conheciam.

Xerife ergueu a mão e a interrompeu:

 — Sra. Reensmee, lamento, mas o Sr. Clearwater se matou.

— O senhor tem certeza disso? — Renesmee sacudiu a cabeça. — Não, Seth nunca foi um homem de ter coragem de fazer esse ato. Pelo menos, quando estavam juntos.

— A senhora pode me acompanhar?
O xerife a levou até o corpo de Seth no bar sem vida.
Renesmee colocou as mãos na boca, não acreditando no que via.

— Por que ele morreu mamãe? – Indagou Brandon chorando.

— Todos nós morremos um dia, querido. - Ela disse, tentando acalmar o sofrimento do filho.

No funeral, havia somente Renesmee, Brandon e alguns amigos do vilarejo.
Ao se aproximar do caixão para dar um último adeus a Seth, Renesmee não se conteve e desabou em lágrimas.

— Ei! Sua cabeça dura, por que fez isso hein? Por que me amou tanto assim, Seth? Você sempre soube que eu não merecia o seu amor! Saiba que apesar de tudo, eu te perdôo. Isso por que você foi tão bom com Brandom e ele te ama tanto.

Adeus, velho amigo!

Ela saiu limpando as lágrimas que insistiam em cair.

— Mamãe! Agora estamos sozinhos! Como papai, Seth também nos deixou.

— Seu pai não morreu Brandon, e quer saber de uma coisa? Seth também não, pois ele vai sempre morar bem aqui. – Diz Renesmee colocando a mão no coraçãozinho de Brandom.

Os dias passaram desde a morte de Seth, Renesmee teve que encarar a vida mais dura ainda; pois, agora, era só ela e seu filho. Eles não tinham mais ninguém.

Como de rotina, Renesmee e Brandon foram entregar as verduras no mercado.
Renesmee já estava de partida, quando alguém lhe tocou seu ombro e a chamou carinhosamente.

— Sra. Renesmee?

Ela por vez se virou e se deparou com... Sam?

— Sam?

— Por Deus, a Senhora está viva! Nossa! Procuramos-lhe por todos os lugares cabíveis e como iríamos imaginar que a Senhora sempre esteve nesse vilarejo onde mora a minha sogra?

Renesmee ficou sem ação, achando que tudo não passava de alucinação. Afinal, talvez estivesse muito cansada e começara a delirar.

— Mamãe! Zac me deu um pirulito.

Sam olhou para a criança que acabara de chegar.

— Céus! É ele não é?

— Sim! - Respondeu assustada, pois realmente ela não estava sonhando. Isso era muito real.

Sam abaixou para ficar na altura do moleque e reparou em cada traço que ele tinha.

— Você é muito parecido com o seu pai! Como é seu nome rapazinho?

— Brandon, Senhor!

Sam olhou para  Renesmee de novo transbordando de alegria.

— Vamos embora, Senhora!

— Não, Sam! Não posso! Jacob tem outra mulher agora!

— Renesmee, ele nunca te esqueceu! Espere-me aqui, vou gritar para Emily que estou aqui e então nós

vamos embora. OK? Prometa-me que vai me esperar.

— Sim!

Esperando que Sam se afastasse, Renesmee pegou Brandom e desapareceu em meio à multidão.

Nota: A formatação não ficou legal, mas já veio assim. Tentei arrumar o máximo que pude.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Capítulo - 5 – Envolvimento




O beijo era suave, calmo e cheio de ternura. Ele movia os lábios sobre os meus, tocava a minha pele com tanta suavidade, como se sentisse medo de eu quebrar a qualquer momento. Minha pele formigava, meus sentidos estavam completamente aflorados com aquelas sensações maravilhosas. A cada movimento que fazia com os lábios, era um redemoinho de emoções fervilhando em meu corpo. Ele inclinou a cabeça lentamente, pude perceber o toque suave sua língua, ainda com gosto de manga, penetrar a minha boca. Ele a movia de forma bem lenta, pude perceber sua textura, seu gosto e os movimentos aumentando gradativamente em minha boca.



Gemeu gostoso, segurando o meu corpo contra o seu. Senti meu corpo ficar mole e quase desmaiei. Ele me apertou contra si, entrelaço os dedos em meus cabelos e os movimentos que fazia me deixavam completamente leve. Era uma sensação surreal está tão entregue em seus braços. Passei meu braço pelo seu pescoço, acariciei a sua nuca. Sua mão começou a descer pelo meu pescoço, chegou as minhas costas e começou a focar a minha pele sobre o tecido da minha roupa. Estremeci com os seus toques e completamente perdida em seus braços, esqueci de respirar. O fôlego me faltou e virou meu rosto lentamente interrompendo o nosso beijo.



Estava ofegante, trêmula e sem domínio sobre o meu copo. Encostei a bochecha na sua e tentei não cair no chão. Ele percebeu o quão desnorteada estava, segurando me firme contra o seu corpo. Ficamos com os rostos colados por um tempo. Estava de olhos fechados e não podia ver as suas expressões. Minha mente via o sorriso em sua face, denotando a plena satisfação pelo beijo. Sorri com aquele pensamente e passei a mão que estava livre seu rosto. Abri os olhos lentamente e vi aqueles profundos olhos negros, com um profundo brilho, encarando o meu olhar.



Sorri satisfeita e vi o lindo sorriso estampado em seu rosto. Calmante beijou a minha bochecha e depois foi afastando o seu corpo. Imediatamente senti vontade de voltar para os seus braços, mas contive o meu impulso e tentei me recompor.



- Vou levar o resto das frutas para a cozinha. Depois podemos ir aonde quiser. – Disse com aquela voz rouca e sexy, causando pequenos tremores em meu corpo. Se inclinou para pegar a bandeja de frutas e depois saiu lentamente. Cruzei os braços na altura do peito, fechei os olhos e sorri me lembrando de cada detalhe do beijo e da forma como ele me tocava.



Percebi que por mais apaixonada que fosse por Seth, com Jacob era completamente diferente. Ele era mais maduro, um homem atento aos detalhes e sabia como me tocar, como me fazer sentir especial e desejada. Não fazia as coisas com pressa e meu corpo respondia a cada toque.

E comecei a pensar como seria se eu tivesse conhecido os dois na mesma época. Pensei se teria me apaixonado pelo Seth brincalhão e impulsivo, ou se teria me apaixonado pelo Jacob calmo, ponderado e certinho. Fechei os olhos e pensei nos dois lado a lado. Meu coração começou a palpitar com aqueles pensamentos e a porta se abriu.



- Vamos¿ - Ele já estava do meu lado segurando a minha mão. Deu um leve beijo e depois me conduziu até a porta.



Caminhamos até o carro e continuava com aqueles pensamentos sobre os dois. Não conseguia evitar de comparar a suas atitudes e forma como faziam as coisas. Era estranho pensar naquilo, mas completamente inevitável e acabava me sentindo culpada por está traindo o meu falecido namorado, apenas dois meses depois da sua morte, com o seu irmão.



Chegamos ao carro e tive um Dejavu, fazendo o meu corpo tremer. E Jacob viu o meu desconforto diante daquela situação. Imagens do acidente passaram em minha cabeça e não conseguia se quer abrir a porta do carro. Percebi que minhas mãos tremiam e Jacob caminhou até mim, tocou a minha mão sobre maçaneta do carro. Fechei os olhos e senti as suas caricias. Não consegui abrir porque ela tremia.



- Tudo bem¿ Quer que eu dirija¿ - Ele me perguntou , abri os olhos e virei o rosto lentamente, vi que estava com expressão preocupada. Franziu o cenho, deixando a testa com algumas ruguinha e fez com que as sobrancelhas grossas se juntassem. Mordi os lábios e balancei a cabeça em sinal de negativo. – Quer ir de moto¿ - Perguntou e mais uma vez balancei a cabeça em sinal de negativo.



- Preciso superar isso. – Sussurrei e ele passou a mão em meu rosto, fez um leve afago e me ajudou a abrir a porta. Entrei no carro, vi que havia deixado a chave na ignição. Abri a porta do passageiro e Jacob entrou. Liguei o som do rádio e estava tocando uma música que não conhecia, mas Jacob começou a cantarolar com aquela voz sexy. Novos tremores tomaram o meu corpo e mal conseguia me concentrar na direção.



- Já que você não está aqui

- O que posso fazer

- É cuidar de mim

- Quero ser feliz ao menos,

- Lembra que o plano

- Era ficarmos bem...



Ao ouvir aqueles versos, lágrimas rolaram em meu rosto e meu coração doeu. Sabia que por mais dificil que fosse, tinha que continuar a minha vida. Que o que senti e vivi com Seth havia ficado no passado e um novo futuro se apresentava a minha frente. Dei partida no carro e o conduzi pelas estradas de La Push.



- Qual o nome dessa música¿ - Perguntei com a voz embargada e ele se virou para me fitar.



Eieieieiei!

Olha só o que eu achei

Humrun

Cavalos-marinhos...





- Vocês está chorando¿ - Peguntou e continuei a ouvir a música com o coração destroçado pela aquela dor. Balancei a cabeça em sinal de positivo. – Que que desligue¿ - Perguntou preocupado e vi de soslacio que sua expressão era de culpa.



Sei que faço isso

Pra esquecer

- Não... – Consegui sussurrar e tentando manter a concentração na estrada, por mais que quisesse me atirar em seus braços e chorar- A vida continua...tenho que seguir em frente e sei que ele entenderia. – Minha voz era praticamente o suspiro e não sei se ele consegueiu compreender o que havia dito.



Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando

Tudo embora...



- Ness, vamos conversar¿ Para o carro um pouco. – Pediu com tom preocupado e com a velha amargura na voz. A melodia continuava suave e meu coração ainda mais apertado. Estava me sentindo uma traidora.



- Estamos quase lá. – Respondi e continuei ouvindo o resto da melodia em silêncio,percebendo os olhares apreensivos de Jacob.



Sai do carro, peguei a mão de Jacob e o conduzi até as pedras que ficavam a beira do penhasco.



Chegamos ao topo do penhasco, na parte mais alta de La Push, de onde podia se ver toda a orla, pequenos barcos na marina, a linda praia, algunas casas de pescadores, ao longe algumas ilhas formando um lindo arquipélogo. De lá tinhamos a visão mais linda e perfeita de La Push e podiamos sentir perto do céu, com a brisa soprando em nossoas cabelos, o sol se pondo no horizonte, as gaivotas voando bem perto do mar. Também haviam alguns surfistas pegando as suas ondas.



Jacob se sentou em uma delas e me colocou sentada em seu colo. Abraçou-me ainda em silêncio e ficamos contemplando a mais perfeitas das vistas. As ondas estavam furiosas e quabravam sobre as rochas com violência, mas ao longe e visão que tinhamos era simplesmente linda, como uma verdadeira pintura de um quadro.



Quis congelar aquele momento para tirar uma foto e poder contemplar tão esplendida beleza. Os pensamentos tristes começaram a se esvair de minha mente e ouvi o som suave da voz de Jacob cantarolando a música em meu ouvido.



- Eu deixo a onda me acertar

- E o vento vai levando

- Tudo embora...



- Jacob...- Sussurrei e ele paro de cantar, virou o meu corpo lentamente e encarou o meu olhar. Quando nossos olhos se encontraram, novamente as emoções começaram a tomar forma em meu corpo e sentir a estranha sensação em meu estômago. Ele percorreu a extensão do meu braço com o dedo indicador e parou na palma da minha mão. Estremeci e suspirei, sem conseguir esconder minhas emoções, e ele sorriu.



- Fala, meu anjo. – Levou a mão ao meu rosto e começou a fazer caricias em minha bochecha com o seu polegar. Mordi os lábios e com certeza fiz a cara de amora azeda da Kristen interpretando a Bella.



- Fico pensando se Seth aprovaria nós dois assim... – Abaixei a cabeça e não consegui completar o que queria. Ficava imaginando como Seth, ciumento como era, ficaria se sentindo traído se nos visse junto. Sentia-me estranha em relação aquilo.



- Ele etá morto e você viva. Não temos culpa do que estamos sentindo um pelo outro. Acho que se Seth estivesse vivo e eu a conhecesse... – Balançou a cabeça em sinal de negativo.



- O quê¿ - Perguntei e ele segurou o meu rosto com as duas mãos.



- Seria complicado demais, Ness... Ele era meu irmão, mas você... – Virou o rosto para o mar e se calou.



- Jacob, como seria se vocês dois me conhecessem na mesma época¿ Estava pensando sobre isso agora a pouco e sei lá... – Era tão estranho falar sobre aquele assunto. Mas não conseguia evitar de pensar sobre ele ou de fazer comparações entre os dois.



- Se você houvesse me conhecido na mesma época. – Virou-se para mim e mordeu os lábios. Como seria¿ - Parecia constrangido e suas expressões denotavam angústia. – É horrível saber que só está comigo agora porque lembro o seu namorado morto. – Parecia derrotado ao falar sobre aquilo. Virou o rosto e se calou.



- Eu não sei... Eu gostava do Seth... – Comecei a chorar e ele me abraçou forte, colocando minha cabeça em seu peito. Começou a fazer caricias em meus cabelos.



- Tudo bem... Não precisamos falar sobre isso. – Sussurrou de forma gostosa em meu ouvido. Meu corpo estremeceu e me apertei ainda mais em seu corpo.



- Com você eu sinto diferente, Jacob... Não é a mesma coisa. – Sussurrei.



- Não precisa falar. – Continuava a dizer como se estivesse com medo.



- Você me faz sentir coisas que nunca senti. Mas isso me deixa culpada, porque Seth não me deixava com as mesmas sensações... Sou uma traidora. – Comecei a chorar muito e percebi que ele também chorava pelo tom da sua voz.



- Você também me faz sentir coisas que nunca senti. Isso me dá medo... não quero ser apenas um fantasma na sua vida... um step. – Levantei a cabeça e vi as lágrimas em seu rosto. Aquela conversa era tão dolorosa para nós dois e mexia dentro da ferida que ainda estava aberta. Era difícil falar em Seth e sobre o que nós vivemos, sem fazer comparações e deixar ele ver como tudo foi importante para mim. Ao mesmo tempo era doloroso saber que ele se via apenas como um fantasma, quando na verdade eu já o amava tanto que chegava a me doer fisicamente.



- Você não é... – Sussurrei.



- Não vamos dizer nada, Ness. Acho que nesse momento o silêncio é o nosso remédio. Não quero te magoar e me magoar com essa conversa. – Sentia o seus beijos em meus cabelos e suas mãos deslizando em minhas costas. Ele havia passado a mão por dentro do tecido da camisa e a deslisava suavemente em minhas costas. Era uma sensação inacreditavel e me sentia como em um filme.



- Posso te pedir uma coisa¿ - Peguntei constrangida, sabendo que o pedido seria no mínimo estranho e que ele poderia se aborrecer. Mas precisava dele e era a hora de falar. – Sábado é a baile de formatura da escola. – Comecei em um tom brando e tinha medo de continuar.



- Você já tem par¿ - Sussurrou.



- É justamente isso que queria dizer. Eu não fui para a cerimônia,porque era doloroso demais está lá sem Seth. Mas todos os meus amigos estão pedindo para eu ir ao baile. E por mais que tente dizer que não vou, sei que um dia poderei me arrepender.



- O baile de formatura é um marco, Ness. Acho que meu irmão não gostaria que o perdesse.



- Sim! Mas não consigo ir... ainda doi muito.



- E quer que eu vá com você¿ É isso¿ - Segurou o meu queixo e ergueu lentamente a minha cabeça. Encarou o meu olhar por alguns segundos. – Tudo bem! Mas não acha que seus amigos vão ter um colapso quando me virem¿ Você desmaiou e sua mãe desmaiou. Agora imagina o que vai acontecer com todos os seus amigos. Será histeria coletiva nesse baile. – Jacob começou a rir, quebrando o clima que estava entre nós.



- Imagina a cara da Jessica! – Gargalhei. – Aimeudeus! Será muito engraçado. – Não conseguia parar de rir e ele ria comigo.



- Ainda quer que eu vá¿ - Perguntou franzindo o cenho. E começou a brincar com o meu nariz.



- Será bem engraçado. O que me diz¿ Vai comigo¿ - Fiz um biquinho e ele riu achando graça.



- To vendo que esse baile será cheio de emoções. – Mordeu a parte inferior dos lábios e foi aproximando o rosto lentamente do meu. Vi cada sutil movimento, a boca carnuda trêmula, os cilios piscando,os olhos negro penetrando todo o meu ser, a respiração ficando ofegante. Seus lábios começaram a se abrir e seus olhos se fecharam a milimetros de meu rosto. Fecheios os olhos e me entreguei ao seu beijo. O fogo começou a me consumir e um novo desejo tomou conta do meu corpo. Pressionei os seus lábios e o beijei de forma avassaladora, movendo os lábios sobre os dele com desespero. Queria tudo dele...exatamente tudo. Eu o amava. Tinha certeza que o amava e não havia mais volta... Precisa dele para voltar a viver.





Eieieieiei!

Olha só o que eu achei

Humrun

Cavalos-marinhos...






segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Capítulo 4 – Confissões




Seus braços quentes, musculosos e ao mesmo tempo carinhosos me envolviam, fazendo-me sentir sensações estranhas de felicidade e alegria em meu corpo. Era esquisito pensar que havia perdido o namorado há dois meses e estava sendo consolada nos braços do seu irmão. E inevitável a comparação dos sentimentos que habitavam o meu coração. Parecia que havia uma estranha conexão entre nós e não conseguia entender bem o motivo.



Como a pessoa pode sentir conforto em uma situação como essa¿ Era o que pensava a todo momento, sentindo as caricias e Jacob em meus cabelos, o seu abraço gostoso, uma sensação de paz que pouco a pouco substituía aquela dor.



Ficamos calados por uns instantes e logo Jacob quebrou o silêncio, que deixava o clima ainda mais atordoante para mim.



- Você ficará bem, Ness. – Segurou o meu queixo e começou a erguer lentamente a minha cabeça. Vi os seus profundos olhos negros me fitarem com inquietação. Era um misto de dor e de algo que ainda não conseguia decifrar. O fato era que ele me olhava como se estivesse vendo a minha alma e falava sabiamente, como se fosse bem mais velho do que era. – Você é nova e esse foi o seu primeiro amor, mas posso lhe garantir que não será o último. Ainda se sentirá atraída por muitos caras, dará muitos beijos, terá muitas brigas e também chorará muito com as desilusões. E quando encontrar o homem da sua vida, verá que as experiências valeram apena para te fazer crescer. As lembranças sempre te acompanharam e cada tropeço que der, será um novo aprendizado, tornando você mais resistente aos embates da vida. – Seus olhos brilhavam tanto, que me perdi completamente e o que ele falava parecia sair por um ouvido e entrar por outro. Não conseguia me concentrar nas palavras, com ele me olhando daquele jeito tão estranho. – Pode acreditar no que digo, meu anjo... a dor vai passar e você crescerá. – Fechou os olhos e beijou a minha testa de forma tão terna. Depois se afastou de mim, fazendo me sentir falta do seu calor. – Vou pegar frutas para comermos... Já volto! – Levantou-se da cama e saiu, deixando me completamente atordoada com aquela situação.



Sentia meu coração bater em um novo compasso. Uma ansiedade me dominava, tinha vontade de ficar grudada em Jacob e já havia me esquecido completamente o motivo de está ali... Era só nele que pensava... Só nele!



O tempo que permaneceu fora parecia uma eternidade. Peguei o travesseiro e coloquei sobre a face para sentir o seu cheiro. Um cheiro bom, forte e muito marcante que me lembrava madeira. Tive a estranha idéia de tentar descobrir o seu perfume. Afinal aquele cheiro ficaria marcado em minha memória e se pudesse compraria um vidro só para sentir o seu cheiro.



A porta se abriu e instintivamente joguei o travesseiro na cama. Jacob entrou com uma bandeja e me olhou intrigado com o meu estado, ainda catatônico, não sei descrever. Apenas que fiquei completamente estranha e imaginava as caras e boca da azeda da Bella de Crepúsculo.



Caminhou até a cama e colocou a bandeja sobre ela. Ficou me olhando em silêncio e apontou a bandeja com frutas antes de pegar um pedaço de manga, com um garfo, e levar a boca, colocando-a de forma sensual. Começou a mastigar lentamente e ao invés de me concentrar nos alimentos, fiquei paralisada observando como movia o maxilar... Devo confessar que era a coisa mais linda do mundo.



Foi impossível não tecer qualquer tipo de comparação com Seth, apesar de não ter intenção de fazê-lo. Mas apesar de quase idênticos, porque já começava a notar as poucas distinções no rosto e no corpo, eram muito diferentes no agir.



Seth teria colocado a fruta toda de uma vez e comeria com pressa, movendo o maxilar de forma rápida e tentando manter a conversa quando comia. Já Jacob era mais calmo e fazia tudo de forma mais tranqüila. Tinha uma sutileza nos gestos, no falar, movimentar e nas expressões faciais, enquanto Seth era mais agitado e fazia tudo de forma precipitava.



Observar Jacob me fazia notar que as diferenças eram evidentes e me deixavam ainda mais fascinada para descobrir mais sobre ele e no que teria de distinto em relação ao irmão.



- Não vai comer¿ - Perguntou me encarando depois de mastigar a sua fruta. – Será uma vergonha eu ter que fazer aviãzinho para você. Não acha¿ - Deu um ligeiro sorriso, tirando me do transe e que me encontrava. Só balancei a cabeça em sinal de negativo. E como não se deu por vencido, pegou dois pedacinhos pequenos de banana, espetando o garfo calmamente, levou até a minha boca e fiquei aturdida com aquele gesto, que demonstrava que realmente se preocupava comigo. Ainda sem conseguir falar nada, abri a boca e permiti que colocasse a banana em minha boca, depois fechei e comecei a mastigar lentamente, enquanto ele pegava outro pedaço de fruta para comer.



- Desculpa... – Consegui sussurrar depois que terminei de mastigar.



- Pensei que seria um eterno monólogo. Você parece mal com a minha presença. – Disse com tom triste. – Se quiser podemos ver as fotos e o restante dos objetos outro dia. Não quero que me veja como um fantasma e que fique me olhando dessa forma. Está começando a me preocupar. – Completou o seu pensamente e depois levou o garfo novamente para pegar mais fruta. Fez um sinal para que eu continuasse a comer, mas tinha que dizer algo. Não podia continuar agir como uma doida.



- Desculpa, Jacob... – Mordi os lábios e abaixei a cabeça. – É que isso tudo é muito estranho e preciso me acostumar. Não queria lhe deixar constrangido... Não mesmo. – Falei observando ele mastigar calmamente, enquanto me observava de forma analítica, parecendo ponderar as suas palavras para não me magoar.



- É estranho para mim, Nesss. Eu a vejo me olhando como um fantasma e me sinto estranho. Gostaria muito que de amenizar esse clima entre nós. No entanto, apesar de me sentir mal, entendo que precisa de um tempo. O problema é que em alguns dias terei que voltar para Pearl Harbor e quando isso acontecer, ficará ainda mais difícil conhecer a vida do meu irmão. – Havia um pesar tão grande em sua voz, que chegava a cortar o meu coração. – É uma necessidade que tenho antes de continuar a minha vida. Entende¿



- Eu entendo, Jacob. – Disse com um tom mais razoável, considerando o meu estado de leseira. – É que, por mais que tente, é difícil não fazer comparações entre vocês dois. Entende¿ Vocês são tão parecidos e ao mesmo tempo diferentes. Isso me assusta um pouco.



- Eu sei, querida! Não queria forçar a barra com você. Entendo o momento que está vivendo e quero que saiba que compartilho a sua dor. Só não fique se culpando por algo que não está sobre o seu controle. Deus sabe de todas as coisas e se a hora dele não houvesse chegado, estaria aqui agora com você e não eu. Não temos o controle sobre o nosso destino. Você acredita em destino¿ - Passou a mão delicadamente na minha bochecha e ficou olhando no fundo dos meus olhos.

- Acredito! – Respondei sentindo o meu estomago se revirar e as minhas bochechas queimarem de nervoso. Era tão estranho a forma como ele mexia comigo, deixando me constrangida e ao mesmo tempo me fazendo querer o conforto dos seus braços me envolvendo. Era como se eu o conhecesse há vida inteira... Como se estivéssemos conectados.



- Então pare de se martirizar, menina! Viva cada dia como se ele fosse único. Aprendi que a vida vale muito e a valorizar cada momento dela. Sou muito novo, mas no pouco tempo na marinha vi e vivi muita coisa. – Começou a rir de forma engraçada. – Deve me achar um velho. – Balançou a cabeça em sinal de negativo.



- Não! Eu não acho. Pelo contrário, Jacob, você parece ter uma sabedoria muito grande para a sua idade. Como consegue¿ Você já terminou o colegial e tem uma carreira na marinha... Não entendo! – Fiquei observando a sua face mudar, a rigidez da sua face dá lugar a uma expressão tranqüila, o sorriso mais lindo se formou em seu rosto. Senti uma felicidade estranha ao ver o sorriso espontâneo, os dentes branquinhos, a covinha do queixo ficar mais evidente, as maçãs do rosto mais acentuada... Eu me perdi em seu sorriso e me esqueci de respirar.



- Sempre fui muito inteligente e autodidata. Por isso os professores me adiantaram na classe quando era bem pequeno. Era o mais novo nas classes em que estudei. Os alunos mais velhos me sacaneavam e cheguei até a sofrer buling. Mas como filho de militar linha dura, acabavam não pegando tanto to meu pé. Aprendi as coisas muito cedo, considerando as pessoas com quem me relacionava. Sempre tive tudo, apesar de me faltar amor. Mas não queria depender do meu pai e com treze anos comecei a trabalhar em uma oficina, ajudando os oficiais que cuidavam os carros e jipes do ato escalão. Assim fui guardando dinheiro cedo, aprendi o significado do dinheiro, que o casamento muitas das vezes não dá certo porque as mulheres são chatas e os homens intolerantes. Aprendi que os homens não sabem dá valor as suas mulheres, que não sabem lidar com os filhos e que muitas família vivem conflitos por falta de tolerância.



- Nossa, Jacob! - Ele ria engraçado.



- Onde trabalhava era um verdadeiro confessionário. Todo o tipo de conversa era falada abertamente. Foi assim que aprendi sobre as mulheres, foi assim que aprendi a ser homem, observando a vida dos outros e tentando entender como as pessoas têm as cabeças duras, não sabem perdoar, pedir desculpas e muitas vezes não conseguem dizer “eu te amo”. Acho que isso foi o que destruiu o casamento de alguns dos meus amigos. Cheguei até a dá conselhos, mas de nada adiantou.



- E o seu pai¿ Vocês não conversavam¿ - Perguntei curiosa.



- Nunca conseguimos manter um diálogo aberto. Sempre foi indulgente e quis impor a sua opinião. Mas aprendi muito cedo que deveria impor a minha opinião. E assim que terminei o colegial, comecei na marinha e sai de casa. Era difícil pedir conselhos ou falar sobre coisas como garotas. – Pegou um pedaço de abacaxi com o garfo e levou até a minha boca. Eu a abri e deixei que me alimentasse enquanto contava as suas histórias. – Comecei a namorar cedo, mas saímos da base para arrumar garotas fora da base. Normalmente eram filhas dos oficiais e tinham medo dos pais. Por isso fugíamos para longa para namorar e assim comecei a minha vida sexual... – Engasguei quando ele tocou no assunto.



- Desculpa, Jacob...



- Não quer saber sobre isso¿ - Perguntou me encarnando, percebendo o meu desconforto.



- Sim... continua, por favor! – Pedi gentilmente.



- Vou dizer que já namorei muito e me meti em muitas encrencas por casa das garotas. Mas depois de um tempo sosseguei e tentei me concentrar nos meus estudos. E quando passei da fase do treinamento e comecei a embarcar para viagens, fiquei sem muito tempo para pensar em garotas. – Hesitou por um momento e pareceu constrangido. – Na verdade já tem um tempo que não namoro ninguém.



- E como é no mar¿ Como são as viagens¿ O que fazem¿ Você gosta disso¿ - Estava fascinada e queria saber mais sobre ele. Precisava conhecer a sua vida, seus hábitos, sua história e o olhava com uma admiração tão grande, que deixava transparecer o meu fascínio. Era impossível não o olhar com encantamento... Simplesmente impossível.



- No início era bem entediante, chato e cansativo. Porque ficávamos na base fazendo exercícios super cansativos, a rotina não era nada fácil, sofríamos humilhações e logo de cara precisávamos provar ser bons e agüentar o tranco. Eu ficava cansado, entediado e aborrecido com tantos exercícios e estudos sobre normas de comportamento e regras de navegação, nas aulas que tínhamos. – Começou a rir. – Passei por situações bem engraçadas e complicadas ao mesmo tempo. Depois dos primeiro seis meses, fui me acostumando com tudo aquilo, as coisas continuavam chatas, mas já estávamos aprendendo a lidar com armamentos e estudando estratégias de combate. Um ano de ralação bem complicado, fui para a minha primeira viagem em um porta aviões e fiquei lá por quatro meses.



- Quatro meses¿ Como agüentou¿



- Dependendo da missão, ficávamos até mais tempo e eu morria de inveja dos pilotos dos caças. Afinal aquele era o meu sonho e pelo meu problema de visão não fui aceito. Mas me sentia útil em trabalhar na maquinaria e ser útil de alguma fora. Participei de algumas missões no oriente.



- Chegou a participar de algum combate¿ - Perguntei franzindo o cenho. Ele pegou outro pedaço de fruta e levou a minha boca.



- Infelizmente não! Normalmente os pilotos de caça fazem o reconhecimento do espaço aéreo e só entram em confronto em situações que exijam muito. Com o fim da guerra fria, os governos têm mais cautelas e evitam o confronto direto. Só ficamos no nosso limite territorial, eventualmente nos envolvemos em algum tipo de missão de paz e damos cobertura aos nossos aliados. Mas nunca participei ativamente de um confronto... Infelizmente.



- Infelizmente¿ - Perguntei franzindo o cenho e ele pareceu se divertir com a minha indignação.



- Ness, ficar em alto mar, sem nenhuma agitação, diversão, mulheres e com muitos homens é entediante. Você não imagina o quanto! Passamos o tempo lendo, ouvindo música, estudando e muitos jogam vídeo game ou cantam em Karaokê. Não temos muitas diversões em alto mar e é preciso inventar para passar o tempo



- Imagino!



- Depois eu falo mais sobre a minha vida. Agora me mostra as fotos e as coisas que trouxe. – Peguei a mochila, abri e espalhei tudo sobre a cama. Depois começamos a abrir os álbuns de retratos e comecei a mostrar as fotos.



- Essa aqui. – Disse apontando para uma foto onde aparecia nas costas do Seth. – Foi no primeiro verão que passamos juntos. – Seth estava gargalhando na foto e eu pendurada no pescoço dele. Jacob virou a página e na outra Seth fazia uma careta, e ele riu achando graça.



- Ele parecia bem divertido. – Começou virando a página e viu outra dele tocando violão. Continuou a passas as páginas, enquanto olhava atentamente cada foto e ria com o jeito engraçado do irmão.



Ficamos um bom tempo vendo várias fotos e Jacob parecia maravilhado ao ver como o irmão fora feliz. Sorria lindamente e às vezes franzia o cenho e mudava as expressões. Fiquei observando cada mudança em seu rosto no tempo que via as fotos.



- E essa aqui¿ - Apontou para uma foto em que Seth e eu estávamos deitados em um saco de dormir e Embry, para sacanear, tirou a foto.



- Esse foi um acampamento que fizemos com nossos amigos. Naquele dia Embry queria curtir comigo, que sempre ficava muito tímida, resolveu tirar a foto. Quando vi quase o matei, mas depois achei graça a sua infantilidade e resolvi não apagar. – Jacob parecia pensativo, como se estivesse formando um filme em sua mente e como sempre, com pequenos movimentos sutis, mudava as expressões faciais, mudando de sério para alegre em um piscar de olhos.



- Vocês eram bem íntimos. – Foi mais uma afirmação do que uma pergunta. Vi que ficou sério olhando a foto e depois viro a página. Tentei imaginar o que pensava, mas era completamente indecifrável os seus pensamentos.



- Sim! – Abaixei a cabeça envergonhada, ele segurou o meu queixo e a ergueu. – Ele foi meu primeiro namorado, vivemos muitos momentos, fizemos planos juntos, o nosso maior projeto era casar, mas...



- Você não precisa ficar envergonhada comigo, Ness. Não sou um tolo para achar que você é uma donzela e vocês só ficavam e beijos e abraços. – Franziu o cenho, juntando as sobrancelhas e mordeu os lábios.



- Mas as coisas eram complicadas para Seth, porque ele se sentia inferior e achava que nunca estaria a minha altura. – Comecei a abrir o meu coração e Jacob me observava com muito interesse. Segurou a minha mão carinhosamente e começou a fazer leves carícias, deixando o meu corpo inteiro estremecido. Era absurdamente extasiante o que sentia com os seus toques. Ficava completamente enfeitiçada com eles e queria sempre mais. – Ele era um atleta, era popular, às vezes infantil e tinhas suas limitações. Não era um CDF, mas fazia o possível para me acompanhar. As coisas se complicaram porque a sua mãe perdeu o emprego que tinha no hotel em Port Angeles. Assim teve que trabalhar em casa de família. Seth se sentia mal por não ajudar e ficava com vergonha de pedir dinheiro. E para saímos era muito complicado, porque ele não queria depender de mim. E ficava sempre se martirizando por ser pouca coisa para mim. Abandonou o time e começou a trabalhar meio período em uma oficina. Mesmo assim ganhava pouco e sempre dizia que eu merecia coisa melhor. Por isso brigamos muitas vezes.



- É complicado para um homem não ter dinheiro nem para um hotel... – Jacob balançou a cabeça em sinal de negativo, quando percebeu o meu constrangimento. – Desculpa... Mas eu entendo bem o meu irmão, Ness... Como entendo! - Sentia minhas bochechas queimando de vergonha e sabia que estava vermelha. Jacob levou a mão até lá e fez um leve afago. Abaixei a cabeça e me calei. – Não queria te constranger. Às vezes sou direto demais. Pode me desculpar¿ - Perguntou erguendo o meu queixo.



- É claro! Só quero que entenda como eram as coisas... Bem complicadas! – Retruquei.



- E faculdade¿ Ele se inscreveu para alguma¿ - Continuava curioso e me olhava como se fosse quebrar a qualquer momento. Sentia-me ridícula pela forma de encarar as coisas. Mas não conseguia evitar as minhas emoções.



- Ele não queria ir. Esse foi um dos motivos de achar que não era bom para mim. Dizia que precisava ajudar a mãe e que a faculdade sairia muito cara. Não tinha como manter os custos e ajudar a mãe. Nós duas conversamos muito com ele e até consegui que preenchesse alguns formulários de inscrição. Meus pais me deram um apartamento mobilhado em Seattle e combinamos de morar juntos quando foi aceito pela Universidade de Washington. Começamos a decorar o apartamento com nosso toque e tínhamos muitos planos para o futuro.



- E seus pais¿ Aceitaram isso¿ - Perguntou intrigado.



- De início reclamaram muito e não gostaram da idéia de eu morar com o meu namorado. Mas prometemos nos casar logo que terminássemos a faculdade e já iríamos oficializar o noivado.

Seth já havía comprado as nossas alianças e já estávamos até usando. Quando ele morreu, ela me fazia sofrer muito e com muito custo, porque todos falavam, resolvi guardar o símbolo do nosso compromisso. – Comecei a chorar ao me lembrar do acidente e senti a culpa me corroer mais uma vez. Jacob me puxou para si e me abraçou forte. Começou a beijar a minha cabeça e foi descendo os beijos pela minha testa, chegando a minha bochecha. Nossos olhos se cruzaram por um momento e vi que estava visivelmente emocionado com tudo aquilo. Fechou os olhos e senti seu rosto tão próximo que era possível sentir a sua respiração. Também fechei os meus olhos e senti os lábios tocaremos meus.



Senti os lábios macios e aveludados moverem sobre os meus. Um calor começou a emanar de meu corpo com aqueles movimentos. Nos abraçamos forte e me entreguei ao seu beijo sem nenhuma restrição, sentindo os movimentos quentes de seus lábios, misturados as lágrimas salgadas que rolaram pelo meu rosto. Inclinei a cabeça lentamente e sua língua pediu passagem em minha boca.



Seus movimentos lentos e sinuosos me fizeram esquecer tudo. Naquele momento só havíamos nós dois e nenhum tipo de dor poderia me ferir. Era incrível como ele me fazia sentir mais viva e mais plena, como seus beijos tinham o dom de me acalmar e fazer esquecer toda a dor reprimida em meu coração. Enquanto nos beijávamos, sentia os suaves movimentos de suas mãos em minha pele, tocando o meu pescoço com uma mão e o braço com a outra.



Jacob intensificou o nosso beijo, aumentando os movimentos de sua língua, passou as mãos em meus cabelos, prendendo a minha cabeça com os seus dedos. Gemi espontaneamente em sua boca, sentindo um prazer tão surreal me consumir naquele momento. Escutando um barulho e a sua mãe o chamou, quebrando completamente o nosso clima.



- Jacob¿



Ficamos nos olhando por longos segundos, estávamos ofegantes e sabia que era necessário disfarçar o que havia acontecido. Jacob se afastou de mim e quanto sua mãe entrou no quarto, estava encostado na cama, mexendo no álbum de foto.



Ela sorriu e me cumprimentou. E me senti feliz por ver que dona Sarah havia encontrado uma razão para continuar a viver depois de tanta dor.



- Ness! Como você está, querida¿ - Perguntou caminhando em minha direção. Eu me levantei e sorri para ela.



- Bem, dona Sarah! – Respondi – E a senhora¿ - Ela me envolveu em um abraço materno e percebi que estava emocionada por me ver em sua casa mais uma vez. Era estranho olhar para ela e perceber que estava revivendo os momentos em que me encontrava com Seth no quarto.



- Vim preparar almoço para você, filho. – Disse para Jacob, olhando o com encantamento nos olhos.



- Não precisava, mãe! Eu me arrumo por aqui... Vou levar Ness para comer fora. – Jacob se levantou, caminhou até ela, abraçou ternamente e depois a beijou.



- Tudo bem, filho! E vocês estão se dando bem¿ - Olhou para nos dois, como se soubesse de algo. Parecia saber que estávamos nos envolvendo e tinha um olhar estranho em sua face. Fiquei constrangida com a situação, mas dona Sarah sorriu, saiu dos braços de Jacob e depois me deu um beijo na testa.



- Tenta ficar bem, querida... A vida continua! – Ela sabia... Sim sabia que estávamos envolvidos e parecia aprovar a situação. Senti o rubor em minha pele novamente e abaixei a cabeça. – E você cuida bem dela, filho. – Disse e saiu do quarto, deixando-nos a sós. Coloquei as duas mãos sobre o rosto. Queria sair correndo, enfiar a cabeça em um buraco para esconder a minha vergonha. Jacob me abraçou, aconchegando a minha cabeça em seu peito e depois a beijou.



- Ele morreu, mas a sua vida continua, meu anjo. – Disse com a voz que mais parecia uma canção. Novamente as estranhas sensações começaram a me dominar e me sentia completamente perdida.



Ficamos em silêncio por um tempo, até que ele quebrou o silêncio.



- Vamos dá um passeio¿ - Perguntou segurando o meu rosto com as duas mãos, enquanto me olhava nos olhos, parecia ler a minha alma, e me deixava completamente envergonhada. – Você precisa respirar ar puro. Quando voltarmos continuamos com as fotos. – Completou.



- Quero te levar a um lugar especial... Preciso compartilhar algo com você. – Respondi e ele abriu um lindo sorriso. Vi tudo se iluminar naquele momento, como se o sol voltasse a me iluminar e, aquecendo os meus dias frios.



Lentamente ele aproximou o seu rosto do meu, colou as nossas testas e ficou me olhando daquela forma. – Quero compartilhar tudo com você, meu anjo. – Fechou os olhos e foi aproximando os lábios dos meus. Meu corpo começou a formigar e as emoções voltaram a fazer uma festa em cada célula que gritava por ele.
Capítulo 14

—Vai. Não negue outra vez.

Renesmee olhou a seu marido, Tinha visto os preparativos, apesar dos intentos do Jacob de dissimulá-los e mantê-la confinada em seu quarto. Girou ligeiramente sobre os almofadões que Jacob lhe tinha posto detrás das costas e o olhou fixamente, desafiando-o em silêncio. Queria saber se agora se atreveria a mentir. Jacob tinha conseguido evitar o tema, às vezes inclusive conseguiu evitá-la a ela, mas Renesmee decidiu que não podia seguir tolerando aquela irritante e ridícula situação.
O homem suspirou e se sentou no bordo da cama. Embora fosse consciente da covardia de sua atitude, considerava preferível que ela não se inteirasse de seus planos até que estivesse a ponto de partir. Não queria mentir, mas o instinto lhe dizia que não devia que confessar por que tinha que partir. Quando retornasse vitorioso, com as recompensas que desejava, as explicações seriam mais singelas e os aborrecimentos durariam menos.

—Não queria preocupar-se.

—E não te ocorreu pensar que todo este sigilo me faria pensar e me preocupar muito mais?

—Tinha a esperança de que não te desse conta de nada.

—Comecei a me dar conta de que algo estava errado depois  que Edward partiu. É difícil não dar-se conta de que você e seus homens preparando-se para ir à guerra. Porque isso é o que estão fazendo, não é? Vai para guerra?
—Sim, não é fácil negar-se a uma petição do rei. —«Especialmente-refletiu Jacob em silêncio-quando um se ofereceu voluntariamente».

—Mais porque não negar? Relate para ele a minha situação?

Renesmee sabia no fundo que Jacob não era capaz de pedir ao rei que lhe relevasse da obrigação de combater. Se o rei tinha solicitado seus serviços, ele cumpriria obedientemente com a solicitude, por seu elevado sentido da honra. Renesmee era consciente de que o rei sabia muito bem.

—Não, não posso pedir tal coisa. Requerem-se com urgência homens aptos para lutar.

Jacob não queria confessar sua mulher ele sabia que invocar a necessidade do rei e do país era a única maneira de obter que Renesmee aceitasse sua partida, embora fora de muito má vontade. Nunca lhe pediria que deixasse de cumprir suas obrigações de cavalheiro. Jacob se sentia culpado por usar um ardil tão trapaceiro para obter que sua esposa estivesse de acordo, mas, no momento, considerava-o um subterfúgio necessário.

Jacob sentou-se na beira da cama. Renesmee Ficou sem argumentos para convencer-lo de ficar. Insistir seria pôr em perigo sua honra e seu sentido do dever. Não podia lhe fazer isso.

Quando o marido agarrou sua mão e seus olhares se encontraram, Renesmee o examinou. Não havia nenhuma pingo de arrependimento nele, o que a decepcionou, mas não a surpreendeu. Casou-se com um guerreiro, Se lhe apresentava a oportunidade de ir lutar, embora fora a uma só batalha, não podia ficar quieto.

Tinha que esconder o temor e a preocupação que sentia e deixá-lo ir ao campo de batalha sem lágrimas nem condenações.

—Quer ir mostrar a fúria dos Black, verdade? Quando vai?—Renesmee esboçou um sorriso forçado.

—Amanhã—respondeu com certo acanhamento, pois lhe resultava dolorosa sua própria covardia, que lhe impediu de confessá-lo antes.

—Amanhã? —murmurou Renesmee. A iminência de sua partida a deixou emocionada, e foi notado na voz—. Tem que ser tão logo? Não pode atrasar estender os dias? Uma semana, por exemplo?

A jovem achava insuportável que seu marido se ausentasse tão logo. Não podia, ou não queria lhe revelar a causa de sua redobrada aflição. Logo entraria em trabalho de parto.

Jacob grunhiu por dentro. Entendia a sua aflição, sabia o que ela não podia dizer, sabia que era errado a deixar nas vésperas do parto. A perspectiva de enfrentar-se à morte o fazia ainda mais difícil. Entretanto, era seu dever, não ficava mais remediando a sua partida. A batalha não lhe esperaria, seria liberada com ele ou sem ele.

Por outro lado, teria que ficar longe dos delicados braços da Renesmee, pois poderiam acabar com  as forças, perder o ânimo que necessitava continuar seu plano.

—A guerra não espera querida-respondeu ele com voz apagada, sem fazer nenhum esforço por esconder o pesar que sentia.

—Malditos.

—Todos nós também temos essa opinião - respondeu Jacob, em um débil intento de brincar—. Não me ausentarei muito tempo.

—Como pode estar tão seguro?

—Tratavam-se de criminosos comuns, saqueadores, delinqüentes. Não vamos a uma guerra propriamente dita. Devem roubar, não a brigar. Certamente, não fugirão o combate, mas não é o que procuram. Sua principal preocupação é levar-se quanto possam. A nossa será salvar e recuperar o mais que se possa. Estes tipos de campanhas não são tão largo como uma guerra.

Apesar de que não estava totalmente convencida, Renesmee preferiu não discutir mais. Tratou de consolar-se dando crédito ao que havia dito seu marido.




—O vento esta muito fria. Isso pode prejudicá-la, minha senhora.

Renesmee olhou secamente um momento a Sue antes de dedicar toda sua atenção ao Jacob. Ninguém podia impedi-la de sair para se despedir de seu marido. Por um instante pensou que podia ser a última vez que o visse vivo. Em seguida afugentou a sombria idéia. Jacob retornaria junto a ela. Tinha que acreditar que assim seria.

Ao observar Jacob enquanto se aproximava dela, Renesmee rezou para não derrubar-se em lágrimas.

—Não deve ficar muito tempo aqui fora, querida-murmurou Jacob enquanto a abraçava.

—todos nós já alertamos. —Sue sacudiu a cabeça-Não há maneira de convencê-la.

Renesmee grunhiu e conseguiu sorrir ao Jacob.

—Estamos bem abrigados, não temos frio. Seu filho e eu queremos despedi-lo e que tenha uma boa viagem e que Deus especialmente-adicionou algo forçadamente—que te traga de volta logo e a salvo.

—Também eu quero que seja assim, Nessie. —Deu-lhe um suave beijo

__ Não saiu ainda e já  estou sentindo falta de você —murmurou, e franziu o cenho quando Jacob  sorriu—Ordenarei que me ponham pedras quentes na cama para não esquecer seu calor.

—Concordo e terá que ser pedras muito grandes-continuou ela.

            — Se cuida, quando voltar quero você forte e com bastante saudade para ser recompensados na cama - Sua voz estava a ponto de quebrar-se. Jurou-se que seria sua única demonstração de debilidade.

Tomando cuidado de não espremer ao bebê Jacob a abraçou com força durante uns instantes. Emocionava-o ver que Renesmee não estava tão tranqüila por sua partida como queria fazer acreditar em todos. Por um momento tinha chegado a pensar que ela aceitava muito facilmente a idéia de ir à batalha. Não havia, enfim, lágrimas nem queixa, mas as brincadeiras e os sorrisos também lhe resultavam um pouco perturbadoras.

Quando Renesmee levantou para olhá-lo, Jacob a examinou por um momento. Como sempre, sua visão lhe produziu uma estranha opressão no peito. Sua mulher era tão bela que não encontrava palavras para descrevê-la. Só um idiota a deixaria, pensou Jacob, e  prometeu em silêncio que seria a última vez que se afastava dela. Deu-lhe um beijo na boca e depois deu um passo atrás.

—Serei tão prudente como qualquer homem, Nessie. Você também tem que se cuidar. —Deu uma piscada para ela-Espero te encontrar sã e bem descansada quando retornar.

Renesmee conseguiu  sorrir e depois ficou quieta e em silêncio enquanto o via partir. O acompanhou com os olhos até que fechassem os portões detrás dele.

—Agora, por favor, Renesmee, procura não ficar exposta ao ar frio e úmido muito tempo.

Renesmee assentiu e entrou no castelo com todos seus pensamentos centrados em Jacob.


Ao decorrer dos dias Renesmee via Emily a noiva de Sam bastante triste e tentou conforta-la.

—Emily, Eu sei que deve sentir falta de Sam. Eu também sinto falta do Jacob.

—Sério?

Renesmee franziu o cenho, não só pela pergunta, mas também sobre tudo pelo tom de ironia de Emily.

—É obvio que o sinto falta dele. Como pode me perguntar algo assim?

—Parece-me estranho que diga que tem saudades de seu marido quando foi você a que o mandou à batalha.

—Que eu o mandei à batalha? —Renesmee se perguntou se tinha excedido na hora de representar o papel de esposa valente.

—Sim, mandou-o. Não queria acreditar Renesmee. Eu não pensava que você se importava coisas como as terras e os títulos. Depois de tudo, você tem esse castelo e é feliz aqui. Pensei que não se importaria que seu marido fosse um simples lorde com poucas terras. Talvez você custe ter trabalho de renunciar a certas coisas das que desfrutou toda a vida.—Emily sacudiu a cabeça—. Nunca pensei que fosse tão cruel Renesmee. Tão desconsiderada, não é a toa que tem o sangue dos Cullen.

Emily encarou Renesmee, e viu a expressão profundamente horrorizada.
Emily começou a pensar que possivelmente se equivocava que havia algum mal-entendido e julgava mal a Renesmee. Esta última possibilidade a afligiu enormemente.

A futura jovem mãe demorou um momento em poder falar. Finalmente, falou com voz afogada.

—O que está dizendo?

—Talvez me tenha equivocado. Esquece, não falei nada.

Renesmee agarrou Emily no braço e a sacudiu.

—Me repita o que acaba de dizer, Emily, e claramente. Jacob me disse que tinha que ir lutar porque o rei o pediu.

—O rei o pediu depois de que Jacob se ofereceu.

—Jacob pediu ao rei que o mandasse a lutar? —Renesmee falava com voz tremente, tratando de entender completamente o que lhe estava dizendo.

—Sim. O rei tinha sugerido várias vezes que Jacob estava em portas de obter uma recompensa melhor que os simples elogios e honras, e então seu marido pediu brigar por essa recompensa: um título e um feudo. Tinha que obtê-los por você, para te devolver o que seu irmão o tirou.

—E disse que a você que eu tinha pedido isto? Disse ao Sam que eu o tinha pedido?

—Pois... Não, ninguém disse isso exatamente. —Emily suspirou—.Ninguém disse. Deduzi-o pela maneira em que Sam me contou isso. Não podia acreditar que Jacob queria ir brigar que aceitasse ficar em perigo ele mesmo e arriscar a vida de todos outros, por conseguir uma recompensa que não necessita. Já tem terras, assim pensei que o tinha pedido ou que tinha feito acreditar que isso era o que você queria. Renesmee, se me equivoquei...

—É obvio que se equivocou Emily. —Renesmee se deu conta de que estava gritando e que tinha atraído a curiosidade dos guardas, e então baixou a voz—. Já sabe o que sinto pelo Jacob. Realmente acha que o colocaria em perigo só para obter uma miserável recompensa material, por grande que fosse?

—Parecia a única explicação razoável. Devolver-lhe a terra e o título que seu irmão te tirou, sem nenhum sinal de rancor.

—Eu mato Jacob!

Ao vê-la quão furiosa estava Renesmee, Emily tratou de acalmá-la.

—Não esqueça que ele faz isso por você e pelo clã.

__ Senhora! Tem um Senhor Querendo falar com a senhora, ele diz que é da sua família. – Informou o empregado.

__ Da minha família? Quem será? – murmurou Renesmee.

Ao entrar no hall do castelo deparou-se com um senhor de cabelos escuros com a pele bem branquinha e franziu o cenho, pois nunca viu aquele Senhor na vida.

__Perdão já nos conhecemos? Meu criado me informou que o Senhor era o meu parente, mais gozado não me lembro de conhecê-lo? – Indagou Renesmee secamente.

__ Oh Vejo que a Senhora tem uma língua bem afiadinha hein?, Mais como a Senhora é direta no assunto eu também vou ser!, Por favor, ordene que estejamos a sós.

__ C Como?

__Isso mesmo!! Quero falar com a senhora a sós!

Renesmee pediu para que o criado se retirasse e que só retornaria quando ela o chamar.

__Pois bem o que quer de mim Senhor.... ?

__Volturi! Aro Volturi.

__ Agora vá direto o assunto Senhor Volturi.

__Vim aqui para te levar embora.

__Me levar embora? Mais isso só pode ser uma piada? – indagou Renesmee alterando a voz.

__Por favor, milady fale mais baixo, sim eu vou te levar embora, se a senhora não for pelo bem, vou ter que então matar o seu marido, embora que eu levando a senhora embora ele também possa morrer, mais vai ser uma morte mais lenta, pois seu ponto franco é milady – murmurou Aro com ironizo.

__ Mais porque quer me manter longe do meu marido? Porque quer matá-lo? –disse Renesmee segurando seu ventre já quase na reta final da gestação.

__ Matar seu marido sempre quis, mais tive uma ajuda de um rapaz que alega ser apaixonado pela senhora e como eu tenho que recompensa-lo pela sua ajuda e esse premio é a milady.

__ Mais o senhor deve estar louco, olha meu estado? Meu marido não se encontra aqui porque se encontrasse te mataria.

__ A senhora acha que sou louco de vir aqui com ele presente?, E sobre o bastardo Seth depois resolve.

__Seth??? Ele está por trás de tudo isso??

__ Sim! Agora vamos não tenho tempo pra perder, suba e peguem algumas trocas de roupas e vamos, a senhora tem que falar com os seus criados que vai dar uma volta comigo, entendeu? – Brandiu Aro mostrando a faca para Renesmee.

Ela assentiu com a cabeça e 15 minutos depois desceu com a bagagem, tentando não mostrar nervosismo aos empregados.

__ Aonde a senhora vai milady? – Indagou o empregado.

__Embry, por favor, diz ao meu marido que fiz isso por amor – murmurou baixinho e saiu.

Entrou na carroagem e segurou seu ventre, e sem querer deixou que as lagrimas rolassem.

“ Será que meu destino é ficar longe de Jacob? “ pensou

Renesmee viajou por 2 dias até chegar a uma casa de campo bem simples, ela estava esgotada sentia-se fraca, pois mal conseguiu comer pensando no desgosto de saber que talvez nunca Jacob fosse ver ela e seu filho.

Aro desceu e ajudou ela descer da carruagem e chamou por Seth, que o mesmo veio correndo com um enorme sorriso ao ver que o plano deu certo.

__Por que fez isso Seth? – murmurou Renesmee com um olhar frio para Seth.

__Fiz isso por eu a mereço mais que ninguém, vamos ficar juntos pelo resto de nossas vidas e esse filho sera meu também-confessou Seth beijando a mão de Renesmee, e ela por fez cuspiu nele.

__Nunca!!!

__Seth você tem que dar umas boas bofetadas nela para ela te obdecer-murmurou Aro.

__ Muito obrigado Aro, agora eu me viro – Indagou Seth despedindo de Aro e a levando para dentro da casa.

Renesmee observou dentro da casa era muito simples mais pôr bem arrumada, mais não era o que ela queria ele queria Jacob, e caiu de joelhos perante Seth e desabou em lágrimas.

__Por favor, Seth se me ama mesmo, me deixa voltar? – suplicou

__ Ah doce Nessie você vai aprender me amar assim como aprendeu amar aquele asno.

Horas depois Renesmee colocou a xícara de chá na mesa e afagou a barriga imensa. Olhou para Seth, sentado ao lado dela.

__ Você nunca esteve tão bonita.

De repente, Renesmee cerrou as pálpebras.

– Seth? – murmurou. – Creio que minha hora está chegando.

Seth ergueu-a e, enquanto se encaminhava ao quarto, ia dizendo: __ Mais já? É noite e não temos visinhos.
Colocou-a na cama e apertou-lhe a mão. –Não há o que temer Nessie não vou sair do seu lado, vou te ajudar a colocar ele para fora.–Fitou Renesmee, que suava e gemia de dor.

- Necessitaremos de uma camisola  limpa para  você lençóis limpos . E roupa  para o menino.


Renesmee estava a ponto de replicar que não havia necessidade disso, quando repentinamente uma dor aguda atravessou seu ventre, tão intensa que  abriu a boca.

Já não  estava tentada a discutir se aceitava Seth sendo o parteiro. Quando a dor afrouxou,  viu que Seth aproximava  uma cadeira ao lado da cama.

- Me deixa só !

- Não diga tolices. Não  te prometi que  estaria aqui com você ?

- Não quero que  cumpra a promessa . Pode  ir – ela informou imperiosamente.

Ele colocou sua mão sobre seu ventre. - Não posso - ele disse simplesmente. - Estarei aqui quando meu filho nascer.

Renesmee tirou  sua mão, desejando gritar de frustração . Por Deus! Ele era louco! Reensmee apertou  seus dentes

-- Não  esse filho é meu e do Jacob.

Seth ofegou com exasperação.

 -- Nessie, não  contenha a respiração  assim! Só faz tudo mais difícil. Por favor, grite o suficientemente  forte para que  lhe escutem  no vale vizinho.

Renesmee se afundou para trás,  contra o travesseiro.

-- Não o farei - ela ficou sem fôlego. - Eu ... Sou fraca nas demais coisas. Não serei... Não serei fraca nisto.

-- Diabos! Rensmee, não diga tolices.  É tão forte  e tão  valente como qualquer guerreiro!

A escuridão da noite se instalou no quarto. As velas acesas lançavam sombras oscilantes nas paredes. Junto com a dor veio uma pressão imensa do interior de seu ventre. Quando a contração desapareceu, Renesmee  se voltou  para trás, agitada e empapada.

Do pé da cama Seth l falou. - Oh, Nessie! O menino quase está  aqui. Quando  voltar a sentir  a dor, deve empurrar.
Sua mente se encheu de confusão. Desejava gritar seu desespero, mas não tinha  força. Ela estava exausta, e  não podia fazer  mais.
Ela piscou, enfocando escuridão, as feições de Seth  sobrevoavam em cima dela.
Ela deu um gemido de aflição.
Uma dor dilaceradora atravessou o corpo de Renesmee . Suas unhas se cravaram no colchão. Seu corpo estava sendo esmigalhado.
O bebê saiu dela para ir às mãos  de Seth

-Um menininho! - Seth gritou  em meio de soluços. -Renesmee,  tem um filho sadio!

Reensmee virou sua cabeça.  Viu o vulto nas mãos de  Seth. Brevemente viu  um corpo vermelho diminuto, uma cabeça escura. Então o  estudou . Contemplou suas bochechas rosadas. As sobrancelhas escuras  arquearam sobre seus  olhos azuis. Uma mecha  de cabelo no centro da cabeça ... Era tão negro como o  seu pai...O bebê fechou  seus olhos .

Um filho, ela pensou  assombrada  Este é meu filho. O orgulho inchou seu peito até que  pensou que  exploraria.

--Jacob - ele disse em voz alta - Temos  um filho!

 Seth deu um murro na escrivaninha.

__Um filho que ele nunca vai conhecer!!!




(***)


Jacob olhou para a escuridão que tinha em sua frente. Os inimigos estavam perto, quase os cheirava. Alguns poderiam escapar dele e seus homens, mas não todos. Em outras circunstâncias, simplesmente os deixaria partir, porque a vitória eram deles e já tinham recuperado muito do que os ladrões saquearam. Entretanto, esta vez o rei queria sangue, ordenava que os ladrões pagassem um preço alto por seus ataques.
Jacob desejava de verdade nesse momento, pensou com um suspiro, era voltar para casa. A saudade por Renesmee doía e também do seu filho que pelos seus cálculos já havia nascido e ele nem o conhecia.
Mais faltava dois dias para esse inferno acabar.

Passou os dois dias Jacob estava dispensado e ele voltava para sua casa com mais terras e feudos, sentia um orgulho de si mesmo e partiu a noite mesmo para sua casa.

Quando Jacob, Sam e Paul se aproximaram do castelo, a primeira coisa que notaram foi o silêncio. Aquilo não fazia sentido. Em geral, àquela hora, o castelo reverberava com o movimento.

Seus instintos guerreiros se alertaram. Avançaram até o salão um pensamento surgiu na cabeça de Jacob Onde estava a sua mulher?. Só em pensar nisso, seu estômago revirou.

Não podia mais conceber sua vida sem ela. Um som profundo e doloroso saiu.


— Sam — ordenou —, vá ver o que está acontecendo. Ele obedeceu mais curioso do que cauteloso, e foi voltando em seguida.

— Embry esta no salão e o aguarda

— Mas... E ela? — perguntou Jacob.

— Quem? — retrucou Sam com expressão inocente.

— A quem pensa que me refiro? — sussurrou Jacob, tão furioso que as veias no pescoço estavam saltadas.

— Oh, com o irmão sim! Sua mulher, ela na esta com Embry — disse Sam, trocando um olhar com Paul.
Jacob tornou a embainhar a espada e passou pelos ami­gos sem cerimônia. Estava faminto, imundo, e necessitando de uma mulher... Certa Renesmee.

Mal entrou no salão, já perguntou a Embry onde estava Renesmee.

— Ela sumiu! Faz 2 meses Senhor, a procuramos mais não conseguimos encontrar — disse Embry muito nervoso.

O ódio tomou conta de Jacob e, de punhos cerrados, ele qua­se atacou o infeliz, isso poderia ser uma brincadeira de mau gosto.
— O que foi que disse? — perguntou cheio de raiva
—Um homem se apresentou como ser um membro da família dela veio busca-la — murmurou Embry em voz baixa, ouvida por todos em meio ao silêncio profundo.

__  Isso é um pesadelo – gritou Jacob

__ Ela pediu para falar para o Senhor que Ela fez isso porque te ama muito – confessou o jovem.

Jacob sem pensar duas vezes pegou seu cavalo e saiu galopando em destino Cullen.


Jacob entrou no castelo dos Cullen e foi direto a hall onde o lorde do castelo estava, os guardas tentou impedi-lo, mais ele estava tão transtornado que nada o impediria de agir.

__ Eu vim aqui para pegar minha esposa e meu filho! – Esbravejou Jacob tentando não perder a cabeça e matar Emmett.

Emmett se levantou da cadeira de lorde e fez um gesto para que os guardas o deixassem e soltou um riso irônico.

__ Não tem nada que te pertence aqui! Nada que é meu é seu!- brandiu

__ Então porque trouxe Renesmee de volta?

Rosalie olhou para seu marido com olhar de espanto, pois realmente não o que Jacob Black estava insinuando.
Nesse momento Edward e Jasper entraram no hall, Edward por sua vez saudou o cunhado com um abraço, mais Jacob não demonstrou nenhum afeto o que o preocupou.

__ Meus irmãos, esse homem veio buscar Renesmee, mais pelo que sabemos foi ele que tirou ela de nós – indagou Emmett cinicamente.

__ Jacob! Renesmee não esta aqui, o que aconteceu? – quis saber Edward.

__ Você jura pelo nome do seu clã que sua irmã não está aqui?

__ Juro!

Jacob caiu de joelhos no centro do hall, achando que isso só poderia ser um pesadelo, Onde estava Renesmee?Pensou.
Rosalie olhou para Emmett e fez um gesto para seu marido se impor porque era sua irmã! Oras!

__ Black! Acho que você tem que explicar o que de fato aconteceu, pois pelo amor do nosso pai, Renesmee não esta aqui-Afirmou Emmett com o coração apertado.

Jacob grunhiu derrotado e contou toda a história que os empregados o relataram.

__ Pois bem! Vamos cercar toda a região e quem estiver com minha irmã, vai direto a forca! – Esbravejou Emmett.

Jacob sentiu que um pedaço dentro dele tinha partido, ele iria até o fim do mundo atrás da amada.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Capítulo 3 – Emoções


Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você



Nossos lábios se moviam de forma lenta, suave e cheia de carinho. Sentia o leve toque de suas mãos subindo pelas minhas costas. A outras mexia em meus cabelos, prendendo a minha cabeça com mãos firmes. Sua língua fazia movimentos circulares junto com a minha. Meu corpo foi tomado por um sentimento que nunca havia provado, enquanto pouco a pouco eu descobria o verdadeiro significado do amor nos braços de Jacob.



Ele gemeu gostoso em minha boca, depois afastou deus lábios, colou sua testa sobre a minha e ficamos respirando de forma irregular, enquanto vários tremores percorriam a minha pele. Suas mãos foram até o meu rosto, segurando o de forma delicada. Abri os olhos e vi aqueles olhos negros tão penetrantes me encarando. Eles brilhavam tanto que pareciam pérolas negras sob a luz. Seus lábios estavam trêmulos e havia uma emoção diferente misturada em sua face enquanto me olhava.



- Desculpa... – Sussurrou e abaixou o olhar, como se tivesse medo de encarar o meu. As batidas do meu coração pareciam uma bateria de escola de samba. E por mais que quisesse ter me arrependido, sentia uma vontade tão grande de está em seus braços. Uma emoção tão forte foi me dominando a cada segundo em seus braços. Tinha a necessidade de ser protegida e ao mesmo tempo de protegê-lo. Vi através daqueles olhos que ele também se sentia estranho e que tinha remorso, desespero ou quem sabe medo. Recostei a minha cabeça em seu peito e o abracei. Ficamos calados por um tempo, até que finalmente tivesse condições de falar algo razoável.



- Não se desculpe, Jacob... –Sussurrei em seu peito, passando a mão carinhosamente sobre ele. Então pegou a minha mão e levou até sua face. Estremeci com o beijo carinhoso em minha palma. Levantei a cabeça e fiquei vendo como a passava em seu rosto, que estava de olhos fechados e com um discreto sorriso nos lábios. – A culpa foi minha... – Pisquei lentamente e vi que ele abriu os olhos e acompanhou cada movimento suave de meu rosto. Era como um filme em câmera lenta estivesse passando, como cada ação ocorrendo quadro a quadro. Assim acontecia conosco, desde o primeiro instante, do primeiro gesto até chegar ao primeiro beijo.



- Eu também quis... – Sussurrou distribuindo selinhos sobre a minha mão, enquanto seus olhos não desviavam um segundo dos meus. Podia acompanhar cada leve movimento das suas pálpebras, da sobrancelha, os olhos mexendo para acompanhar os meus movimentos como se estivesse hipnotizado... Acho que foi isso que nos aconteceu. Nós hipnotizamos e não conseguíamos desviar o olhar ou manter uma conversa razoavelmente sensata. Porque aquele sentimento nos consumia de forma tão intensa, que as palavras eram totalmente desnecessárias... Falávamos apenas com o olhar.



Algum tempo passou, não sei dizer o quanto, quando finamente ele saiu do transe e disse que já era tarde, e que precisava me levar para casa em segurança.



- Está tarde e preciso te levar para casa em segurança. – Afastou o seu corpo e imediatamente senti falta do seu calor. Era como se aquele calor fizesse parte de mim e no exato momento que se afastou, senti o frio da noite me afligir. Meu corpo se arrepiou, olhei para o céu e vi a linda lua cheia despontando no horizonte. Quando voltei o meu olhar novamente para ele, estava tirando a jaqueta... Foi a cena mais linda! – Está esfriando. – Disse com aquela voz rouca e sexy, que era quase um sussurro soando como canção para os meus ouvidos. Virou me de costas e colocou a jaqueta em mim lentamente. Depois deu a volta, ficando a minha frente, pegou a minha mão e entrelaçou os nossos dedos.



Caminhamos pela praia na linda noite estrelada. A brisa soprava em nossos cabelos e podia sentia o cheiro da maresia e ouvir as ondas quebrando na areia da praia.



Chegamos à beira da estrada, ele ficou a minha frente e me encarou novamente. Parecia constringindo com o que havia nos acontecido. O silêncio permaneceu por alguns segundos e não tinha condições para falar nada. Estava totalmente anestesiada com as estranhas sensações que o meu corpo havia acabado de conhecer. Finalmente quebrou o silêncio entre nós, dando me instruções para a viagem de moto.



- Já andou de moto, Ness¿ - Perguntou de cabeça baixa, tentando fugir do meu olhar. Percebi naquele momento que apesar de não está completamente arrependido, parecia muito culpado pelo que nos havia acontecido.



- Já! – Disse abaixando a cabeça e ele pegou a minha mão de forma gentil e fez um leve afago.



- Olha só, tentarei não correr muito. Mas se ficar com medo, pede que eu paro. Tudo bem¿ Tenta subir na moto e apoiar os pés aqui. Depois me segura bem forte e não solta. Pode fazer isso¿ - Ergueu a cabeça e eu assenti timidamente, já pensando que teria que agarrar aquele corpão de deus grego. Comecei a ficar com falta de ar só de imaginar. Depois minhas pernas começaram a tremer e tive medo de desmaiar de emoção. Só consegui assentir com a cabeça, completamente sem graça e envergonhada por me sentir atraída daquela maneira.



Ele colocou o capacete em minha cabeça, subiu na moto e depois apoiei o meu pé, segurei o seu ombro,fiz força e subi. Agarrei a sua cintura, apertando muito forte, recostei a cabeça em suas costas e o seu cheiro começou a me inebriar, invadindo a minha sanidade mais do que pensei que pudesse ser possível. Acelerou a moto aos poucos e quando percebi estávamos flutuando pelas estradas de La Push, cercada por uma vasta vegetação. O vento forte vinha contra nós e me deixava com uma sensação tão boa de liberdade. Minhas mãos agarraram o seu abdômen, pressionando forte e senti o corpo dele estremecer... Quase me perdi tocando aquele corpo tão perfeito.



Aquela foi uma viagem completamente surreal e parecia que estava em um filme de ação, correndo agarrada ao mocinho por estradas perigosas. E pela primeira vez em dois meses, consegui sorrir espontaneamente, sentindo uma sensação de conforto e felicidade invadir o meu corpo... Como me senti segura, mesmo sob uma moto em alta velocidade.



Em pouco tempo, a moto chegou a minha casa e foi desacelerando. Ele estacionou em frente a escada, imediatamente eu o soltei e ele desceu lentamente. Pegou a minha mão, encarando o meu olhar de forma misteriosa, ajudou me a descer, tirou o capacete, colocando sobre a moto, e ficamos frente a frente nos olhando, sem conseguir dizer absolutamente nada por segundos. Depois agradeceu a companhia e perguntou se podia falar mais sobre o seu irmão no dia seguinte.



- Obrigada pela companhia e por escutar o meu desabafo. – Disse com o tom triste e vi que o olhar de encantamento deu o lugar ao mesmo olhar triste que vi quando nos conhecemos. – Será que amanhã pode me falar mais sobre ele. Se tiver fotos ou recordações que possa me mostrar... – Mordeu os lábios e olhou para o outro lado, parecendo super sem graça com a situação. Meu coração batia acelerado novamente, com o seu cheiro roubando mais uma vez a minha lucidez. Quis sentir os seus lábios mais uma vez. Precisava desesperadamente provar o seu gosto novamente, sentir os toques carinhosos em meu corpo, os braços me envolvendo de forma protetora. Mas não conseguia dizer absolutamente nada... Estava travada e só assenti com a cabeça.



Jacob se aproximou novamente e lentamente foi levando o seu rosto até o meu, enquanto seus olhos me encaravam. Meu corpo começou a tremer, comecei a piscar e a mexer os lábios de forma nervosa, enquanto via o movimento sinuoso de sua cabeça aproximando o seu rosto do meu. Ele ficou a milímetros do meu rosto e pude sentir a sua respiração em minha boca. Seus lábios também tremia lentamente e quando estava prestes a beijar os meus, inclinou o rosto e beijou minha bochecha tão perto da minha boca, que quase desmaiei novamente de nervoso.



- Boa noite, Ness! – Disse afastando o rosto lentamente, ainda encarando o meu olhar como se desvendasse a minha alma.



Caminhou dois passos até a moto, colocou o capacete e a montou. Deu partida e ao invés de seguir em frente, circundou me com a moto encarando o meu rosto assustado e depois partiu.



Fiquei estática em frente a porta de casa. Havia me esquecido de respirar, de me mover ou falar. Não conseguia pensar em nada que fosse os lábios de Jacob se aproximando dos meus em câmera lenta. Um susto me despertou de súbito dos meus devaneios.



- Filha!



- MÃE! – Gritei pulando de onde estava.



- O que aconteceu, filha¿ Ele foi falar com você¿ Como está¿ Como se sente¿ Blablaalbla – Começou a falar tudo ao mesmo tempo e ao invés de prestar a atenção nas suas perguntas, a imagem do beijo veio a minha mente, levei a mão a boca e sorri. – FILHA! – Ela começou a me sacudir, pensando que estava em choque.



- O que foi, mãe¿ Eu estou bem... quero dormi! Só dormi! – Sai andando, deixando a para trás e passei por minha tia sem ao menos falar com ela. Estava completamente perdida em meus pensamentos e emoções.



Cheguei ao quarto não sei como e quando despertei das minhas alucinações, estava de camisola e deitada sobre a cama, com as duas me olhando de forma preocupada.



Virei de lado e acabei pegando em um sono pesado.



---xx ---



Acordei cedo, fui para o banheiro, tomei banho e fiz minha higiene matinal. Coloquei uma calça jeans e uma blusa preta. Peguei umas sapatilhas pretas e calcei. Penteei os cabelos, passei perfume e um pouco de batom nos lábios. E enquanto me arrumava, as imagens de Jacob e tudo o que ele me contou não saia da minha cabeça.



Fui até o meu closet e pequei a caixa que havia guardados os porta retratos, CDs, DVDs e livros que comprei ou ganhei de Seth.



Aquelas eram as únicas coisas materiais que haviam restado dele e levaria para Jacob ver. Assim teria a desculpa de está ao seu lado novamente.



Coloquei tudo em uma mochila, enquanto imaginava o seu rosto, a forma delicada de me tocar, os lábios se movimentando lentamente, os olhos negros me encarando o tempo inteiro. Um frio percorreu a minha barriga, revirando o meu estômago. Fechei os olhos e tentei me lembrar de cada detalhe do nosso beijo, com o dedo tocando os lábios de forma suave.



Sai correndo do quarto com a ansiedade me corroendo. Desci as escadas e encontrei minha mãe na sala.



- Filha, vamos tomar café¿ - Perguntou me analisando de forma estranha.



- Não, mãezinha! Tenho que ir ver o Jacob. – Disse correndo para a porta.



- Você vai se magoar mais uma vez! Ele não é o Seth, Ness! Não vai atrás desse rapaz!- Implorou.



- Mãe eu preciso ajudá-lo. – Respondi abrindo a porta.



- Não é só isso que vejo no seu olhar. Ontem você chegou completamente catatônica em casa. Acho que não percebemos como ficou mexida com ele¿ Ness...



- Não, mãe! Como alguma coisa lá! Beijos! – Lembrei que estava sem bicicleta e sem carro e voltei. – Mãe, pode me emprestar o seu carro¿ Por favor! – Juntei as duas mãos, como se estivesse rezando, e implorei para ela.



- Tudo bem! A chave está na cozinha! – Disse e corri para a cozinha, passando por ela como um furação, peguei a chave sobre o balcão e depois sai ainda mais rápido.



Fui até a garagem, abri a porta do carro, sentei, coloquei a chave na ignição e respirei fundo para tomar coragem e dirigir.



- Vamos lá, Ness! – Disse para mim mesma e dei partida.



Acelerei o máximo que poderia agüentar com aquele carro e dirigindo a 100km/h. Cheguei a casa de dona Sarah em quinze minutos.



Estacionei o carro na frente da casa, abri a porta e sai. Vi a moto estacionada logo a frente. Senti meu coração batendo forte novamente, como uma britadeira, meu corpo foi tomado por aquelas sensações esquisitas. O nervoso começou a me consumir enquanto caminhava lentamente até a casa. Percebi que a porta estava encostada e abri lentamente.



Tudo estava como há dois meses, mas havia um vazio estranho no ar. Um tom de tristeza que talvez fosse um reflexo do que meu coração sentia. Ou vi um pequeno barulho vindo do quarto de Seth e soube que era Jacob. Parei de súbito tentando controlar a respiração e o nervosismo. Passo a passo fui andando até ao quarto, abri a porta e vi mexendo no violão de Seth.



Quando me viu arregalou os olhos e foi tomado de susto. Ficou me olhando sem dizer nada, colocou o violão do lado, e depois fez um sinal com a mão para que sentasse ao seu lado. Dei um ligeiro sorriso e caminhei em sua direção. Sentei ao seu lado e ficamos nos olhando em silêncio. Finalmente consegui quebrar o gelo e dizer algo.



- Trouxe algumas coisas para você ver. – Disse baixinho e abri a mochila com os olhos nela. Percebi de relance que seus olhos não saiam de minhas mãos e a vi se movendo na direção dela. Senti o seu toque suave nas costas de minha palma e feche os olhos por um reflexo. Ele fez um breve carinho com os dedos e finalmente conseguiu dizer algo.



- Você já comeu algo¿ - Perguntou e neguei com a cabeça. – Quer tomar café comigo¿ Comprei algumas frutas... De repente gosta. – Pouco a pouco fui virando o meu rosto e vi que me observava com aquele mesmo olhar, enquanto eu parecia a Kristen fazendo a cara de amora azeda da Bella no Crepúsculo. Era a coisa mais bizarra, mas não tinha domínio sobre as minhas ações e acho que aquilo o assustava. – O gato comeu a sua língua¿ - Deu um ligeiro sorriso e eu neguei com a cabeça, sentindo as lágrimas se formarem em meus olhos por aquela reação tão estúpida. Mas era compreensível com a dor que sentia pela morte do meu namorado e o estranho “envolvimento” com o irmão gêmeo que eu nem sabia existir. Estava me achando a mais completa idiota das criaturas, quando ele se aproximou de mim lentamente, colou os nossos corpos e colocou a minha cabeça em seu peito. Depois começou a secar as minhas lágrimas com a ponta dos dedos. Passou as mãos em meus cabeços e começou com leves carícias, fazendo me chorar ainda mais naquele momento. Então o abracei tão forte e deixei toda a dor sair de dentro de mim. A culpa que sentia pelo acidente e os sentimentos que estava descobrindo por ele, que tanto me atordoavam. Tudo foi saindo lentamente através do choro compulsivo e das caricias que Jacob me fazia
CAPÍTULO 13

By Mica Black



Jacob estava sozinho no escritório. Era o seu lugar preferido para refletir sobre a vida e tomar decisões.



Olhava através da janela, contemplando o panorama de sua propriedade.



Um orgulho imenso inchou seu peito. Essas eram as terras do seu pai. Suas terras. As terras que algum dia seria as terras de seu filho, pois de algum jeito Jacob sabia que esse menino seria seu filho. Sua mente estava em tumulto.



Ele havia casado com uma Cullen... Jesus! Seu pai morto jamais o perdoaria por isso? Mas, se não se casasse, seu próprio filho o perdoaria?



Jacob fechou os olhos. Tudo o que pôde ver foi ela... Renesmee. Sua esposa, Renesmee, com os cabelos negros e seus olhos verdes como a grama, miúda e delicada, belamente arredondada agora que carregava seu filho.



Um sorriso se desenhou em seus lábios. Ela pensava que era mansa, mas, na verdade, Jacob nunca tinha conhecido uma mulher com muita coragem. Nessie nunca capitulava. Ela tinha lutado contra ele a cada passagem do caminho. Não tinha sido tarefa fácil conseguisse tê-la em seus braços e em sua cama. De fato, seu desejo por ela só aumentou. Não importava quantas vezes ele a possuísse, pois nunca era suficiente. Nunca seria suficiente. Afinal, o que ele sentia por ela era muito mais profundo que o desejo... Era amor.



Sim, ele a tinha seqüestrado de sua família... Mas tinha perdido seu coração e sua alma nessa façanha. Sentia-se culpado por tê-la submetido a uma separação da sua família. Ele sabia que a mulher sofria com isso, porém não conseguiria reverter o fato.



Não podia negar que havia trazido Renesmee sem que ela soubesse da vingança contra a sua família. Seduziu-a e tinha plantado um filho nela. Que loucura, meu Deus! Mas não se arrependera, pois a amava completamente.



Ele iria ensinar ao seu filho tudo sobre seu clã. Mostraria que, mesmo ele carregando nas veias um sangue inimigo, ele sempre iria ser um Black legítimo!



Ao pensar nos Cullen, seu coração começou a sangrar ao perceber que o próprio irmão teve a coragem de renunciar a sua irmã. E esta era fruto de um amor entre os pais. Correndo nas veias, era o mesmo sangue! Jacob nunca teve coragem de mostrar a carta para Renesmee, mas sabia que um dia tinha que ser revelado.



Sem dotes da sua esposa, ele iria ter que lucrar com outros meios. Com a reconstrução do vilarejo, o clã possuía uma renda baixa. Porém, com a oferta do rei para ele ajudar em uma exploração de terras na Escócia, - que levaria no mínimo três meses, - pelo menos ele voltaria com muitas moedas de ouro e terras que o rei prometera.



Entretanto, em três meses seu filho já estaria nascido. Como contar a Renesmee que ele iria se ausentar todo esse tempo sem mencionar o ocorrido com seu dote?



Os pensamentos de Jacob foram interrompidos pelas batidas ríspidas na porta.



_ Perdão, MiLorde, mas tem um cavaleiro no portão do Castelo dizendo que precisa falar com o Senhor! – Anunciou Sam.



_ Não me lembro de estar esperando visita. Sam, ele se apresentou? – Indagou Jacob com o cenho franzido.



_ Sim! Seu nome é Edward Cullen, seu cunhado.



Jacob grunhiu de raiva. Mas porque a família dela estava aqui sendo que renegaram Renesmee? Pensou consigo mesmo.



_ Quais são as ordens? Devo pedir para ir embora? – Indagou Sam curioso.



_ Não! Pelo o que a minha esposa me conta, Edward é o irmão mais calmo dos irmãos. Peça para ele entrar e o traga aqui no escritório. E nos deixe sozinhos, pois quero conversar com ele antes que Renesmee saiba que ele está aqui! – Indagou Jacob para Sam.



_ Desculpe a intromissão, mas vocês vão conversar à sós? Ele pode matar o senhor? – murmurou Sam prevendo um atrito entre ambos.



_ Por favor, Sam! Faça que eu ordenei! Não se preocupe, ele não irá matar o marido de sua irmã! – disse Jacob, tentando não preocupar seu amigo.



Ao sair, Jacob apertou o punho e depois colocou sua mão no queixo, ansioso em saber o porquê de Edward está aqui.



Novamente, a porta foi aberta e acompanhado com Sam, entrou o irmão de Renesmee. Era aparentemente alto, sem porte físico de um guerreiro, e com cabelos marrom. De fato não se parecia com sua esposa, exceto pela pele branquinha.



_ Edward Cullen! A que eu devo a honra da sua inesperada visita? – disse Jacob com um destingüível tom sarcástico em sua voz.



_ Você sabe muito bem o que me fez vir aqui, Black! Onde está a minha irmã? – Indagou Edward com a voz seca.



_ Pelo o que eu fui informado pela carta do seu lorde e irmão, sua irmã me pertence!- murmurou Jacob.



_ Ela não te pertence! – esbravejou Edward



_ Ah, ela muito me pertence! É minha esposa! – Alfinetou Jacob.



_ Seu bastardo, filho da mãe! Você abusou da minha irmã! Ela é apenas uma criança! – grunhiu Edward.



_ Então, não estamos falando da mesma pessoa. Renesmee, minha adorável esposa, é uma mulher linda e sabe proporcionar muito prazer na cama!



Edward sentiu seu sangue ferver. A ira apossou de seu corpo, afinal, como Jacob ousara falar tal atrevimento? Edward não pensou duas vezes em dar um soco em Jacob.



Renesmee ouviu a voz do seu marido como se estivesse discutindo com alguém enquanto descia as escadas. Percebeu que as vozes vinham do escritório e não hesitou em ver o que estava acontecendo. Ao se aproximar da porta, foi impedida pelo Sam, que estava em prontidão ao lado da porta.



_ Senhora! O seu marido pediu para não ser incomodado. - Afirmou Sam cumprindo as ordens do patrão.



_ Como não? Sam, posso ouvir os gritos. Pelo amor de Deus, ninguém vai me impedir de ver o que está acontecendo! – Esbravejou Renesmee e, sem se importar com Sam, abriu a porta bruscamente e se deparou com um homem atacando o seu marido.



Ao reparar no homem, viu que não se tratava de um estranho e sim do seu irmão. Assustou-se com a cena e impressionou-se com o que acabara de presenciar.



_ Edward!!!!! – Ela gritou horrorizada ao se deparar com o mais calmo dos seus irmãos tentando matar seu marido.



Edward, por sua vez, ao ouvir o som da voz de sua irmã, soltou Jacob e abraçou-a. Sentiu-se aliviado com tal sensação.



_ Renesmee, minha irmãzinha! Céus! Não acredito que te encontrei! – Murmurou em um suspiro de alívio e se afastou um pouco para poder reparar na sua irmã convicta, que não sofrera nenhuma agressão. Ao baixar o olhar no ventre arredondado dela, sentiu sua ira voltar.



_ Ele te engravidou? – grunhiu Edward indo para cima de Jacob de novo.



_ Ah, desculpe, meu amor, mas acho que já suportei demais – disse Jacob dando um soco no nariz de Edward.



_ Oh céus! Sam, venha! Eles estão se matando! – Ela berrou muito assustada.



Meia hora mais tarde, Renesmee levou seu irmão ao quarto de hóspedes e se propôs a cuidar dos ferimentos dele.



_ Meu irmão, como estou feliz em vê-lo! Mas confesso que temi em perder você e meu marido. – Murmurou Renesmee.



— No entanto, se não estivesse reparado que você está carregando um filho de Jacob, eu o mataria.



— Edward, ele é meu marido. Apesar do que ele fez, eu o amo! – Ela Indagou, olhando-o séria.



Edward assentiu e prosseguiu:



— Saiba que não concordei com o que Emmett fez com você!



Renesmee encarou-o, sentindo-se arrepiar.



_ O que Emmett fez comigo, Edward?



_ Jacob não te contou? – Perguntou Edward confuso.



_ Não, eu não contei para ela! – Declarou Jacob parado na porta do quarto com as mãos cruzadas sobre o peito.



_ O que você está escondendo? – Perguntou Renesmee com os olhos arregalados de surpresa em saber que o marido escondeu algo sobre sua família.



_ Achei que você iria adorar falar pra ela sobre a renúncia. – Murmurou Edward ríspido ao olhar para Jacob, que ainda permanecia na porta com os braços cruzados.



_ Minha paciência está se esgotando. Vamos, falem! – Renesmee se enfureceu pela falta de informações. Ela sentia-se um pouco indignada e temerosa do que poderia ter acontecido para tal seriedade vinda de Edward.



Jacob saiu do quarto. Minutos depois, voltou trazendo um bilhete nas mãos e o mesmo entregou para ela.



Renesmee, nervosa, abriu o bilhete e leu. Sua expressão se transformou: os lábios ficaram sem cor. Ela olhou para seu marido transtornada, com os olhos cheios de lágrimas. Jacob não hesitou em abraçá-la e confortá-la.



_ Meu Deus! Não tenho nada! Com os meus dotes poderiam te ajudar nas despesas da reconstrução da aldeia, mas agora os perdi! Desde quando você sabia disso? E mesmo assim você se casou comigo? – Perguntou em voz baixa.



_ Meu amor, eu casei com você, porque te amo. Logo vamos conseguir dinheiro, não se preocupe. O melhor presente que você poderia me dar está à caminho. É nosso filho. – Confessou Jacob com ternura, tentando acalmar Renesmee.



_ Reconstrução da aldeia? O que aconteceu? – Quis saber Edward.



Renesmee olhou para seu irmão com fúria e respondeu entre os dentes.



_ Nosso irmão mandou queimar o vilarejo do meu marido e ele lutou para reconstruí-lo, sem reclamar. Mesmo assim, sabendo que poderia casar com outra que possuisse dotes, ele se casou comigo, Edward! Agora me diga quem é o porco traidor aqui? O que Emmett fez comigo e com o meu marido não tem perdão! – Esbravejou Renesmee.



Edward não podia acreditar no que acabara de ouvir. Emmett tinha ido longe demais dessa vez. Mas por que razão de tanta crueldade? Seguiu-se um momento de um desconfortável silêncio. Renesmee suspirou perante a reação do irmão, sabendo o quão transtornado ele ficara, assim com ela sentiu-se quando descobriu.



_ Renesmee, eu não sabia! E sobre a renúncia, eu nunca fui a favor. Por isso vim aqui, para te levar embora!



_ Mas eu não vou! Meu lugar é aqui! Tenho muito orgulho de ser uma Black e meu filho ter esse sangue. _ Avisou em voz alta.



_ Renesmee...



Renesmee ergueu a mão com autoridade e Edward se calou.



_ Posso ver que foi um grande choque para minha esposa e pelo seu estado ela deveria descansar. Com a sua licença, meu cunhado, vou levá-la aos nossos aposentos. – Indagou Jacob pegando nas mãos de Renesmee preocupado.



Edward assentiu com a cabeça e murmurou:



— Eu não sou responsável por esta terrível catástrofe e peço desculpas pelo transtorno que o meu irmão causou a você, Jacob. Canalha! — Edward cerrou os punhos. — Vou estrangular o Emmett! Depois de acertar um murro no olho do desgraçado!



— Edward! Que linguagem é essa? — Renesmee repreendeu o irmão. — Compreendo sua indignação, mas nada justifica essa vulgaridade. Você não é assim! Deixe como esta! Emmett, um dia, vai reconhecer o mau que causou.



_ Ó, minha irmã, você sempre é generosa com os outros, mesmo sendo você o alvo dessa injustiça.



_ Edward, não é questão de generosidade e sim se trata que amadureci e meu grande professor é esse homem com quem me casei. Edward, você pode até não entender o porquê Jacob quis se vingar de Emmett. Ele me usou. Confesso que quando fiquei sabendo, também não entendia. Mas conhecendo-o melhor, eu vi que ele fez isso por honra e para proteger seu povo e sua família. E Emmett deveria fazer o mesmo, mas, por pensar em seu poder, ele renunciou sua irmã, quem ele jurou perante nosso pai que protegeria. – Renesmee declarou, com os olhos marejados e sentindo um alívio no peito, ao ver a sinceridade em suas próprias palavras. Sentiu o bebê chutar na barriga pouco volumosa e pôs a mão sobre a mesma. Sorriu em resposta ao ato do bebê, que já era amado pelo pai e pela mãe... Talvez também pelo tio.



_ Saiba, Jacob, que você sempre terá o meu apoio – Indagou Edward esticando a mão em sinal de paz.



_ E você o meu, cunhado! – Murmurou Jacob com um sorriso no rosto.



Renesmee se comoveu com a cena e abraçou os homens que ela mais amava em sua vida. Talvez, as coisas finalmente estivessem se ajeitando... Porém, as aparências enganam.