quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Capítulo 10 – Despedida




Estava cansada, meu corpo mole, a cabeça doía e sentia um estranho enjôo. Revirei na cama, tentei abrir os olhos, mas as pálpebras estavam pesadas demais. Pisquei uma vez, duas... três; até que consegui abrir os olhos.



Lembranças da noite anterior começaram a revoar a minha mente. Pequenos flashes, como se fossem cenas de filme, passavam em minha mente. Lembrava-me da discussão com Jacob, de ir com Claire até uma das salas onde guardaram as bebidas, do gosto amargo em minha boca, da briga com Melissa, de fazer amor com Jacob... Jacob, meu amor!



Senti muita vergonha do que havia feito, meu estômago se revirava ao pensar em seu rosto apavorado com a cena. Estava muito doida... Doida mesmo!



Com muito esforço levantei da cama, caminhei cambaleando até o banheiro, tirei aquelas peças de roupas do meu corpo... Como elas foram parar ali¿ Eu me questionei naquele momento. Então me lembrei de Jacob me dando banho.



Gzuizzz Que vergonha!



Entrei no Box, liguei o chuveiro e deixei que a água quente percorresse o meu corpo. Realmente consegui relaxar um pouco com aquele banho quente.



Depois de algum tempo, sai do Box, enxuguei o corpo com a toalha que peguei no aparador, caminhei até a pia, abri o armário, peguei a escova de dentes e a pasta dental e comecei a fazer a minha higiene bucal. Senti meu estômago revirando novamente, larguei a escova sobre a pia, ajoelhei diante do sanitário e comecei a vomitar. Naquele momento pensei que colocaria a alma para fora, com aquele vômito horrível com gosto de bebida... Aff! Eu merecia aquilo! Como merecia!



Consegui forças para me levantar, voltei até a pia e novamente fiz a minha higiene bucal. Penteei os cabelos e fui enrolada na toalha para o closet.



Peguei calça jeans, camiseta branca, calcinha, sutiã, um par de meias, tênis e depois comecei a me vestir. Afinal precisava ir até a casa de Jacob falar com ele e me desculpar pelo vexame da noite anterior.



Estava terminando de me arrumar quando minha mãe entrou no quarto.



- Filha! – Chamou e me virei para olhá-la.



- Bom dia, mãe! – Respondi.



- Boa tarde! Não é¿ Já são duas e meia. – Fez um bico de insatisfação. – Jacob está lá embaixo para falar com você. – Ficou em silêncio por um momento e vi que havia algo errado na forma como me olhava. – Ele estava estranho... Acho que ficou chateado com a vergonha que o fez passar ontem.



- Ele disse alguma coisa¿ - Perguntei inquieta, enquanto terminava de vestir a roupa.



- Ontem ele estava cansado e parecia estranho. Contou o que fez na festa e parecia constrangido demais. Mas isso você tem que ver com ele. – Deu as costas e já ia saindo do quarto. – Não demora!



- Diz a ele que já estou descendo. – Pedi e fui para o banheiro olhar a minha aparência.



Nossa!! Como está horrível!”



Peguei o meu gloss e passei sobre os lábios para dá um brilho e depois arrumei os cabelos.



Sai correndo do quarto e cheguei à sala em menos de um minuto.



Vi que estava sentando no sofá, com o olhar perdido e parecia muito triste. Sentei ao seu lado e peguei a sua mão, entrelaçando os nossos dedos.



- Você pode me perdoar pela noite de ontem¿ - Perguntei de cabeça baixa e ele segurou o meu queixo e o ergueu.



- Já te perdoei, meu anjo. Mas preciso ter uma conversa séria com você. Podemos andar um pouco¿ - Perguntou com tom cerimonioso e senti meu estômago revirar novamente.



- Tudo bem! – Respondi e seguimos de mãos dadas para a porta. Vi que meus pais olharam de onde estava, sentados perto do piano, de forma preocupada. Mas preferi fingir que tudo estava normal.



Chegamos até a porta da minha casa, ele continuou andando até a sua moto e encostou sobre ela. Puxou-me pela cintura, diminuindo o espaço de nossos corpos, segurou o meu rosto com as duas mãos de forma carinhosa e ficou olhando em meus olhos. Percebi que havia a mesma dor que me mostrou no dia em que nos vimos pela primeira vez. Tive a impressão que choraria naquele momento.



- Renesmee... – Começou formalmente e senti meu coração apertar angustiado.



- Jacob, por favor... – Ele colocou o dedo em meus lábios, não permitindo que falasse.



- Eu fui convocado para uma missão e terei que partir. – Pegou o celular e me amostrou a mensagem no seu email.



“Estamos enviando uma equipe para uma missão no Oriente na próxima terça feria.


Sua presença é requisitada no navio Leão do Ocidente na segunda feira a tarde.


Esteja devidamente uniformizado e procure o Almirante Crowel no porto da Carolina do Sul.






Att


Almirante Brostein”



- Oriente¿ - Mal conseguia falar naquele momento. As lágrimas se formaram no canto dos meus olhos e quando percebi já estava chorando. – Não...não.. não pode... por... – Ele me abraçou forte e ficamos em silêncio por um momento.



- Vim me despedir de você. – Começou a falar com a voz embargada. – Preciso voltar para casa da minha mãe para me arrumar e depois vou direto para o aeroporto. - Começou a secar as lágrimas no meu rosto.



- O que vai fazer com a moto¿ A concessionária deve está fechada hoje. Quer que entregue para você¿ - Perguntei.



- Você faria isso por mim¿ - Seus olhos negros me fitavam de forma intensa. Ele estava choroso, vermelho, parecendo os olhos de alguém que havia chorado momentos antes. Se bem o conhecia ele estava se martirizando por me abandonar. Mas sabia que não tinha como se recusar a ir e que se pudesse ficaria comigo. Tentei me mostrar forte naquele momento, mas não conseguia evitar chorar enquanto falava com ele. Era como se um pedaço de mim estivesse sendo arrancado do meu peito.



- O que eu não faria por você¿ Jacob, pode me perdoar por ser infantil¿ Por ter estragado a nossa noite¿ Por ter te magoado¿ Por tudo¿ - Perguntei me derramando em lágrimas e ele começou a beijar cada uma delas, carinhosamente, como se de alguma forma soubesse que quebraria naquele momento.



- Já disse que te perdoei. E sou eu quem tem que te pedir desculpas, Ness. Fui muito imaturo, ciumento e irracional. Me perdoa. Tá¿ Eu te amo demais, menina. – Começou a distribuir selinhos sobre os meus lábios de forma carinhosa. Um beijo avassalador começou a nascer, os movimentos dos seus lábios ficaram mais intensos, sentia o toque de sua boca desvendando cada pedaço da minha como se aquilo fosse a última coisa que faria na vida. Parecia mais desesperado do que eu e assim nos entregamos aos beijos. Sua língua serpenteava sobre a minha, com movimentos intensos, calorosos e muito gostosos. Gememos juntos, o beijo começou a ficar mais salgado gradativamente, misturando-se com as lágrimas que desciam pelos nossos rostos. – Eu não vou esquecer você... – Sua mão segurava a minha cabeça, prendendo os meus cabelos, enquanto de olhos fechados, ainda ofegante pelos beijos, dizia que me amava... Eu te amo... te amo... te amo...



- Não vai! Por favor, não vai! – Implorei chorando muito.



- Se eu não for, serei preso por deserção. Não posso fazer isso, Ness. Bem que gostaria, mas não posso.



- Jacob quando você voltará¿ Quando¿ Quanto tempo ficarei sem você¿ - Perguntei alinhando a minha cabeça em seu peitoral definido.



- Não sei ainda... não sei. Mas tenho que ir. Vamos comigo até a casa da minha mãe¿ Preciso me arrumar para ir embora. – Disse fazendo uma caricia em meu rosto, enquanto o analisava cautelosamente.



- Vai hoje¿ - Perguntei implorando aos céus que me dissesse que não.



- Sim! Preciso me apresentar logo e tomar conhecimento da minha missão. Então pretendo ir hoje e resolver logo isso. Gostaria de ficar mais tempo ao seu lado, mas o dever com o nosso país me chama.



- Então vamos! Deixa eu ir pedir a chave do carro para a minha mãe. OK¿ Espere um momento. – Dei um selinho em seus lábios e depois fui para a casa pegar a chave do carro da minha mãe.



Depois que voltei, entramos no carro e seguimos em silêncio para a casa da dona Sarah.



Chegamos a casa, saímos do carro, caminhamos de mãos dadas até a casa e entramos. Vi que a sua mãe estava triste, calada e o olhava como se estivesse perdendo o filho para sempre. Era angustiante ver a expressão em seus olhos.



- Oi, dona Sarah¿ - Caminhei até ela, dei um abraço e um beijo em seu rosto.



- Como vai, filha¿ - Perguntou me retribuindo o beijo.



- Triste! – Respondi cabisbaixa.



- Ele voltará. – Disse tentando parecer animada e vi quando Jacob foi para o quarto de Seth se arrumar.



- Não sei como ficarei sem ele. – Sussurrei me sentando no sofá ao seu lado.



- Eu também não. Mas ele precisa ir e um dia voltará para nós dois.



- Tenho medo que não volte. – Admiti.



- Ele volta! Ele volta! – Disse rindo para mim.



- É tudo o que mais quero... Como quero!



Ficamos conversando um tempo, até que a porta se abriu e Jacob apareceu com aquela roupa branca de marinheiro, lindo, gostoso, maravilhoso, tesudo... Meudeusss!!! Quase perdi o ar ao olhar aquele espetáculo de homem, com os cabelos molhados, óculos escuros, roupa branca marcada no corpo másculo... Aquilo era uma verdadeira perdição. Seria capaz de me jogar no mar e ir nadando até o Oriente para ficar perto dele.



- Vamos¿ - Perguntou caminhando em minha direção com a sua bolsa de viagem.



- Não podemos ficar mais um pouco¿ Ai, Jacob... – Comecei a chorar novamente, mesmo sabendo como aquilo o deixava com o coração na mão.



- Não faz assim, Ness... Não faz! – Puxou-me para o seu corpo e me abraçou. Começou a fazer carinho em minhas costas para tentar me acalmar. Depois se afastou de mim e se dirigiu até a sua mãe.



- Mãe, esse cartão é o da conta que abri para você. É uma conta poupança e tem dinheiro o suficiente para não passar necessidade. Não sei quando voltarei, mas espero que não passe aperto nesse tempo. Assim que for possível, mando noticia. Tá¿ - Beijou a sua mãe. – Eu te amo, mãe. – Eles se abraçaram por um longo tempo e depois ele pegou a minha mão, conduzindo-me para fora da casa.



Caminhamos para o carro, abrimos a porta, acenamos para a sua mãe e depois entramos. Antes de dá partida, ficamos calados por um momento, nos olhamos e novamente ele disse o quanto me amava.



- Nunca se esqueça do quanto eu te amo. Nunca! – Colou a testa sobre a minha e depois deu um selinho em meus lábios.



- Se continuar fazendo isso, eu te seqüestro. Viu¿ - Tentei fazer piada, para quebrar o clima de tensão que estava no ar.



- Bem que gostaria...



- Vamos antes que me arrependa de te levar para o aeroporto. – Disse e finalmente partimos.



Jacob ligou o rádio do carro e por coincidência estava tocando a mesma música que há havíamos ouvido no dia em que fomos ao penhasco.



“De tarde quero descansar


Chegar até a praia e ver


Se o vento ainda esta forte


E vai ser bom subir nas pedras






Sei que faço isso pra esquecer


Eu deixo a onda me acertar


E o vento vai levando


Tudo embora...






Agora está tão longe


ver a linha do horizonte me distrai


Dos nossos planos é que tenho mais saudade


Quando olhávamos juntos


Na mesma direção


Aonde está você agora


Alem de aqui dentro de mim...






Agimos certo sem querer


Foi só o tempo que errou


Vai ser difícil sem você


Porque você esta comigo


O tempo todo


E quando vejo o mar


Existe algo que diz


Que a vida continua


E se entregar é uma bobagem...






Já que você não está aqui


O que posso fazer


É cuidar de mim


Quero ser feliz ao menos,


Lembra que o plano


Era ficarmos bem...






Eieieieiei!


Olha só o que eu achei


Humrun


Cavalos-marinhos...






Sei que faço isso


Pra esquecer


Eu deixo a onda me acertar


E o vento vai levando


Tudo embora...”







Comecei a ver o filme da nossa vida passando em minha mente, todos os momentos, olhares, gestos, palavras, beijos, toques e até mesmo as brigas dolorosas que tivemos. Era tudo tão triste e pesaroso. Sentia-me sufocada, destroçada e com medo de o perder para sempre. Naquele momento, tive a impressão que nossos caminhos estavam destinados a seguir rumos diferentes e tive uma vontade louca de o prender a mim, impedindo de partir.



Enquanto dirigia chorava em silêncio, sem coragem de olhar para ele e ver como estava. Pois não agüentaria ver o seu sofrimento.



Chegamos ao aeroporto, Jacob foi até o guichê, comprou a passagem e fez o check in. Depois seguimos para o portão de embargue, para aproveitar os minutos que ainda nos restavam.



- Ness, queria te levar comigo, queria poder começar uma vida com você, mas no momento isso não será possível. Sonhei tanta coisa para nós dois, mas acho que não estamos preparados para isso. Você ainda é jovem, tem um futuro lindo pela frente, começará à faculdade, ainda terá muitos namorados, curtirá muitas festas e sua vida será linda. Queria muito poder te dar mais agora, mas infelizmente não posso. Disse que você era imatura para mim, mas no fundo sou eu quem não está preparado para esse tipo de relacionamento. Não posso te roubar a juventude, prender a mim e cobrar um amor que talvez não possa me dar. Eu tenho alguns traumas e isso afeta a minha vida emocional. Não seria justo jogar essa carga sobre você... – Hesitou por um momento e tentou não chorar, apesar dos olhos cheios de lágrimas. Segurou o meu rosto com as duas mãos, beijava as minhas lágrimas enquanto falava. – Queria te levar comigo, mas nem sei para onde estou indo. Não sei se voltarei vivo e quando estarei de volta. Por isso te peço que não espere por mim. Viva a sua vida, aproveite tudo o que tiver para aproveitar. Um dia eu te acho e nunca mais saio de perto de você. Consegue entender isso¿ O amor é paciência, benevolente, corajoso e principalmente generoso. Não quero te cobrar nada... Nem fidelidade. Viva a sua vida e seja feliz por nós dois.



- Não... não faz assim – Chorava muito.



- Ness, eu vou para um local onde estará um turbilhão. Você já leu os jornais atualmente¿ O mundo está entrando em guerra. Não é mais a mesma guerra fria de anos atrás. Mas de certa forma essa luta contra o terrorismo nos coloca que frente para a batalha. Todos os dias milhares de jovens são enviados para o Oriente e a família só recebe uma medalha de honra. Temos soldados no Iraque, Israel, Irã, Afeganistão e em outros locais pelo mundo. Muitos nunca voltam para casa. Acha que serei egoísta de te pedir que me espere¿ Nem sei se voltarei vivo¿ Navios americanos estão em postos de Israel nesse momento, nossos caças estão sobrevoando o oriente, os soldados lutando contra os talibans e grupos extremistas que se formam a cada dia. O que não falta por lá são loucos suicidas que dão a vida pela sua religião... Eu estou indo para a porta do inferno. Por isso eu rogo que viva a sua vida... Por nós dois! OK¿ Sei que você fará medicina na Universidade de Washington e quando voltar procuro você. Mas agora só peço que viva. Queria te dizer muito mais, mas não tenho coragem para isso. Por isso escrevi essa carta e peço que só leia ao chegar em casa. – Abriu a bolsa de viagem, tirou um envelope e o colocou em minha mão.



- Jacob eu te amo! –Consegui dizer e vi as lágrimas rolarem em seu rosto. Parecia tão emocionado com a minha revelação. Parecia não acreditar.



- Não precisa me dizer isso agora... Sou paciente e sei que um dia me amará de verdade.



- Eu te amo, Jacob... A M O! Entende isso¿ Sempre foi você... Sempre! – Ele me abraçou forte e começarmos a chorar juntos.



- OH, Ness! Como quis ouvir isso de você. Desculpe por ter forçado tanto a barra com você.



- Desculpe eu ter sido infantil... Nunca quis te magoar, Jacob... Nunca!



- Nos magoamos sem necessidade... Perdão, amor! – Começamos a nos beijar e ouvimos o chamado de aviso para o seu vôo. Mesmo assim continuamos o beijo até a terceira chamada. Ele soltou o meu rosto e se afastou lentamente. Ficou do portão de embarque me olhando, enquanto eu me acabava em lágrimas. Correu até mim, puxou-me pela cintura e me beijou novamente.



- Eu te amo muito... Nunca esqueça disso! ATÉ BREVE! – Gritou se afastando e correu para o portão.



Fiquei de longe observando enquanto passava as suas coisas pela máquina de raio X e depois vi acenar com as mãos para mim.



- Jacob... Oh Jacob!



Sai do aeroporto arrasada, mal conseguia andar até o carro e tive que esperar um bom tempo até conseguir dá partida e dirigir de volta para casa.



Resolvi ir para a praia para ler a sua carta e tentar acalmar o meu coração depois de me despedir do homem da minha vida. Era como se perdesse um pedaço de mim e não conseguisse reagir.



Estacionei o carro na encosta da praia, desci lentamente, bati a porta e caminhei até a pedra onde costumava sentar para ver o horizonte.



Peguei o envelope no bolso, abri e tirei a sua carta.



“Ness,






Desde a primeira vez que a vi sentada naquela pedra eu a amei. Amei mais do que pensei que fosse possível, mais do que deveria e poderia. E foi em nome desse amor que abri o meu coração e me entreguei de corpo e alma.






Apesar das circunstâncias tristes que nos uniram, ao seu lado passei os melhores momentos da minha vida, e pela primeira vez me mostrei para alguém, tirando a máscara que escondia a minha dor, e fiz amor de forma intensa.






Sempre levarei comigo a tarde linda que passamos juntos. Seus olhos sempre estarão reluzindo em minha mente... Os nossos momentos foram os mais intensos e felizes da minha vida. Pode ter a certeza.






Sinto meu coração doer só de pensar em ficar longe de você. Mas infelizmente isso é necessário... Inevitável.






Amo você,menina... Amo muito e dizer adeus é mais difícil do que pensei que seria.


Não tive coragem, não fui homem o bastante, para dizer isso tudo olhando em seus olhos. Certamente desistiria de partir e seria preso como desertor.






Estou partindo para um país distante, que nem mesmo sei onde fica, não sei quanto tempo permanecerei por lá e nem se voltarei vivo. Por isso não acho justo pedir que me espere.


Por mais que me custe dizer isso, sei que é necessário e não posso ser egoísta para pedir que me espere. E o que posso dizer nesse momento de despedida, é para você seguir a sua vida e tentar se feliz sem mim.






Queria muito te trazer comigo, queria te pedir em casamento e te levar para Pearl Harbor comigo. E teria feito isso ontem à noite, se as coisas não houvessem saído do controle.


Percebi naquele momento, que você não está preparada para o tipo de relação que quero te dá. Que ainda precisa de um tempo, para viver sua vida e amadurecer, só assim as coisas entre nós daria certo.






Você ainda viverá grandes paixões, terá muitas baladas, amigos, novidades na sua vida e experiências boas que te acompanharão pelo resto de sua vida. Não quero roubar esses momentos de você, levando para viver comigo, fazendo a esperar muitas noites enquanto estou no mar, fazendo chorar com o meu mal humor, machucando com palavras duras, sendo insensível com o meu ciúme do fantasma do meu irmão... Não posso! Simplesmente não posso.






Não quero te magoar com as minhas palavras. Na verdade nunca quis e acabei fazendo isso mais de uma vez, após perder a cabeça com você. E sei que sou o único culpado disso. Nem posso te chamar de imatura, porque eu sabia exatamente o momento em que estava vivendo, como tudo estava te afetando e como se apegou a mim para acalmar o seu coração.






Isso tudo me faz ver que fui mais imaturo do que você, que deixei as minhas frustrações e traumas interferirem na nossa relação e acabei sendo grosso demais. Por isso eu te peço perdão... Mil vezes perdão.






Sempre guardarei os nossos momentos em meu coração. Pensarei em você todos os dias e pedirei a Deus para que cuide bem do seu coração. Também pedirei que um dia traga você para mim. Mas não sei se essa é a sua vontade.






De uma coisa tenho certeza, você não cruzou o meu caminho por nada e se estiver escrito no nosso destino, um dia voltaremos a nos encontrar e seremos felizes juntos... É nisso que me apego para seguir em frente e tentar viver sem você... Está doendo muito. Pode ter a certeza disso.






Repetirei mais uma vez para que não te reste mais dúvidas sobre o meu sentimento.


E U T E A M O!!! A M O M U I T O!!!






Agora é hora de dizer “Adeus” e pedir que perdoe a minha covardia.






Se puder, seja feliz por nós dois.






Com amor,


Jacob Black”



Estava completamente destroçada, mas tinha que ser forte e fazer o que havia me pedido. Por mais lágrimas que derramasse pelo meu coração que sangrava com a dor da separação, precisava ser forte e esperar que voltasse para mim. Aquela era a minha única esperança até aquele momento.



---xx---



O tempo passou e as coisas não foram bem com esperava. E já nos primeiro dia após deixar Jacob no aeroporto, tive uma grande surpresa ao chegar em casa.



Recebi uma ligação de Claire pedindo para eu ver o meu Orkut e o meu Facebook. E para minha surpresa, havia fotos da festa no facebook, com detalhes da briga, fofocas, xingamentos e no Orkut as coisas não foram diferentes.



Abri o meu email e havia várias mensagens desaforadas. E como já estava mal com a partida de Jacob, resolvi cometer um suicídio virtual e paguei todos os contatos na rede.



Comecei naquele dia me isolar do mundo, pensando que ficaria protegida das humilhações. Mas na semana seguinte, quando fui com Embry entregar a moto e depois quando fui fazer compras com a minha mãe, fui xingada e apontada na rua por algumas “ex-amigas”.



Estava tão deprimida com tudo aquilo, que resolvi aceitar a decisão dos meus pais e partir de Forks. Então acabamos indo para Nova York, onde eu ficaria até a começar na Universidade de Harvard, que misteriosamente fui aceita no último momento.



Fiquei temerosa que Jacob não me encontrasse em Washington, mas sabia que ele tinha o meu número de celular e me ligaria assim que retornasse da sua missão.



Os dias foram passando rapidamente e minha vida estava indo de mal a pior. Não saia do quarto, não conversava com ninguém, comia pouco, não via filmes e não lia livros. Apenas sentia vontade de dormir para esperar o tempo passar, assim ele voltaria mais rápido para mim.



Faltava duas semanas para começar na Universidade, minha mãe e minha tia encontraram uma irmandade legal para eu ficar, faziam planos para o meu futuro, como se seu estivesse interessada nele, enquanto eu apenas me trancava do mundo nas minhas recordações e vãs esperanças de reencontrar Jacob.



A saudade que sentia era tão forte, que chegava a me causar uma dor física. Comecei a passar tão mal que minha mãe insistiu para o meu mai me consultar. E para a minha surpresa, após exames sangue, ele contou que eu estava grávida... Naquele momento fiquei em choque.



- O que ela tem, Edward¿ Fala logo! – Minha mãe dizia nervosa.



- Calma, Bella! Ela não está doente. – Disse tentando parecer calmo.



- Mas por que está tão fraca¿ Por que não reage¿ E esses “sintomas”¿ - Perguntou olhando para ele de forma enigmática.



- Ela está grávida... – Sua voz saiu tão baixa que parecia um sussurro. Arregalei os olhos, fitando sua face triste, e instintivamente levei as mãos ao meu vente. Sorri ao imaginar um filho de Jacob crescendo dentro de mim.



- GRÀVIDA¿ - Minha mãe gritou exasperada. – ESSA É ÓTIMA! E AGORA¿ COMO SERÁ¿ E A UNIVERSIDADE¿ - Andava de um lado para o outro na sala, enquanto chorava.



- Ela vai para a universidade. Continuará estudando mesmo grávida. E quando o filho nascer, ficaremos com ele até que termine. Não precisa ir para a irmandade. Pode continuar a morar conosco. – Ele parecia racional e calmo, mas seus olhos demonstravam angústia e muita decepção.



- É muito fácil para você dizer, Edward! Ela só tem 17 anos e não viveu nada ainda.



- O QUE QUER QUE EU FAÇA¿ NÃO POSSO TIRAR ESSA CRIANÇA DELA! NÃO POSSO! NÃO TENHO CORAGEM! DROGA! – Gritou com a minha mãe como nunca havia feito antes.



- EU SEI! EU SEI! INFERNO! – Os dois sentaram em cada lado do sofá e ficaram me olhando como se esperassem uma decisão minha. Enchi-me de coragem e tomei as rédeas de minha vida.



- É o filho de Jacob e nunca teria coragem de tirar. Eu terei esse filho, farei a faculdade e trabalharei para dá o melhor a ele. Um dia Jacob virá nos buscar e tudo ficará bem. Agora preciso ficar sozinha. – Dei as costas e fui para o meu quarto. Liguei a TV e deitei na cama, enquanto alisava o meu ventre, sorrindo com aquela feliz notícia, imaginando a expressão linda de Jacob quando soubesse a verdade.



De repente, o plantão de última hora entrou no ar e começou a dá uma notícia que mudaria de vez a minha vida. Mais uma vez cai do céu para o inferno.



- O navio Leão do Ocidente foi bombardeado na última madrugada por mísseis. Ainda não se sabe o autor do atentado. E espera-se que nas próximas horas algum grupo terrorista assuma o ato. O porta voz da presidência ainda não divulgou a lista de mortos. Mas informações de fontes não oficiais da BBC de Londres, divulgou que mais de 1000 jovens americanos foram mortos. O ato foi comparado aos atentados que recebemos em Pearl Harbor pelos Japoneses. Mais informações serão divulgadas em alguns minutos.



Naquele momento, tudo ficou escuro e não havia mais esperanças para mim. Meu coração se partiu e daquele dia em diante, amar novamente seria impossível.



“Agimos certo sem querer



Foi só o tempo que errou



Vai ser difícil sem você



Porque você esta comigo



O tempo todo



E quando vejo o mar



Existe algo que diz



Que a vida continua



E se entregar é uma bobagem...”



A minha única razão de continuar a viver seria o meu filho. E por ele seria forte, por ele tentaria me mostrar feliz, por ele seria uma guerreira e todas as vezes que olhasse em seu rosto, eu me lembrarei do homem que amei e que me amou de uma forma tão intensa, que me fazia sentia como se fosse uma pérola muito rara.





“Já que você não está aqui



O que posso fazer



É cuidar de mim



Quero ser feliz ao menos,



Lembra que o plano



Era ficarmos bem...”







terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Capítulo 9 – Adeus






PVO Jacob



Estava muito magoado e chateado com o clima que havia ficado entre Ness e eu. Ela era a mulher da minha vida, disso não tinha a menor dúvida, mas ainda sofria ao seu lado por perceber que ela não me enxergava. Que só buscavam em mim os traços do meu irmão.

Isso me feria de verdade, deixando muito mal e receoso sobre os rumos que uma relação poderia tomar.



Durante toda a minha vida me senti inferior, tive raiva e vontade de pergunta a minha mãe o motivo... O motivo dela ter escolhido ele; Mas naquele momento, apesar de está ferido demais por ela chamar o seu nome, não poderia fazer o mesmo... Eu já sabia o motivo.



Perdi a cabeça e fui super indelicado com ela, dizendo coisas que certamente a magoaram. Depois que a vi desmaiar, completamente frágil diante da briga, fiquei me sentindo muito mal e jurei para mim mesmo que nunca mais a trataria daquele jeito. Ela merecia muito mais do que um homem grotesco e não incorporaria o espírito de Billy Black. Não! Não mesmo! Ela era uma princesa para mim e merecia muito mais que palavras desaforadas de um homem com raiva. Completamente frustrado e com ciúmes de um fantasma... Eu a amava demais para fazer aquilo novamente.



Passei a sexta feira inteira na praia, olhando para o horizonte e pensando no que fazer da vida, mesmo sabendo que deveria estar a minha procura. Contudo precisava organizar a minha mente e decidir o que fazer da vida. Afinal só tinha mais uma semana em La Push e não sabia o que seria os nossos destinos depois.



Se eu voltasse para Pearl Harbor e ela fosse para a universidade, certamente nos perderíamos um do outro e seria complicado manter uma relação, que já havia começado tão frágil, a distancia... Aquilo me dava medo.



Decidi que a pediria em casamento e a levaria comigo para a base. Como esposa de militar, poderia freqüentar a universidade lá e não precisaria abandonar os estudos. Cheguei aquela conclusão depois de um dia inteiro pensando e sofrendo com a possibilidade da separação. E por mais que soubesse que ela nunca me amaria do mesmo jeito, não dava simplesmente para dizer adeus e deixar todo o amor para trás. Ela era tudo o que queria da vida e se dissesse que não poderia ir comigo, talvez abandonasse tudo e viesse morar em Washington só para ficar ao seu lado.



O Crepúsculo chegou e finalmente resolvi ir para casa. Já estava sem comer e beber o dia inteiro, o cansaço assolava o meu corpo, o sono já começava a me dominar e a minha cabeça começava a doer. Precisava comer algo e deitar para descansar.



Cheguei na casa da minha mãe e conversamos sobre ela. E por mais constrangido que me sentisse diante daquela situação, inquestionavelmente minha mãe era a melhor pessoa para me aconselhar. Poderia me ouvir e tentar entender os meus motivos. Entre nós já havia uma muralha quase que intransponível e eu não conseguia abrir os portões daquele muro. Mas naquela noite estava carente demais e precisava de um colo... Eu estava sofrendo muito e tinha medo do futuro.



- Filho, a Ness esteve aqui para te ver. Estava tão nervosa.- Ela deu o primeiro passo na conversa e em um primeiro momento, pensei em me esquivar e fugir.



- Mãe eu... – Gaguejei envergonhado.



- Não tenha medo de se abrir comigo, Jacob. Sou sua mãe e quero o seu bem. Vi o quanto aquela menina está sofrendo por sua causa. Ela me pareceu tão agoniada... Estava quebrada. – Disse tocando suavemente o meu rosto. Caminhou até o sofá e se sentou. Sem pensar muito, caminhei até lá, sentei e coloquei a cabeça em seu colo.



- Eu a amo, mãe... Como nunca amei ninguém. – Confessei mesmo temeroso de suas criticas, afinal ela era a namorada do meu irmão. E eu me sentia um traidor.



- Ela também te ama. Vi isso nos olhos dela, filho. Qual o problema entre vocês dois¿ Por que essa dificuldade toda¿ - Fazia cafuné em meus cabelos enquanto falava.



- Ela não me ama, mãe... Apenas procura em mim a imagem do amor que perdeu. E por mais duro que seja dizer isso... Pareço um fraco.



- Não! Você é um homem lindo, amoroso e sensível. Não pense assim filho.



- Por mais duro que seja, prefiro viver com ela à sombra dele, do que viver sem ela. Isso está acabando comigo... – Hesitei por um momento, sentindo as lágrimas se formando no canto dos meus olhos. – Queria que ela me visse uma só vez... Que olhasse para mim e dissesse: “Jacob eu amo você e é com você que quero ficar”. Mas isso é apenas um sonho... Só fui só uma relação carnal para ela... Só isso.



- Vocês dormiram juntos¿ - Perguntou parecendo constrangida.



- Foi lindo, mãe... Eu me entreguei de corpo e alma para aquela garota. E no final ela chamou por ele. Como isso me fere... Como dói! – Já estava chorando, mesmo que inconscientemente. – Ela disse que foi força do hábito, mas eu não acredito. A todo momento olha para mim, analisando as minhas expressões a procura de um traço singular... Ela não me ver. Sou apenas um espelho do Seth.



- Já pensou que ela pode ter dito a verdade¿ - Passou a mão sobre o meu rosto e enxugou as minhas lágrimas.



- Era tudo o que mais queria. E agora fico pensando em como será quando for embora. Chega a doer a possibilidade de me separar dela. Não sei o que faço, mãe. – Confessei nervoso. – Quero levá-la junto comigo. Casar com ela e dá uma boa vida. Lá em Pearl Harbor ela poderia estudar na Universidade Militar e até trabalhar se quiser. Mas tenho medo dela não aceitar a minha proposta e dizer que não me ama, que não pode e não vai comigo. Isso está acabando comigo.



- Eu estou feliz. Sabia¿ - Perguntou e não entendi nada.



- Feliz¿ Como assim¿ - Questionei.



- É a primeira vez que se abre comigo e diz o que está sentindo. Também por ser um homem lindo, honrado e amoroso. Tenho certeza que essa menina saberá reconhecer isso. Mas acho essa idéia de casar um pouco prematura, filho. – Sentei no sofá e fiquei olhando para ela.



- Eu preciso de uma família, mãe... Eu nunca tive! – Fiquei temeroso em falar aquilo, mas precisava desabafar. – Quero uma mulher para me receber em casa todos os dias. Alguém com quem possa partilhar as minhas inquietações. Quero uma criança para amar e cuidar como nunca foi amado e cuidado... Eu nunca recebi amor de ninguém! Nunca tive um natal, dia das crianças ou ações de graça. Sempre fui sozinho com um pai rabugento e autoritário. Eu preciso de alguém para me amar e para eu dá amor, mãe. E tenho certeza que essa pessoa é Ness. Se eu tiver que me separar dela agora, será doloroso demais para mim. É como se houvesse encontrado a minha outra metade. A senhora não tem noção de como me sinto ao seu lado. Não tem noção de como ela me faz feliz, mesmo nesse momento de dor. A sua presença é um bálsamo para o meu coração e eu preciso dela... Preciso mais do que ar que respiro.



- Você é realmente lindo e tem um coração bom, filho. Acho que ao escolher o seu irmão fiz a escolha certa. – Senti-me sufocado naquele momento. Meu coração apertou e quase chorei novamente. – Seu irmão tinha a cabeça fraca, não tinha muito juízo e o seu coração não era tão bonito quanto o seu. Era um rapaz bom, mas porque recebeu uma educação boa e firme. Agora imagina se ele tivesse crescido com o seu pai¿ Imagina como seria a personalidade dele¿ Seria um bruto... Um animal como Billy. – Sorriu docemente para mim. Já você tem uma alma tão boa, é tão lindo, doce e amável que mesmo passando por momentos difíceis na vida, preservou essa doçura em seu coração... Filho, Deus escreve certo por linhas tortas. Você não deixou os estímulos do ambiente em que viveu transformá-lo em uma pessoa má. Já seu irmão... – Parecia incomodado em falar sobre aquilo.



- O que tem o meu irmão¿ -Perguntei franzindo o cenho.



- Ele era revoltado por eu ter largado a vida boa ao lado do pai. Não se conformava em não ter dinheiro e por muito tempo fingiu ser quem não era. Devo confessar para você que ele tinha vergonha de eu ser a sua mãe. De seus amigos saberem que era filho de uma empregada. E até trazer a Ness nessa casa, demorou muito tempo e mesmo assim sempre ficava constrangido. Ela tem uma situação financeira muito boa, vem de família rica e nunca precisou de nada. Ele não se conformava em ter que dirigir o carro dela, em não ter dinheiro para comprar coisas boas e levá-la em lugares legais. Muitas vezes me acusou da vida ruim que teve. E tenho certeza que você no lugar dele teria agido diferente.



- A Ness disse que ele começou a trabalhar. – Disse.



- Sim! Mas não por pena de mim como ela achava. Começou a trabalhar porque não conseguia ficar sem dinheiro. Precisava de roupas boas, para mostrar aos amigos, dinheiro para levá-la em lugares legais e para ostentar o que não era. Por isso largou as atividades na escola e começou a trabalhar, mas me acusava disso todos os dias. Foi muito difícil essa fase da vida dele.



- Sinto muito, mãe. – Eu a abracei e comecei a fazer carinho em suas costas.



- Por isso eu digo que a melhor coisa que fiz foi deixar você com seu pai. Sei que isso te fere muito, filho, mas a verdade é que seu irmão seria um rebelde sem causa e faria muitas besteiras na vida. E você foi capaz de passar por isso tudo com dignidade. – Ela segurou o meu rosto com as duas mãos e encarou os meus olhos. – Eu amo você, filho. Se pudesse voltar ao tempo, fugiria com os dois filhos. Nunca faria você sofrer tanto na vida. Mas eu não posso. Por favor me perdoa.



- Eu já te perdoei, mãe... Já perdoei. – Ficamos abraçados por um longo tempo sem dizer nada.



- Eu tenho que falar com a Ness, mas preciso dá um tempo para ela pensar. Não quero pressioná-la ainda mais.



- Tenho certeza que fará o melhor para os dois. – Sentamos lado a lado e ficamos em silencio alguns segundos.



- Obrigada, mãe... Precisava desabafar.



- Pode falar sempre comigo, Jacob. Não tenha medo de falar com sua mãe.



- Sou fechado demais... É difícil.



- Você vai consegui superar isso e se abrir. Tenho certeza que com o tempo vai começar a se abrir.



Fui para o quarto e comecei a pensar sobre tudo o que minha mãe havia dito. Vi as folhas desarrumadas sobre a cama e conclui que ela havia visto os desenhos. Percebi que havia um bilhete e pequei para ler.



- Jacob, estou indo até a casa de Sue e mais tarde volto. – Minha mãe disse da porta do quarto.



- Tudo bem!



- Tem comida quente no fogão para você. Vê se alimenta esse corpo. Vai acabar ficando doente sem comer.



- Estou realmente com fome. – Ela fechou a porta e eu comecei a ler o bilhete de Ness.



“Jacob, eu te esperei o dia inteiro, mas você não apareceu.


Precisamos conversar sobre nós dois.


Pode me ligar quando chegar¿


A manhã a limusine vai nos buscar na porta da minha casa às 19h. Não esqueça disso. OK¿


Um beijo muito carinhoso”



Pensei várias vezes em ligar, mas resolvi dá um tempo para ela sentir a minha falta e pensar sobre nós dois. Assim eu tomei meu banho, jantei e deitei na cama para ficar ouvindo músicas no meu ipod. E depois de algum tempo, acabei adormecendo.



“Jacob! Jacob!


Ouvi a voz doce do meu anjo chamando o meu nome e me virei para vê-la. Ela caminhava em minha direção com o nosso bebê no colo. Usava um lindo vestido florido, que estava esvoaçando pela força do vento, os cabeços desgrenhados, o sorriso lindo e os braços protegendo o nosso pequeno enrolado em uma manta.






- Não devia sair de casa com essa ventania. – Disse beijando a sua testa. Toquei o rosto do meu filho e fiquei sorriso a ver como ele era lindo e como se parecia comigo.






- Senti sua falta, amor! – Deu um selinho em meus lábios e fiquei olhando aquele lindo olhos verdes que parecia pequenas esmeraldas.






- Eu também senti a sua falta, meu anjo. Prometo que essa foi a minha última viagem. Vou pedir despensa e iremos embora de Pearl Harbor.






- Para onde vamos¿






- Vamos morar em La Push.- Eu a abracei por trás e ficamos a beira da praia vendo o por do sol. A tarde estava linda e me sentia feliz por está junto a minha família após meses no mar.






- Eu te amo, Jacob...






- Eu te amo muito mais...”



Acordei radiante com aquele sonho e certo do que iria fazer. E mesmo correndo o risco de ouvir um sonoro “não”, eu a pediria em casamento aquela noite, aproveitando o clima de festa do baile.



Mesmo sabendo que ela não me amava da mesma forma, faria de tudo para fazê-la feliz e quem sabe um dia ela olhasse para mim e descobrisse que também me amasse. Estava disposto a amá-la tanto, que o meu sentimento seria o suficiente para nós dois. Daria a vida para que ela fosse feliz e que me olhasse como o seu homem, não como o fantasma do meu irmão. E algum dia ela se daria conta de quem eu era, e se esqueceria completamente de tudo que viveu antes de nós dois.



Aquele era o meu plano e estava disposto a levá-lo a diante, começando na noite do baile de formatura.



Passei o dia eufórico esperando a hora de me arrumar. Corri alguns quilômetros, nadei, fiz 500 abdominais e depois fui para casa me arrumar.



Depois de alguns minutos diante do espelho, para me certificar que tudo estava direito e que não faria feio ao seu lado. Peguei a chave da moto e sai de casa para ir ao seu encontro.



A viagem para a casa dos Cullens, em Forks, demorou cerca de quinze minutos e quando cheguei foi bem recebido por sua mãe.



Fiquei super ansioso a sua espera e quando a vi no alto da escada, parecia a visão de uma fada. Ela estava muito linda e radiante. Não consegui esconder o encantamento que sentia ao vê-la arrumada daquele jeito. Tive vontade de seqüestrá-la e curtir uma noite a dois... Tomá-la em meus braços e fazer amor.



Vi em seus olhos o mesmo encantamento e em sua face o sorriso mais lindo do mundo. Sentia um frio estranho em minha espinha, meu corpo tenso e uma louca vontade de beijá-la. Mas não deu tempo, porque logo a limusine chegou e tivemos que partir para o carro.



Aquilo foi bem engraçado. Confesso que morri de rir com os amigos de Ness espantados com minha presença. Uma desmaiou e acordou unas três vezes, o seu namorado simplesmente desmunhecou e mostrou o seu lado gay, a outra se agarrou ao seu namorado que tentava acalmá-la. O outro se jogou no canto do carro e quase surtou quando o boiolinha se jogou sobre ele... Foi muito engraçado.



Passado o susto, Ness contou quem eu era e finalmente entramos no carro para partimos. E ali eu tive a minha primeira decepção da noite, quando tentei pegar a sua mão.



Já estava tão ansioso pelos seus toques, que instintivamente peguei a mão para fazer caricias. Mas ela puxou a mão e afastou o seu corpo de mim. Confesso que fiquei arrasado com o seu gesto e quis falar sobre o assunto. Mas com os amigos no carro, não teríamos muita privacidade, então preferi esperar até que estivéssemos a sós.



Quando chegamos ao ginásio do colégio, que por sinal estava muito lindo e bem decorado, começou uma enorme confusão e vi pessoas correndo, caindo, derrubando mesas e cadeiras, algumas se machucaram outras desmaiaram e uma pessoa foi arremessada sobre a jarra do ponche. E até o amigo de Ness, Embry, ir até o palco e dizer que não era um fantasma, zumbi e que era o irmão gêmeo do Seth, tudo se transformou em uma cena de filme de terror. E me senti muito mal com aquilo.



Passado o susto, as pessoas começaram a arrumar o salão e se recompor pouco a pouco. E aproveitei o momento para pegar a mão de Ness novamente. Queria sentir o seu toque e aproveitar o máximo da noite com ela, até finalmente fazer o pedido que mudaria completamente as nossas vidas. Mas ao contrário do que esperava, novamente puxou a não e com a voz estranha, parecendo uma desconhecida, chamou me para conversar em um canto reservado.



Pediu para eu não a tocá-la, pois não queria que os amigos nos vissem juntos. Em seu tom estava claro que tinha vergonha de mim, deixando me furioso com a sua colocação. Perdi a cabeça e disse coisas que não queria, e principalmente não deveria. Mas estava magoado demais com ela e via todos os planos que havia traçado para nós dois indo pelo ralo. Quase fui embora, mas não daria o gostinho a ela e resolvi ir circular no baile. Pensei que se talvez ficasse com alguma garota, ela se desse conta do que estava perdendo... Burrice minha! Perdi completamente a sanidade e agi como uma criança birrenta... Aquele não era eu... Apenas um homem magoado.



Comecei a dançar com a garota chamada Melissa, após uma discussão entre ela e Ness, que deixava claro que eram velhas rivais. E percebi que a garota poderia me ajudar deixá-la com muita raiva e se render a mim. Mais uma vez calculei errado e as coisas acabaram saindo do controle.



- Você é muito lindo, Jacob. – A loira gostosona com cara de Kenga dizia agarrada ao meu pescoço, enquanto dançávamos agarradinhos na pista. Já estava de saco cheiro de ouvir: “Como você é lindo, como é gostoso, como é forte, como é másculo... como..” Aff Aquilo já estava me cansando. Revirei os olhos e procurei por Ness no salão, mas ela havia sumido. Comecei a ficar preocupado e quando já estava prestas a largar aquela garota chata, vi meu anjo cambaleando em nossa direção.



Meu corpo gelou ao perceber que estava bêbada... Estava muito bêbada.



- Lagameuomekenga! – Gritou com a voz embargada e pegou a loira pelos cabelos. Tudo aconteceu muito rápido e quando vi, ela já estava sobre a loira no chão, dando muitos tapas e socos em sua cara, puxando os cabeços e arrancando, enquanto a outra tentava reagir.



- ME LARGA! SOLTA SUA DOIDA!! SOLTA!



-Vadiafafadaladadehome! – Continuava batendo com raiva, enquanto a outra tentava se defender.



- PO! PO! PO!



- BATE! BATE!



- ARRANCA OS CABELOS DELA!



Eu estava atônito diante daquela situação e as pessoas ao invés de separarem, simplesmente formaram um circulo ao redor das duas e instigavam a briga.



Ness batia, socava, arranhava, rasgava as roupas de forma tão violenta que nem parecia a menina pequena e frágil que conhecia. Ao sair do meu transe, peguei-a por trás, prendi os braços passando os pela cintura, exatamente como se faz com doidos ao colocar a camisa de forças, mas ela continuava a se debater e falar tudo embolado.



- Kebovcvadianojetafafada! Eleemeunamoladosomeusafada!



- Calma, Renesmee! Calma! – Sussurrava em seu ouvido, tentando acalmá-la. Olhei para a garota no chão e o estrago que a pequena havia feito era grande. A garota estava com os dois olhos roxos, o nariz sangrando, toda descabelada, o pescoço e o colo arranhado, o vestido rasgado e mal conseguia se levantar.



- JAcobemeusotomeufafadavadia.



- Calma, meu anjo! Estou aqui com você. Calma! Parece uma leoa brava. Calma!



- Jacob, a limusine está lá na frente. Porque não leva Ness para casa. – A sua amiga falou.



- Obrigado! Vou levá-la sim! Está muito doida e tenho medo que quebre mais alguém essa noite. – Peguei-a no colo como se fosse um bebê e caminhei com ela para fora do salão, com todas as pessoas olhando assustadas para nós... Nossa que noite infernal!



Chegamos a limusine e pedi que nos levasse de volta para a sua casa.



- Pode nos levar para a casa dela¿ - Pedi para o motorista.



- Ela tá mal. Não é¿ - Perguntou vendo o estado deprimente dela em meus braços.



- Nem me fale, amigo! Nem me fale. – Ele abriu a porta, coloquei ela tomando cuidado para não machucá-la e depois entrei e puxei a porta.



- Kerovceukerovc hahahahahahaa fazamocomigo hahshah – Ela começou a tirar a minha roupa e eu tentava impedi-la, na medida do possível, mas era uma luta terrível resistir aquele corpo se atirando sobre o meu. Colocou as pernas entre a minha cintura e começou a se mover em meu membro, deixando-me totalmente excitado.



- Não! Não! Para Ness! Para! Não quero você assim... Quero você inteira e sóbria... Para! – Ela mordia e chupava o meu pescoço, suas mãos foram em direção ao zíper da minha calça e eu tentava tirá-la de lá. – Não! Para! – Era uma luta perdida para mim. Estava morrendo de tesão e não consegui me conter quando beijou a minha boca. Prendi as mãos em seus cabelos e a deixei me conduzir. Ela tirou o meu membro para fora da calça e se encaixou nele. Senti a penetração em seu corpo e a minha sanidade, que já era pouca, foi embora definitivamente. Comecei a penetrar o seu corpo com vigor. Era a sensação mais maravilhosa do mundo me sentir vibrando dentro ela. Ficava mais completo, mais feliz e sentia como se nada mais existisse além de nós dois. Assim fizemos amor no carro e por sorte as limusines tinham aquelas pequenas escotilhas, que ficavam fechadas, e o motorista não tinha como ver nada que se passava, apesar dos nossos gemidos nos denunciarem.



Chegamos a casa dela, percebi o carro parar, tirei-a de dentro do meu corpo e arrumei o seu vestido. Ouvi duas batidas na porta e a abri.



- Chegamos! – O homem disse com um sorriso no canto dos lábios.



- Obrigado! – Sai do carro, peguei a no colo delicadamente.



- Quer carona para ir embora¿ Ou passará a noite com sua gatinha selvagem¿ - Disse com sorriso travesso.



- Minha moto está li. – Disse mal humorado, apontando para a moto e ele assentiu com a cabeça.



- Boa noite para vocês. – Disse rindo e se caminhou para o carro.



Observei a casa dos Cullens, percebendo a escuridão no local. Era estranho ver tudo escuro aquela hora. Não sabia se os pais estavam em casa ou se já haviam dormido. Caminhei com ela até a porta e vi o bilhete fixado nela.



“Filha, seu pai e eu passaremos a noite fora. Comporte-se!

Bjus Mamãe”



- Boa! O que faço agora¿ Amor, tem alguma chave escondida¿ Precisamos entrar. – Sussurrei em seu ouvido.



- Tapetetapetetapete



- Já entendi! Preciso que tente ficar de pé, para eu pegar a chave. Pode fazer isso¿



- Kerufazeamorkeruvckeruvc



- Tudo bem, querida! Deixa eu pegar a chave primeiro. – Coloquei-a de pé encostada na pilastra, abaixei, levantei o tapete e vi a chave. Peguei-a e levei até o tambor da porta. Abri a porta, peguei Ness novamente no colo, entrei, fechei a porta e caminhei em direção as escadas. Sabia onde era o seu quarto, porque já havia vindo com ela nos braços no dia em que desmaiou. Então, mesmo no escuro, segui com ela nos braços, caminhei pelo corredor e fui até o seu quarto, que ficava no final do corredor. Abri a porta, entrei com ela e comecei a procurar o interruptor. Acendi a luz e a levei até a cama. – Amor, vai ficar tudo bem. Cuidarei de você.



Comecei a tirar os seus sapatos, depois fui tirando o seu vestido, enquanto ela continuava a falar tudo embolado.



- Kerufazeamor keruxupabanana keruxupabanana!



- Ah¿ Ela está muito doida. – Enquanto tentava despi-la, continuava a me agarrar e falar coisas sem sentido.



-Jacobficaficafaamocumigo



- Tudo bem meu anjo. – Tirei o seu vestido, a meia calça e a calcinha, deixando a completamente nua. Era a visão do paraíso, mas eu não queria abusar dela bêbada. Peguei a no colo e a levei para o banheiro. Acendi a luz, abri a porta do Box e a coloquei de baixa da água.



-Jacobficaficafaamocumigo



- Eu fico, meu anjo! Eu fico!



Depois de um bom tempo, tirei a da água, peguei a toalha e comecei a enxugá-la. Enrolei-a na toalha e a levei para a cama, deitando-a lentamente.



- Vou procurar algo para vesti-la. Já volto. Tá¿ - Beijei a sua testa e fui para o closet. Comecei a abrir as gavetas e achei calcinhas e camisola. Voltei para cama e comecei a vesti-la.



- Pronto! Está linda! Agora tenta dormi.



-Jacobficaficafaamocumigo



- Eu ficarei com você para sempre... Eu amo você. – Tirei os sapatos e deitei ao seu lado na cama. Puxei o seu corpo para mim e fiquei fazendo cafuné até que finalmente pegasse no sono. Depois me levantei e fui para a sala esperar os seus pais. Acabei dormindo no sofá e acordei com os gritos de sua mãe.



- AHHHHH!



- Calma! Calma! Sou eu, Jacob! – Tentei falar assim que ela acendeu as luzes.



- O que faz aqui, Jacob¿ - Ela me perguntou e o seu marido entrou correndo na sala, já com um bastão de baiseball para me bater.



- A Ness bebeu muito na festa. Acabou brincando com uma garota e ficou muito alterada. Trouxe ela para casa, dei banho e a coloquei para dormir. Mas não podia deixá-la sozinha e também não queria abusar. Entende¿ Resolvi dormir no sofá. Podem me desculpar¿



- Aimeudeus! Que vergonha! – Sua mãe disse consternada.



- Bem, eu já estou indo. Mas tarde ligo para saber como ela está. Desculpe o abuso, mas não dava para dormir em pé.



- Nós agradecemos a sua honestidade e a forma como tratou a nossa filha. Se fosse outro teria se aproveitado da situação. – O pai disse me fitando.



- Eu amo a sua filha. Não tenho a intenção de abusar dela levianamente. Agora preciso ir embora. Estou morto de cansaço.



O dia já havia amanhecido, o sol já despontava no horizonte, os pássaros cantavam a sua deliciosa melodia matinal quando sai da casa dos Cullens. Peguei a moto e parti para a casa da minha mãe.



Chegando lá, tirei as roupas, tomei um banho quente e fui dormi um pouco sobre a cama. Já estava cansado demais e precisava relaxar.



Quando acordei, já passavam das duas horas, levantei e fui até a cozinha pegar algo para comer. A casa estava vazia e sentia uma estranha angustia me apertando o coração.



Depois que peguei algumas frutas, leite e pão voltei para o quarto comecei a comer. Depois coloquei a bandeja sobre a cama e peguei o meu iphone sobre a cabeceira da mesa. Havia uma mensagem não lida e resolvi abrir.



“Sua presença é solicitada na base da Carolina do Sul. Verificar coordenadas enviadas para o seu email.”



Meu coração gelou. Custei a assimilar aquela mensagem e tive medo de abrir o meu email.



“Estamos enviando uma equipe para uma missão no Oriente na próxima terça feria.


Sua presença é requisitada no navio Leão do Ocidente na segunda feira a tarde.


Esteja devidamente uniformizado e procure o Almirante Crowel no porto da Carolina do Sul.






Att


Almirante Brostein”



- Oh! Não! Droga! Droga! – Ir em missão para Oriente significava que ficaria no mínimo uns dois meses no mar. Algumas missões de seis meses à um ano e precisaria me afastar de Ness por um longo período. Os meus planos de casamento estavam completamente fora de questão naquele momento. Se bem que havia desistido do pedido após a nossa briga na festa. Mas não queria me afastar dela por um longo tempo.



Comecei a andar de um lado para o outro, pensando no que fazer e como dizer a ela que iria embora. Quem nem mesmo sabia exatamente o meu destino e nem quanto tempo ficaria fora. Senti uma dor tão grande naquele momento, que tive vontade de ignorar a mensagem e não ir. Mas sabia que se fizesse aquilo, seria preso por deserção e as coisas só se complicariam para nós.



Por mais difícil que fosse para mim, precisava dizer adeus e não conseguiria dizer tudo pessoalmente. Era fraco demais para dizer que desisti de casar com ela naquele momento, que desistir de lutar pelo seu amor e passar por cima do meu orgulho. Que ela não estava preparada para a nossa relação e que deixaria por conta do tempo o seu amadurecimento... Como dizer essas coisas para mulher que ama¿ Não teria coragem. Resolvi então escrever uma carta e entregá-la na nossa despedida no aeroporto. Quem sabe assim conseguisse entender os meus motivos. Senti medo da decisão que tomaria, mas naquele momento era a única que me caberia... Tinha que dizer Adeus.



“Ness,






Desde a primeira vez que a vi sentada naquela pedra eu a amei. Amei mais do que pensei que fosse possível, mais do que deveria e poderia. E foi em nome desse amor que abri o meu coração e me entreguei de corpo e alma.






Apesar das circunstâncias tristes que nos uniram, ao seu lado passei os melhores momentos da minha vida, e pela primeira vez me mostrei para alguém, tirando a máscara que escondia a minha dor, e fiz amor de forma intensa.






Sempre levarei comigo a tarde linda que passamos juntos. Seus olhos sempre estarão reluzindo em minha mente... Os nossos momentos foram os mais intensos e felizes da minha vida. Pode ter a certeza.






Sinto meu coração doer só de pensar em ficar longe de você. Mas infelizmente isso é necessário... Inevitável.






Amo você, menina... Amo muito e dizer adeus é mais difícil do que pensei que seria.


Não tive coragem, não fui homem o bastante, para dizer isso tudo olhando em seus olhos. Certamente desistiria de partir e seria preso como desertor.






Estou partindo para um país distante, que nem mesmo sei onde fica, não sei quanto tempo permanecerei por lá e nem se voltarei vivo. Por isso não acho justo pedir que me espere.


Por mais que me custe dizer isso, sei que é necessário e não posso ser egoísta para pedir que me espere. E o que posso dizer nesse momento de despedida, é para você seguir a sua vida e tentar se feliz sem mim.






Queria muito te trazer comigo, queria te pedir em casamento e te levar para Pearl Harbor comigo. E teria feito isso ontem à noite, se as coisas não houvessem saído do controle.


Percebi naquele momento, que você não está preparada para o tipo de relação que quero te dá. Que ainda precisa de um tempo, para viver sua vida e amadurecer, só assim as coisas entre nós daria certo.






Você ainda viverá grandes paixões, terá muitas baladas, amigos, novidades na sua vida e experiências boas que te acompanharão pelo resto de sua vida. Não quero roubar esses momentos de você, levando a para viver comigo, fazendo a esperar muitas noites enquanto estou no mar,fazendo a chorar com o meu mal humor, machucando a com palavras duras, sendo insensível com o meu ciúme do fantasma do meu irmão... Não posso! Simplesmente não posso.






Não quero te magoar com as minhas palavras. Na verdade nunca quis e acabei fazendo isso mais de uma vez, após perder a cabeça com você. E sei que sou o único culpado disso. Nem posso te chamar de imatura, porque eu sabia exatamente o momento em que estava vivendo, como tudo estava te afetando e como se apegou a mim para acalmar o seu coração.






Isso tudo me faz ver que fui mais imaturo do que você, que deixei as minhas frustrações e traumas interferirem na nossa relação e acabei sendo grosso demais. Por isso eu te peço perdão... Mil vezes perdão.






Sempre guardarei os nossos momentos em meu coração. Pensarei em você todos os dias e pedirei a Deus para que cuide bem do seu coração. Também pedirei que um dia traga você para mim. Mas não sei se essa é a sua vontade.






De uma coisa tenho certeza, você não cruzou o meu caminho por nada e se estiver escrito no nosso destino, um dia voltaremos a nos encontrar e seremos felizes juntos... É nisso que me apego para seguir em frente e tentar viver sem você... Está doendo muito. Pode ter a certeza disso.






Repetirei mais uma vez para que não te reste mais dúvidas sobre o meu sentimento.


E U T E A M O!!! A M O M U I T O!!!






Agora é hora de dizer “Adeus” e pedir que perdoe a minha covardia.






Se puder, seja feliz por nós dois.






Com amor,


Jacob Black”





domingo, 12 de dezembro de 2010

Capítulo 8 –Vacilo




Chorei todo o caminho até a casa de dona Sarah e via de soslaio Jacob observando pela janela do carro. Sua respiração era forte, seu corpo parecia uma pedra de gelo, não disse nada e não se permitiu olhar para mim uma só vez.



Meu coração doía tanto, que em alguns momentos cheguei a ficar sem ar. Queria parar o carro para conversarmos, mas sabia que era melhor fazer isso quando chegássemos. Assim pelo menos teria um pouco de tempo para pensar, para encontrar palavras que descrevessem o amor que sentia por ele e o arrependimento pela dor que estava lhe causando.



Depois de algum tempo, chegamos à reserva e diminui a velocidade. Via a maravilha daquele lugar, sentia-me mais forte e esperançosa com as boas recordações de nós dois, apesar de poucas e tristes também.



Parei o carro na frente da casa de sua mãe, tomei um pouco de fôlego, toquei o seu braço suavemente e tentei falar o que sentia.



- Jacob, pode me ouvir um pouco. – Sussurrei baixo segurando o seu braço. Fiz leves carícias sobre ele, mas na verdade queria abraçá-lo e tirar toda a sua angústia.



- Eu não quero te magoar, Renesmee. – Começou com uma voz fria e um tom solene que chegava a dá medo.



- Por favor, ouça o que tenho a lhe dizer. – Praticamente implorava e sem perceber já estava chorando. Ele abriu a porta para sair e segurei firme, impedindo que prosseguisse. Não poderia deixá-lo partir daquele jeito... Não mesmo.



- Essa não é a melhor hora para conversarmos. Você não está preparada para o tipo de relação que eu preciso. Apesar de te amar, sei que tudo isso foi um erro. - Aquelas palavras me feriram como um punhal afiado em meu coração. Queria gritar, mas não conseguia. Queria segurar o seu rosto e obrigá-lo a me olhar, mas não conseguia. Simplesmente não conseguia me mover naquele momento, parecendo uma pedra. – Não sou mais um adolescente deslumbrado com as coisas que o futuro pode oferecer. Já vivo no futuro e preciso de alguém que possa seguir o meu ritmo. Achei que talvez fosse você, mas acho que me enganei.



- Jacob, por favor... – Cruzei os braços nos peitos e chorando muito. Não acreditava em suas palavras. Não acreditava que depois do que vivemos estava me falando tais coisas. Era uma dor tão grande, que era impossível mensurar o seu tamanho.



- Disse que não queria falar... tenho que ir. – Antes de sair parou e me olhou. Vi uma máscara de dor em seu rosto naquele momento. Sabia o quanto sofria e que a culpada era eu. Estava literalmente vivendo em um inferno e era a culpada por aquilo.



- Ness... – Sussurrou me abraçando carinhosamente. Seus braços eram acolhedores, quentes, macios e me sentia protegida. Mas ao mesmo tempo sabia que longe deles só haveria solidão. Queria prendê-lo a mim e não permitir que partisse. Era doloroso demais tudo aquilo e não sabia como viveria se realmente me abandonasse. Ele era o meu próprio ar e sem ele não conseguiria sobreviver.



- Jacob... eu... ãn... não... – Não conseguia formular uma só frase. Só chorava em seus braços. Ficamos em silêncio por um bom tempo, então voltou a falar.



- A culpa foi toda minha. Sabia que você estava vivendo um momento delicado e mesmo assim forcei a barra. Desde o primeiro momento eu te amei e por isso ousei a tentar te conquistar. Mas o mais difícil disso tudo, é saber que você nunca me viu de verdade. Não sabe o quanto é duro olhar em seus olhos e perceber que você não me enxerga. Que apesar de me vê na sua frente, não é a mim que você procura o tempo todo. – Ele estava chorando também e aquilo me feria ainda mais. Queria dizer que estava errado, mas não conseguia pronunciar uma só palavra. Eram dolorosas as suas palavras e a forma como ele se sentia... chegava a ser penoso. – Vivi muitos anos remoendo a falta da minha mãe, o meu abandono e o fato dela ter escolhido meu irmão e não a mim. E quando achei que estivesse resolvido sobre isso, conheci você e voltei a me sentir um nada... Se você soubesse.



- É você que vejo. – Consegui sussurrar com dificuldade.



- Queria tanto está certo disso, meu anjo. Desde o primeiro momento em que te vi, quis tê-la conhecido antes dele... Oh Ness!



- Tenta me ouvir e me entender. – Minha mente não conseguia conectar direito as coisas. Estava tão sufocada que mal conseguia formular uma frase decente para me defender. Se ele soubesse o tamanho do meu amor. Se o seu estigma de inferioridade não o perseguisse, veria o quanto o amava. Mas ele já tinha traumas tão grandes, que não conseguia perceber o óbvio e eu não conseguia dizer como em sentia.



- Ness, queria olhar para você e sentir o amor que tenho por você fluir. Queria perceber em seus olhos que você está comigo e não com o fantasma. Que não sou apenas um substituto do homem que amou. Mas não consigo ver nada disso em seus olhos. – Ele olhou em meus olhos e as lágrimas foram descendo de seu rosto. Estava se abrindo e me mostrando toda a sua fragilidade. Parecia que quebraria a qualquer momento e eu não conseguia fazer absolutamente nada. – Sabe o que é pior nisso tudo¿ - Perguntou mordendo os lábios. – Eu deixei você ver quem realmente eu sou. Abri o meu coração e deixei você conhecer a minha alma. Quem me conhece acha que sou um cara frio, estranho e até mesmo tímido. Mas eu tirei a máscara para você e mostrei o que há atrás dela. – Balançou a cabeça em sinal de negativo, chorando como se fosse um menino. Passei a mão em seu rosto e lentamente comecei a enxugar as suas lágrimas. – E você não foi nem capaz de perceber... Você simplesmente não me viu... Só a um fantasma... Como isso dói, Ness. – Coloquei a cabeça em seu peito e fiquei chorando muito, sem conseguir rebater as suas acusações, porque na verdade a todo momento em que olhava para ele, fazia comparações entre ele e Seth... Naquele ponto estava correto.



Ficamos abraçamos por um tempo, chorando juntos e deixando toda a dor fluir.



- Eu quero uma família, Ness. Quero uma mulher, um filho, uma casa... Um porto seguro. – Segurou meu queixo e ergueu a minha cabeça lentamente. Nossos olhos se cruzaram novamente e ficamos nos olhando por alguns segundos. Seus olhos eram penetrantes e pareciam querer desvendar a minha alma. Havia tanta aflição e tanto desespero na forma como me olhava, que chegava a me sufocar. – Sabe o que é o pior disso¿ A mulher que eu amei, a única a quem me revelei, a quem me entreguei e me permiti dá amor não será capaz de ser o meu porto seguro... Porque simplesmente me vê, mas não me enxerga. – Soltou o meu corpo, pegou a mochila no chão do carro, abriu a porta e saiu sem dizer mais nada.



- JACOB! JACOB! – Gritei desesperada, ele se virou e me olhou da janela do carro.



- Espero que um dia você possa encontrar alguém que sinta por você o amor que eu sinto. Alguém a quem você possa chamar de amor e possa se entregar de verdade. Que não seja movido apenas por um bom sexo ou uma boa conversa. Pedirei a Deus para você ser feliz... Muito feliz, Ness. – Deu as costas e começou a caminhar para a casa lentamente. Chegou à porta, virou-se para me olhar e ficou parado alguns instantes.



Perdi completamente os meus sentidos. Tudo começou a ficar escuro e quando percebi, não havia mais nada... tudo sumiu.



--xx –



Meu corpo estava completamente mole, minha cabeça doía, tentei abrir os olhos, mas a claridade me feriu. Virei o corpo lentamente, sentindo uma sensação macia e confortável de tecido de seda. Aos poucos fui mexendo as minhas pálpebras e quando consegui abrir, vi minha mãe olhando preocupada.



- Filha, como você está¿ Já estava preocupada. – Acariciou o meu rosto, sentou-se na cama ao meu lado e ficou fazendo afagos em meus cabelos.



- O que... o que... – Sussurrei baixinho.



- Você desmaiou e o seu amigo a trouxe para casa. – Disse analisando as minhas expressões. Franziu o cenho, mordeu os lábios e segurou a minha mão carinhosamente. – Quer me contar o que aconteceu¿ - Perguntou preocupada.



- Nós tivemos o dia mais lindo do mundo. Fizemos amor de forma intensa e depois eu o chamei de Seth. – Comecei a chorar me lembrando da nossa discussão. Senti uma angustia tão grande e uma necessidade enorme de ouvir a sua voz. Minha mãe balançou a cabeça em sinal de negativo e sua expressão era de completa desaprovação.



- Você não deveria ter se envolvido com ele. Ainda mais ir para cama com alguém que nem conhece. Onde estava com a cabeça¿ Pelo menos se cuidou¿ Filhos, filhos... filhos. – Levantou-se da cama e começou a andar pelo quarto.



- Mãe, calma. Tá¿ Não aconteceu nada demais... – Tentei me justificar e ela me deu um olhar repreensivo.



- Nada demais¿ Você foi para cama com um cara que conheceu outro dia! Não tem responsabilidade¿ Seth ao menos era o seu namorado e você o conhecia. E esse Jacob¿ Poupe-me, filha! – Disse com a voz muito severa.



- Eu o amo, mãe. – Tentei me justifica, mas ela me cortou.



- Você o ama¿ Até outro dia estava chorando por causa do Seth. Você amava o seu namorado e queria morrer quando ele se foi. E agora vem me dizer que ama o irmão gêmeo dele¿ Está brincando com os sentimentos desse rapaz. Isso Sim!



- Como pode me acusar desse jeito, mãe¿ Eu amo Jacob como nunca amei o Seth. Quero ficar com ele e se for preciso, vou com ele para Pearl Harbor quando partir. Abro mão de tudo para ir com ele e viver ao seu lado.



- Está louca! E os seus sonhos¿ A faculdade¿ Os seus amigos e sua família¿ Está obcecada pela morte de Seth e agora acha que vai tê-lo através de Jacob. Mas isso não vai acontecer. Seth morreu e não voltará mais. E Jacob é outra pessoa, tem outra personalidade e outro estilo de vida. Você não deveria ter se envolvido e iludido esse rapaz, filha. – Sentou-se ao meu lado novamente e ficou me olhando com pena. – A sua vida continua e você precisa continuar a viver.



- Mãe, eu amo o Jacob. Realmente o amo, mas não quero discutir sobre isso. Pode me deixar sozinha¿ - Perguntei, virei me para o lado e abracei o travesseiro. Comecei a pensar em tudo o que minha mãe disse e depois na última discussão com Jacob.



“Você não está certo, Jacob... é a você que vejo... só você... amo você.”



Passei o resto do dia na cama, dormi e acordei algumas vezes e tive tempo para pensar em tudo o que nos havia acontecido.



Decidi ir procurar Jacob no dia seguinte para conversarmos sobre a nossa briga. Pretendia abrir o meu coração para ele e finalmente dizer que o amava. Resolver o mal entendido e me entender com ele o mais rápido possível.



Levantei cedo e depois em arrumar, tomar café e me preparar psicologicamente para o encontro, peguei o carro da minha mãe e parti para a casa da dona Sarah.



Não vi a moto que Jacob havia alugado e imaginei que houvesse saído. Caminhei até a porta e mexi na maçaneta. E como desconfiava, estava aberta.



Entrei lentamente, encostei a porta e segui direto para o quarto de Seth. Entrei e vi as coisas de Jacob sobre a cadeira. Caminhei até a cama, sentei e vi que havia folhas de rascunhos. Pegue a comecei a olhar os esboços de desenhos... Ele havia me desenhado várias vezes, de várias formas e ângulos diferentes.



Cada desenho tinha traços marcantes, bem definidos e dava para perceber o seu perfeccionismo. Deixando-me completamente fascinada ao observar folha a folha.



Olhei as datas e vi que todas foram feitas no dia anterior, provavelmente após a nossa briga, e algumas folhas tinham marcas de borrões, como se algo molhado houvesse percorrido a superfície. Então percebi que ele havia chorado... Meu coração ficou apertado novamente.



Deitei sobre a cama e fiquei um bom tempo esperando, mas ele não apareceu. Levantei e comecei a mexer nas suas coisas, cheirei as suas roupas e vi o seu lindo uniforme branco de marinheiro.



Ouvi um barulho de porta se abrindo e o meu coração gelou.



- Jacob, filho! – Era a minha ex-futura sogra chamando. Fiquei tensa e me senti envergonhada quando entrou e me viu mexendo nas coisas dele. Era uma situação completamente desagradável e sentia vontade de correr dali para não passar por aquilo.



- Ness¿ - Franziu o cenho e ficou me olhando de forma enigmática.



- Dona Sarah, a senhora sabe do Jacob¿ Preciso muito falar com ele. – Disse envergonhada, de cabeça baixa, enquanto brincava com a sua roupa de marinheiro.



- Não sei, filha! Venha tomar um café comigo. – Pegou a minha mão e me conduziu para fora do quarto. Preferia morrer a ter que falar naquele assunto com ela, mas não teve jeito.



- Dona Sarah, eu... – Engoli seco e desviei o olhar do seu rosto.



- Filha, o que está acontecendo entre vocês¿ Está obvio que os dois estão envolvidos e que sofrem com isso. O que aconteceu¿ - Fiquei encabulada e não consegui falar o que havia acontecido. Afinal não dava para dizer que após ter ido para cama com seu filho, troquei o seu nome, deixando-o muito magoado. – Tudo bem! Não insistirei. Só lhe peço que não brinque com os sentimentos do meu Jacob. Ele pode parecer calado, fechado demais e até de certa forma um pouco frio. Mas tem um coração de ouro. Nós estamos tentando nos entender e aos poucos está se abrindo comigo. Percebi que vocês dois estão apaixonados... talvez mais que isso. – Ficou me olhando e só assenti com a cabeça. Era uma situação completamente constrangedora e não conseguia me abrir.





- Eu não me sinto a vontade para falar esse tipo de coisa. – Respondi envergonhada.



- Filha, ontem o meu filho chegou mal. Parecia ter chorado muito e ficou mal o resto do dia. Depois se trancou no quarto e ficou desenhando. Perguntei o que havia acontecido, mas ele não conseguiu se abrir. E a única coisa que conseguiu me responder,foi: “ é muito duro você amar e não ser amado da mesma forma”.



- Dona Sarah, não queria ter magoado o Jacob... Preciso muito falar com ele. Tem idéia de onde esteja agora¿ - Perguntei nervosa.



- Não, filha. Meu filho não se abre muito comigo. Ele é muito calado, reservado demais e às vezes parece estranho. Às vezes acho muito introspectivo e tento falar com ele, mas ele se fecha. Entende¿ - Segurou a minha mão e fez um leve afago.



- Posso esperá-lo aqui¿ - Perguntei.



- É claro que pode. – Dei um terno sorriso e acariciou o meu rosto. – Vou trabalhar, mas você pode espera aqui em casa. Fique a vontade, filha. – Deixou-me sozinha na Sala, indo para a cozinha. Voltei para o quarto de Jacob, deitei na cama e fiquei esperando por um bom tempo. Olhava o relógio toda hora e nada dele aparecer.



Já eram cinco da tarde quando resolvi voltar para casa. Então peguei um caderno velho sobre a escrivaninha, o lápis de Jacob que estava na cama, ao lado dos desenhos, apoiei a folha sobre um velho livro e escrevi um breve recado.



“Jacob, eu te esperei o dia inteiro, mas você não apareceu.

Precisamos conversar sobre nós dois.

Pode me ligar quando chegar¿

A manhã a limusine vai nos buscar na porta da minha casa às 19h. Não esqueça disso. OK¿

Um beijo muito carinhoso”





Sai da casa frustrada e voltei com o coração ainda mais apertado, imaginando aonde ele teria ido para ficar o dia inteiro fora.



Passei o resto da noite com os meus pais, ansiosa, tensa e muito preocupada. E até cheguei a ligar algumas vezes para a casa da dona Sarah, mas ninguém atendia o telefone.



Quis ir até lá, mas meu pai não me deixou sair e assim como minha mãe, ficou aborrecido por eu está correndo atrás de “homem”.



Fui para o quarto bem chateada e tentei dormi, mas era inevitável pensar nele e em tudo o que havíamos passado juntos, na tarde maravilhosa que tivemos e na briga terrível que impôs uma distância enorme entre nós dois.



Finalmente consegui dormir e relaxar depois de um dia super angustiante.



--xx—



Sábado, o dia do baile de formatura, finalmente havia chegado e estava muito nervosa. Mas o meu estado de espírito não se devia ao fato de ter que comparecer a festa. E sim ao meu reencontro com Jacob depois da nossa briga.



Sentia uma falta terrível dele e olhava o tempo todo para o relógio, esperando que as horas passassem rapidamente.



Logo cedo fui para o salão com as minhas amigas e fizemos tudo o que tinha direito. E quando sai de lá, estava linda, com uma maquiagem deslumbrante, um penteado nos cabelos que deixava com lindos cachos quase loiro, presos no topo da cabeça, caindo sobre os meus ombros. Meus olhos estavam marcantes, com uma sombra escura, sobrancelhas desenhadas, bochecha rosada, cílios alongados, lábios desenhados com um tom rosado brilhante. Sinceramente não sei o que a maquiadora usou em mim, mas estava estonteantemente linda.



Sorri ao ver o resultado final no espelho, imaginando se Jacob gostaria de me ver daquela forma.



Minha mãe foi me buscar de carro, para colocar o vestido e as jóias que dariam o toque final ao meu lindo visual de princesa.



Meu vestido era lindo, deslumbrante e caia muito bem em meu corpo. Sua cor, chá, combinava perfeitamente com o tom dos meus cabelos e nele ficava com um ar angelical. Era um longa tormara que caia, com uma leve camada de tecido esvoaçante sobre ele. Tinha uma faixa de seda num tom de ouro que cobria toda a minha cintura. Seu caimento era perfeito e me senti uma verdadeira princesa ao me observar pronta no espelho.



http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/famososeumpoucomais.spaceblog.com.br/images/gd/1263375746/Vestido-de-Formatura.jpg



“Será que Jacob vai gostar¿ Tomara que sim...”



- Filha, Jacob chegou. – Disse e sentir meu corpo todo estremecer. Cruzei os braços na altura do peito, tentando me proteger do que viria pela frente. Senti-me insegura, mas ao mesmo tempo queria vê-lo. Ele tinha o poder de me deixar totalmente desnorteada daquela forma e o pior, tirava totalmente a minha capacidade de agir. Parecia mais um gato acuado.



- Será que ele vai gostar de mim assim¿ - Perguntei, mordi os lábios e fiquei vendo o sorriso de minha mãe.



- Você está linda, meu amor. Que homem não gostaria¿ Só está insegura por causa da briga de vocês. Mas essa noite vocês superam isso e tudo dará certo. Aproveita a festa e não pensa em coisas tristes. – Ela me abraçou ternamente, depois segurou firme a minha mão e me ajudou a descer.



Lentamente caminhamos pelo corredor, chegamos ao topo da escada e de lá vi Jacob parado a minha espera.



Quando os nossos olhos se encontraram, vi o mesmo brilho que sua face tinha quando nos amamos pela primeira vez. Parecia completamente hipnotizado ao me ver. Sorri involuntariamente e comecei a descer as escadas.



Um frio percorreu a minha espinha e me senti estranha naquele momento. A cada passo que dava, estranhas sensações dominando o meu corpo. Queria correr e me esconder, mas ao mesmo tempo queria está em seus braços e sentir seus beijos. A festa já não tinha a menor importância... Somente ele.



- Você está vestida para matar, Ness.– Disse pegando a minha mão, enquanto me olhava no fundo dos olhos. Já não havia aquela dor, apenas o encantamento que mostrava quando encarava meu rosto, analisando as minhas expressões, como se estivesse vendo a minha alma.



- Obrigada, Jacob. – Disse sorrindo para ele. Era tão reconfortante sentir que o clima de tensão entre nós já havia sumido. Sentia uma enorme felicidade transbordando em meu corpo. E se não fosse pela minha mãe, teria me atirado em seus braços e o beijado de forma avassaladora.



- Não sabia a cor do seu vestido, então comprei branca. – Disse colocando o anel em forma de rosa, uma tradição das formandas, em meu dedo. Sorri e fiquei vendo a delicadeza do seu gesto. Havia se preocupado com o mínimo detalhe. Sem falar que estava estonteante com aquele terno preto e com gravata borboleta. Parecia um artista de cinema, indo para a sua estréia na noite do Oscar... Simplesmente deslumbrante.



- Filha, sua bolsa... Espera que vou pegar. – Minha mãe subiu as escadas correndo e ficamos apenas nos olhando. Jacob me encarava de uma forma, que chegava ser abusada. Parecia me ver nua em sua frente, quando formava aquele sorriso malicioso. E eu, como sempre, fiquei ruborizada, com as bochechas queimando, provavelmente vermelha como um pimentão.



- Aqui está! – Assim que minha mãe me deu a bolsa, ouvimos o barulho da buzina da limusine.



- Nosso transporte chegou. – Disse para ele.



- Que bom! Quero chegar logo a esse baile e ver qual efeito causarei. – Começou a rir e minha mãe deu de ombros, sem entender o que ele dizia.



- Vamos, Jacob! – Entrelacei os meus dedos nos deles e caminhamos até a saída.



- Cuida bem da minha filha, Jacob!! Divirtam-se! – Minha mãe disse e caminhamos lentamente até o carro.



Quando a porta se abriu para entrarmos, foi pior do que imaginava. Claire começou a gritar, agarrou-se no pescoço de Quil, gritando: “FANTASMA! FANTASMA!”; Quil abanava Claire; Jessica simplesmente desmaiou; Embry se encolheu em um canto do carro. Mike ao invés de socorrer sua namorada, começou a desmunhecar e a dá gritinhos: “SOCORRO! SOCORRO!”; Aquilo foi muito gay e Jacob e eu caímos na gargalhada. A cena foi bizarra demais, mas tive que interferir e dizer quem Jacob era. Afinal foi mancada minha em não avisar sobre ele para os meus amigos.



- Gente! Gente! GENNTEEE! – Todos olharam para mim, com os olhos arregalados, tremia, e se agarravam uns nos outros. Jessica, que já estava acordando, olhou para Jacob e desmaiou novamente. Jacob não conseguiu se segurar e riu novamente. Lancei um olhar repreensivo e ele parou de rir. – Ele não é o fantasma do Seth... É o irmão gêmeo dele. – Consegui falar com calma, mas as expressões ainda eram de espanto. – Gente, não estou mentindo. Esse é Jacob Black, irmão gêmeo do Seth. Podem relaxar agora¿ - Perguntei arqueando a sobrancelha.



- Isso mesmo! – Quando Jacob falou, Mike novamente deu uma desmunhecada e se jogou sobre Embry, que o empurrou para longe.



- Ai!!! – A voz era muito gay e tive me conter para não rir.



- Sai daqui! Tu é macho ou não¿ Fala sério, Oh mané! – Embry se afastava, olhando atônito para o gesto e a forma de falar de Mike.



- Nem precisou beber para mostrar o seu lado fêmea. - Jacob sussurrou e dei uma cotovelada nele.



- Para... – Disse em seu ouvido e ele só ria.



- Esse é boiola. Nunca percebeu¿ - Sussurrou em meu ouvido.



- Ele é namorado da Jessica. – Respondi e todos observavam aquela conversa baixa entre nós.



- Então ela tem um problema... Da fruta que eu gosto, ele não come nem o caroço. O negócio dele é outro. Vocês são todos cegos. – Começou a dá umas risadinhas baixas, olhando para a expressão de pânico de Mike. Jessica acordou mais uma vez e quando viu Jacob novamente, ameaçou um novo desmaio, mas Claire a segurou pelos ombros e começou a sacudir. Pensei que fosse quebrar a garota.



- PARA!! VAI ME MACHUCAR!- Jessica gritou com raiva, empurrando Claire para longe.



- Conta isso direito! – Quil ordenou analisando o rosto de Jacob.



-Dona Sarah teve dois filhos e quando fugiu do marido, só levou um deles com ela. O que estava doente e precisava dela naquele momento. Quando Seth morreu, mandou uma mensagem para Jacob avisando sobre o falecimento. Mas como estava embarcado, só pode vir agora. Entenderam¿ Então parem com essas caras de AIMEUDEUS TO FICANDO DOIDO! – Disse para ele.



- Não acha que vai dá “M” a presença dele nessa festa¿ - Embry se manifestou. – Porque todos vão achar que o Seth ressuscitou ou coisa pior. Acho melhor ele não ir.



- Nem pensar! Jacob é o meu par e vai comigo sim! – Disse com tom autoritário.



- Você quem sabe, mas vai dá “M”! Olha o que digo. – Dessa vez foi Mike falando.



- A voz dele engrossou. – Jacob sussurrou e começou a tossir. Olhei para ele e dei uma nova cotovelada. Mas ele parecia se divertir com aquilo tudo.



- Então vamos logo! Não quero perder nada da festa. – Claire disse e finalmente entramos no carro. Jacob sentou-se ao meu lado e quando tentou pegar a minha mão, instintivamente eu a puxei. Não queria que os meus amigos me vissem com o meu cunhado. Não sei porque, fui levada pelo sentimento de vergonha e pela primeira vez desejei não tê-lo convidado. Jacob se sentiu desconfortável com o meu gesto e se esquivou, afastando o corpo do meu. Percebia os olhares curiosos dos meus amigos e tentava não deixar transparecer o que sentia.



Depois de alguns minutos de viagem, chegamos ao ginásio do colégio, onde seria realizada a festa de formatura.



Ele estava todo decorado com luzes, mesas com toalhas branca, cadeiras com fantasminhas, arranjos florias sobre cada mesa, uma enorme mesa com todos os tipos de quitutes e frutas. Também havia alguns ponches, certamente sem bebida alcoólica, e arranjos florais sobre ela.



Tudo estava perfeitamente arrumado e as pessoas moviam seus corpos sinuosamente sobre a pista de dança. De repente...



-AHHHH!! FANTASMA! – Começou um pandemônio no salão, alguns começaram a correr para a porta, causando tumulto e queda de muitos estudantes. A diretora Parker desmaiou durinha no palco, vi que algumas professoras também desfaleceram. Na correria mesas e cadeiras foram jogadas para o lado. Alguém caiu sobre a grande bacia com ponche, espirrando o liquido para todos os lados. Os gritos não paravam e vi quando Embry correu para o palco e pegou o microfone.



- GENTE! GENTE! GENTE! NÃO É FANTASM! É O GÊMEO DO SETH! GENTE PAREM DE CORRER! NÃO É FANTASMA! É O IRMÃO! É O IRMÃO!



As pessoas pararam de correr e gritar, voltaram seus rostos para a nossa direção e pareciam completamente atordoada. Então ele começou a contar a história que ouviu no carro.



- A mãe do Seth quando se separou, levou apenas um dos filhos e deixou o outro com o pai. Por isso temos uma cópia fiel do nosso saudoso Seth aqui. Espero que seja acolhedores com o Jacob essa noite e relaxem um pouco. MUSICA POR FAVOR! – A música começou a tocar, alguns estudantes começaram a levantar, os que já estavam na porta voltavam para o salão. Começaram a arrumar as mesas e cadeiras que foram derrubadas na correria. Vi alguns dos professores tentando acordar as professoras e a diretora Parker, que continuava apagadona.



Olhei para Jacob e ele estava sério, parecia bem pensativo. Talvez arrependido, não sei exatamente, mas ele não achou graça daquela confusão toda. Pegou a minha mão e fez um leve carinho. E mais uma vez eu a soltei.



- Jacob, podemos falar a sós¿ - Fiz sinal com a cabeça e o levei para um canto do ginásio.



- O que foi Ness¿ Sinto que está desconfortável comigo¿ - Franziu o cenho e ficou me olhando de forma apreensiva.



- Olha só... – Comecei constrangida, com medo de magoá-lo novamente. – As pessoas não sabem sobre nós. E é estranho, porque eu sou a “viúva” do seu irmão. Então fica estranho a gente se tocando, fazendo carícias... – Nem terminei de falar e ele já se armou.



- Está com vergonha de mim¿ Vergonha que saibam que estamos ficando¿ É isso¿ Então para que me trouxe aqui¿ Eu não acredito! – Jogou os braços para cima e balançou a cabeça em sinal de negativo.



- Jacob, por favor...



- Por favor¿ Você faz comprar essa roupa, me traz aqui para me expor perante essa gente, arruma essa confusão toda. Agora vem me pedir por favor¿ Eu não sou idiota! Se é isso que quer... – Fechou os olhos, respirou fundo antes de continuar. – Estava certo sobre você, Ness. Só sou um objeto que você usa e depois descarta. Eu não sou nenhum otário para uma garotinha mimada fazer o que quer de mim. Não mesmo! – Estava exaltado e não media as palavras quando falava. – Quer saber de uma coisa¿ Eu vou rodar esse salão e encontrar uma garota legal para ficar comigo essa noite. Definitivamente você não me merece.



- Jacob, não é isso. – Segurei o seu braço e ele puxou com raiva.



- Vai para o inferno e me esquece. – Puxou os braços e saiu sem olhar para trás.



Meus olhos encheram de lágrimas e tive que me segurar para não chorar. Ouvi passos e alguém tocando em meu braço.



- O que foi isso, amiga¿ - Claire perguntou franzindo o cenho.



- Fiz tudo errado mais uma vez, Claire. E agora ele está me odiando. O que eu faço, amiga¿ - Eu a abracei e coloquei a cabeça em seu ombro.



- De momento, corre atrás dele e impeça a Melissa de ficar com ele. Olha a safada se atirando sobre o gato. – Fez um sinal com a cabeça e o meu sangue ferveu. Senti um ciúme me consumindo de uma forma violenta. Sai dos braços de Claire e caminhei até lá.



- Oi, Melissa! Pelo que vejo já está se atirando para o Jacob. Não conseguiu nada com o Seth e agora vai atacar o irmão. – Disse com raiva e Jacob se quer olhava para a minha cara.



- Não tão quanto você. Não é Ness¿ - Cruzou os braços e ficou me encarando. – Mal o Seth morreu e já está dando para o cunhado. Que feio! – Parti para cima dela e Claire me segurou por trás.



- Ela quer briga. Não vai cair na dela, amiga.



-Sua “PI” safada! – Disse com raiva para ela.



- Eu sou, mas assumo. E você¿ Santa do pau oco! Acha que não percebi a briguinha de vocês¿ Que você está caidinha por ele¿ Fala sério! Ele não é o Seth e a noite promete. – Colocou as mãos sobre a cintura e ficou me encarando.



- O que você tem com isso¿ - Perguntei com raiva. Tinha vontade de voar nos seus cabelos, mas não podia.



- Eu¿ Só o fato de eu querer ficar com ele essa noite. – Deu um sorriso maquiavélico e olhou para Jacob. – Voltando ao assunto, Jacob. Você dança comigo¿ - Ele olhou para mim, arqueou a sobrancelha e sorriu. Depois se virou para ela, pegou a sua mão e a encarou nos olhos.



- Será maravilhoso ter uma mulher de verdade essa noite. – Deu as costas e caminhou com ela para a pista de dança. Naquele momento fiquei completamente sem chão e resolvi ir encher a cara para aliviar o meu estado de nervos. Quis matar o Jacob por ter feito aquilo, mas sabia que eu era a única culpada.



- Claire, você havia dito que os meninos esconderiam bebidas de verdade nessa festa. Sabe onde eles colocaram¿ - Perguntei olhando para o seu rosto espantado.



- Ness, você não está acostumada a beber. – Ela me repreendeu.



- Se eu não beber alguma coisa... se não conseguir relaxar... se... eu mato alguém essa noite... quebro a Melissa na “PO”! Juro que quebro. Então vamos beber logo! – Sai batendo o pé e queria beber na sua intenção. Depois que tivesse toda a coragem que precisava, faria aquela loira oxigenada pagar caro por ousar tirar Jacob de mim. Ela já havia tentado muitas vezes com o Seth e sinceramente relevei. Mas com Jacob era diferente... Arrancaria os seus olhos, quebraria os seus dedos, cortaria os seus cabelos, deixaria sem dente e com olho roxo.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Capítulo 7 - Erro




Virou-me de costas, passou o dedo da altura da minha cintura até a minha nuca, fazendo o meu corpo de se arrepiar. Começou a beijar o meu lóbulo e sussurrou em meu ouvido de forma sexy.



- Acho que já está na hora de voltarmos para o barco. – Segurou a minha cintura com as duas mãos e colou os nossos corpos. Sentia o frio pela água gélida, as ondas que batia em nossos corpos, o corpo trêmulo de tanto desejo e medo que aquilo fosse apenas um sonho... O meu mais lindo sonho.



- Tem certeza que quer voltar¿ Não disse que só havia começado a me seduzir¿ - Provoquei sorrindo, sentindo uma vergonha enorme, as bochechas arderem e um calafrio percorrer o meu corpo. Por sorte estava de costas e não tinha que enfrenta o seu olhar observando o rubor no meu rosto.



- Eu ainda não comecei... – Mordeu o meu lóbulo. – Mas eu quero te sentir de outras formas que a água atrapalha. Vamos para o barco e teremos muito tempo para continuar de onde paramos. – Beijou a minha nuca e começou a fazer caricias em meu umbigo. Já estava ficando tonta com todos aqueles toques.



- Vamos! – Eu me rendi



- Temos que voltar até a praia para colocarmos nossas roupas intimas. – Pegou a minha mão e começou a me conduzir até a areia da praia. – Senti-me envergonhada e cruzei os braços em meus peitos. Jacob me olhou de soslaio e riu achando graça. Ele já havia visto e provado tudo, justamente por isso não tinha motivo para me envergonhar. Mesmo assim fiquei envergonhada.



- Você fica linda com esse rubor na face. – Disse com um sutil sorriso no rosto.



- Para com isso, Jacob. – Ele caminhou até a areia e começou a procurar as peças intimas. Depois pegou o meu biquíni e a sua sunga de praia, colocou-a e depois colocou as peças em minhas mãos.



- Quer ajuda para se vestir¿ - Perguntou arqueando a sobrancelha.



- Só para colocar o meu sutiã. – Lentamente coloque a parte de baixo, ajustei o sutiã nos seios e me virei para ele amarar atrás. Fiquei sentindo os seus dedos brincando com as minhas costas e como sempre, sentindo os efeitos dos seus toques, meu corpo inteiro se estremeceu e um frio percorreu a minha barriga.



- Você é perfeita. – Segurou a minha cintura com as duas mãos e me puxou para o seu corpo. – Agora só quero que me prove que pode me vencer. – Soltou o meu corpo, saiu correndo para água e começou a nadar em direção ao barco.



- Jacob! Jacob! Você me paga! - Corri para água e comecei a nadar atrás dele. Era divertido toda aquela brincadeira e o clima entre nós era sempre natural, fazendo-me sentir feliz com o nosso envolvimento.



Como sempre, Jacob chegou ao navio e subiu. E eu fiquei para trás, vendo o sorriso travesso em sua face, forçando o máximo que meu corpo agüentava para nadar rápido.



Ele ficou de pé na borda, com os braços cruzados...



“Meudeus! Aquele corpo era a visão perfeita do paraíso... Quase me afoguei!”



- Quer ajuda ai¿ Se fica me olhando assim vai se afogar. – Disse de forma convencida, com o sorriso mais lindo do mundo. Chegava a ser engraçado vendo ele se soltar e se permitir ser um pouco moleque. Afinal ele era apenas um rapaz com pouco mais de dezenove anos, cheio de responsabilidade e que tentava se afirmar como homem, não se permitindo errar ou demonstrar os seus sentimentos. Mas comigo era diferente e ele conseguia agir naturalmente, sem se impor tantas restrições no agir e no falar... Ele era simplesmente um Jacob humano.



Cheguei até a escada do barco, comecei a subir e ele me estendeu a mão, puxando me para o seu corpo.



Me deu um abraço gostoso, beijou o meu pescoço e ficou fazendo carícias em minhas costas.



- Vai tomar um banho e descansar, enquanto levo o barco de volta para a marina. – Disse fitando os meus olhos de forma tão penetrante, que quase desmaiei em seus braços. O ar me faltou e me senti completamente lesa.



- Não vai tomar banho comigo¿ - Perguntei fazendo beicinho.



- Vou... Depois. – Deu um sorriso malicioso – Primeiro eu quero te aproveitar todinha... Disse que não tinha começado a te seduzir e não mentia. – Colou as nossas testas e continuou me fitando profundamente. Chegava a ser um crime a forma como me olhava... Quase desfaleci. – Ai tomaremos banho juntos. De pronto, quero levar o barco para marina. Assim fico menos preocupado. – Deu um selinho em meus lábios e separou os nossos corpos. Assenti com a cabeça e caminhei até o interior do barco.



Fui para o quarto, peguei a mochila, tirei as toalhas, depois fui para o banheiro tomar banho.



Dei graças a Deus por ter sabão líquido no banheiro e assim pude limpar adequadamente o meu porto.



Deixei a água cair lentamente em meu corpo, enquanto me lembrava dos momentos maravilhosos que passamos juntos.



Sai do banho, sequei o meu corpo, pendurei a toalha, voltei para o quarto e joguei a mochila no sofá. Deitei sobre a cama e me enrolei no lençol. Estava tão cansada, que acabei pegando no sono.



---xx ---



Senti os lábios quentes em meus pés, distribuindo beijos dobre o contorno, subindo lentamente até o meu tornozelo. Abri os olhos e tive a visão mais linda do mundo.



Ele estava completamente nu, com a sua protuberância a mostra... “ GZUISSS como era grande... “ Arfei de tesão ao sentir o seu toque e ver o tamanho da sua ereção.



O corpo molhado com gostas d’água escorrendo pelo seu torso. Os cabelos molhados e o seu rosto tinha algo de misterioso. Não sei explicar, mas ele tinha um olhar de um felino prestes a atacar a sua presa.



Estava excitada com os seus toques, fechei os olhos, relaxei sobre a cama e me permiti desfrutar de cada toque.



Os beijos de seus lábios foram subindo pela minha perda, beijando cada pedacinho dela, até chegar a minha coxa. Meu corpo ferveu e já estava gemendo de excitação. Suas mãos seguraram os meus joelhos e abriram minhas pernas. Um frio subiu pela minha barriga, uma angustia me consumia demasiadamente pela expectativa de sua penetração. Mas ao contrário disso, senti os seus lábios em meu sexo... Quase morri!



Já havia lido sobre sexo oral, conversado com minhas amigas e até visto alguns filmes com as cenas. Também já havia chupado o bilau do Seth algumas vezes. Mas era tímida demais para permitir que ele tocasse ou beijasse o meu sexo... Simplesmente não conseguia... Meu namorado me achava frigida.



Jacob não só havia tocado muitas vezes durante aquela tarde, como naquele momento passava a língua me fazendo arder de prazer. Comecei a urrar, gritar, gemer... sei lá o que fiz ou o que disse... acho até que falei outro idioma desconhecido. Mas aquilo era surreal e queria que ele fizesse mais e mais. E de uma forma quase que incompreensível, pedia mais e deixava que ele percebesse o quanto estava gostando da língua ávida chupando o meu clitóris, subindo e descendo de forma rápida... Como ela mexia.



- Eu disse que ainda não havia começado a te seduzir, Ness. – Sussurrou enquanto brincava com o meu sexo. Segurou os meus quadris com as duas mãos e foi subindo o seu corpo, beijando a minha barriga, percorrendo a sua língua de forma saliente.



- Oh Jacob... Ohh Goshhh – Quando mais ele lambia, mais chupava, mais eu gemia e me contorcia de prazer. Tinha a vergonha de dizer que nunca tinha provado certas coisas e preferi deixá-lo me conduzir. Mas acho que pela minha total falta de experiência, soube que nunca havia provado daquilo e ria malicioso para mim.



- Gosta disso, Ness. – Passou aquela protuberância enorme em minha barrida e foi subindo até os meus seios. Mal consegui assentir com a cabeça e por alguns segundos, com os olhos arregalados, parei de respirar. Jacob riu achando graça da minha expressão de pavor.



- Pelo que vejo você não aprendeu nada sobre prazer. – Começou a passa “ele” sobre os meus seios e não sabia se gemia, se gritava, se fechava os olhos, se abocanhava... Fiquei apavorada com o tamanho da coisa e comecei a pensar como aquilo coube dentro de mim.



“Não é possível que tenha encaixado... não é possível... não mesmo.”



Jacob se sentou sobre a cama e pegou algo sobre a cabeceira. Pegou o pacote de camisinha e começou a abrir. Com muita destreza a colocou enquanto eu o observava. Caminhou até o sofá, sentou-se sobre ele e bateu com a mão sobre a perna, fazendo sinal para eu ir até ele.



Não entendi nada naquele momento, mas levantei e caminhei até lá.



Ele segurou as minhas pernas e me ajudou a colocá-la por entre a sua cintura. Ajudou a encaixar a sua “coisa” na minha entrada, mas não fez nada. Apenas ficou me olhando e rindo.



- Vai continuar me torturando?- Perguntei manhosa.



- Quero que você peça, Ness. – Parecia um desafio e não entendi o que dizia.



- Quero ouvir você dizer o que quer de mim. – Mordeu os lábios e depois foi aproximando o rosto sem pressa do meu. Começou a beijar suavemente o meu queixo, traçou a língua fazendo um caminho até a minha boca, mas não me beijou. – O que você quer, Renesmee¿ - Quando pronunciou o meu nome todo, pela primeira vez, meu corpo ardeu e uma fúria me tomou por completo. Era um desejo descomunal, que me fazia sucumbir pelos seus toques. Agarrei os seus cabeços e gemi em seu ouvido.



- Quero você pra mim, Jacob... Quero você dentro de mim... Não me sinto completa sem você dentro de mim. – Forcei a entrada e nós dois gememos juntos.



- Woowww Ness



- Jacob me ama mais uma vez... muitas vezes... por... favor...



Ele segurou os meus quadris e começou a me conduzir, fazendo a sua “coisa” entrar e sair de dentro de mim muitas vezes, num ritmo frenético, eletrizante, agonizante, louco... Quanto mais ele me penetrava, mais eu agonizava pelos seus toques e os seus movimentos pulsantes dentro de mim. Estava louca, completamente desvairada, parecia uma lagartixa me batendo, puxava os seus cabelos, arranhava as suas costas, gritava, gemia, mordia os seus ombros... Era tudo louco... Um tesão fora do comum.



Jacob sugava os meus seios de forma espetacular, chupando, chupando, chupando cada vez mais forte. Apertava as minhas costas, enquanto me conduzia naquele ritmo completamente louco.



Ele me tirou do seu colo. Senti me frustrada e quase gritei para que continuasse. Rapidamente me pegou pela mão, apoiou os meus braços na parede e abraçou-me de costas.



No primeiro momento, fiquei apavorada. No entanto, apesar de não saber o que faria, tinha que confiar nele. Eu o amava e sabia que ele me amava também. Já havia confessado isso e não me magoaria.



Senti ele penetrar o meu canal vaginal por trás e fiquei aliviada dele não colocar lá... Oh Gosh! Como fiquei aliviada!



Enquanto me penetrava por trás, uivando como um lobo, pegou a mão e começou a estimular o meu sexo com os dedos... Eu gritava, gemia, mordia os lábios, revirava os olhos e implorava por mais... muito mais.



- Oh Jacob... mais, Jacob... mais! Gosh preciso de mais.



Ele continuava entrando em saindo do meu corpo, sem cansar, sem parar com uma vivacidade que daria inveja em qualquer homem... Aquele homem simplesmente não cansava.



Depois de acabar comigo, virou me de frente para ele. Já não tinha mais forças, estava completamente mole, depois de ter gozado muitas de vezes, sinceramente não me lembro. Levou-me para a parede, encaixou-se entre as minhas pernas e voltou a me penetrar com o mesmo vigor do início. Enquanto eu já estava ardida de gozar, chorar, rir, gritar e gemer... Ele quase me fez perder a fala.



Terminamos na parede, levou-me para a cama e me deitou. Encaixou-se entre as minhas pernas e voltou no mesmo ritmo... Eu já estava ardida e cansada... Quase pedi para parar, mas ele ainda não havia chegado na primeira e seria egoísmo meu.



Finalmente Jacob gozou, uivando de satisfação e caiu cansado, para não dizer exausto, sobre o meu corpo.



Nós dois estávamos molhados, nosso suor se misturava, ofegávamos e lágrimas rolavam em meu rosto de felicidade. Acariciei os seus cabelos, enquanto tentamos acalmar a nossa respiração.



Jacob saiu de dentro de mim, puxou o meu corpo para cima do dele e ficou me acariciando. Não era preciso dizer nada, apenas sentir o tamanho do amor que fluía entre nós dois.



Levantou-se da cama, pegou-me no colo e me levou para o banheiro.



Tomamos um delicioso banho juntos e por pouco, quase se animou novamente. Precisei fazer beicinho e dizer que não agüentava mais... Ele riu se achando o máximo.



Tudo corria muito bem, até que...



- Jacob pode pegar a outra toalha na mochila¿ - Perguntei e ele saiu do Box. Enxugou-se com a minha toalha e foi para o quarto pegar.



- Seth, aproveita trás as minhas roupas. – Gritei instintivamente e meu coração gelou. Senti meu corpo doer depois da besteira que fiz... Foi instintivo.



Jacob entrou no quarto com uma expressão horrível e me jogou as coisas sem dizer nada.



- Jacob, por favor me perdoa. – Sentia um nervoso tão grande. Queria correr e abraçá-lo, mas quando vi o seu rosto, senti uma facada no peito. Eu o havia ferido da pior forma possível



- Eu te dei o melhor e mim... Fiz “amor” pela primeira vez e você faz isso. – A voz era baixa e tinha uma denotação de dor.



- Foi sem querer. – Disse chorando, consumida por um desespero avassalador. Me enrolei na toalha e tentei abraçá-lo, mas ele me afastou com a mão.



- Eu não me entreguei a você para ter que te dividir com um fantasma. – Deu um soco na parede. – Nem que seja o fantasma do meu irmão! Se é isso que sou para você... – Hesitou, lágrimas de dor rolaram em sua face. – Prefiro parar por aqui... Já fui preterido uma vez... pela minha mãe... e... – Saiu do banheiro chorando, completamente destruído e cai de joelhos no chão completamente atordoada.



“Por que tinha que estragar tudo, sua anta? Ele ama você... Droga!”



Chorei, chorei e chorei... Muito mais do que na morte de Seth. Era uma dor tão grande que não conseguia respirar.



Coloquei a roupa, penteei os cabelos e fui ao quarto para encontrá-lo, mas ele não estava.



- Jacob! – Chamei.



Comecei a arrumar as coisas na bolsa, depois arrumei o quarto e sai.



Ele estava na proa do barco, olhando perdido para o nada, parecia quebrado, não se movia, não falava, parecia uma verdadeira estátua.



- Jacob fala comigo. – Praticamente implorei tocando o seu braço, mas ele não se moveu.



- Vamos embora. – Reparei que já estávamos na marina e não tinha como o prender no barco. Se fosse em alto mar, haveria tempo para dialogar.



- Por favor... Foi sem querer... força do hábito.



Ele me olhou de forma fria e só balançou a cabeça em sinal de negativo.



- Vamos embora. – Repetiu e caminhou para sair do barco. Fui atrás dele, até me ajudou a sair, segurando a minha mão, mas continuava frio.



Entreguei a chave ao rapaz que tomava conta do barco e depois seguimos juntos até o carro. O silêncio era enlouquecedor e a dor me sufocava. Queria que ele gritasse, até que me sacudisse que me batesse. Mas ele assumiu a postura de marinheiro frio, calculista e desprovido de sentimentos.



Chegamos ao carro, abri a porta e pedi para que dirigisse. Mas foi em vão.



- Pode dirigir¿ - Tentei encarar os seus olhos. Apenas negou com a cabeça.



Entrei no carro, abri a porta para ele entrar e dei partida. Liguei o rádio do carro e instintivamente ele desligou.



- Nada de música! Já estou ferrado demais para me permitir sentir dor de cotovelo. – Disse com raiva ao desligar.



- Jacob, foi força do hábito. Não confundi você com o Seth. Não estava pensando nele e muito menos sofrendo por ele. Estou tão feliz que está aqui. – Confessei sentindo as lágrimas formarem em meu rosto.



- Se Seth estivesse vivo e você tivesse que escolher... – Hesitou e ficou mudo. Sua voz era grave, ríspida e com uma tristeza que dava dó. Quis abraçá-lo, mas sabia que certamente provocaria um acidente.



- Você, Jacob... seria você.



- Você mente muito mal. – Cuspiu com raiva.



- Jacob você me fez sentir coisas que eu nunca tive... – Nem conseguiu falar e ele me cortou.



- Corta essa! O fato de eu ter sido o melhor sexo da sua vida, não apaga o fato de eu ser um fantasma para você. – Suas palavras me feriram de uma forma tão intensa, que não conseguiu conter as lágrimas, que rolavam compulsivamente em meu rosto. Não conseguia me defender e dizer que o amava mais do que tudo na vida. Que mudaria todos os meus planos e mudaria para Pearl Harbor se fosse para ficar com ele. Estava muito magoada. Como se atrevia a achar que era só pelo sexo¿ Como¿ - Desculpa se fui direto e se te magoei, mas é verdade. Você não está preparada para ter um relacionamento “adulto”. E eu não estou disposto a ficar a sua mercê. – Continuava a me ofender ainda mais com as suas palavras. Queria morrer naquele momento... Do céu eu havia caído no inferno.



- Tudo bem... – Sussurrei mordendo os lábios.



- Pode deixar, que eu não desisti do baile. Não faltarei com a minha palavra. Homem que é homem não quebra as suas palavras. – Disse de forma arrogante.



Continuei a dirigir chorando, sem conseguir falar nada ou olhar para ele tamanha era a minha dor.



Aquela foi a nossa primeira briga, mas não foi a única e nem a mais dolorosa.