segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

22 Revolta – PVO Ness



A maneira com que Jacob me tratou e a brutalidade com que tirou minha virgindade foi algo irracional e imperdoável. Por mais que ele houvesse sido carinhoso e atencioso na segunda vez, ele não conseguira apagar as marcas que deixou em meu corpo e muito menos as que ficaram em minha alma.

Apesar do acontecido na lua de mel, eu realmente pensei que depois daquela noite de amor que vivemos, voltaríamos à vida que tínhamos antes do casamento, voltaríamos a ser felizes e faríamos planos para o nosso futuro. Mas infelizmente minha fantasia se dissipou e a dor em meu coração aumentou no exato momento em que acordei naquela madrugada e constatei que ele não estava mais ao meu lado.

As lágrimas rolaram por meu rosto de maneira descontrolada e dolorosa, me fazendo acreditar que o homem por quem eu havia me apaixonado e sonhava em passar o resto da vida, nunca havia existido e no lugar dele existia um mostro... A mais terrível das criaturas.

Ele sabia exatamente o que queria e sabia exatamente como fazer para conseguir, mas o maior problema é que mesmo assim, eu o amava com todas as minhas forças e não fazia a mínima idéia de como fazer para não deixar que ele fizesse o que queria comigo.

Pensei praticamente a noite toda e enfim, tomei minha decisão! A hora em que a mocinha da história cansava de sofrer e resolvia tomar as rédeas da situação, havia chegado. Eu não poderia mais deixá-lo me tratar como bem entendesse. Eu era uma mulher que possuía sentimentos e emoções, e não um objeto que poderia ser posto em qualquer lugar, de qualquer jeito.

Quando o dia amanheceu eu ainda estava em claro, pensando e planejando em como e o que eu iria fazer para acabar com aquela palhaçada. Eu não queria mais servir de capacho, mas também não queria fazer o homem que eu amava sofrer, eu queria apenas... Dar-lhe uma lição! Mostrar que aquela Renesmee santinha e ingênua não existia mais. E que no lugar dela, havia nascido uma Renesmee forte e destemida.

Levantei da cama completamente torpe. Senti meu corpo dolorido pela forma como fiz amor com Jacob, os meus lábios ainda possuíam o seu gosto, vi que minha pela ainda estava levemente avermelhada pelos seus toques. Uma lágrima rolou pelo meu rosto ao constatar que mais uma vez ele havia me humilhado. Não conseguia acreditar que depois do que havia nos acontecido, mais uma vez me abandonou como uma qualquer na cama. Aquilo era humilhante de mais e fez uma raiva tão grande crescer dentro de mim, uma vontade de gritar e dizer chega para as suas atitudes estúpidas, a forma debochada como falava, o jeito agressivo e ameaçador como me intimidava.

Por mais que o amasse, sim eu o amava mais do que tudo, não poderia deixar aquilo passar em branco. Ele praticamente havia me violentado na nossa noite de núpcias e depois fez questão de me abandonar e me humilhar. Não tentou esconder a sua estupidez nem diante de Sue e aquilo me fazia pensar em quem era realmente Jacob.

Por toda a minha vida eu fantasiei um homem maravilhoso. Tive espectativas com a nossa vida e fiz planos para nós dois. Quando o conheci tive a certeza que era o meu príncipe encantado, mas agora via diante de mim um homem que não conhecia. Ele parecia mais um monstro, um completo desconhecido do que o homem que amava.

Levantei da cama em um impulso, caminhei para o banheiro, sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto, meu corpo nu tremia, minha cabeça girava e meu coração doía tanto que chegava a me sufocar.

Por que Jacob? Por que faz essas coisas comigo? Eu te amo tanto, mas você precisa aprender a ser gente. Por mais que seja difícil, por mais que eu sofra e chore, não abrirei mão de você, Jacob. Mas você vai aprender a ser gente e a me respeitar. Nunca mais me tomará a força. Nunca mais permitirei que me humilhe dessa forma. Será difícil, mas se você colocou uma máscara para me dá um golpe e casar comigo, vou tirar essa máscara e farei você se mostrar para mim. Vai aprender a ser gente ou esse casamento não dará certo.

Olhei a minha imagem derrotada diante do espelho, meus lábios estavam inchados, havia olheiras escuras em meu rosto e uma tristeza que desconhecia em meus olhos. Nunca me minha vida havia me sentido tão infeliz. Aquele momento foi tão difícil, mas ao mesmo tempo me confrontar diante de espelho me deu forças.

Caminhei para o boxe, tomei um banho quente e comecei a esfregar o meu corpo com tamanha violência, deixando a minha pele muito vermelha, tamanho era o nojo que sentia por tê-lo deixado me tocar novamente. Quanto mais esfregava, mais as lembranças das duas noites vinham a minha mente, fazendo com que me sentisse muito suja... Eu me sentia imunda.

Sai do boxe, peguei a toalha e me sequei lentamente. Depois fiz a minha higiene bucal e penteei os meus cabelos. Sai do banheiro e caminhei até o meu closet, coloquei calças jeans e uma blusa branca, depois um suéter branco, calcei sandálias brancas e sai do quarto.

Por instinto, parei diante da porta do seu quarto e a abri. Entrei lentamente e percebi que estava deitado dormindo. Estava nu e dormia como uma criança. Parecia o meu Jacob, o homem que amava, e não o monstro que se satisfazia com o meu sofrimento. Lembrei-me de suas palavras na noite em que... Comecei a chorar com raiva de mim e com ódio dele. Sentia um ódio tão grande subindo pela minha barriga e se alojando em minha garganta. Estava tão sufocada e precisava colocar tudo aquilo para fora. Então comecei a bater nele e gritar como uma louca desvairada.

- ACORDA, SEU SAFADO! ACORDA! ACORDA! – Ele abriu os olhos lentamente, piscou duas vezes as pálpebras e ficou me olhando sem entender absolutamente nada.

- Ness... – Sussurrou com aquela voz rouca e sexy. Senti meu corpo estremecer ao ouvi o som da sua voz, mas sabia que não podia voltar atrás. Me negava a parecer uma menina fraca e boba e deixá-lo fazer de mim o que lhe desse vontade.

- ESCUTA AQUI, JACOB! – Gritei e ele arregalou os olhos assustado.

- Ness eu preciso falar a verdade... preciso.

- CALA ESSA BOA IMUNDA! CALA! AGORA QUEM FALA SOU EU! ENTENDEU? – Ele me olhava sem entender o motivo de toda aquela histeria e parecia não acreditar que aquela era eu. Certamente nunca achou que eu tivesse coragem para enfrentá-lo. Estava realmente assustado demais e às vezes via uma face confusa, misturada com pânico.

- O que... – Tentou falar novamente mais eu o interrompi.

- Agora quem fala sou eu. Já disse, Jacob. – Comecei em tom autoritário. Sentia meu corpo inteiro tremer e esquentar ainda mais. – Você praticamente me violentou na nossa noite de núpcias. Eu estava cansada e bastante chateada. Só precisava dormir e descansar em seus braços. Precisava de um porto seguro, mas você simplesmente se mostrou um monstro da pior espécie. Depois você me humilhou e me deixou só, completamente arrasada e despedaçada. Não satisfeito, me humilhou diante dos empregados e me tratou como um lixo, um brinquedo que faz o que quer. Esse não foi o homem por quem me apaixonei. Alias acho que nem te conheço, Jacob. Esse casamento foi o pior erro que cometi na minha vida, mas não darei o braço a torcer para aqueles que achavam que não daria certo... – Comecei a rir histericamente.  – Não mesmo! Eu entrei na chuva e vou me molhar. Mas não admitirei mais abusos da sua parte. Aqui quem dita as regras sou eu! Está entendido? Se você fizer alguma gracinha ou tentar me pegar a força novamente... – Comecei a chorar de ódio enquanto falava, sentindo o sangue fervendo em minha cabeça. Doía muito cada palavra que dizia, mas ele aprenderia ser gente de uma forma ou de outra. – Eu vou até a delegacia mais próxima, a do meu avô, e te denuncio por violência sexual. Conto para o meu avô tudo o que fez e ele te tira a presidência. E sabe bem que meus tios e meu pai acabariam com você. Entende o que falo? Entende? Eu te amo! Te amo muito! Mas ou você aprende a ser gente ou vai para cadeia e perde tudo. Então não se esqueça de quem eu sou e do que posso te fazer. Vai aprender a me respeitar como sua esposa e vamos “tentar” superar essa noite fatídica. Mas não pense que terei pena de você se me fizer mal novamente. Só transarei com você quando sentir vontade e se souber que está me roubando, eu o coloco na cadeia. – Naquele momento ele me interrompeu. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e parecia completamente consternado com tudo o que havia ouvido.

- Ness eu preciso dizer...

- CALA A BOCA! EU NÃO QUERO OUVIR A SUA VOZ HOJE! SERÁ QUE NÃO ENTENDE ISSO! QUE ESTOU COM ÓDIO DE VOCÊ! – Sai do quarto chorando muito, bati a porta com raiva, corri para o meu quarto, entrei e tranquei a porta. Depois me joguei sobre a cama, abracei o meu travesseiro e chorei muito. Toda a dor que sentia, colocava para fora como uma criança. Chorei por um bom tempo, depois levantei, fui até o banheiro, lavei o rosto e fiz uma leve maquiagem para esconder as marcas em meu rosto. Sai do quarto e fui para a cozinha. Pensei que as coisas estavam ruins, mas o meu inferno estava só começando.

- Bom dia!  - Disse para Sue e Seth assim que entrei. Ele só assentiu com a cabeça e se levantou para sair.

- Seth, posso conversar com você? – Perguntei e vi o seu rosto triste, estava com olheiras e inchado. Parecia ter chorado muito e aquilo me cortava o coração.

- Não podemos mais ficar de conversinhas, Sra Black. Agora é uma mulher casada e não fica bem intimidades com empregados. Acho que já teve brigas demais com seu marido, levando se em consideração os gritos que ouvi há minutos. Não quero causar mais problemas para a senhora. Com licença. – Sai sem olhar para mim. Senti meu estômago embrulhar naquele momento. Era doloroso demais ver os estragos que havia feito em sua vida. Eu o amava demais para permitir que sofresse por mim. Mas não havia o que fazer naquele momento. Soquei a mesa com raiva e machuquei a mão. Sue me olhou franzindo o cenho, parecia preocupada, ficou me analisando antes de falar qualquer coisa.

- Seu marido melhorou? Ele estava muito mal ontem. Bebeu muito e pegou aquela chuva que caiu durante a madrugada. Estava com muita febre e não dizia coisa com coisa. – Disse me analisando.

- Não sei! Não perguntei como ele estava. – Respondi desviando o olhar do dela.

- As coisas estão complicadas para vocês. Queria poder te ajudar, mas não entendo o que está acontecendo. – Sentou-se no balcão e continuou me encarando.

- Jacob não é o homem que achei que fosse. Mas eu o amo muito e não quero desistir do meu casamento. Porem sei que será difícil a escolha que estou fazendo e que sofrerei muito com elas. Estou disposta a tentar por nós dois, mesmo sabendo que posso me machucar. De uma forma ou de outra ele vai aprender a ser gente, Sue.

- Ninguém muda se não quiser. Mas sei que o seu marido te ama, Ness.

- A forma dele demonstrar o seu amor é bem esquisita, Sue. – Falei envergonhada.

- Mas ele te ama. Disse isso ontem a noite, enquanto estava bêbado, filha. Só que existem coisas que não sabemos e que atormentam o seu marido. Não gosto muito do Jacob, mas sei que o ama e o conselho que dou é para ser paciente com ele. – Ela puxou-me para o seu colo, coloquei a minha cabeça e fiquei recebendo os seus afagos.  – Só não faça o meu filho sofrer. Ele te ama muito mais do que imagina. Quero pedir para demiti-lo, Ness.

- Como assim?  Eu não suportaria ficar longe de Seth. – Estava chorando como uma criança, com aquela dor me corroendo por dentro.

- Ele também não, mas está sofrendo muito por você, filha. Não é justo com ele ficar e ver você com seu marido. Por favor, faça isso por ele.

- Ele não irá! Seth é tão teimoso quanto eu.... Sou egoísta demais para abrir mão da presença dele. – Confessei envergonhada.

- Isso não acabará bem. O seu marido é ciumento demais e os dois vão acabar se matando. Temo pelo futuro de vocês três, Ness.

- Isso não acontecerá. – Respondi tentando me convencer daquilo.

- Vou levar o café da manhã para o seu marido. Ele precisa de um café muito forte para curar a sua ressaca e precisa comer algo.

- Pode levar! Não me importo... – Disse sentando no balcão e dando de ombros.

- Vocês dois são orgulhosos e teimosos demais. O que será desse casamento? – Resmungou e foi para a pia.

--xx—

Os dias passaram rapidamente, nós mal nos falávamos quando nos encontrávamos nas refeições. Às vezes percebia que me olhava com melancolia, mas tentava disfarçar a pena que sentia dele. Geralmente os nossos diálogos eram monossilabilicos (Sim, Não, Talvez), quando me trazia documentos para assinar.

Era desconfortante me sentar a mesa com alguém que parecia um completo estranho, mas precisava demonstrar frieza para ele, deixando o inseguro sobre os meus sentimentos.

Não dormimos juntos desde a noite em que me abandonou pela última vez. E por mais estranho que possa parecer, sentia falta dos seus beijos, dos toques e da forma de olhar. Mas não queria dá o braço a torcer e não o deixei perceber a saudade que sentia dos seus braços musculosos me envolvendo.

Ele trabalhava o dia inteiro e quando voltava, ficava trancado naquele escritório, fazendo sei lá o que, e só saia para o jantar.

A  minha relação com Seth não melhorou muito, mas saímos algumas vezes para fazer compras no shopping e eu tentava puxar assuntos sofre a faculdade.

Ele havia iniciado o primeiro período, estudava pela manhã e duas vezes na semana tinha aulas no período da tarde. Havia feito alguns “amigos” e aquilo me incomodava. Mas não era se entranhar que um cara tão boa pinta tenha chamado a atenção do público feminino, deixando me enciumada por saber que suas melhores amigas eram mulheres: Elisangela, Michelle, Paula, Larissa, Jeane e Letícia.

O ciúme que sentia era tão grande, que às vezes me pegava contando o tempo para ele voltar para casa. E quando tinha oportunidade, sondava para saber se estava ficando com alguém. Mas desde o meu casamento, as nossas conversas eram estranhas e ele se fechou para assuntos pessoais.

Perguntava Sue sobre a vida de Seth na faculdade, mas ela dizia não saber muita coisa. Ficava me olhando com um jeito desconfiado e às vezes me jogava indiretas de que era uma mulher casada e poderia ter problemas com o meu marido.

Três semanas após o meu casamento, recebemos a visita dos meus pais na manhã de sábado. Meu pai disse que minha mãe estava perturbando demais para me ver e tinha o pressentimento que as coisas não estavam bem. E que apesar de falar comigo todos os dias, tinha a certeza que estava mentindo para ela.

Jacob os recebeu com toda a cordialidade e pela primeira vez vi como ele era cínico ao colocar a máscara de bom moço.

Durante aquela tarde, ele me beijava, me tocava a todo o momento, sorria o tempo inteiro e se mostrava muito prestativo nas tarefas da cozinha, já que Sue e Seth estava de folga. Fiquei tão perplexa ao perceber como ele atuava e comecei a me lembrar dos nossos momentos, dando me conta de que tudo que vivemos juntos foi um verdadeiro teatro armado por ele para me dar o gole do baú. Apesar disso, resolvi entrar no jogo e me fingi de boa esposa, afinal não queria que meus pais soubessem da verdade. E minha mãe tinha um instinto muito forte, sendo imprescindível atuar o melhor possível para “tentar” enganá-la.

Enquanto almoçávamos, ele falava dos projetos da empresa, dos rendimentos e de como tudo estava indo bem. Mostrou-se preocupado com a saúde do meu avô, que estava em Nova York junto com minha avó e minhas tias, por conta do tratamento que estava fazendo.

Percebia que ele tentava ser muito agradável com a minha mãe, que como sempre fazia aquela cara de nojo para ele e ficava analisando cada movimento. No fundo ela sabia que ele não valia nada, mas ficava na dela para não causar atritos entre nós.

Quando meus pais foram embora, ele se ofereceu para me ajudar na cozinha, aproveitou que eu estava falando com ele para puxar assunto.

- Deixa que te ajudo com a louça. – Disse pegando os pratos da mesa e se dirigindo para a cozinha.

- Você não precisa mais fingir. Estamos sozinhos agora. – Disse com tom irônico para ele.

- Estou tentando ser sociável com você. Até quando ficaremos nessa casa nos ignorando? Será que podemos pelo menos tentar? – Perguntou me encarando, mas não respondi e continuei a me fazer de durona. Voltei para a sala de jantar, peguei o restante dos talheres e voltei para a cozinha.

Comecei a lavar a louça e ele ia as enxugando a medida que terminava. Sentia meu coração bater muito forte, uma ânsia de estar em seus braços, saudade de seus beijos, de suas mãos acariciando o meu corpo. Fechei os olhos e comecei a lembrar dos nossos momentos. Um tesão incontrolável começou a me dominar e a medida que me lembrava, o fogo só aumentava, consumindo cada célula de meu corpo.

Terminei de lavar a louça, vi que ele guardava a última peça, fiquei o encarando por alguns instantes, desejando o seu corpo, ansiando pelos seus toques mesmo sabendo que ele não valia nada e que só estava me usando. Sentia um misto de ódio, amor, paixão e tesão explodindo dentro de mim. Ao mesmo tempo que queria bater nele e fazê-lo sofrer pelo que fez comigo, também queria ser possuída por ele e sentir tudo o que podia me dar.

Você está louca, Renesmee! Louca! Ai que homem mais gostoso.

Mordi os lábios enquanto admirava o seu corpo, apoiei os braços sobre a pia e fiquei estática analisando cada pedaço daquele caminho de perdição; Sim! Ele era a minha perdição e por mais que tentasse resistir, estava subindo pelas paredes literalmente.

- O que foi? – Perguntou com aquela voz sexy, ardente e provocante, enquanto caminhava lentamente em minha direção.

- Eu quero você agora. – Respondi rendida, completamente insana diante da constatação que mesmo odiando, eu o amava e precisava senti-lo outra vez.

- Eu também quero você, neném... Não sabe o quanto. – Encurralou-me na pia, aproximou o rosto lentamente do meu, enquanto me fitava com aqueles olhos negros provocantes, respiração irregular, sorriso safado no rosto... Estava perdida.

Jacob segurou o meu rosto com as duas mãos e começou a me beijar de forma intensa. Nossas línguas se encontraram causando um turbilhão de emoções, ela serpenteava em minha boca, explorando cada canto de forma avassaladora. Eu já estava sem fôlego, enquanto ele continua me beijava com volúpia abrasadora. Era como se o mundo estivesse acabando naquele momento e precisasse me devorar. Nossos braços passeavam nos corpos um do outro.

 Ele me pegou no colo, colocou-me sobre o balcão no centro da cozinha, abriu as minhas pernas e subiu as suas mãos pela minha coxa, até chegar a minha intimidade. Seus dedos passaram pelo elástico da minha calcinha e chegaram ao meu sexo. Começou a massageá-lo de forma enlouquecedora, fazendo-me gemer em seus lábios. A outra mão foi até o decote do meu vestido e passou por dentro dele, chegando ao meu seio; Começou a brincar com o meu pico, massageava o meu sexo enquanto explorava todos os cantos da minha boca com sua língua deliciosa.

Foi um  misto de desespero, saudade, tesão e prazer incubado o que nos aconteceu. Acabei sem roupas no balcão da cozinha, sendo penetrada por estocavas fortes e vorazes, uma a uma causando um enorme prazer em meu corpo, enquanto seus lábios sugavam os meus seios, suas mãos massageavam a minha barriga, fazendo me gemer como uma gata no cio.

- OH Neném eu te amo tanto! – Ele gemia gostoso enquanto sugava os meus seios.  – Ès tão gostosa, Ness. Nunca me senti assim com mulher nenhuma... geme para mim.

- Jacob... Jacob...

- Isso! Geme!

- Você é um safado, Jacob... OHH!!! OHH!!! Ordinário, mentiroso... OHHH!!! Cretino!!!

- Pode me xingar mais, neném!!  Vai me xinga mais, Ness!!! Tu és gostosa demais, neném!

- Eu odeio te amar, Jacob. – Ele continuava penetrando muito forte e muito fundo, enquanto meu corpo explodia em vários orgasmos, como se fosse uma queima de fogos.

- Eu odeio o jeito que te faço sofrer, neném... Odeio! OHHHH Vamos juntos, Ness!!!

- Jacooooob! – Meu corpo explodiu, puxei os seus cabelos e arranhei as suas costas com violência, com raiva dele e de mim por ser tão fraca.

- Nesssss! – Ele explodiu em um gozo forte e seu corpo caiu mole sobre o meu. Continuou dentro de mim por algum tempo, depois tirou o seu membro, sujando me com o seu esperma quente que ainda caia sobre a minha pele. Continuei deitada sobre a  mesa, tentando entender tudo aquilo e sentindo raiva de mim por ter permitido que aquilo acontecesse.

- Ness, vamos conversar? Preciso te dizer algumas coisas. – Disse observando o meu corpo sobre o balcão.

- Não há nada o que conversar, Jacob. O que nos aconteceu foi só sexo. – Disse tentando colocar um sorriso irônico no rosto. Queria que ele sentisse a mesma dor que me causou. – Quando eu sentir vontade, podemos fazer sem compromisso ou emoção. Só isso! Não vamos discutir a relação só porque transamos. – Desci do balcão e comecei a pegar a minha roupa, enquanto ele me olhava atônito, parecendo não acreditar no que havia dito. Pensei que fosse explodir de raiva naquele momento.

- Como é? – Perguntou com raiva, socando o balcão.

- Isso mesmo! Eu te avisei que só transaria com você quando tivesse vontade. Foi isso que aconteceu. Pelo menos assim você paga a boa vida que tem. – Comecei a sair da cozinha, sentindo as lágrimas se formando em meus olhos. Queria gritar que tudo aquilo era mentira, mas o meu lado vingativo exigia que o fizesse sofrer como havia me feito.

- MULHER NENHUMA ME TRATA ASSIM! VOLTA AQUI, RENESMEE BLACK! – Ele gritava furioso na cozinha. Dei um tachuzinho sem olhar para trás e fui para o meu quarto com o coração despedaçado.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Capítulo 10 – Despedida




Estava cansada, meu corpo mole, a cabeça doía e sentia um estranho enjôo. Revirei na cama, tentei abrir os olhos, mas as pálpebras estavam pesadas demais. Pisquei uma vez, duas... três; até que consegui abrir os olhos.



Lembranças da noite anterior começaram a revoar a minha mente. Pequenos flashes, como se fossem cenas de filme, passavam em minha mente. Lembrava-me da discussão com Jacob, de ir com Claire até uma das salas onde guardaram as bebidas, do gosto amargo em minha boca, da briga com Melissa, de fazer amor com Jacob... Jacob, meu amor!



Senti muita vergonha do que havia feito, meu estômago se revirava ao pensar em seu rosto apavorado com a cena. Estava muito doida... Doida mesmo!



Com muito esforço levantei da cama, caminhei cambaleando até o banheiro, tirei aquelas peças de roupas do meu corpo... Como elas foram parar ali¿ Eu me questionei naquele momento. Então me lembrei de Jacob me dando banho.



Gzuizzz Que vergonha!



Entrei no Box, liguei o chuveiro e deixei que a água quente percorresse o meu corpo. Realmente consegui relaxar um pouco com aquele banho quente.



Depois de algum tempo, sai do Box, enxuguei o corpo com a toalha que peguei no aparador, caminhei até a pia, abri o armário, peguei a escova de dentes e a pasta dental e comecei a fazer a minha higiene bucal. Senti meu estômago revirando novamente, larguei a escova sobre a pia, ajoelhei diante do sanitário e comecei a vomitar. Naquele momento pensei que colocaria a alma para fora, com aquele vômito horrível com gosto de bebida... Aff! Eu merecia aquilo! Como merecia!



Consegui forças para me levantar, voltei até a pia e novamente fiz a minha higiene bucal. Penteei os cabelos e fui enrolada na toalha para o closet.



Peguei calça jeans, camiseta branca, calcinha, sutiã, um par de meias, tênis e depois comecei a me vestir. Afinal precisava ir até a casa de Jacob falar com ele e me desculpar pelo vexame da noite anterior.



Estava terminando de me arrumar quando minha mãe entrou no quarto.



- Filha! – Chamou e me virei para olhá-la.



- Bom dia, mãe! – Respondi.



- Boa tarde! Não é¿ Já são duas e meia. – Fez um bico de insatisfação. – Jacob está lá embaixo para falar com você. – Ficou em silêncio por um momento e vi que havia algo errado na forma como me olhava. – Ele estava estranho... Acho que ficou chateado com a vergonha que o fez passar ontem.



- Ele disse alguma coisa¿ - Perguntei inquieta, enquanto terminava de vestir a roupa.



- Ontem ele estava cansado e parecia estranho. Contou o que fez na festa e parecia constrangido demais. Mas isso você tem que ver com ele. – Deu as costas e já ia saindo do quarto. – Não demora!



- Diz a ele que já estou descendo. – Pedi e fui para o banheiro olhar a minha aparência.



Nossa!! Como está horrível!”



Peguei o meu gloss e passei sobre os lábios para dá um brilho e depois arrumei os cabelos.



Sai correndo do quarto e cheguei à sala em menos de um minuto.



Vi que estava sentando no sofá, com o olhar perdido e parecia muito triste. Sentei ao seu lado e peguei a sua mão, entrelaçando os nossos dedos.



- Você pode me perdoar pela noite de ontem¿ - Perguntei de cabeça baixa e ele segurou o meu queixo e o ergueu.



- Já te perdoei, meu anjo. Mas preciso ter uma conversa séria com você. Podemos andar um pouco¿ - Perguntou com tom cerimonioso e senti meu estômago revirar novamente.



- Tudo bem! – Respondi e seguimos de mãos dadas para a porta. Vi que meus pais olharam de onde estava, sentados perto do piano, de forma preocupada. Mas preferi fingir que tudo estava normal.



Chegamos até a porta da minha casa, ele continuou andando até a sua moto e encostou sobre ela. Puxou-me pela cintura, diminuindo o espaço de nossos corpos, segurou o meu rosto com as duas mãos de forma carinhosa e ficou olhando em meus olhos. Percebi que havia a mesma dor que me mostrou no dia em que nos vimos pela primeira vez. Tive a impressão que choraria naquele momento.



- Renesmee... – Começou formalmente e senti meu coração apertar angustiado.



- Jacob, por favor... – Ele colocou o dedo em meus lábios, não permitindo que falasse.



- Eu fui convocado para uma missão e terei que partir. – Pegou o celular e me amostrou a mensagem no seu email.



“Estamos enviando uma equipe para uma missão no Oriente na próxima terça feria.


Sua presença é requisitada no navio Leão do Ocidente na segunda feira a tarde.


Esteja devidamente uniformizado e procure o Almirante Crowel no porto da Carolina do Sul.






Att


Almirante Brostein”



- Oriente¿ - Mal conseguia falar naquele momento. As lágrimas se formaram no canto dos meus olhos e quando percebi já estava chorando. – Não...não.. não pode... por... – Ele me abraçou forte e ficamos em silêncio por um momento.



- Vim me despedir de você. – Começou a falar com a voz embargada. – Preciso voltar para casa da minha mãe para me arrumar e depois vou direto para o aeroporto. - Começou a secar as lágrimas no meu rosto.



- O que vai fazer com a moto¿ A concessionária deve está fechada hoje. Quer que entregue para você¿ - Perguntei.



- Você faria isso por mim¿ - Seus olhos negros me fitavam de forma intensa. Ele estava choroso, vermelho, parecendo os olhos de alguém que havia chorado momentos antes. Se bem o conhecia ele estava se martirizando por me abandonar. Mas sabia que não tinha como se recusar a ir e que se pudesse ficaria comigo. Tentei me mostrar forte naquele momento, mas não conseguia evitar chorar enquanto falava com ele. Era como se um pedaço de mim estivesse sendo arrancado do meu peito.



- O que eu não faria por você¿ Jacob, pode me perdoar por ser infantil¿ Por ter estragado a nossa noite¿ Por ter te magoado¿ Por tudo¿ - Perguntei me derramando em lágrimas e ele começou a beijar cada uma delas, carinhosamente, como se de alguma forma soubesse que quebraria naquele momento.



- Já disse que te perdoei. E sou eu quem tem que te pedir desculpas, Ness. Fui muito imaturo, ciumento e irracional. Me perdoa. Tá¿ Eu te amo demais, menina. – Começou a distribuir selinhos sobre os meus lábios de forma carinhosa. Um beijo avassalador começou a nascer, os movimentos dos seus lábios ficaram mais intensos, sentia o toque de sua boca desvendando cada pedaço da minha como se aquilo fosse a última coisa que faria na vida. Parecia mais desesperado do que eu e assim nos entregamos aos beijos. Sua língua serpenteava sobre a minha, com movimentos intensos, calorosos e muito gostosos. Gememos juntos, o beijo começou a ficar mais salgado gradativamente, misturando-se com as lágrimas que desciam pelos nossos rostos. – Eu não vou esquecer você... – Sua mão segurava a minha cabeça, prendendo os meus cabelos, enquanto de olhos fechados, ainda ofegante pelos beijos, dizia que me amava... Eu te amo... te amo... te amo...



- Não vai! Por favor, não vai! – Implorei chorando muito.



- Se eu não for, serei preso por deserção. Não posso fazer isso, Ness. Bem que gostaria, mas não posso.



- Jacob quando você voltará¿ Quando¿ Quanto tempo ficarei sem você¿ - Perguntei alinhando a minha cabeça em seu peitoral definido.



- Não sei ainda... não sei. Mas tenho que ir. Vamos comigo até a casa da minha mãe¿ Preciso me arrumar para ir embora. – Disse fazendo uma caricia em meu rosto, enquanto o analisava cautelosamente.



- Vai hoje¿ - Perguntei implorando aos céus que me dissesse que não.



- Sim! Preciso me apresentar logo e tomar conhecimento da minha missão. Então pretendo ir hoje e resolver logo isso. Gostaria de ficar mais tempo ao seu lado, mas o dever com o nosso país me chama.



- Então vamos! Deixa eu ir pedir a chave do carro para a minha mãe. OK¿ Espere um momento. – Dei um selinho em seus lábios e depois fui para a casa pegar a chave do carro da minha mãe.



Depois que voltei, entramos no carro e seguimos em silêncio para a casa da dona Sarah.



Chegamos a casa, saímos do carro, caminhamos de mãos dadas até a casa e entramos. Vi que a sua mãe estava triste, calada e o olhava como se estivesse perdendo o filho para sempre. Era angustiante ver a expressão em seus olhos.



- Oi, dona Sarah¿ - Caminhei até ela, dei um abraço e um beijo em seu rosto.



- Como vai, filha¿ - Perguntou me retribuindo o beijo.



- Triste! – Respondi cabisbaixa.



- Ele voltará. – Disse tentando parecer animada e vi quando Jacob foi para o quarto de Seth se arrumar.



- Não sei como ficarei sem ele. – Sussurrei me sentando no sofá ao seu lado.



- Eu também não. Mas ele precisa ir e um dia voltará para nós dois.



- Tenho medo que não volte. – Admiti.



- Ele volta! Ele volta! – Disse rindo para mim.



- É tudo o que mais quero... Como quero!



Ficamos conversando um tempo, até que a porta se abriu e Jacob apareceu com aquela roupa branca de marinheiro, lindo, gostoso, maravilhoso, tesudo... Meudeusss!!! Quase perdi o ar ao olhar aquele espetáculo de homem, com os cabelos molhados, óculos escuros, roupa branca marcada no corpo másculo... Aquilo era uma verdadeira perdição. Seria capaz de me jogar no mar e ir nadando até o Oriente para ficar perto dele.



- Vamos¿ - Perguntou caminhando em minha direção com a sua bolsa de viagem.



- Não podemos ficar mais um pouco¿ Ai, Jacob... – Comecei a chorar novamente, mesmo sabendo como aquilo o deixava com o coração na mão.



- Não faz assim, Ness... Não faz! – Puxou-me para o seu corpo e me abraçou. Começou a fazer carinho em minhas costas para tentar me acalmar. Depois se afastou de mim e se dirigiu até a sua mãe.



- Mãe, esse cartão é o da conta que abri para você. É uma conta poupança e tem dinheiro o suficiente para não passar necessidade. Não sei quando voltarei, mas espero que não passe aperto nesse tempo. Assim que for possível, mando noticia. Tá¿ - Beijou a sua mãe. – Eu te amo, mãe. – Eles se abraçaram por um longo tempo e depois ele pegou a minha mão, conduzindo-me para fora da casa.



Caminhamos para o carro, abrimos a porta, acenamos para a sua mãe e depois entramos. Antes de dá partida, ficamos calados por um momento, nos olhamos e novamente ele disse o quanto me amava.



- Nunca se esqueça do quanto eu te amo. Nunca! – Colou a testa sobre a minha e depois deu um selinho em meus lábios.



- Se continuar fazendo isso, eu te seqüestro. Viu¿ - Tentei fazer piada, para quebrar o clima de tensão que estava no ar.



- Bem que gostaria...



- Vamos antes que me arrependa de te levar para o aeroporto. – Disse e finalmente partimos.



Jacob ligou o rádio do carro e por coincidência estava tocando a mesma música que há havíamos ouvido no dia em que fomos ao penhasco.



“De tarde quero descansar


Chegar até a praia e ver


Se o vento ainda esta forte


E vai ser bom subir nas pedras






Sei que faço isso pra esquecer


Eu deixo a onda me acertar


E o vento vai levando


Tudo embora...






Agora está tão longe


ver a linha do horizonte me distrai


Dos nossos planos é que tenho mais saudade


Quando olhávamos juntos


Na mesma direção


Aonde está você agora


Alem de aqui dentro de mim...






Agimos certo sem querer


Foi só o tempo que errou


Vai ser difícil sem você


Porque você esta comigo


O tempo todo


E quando vejo o mar


Existe algo que diz


Que a vida continua


E se entregar é uma bobagem...






Já que você não está aqui


O que posso fazer


É cuidar de mim


Quero ser feliz ao menos,


Lembra que o plano


Era ficarmos bem...






Eieieieiei!


Olha só o que eu achei


Humrun


Cavalos-marinhos...






Sei que faço isso


Pra esquecer


Eu deixo a onda me acertar


E o vento vai levando


Tudo embora...”







Comecei a ver o filme da nossa vida passando em minha mente, todos os momentos, olhares, gestos, palavras, beijos, toques e até mesmo as brigas dolorosas que tivemos. Era tudo tão triste e pesaroso. Sentia-me sufocada, destroçada e com medo de o perder para sempre. Naquele momento, tive a impressão que nossos caminhos estavam destinados a seguir rumos diferentes e tive uma vontade louca de o prender a mim, impedindo de partir.



Enquanto dirigia chorava em silêncio, sem coragem de olhar para ele e ver como estava. Pois não agüentaria ver o seu sofrimento.



Chegamos ao aeroporto, Jacob foi até o guichê, comprou a passagem e fez o check in. Depois seguimos para o portão de embargue, para aproveitar os minutos que ainda nos restavam.



- Ness, queria te levar comigo, queria poder começar uma vida com você, mas no momento isso não será possível. Sonhei tanta coisa para nós dois, mas acho que não estamos preparados para isso. Você ainda é jovem, tem um futuro lindo pela frente, começará à faculdade, ainda terá muitos namorados, curtirá muitas festas e sua vida será linda. Queria muito poder te dar mais agora, mas infelizmente não posso. Disse que você era imatura para mim, mas no fundo sou eu quem não está preparado para esse tipo de relacionamento. Não posso te roubar a juventude, prender a mim e cobrar um amor que talvez não possa me dar. Eu tenho alguns traumas e isso afeta a minha vida emocional. Não seria justo jogar essa carga sobre você... – Hesitou por um momento e tentou não chorar, apesar dos olhos cheios de lágrimas. Segurou o meu rosto com as duas mãos, beijava as minhas lágrimas enquanto falava. – Queria te levar comigo, mas nem sei para onde estou indo. Não sei se voltarei vivo e quando estarei de volta. Por isso te peço que não espere por mim. Viva a sua vida, aproveite tudo o que tiver para aproveitar. Um dia eu te acho e nunca mais saio de perto de você. Consegue entender isso¿ O amor é paciência, benevolente, corajoso e principalmente generoso. Não quero te cobrar nada... Nem fidelidade. Viva a sua vida e seja feliz por nós dois.



- Não... não faz assim – Chorava muito.



- Ness, eu vou para um local onde estará um turbilhão. Você já leu os jornais atualmente¿ O mundo está entrando em guerra. Não é mais a mesma guerra fria de anos atrás. Mas de certa forma essa luta contra o terrorismo nos coloca que frente para a batalha. Todos os dias milhares de jovens são enviados para o Oriente e a família só recebe uma medalha de honra. Temos soldados no Iraque, Israel, Irã, Afeganistão e em outros locais pelo mundo. Muitos nunca voltam para casa. Acha que serei egoísta de te pedir que me espere¿ Nem sei se voltarei vivo¿ Navios americanos estão em postos de Israel nesse momento, nossos caças estão sobrevoando o oriente, os soldados lutando contra os talibans e grupos extremistas que se formam a cada dia. O que não falta por lá são loucos suicidas que dão a vida pela sua religião... Eu estou indo para a porta do inferno. Por isso eu rogo que viva a sua vida... Por nós dois! OK¿ Sei que você fará medicina na Universidade de Washington e quando voltar procuro você. Mas agora só peço que viva. Queria te dizer muito mais, mas não tenho coragem para isso. Por isso escrevi essa carta e peço que só leia ao chegar em casa. – Abriu a bolsa de viagem, tirou um envelope e o colocou em minha mão.



- Jacob eu te amo! –Consegui dizer e vi as lágrimas rolarem em seu rosto. Parecia tão emocionado com a minha revelação. Parecia não acreditar.



- Não precisa me dizer isso agora... Sou paciente e sei que um dia me amará de verdade.



- Eu te amo, Jacob... A M O! Entende isso¿ Sempre foi você... Sempre! – Ele me abraçou forte e começarmos a chorar juntos.



- OH, Ness! Como quis ouvir isso de você. Desculpe por ter forçado tanto a barra com você.



- Desculpe eu ter sido infantil... Nunca quis te magoar, Jacob... Nunca!



- Nos magoamos sem necessidade... Perdão, amor! – Começamos a nos beijar e ouvimos o chamado de aviso para o seu vôo. Mesmo assim continuamos o beijo até a terceira chamada. Ele soltou o meu rosto e se afastou lentamente. Ficou do portão de embarque me olhando, enquanto eu me acabava em lágrimas. Correu até mim, puxou-me pela cintura e me beijou novamente.



- Eu te amo muito... Nunca esqueça disso! ATÉ BREVE! – Gritou se afastando e correu para o portão.



Fiquei de longe observando enquanto passava as suas coisas pela máquina de raio X e depois vi acenar com as mãos para mim.



- Jacob... Oh Jacob!



Sai do aeroporto arrasada, mal conseguia andar até o carro e tive que esperar um bom tempo até conseguir dá partida e dirigir de volta para casa.



Resolvi ir para a praia para ler a sua carta e tentar acalmar o meu coração depois de me despedir do homem da minha vida. Era como se perdesse um pedaço de mim e não conseguisse reagir.



Estacionei o carro na encosta da praia, desci lentamente, bati a porta e caminhei até a pedra onde costumava sentar para ver o horizonte.



Peguei o envelope no bolso, abri e tirei a sua carta.



“Ness,






Desde a primeira vez que a vi sentada naquela pedra eu a amei. Amei mais do que pensei que fosse possível, mais do que deveria e poderia. E foi em nome desse amor que abri o meu coração e me entreguei de corpo e alma.






Apesar das circunstâncias tristes que nos uniram, ao seu lado passei os melhores momentos da minha vida, e pela primeira vez me mostrei para alguém, tirando a máscara que escondia a minha dor, e fiz amor de forma intensa.






Sempre levarei comigo a tarde linda que passamos juntos. Seus olhos sempre estarão reluzindo em minha mente... Os nossos momentos foram os mais intensos e felizes da minha vida. Pode ter a certeza.






Sinto meu coração doer só de pensar em ficar longe de você. Mas infelizmente isso é necessário... Inevitável.






Amo você,menina... Amo muito e dizer adeus é mais difícil do que pensei que seria.


Não tive coragem, não fui homem o bastante, para dizer isso tudo olhando em seus olhos. Certamente desistiria de partir e seria preso como desertor.






Estou partindo para um país distante, que nem mesmo sei onde fica, não sei quanto tempo permanecerei por lá e nem se voltarei vivo. Por isso não acho justo pedir que me espere.


Por mais que me custe dizer isso, sei que é necessário e não posso ser egoísta para pedir que me espere. E o que posso dizer nesse momento de despedida, é para você seguir a sua vida e tentar se feliz sem mim.






Queria muito te trazer comigo, queria te pedir em casamento e te levar para Pearl Harbor comigo. E teria feito isso ontem à noite, se as coisas não houvessem saído do controle.


Percebi naquele momento, que você não está preparada para o tipo de relação que quero te dá. Que ainda precisa de um tempo, para viver sua vida e amadurecer, só assim as coisas entre nós daria certo.






Você ainda viverá grandes paixões, terá muitas baladas, amigos, novidades na sua vida e experiências boas que te acompanharão pelo resto de sua vida. Não quero roubar esses momentos de você, levando para viver comigo, fazendo a esperar muitas noites enquanto estou no mar, fazendo chorar com o meu mal humor, machucando com palavras duras, sendo insensível com o meu ciúme do fantasma do meu irmão... Não posso! Simplesmente não posso.






Não quero te magoar com as minhas palavras. Na verdade nunca quis e acabei fazendo isso mais de uma vez, após perder a cabeça com você. E sei que sou o único culpado disso. Nem posso te chamar de imatura, porque eu sabia exatamente o momento em que estava vivendo, como tudo estava te afetando e como se apegou a mim para acalmar o seu coração.






Isso tudo me faz ver que fui mais imaturo do que você, que deixei as minhas frustrações e traumas interferirem na nossa relação e acabei sendo grosso demais. Por isso eu te peço perdão... Mil vezes perdão.






Sempre guardarei os nossos momentos em meu coração. Pensarei em você todos os dias e pedirei a Deus para que cuide bem do seu coração. Também pedirei que um dia traga você para mim. Mas não sei se essa é a sua vontade.






De uma coisa tenho certeza, você não cruzou o meu caminho por nada e se estiver escrito no nosso destino, um dia voltaremos a nos encontrar e seremos felizes juntos... É nisso que me apego para seguir em frente e tentar viver sem você... Está doendo muito. Pode ter a certeza disso.






Repetirei mais uma vez para que não te reste mais dúvidas sobre o meu sentimento.


E U T E A M O!!! A M O M U I T O!!!






Agora é hora de dizer “Adeus” e pedir que perdoe a minha covardia.






Se puder, seja feliz por nós dois.






Com amor,


Jacob Black”



Estava completamente destroçada, mas tinha que ser forte e fazer o que havia me pedido. Por mais lágrimas que derramasse pelo meu coração que sangrava com a dor da separação, precisava ser forte e esperar que voltasse para mim. Aquela era a minha única esperança até aquele momento.



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O tempo passou e as coisas não foram bem com esperava. E já nos primeiro dia após deixar Jacob no aeroporto, tive uma grande surpresa ao chegar em casa.



Recebi uma ligação de Claire pedindo para eu ver o meu Orkut e o meu Facebook. E para minha surpresa, havia fotos da festa no facebook, com detalhes da briga, fofocas, xingamentos e no Orkut as coisas não foram diferentes.



Abri o meu email e havia várias mensagens desaforadas. E como já estava mal com a partida de Jacob, resolvi cometer um suicídio virtual e paguei todos os contatos na rede.



Comecei naquele dia me isolar do mundo, pensando que ficaria protegida das humilhações. Mas na semana seguinte, quando fui com Embry entregar a moto e depois quando fui fazer compras com a minha mãe, fui xingada e apontada na rua por algumas “ex-amigas”.



Estava tão deprimida com tudo aquilo, que resolvi aceitar a decisão dos meus pais e partir de Forks. Então acabamos indo para Nova York, onde eu ficaria até a começar na Universidade de Harvard, que misteriosamente fui aceita no último momento.



Fiquei temerosa que Jacob não me encontrasse em Washington, mas sabia que ele tinha o meu número de celular e me ligaria assim que retornasse da sua missão.



Os dias foram passando rapidamente e minha vida estava indo de mal a pior. Não saia do quarto, não conversava com ninguém, comia pouco, não via filmes e não lia livros. Apenas sentia vontade de dormir para esperar o tempo passar, assim ele voltaria mais rápido para mim.



Faltava duas semanas para começar na Universidade, minha mãe e minha tia encontraram uma irmandade legal para eu ficar, faziam planos para o meu futuro, como se seu estivesse interessada nele, enquanto eu apenas me trancava do mundo nas minhas recordações e vãs esperanças de reencontrar Jacob.



A saudade que sentia era tão forte, que chegava a me causar uma dor física. Comecei a passar tão mal que minha mãe insistiu para o meu mai me consultar. E para a minha surpresa, após exames sangue, ele contou que eu estava grávida... Naquele momento fiquei em choque.



- O que ela tem, Edward¿ Fala logo! – Minha mãe dizia nervosa.



- Calma, Bella! Ela não está doente. – Disse tentando parecer calmo.



- Mas por que está tão fraca¿ Por que não reage¿ E esses “sintomas”¿ - Perguntou olhando para ele de forma enigmática.



- Ela está grávida... – Sua voz saiu tão baixa que parecia um sussurro. Arregalei os olhos, fitando sua face triste, e instintivamente levei as mãos ao meu vente. Sorri ao imaginar um filho de Jacob crescendo dentro de mim.



- GRÀVIDA¿ - Minha mãe gritou exasperada. – ESSA É ÓTIMA! E AGORA¿ COMO SERÁ¿ E A UNIVERSIDADE¿ - Andava de um lado para o outro na sala, enquanto chorava.



- Ela vai para a universidade. Continuará estudando mesmo grávida. E quando o filho nascer, ficaremos com ele até que termine. Não precisa ir para a irmandade. Pode continuar a morar conosco. – Ele parecia racional e calmo, mas seus olhos demonstravam angústia e muita decepção.



- É muito fácil para você dizer, Edward! Ela só tem 17 anos e não viveu nada ainda.



- O QUE QUER QUE EU FAÇA¿ NÃO POSSO TIRAR ESSA CRIANÇA DELA! NÃO POSSO! NÃO TENHO CORAGEM! DROGA! – Gritou com a minha mãe como nunca havia feito antes.



- EU SEI! EU SEI! INFERNO! – Os dois sentaram em cada lado do sofá e ficaram me olhando como se esperassem uma decisão minha. Enchi-me de coragem e tomei as rédeas de minha vida.



- É o filho de Jacob e nunca teria coragem de tirar. Eu terei esse filho, farei a faculdade e trabalharei para dá o melhor a ele. Um dia Jacob virá nos buscar e tudo ficará bem. Agora preciso ficar sozinha. – Dei as costas e fui para o meu quarto. Liguei a TV e deitei na cama, enquanto alisava o meu ventre, sorrindo com aquela feliz notícia, imaginando a expressão linda de Jacob quando soubesse a verdade.



De repente, o plantão de última hora entrou no ar e começou a dá uma notícia que mudaria de vez a minha vida. Mais uma vez cai do céu para o inferno.



- O navio Leão do Ocidente foi bombardeado na última madrugada por mísseis. Ainda não se sabe o autor do atentado. E espera-se que nas próximas horas algum grupo terrorista assuma o ato. O porta voz da presidência ainda não divulgou a lista de mortos. Mas informações de fontes não oficiais da BBC de Londres, divulgou que mais de 1000 jovens americanos foram mortos. O ato foi comparado aos atentados que recebemos em Pearl Harbor pelos Japoneses. Mais informações serão divulgadas em alguns minutos.



Naquele momento, tudo ficou escuro e não havia mais esperanças para mim. Meu coração se partiu e daquele dia em diante, amar novamente seria impossível.



“Agimos certo sem querer



Foi só o tempo que errou



Vai ser difícil sem você



Porque você esta comigo



O tempo todo



E quando vejo o mar



Existe algo que diz



Que a vida continua



E se entregar é uma bobagem...”



A minha única razão de continuar a viver seria o meu filho. E por ele seria forte, por ele tentaria me mostrar feliz, por ele seria uma guerreira e todas as vezes que olhasse em seu rosto, eu me lembrarei do homem que amei e que me amou de uma forma tão intensa, que me fazia sentia como se fosse uma pérola muito rara.





“Já que você não está aqui



O que posso fazer



É cuidar de mim



Quero ser feliz ao menos,



Lembra que o plano



Era ficarmos bem...”