quinta-feira, 10 de março de 2011

36 Penúltimo capitulo – Crime e Castigo.

Houve um recesso para que a defesa pudesse averiguar as novas informações surgidas. Nesse meio tempo, Jacob continuou isolado e pensando sobre os seus erros. Jurou para si que se saísse daquela situação seria uma pessoa melhor e capaz de dar bom exemplo para a filha. Esperava que ocorresse um milagre e a sua inocência fosse provada. Mas só Havaí 10% de chances daquilo ocorrer e ele tinha medo do que viria.

Os Cullens foram para casa, para descansar um pouco, e Ness teve um pouco de tempo para ir até o hospital ver a filha, que a casa dia estava mais forte e saudável. Esperava ansiosamente pelo dia de tirá-la  do hospital. A pediatra havia lhe dito que se tudo desse certo, sairia na semana seguinte. E pelo menos aquilo era um motivo de alegria diante de tantas coisas ruins que estavam ocorrendo nos últimos tempos.

O tempo que passou em casa, preferiu se isolar. Não queria falar com os pais, tios ou avós sobre o seu depoimento. Não queria ter que dar explicações sobre tudo que escondera no período de casada. Ficar só era mais do que uma necessidade. Sua mãe bem tem tentou uma conversa franca, mas pediu para deixá-la quieta em seu antigo quarto.

Nesse meio tempo, Jasper conversou com a testemunha para tentar preparar um bom interrogatório. Pois com os novos fatos que ela lhe contara, poderia provar a inocência de Jacob e o livrar da cadeia. Nem acreditava na sorte de aparecer uma testemunha no último momento e esclarecer todos os fatos ocultos. Aquilo era muito mais sorte do que ele poderia supor. Voltou para o tribunal triunfante com a certeza de uma absolvição.

O julgamento recomeçara e todos estavam ansiosos para o último depoimento. Sabiam que era algo de estrema importância para a juíza permitir uma testemunha de última hora. Acomodaram se em seus lugares e esperaram o recomeço do julgamento.

Jasper por usa vez pegou o DVD que a testemunha havia lhe entregado e seguiu para o seu lugar. Logo depois Jacob veio conduzido por um policial, que retirou as suas algemas antes de se sentar. O promotor já estava a postos e os jurados acabaram de se acomodar. A juíza adentrou o local, todos se levantaram e esperaram até que se sentasse em sua ostentosa cadeira, depois se sentaram aguardando o início dos trabalhos.

- Senhor Hale, apresente a prova, por favor. – A Juíza pediu a Jasper, que caminhou até um assistente do tribunal e entregou o DVD. Ele foi até a juíza, que pediu que trouxesse o aparelho de DVD e uma televisão. Alguns minutos se passaram e o dois funcionários do tribunal entraram com os aparelhos e os ligaram. Após isso, colocaram o DVD e se dirigiram para a juíza, que autorizou a projeção da prova.


- Está acontecendo alguma coisa. – A voz de uma mulher dizendo para um  homem. – Já to gravando. Parece uma briga boa.

- Para que você está gravando isso¿- O homem disse de forma brusca para ela.

A imagem na tela era tremida e só dava para ver uma janela. Depois a imagem se deslocou um pouco e mirava o quarto em frente. Dava para ver um casal discutindo aos berros


- CHEGA! CHEGA! CHEGA! – A mulher pulou de algum lugar e parou na frente do homem. – EU ODEIO A SUA MULHER! ODEIO A SUA FILHA!! QUERO MATAR ESSA CRIANÇA JUNTO COM A MÃE!! ELA FEDE TANTO COMO TODOS OS OUTROS CULLENS! VOCÊ É MEU!SÓ MEU! SÓ MEU – EU VOU MATAR A SUA FILHA! – Ela parecia descontrolada e batia no homem a sua frente e o ameaçava. Ele perdeu o controle e de um tapa forte no rosto dela, que cambaleou para trás.


- SE VOCÊ CHEGAR PERTO DA MINHA FILHA, EU TE MATO! – O homem descontrolado gritava, enquanto batia novamente na mulher.


- EU VOU ENFIAR UMA FACA NO CORAÇÃO DA SUA MULHER E VOU ESTRANGULAR A SUA FILHA, JACOB. EU JURO QUE VOCÊS NUNCA TERÃO PAZ NA VIDA... EU JURO!

Os dois sumiram da imagem, mas dava para ouvir os gritos.

- SHHHHH!!

- CALA A BOCA, PIRANHA!!! EU VOU MATAR VOCÊ!! COMO SE ATREVE AMEAÇAR MINHA FILHA? –  O homem caminhava pelo quarto com a mão na cabeça, enquanto gritava furioso.

- Ja...cob! – A mulher surgiu na imagem de repente, enquanto o homem a olhava.

- EU NÃO VOU DESISTIR DE VOCÊ. QUANDO ELAS MORREREM... – Ela gritava e chorava de forma histérica para ele.

- CALA A BOCA! Eu nunca mais vou “Tr...par” com você. Nunca! ENTENDEU? QUER QUE EU DESENHE? VOCÊ NUNCA MAIS ME TERÁ NA SUA CAMA. E SE VOCÊ TIVER O ATREVIMENTO DE SE APROXIMAR DA MINHA FAMILIA... MATO VOCÊ! - Ela se levantou e ficou chorando enquanto me olhava. – EU TENHO NOJO DE VOCÊ, CASY! NOJO! N...O...J...O! SABE O QUE É ISSO? NÃO ME IMPORTA O QUE FAÇA E O QUE DIGA, NÃO VOLTAREI PARA VOCÊ. NÃO SE ATREVA A CHEGAR PERTO DA MINHA FAMILIA NOVAMENTE! LEVE A “PO” DESSE DINHEIRO E VÁ PARA O RAIO QUE A PARTA. – O homem bateu no rosto dela novamente, atirando a longe enquanto gritava furioso.

- V...o...c...ê – A mulher começou a caminhar de costas em direção a porta e começou a sair do quarto. Chegou até a grade e se apoiou.


- Sabe, Jacob, eu tinha esperanças de resolvermos da melhor forma. Chamei o aqui porque achei que ainda havia chance de um entendimento. Mas em todo o momento, tinha a certeza que seria a sua última chance. Se você não fosse meu, nunca seria dela e teria paz na vida. – Ela apoiou se costas sobre a grade e abriu os braços.

- O que você quer dizer? O QUE VOCÊ QUER DIZER COM ISSO, “KA”? – O homem gritou com raiva para ela.

- SE VOCÊ NÃO FOR MEU, NÃO SERÁ DE MAIS NINGUÉM! É ISSO QUE TO DIZENDO! EU CHAMEI VOCÊ AQUI PARA UMA CONVERSA DEFINITIVA. ESTOU DISPOSTA A SACRIFICAR A MINHA VIDA POR ISSO, MEU CARO. RARARA – Ela gargalhava e gritava ao mesmo tempo.

- CASY, PARA DE BRINCADEIRA! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – Ela continuava sentava de braços abertos, gozando do homem a sua frente, que parecia apavorado.

- EU NÃO ESTOU BRINCANDO, AMOR! EU TE DEI TODAS AS CHANCES DO MUNDO! TODAS! MAS SE VOCÊ NÃO PODE SER MEU, NÃO FICARÁ COM ELA. PREFIRO QUE PASSE ANOS NA CADEIA SERVINDO DE MULHERZINHA PARA OS OUTROS. SIMPLES ASSIM! – Parecia louca enquanto falava aquelas coisas. A imagem tremia o tempo todo.


- VOCÊ ESTÁ LOUCA? ARMOU UMA ARMADILHA PARA MIM? CASY, NÃO! VAMOS CONVERSAR, POR FAVOR! – O homem parecia desesperado e implorava aos berros para ela não fazer aquilo.

-Exatamente! – Ela se jogou para trás de braços abertos.

- NÃO! NÃO! – O homem correu para a grade, segurou com força e olhou para baixo. Sua expressão era desesperada naquele momento. Correu para o quarto, pegou sua mala e saiu disparado pela escada.

- Meritíssima, eu gostaria de chamar para depor a senhora Megan Weasley. – Jasper disse para ela.

- Pode mandar entrar a testemunha. – Ela disse para ele.

Uma mulher alta, com longos cabelos loiros até a cintura entrou e todos se viraram para olhá-la. Ninguém sabia exatamente quem era aquela mulher e qual a sua importância. Alguns deduziam que seria a pessoa que gravara o vídeo, mas tudo era incerto naquele momento.

Ela caminhou até a cadeira dos jurados, sentou-se e fez o juramento. Depois Jasper começou a interrogá-la.

 - Senhora Weasley, por que decidiu falar ao júri¿ Qual o seu conhecimento do caso¿ - Jasper perguntou e todos assistiam apreensivos.

- Eu vi o desespero da esposa. Tenho acompanhado as coisas que aconteceram com esse casal e confesso que torci por eles na ocasião do atentado. Mas o importante não é o que acho, sim o que testemunhei.

- E o que a senhora testemunhou¿ Onde exatamente estava no dia que Casy Maccalister morreu¿ - Ele continuou a interrogar.

- Eu estava no hotel Beautiful com um... – A mulher hesitou um momento e o seu constrangimento era óbvio. Todos perceberam que falar sobre aquilo era difícil para ela. Jasper esperou por um momento e receou que ela desistisse. Ele sabia que ela era casada e estava com um amante. Aquilo se tornaria publico após o seu depoimento e a sua vida ficaria complicada. Mesmo sensibilizado pela mulher, teve que insistir no interrogatório.

- Onde a senhora estava¿ - Insistiu.

- Eu... bem, eu... é complicado. – Abaixou a cabeça e tentou tomar coragem. As pessoas cochichavam no local sobre o que ela estaria fazendo ali. Muitas chegaram até acertar nas suas suposições. – Estava com um amante... eu sou casada e é complicado... sabe... meu marido e meus filhos, mas... – Seus olhos estavam cheios de lágrimas e não conseguia terminar. A voz lhe faltava e falar tudo era bem complicado.

- A senhora afirma que estava com um amante naquele mesmo hotel que  Casy Maccalister morreu¿ - Jasper perguntou.

- Sim... – Sua voz era quase que um sussurro.

- E o que a senhora viu¿ - Insistiu.

- Estávamos nos arrumando para ir embora. Ouvimos gritos e fui até a janela. Quando vi o casal brigando resolvi filmar. Sabe, muitas pessoas filmas cenas bizarras e colocam na internet. Mas ai a coisa ficou séria e achei melhor deixar registrado. A mulher estava um pouco louca, ela foi para ele e ele não a quis. Os dois gritavam e ela ameaçava a família dele. A briga foi feia e por mais de um momento ele bateu nela. Fiquei com pena, mas ao ver as ameaças que ela fez a família dele, percebi que era desequilibrada. Ele ficou fora de si quando ela fez as ameaças. As coisas que ele disse, como sentir nojo dela, a fez perder a cabeça. Ela foi andando de costas, sentou se na grade, abriu os braços, disse que era tudo uma armação e se ele não ficasse com ela, não ficaria com a outra. Depois ela se jogou para trás e ele ficou completamente desnorteado, correu para o quarto, pegou a mala e saiu correndo desesperado.

- Então a senhora confirma que ela se jogou para incriminar o senhor Black¿ - Jasper perguntou.

- Confirmo. – Ela respondeu.

- Estou satisfeito. A testemunha está dispensada.  – Disse para a juíza.

- O senhor promotor que interrogar a testemunha¿ - A juíza perguntou e ele negou.

- Não, obrigado!

A testemunha se levantou e saiu constrangido do hospital. Todos começaram a falar ao mesmo tempo. Estavam chocados com o vídeo que fora mostrado e o testemunho corajoso da mulher. Era realmente muita coragem arriscar um casamento para depor a favor de uma pessoa.

A juíza pediu para o corpo de jurado examinar as provas e entrou em recesso novamente. Nova audiência foi marcada para três após aquele testemunho. Nesse meio tempo, Jacob e Ness tiveram poucas oportunidades de conversar. Ela foi apenas duas vezes visitar Jacob, porque não agüentava vê-lo atrás das grades. Chorava o tempo todo e o deixava ainda mais arrasado.

Aqueles três dias foram bem longos, mas não só para eles. A família inteira estava angustiada esperando pelo veredicto. Sabiam, no entanto, que ele seria absolvido. Isso não diminuía a angustia de ver Ness arrasada com todo aquele processo.

[...]

- O júri já tem o seu veredicto¿ - A juíza perguntou e eles assentiram. O assistente foi até o representante dos jurados e pegou uma folha de papel dobrada, depois caminhou até a juíza e a entregou. Ela abriu o papel, fez uma leitura silenciosa e depois começou a leitura.

Ness sentia seu coração bater muito rápido. Não agüentava mais aquela terrível espera. Estava completamente esgotada e queria que o pesadelo acabasse logo para viver a sua vida ao lado do marido e da filha.

Jacob sentia que algo poderia dar errado. Por mais que houvesse uma prova contundente da sua inocência, algo lhe dizia que as coisas não seriam exatamente como esperava. Estava nervoso e sentia receio. Tudo o que mais queria era sair daquele lugar, beijar a sua esposa, sentir o calor do seu corpo e o cheiro da sua pele. Depois ir ao hospital visitar a sua filha. Ansiava pela liberdade de forma desesperada.

- Levando-se em consideração as provas apresentadas diante desse tribunal, o júri considera o réu Jacob Black inocente da acusação de assassinato. – Jacob soltou um grande suspiro e sorriu. Seus olhos se encheram de lágrimas e o coração só faltou sair da boca. Ness já estava chorando de emoção, quando o restante da leitura a fez levar um grande choque. – Contudo, levando-se em consideração a acusação de agressão, o júri o considera culpado. – Todos começaram a falar ao mesmo tempo. Jacob se sentiu torpe e um medo lhe tomou naquele momento. Precisava ouvir o restante da leitura para saber qual seria a sua pena.

- Silêncio, por favor! – Pediu quando os múrmuros ficaram mais altos.

- O júri o considera culpado e o réu terá que cumprir uma pena de seis anos de reclusão. – Todos estavam pasmos com aquela pena e não entendiam com tanto rigor. –Sei que podem achar um exagero, mas não seria nada sábio deixar que as pessoas vissem que um homem violento sem pegar pelo seu crime. O réu demonstrou instabilidade e um temperamento muito forte. Deixá-lo livre seria estimular a violência contra mulheres. Ele servirá de exemplo para os homens que acham que a violência contra mulheres não é um crime e agem com a certeza da impunidade. Terá muito tempo para repensar as suas atitudes e acalmar os nervos. Tenho certeza que nunca mais levantará a mão para bater em nenhuma outro, mesmo diante de circunstâncias atenuantes. – A Juíza bateu o se martelo, levantou-se, sendo acompanhada por todos os que assistiam o julgamento, e saiu.

- Isso não é justo. – Jacob reclamou com Jasper.

- Iremos recorrer da sentença e se ela não voltar atrás, você poderá sair com um terço da pena cumprida. Ficará no máximo dois anos preso, Jacob. Farei o que for possível para reduzir a sua pena.


Ness saiu de seu lugar chorando muito e caminhou até ele. Eles se abraçaram e se beijaram entre muitas lágrimas. As pessoas assistiam a cena com dó do casal que sofria tanto. O policial os interrompeu e pegou a mão de Jacob para algemá-las.

- Eu prometo que esperarei por você todos os dias. – Ela disse de forma emocionada. Seus olhos azuis pareciam afundados em um poço profundo naquele momento. A dor era tanta que chegou a ficar sem ar. Jacob não agüentava ver tanto sofrimento e se culpava pelos seus erros. Se fosse mais prudente nada daquilo estaria acontecendo. – Eu amo você, Jacob. – Ela o abraçou já algemado, segurou o seu rosto com as duas mãos e beijou os seus lábios.

- Eu também amo você, Ness. Cuida bem da nossa filha, ta¿ Dá carinho a ela por mim e não esqueça que vocês são as coisas mais importantes que tenho na vida. Perdão por toda a dor que causei. Por ser um idiota e não ter dado todo o amor que merecia. Se eu não estivesse tão cego com a coisa da vingança... Eu me arrependo tanto dos meus erros. Prometo que no dia que a minha pena acabar, eu a amarei como você nunca foi amada...

- Você não tem que pedir perdão, Jacob... – Ela continuava a segurar o seu rosto com as duas mãos. Eles se olhavam de forma intensa e tentavam superar aquela dor. O fato de ficar tanto tempo separados estava acabando com os dois. Ele não conseguia se imaginar sem a sua amada e ela sem ele.

[...]

Jacob foi conduzido para uma cela dentro do tribunal, para aguardar a escolta até o presídio onde cumpriria a sua pena. Enquanto isso, Jasper pedia autorização à juíza para que ele pudesse ficar uns instantes com a sua esposa.
Ela vendo que não haveria nenhum inconveniente, permitiu que tivessem dez minutos para conversarem antes dele ser levado.

Ness, ainda muito abalada e chorando muito, ficou com os parentes do lado de fora da tribuna. Os jornalistas tentavam uma entrevista, mas ela não tinha a menor condição de conversar sobre o que havia acontecido. Na verdade a ficha ainda não havia caído e ela não acreditava que ele que fora condenado agredir Casy.

Todos falavam ao mesmo tempo e tentavam acalmá-la, mas não havia palavra que fosse capaz de diminuir a sua dor. A saudade que sentia já era tão grande, que fazia o seu corpo inteiro sofrer com a separação.

Jasper se uniu a Ness e a família alguns minutos depois, dando a notícia sobre a permissão da juíza.

- Ness, a juíza autorizou uma visita rápida. Vocês poderão conversar uns dez minutos e depois ele será levado ao presídio. – Jasper disse com a voz calma. –Só quero que se acalme e pense que ainda haverá recursos. E mesmo que ele perca, ainda pode sair com 1/3 da pena para cumprir o restante em liberdade. Tentarei tudo o que for possível para que seja liberado em breve. – Concluiu e ele assentiu com a cabeça. Enxugou as lágrimas e seguiu com ele até a cena onde estava preso.

Foi a primeira vez que o viu atrás das grades. Nas visitas que fizera anteriormente, os dois se encontraram em uma sala reservada. Agora, no entanto, estava em uma cela e aquilo a fez sofrer mais ainda.

Pensar em Jacob em um presídio, com pessoas perigosas e sob condições nada confortantes, a deixava ainda mais desesperada. Queria gritar de raiva e dor, mas tinha que se controlar.

Quando entrou ao local, foi conduzida até a cela, que se abriu e pode entrar para ficar com ele. Os dois ficaram sentados frente a frente e por instantes não falaram nada. Ela, não conseguindo conter as lágrimas, começou a chorar novamente de forma compulsiva. Ele a abraçou  forte e pôs sua cabeça sem seu peitoral definido.

Naquele momento não havia necessidade de palavras. Os dois já estavam quebrados demais com aquela situação. A separação emitente os desesperava e não imaginavam como seria o período longo de afastamento. Entretanto, Jacob sabia que a vida de sua esposa não deveria parar por causa de seus erros. Sua filha dependia de sua força e coragem para seguir sem ele. Precisava ser mais calculista do que nunca e permitir que ela vivesse ao menos nos anos de separação. E por mais que lhe doesse a sua decisão, seria melhor para os dois naquele momento.

- Renesmee... – Sussurrou com tom cerimonioso, mas não a encarou nos olhos. Tentava não chorar mais e se manter frio diante daquela circunstância. – Eu quero te pedir uma coisa. Para mim o único futuro nos próximos anos será a cela de um presídio. Para você, no entanto, a vida continua e quero que você não deixe de viver por mim. Por isso preciso te pedir uma coisa.

- Peça o que quiser, amor – Ela sussurrou chorosa, tentando secar as lágrimas de seu rosto vermelho e inchado. Ele não agüentava ver a mulher tão acabada daquele jeito. Doía-lhe bem mais do que pensar na pena que cumpriria.

- Eu quero que vá para a Itália e termine o seu curso de arte. Você ainda tem quatro semestres para cursar e precisa aprender muito para ser uma artista de sucesso.

- Mas... – Ela tentou se negar, mas ele colocou o dedo em seus lábios.

- Não tem mais, Renesmee. Não quero você vindo para presídio toda semana. Não a quero se humilhando na revista. Sei bem como é horrível e vergonhoso essa coisa. Eles tocam até a parte intima da mulher para ver se ela não escondeu algo dentro da vagina. Não permitirei que passe por esse tipo de humilhação, amor. Você irá para a Itália para estudar. Tenho certeza que Sue não se negará ir com você para cuidar de Sarah. E que sua mãe, tias e avós passarão mais tempo lá com você do que aqui em Seattle. Isso é importante para mim, Renesmee. Eu errei toda a minha vida e estou pagando por isso. Não é justo que pague por mim nesse período.

- Jacob eu não posso. – Disse apertando o seu corpo contra o dele. Ela não conseguia se ver longe do marido. Já se imaginava nas visitas semanais na prisão. Saber que para ele aquilo seria humilhante dói-lhe o coração.

- Você pode e vai! – Ordenou severamente. – Promete¿ - Perguntou. – Eu não ficarei bem sabendo que deixou de viver por mim. Eu a amo demais para isso. Além disso, tem aquela sua irmã doida. O que aconteceu com ela¿

- Os advogados do meu avô conseguiram provar que ela não estava no seu juízo perfeito quando cometeu o crime. Ela está internada em um hospital psiquiátrico e recebe o melhor tratamento possível. Meus pais a visitam toda semana e às vezes os meus avós,  e tios vão lá também. Meu pai acha que em pouco tempo ela receberá alta e poderá ir para casa.

- E você acha que acredito em papai Noel¿ - Ele perguntou de forma sarcástica. – Aquela mulher é doida e quero vocês duas longe dela. Mesmo que receba alta, não quero vocês ao alcance de suas mãos.

- Tudo bem, Jacob. Michelle é a menor preocupação que temos nesse momento. Ela está presa e não pode me fazer mal onde está. OK¿ Você pode me prometer uma coisa também¿ - Ela perguntou.

- O que você quiser.- Ele lhe respondeu. Os dois se acariciavam durante aquele abraço e choravam baixinho. Tentavam não fazer daquele momento ainda mais difícil.

- Que não vai arrumar confusão na cadeia¿ E não vai virar mulherzinha de vagabundo¿ - Ela disse rindo para descontrair um pouco o clima.

- Bumbum que mamãe passou talquinho vagabundo não coloca a mão. Mas pode deixar que não arrumarei confusão. Tentarei me comportar o máximo que possível.

- Jacob você é estourado demais e tudo parte para a briga. Se você não se comportar bem, não terá redução de pena ou qualquer outro benefício. Então por favor tente se comportar.

- Ness eu sei dos meus erros. Sei que vão me fazer um exemplo para homens que batem em mulheres. E também tenho ciência que preciso me comportar bem para sair antes do prazo. Ficar tanto tempo preso, sem sexo, sem seu cheiro e os seus beijos vai me deixar completamente louco. Nem quero pensar nisso agora para não me desesperar.

- E mesmo assim você se nega a receber minhas visitas¿ Por favor, Jacob! – Ela implorou.

- Visita íntima em presídio não faz parte dos meus planos, amor. Você acha que vou fazer amor com você em um lugar daqueles¿ Por favor, digo eu! Não dá para pensar nisso agora, Ness.

- O que importa onde esteja¿ Importa é que estaremos juntos. – Ela teimou.

- Eu já disse não! Você vai para a Itália estudar e não terá como me visitar sempre. E mesmo que não fosse, não a faria passar por esse tipo de coisa... É degradante... Você é uma princesa e não pode passar por isso.

- Isso quem escolhe sou eu. – Ela continuou insistindo.

- Não mesmo! Eu me recuso a esse tipo de coisa. Entendeu¿ Agora só quero que me prometa que me mandará fotos da nossa filha sempre. Que vai gravar todos os momentos dela, registrando tudo o que for possível para mim. Eu já sinto o desespero me consumir por saber que não estarei com ela quando começar a andar, comer papinhas, falar as primeiras palavras. Não verei as suas gracinhas de bebê... Ai como isso me dói. – Os olhos de Jacob encheram de lágrimas e ele chorou como criança. – Se eu pudesse voltar no tempo... se pudesse fazer as coisas diferentes... eu não teria magoado tanto você... não teria te machucado da forma que fiz... Deus como isso me dói agora. Eu penso em como machuquei você na nossa primeira noite e... – Jacob não conseguia parar de chorar e Ness o acompanhou naquele momento melancólico - ... era para ter sido especial... eu estraguei tudo e te marquei para sempre... Por favor me perdoa, amor. – Seguro o seu rosto com as duas mãos e começaram a se beijar de forma desesperada. O beijo era molhado pelas lágrimas, cheio de intensidade, parecia eu o mundo acabaria naquele momento. A saudade que já sentiam um do outro machucava de forma cruel. Eles não conseguiam pensar em como seria a vida longe um do outro.

- Eu esperarei por você... – Ela sussurrou entre beijos.

- Eu contarei cada dia naquele lugar... OH  Ness!

- Eu te amo, Jacob!

- Eu te amo muito mais, neném!

O policial os interrompeu e pediu que Ness saísse da cela. Depois disso Jacob foi algemado e conduzido para a viatura que o levaria para o presídio.

Na saída ainda enfrentou os jornalistas que faziam perguntas absurdas e tentavam tirar muitas fotos daquele momento.

Ness um dia disse para Sue que Jacob tinha que aprender a ser gente. E ele estava aprendendo aquilo da forma mais dura possível. Ele começou a colher toda tempestade que semeou durante toda a sua vida. Mesmo que indiretamente, pagaria por todos os pecados cometidos e teria tempo para repensar sua postura e o modo como viveu até aquele momento. Teria uma chance única para se redimir e virar gente de verdade.


Nota Glau
Gente, primeiro eu quero pedir desculpas por eventuais erros. Esse cap não foi betado e fiz uma leitura rápida para ver se tinha algo errado. Se alguém encontrar algo me manda uma mensagem, por favor. A Heri está viajando e não queria deixá-las esperando.
Bem, ainda temos muitas páginas para acabar o final da fic. Mas como ficaria cansativa a leitura, resolvi postar esse pedaço agora.
Espero que entendo o que fiz, pelo contrário estaria estimulando a violência como mulher. Jacob começou a fic um monstro e errou muito. Agora é hora dele virar gente e pagar pelos seus erros. Depois ele pode começar a vida do zero, com a consciência tranqüila e tudo pago com a sociedade.
Vcs viram como ele mudou durante a fic¿ Se fosse em outra época ele pediria visitas todos os dias, sem se importar como é degradante uma revista nos presídios. Mas ele primeiro está pensando na mulher.

Vou deixá-las ler o cap e depois eu posto a parte final junto com o epilogo.

AH A vencedora do concurso de fanfics foi a Kelly, com a fic Meu destino é vc. E ela pediu os livros Sussurro e Crescendo.... Foi uma ótima escolha. KELLY (http://www.fanfiction.com.br/kellysolsticio), parabéns!

OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS E RECOMENDAÇÕES. Quem achar que mereço mais, pode continuar a recomendar.

BJUS NO CORE

terça-feira, 1 de março de 2011

35 Julgamento Parte 2

Ness estava nervosa, em uma sala fechada, aguardando o seu depoimento. Tinha que ficar incomunicável até a hora de finalmente falar. Aquilo estava acabando com ela e deixando a ainda mais estressada.

Não sabia o como foi o depoimento das outras pessoas e nem como estava a situação de Jacob. A única coisa que tinha em mente, era que falaria tudo o que aconteceu desde que conheceu Jacob e deixaria o júri comovido.

Fez uma refeição, que fora levada por um funcionário do tribunal e continuou sentada, suando frio e pensando em como contar tudo na frente de todos.

Horas se passaram e finalmente a porta de abriu, indicando que o momento do seu depoimento havia chegado. Olhou o homem parado na porta e esperou que a chamasse.

- Senhora Black, está na hora do seu depoimento. Pode me acompanhar, por favor¿ - Chamou o homem e ela caminhou em direção a porta. Saiu, seguiu pelo corredor, onde haviam várias pessoas e repórteres querendo uma palavra e depois entrou na sala.

Viu a tribuna com muitas pessoas, entre elas a sua família, e o corpo de jurados. Olhou para Jasper, que tentava passar um pouco de tranqüilidade, e seguiu para a cadeira dos depoentes.

Sentou-se na cadeira e viu o rosto pálido de Jacob. Um frio percorreu a sua barriga e o coração começou a bater rapidamente... Havia chegado o momento crucial.

- Senhora Black, pode nos contar como conheceu o seu marido e como foi que começaram a se relacionar¿ - Jasper pediu.

- Conhecei Jacob quando ainda era uma criança. Todas férias e fins de semana ia para Forks ficar com o meu avô Charlie Swan. E ele me levava para La Push. Meu avô era muito amigo do falecido senhor Cleawater e costumavam  pescar. Então eu ficava brincando com Seth e seus amigos. Mas como era pequena sempre ficava para trás. Foi nessa época que eu me apaixonei por Jacob, mas ele era um pouco mais velho e nunca me notou. Para ele era apenas uma pirralha. O tempo passou e houve um acidente que vitimou os pais. A mãe morreu e eles se mudaram de La Push. Pouco tempo depois, meu avô decidiu romper a sociedade com o pai dele. Assim os Blacks foram embora e nunca mais o vi. Sempre perguntava a Seth sobre ele, e ele falava algumas coisas. A irmã de Jacob tinha uma paquera com Paul e assim mantinham contato. Por isso Seth sempre tentava me dar notícias dele.- Um funcionário do tribunal colocou um copo com água, Ness o pegou e bebeu um gole antes de continuar o seu testemunho.

- Quando estava terminando o colegial, meu avô me chamou para uma conversa em família. Naquele dia ele contou que estava doente e precisava se afastar da empresa. Contudo não queria deixar o maior patrimônio da família nas mãos de estranhos. O meu pai e meus tios não queriam  assumir a empresa e naquele momento a única solução seria eu me casar. – Ness olhou para a família que assistia o julgamento e depois olhou por um momento para Jacob antes de continuar. – Eu concordei em casar, mas o noivo teria que ser Jacob Black. Não havia a mínima possibilidade de casar com outro. Por isso, mesmo relutante, meu avô aceitou. Meu pai ficou meio estranho e minha mãe não queria de jeito nenhum. Mesmo assim permitiram que eu fizesse a proposta para Jacob.

- Conversei com Seth no dia seguinte e pedi para ele conseguir o email de Jacab. Depois eu mandei um email com uma foto para ele. E a resposta me deixou muito triste. Ele disse que não podia casar sem amor, porque não daria certo. A carta foi muito poética e suspirei com ela. Mas a melhor parte foi a que contou sobre a vinda para Seattle, para uma entrevista de emprego.

- Quando nos encontramos eu pensei que fosse morrer. Meu coração parecia que não agüentaria naquele momento e tenho certeza que o dele não sentiu diferente. Nós ficamos encantados em um primeiro momento e logo começamos a namorar. O namoro a distância ficou complicado e ele quis terminar comigo. Meu avô se meteu na história e arrumou um emprego para Jacob na empresa e ele se mudou com suas irmãs. – Ela olhou novamente para Jacob e os seus olhos encheram de água. Estava prestes a chorar, mas precisava ser forte e conter as emoções. Lembrar de tudo que passou era ao mesmo tempo bom e ruim. – Ficamos noivos em poucas semanas e o casamento foi marcado para janeiro. Tudo parecia bem e perfeito até aquele momento.

- Como foi que a senhora descobriu que Jacob não era bem o que pensava¿ Quando as coisas mudaram¿ - Jasper perguntou.

- No dia do casamento eu estava muito nervosa, mas segura do que queria. Então Seth apareceu no quarto para uma última conversa e confessou que me amava. Aquilo foi muito doloroso e ali eu vi que sempre gostei dele. Não era a mesma coisa que sentia por Jacob, mas havia um sentimento. Minha mãe e minhas tias tentavam  me convencer de não casar. O que podia fazer¿ Largar Jacob no altar porque estava com dúvidas¿ Não era justo com ele e nem comigo. Eu o amava muito para desistir na última hora e nada poderia me fazer voltar atrás. Então nos casamos e cumprimos todo o protocolo que aquilo requeria. Depois fomos para a nossa casa em La Push. – A voz ficou embargada e ela começou a chorar com as lembranças. Jasper lhe deu um tempo para se recompor e continuar a falar.

- Na noite de núpcias eu estava cansada, estressada e magoada com a conversa que tive com Seth. Jacob e eu acabamos nos desentendendo, e depois que consumamos o ato... – Ela parou mais uma vez e abaixou a cabeça. Jacob não conseguia olhá-la mais. Ficou de cabeça baixa sentindo as lágrimas rolarem em seu rosto. Era muito difícil aquilo tudo na frente de todos. – Depois ele estava com raiva e despejou tudo. Falou coisas horríveis e me magoou muito. Saiu do quarto e me deixou despedaçada. Eu me senti usada, envergonhada e humilhada naquele momento. Nunca pensei que ele fosse daquela maneira... nunca.

Na platéia que assistia o julgamento, Bella e Edward bufavam de raiva.

- Filho da “PU”! Como pode maltratar a minha filha¿ - Bella disse indignada. Tinha vontade de ir até ele e o esbofetear. A raiva era tanta que pensou que na suportaria ouvir tudo.

- Calma, Bella! Ele errou muito, foi um cafajeste e manipulador. Mas já se arrependeu disso tudo e está pagando o seu preço. – Edward disse mesmo sentindo a raiva o consumir. Seu corpo estava quente demais e suas mãos tremiam só de pensar no que a filha passou.

- Eu sabia que ele não era flor que se cheirasse... eu sabia. – Bella resmungou.

As pessoas ouviam o relato de Ness com pena de tudo o que passou.

- No dia seguinte, ele foi trabalhar sem se quer me esperar para o café. Passei o dia inteiro no quarto chorando. Não entendia o motivo da mudança de atitude dele. E quando voltou para casa, me humilhou diante da Sue e do Seth. Praticamente ameaçou a me agredir fisicamente se não jantasse com ele. Eu estava apavorada, quase chorando e ele percebeu que havia me assustado. Então foi para o quarto e começou um jogo de sedução que mais parecia uma brincadeira. Eu acabei me esquecendo da noite anterior, da grosseira e humilhação e me entregue novamente. Só que ele fez o mesmo, esperando eu dormir para me abandonar sozinha no quarto. Na manhã seguinte, eu acordei furiosa e fui até o quarto onde dormia. Ele estava nu e parecia doente, mas eu não liguei para o seu estado. Disse um monte de desaforos e ameacei a contar a minha família que ele estava me maltratando. Ficamos um período longe sem nos falar... acho que dois meses. E eu resolvi pagar na mesma moeda. Eu seduzia e depois humilhava. Naquele momento as irmãs foram morar conosco e as coisas complicaram. Eu percebi que Rebecca estava ameaçando para conseguir o que queria dele. Ela se sentia a dona da casa e tentava me intimidar.

- Senhora Black, como estava a relação com Seth naquele momento¿ - Jasper perguntou de forma maliciosa. Ness sentiu muita vergonha de tudo o que ocorreu, mas sabia que precisava falar tudo para que o júri se convencesse que Jacob mudou e não seria capaz de matar Casy.

- Seth e eu mal nos falávamos. Eu não podia contar o que se passava entre Jacob e eu. Sabia que eles brigariam e não queria que se machucassem. Tinha que mentir para a família e fingir para todos que estava feliz. Foi bem difícil conviver com Seth depois que ele se declarou para mim. Eu ouvi Jacob falando com Casy no telefone e descobri o relacionamento. De tudo o que passei naquele momento, aquela foi uma das coisas mais complicadas. Discutimos feio naquele dia e fomos para o quarto aos berros. Acabamos transando naquele dia, mas eu o coloquei para fora e tranquei o quarto. Sentia raiva de mim por ceder aos seus encantos. Na manhã seguinte, eu ouvi Rebecca chantageando Jacob. Mas fingi só ter ouvido o final da conversa.

- Ahh! Ahh! – Ness chorava muito e tentava enxugar as lágrimas enquanto relatava. – Eu me senti tão humilhada naquele momento. Saber que todos os seus planos e sonhos foram pisoteados da forma mais cruel foi duro. Mesmo ouvindo Jacob dizer a irmã que me amava e queria salvar o nosso casamento... – Ãn Ãn foi tão difícil...

Jacob chorava muito ouvido aquele relato, Bella estava quebrada e era amparada por Edward, que tentava não chorar. Os Cullens, pasmos, tentavam encontrar uma forma de perdoar tudo aquilo. Era difícil digerir cada palavra de Ness. Sentiam vontade de matar Jacob por todo o sofrimento que ele havia causado.

- Senhora Black, o que a senhora fez¿ Foi por isso que transou com Seth Cleawater¿ - Ness não conseguia abrir a boca para falar e todos começaram a cochichar no tribunal, causando um verdadeiro alvoroço. A juíza precisou pedir que as pessoas silenciassem para que Ness continuasse o seu depoimento.

- Sim... – Ness disse envergonhada. – Eu... eu... queria me... sentir amada... de verdade... queria alguém... que não gostasse de mim... pelo dinheiro da minha... família... que não me... roubasse... que não me... traísse... embaixo do meu nariz. – Ela chorava copiosamente. Não conseguia se conter e o assistente do tribunal levou outro copo com água e lhe entregou um lenço de papel. Ela pegou o lenço e secou as lágrimas. Depois bebeu lentamente a água e tentou se acalmar para continuar.

- Seu marido sabia¿ - Jasper perguntou. – Ele soube da traição¿ - Insistiu.

- SIMMM! Simm! – Ela praticamente gritou. – Eu fiquei grávida e não sabia... quem... era... o pai... quase morri... de desespero... Jacob estava... tão... mas tão... feliz... God! Mas eu perdi... o meu... bebê... foi horrível... eu sofri com a perda... – Ela enxugou as lágrimas novamente. – Sofri com...a mentira... e com ele...sendo o melhor homem... do mundo... Ele mudou... completamente...depois da ... gravidez...e eu me sentia um lixo... por mentir...

- Senhora Black, como seu marido soube¿ O que ele te disse¿ - Jasper insistiu, sabendo que Jacob pareceria um santo depois daquilo. Jacob não conseguia parar de chorar com o depoimento da Ness.

- Quando nós saímos do hospital. – Ness enxugou as lágrimas e tentou continuar. – Ele estava tão arrasado com a perda do filho. – Parou mais uma vez para tomar ar. – Queria tanto aquela criança e estava destruído. Estava tão feliz com a possibilidade e ser pai. Era uma chance para ele recomeçar e se tornar uma pessoa melhor. Mas ai eu perdi o bebê, depois de brigar com Rebecca,  e estraguei tudo. Quando nós voltamos para casa, antes de irmos dormir, Jacob se sentou ao meu lado e contou tudo. – Ness soou o nariz com outro pedaço de lenço de papel e encarou a platéia na tribuna. – Ele contou tudo desde a sua infância, todos os erros que cometeu, sobre os seus pais, sobre o plano de vingança e os motivos para me maltratar, e sobre Casy. Ele chorou muito, mas abriu o coração para mim. Ali eu vi que não poderia continuar a mentir. Não teria paz se não contasse a verdade. – Ela olhou para Jacob por alguns segundos e depois encarou a tribuna novamente. – Quando eu contei a verdade, ele disse que já sabia... Eu falo dormindo. – Ness riu naquele momento. – Eu falei tudo dormindo desde o primeiro momento. Mas ele disse que não se importava, porque amou tanto a possibilidade de ser pai. Já estava tão apaixonado pela criança, que não se importaria se não fosse dele. Ali nós nos perdoamos. Dissemos um para o outro o que sentíamos e nos perdoamos de verdade.

- Senhora Black, como foram as coisas com Casy¿ - Jasper perguntou.

- Ela começou a importunar um pouco antes disso tudo. Ligava o tempo todo, fez um despacho de macumba e colocou na porta da minha casa, mandou bombons envenenados, temos quase certeza que o atentado que sofremos também foi culpa dela, fez escândalo em um restaurante, pagou para me matar, entrou na nossa casa e destruiu todo o meu closet e deixou escrito ameaça  no espelho, no Box havia uma boneca com gato morto entre as penas e uma faca no coração... Aquela mulher fez tantas coisas que nos obrigou a fugir do país. Eu quase morri, se não fosse Jacob a entrar na frente da bala. Mas o pior de tudo foi ameaçar a criança que esperava... Aquela mulher era totalmente maluca. – Ness disse de forma segura.

- Acha que o seu marido a matou¿ - Jasper perguntou.

- Não! Jacob teve muitas oportunidades para matar a Casy, mas ele não fez isso. Apesar dela me ameaçar e a nossa filha, ele não fez isso. Jacob mudou e eu vi a mudança ocorrer. Vi cada etapa dessa mudança e não acredito que foi ele. Ele arrumou um emprego na Itália e nem queria voltar. Não aceitou o emprego de diretor que meu avô ofereceu e se sujeitou a um emprego simples para os seus padrões. Estávamos vivendo com o dinheiro que ele ganhava trabalhando. O meu avô só pagava os seguranças. Sinceramente eu não acredito que Jacob a matou. Eu confio cegamente no meu marido.

- Mesmo depois de tudo o que a senhora sofreu¿ - Jasper perguntou.

- Mesmo depois de tudo. Como disse, eu o vi mudar dia após dia. Vi se tornar uma pessoa melhor. Jacob não matou Casy e se o condenarem, estarão cometendo um grande erro. Impedirão de um pai ver a filha que tanto ama crescer. Ele poderia ter fugido e vocês não achariam. Mas ele só voltou por causa de mim e da filha. Nunca perderia o seu nascimento.  – Ela olhou para o júri e com os olhos cheios de lágrimas pediu por ele. – Por isso eu suplico que não condenem o meu marido. Não o impeçam de ver a nossa filha crescer.

- A testemunha está dispensada. – Disse Jasper.

- O promotor deseja interrogar a testemunha¿ - A juíza perguntou.

- Sim, meritíssima. – Disse e se levantou da cadeira onde estava.

- Senhora Black, seu marido é violento¿ -Perguntou com tom presunçoso.

- Ele é temperamental e às vezes perde a cabeça, ficando violento. Mas ele...

- Ele já a agrediu fisicamente¿ A senhora admite que ele lhe bateu¿

- Não! Jacob nunca bateria em mim... Não! – Ela negou de forma firme.

- Gostaria de lembrar que estar sob juramento. – Disse firme para ela.

-Ele nunca me bateu! As agressões que sofri não foram físicas, senhor promotor. – Ness tinha vontade de gritar com ele, mas se controlou.

- A senhora ouviu seu marido dizer alguma vez que queria matar Casy¿ - Ele tentava fazer com que Ness produzisse provas contra Jacob.

- Sim, mas...

- Então seu marido disse que queria matar Casy. Ele era violento com a amante e  a senhora sabia¿

- Eu sabia que eles sempre brigavam. Rachael deixou escapar uma vez que ela gostava de apanhar. Era um fetiche dos dois, mas...

- É notório que seu marido batia na amante e lhe ameaçara de morte várias vezes. Ele não teria perdido a cabeça no calor da discussão¿ Ele não seria capaz de matar no calor da discussão¿

- Não! Não!

- Protesto! O promotor está constrangendo a testemunha. – Jasper disse. – Está colocando palavras em sua boca.

- Protesto aceito. – Disse a juíza. – Apenas faça as perguntas de forma sucinta e não tente conduzir as respostas da testemunhas.

- Sim, meritíssima.

-Quando seu marido lhe deixou no hospital, o que ele disse¿

- Que iria resolver a nossa vida definitivamente¿ - Ness respondeu.

- Quando ele disse definitivamente, a senhora poderia supor que ele mataria a amante¿

- Ela não era amante dele! – Respondeu indignada. – Não! Eu não pensei que ela poderia se matar para incriminar o meu marido. Ele só foi conversar e tentar fazê-la partir. Foi levar dinheiro para ela, promotor.

- O que o seu marido disse quando fugiu do local do crime¿ - Perguntou o promotor.

- Protesto! O local não pode ser chamado de crime até que seja comprovado o assassinato. Até o que se sabe, a senhorita Maccalister se matou.

- Protesto negado! Responda, senhora Black. – Disse a juíza.

- Ele ligou para Alice, não para mim. Estava nervoso com o acontecido, falava tudo muito rápido e dizia que ela havia se matado. Afirmava ser inocente e quando eu pedi para voltar, ele desligou a ligação.

- Por que ele ligou para sua tia¿ - Ness não entendia o motivo daquele tipo de pergunta.

- Foi ela quem lhe deu o dinheiro. O meu avô bloqueou os meus bens há uns meses e controlava a minha conta corrente. Não havia como ele tirar dinheiro da conta sem pedir ao meu avô. Por isso Alice fez o empréstimo. Ele ligou para ela porque sabia que eu estava mal e corria o risco de entrar em trabalho de parto. Só que Alice estava no quarto e eu pedi para colocar no viva voz.

- Estou satisfeito! – Disse o promotor.

- A testemunha está dispensada. Tem mais alguma testemunha defesa¿ - Perguntou para Jasper.

- Gostaria de chamar para depor o meu cliente Jacob Black. – Disse Jasper.

- Tudo bem! Pode se dirigir a cadeira de interrogatório, Senhor Black. – A Juíza disse, Jacob se levantou e caminhou lentamente. Sentou-se confortavelmente e olhou para as pessoas que assistiam ao julgamento.

- Senhor Back, jura dizer a verdade, somente a verdade e nada além da verdade¿ - Jacob colocou a mão sobre a bíblia que estava sobre o apoio da cadeira e fez o juramento.

- Eu juro! – Disse de forma segura.

Jasper se levantou, seguiu até a cadeira e parou há alguns metros de distância. Encarou o seu cliente e começou o interrogatório.

- Senhor Black, qual a sua relação com Casy Maccalister¿ - Perguntou olhando diretamente para ele.

- Fomos amantes. – Respondeu de forma suscita.

- Pode nos falar como ele a conheceu¿ E como era o relacionamento de vocês dois¿ – Pediu

- Eu conheci Casy quando comecei a trabalhar como gerente de vendas em Londres. Era uma grande empresa e cheguei lá até através de um amigo do meu pai. Ela era secretária do meu chefe e caiu de encantos no primeiro dia em que me viu. E para mim era conveniente manter o caso, para saber o que se passava. Era como uma informante para mim e durante um bom tempo, acho que mais de um ano e meio, mantive o caso. Veja bem, eu nunca a amei e ela sabia disso. Tinha certeza que só estava com ela por conveniência. Mas nunca se sentiu ameaçada, apesar de todas as mulheres com que sai nesse tempo. Tínhamos um relacionamento quente e às vezes brigávamos por besteiras. Casy sempre foi muito burrinha e isso me irritava as vezes.

- O senhor batia na sua amante¿ - Jasper perguntou.

- Sim! – Todos começaram a falar no local por um momento. – Nós fazíamos alguns jogos e ela gostava de apanhar na cama. Algumas vezes perdi a cabeça e nos saímos na “PO”.

- Como e por que o relacionamento entrou em crise¿ - Continuou a interrogar.

- Como já disse, ela nunca se sentiu ameaçada até eu conhecer minha esposa. Estava comigo quando eu recebi o seu email. Demos boas gargalhadas juntos e achamos a coisa toda bizarra. Mas quando vi a foto dela algo mudou. Por mais excitado que estivesse com a possibilidade de me vingar dos Cullens e mudar a minha vida. Era muito ganancioso e não perderia a oportunidade de tirar bom proveito da situação. Mas Casy percebeu que ela havia mexido comigo e ali começaram as ameaças.

- Como o senhor procedeu daquele dia em diante¿ - Eu fingia não sentir nada e tentava mentir o máximo que podia. Mas ela me conhecia bem e percebeu que eu estava diferente. Depois que voltei de Seattle, as coisas entre nós esfriaram e eu nem conseguia transar com ela. O seu ódio de Ness só aumentava e ela ameaçava acabar com meus planos. Resolvi que teria que cozinhar em banho Maria até o casamento e depois dar um jeito de descartá-la. Foi isso que fiz, mas as coisas não saíram bem como esperava.

- O que quer dizer como as coisas não saíram como esperava, Senhor Black¿ - Jasper perguntou.

- Ela me ligava sempre e todas as vezes fazia ameaças. Dizia que viria para os Estados Unidos para ficarmos juntos e muitas das vezes ordenei para que não viesse. Ai, depois que casei, com minha vida um inferno, ela simplesmente apareceu e a coisa piorou.

- Pode detalhar mais. – Jasper pediu.

- Eu estava sofrendo muito naquela época e vivendo um terrível conflito entre o amor que sentia e a vingança que havia prometido ao meu pai. Ela apareceu em um momento péssimo e foi me procurar. Mandei minhas irmãs irem para minha casa e a acomodei no apartamento onde estavam morando. Fui me encontrar com ela e para o seu desespero, simplesmente não consegui transar. Ali as ameaças ficaram mais violentas, pois ela se deu conta que não conseguia dormir com ela. Que realmente amava a minha mulher e não queria continuar com o relacionamento. Então ele começou a ameaçar bater na minha porta e contar tudo para Ness. Pode imaginar o meu desespero¿ - Jacob perguntou.

Ness, que já estava acomodada junto com a família, assistindo o julgamento, estava mal com tudo o que ouvia.

- Imagino. E o que o senhor fez¿ - Jasper perguntou.

- Tentei cozinhar em banho Maria. Dava dinheiro,fazia agrado, comprava presentes, só que...

- O quê¿ - O outro perguntou.

- Ela gostava de luxo. Gostava muito por sinal, mas o que queria não era dinheiro. Ela queria a mim na sua cama e eu até tentei para evitar um escândalo. Mas...

- Mas o quê¿

- É vergonhoso falar sobre isso... – Jacob não conseguia falar sobre as intimidades e as vezes que brochara ao tentar transar com Casy. Diante de tantas pessoas aquilo lhe constrangia muito e mesmo sabendo que era para o seu bem, não conseguia falar tudo com todas as letras.

- Senhor Black, o senhor não está em condições de negar informações. O que deixou a sua ex-amante furiosa¿ - Jasper disse de forma severa, mas Jacob não respondeu. – O quê, Jacob¿ - Perguntou novamente.

- Eu brochei “PO”... várias vezes! Satisfeito! – Ele se esforçava para não gritar de tanta raiva que sentia. As pessoas no local começaram a falar novamente, deixando um ar de tumulto. A Juíza precisou intervir para resolver a situação.
Ness estava satisfeita, mesmo que fosse humilhante para ele, porque sabia que ele não dormira com a ex-amante desde que veio morar nos Estados Unidos.

- O senhor não está em casa, Senhor Black! Veja bem o palavriado que usa no “meu” tribunal. Se não houver ordem nesse tribunal, entraremos em recesso novamente. – Disse de forma severa, olhando para as pessoas sentadas cadeiras de madeira. Jacob assentiu com a cabeça e Jasper voltou a interrogá-lo, satisfeito, por ter conseguido o que queria. O cliente conseguiu não se passar por adultero ao menos.

-O senhor brochou¿ - Não teve como não rir e Jacob o olhou com fúria. Ness se sentiu péssima pela forma como Jasper falou com marido. Afinal ela havia pedido para ele arriscar tudo e agora a vida dos dois estava exposta diante de todos.

- Sim! – Abaixou a cabeça para não encarar as pessoas.

- Quando foi que as coisas se complicaram¿ - Ele perguntou.

- Não lembro direito quando foi. Só sei que de uma hora para outra, ela começou a infernizar. Acho que durante a gravidez. Não sei ao certo. Mas um belo dia ela fez um despacho de macumba na porta de casa. Sue quase teve um troço e Ness só chorava. Eu peguei uma vassoura e quebrei as taças, as garrafas, galinha morta e ainda com a foto de Ness. Eu fiquei louco naquele dia e fui trabalhar. Tentei esfriar a cabeça para não fazer besteira. A verdade é que queria matá-la naquele momento. – Jasper deu um olhar perverso para ele quando disse aquilo. – Depois ela mandou bombons envenenados para minha casa. Ness pensou que fossem meus e deixou em cima da bancada da cozinha. A caixa caiu acidentalmente e o cachorro comeu um deles. Depois o pobre animal morreu estrebuchando. Eu perdi a cabeça e fui até o local onde estava. Brigamos feio naquele dia e dei um basta em tudo.

- Você bateu nela¿ - Jasper perguntou, pois já sabia que o promotor faria a pergunta depois.

- Sim! Bati e ameacei matá-la para ver se desistia. Disse para não chegar mais perto da minha família. E depois disso tudo ficou mais confuso, porque ela foi para a imprensa contar toda a história e tivemos que nos expor publicamente. Os paparazzis não saiam da nossa porta e não nos davam mais paz. Mesmo assim ela continuou a ligar e a me importunar. Ai veio um escândalo em um restaurante, depois um atentado quando estávamos no carro, o tiro que quase me matou. Sei que vocês podem dizer que não há provas de que foi Casy, mas só quem chamava Ness de Vadia Cullen era ela. E se o assaltante atirou chamando minha esposa assim, tenho certeza de que foi ela. Sei bem disso! Ela estava totalmente doida e tinha alguém a ajudando. O hospital foi invadido e o quarto onde eu deveria estar foi metralhado. Os bandidos morreram e nós fugirmos para casa. Mais uma vez encontramos vestígios dela. Nosso closet foi destruído, todas as roupas de Ness rasgadas, ela deixou fotos dela sobre a cama, no banheiro havia uma ameaça de batom no espelho, sangue no chão, uma boneca deitada no chão do Box com um gato morto e ensangüentado entre as pernas, e uma faca no peito. Tivemos que fugir para longe e mesmo no Canadá tentaram nos matar e um dos seguranças foi ferido. Só tivemos um pouco de paz na Europa, onde ninguém sabia o nosso paradeiro. Mas quando voltamos, a tia da Ness deixou escapar para uma amiga, os jornalistas publicaram. E na noite de natal, a doida mandou uma caixa de presente com uma boneca esfaqueada e com recado agourento para nós. Ela teve a coragem de ameaçar uma criança que nem havia nascido.

- O que aconteceu quando o senhor foi ao encontro da sua ex-amante¿ - Jasper perguntou.

- Eu subi as escadas e quando ia bater na porta, ela estava aberta. Ela me pediu que entrasse e veio tentar me seduzir. Eu a segurei e tentei dialogar, mas ela não parou e começou a ameaçar. Eu bati com vontade quando ela ameaçou a minha filha. Estava com tanto ódio, que bati muito e depois apertei o seu pescoço. Quase que a estrangulei com a raiva que sentia. Só que ouvi uma voz, bem parecida com a da minha mãe, dizendo que não valia a pena e a soltei. Disse que tinha nojo dela e que amava a minha esposa. Que estava apaixonado pela minha filha e que nunca mais dormiria com ela. Acho que as palavras ditas de forma tão claras a fizeram enlouquecer de vez. Ela começou a chorar e foi andando de costas para a porta, que permanecera aberta, até chegar na grade que cercava a varanda. Foi subindo e ficou sentada de braços abertos. Depois me disse que se não fosse dela, não seria da minha mulher e que aquilo era uma armadilha. Deu um impulso para trás e caiu de braços abertos. Eu fiquei desesperado e corri até a grade, debrucei para olhar e a vi morta. Fiquei desesperado e fugi.

- Por que o senhor fugiu, senhor Black¿ - Jasper perguntou.

- Tive medo de ser preso injustamente e perdi a cabeça. Tudo aconteceu muito rápido e de uma hora para outra. Nunca pensei que ela chegaria o extremo de se matar para me afastar de Ness. Mas ela cumpriu a promessa de me mandar para a cadeia para esse fim.

- Senhor Black, você teria coragem para matar Casy Maccalister¿ - Jasper perguntou.

- Sim! – Todos começaram a murmurar alto. – Se ela colocasse em risco a vida da minha mulher e da minha filha nada me impediria. Vocês são pais e mães.- Apontou para o júri. – Se uma mulher maluca colocasse uma arma ou uma faca em seus filhos. O que faria¿ - Olhou para Jasper e continuou. – Qualquer um perderia a cabeça, mas aquele não foi o caso. Eu não matei Casy! Não fiz aquilo e não é justo pagar por um crime que não cometi. Amo a minha família e não faria algo que a prejudicasse. Não faria uma coisa que me impediria de ficar anos sem a minha esposa e a minha filha. Eu juro pela vida da minha filha que não a matei. Essa é a única verdade que tenho.

Jasper fez mais algumas perguntas sobre Casy, o seu sentimento doentio e depois cedeu a vez para o se colega promotor, que fora bem malévolo no seu interrogatório, para tentar deixar claro que muitas vezes Jacob agrediu e ameaçou a vida da mulher.

Enquanto o interrogatório seguia, um dos assistentes de Jasper entrou na surdina e sentou-se ao seu lado. Cochichou em seu ouvido e lhe mostrou algo no celular. Ele deu um sorriso satisfeito e ao fim do interrogatório de Jacob anunciou que tinha mais uma testemunha.

- Meritíssima, temos uma testemunha que pode comprovar a inocência do meu cliente. Peço-lhe recesso por algumas horas para eu falar com ela. E permissão para interrogá-la diante do júri.

- Isso é inadmissível. – Disse o promotor. – Todas as testemunhas que forma solicitadas já falaram. Não pode colocar uma pessoa de uma hora para outra ao seu bel prazer

- Meritíssima, é claro que nós recorreremos da sentença se ele for condenado. Acho que essa testemunha pode ser decisiva para veredicto do júri. Por isso solicito autorização para o depoimento. – Jasper insistiu.

- Acho que todas as tentativas são válidas. Entraremos em recesso e o senhor tem duas horas para preparar o interrogatório.  – A juíza disse.

- Também peço autorização para colocar um vídeo para todos assistirem. Ele será de grande ajuda para o esclarecimento do caso.  – Disse Jasper.

- Providenciarei uma Televisão e um aparelho de DVD. Espero que isso não se prolongue. – Respondeu.

- Obrigada, meritíssima. – Jasper disse e se afastou.

- Senhores, entraremos em recesso. Depois disso ouviremos uma nova testemunha para esse caso. – Bateu o martelo, levantou e depois caminhou até a saída.


Nota Glau
Jasper para tentar provar que Jacob mudou e não seria capaz de matar jogou toda a “M” no ventilador. Coitado desse casal. Já imaginou tudo exposto dessa maneira¿ A Ness apesar de tudo foi bem corajosa. Ela disse tudo diante de todos. Colocou o marido em primeiro lugar e se esqueceu do orgulho.
Se a Ness, a Rebbeca, o Seth e a Bella admitem que Jacob é inocente, mesmo depois de tudo o que ele fez de ruim, será que o Juri levará isso em consideração¿ Será que ele será condenado¿
Gente a autora é totalmente doida, então não duvidem do que eu possa fazer nesse final, heim!


Gostaria de agradecer por todos os comentários maravilhosos e pelas 33 recomendações que a fic recebeu. Vcs sabem que não seria nada sem as minhas leitoras queridas.

Estou sentindo falta de uma galeria. Cadê vcs¿ Será que resolveram me abandonar¿ Sniff Sniff Snifff.
Gente, eu ainda não fiz o restante do Cap (quarta parte), porque ando lendo umas sacanagens que estão ocupando o meu tempo. Kkkk Prometo até sábado terminar o capitulo final herdeira para a postagem.

Quem ainda não votou no concurso de Short fic ainda da tempo. Eu pedi ao moderador até sábado para excluir a fic. Mas ainda não tive uma resposta e vou deixando no ar até lá. Peço que votem na fic Say Love, que ainda não teve nenhuma nota para eu apurar
Agradeço também aqueles que prestigiaram deixando suas notas.


Guerra dos Sexos já está bombando e cheia de confusão. Já tivemos inclusive “PO” no cap anterior. Quem ainda não leu, não sabe o que esta perdendo.


BRIGADU!!

N/Heri: ai meu Deus! To ansiosa por resultado do juri. E  a ultima testemunha quem será? Que é isso? Um julgamento ou confessionário total aberto ao publico?...hsuahsuahsu. Jasper ta tirando casquinha de mau...........Mas isso é coisa de Glau. Meninas comentem que já solto a parte 3...



segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Irritação, Atração e Desejo.

Ness estava furiosa e nas horas que se seguiram, ela não conseguiu prestar a atenção em nada.  No intervalo as amigas falavam sobre várias coisas, faziam fofocas e tentavam chamar a sua atenção, mas nada conseguia fazer com que se esquecesse de Jacob.

- Ness, não está ouvindo o que falei? O primeiro jogo da temporada é na próxima semana e precisamos continuar com os treinos. No último jogo foi um vexame completo e não podemos dar mais mancadas. – Carly disse para ela, enquanto saboreava um sanduíche natural. Se fosse em outra ocasião, ela teria chamado a atenção da amiga por comer aquele tipo de besteiras. Daria uma lição de moral sobre como manter um corpo perfeito. Só que aquilo era o que menos lhe importava no momento.

- Temos alguns dias e já treinamos bastantes durante as férias. – Disse fazendo pouco caso.

- Como assim? Você deixou todas estressadas por causa dos treinos e do jogo. Agora age como se não fosse importante.  – Nathaly falou. – E o pior é que Katy e Tânia ainda nem chegaram. Como faremos em elas?

- Já disse que as duas vadias estão fora. Deram mancada no último jogo e não participarão do grupo esse ano. – Disse e continuou a pensar na briga com Jacob, no que faria para colocá-lo para correr e evitar mais vexames. Todas as vezes que discutiam ela perdia a cabeça e acabava brigando. Não era o comportamento que desejava, contudo era impossível não reagir as provocações daquele ser tão fortes.

Do outro lado do salão as suas primas comentavam as brigas e achavam graça de como os dois viviam se alfinetando.

- Ela bem que merece ter um Jacob Black infernizando a sua vida. – Disse Rosalie fazendo pouco caso.

- Não é bem assim, Rose. Sabe bem que ela sempre teve uma quedinha por ele. E que ele nunca teve nada com ela e sempre a desprezou. Acho bem triste esse tipo de situação. – Bella disse defendendo.

- Olha eu não desejo mal para ninguém, mas nossa prima bem que merece. – Disse Alice observando o rosto inexpressível de Ness do outro lado do salão. – Ela tem o prazer de pisar nas pessoas e não de importa com o sentimento de ninguém. O que Jacob faz é dar a ela o troco. Se bem que ele também não é flor que se cheire. É tão irritante e convencido quanto a nossa prima. Na verdade os dois se merecem e acho que um dia perceberão que foram feitos um para o outro... Criaturinhas insuportáveis.

- Acho que o problema dela é falta de homem. – Bella disse.

- Como? Essa vadia já dormiu com todo mundo da escola... exceto Jacob, é claro. Até mesmo com nossos namorados. Você ainda tem pena dela? Fala sério, Bella! Deveria ser canonizada. – Rosalie disse indignada.

- Ela já teve todos, menos o que ama, Rose. Você sabe muito bem o que Jacob fez com ela. Aquilo foi uma grande humilhação e depois disso, ela simplesmente resolveu fazer todos os homens sofrerem. Mas na verdade acho que se ela tivesse alguém que realmente a amasse... – Bella tentou falar, mas foi cortada.

- Corta essa, Bella! Lembra aquele cara que ela ficou saindo alguns meses... Acho que Nicolas? Ele a amava de verdade e ela só fez pisar no cara. Nunca assumiu a relação deles e traia o cara com todo mundo. Ele achava que ela era namorada dele, mas ela não assumia e não ligava para os sentimentos dele. – Alice tentou trazer Bella a realidade.

- Tudo bem! Tudo bem! Vocês venceram,ta. Nossa prima é uma vadia sem coração. – Deu de ombros e ficou olhando para Ness.

Claire foi correndo para a mesa que as amigas estavam e começou a passar o relatório. Ness, no entanto, não ouvia nada do que a garota dizia.

- Olha, eu descobri que os Volturis vieram para cá com os pais. O pai do Alec, Aro Volturi, e sua esposa Heidi vieram a trabalho para Forks. Ele arrumou um emprego no banco como gerente. São de Atlanta e nenhum dos quatro são comprometidos... não que me preocupe com a vida amorosa da Jane, é claro. – Ela falava e Ness não ouvia. – Ness! Ness!

- Não adianta, Claire. – Disse Nathaly. – Ela está pensando na briga com Jacob. Está assim aérea desde que chegou ao refeitório. Quero só ver no que vai dar os dois morando juntos... Isso não vai prestar. – Concluiu.

As três continuaram a conversar sobre a vida dos Volturis, enquanto de longe, de sua mesa, Jacob acompanhava com um olhar malicioso cada movimento naquela mesa. Estava satisfeito por ter conseguido irritar a Ness Cullen e já imaginava como seria quando estivesse na mesma casa. Riu pensando nas brigas e como ela ficaria mal com aquilo. Seu maior prazer era vê-la completamente fora de si... Como ficava linda com raiva.

 Seth o chamou, mas também não estava prestando a atenção nos amigos e nas conversas.

- Hey, cara! – Chamou novamente. -  O que você tem? - Ele perguntou.

- Nada, só estou pensando. – Respondeu.

- Ness Cullen? - Questionou franzindo o cenho.

- Pra que você quer saber o que estou pensando¿ Por acaso paga as minhas contas, “PO”? Vê se me erra. – Disse irritado.

- SHII! Tá irritadinho assim por que? Não tenho culpa se vocês dois vivem brigando. – Disse com raiva.

- Ele está com medo de cair, finalmente, nos encantos dela. – Sam disse caçoando.

- Tá doido? Acha que vou “T...par” com essa vadia? Fala sério! – Não queria continuar aquela conversa. Tinha muita coisa para pensar e estava perdendo a concentração. – Vai se “FU”, “KA”!

- Tá nervosinho assim porque ela se interessou pelo aluno novo? Ou ta doido para comer e sabe que ela não vai te dar? - Quil perguntou caçoando.

- Se eu quisesse essa vadia, ela já estaria na minha cama. Mas ao contrário de vocês, eu não me permito ser usado. Entendeu? Eu uso e não o contrário. Quando quero uma mulher, simplesmente pego. Não fico rastejando atrás de mulher. Acha mesmo que com ela seria diferente? - Usava aquele tom arrogante de sempre. Porém a sua irritação era tanta, que estava passando dos limites. Por que estava tão incomodado? Por que tinha vontade de dar umas palmadas na garota? Ele não sentia nada por ela, nem atração, mas não gostou da forma como ela olhou para o tal Volturi. Jacob se questionava e ao mesmo tempo pensava em como infernizar a sua vida. Ela pagaria por fazê-lo se sentir tão estranho... Com certeza pagaria.

- Vamos fazer uma aposta então, cara. – Disse Sam com tom sarcástico. – Já que se considera tão bom, quero ver se consegue levar a vadia para cama em um mês. Se você ganhar, eu te dou o meu carro. Agora se você perder, a sua preciosa moto vem para mim. O que me diz? - Disse de forma debochada.

- Tá tirando uma com a minha cara? Acha que eu não sou capaz de levá-la para cama? Faça me rir o, “Vi”. –Disse com raiva. – Eu não quero a Ness e não farei aposta nenhuma com você. Fica com seu carro e não me torra a paciência. Para que você acha que vou querer essa lata velha?   - Jacob se levantou da mesa com raiva e a socou. Estava praticamente gritando e chamou a atenção das outras mesas. As pessoas viraram as cabeças para olhar a discussão sem entender o que acontecia. Ness se levantou e olhou para o lado, quando as amigas a cutucaram. Lançou um olhar de desprezo para ele e saiu requebrando aquele traseiro divino. Quase todos os homens viraram para olhar o seu rebolado e Jacob virou-se tentando disfarçar o incomodo que sentia. As suas pernas torneadas se mexiam de forma perfeita, fazendo a requebrar as cadeiras e o popozão.  Por um momento ele se sentiu excitado com aquele rebolado maravilhoso. Saiu do refeitório por outro caminho, evitando cruzar com a criatura que tanto “odiava”.

O tempo se arrastou até a última aula e quando o sinal tocou, Ness pegou as suas coisas e saiu correndo sem esperar as amigas. Queria chegar em casa logo para se trancar em seu quarto e não ter o desprazer de cruzar com Jacob fazendo a sua mudança.

Chegou em casa em dez minutos e correu para o quarto, sem mesmo ir falar com o avô e Esme. Encostou a sua porta, colocou o material sobre uma pequena mesa, foi para o banheiro e lentamente se despiu. Tomou um banho quente,enxugou o corpo, passou creme hidratante,  penteou os cabeços,escovou os dentes e depois foi nua para o closet pegar calcinha e sutiã.
Colou as peças intimas e voltou para o quarto para se distrair um pouco.

A única coisa que a fazia relaxar, além de um bom sexo, era dançar ouvindo música. Ali era ela mesma, sem máscara, sem arrogância, sem pretensão ou a postura irritante que sempre demonstrava. Podia rir, chorar, gritar, dançar e deixar os sentimentos fluírem de verdade. Pensou em quantas vezes chegou em casa quebrada, após brigas e humilhações de Jacob, e se permitiu relaxar dançando em seu quarto.

Ness ligou o som do quarto e começou a dançar de forma sensual uma música árabe. Ela adorava a dança do ventre e deixava o seu corpo se realizar com movimentos sensuais. Sua barriga se movia de forma extraordinária, o corpo reconhecia cada movimento e seguia suas próprias vontades.

Jacob chegara na casa dos Cullens há alguns minutos e levou a sua bagagem para o quarto. Enquanto tirava algumas coisas  de uma das malas, ouviu um som estranho de uma música. Era um som exótico e ao mesmo tempo atraente. Aquilo mexeu com ele, que resolveu averiguar.

Naquele momento imaginou que fosse Ness Cullen e para sacaneá-la mais uma vez, resolveu levar o smartphone para gravar, se fosse algo comprometedor.

Saiu de seu quarto e caminhou até uma porta no final do corredor, seguindo o som atraente da música. Colocou a mão na maçaneta e abriu de vagar, tentando não fazer barulho.

Quando a porta se abriu, levou um choque ao ver aquele corpo exuberante se movendo de forma sexy no quarto. Ela parecia uma dançarina de dança do ventre, com sua cintura se movendo de uma forma que o excitou. Sua ereção se formou em suas calças, deixando o cheio de tesão. Entretanto, apesar do desejo que explodiu dentro dele, resolveu filmar a dança para irritar a garota mais uma vez.

Imaginava a sua cara quando visse o vídeo na internet. Ela teria um acesso de raiva e ele se deliciaria com seus gritos e atitudes totalmente descontrolada.

Enquanto Ness dançava de olhos fechados, imaginava o rosto daquele deus grego vendo seus corpo perfeito naquela dança exótica. Abriu o sorriso mais lindo do mundo, deixando ao lábios carnudos ainda mais desejosos.

Jacob chegou a ficar sem ar ao ver a expressão de prazer triunfante da mulher. Ela era linda, perfeita e muito gostosa. Seu corpo gritava pelo dela, apesar do ódio que sentia daquela criatura tão irritante. Quase caiu e teve que se apoiar na porta naquele momento, fazendo um barulho agudo com a batida.

Ness despertou de seu transe com o barulho e viu Jacob parado na porta, gravando a sua dança com um smartphone. Corou de vergonha naquele momento e colocou os braços na altura dos seios, como se adiantasse de alguma coisa. O ódio subiu para sua cabeça e gritou furiosa.

-  SEU “VI”!!! O QUE FAZ NO MEU QUARTO? O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?  - Pegou uma almofada e jogou nele. Depois um cinzeiro e atirou, atingindo a parede. O objeto se espatifou e partículas de vidros caíram sobre o assoalho. – EU ODEIO VOCÊ! ME DÁ ESSE APARELHO! AGORA! – Continuava atirando objetos contra Jacob, que só ria achando graça e continuava a gravar a cena bizarra. – ME DÁ! – Ela correu em direção a ele, que também começou a correr pelo quarto. Enquanto tentava pegar a criatura que “odiava”, quebrou muitos objetos pelo quarto.

Jacob ria satisfeito e continuava gravar enquanto corria.

- Peguei! – Ela tentou tirar o aparelho da mão dele, que puxou para si com força.

- Esse celular é meu e não pretendo me desfazer dele. Agora a menos que você queria que esse vídeo vá para o Youtube, terá que deixar o seu lindo BMW comigo amanhã. Vai a pé para o colégio e eu triunfarei com o seu carro. – Disse com tom sarcástico, irritando a ainda mais.

- VOCÊ SÓ POD ESTAR BRINCANDO! MEU CARRO? MEU BEBÊ? VÁ SE “FU” SEU CANALHA! – Ela deu um tapa no rosto dele com vontade, que deixou a sua mão doendo e com coloração vermelha. Ele não titubeou e devolveu o tapa. É claro que não colocou a mesma força. Era mais para mostrar a ela para ter respeito ou apanharia.

PLAT!

Plat!

- OH! VOCÊ ME BATEU? ME BATEU! COVERDE! IDIOTA! CANALHA! – Ela gritava com ódio enquanto ele ria.

- Eu nem dei com força. Isso é só para provar a você que se me bater novamente vai apanhar também. Eu não costumo apanhar... Mesmo de mulher. Está me entendendo? Nem sonhe em fazer isso novamente, garota irritante. Da próxima vez eu vou bater com vontade e você ficará com esse rosto lindo marcado. Esta entendendo ou tenho que desenhar? Porque burra do jeito que é, demora a entender as coisas NE? O que você tem de bonita, tem de burra e medíocre. Eu não levo desaforos para casa e você precisa aprender isso.

- Eu vou contar ao meu avô. – Ela disse segurando as lágrimas. Não choraria na frente dele. Não se humilharia mais ainda diante da criatura que tanto “odiava”.

- Vai lá! Conta para ele. – Jacob desafiou. -  O que te faz crer que ele acreditará em você? Eu sou o hóspede dele. Estou chegando agora e você a neta rebelde, mimada e irritante. Ele não acreditará que eu te bati. É só fazer cara de inocente, vadia. – Aquela última palavra a feriu fundo. Sua dor era tanta que achou que não agüentaria segurar as lágrimas. Queria que fosse embora para deixar todo o sofrimento transbordar. Ele sempre a chamou por nomes nada legais, sempre a difamou pelo colégio, mas chamá-la de vadia daquela forma a feriu profundamente. Engoliu seco, desvirou o olhar e virou de costas. Sentou –se em uma cadeira de cabeça baixa e concordou com ele.

- Eu deixarei você ir com meu carro só amanhã. Se esse vídeo vazar na internet, juro que mato você, Black.- Sua voz já era de choro. Tentou não falar muito para ele não perceber a mágoa profunda que causou.

- Pois bem, assim será. Só mais um aviso, oh garota. – Disse com a voz ríspida e depois deu uma risada maliciosa. – Tudo que você fizer para mim nessa casa, receberá em dobro. Não tente me sacanear. Você certamente não me conhece tão bem quanto acredita. E ano ficará satisfeita com minha fúria. Se você se comportar bem, eu não infernizarei a sua vida. Contudo,Todavia, Entretanto... – Ele riu alto. – Se você me provocar, sentira o  peso da minha mão outra vez.  – Riu mais uma vez e a magoou profundamente. – Se bem que dizem as más línguas da escola, que a “PI” Cullen adora levar uma “PO” quando “T...pa”. Acho que você vai até gostar de uma “PO” minhas. Rarara De repente você até gama... AH, eu me esqueci que você já gamou no gostosão aqui. – Ness virou o rosto, fechou os olhos e pressionou as pálpebras bem forte para ele não vê-la chorando. Não daria o gostinho da vitória para ele... Não mesmo.

Jacob saiu do quarto vitorioso e com um vídeo bem interessante. Enquanto ele estivesse de posse daquele vídeo, ela estaria em suas mãos. Foi para o seu quarto, fechou a porta, caminhou até a sua cama e sentou. Abriu a pasta onde ficavam as gravações recentes e começou a assistir. De repente, sem que se desse conta, alguma coisa mexeu com ele. Uma angustia estranha o dominou e teve vontade de chorar.

Socou a cama com raiva e jogou o aparelho sobre as almofadas. Ficou olhando em direção da janela e o rosto choroso de Ness veio a sua mente. Um remorso o consumiu naquele momento e sentiu raiva de si mesmo por isso.

Depois de um tempo, pegou o aparelho sobre a almofada e começou a assistir o vídeo novamente. Sentiu a sua ereção se formar e um louco desejo a dominar.

A quem ele queria enganar? Ele sabia que podia enganar a qualquer pessoa, mas não a si próprio. Durante toda a vida fez de tudo para infernizar a vida dela, e certamente continuaria a fazer agora que moravam juntos, mas no seu íntimo sabia que nunca sentiu tanto desejo por uma mulher como sentia por ela. Seu corpo gritava pelo dela, o coração palpitou mais forte por ela horas antes, e de certa forma sentiu ciúmes do aluno novo. O que aquilo queria dizer? Estaria ele se apaixonando pela sua maior inimiga?

Ness deitou em sua cama e chorou, mas o choro não era de raiva e sim de dor. Ela sentiu o seu coração sangrando por mais uma humilhação. Não conseguia se perdoa por ser tão tola e permitir que Jacob ainda a machucasse. Havia prometido para si mesma que nunca mais choraria por ele. As noites que perdera despedaçada pela humilhação e a paixão não correspondida tinham sido o suficiente. E muitas vezes ela tentou se convencer que o sentimento não existia mais. Porém, diante daquela situação, o que ela faria? Não poderia permitir que ele continuasse a maltratá-la. Tinha que dar uma lição naquele cara tão cruel que tinha prazer em vê-la sofrendo. Seria ela capaz de passar por cima dos sentimentos e dar o troco? Ela conseguiria arrancar aquilo que lhe machucava do coração? Meio a dor tão grande que a consumia, ódio e desejo de vingança, Ness decidiu que o faria pagar por cada lágrima. Ele se arrependeria amargamente por tudo o que a fez passar. Era uma questão de honra.