domingo, 15 de maio de 2011


CAPÍTULO 10 - PERGUNTAS E DECISÕES

“Eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer
Eu amo você
Mas não sei o quê
Isso quer dizer...
Eu não sei por que
Eu teimo em dizer
Que amo você
Se eu não sei dizer
O que quer dizer
O que vou dizer
Se eu digo: Pare!
Você não repare
No que possa parecer
Se eu digo: Siga!
O que quer que eu diga
Você não vai entender
Mas se eu digo: Venha!
Você traz a lenha
Pro meu fogo acender”
Zeca Baleiro

PDV BELLA
Deixei a água cair pelos meus cabelos na esperança de que as lembranças de Edward me dizendo que eu precisava de um “homem” escorressem junto.
Desde aquele dia no carro não tive mais paz.
Já tinha chegado à assustadora conclusão que estava apaixonada por ele, mas não sabia o que isso queria dizer.
Eu podia simplesmente colocá-lo no lugar de Jacob e levar minha vida como antes, vivendo um amor platônico que me preenchia e me bastava.
Mas as coisas não funcionavam mais assim. Meu corpo já não se satisfazia mais com fantasias, ele queria mais... Queria o toque das mãos de Edward, queria ouvir sua voz... Queria tremer em seus braços...
Céus!! O que aquele bruxo tinha feito comigo? Algum tipo de lavagem cerebral? Eu já estava repetindo suas palavras como se fossem minhas.
Até o dia da chuva, quando me sentei seminua em seu colo (Como gostaria de esquecer isso!!!), nunca tinha estado muito consciente da minha sexualidade. Até então minhas fantasias se resumiam a alguns pensamentos imprecisos de mim e Jacob fazendo amor, mas após sentir a excitação de Edward sob meu corpo... Ah, meu Deus!! Aquilo tinha sido tão estranho. Uma parte desconhecida de mim tinha despertado e a maioria dos meus pensamentos com Edward passaram a ser censuráveis.
Deixei mais água escorrer por meu corpo. Fechei os olhos e tentei não pensar em nada, ou ia acabar pirando de vez. Agora sim, achava que estava precisando de um médico.
Eu não vi mais Edward depois daquele dia. Ele não ligou nem mandou mensagem, afinal tinha deixado bem claro que se eu o quisesse, saberia onde achá-lo, o que quer dizer que era eu quem teria de procurá-lo. Isso se eu quisesse... E eu queria, ou melhor, eu devia? O que eu tinha para oferecer pra ele? Nada!!! Esta era a única resposta que me vinha à mente. Eu não era interessante, não era sexy, não era boa de papo, não era boa de cama (urgh!!!)... O que um homem como Edward poderia querer comigo?
Mas e se ele fosse o homem da minha vida e eu o deixasse ir embora? Que outra chance eu teria de encontrar uma pessoa como ele, tão linda... Tão especial...
Me lembrei de uma frase que li na mesa de uma recepcionista de um dos milhões de médicos que visitei.
“Não falte muito que eu posso perceber que você não faz falta. (Seu Patrão)”
Na época achei engraçado, mas agora ela me amedrontava. E se Edward se cansasse de me esperar?
“Vai Bella, rompa a crisálida, alce vôo!!”
Com esse pensamento na cabeça, me vesti de menino, segundo palavras do Edward e peguei minhas chaves. Era agora ou nunca!!
 Já passavam das dezenove horas quando o porteiro me perguntou quem eu era e onde eu ia.
- Sou a filha da Renée, que decorou o apartamento do Dr. Cullen.
- Ah, sim, lembro da D. Renée. Estou me lembrando de você também.
- Pois é, queria fazer uma surpresa para Edward. Posso subir sem ser anunciada? - Perguntei, meio sem graça.
- Se ele ficar bravo a senhorita diz que subiu escondida, está bem?
- Combinado.
Subi mais aliviada. Não queria correr o risco dele dizer que não queria me ver.
Toquei a campanhia e esperei. Meu coração estava na boca e minhas mãos suavam frio.
Edward abriu a porta com um misto de surpresa e alegria no rosto.
- Oi, Isabella, entre.
Sorri sem graça, mordendo os lábios. Estava super nervosa.
- Sente-se. Quer beber alguma coisa? - Ele aparentava calma, mas parecia meio inquieto.
Acenei com a cabeça que não queria beber nada. Edward serviu-se com um copo de whisky.
Um silêncio constrangedor tomou conta da sala.
- Acredito que veio aqui para me dizer algo, Isabella. Estou certo?
- Edward, eu te quero como homem! 
 Eu sempre fui ruim com as palavras, mas às vezes eu me superava. Olha o que eu tinha acabado de dizer!!! Meu Deus!!!
Ouvi o barulho do copo se espatifando no chão.
- O que você disse, Isabella? - Alguém naquela sala estava mais branco que um fantasma.
- Só vou falar uma vez, Edward, então é bom que preste bem atenção. - Não era boa de retórica, então achei melhor copiá-lo. - Eu não tenho nada para te oferecer. Não sou nada parecida com as mulheres com quem já deve ter namorado. Não tenho atrativo nenhum e não estou preparada para nenhum tipo de intimidade com você, mas se quiser namorar comigo, eu aceito, desde que seja no meu ritmo, nas minhas regras. E já vou te avisando que se tivesse no seu lugar não aceitaria. Estará fazendo um péssimo negócio. - Só consegui respirar quando terminei.
Edward me encarou sério por um bom tempo, depois deu seu sorriso torto e finalmente falou:
- Aceito. - Pareceu conter uma risada.
- Tá bom, então já vou indo. - Desconfiava que não teria pernas para caminhar, de tanto que tremiam, mas assim mesmo fiquei de pé.
- Suas regras proíbem beijos de despedida, Isabella? - Edward foi se aproximando de mim, com um sorriso malicioso nos lábios que me deixava mais nervosa ainda.
Na verdade não tinha pensado quais seriam minhas regras, mas beijar Edward não parecia algo que merecesse ser censurado.
Ele estava praticamente colado em mim e me olhava com cara de quem estava esperando uma resposta.
- E então, Isabella?...
Seu hálito me fez arrepiar.
- Eu, eu não pensei nisso - falei, evitando seu olhar.
- Mas deveria, afinal você é a responsável pelas regras. - Ele estava claramente se divertindo as minhas custas.
- Eu sei, mas...
Edward colocou as mãos em volta da minha nuca, mas não me beijou.
- Mas o que, Isabella? - Aquilo beirava a crueldade. Eu estava a ponto de desmaiar.
- Eu não sei be... beijar - Minha respiração estava tão acelerada que quase não conseguia falar.
- Hum!! Isso vai ser um problema. - Edward continuava a sussurrar próximo a minha boca, numa atitude explícita de que estava me provocando.
- Edward, pelo amor de Deus, pára com isso e me beija logo ou vou acabar desmaiando. - Minha paciência e sanidade tinham limite.
Ele riu e carinhosamente deixou uma das mãos em minha nuca, levando a outra até minha cintura, puxando-me para junto de seu copo. Delicadamente pousou seus lábios nos meus, movendo-os quase em câmara lenta. Ficou assim por um tempo, até que se afastou um pouco, fazendo-me abrir os olhos e lançou-me um largo sorriso.
- Seus lábios são tão doces, Isabella. Isso me faz imaginar o quão bom deve ser o gosto da sua boca.
Seus lábios voltaram aos meus e senti sua língua me invadir. Fiquei inicialmente sem saber o que fazer, mas aos poucos fui relaxando e timidamente comecei a mover a minha também. Nunca imaginei que beijar fosse tão bom. Edward me apertou mais ainda em seu braço e pela segunda vez pude sentir sua excitação. Eu realmente tinha encontrado um “homem” para mim... E parecia uma coisa muito boa de se ter.

CAPÍTULO 9 - O QUE ELE QUIS DIZER COM ISSO?
POV BELLA
A cara da minha mãe deixava bem claro o que estava pensando: QUAL A NOVA ESQUISITICE QUE VOCÊ APRONTOU, BELLA?”
Resolvi ignorá-la. Não estava com saco para discutir... Ou estava?
- Bella, minha filha, que idéia foi essa de fugir pela escada. Ficou louca?
- Mãe, eu não fiquei, eu já sou louca, lembra?- Falei ironicamente.
- Não começa, Bella. Como está se sentindo, querida?
- Estou bem. Mãe, me dê minhas roupas que quero sair daqui o mais rápido possível - falei sem paciência.
- Não seja ingrata, Bella. Edward cuidou muito bem de você.
- Não fez mais que a sua obrigação, afinal ele é meu médico e deve estar recebendo muito bem para isso.
- Bella, está sendo injusta com ele.
- Injusta... - repeti calmamente. - Mais um adjetivo pra minha coleção. Como devo classificá-lo, mãe, antes de “psicótica” ou depois de “sinistra”? - Perguntei sarcasticamente.
Já que estava com a língua solta, ia aproveitar para falar umas verdades que estavam entaladas.
Renée não respondeu. Me entregou as roupas e saiu.
Troquei-me rapidamente. Ainda me sentia tonta, mas conseguia me manter em pé. Queria sai dali o quanto antes.
Edward estava sentado no sofá quando entrei na sala. Senti uma pontada no peito ao vê-lo. Algumas horas atrás tinha chegado a pensar que estava sentindo algo por ele... E ele por mim. Como tinha sido idiota!!
Evitei olhar em sua direção. Sentia meu rosto enrubescendo só de lembrar do meu chilique no quarto.
Fui saindo pela porta sem me despedir, até que senti uma mão quente segurar meu braço.
- Isabella, fique aqui para conversarmos, depois eu te levo em casa. Não quero que vá embora magoada comigo. - Sua expressão era de tristeza.
- Isso, filha, converse com Edward, ele pode te explicar o que aconteceu. Você entendeu tudo errado.
- Não, eu vou embora - respondi secamente.
- Por favor, Isabella, ouça o que tenho a dizer. - Edward parecia meio desesperado.
Deixei ele e minha mãe falando e fui até o elevador. Não tínhamos mais nada o que conversar.
Não olhei para trás para ver como ele ficou.
Conservatório, quarto e estúdio. Meu mundo voltou a se resumir basicamente a estes três lugares.
Se troquei três palavras com minha mãe, foi muito. Com Carmem, falava o necessário.
Berta tentou defender o neto, mas deixei claro que não queria conversar sobre o assunto, nem sobre o que quer que fosse. Assim, usando um pouco de falta de educação, mantive as pessoas afastadas de mim. Enfim só, pensei.
Sozinha eu me sentia segura. A solidão me protegia.
Queria esquecer aquele maldito jantar, mas era impossível. A toda hora as lembranças do sorriso de Edward vinham a minha mente. Estava doendo mais do que previ, e isso me preocupava. Geralmente eu me curava rápido de minhas desilusões, mas desta vez estava demorando. Para ser mais exata, estava piorando com o tempo.
Ele bem que ligou algumas vezes, mas sempre me recusava a atendê-lo. Fazia três dias que ele não me procurava mais. Parece que eu finalmente tinha conseguido o que queria: Afastar Edward da minha vida.
Naquele dia a aula de violino tinha sido perfeita. Tinha tocado minha música preferida e sentia-me com a alma lavada.
Saí do conservatório um pouco aérea, ainda entorpecida pelo prazer de tocar.
Senti alguém puxar meu braço e quando me virei vi que era Edward.
A beleza dele era impactante. Demorou um pouco para o meu cérebro processar o que estava acontecendo. Na verdade acho que ele usava de hipnose comigo, pois meus olhos tinham uma dificuldade enorme de afastar-se dos seus.
Seus dedos apertavam meu braço e já estava começando a doer.
- Você está me machucando, Edward - reclamei.
Ele afrouxou um pouco o aperto, mas não me soltou.
- Isabella, entre no carro que preciso falar com você. - Sua voz era autoritária.
- Edward, me esquece. Tchau! - Falei, me virando para outra direção, na esperança que ele me soltasse.
- Você não vai em porra de lugar nenhum, Isabella. Entre neste carro ou eu não respondo por mim! - Olhei assustada para ele. “Quem é você?”, pensei.
A atitude de Edward me deixou tão pasma que quando vi estava sentada no banco do carona de seu carro.
- Fala logo que preciso ir embora. - Tentei fingir que ainda tinha o controle da situação, mas a verdade era que eu estava totalmente à mercê dele.
Já que estava alí, desabafei.
- O que foi, Dr. Cullen, veio me trazer o diagnóstico? Ou quer me fazer mais perguntas? Que tal aquela que sempre me fazem: Seu pai colocava a mão na sua calcinha quando você era criança? Ou aquela clássica: Já sentiu atração por garotas? Vamos lá, doutor, invente uma que ainda não me fizeram! Apesar que não posso subestimar sua criatividade, foi o primeiro que cozinhou para mim. - Meu desabafo saiu junto com as lágrimas.
Edward ficou me olhando por alguns segundos, com uma expressão indecifrável. Seus olhos me fitavam intensamente.
- Só vou falar uma vez, Isabella, então é bom que preste bem atenção.
Ele respirou fundo e começou...
- Nunca, em momento algum, tive a intenção de avaliá-la como paciente, muito menos pretendi ser seu médico. Sua mãe realmente conversou comigo sobre suas preocupações quanto a você, mas discordei dela em achar que tem algum problema. Acho você perfeitamente normal.
Edward segurou meu rosto com as duas mãos e se aproximou, quase colando seus lábios nos meu. Parei de respirar.
 - Você não precisa de médico, Isabella - continuou com a voz mais baixa, agora. - Você precisa é de um “homem”. Um homem que a faça tremer de prazer em seus braços, que te mostre de uma vez por todas que debaixo dessas roupas de menino esconde uma mulher. - Sua boca estava a pouco mais de um milímetro da minha. Seu hálito me provocava arrepios e suas palavras me faziam corar. - Se me quiser como este homem, e eu adoraria sê-lo, sabe onde me achar. A única coisa que posso fazer por você como médico é curar sua fobia de chuva, mas se ainda houver uma possibilidade de você pular em meu colo só de calçinha, acho melhor deixar como está.
 Ele me deu seu sorriso torto e se afastou.
- Agora pode ir - falou normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Saí daquele carro muda, parecia um robô. Tudo em mim tremia, meus rosto queimava pelo rubor e suas palavras ecoavam em minha cabeça.
Ouvi seu carro acelerando e saindo.
Respirei fundo tentando recobrar a capacidade de raciocinar.
Edward tinha realmente dito que queria ser meu “homem”? O que isso significava?
Voltei pra casa e corri para meu quarto. Aquele homem estava bagunçando toda minha vida. Que direito ele tinha de fazer isso?
“Você não precisa de médico, Isabella. Você precisa é de um homem!”
Essa frase não saía de minha cabeça. Me virei na cama a noite toda. Ainda podia sentir o calor de seu hálito em minha pele, sua boca tão perigosamente perto da minha...
Meu corpo estava em brasas. Por que ele me deixava assim? Por que não pensava mais em Jacob?
Eram tantas perguntas sem respostas... Ou talvez eu apenas não quisesse aceitar o fato de que eu sabia o porquê: Eu estava completamente apaixonada por Edward Cullen!!