quarta-feira, 25 de maio de 2011

Seqüestro

Jacob e Ness chegaram ao escritório apenas de roupão. Não tinham nada além disso por baixo do tecido felpudo que cobria os seus corpos. Levavam nas mãos apenas lenços, para servir de venda, enquanto caminhavam sorrateiramente pelos corredores da casa. Sabiam que os seguranças observavam pelas câmeras instaladas, mas não queriam despertar suas suspeitas. As aventuras amorosas e brigas já eram motivos o suficiente para fofocas entre os empregados.

Chegaram à sala de jantar e pegaram uma garrafa de champanhe e duas taças. Depois seguiram o seu percurso até o local onde desfrutariam de suas fantasias sexuais.

Gargalhavam maliciosamente em seu percurso e faziam insinuações eróticas. Tudo era muito divertido e excitante. Estavam no clima de sedução... Para não dizer sacanagem.

Ao entrarem no local, Jacob apalpou a sua nádega  de forma insinuante. Ela se fez de moça ofendida e foi até a mesa do seu falecido avô.

- Aqui estamos. – Ela disse.

- Bem, o trato é estarmos vendados durante todo o ato, mas antes eu quero beber um pouco. O champanhe deixará tudo bem mais divertido. – Ele disse malicioso, enquanto abria a garrafa. Ness caminhou até ele com as duas taças e as estendeu. Ela já sentia seu corpo gritando pelo dele. Era uma necessidade descomunal de senti-lo pulsando dentro de si. Sua pele queimava de tão quente que estava. O olhar devorador de Jacob só acendia ainda mais a sua chama.

- Então que comece o jogo. – Ela afirmou enquanto ele enchia as taças. Ele caminhou até a mesa, colocou a garrafa. Pegou a taça na mão dela, levou a mesa e bebeu de forma sensual, enquanto a observava de forma insinuante para ela. Seus olhos eram de um verdadeiro predador. O olhar desejoso dela o fazia queimar vivo. Sentia o pulsar de sua sexualidade. Estava mais duro do que a casca de um coco... Céus! Como ela podia ser tão provocante.

Os lábios carnudos deslizavam sobre a borda da taça. A língua brincava sobre o cristal... OH lábios carnudos mais deliciosos. Ele pensava em como seria a sua língua serpenteando sem sua boca a cada instante. Imaginava-se mordiscando aqueles lábios Alá Angelina Joli.

Ele colocou a taça sobre a mesa. Tirou a taça dela de sua mão e a puxou pela cintura em um gesto rápido, colando os seus corpos ardentes de paixão.

- Necessito de você, bebê. – Disse com aquela voz rouca e sexy que fazia todo o corpo dela vibrar de excitação.

- Você prometeu que estaríamos vendados. – Ela disse fazendo beicinho.

- Primeiro deixa eu tirar essas tacas e essa garrafa de alcance. Depois que estivermos vendados, duvido que sobre algo dessa sala. E não quero nada que possa feri-la. – Pegou os objetos e deu a volta na mesa, abriu a gaveta e colocou a taça e a garrafa já fechada. Depois voltou para Ness e beijou os seus lábios com fome. Uma fome que estava matando os dois. Parecia o primeiro beijo, que o mundo estava acabando e que não teriam mais chances de compartilhar aquele momento. Ele invadiu a sua boca com a língua e começou a brincar de forma sedutora. Chupava a sua boca como um vampiro sangue suga, serpenteava dentro de sua boca como uma serpente intoxicada com hormônios. Apertou o seu corpo contra si e continuou chupando, mordiscando e serpenteando. Cada movimento a deixava completamente sem fôlego e desnorteada. Suas mãos começaram a brincar em seu corpo. Com uma delas ele bolinou o bico dos seios e com a outra desceu pelo seu vente, chegando ao fruto desejoso e proibido. Os dedos mágicos começaram a fazer movimentos em seu clitóris, enquanto os outros sem seu rosado botão de rosa.

- HUMM, Jacob... OH Jacob!! – Ela sussurrou entre beijos.

- Isso é só um aquecimento,bebê. – Afastou-se dela, pegou o roupão felpudo que estava no chão e a cobriu. – Agora vamos começar o jogo. Eu vou te vendar e deixá-la no meio da sala. Você terá que me achar.

- Isso não tem graça. – Ela choramingou. –Você não ficará vendado¿ - Ela perguntou.

- Eu vou para um dos cantos da sala e vou me vendar também. Depois teremos que nos achar. Será bem excitante. Posso te garantir.- Ele deu um sorriso malicioso.

- Tudo bem. – Ela respondeu e ele a levou para o meio da sala. Depois pegou o lenço e amarrou em seus olhos.

- Está vendo algo¿ - Ele perguntou.

- Não! – Ela respondeu. Realmente não via nada.

- Não está apertado demais¿

- Está bom, Jacob. – Respondeu. – Agora podemos começar o jogo¿- Ela perguntou.

- Não! Agora eu vou girar você. Girar! Girar! Girar! – E começou  rodá-la no meio da sala.

- Estou ficando tonta. – Ela disse sentindo o seu mundo rodar. Estava praticamente caindo quando ele a segurou.

- Vamos esperar uns segundos até você conseguir se equilibrar. – Ele disse apoiando o seu corpo. – Está bem¿

- Estou. – Ela respondeu.

- Então espere aqui até eu dar o sinal para o inicio do jogo. – Ele disse e foi para o canto da sala. Pegou o lenço e cobriu os seus olhos. Depois de alguns segundos conseguiu amarrar, caminhou alguns passos e girou no meio da sala até que... PAFT! Perdeu o equilíbrio e caiu.

- O que foi isso¿ - Ness perguntou.

- Fiquei tonto de tanto rodar e cai. Mas estou bem. Agora vamos começar. – Ele ordenou e os dois começaram a andar na sala. Esticavam os braços e tentavam apalpar algo com as mãos. Riam muito com a brincadeira. Caíram algumas vezes e voltaram a levantar.

- RARARA! Eu não estou agüentando. – Ness ria pelos cotovelos. – RARARA

- Essa brincadeira está começando a ficar bizarra, neném. – Jacob disse. – Eu não encontro você. AIIII!

- O que foi¿ - Ela perguntou.

- Eu dei uma topada em alguma coisa. Kkkkkkk “KA” Nós só arrumamos moda.

- RARARA! Eu não estou agüentando. RARARa Vou tirar essa venda.

- Se você tirar pagará uma prenda.  Não é justo acabar com a brincadeira. Agora que começamos vamos até o fim.

- Continua falando que seguirei a sua voz. – Ness pediu.

- Estou cheio de tesão, bebê. Não vejo a hora de deslizar a língua por todo o seu corpo. Vou de “FU” tão fundo que você vai implorar para eu parar.

- Até parece! Eu adoro quando faz duro e fundo

- É¿ Hummm.

- Vou chupar o seu grilinho... Os bicos rosadinhos dos seus seios. Deslizar os dedos em sua fenda e chupar... Chupar.... Chupar..

- OH Jacob! Continua, vai. – Ness deslizou o dedo dentro do roupão e começou a se masturbar.

- O que está fazendo, bebê¿ Não pode se tocar. – Ele ameaçou.

- E se eu fizer¿ - Ela perguntou maliciosa.

- Se você se tocar, farei você saber que seus dedos não se comparam com o meu parque de diversões. Deixarei você toda ardida.

- É mesmo¿ Adoro ameaças. – Ela respondeu. Os dois continuaram andando pelo escritório até que finalmente se encontraram.

- Peguei você. – Jacob disse apalpando o corpo dela.

- Agora cumpra as suas ameaças, meu garanhão. Prova que você é o melhor. O mais gostoso do mundo... Ãnnn Oh Jacob! - Ela gemeu quando ele começou a tirar o roupão. Sentiu os lábios dele em seu pescoço, deslizando a língua pela sua pele. Ele foi subindo os lábios e tomou a sua boca. Devorou-a com fome animal. Ela pulou em sua cintura e prendeu as pernas. Na empolgação os dois caíram no chão.

-AIIIII!

- Machucou¿ - Ela perguntou.

- Não! Vamos aproveitar a posição. Agora cavalgue em mim, bebê. Vamos fazer cavalinho. – Ele estava deitado de costas no chão e ela montada sobre ele. Abriu o seu roupão e começou a beijar o seu tanquinho... Que corpo delicioso o dele.

Lambeu, beijou e mordeu tudo o que podia e o que também não podia. Ele aproveitava as suas peripécias para penetrá-la com um, dois... Três dedos. Era uma tortura deliciosa, sentia a nata quente e a sua fenda se contraindo. Os gemidos que emitia eram como músicas para seus ouvidos.

- Necessito de você, bebê...Agora.

- OH, não! O jogo continua, amor – Ela disse de forma zombeteira.

- Agora é você quem vai me torturar¿- Ele perguntou.

- Sabe que fazer amor no escuro é ainda mais excitante. Eu não posso ver nada, mas sinto cada pedaço da sua pele deliciosa. E fico imaginando como será o meu parquinho no escurinho do cinema... Ai que delicia! – Disse manhosa.

- Vai me matar, bebê. Preciso muito de você. – Ele implorou. – Vou tirar a lenço.

- Não! Nada disso! No escurinho é mais gostoso. – Ela começou a descer os lábios pela sua barriga e chegou até o seu “parquinho”.  Segurou o e começou a mover os dedos de forma delicada. – Queroxuparbanana! – Passou a língua no cumprimento. Era totalmente diferente a sensação de tocá-lo as cegas. Ela podia sentia a pele sedosa, o gosto levemente salgado da pele em sua língua. Podia imaginar o tamanho do cumprimento, que já havia visto muitas vezes, mas simplesmente não via. Estava as escuras e aquilo só tornava o jogo mais excitante. Sentia o movendo os dedos em seus cabelos e a pele musculosa se contraindo no chão. Isso só fazia o seu desejo se multiplicar e seu corpo gritar por mais e mais sacanagens. Ela queria tudo dele... Exatamente tudo.

Levou a boca até a sua “anaconda”  e começou a chupar, chupar e chupar enquanto movia a boca para frente e para trás estimulando o. – Isso, bebê! Ai está gostoso... Uiiiii Muito gostoso! Mais rápido, minha gatinha manhosa! Arggghhhhh! Oh, Ness você chupa bem! Não para! Por favor, não para agora! – Ela, em um gesto malvado, querendo provocá-lo porque sabia que teria conseqüências se afastou de engatinhou para longe – Aonde você está¿ Ness¿

- Agora você terá que me pegar. Miauuuuu! – Ela engatinhou para longe.

- Você me pega! - Ele começou a engatinhar no chão e agarrou as suas pernas. – Agora você vai sentir o que é um homem possuído. Vou te mostrar que você é minha para amar, proteger e “FU” muito. – Puxou o corpo dela e em um gesto rápido se pôs sobre ele. – E agora¿ Hum¿

- Me pega! Bate! Joga na parede! Faz tudo comigo.- Ela começou a se contorcer no chão como uma lagartixa. Ele segurou os dois joelhos com as mãos e abriu as pernas.

- Agora você vai provar do seu próprio veneno. – Ameaçou e começou a chupar o seu corpo. Abocanhou o seu seio e chupou com força até que ela gemesse algo. Ela sentiu os espasmos em seu corpo apenas com os chupões e lambidas. A língua mágica percorreu cada pedaço até chegar a zona proibida. E lá... Bem! Lá ela começou a fazer estragos.... Oh como ele lambia gostoso.

Ness sentia o corpo se convulsionar sobre o chão e parecia uma cabrita. Os gritos certamente eram ouvidos até a entrada da casa. Mas os dois... Estavam em um momento tão bom que... Se “FO” os empregados... E continuou a gritar  enquanto a língua dele fazia caracóis sobre o seu clitóris. Ele açoitou de forma deliciosa e depois de torturá-la até provocar vários orgasmos, penetrou a sua fenda com a língua.... Gosh como aquilo foi bom.


- Jacob! Oh Jacob! OHHH!!! AHHHHHH!!! RIIIRRRRRRRRIIIRRRR Oh mais! Mais!MAIIIIISSS! – E ele continuava açoitando o seu clitóris. E chupava, lambia, serpenteava, chupava, lambia e serpenteava. Como prometeu, ele a provaria que era o melhor. Faria implorar que parasse e quanto terminasse... Bem, ela não teria forças se quer para gritar o seu nome. – ÃNÃNÃNÃNNNNNNN! – Mais orgasmos se seguiram e Jacob continuava a torturar Ness no chão do escritório e quando percebeu que ele mal tinha forças para gemer, ele se encaixou entre as suas pernas e a penetrou profundamente. Ela emitiu um grito estridente, que seria até mesmo capaz de quebras os lustres da casa. – JJJJJAAAAACCCOOOOBBBBB!!! – Então, como prometido, ele começou a penetrar duro e fundo. Cada estocada parecia romper a sua alma. Ele sentia se possuído por um desejo que o rasgava por dentro. Quando mais entrava e saia, mais a loucura dominava o seu corpo. O seu corpo pingava suor e já não tinha se quer forças nos braços para se apoiar com as duas mãos. Deitou o corpo sobre o dela e continuou  estocar mais rápido que podia, apertando os seus ombros enquanto entrava e saia. Ness ria, chorava e gemia baixinho nos orgasmos que dominavam o seu corpo e Jacob continuava penetrando fundo, mas a catarse nunca chegava. Parecia um vulcão anunciando uma erupção que não chegava. Até que... Explodiram os fogos de artifícios e Jacob viu o seu em um espetáculo resplandecente.... O gozo foi espetacular.

Os dois continuaram ali no chão, trêmulos, suados e sem forças para se moverem. E depois de alguns minutos, Jacob tirou a sua venda e a de Ness. Observou o seu rosto, digno de uma pintura de um grande pintor e sorriu. Ela era a coisa mais linda do mundo e o seu sorriso de satisfação valia qualquer coisa. Era a sua recompensa depois de tantas tormentas que viveram. Era a mulher da sua vida certamente. – Amo você. – Ele conseguiu sussurrar em seu ouvido pela primeira vez as palavras mágicas. Viu as lágrimas, de felicidade, escorrerem pela sua face angelical.

- Eu esperei tanto por isso. – Ela disse beijando o seu rosto.

- Eu sempre quis dizer.

- Eu quero ouvir todos os dias.

- Eu certamente o direi... Amo você, bebê. – Ele disse beijando a sua testa.

- Você conseguiu tocar a minha alma.

- Fico maravilhado com isso.- Ele a abraçou forte e se sentiu feliz pela primeira vez em muitas horas.

[...]

Dois meses depois

Faltavam duas semanas para o aniversário de Ness e Jacob queria fazer lhe uma surpresa. Os dois meses que se passavam foram bem tensos. Os dois não tiveram privacidade para sair e fazer programas de adolescentes. Festas em não nem se fala. Com um assassino a solta, a espreita dos dois, não podiam se quer pensar em sair para curtir a noite. Isso sem falar nos repórteres que não os deixavam em paz.

Agora, no entanto, era diferente. Era o aniversário de sua “esposa”, o primeiro de muitos que passavam juntos, e queria que fosse perfeito. Não deixaria que todos os problemas os afastassem de uma pequena diversão.

Jacob estava tramando há alguns dias com as amigas de Ness. Contudo, a cada dia que se passava, ficava mais complicado ter uma conversa particular com elas. Assim, tinha que praticamente sussurrar ao telefone quando não estava perto.

Ness havia acordado bem cedo naquela manhã. Já estava acostumada ao desjejum com os avós pela manhã. Levantou-se e depois de se arrumar foi para a sala de jantar. Jacob aproveitou a ensejo para ligar para Claire.

- Alô! Precisamos falar rápido. Fiquei de descer para tomar o café com os avós de Ness. – Jacob disse ao telefone.

- Bem, conseguimos um lugar super transado. Pelo que vimos será possível um esquema de segurança bem eficaz para vocês. E podemos colocar convites com cartão magnético, assim ficará difícil a entrada de penetras. – Disse a garota.

- Ótimo! Precisamos nos reunir para conversarmos pessoalmente. Temos que nos encontrar ainda hoje. Ninguém pode nos ver juntos. Ness então nem se fala. – Jacob disse.

- E como faremos¿ - Ela perguntou.

- Eu passo uma mensagem para você assim que a barra estiver limpa.Ness e eu temos aulas separados hoje. Nos encontramos em um local bem escondido. Se ela desconfiar que estamos nos encontrando, matará a nós dois.


Jacob sussurrava ao telefone e Ness estava do lado de fora escutando o final da conversa. Ela havia se esquecido da bolsa e voltou ao quarto para pegá-la. Quando percebeu que estava aos cochichos com alguém, preferiu se ocultar  e tentar entender o que se passava.

“Eu passo uma mensagem para você assim que a barra estiver limpa.Ness e eu temos aulas separados hoje. Nos encontramos em um local bem escondido. Se ela desconfiar que estamos nos encontrando, matará a nós dois.”

- O que está acontecendo¿ Ele está me traindo¿ Eu mato a galinha que está tendo um caso com ele e capo esse FDP! – Disse baixinho, sentindo a raiva a consumir. Quando ouviu os passos de Jacob para a porta, recuou e voltou no corredor até a escada. Não queria que ele soubesse que ela havia escutado tudo.

Jacob saiu correndo do quarto e quando chegou as escadas, encontrou com Ness. Ela fez cara de dissimulada e fingiu que nada acontecia. Queria pegá-lo no flagra e não estragaria tudo tendo um ataque de ciúmes.

- Ness¿ Não estava com seus avós¿ - Ele perguntou.

- Vim pegar a minha bolsa. – Ela respondeu. – Já o encontro lá em baixo. – Continuou o seu caminho até o quarto, ainda bufando de raiva, e ele percebeu pelo tom áspero de sua voz que algo ia mal.

Ness passou alguns segundos no quarto. Contou até vinte, respirou fundo e foi para a sala de jantar. Não queria olhar para Jacob, não queria sentir o cheiro ou ouvir a sua voz. Sabia que perderia a compostura se estivesse com ele. Aquilo naquele momento era inevitável.

Quando ela finalmente chegou ao local, ele e seus avós já estavam tomando café.

- Demorou. – Ele disse franzindo o cenho, enquanto a observava se sentando. Percebeu a postura rígida de seu rosto. Certamente estava tensa.

- Passei no banheiro antes. – Ela respondeu com mau humor.

- Pode passar o leite¿ - Ele pediu e ela empurrou com má vontade. Alice e Herman começaram a observar a forma fria da neta. Perceberam que havia algo errado e a avó logo a questionou.

- Algum problema, querida¿ - Ela perguntou com jeito amável.

- Só TPM. – Ness respondeu sem olhá-lo.

- Não! Você não estava de TPM há uma hora. O que se passa¿- Jacob perguntou arqueando uma das sobrancelhas.

- Você está me questionando¿ Está colocando em dúvida a minha TPM¿ - Ela perguntou com a voz ameaçadora.

- Não vamos conversar sobre “coisas”  na frente de estranhos. – Ele disse observando os Preston, que ficaram desconfortáveis. Eles já estavam juntos há dois meses e Jacob ainda não havia se acostumado com a presença. Sempre deixava claro que eram                “intrusos”  na casa. Ele escutou partes de conversas do Sr Preston com mordomo. Havia indícios que estavam juntos tramando algo. Não gostava da situação e deixava tudo bem claro para os dois. Não via  a hora e se ver livre. Queria mais vê-los pelas costas.

- Meus avós não são estranhos. – Ness respondeu trincando os dentes. Os Prestos olhavam para Ness, ora para Jacob e se voltavam para Ness. Estava bem claro que começava uma pequena guerra conjugal. Mas não entendiam bem o motivo.

- Não falaremos sobre isso agora. Passar um pedaço da torta, por favor¿- Ele pediu de forma rígida. Já estava começando a se incomodar com o clima tenso. Ness não gostou da forma como ele falou, como se fosse o dono da última palavra, e praticamente jogou o bolo quando o empurrou com a mão. Ele virou inesperadamente e caiu sobre a blusa de Jacob, que soltou um bufo de irritação.

- Fez de propósito. – Ele acusou.

- É¿ Acho que não. – Ela respondeu ironicamente.

- Fez sim! – Ele disse novamente. – Está agindo como criança. – Os avós de Ness arregalaram os olhos e continuaram atentos a discussão. Já haviam presenciado os dois em pequenas crises. Mas normalmente os dois apresentavam um humor aceitável nessas ocasiões. Agora, no entanto, Ness estava com os olhos cuspindo fogo e Jacob com uma expressão irritadiça mais do que normal. Sabiam que a coisa não terminaria nada bem.

- Não ouse a me chamar de criança. – Ela retrucou e mordeu um pedaço de queijo sem olhá-lo.

- OH! Muita adulta você. Quando é contrariada em algo fica toda bravinha. Se isso não é atitude de criança... – Ele hesitou. – Pera ai! Já vi fazer coisas piores como gritar com atendentes, humilhar suas amigas e fazer birra com a Tanya. – Ele mexeu fundo na ferida e ela sentiu o sangue ferver.

- Não se atreva a falar naquela vagabunda na “minha”  mesa de café da manhã. – Ela se controlava para não gritar. Levo o copo de suco a boca e tentou beber um pouco para não falar algo que pudesse se arrepender depois.

- Ai que medo! – Ele disse rindo de forma provocativa. Sabia que a deixaria ainda mais irritada. Mas ela havia começado a briga. Não ele.

- Cala essa boca antes que eu... – Ela se inclinou na mesa e apontou o dedo para ele.

- Antes que você o que¿ - Ele se inclinou e segurou o dedo dela.

- Meninos, o que é isso¿ - O avô perguntou.

- Não se meta em discussão de casais. – Jacob respondeu com raiva.

- Não fala assim com meu avô! – Ness ordenou.

- Senta e tome o seu café bem tranqüila. Conversaremos sobre nossos problemas depois. – Jacob soltou o seu dedo e fez sinal para que sentasse.

- Não se atreva a falar comigo assim. – Ness pegou o copo de suco e por instinto atirou o liquido no rosto de Jacob. Por alguns segundos ele não teve reação. Depois pegou o copo com achocolatado e atirou o liquido no rosto dela.

- Quites¿ - Jacob perguntou furioso.

- SEU FDP! – Ela gritou furiosa, pegou o prato com o bolo e levou até o rosto dele, deixando o completamente sujo. Começou uma risada histérica, enquanto Jacob tentava limpar o seu rosto. Estava coberto com o glacê do bolo e ainda perplexo com o acontecimento. Viu quando os avôs Preston se levantaram da cadeira, afastando-se da mesa. Certamente sabiam que a coisa só pioraria e não queria estragar ainda mais. Jacob pegou o prato com mamão amassado e jogou a fruta pegajosa nos cabelos dela. Ali começou uma guerra de comidas e enquanto se xingavam atiravam toda a comida que podiam.

A comida começou a voar de um lado para outro para sala e nem as paredes se safaram da “pequena”  discordância dos dois.

- Satisfeita¿ - Jacob perguntou caindo na gargalhada, todo sujo de comida e molhado com café,suco e leite.

- Eu¿ Eu te odeio, Jacob Black! – Ela disse bufando e começou a rir também. Era engraçado aquela criancices. Nunca achou que acabariam brigando daquele jeito e completamente sujos com o café da manhã. Virou o rosto e olhou os avós no canto da sala, observando a cena esdrúxula que acabavam de ver. Riu ainda mais da expressão de espanto dos dois.  – Só você para me tirar completamente do sério. – Ela tentou controlar a risada.

- Vamos tomar um banho¿ Estamos podres e tenho certeza que os seguranças vão de se divertir ao nos verem assim. Proponho que tomemos um banho e troquemos de roupas logo. Não quer estragar a sua reputação. Quer¿  - Ele estendeu a mão e ela a aceitou.

- Bom dia, vovô e vovó! – Ness disse de forma dissimulada, enquanto caminhavam para a porta. Agiu como se nada houvesse acontecido. O mordomo entrou e balançou a cabeça em sinal de negativo.

- Eles sempre encontram um motivo para brigar. – Ele disse com mau humor de sempre. – Já deveriam ter se acostumado com isso. Ultimamente a coisa ainda bem melhor do que o costume.

- Eles sempre brigam, mas não desse jeito. – Alice Preston disse.

- Eles gostam de ter um motivo para brigar.- Herman disse para ela.

- Isso os excita, senhora.Desculpe a forma de falar, mas é um jogo. Daqui a pouco começam os gemidos  e os gritos. Eu ainda me demito desse emprego... – Disse constrangido.

- Não faça isso, Gregory. – Alice pediu.

- Não tenho mais idade para esse tipo de coisa. – Ele respondeu e começaram ouvir as gargalhadas no corredor de cima. – Não disse! Apenas procuram um motivo para brigar e fazer as pazes.

Dito e feito. Dez minutos depois os gemidos começaram a soar pela casa. Fizeram as pazes, depois daquele tremendo barraco, de forma triunfal.


Ness ficou de olho em Jacob o tempo todo e encarregou as suas amigas de tomarem conta de todos os movimentos. Os espiões já estavam trabalhando a seu favor. O que ela não sabia, era que elas eram cúmplices dele. Justamente por isso sua rede de contato nunca encontraria nada. Assim duas semanas se passaram sem que descobrisse com quem Jacob andava de cochichos.

[...]

Duas semanas depois

Na manhã do seu aniversário, Jacob fingiu não se lembrar e deixou ordens para os empregados também fingiram não saber. Também pediu ajuda, mesmo que a contra gosto, para os avós dela. Planejando tudo perfeitamente. Ela acharia que ninguém se lembrava do seu aniversário, sentindo-se abandonada.

No colégio, as pessoas agiam como um dia normal, tirando o fato de todos estarem preocupados com um possível psicopata entrando no colégio para atirar o casal. Essa indiferença, mais que um fingimento, deixava Ness totalmente chateada. Era a primeira vez que ninguém se lembrava do seu aniversário, que não era ovacionada com pelos seus fãs.

Em relação a Jacob se sentia ainda mais chateada. Sofria pelo descaso, mesmo assim preferiu não falar nada. Não iria se rebaixar para ele... Não mesmo.

O dia transcorreu sem maiores problemas. Os dois conversaram o habitual: Uma forma de encontrar pistas sem deixar que ninguém percebesse que investigava.

O problema era justamente esse. Tinham muitos seguranças, O FBI tomando conta da cidade e da escola, principalmente, e muitos repórteres que circulavam pelo local como se fossem moradores. Onde quer que fossem, eram vigiados por muitas pessoas. Não havia como investigar nada e não queriam colocar os amigos em perigo. Por isso tiveram dois meses terríveis, a espera de um novo assassinato, pista ou oportunidade para agir.

A tia de Claire não se lembrou dos nomes dos estudantes na foto. E não encontraram o livro do ano em que Carlisle se formou. Tudo era complicado naquele momento... Exatamente tudo.

- Precisamos fazer algo! – Ness repetia isso todos os dias, deixando Jacob estressado. - Não achamos nada na biblioteca da escola. Precisamos procurar pistas. – Ela insistia.

- Como faremos isso¿ Não dá para fazer nada sem que nos vejam. – Jacob insistia – Prometo que faremos algo. – Ele afirmou.

- Não consigo ficar parada. – Ela insistia enquanto colocava a bandeja sobre a mesa no refeitório.

- Vamos agir! – Ele colocou o dedo em seus lábios. – No momento certo. – Aquela foi a sua ultima palavra do dia sobre aquele assunto. Não iria discutir pela milésima vez aquele assunto com ela.

No final das aulas voltaram para a casa, como sempre seguidos pelos seguranças. Ness foi direto para o seu quarto tomar um banho e se deitar. Jacob foi para o escritório conversar com o seu avô. Ele precisava pegar o último cheque para pagar os gastos da festa de aniversário.

Caminhou lentamente até o escritório e ouviu vozes. Parou na porta e ficou em silêncio ouvindo a conversa.

- Precisamos agir logo. – Sr Preston disse.

- Tudo o que sabia eu já disse. Entreguei o documento que achei para Paladino. Não tenho culpa se esse documento se perdeu. – O mordomo falou.

- Estamos com pouco tempo. O cerco está se fechando e se não agirmos logo as coisas podem piorar. – O outro respondeu.

- Tente convencer a sua neta a estender a estadia.

- Vou tentar colocar isso na cabeça dela sem que perceba. Enquanto isso precisamos agir. Quanto mais rápido terminarmos com isso será melhor.

- O senhor precisa ser cauteloso. – O outro falou.

- Mais do que tenho sido¿ O rapaz é complicado e só dificulta as coisas para mim. – Nesse momento Jacob ouviu um barulho atrás e parou para ver quem via. Deu de cara com a senhora Preston.

-Jacob, querido, não lhe disseram que é feio ouvir atrás da porta¿ - Ela perguntou. – Mas serei discreta e não falarei nada a ninguém.

- Eu estou na “minha casa” e não estou ouvindo atrás da porta. Só vim conversar com o seu marido sobre o cheque para pagar o resto dos gastos da festa. – Jacob respondeu tentando segurar os ânimos.

- Tudo bem, querido! Vamos lá falar com Herman. – Alice disse, caminhou até a porta e bateu duas vezes. A porta abriu e o mordomo saiu. Fez um sinal com a cabeça e abriu passagem para os dois.

Jacob estava irritado demais para conversar. Somente pediu o cheque e depois saiu. Naquele momento ficou claro para ele que havia um segredo. O avô de Ness e o mordomo eram cúmplices em algo grande. Algo que poderia ter haver com as mortes que estavam ocorrendo. Ele estava claramente armando algum tipo de complô e Jacob precisava descobrir o que era. Se antes estava incomodado com a presença, naquele momento era imperativo irem embora.

[...]

O telefone tocou três vezes e finalmente o homem atendeu. Já estava ficando impaciente com aquela demora toda.

- Alô!

- Finalmente me ligou. Fez tudo o que pedi? – O homem perguntou do outro lado da linha.

- O local já foi revisado pela segurança e pelo FBI. Eu consegui um emprego na nova equipe que Dane contratou. Consegui vistoriar o local da festa sozinho e encontrei uma possibilidade. A planta do prédio me ajudou muito na solução que precisávamos.

- Achou um modo de tirar a garota sem ser visto?

- Sim! Encontrei e o local do cativeiro já está preparado também. Quando ela estiver em meu poder eu lhe dou as coordenadas. No momento só preciso que saiba que tudo está correndo conforme planejado.

- Mas haverá câmeras filmando o local? Como sairá de lá com ela sem ser visto? Não quero tiroteio e nada que chame a atenção do FBI.

- O FBI enviou três agentes para cobrir a festas. Estarão a paisana misturados aos convidados, mas isso não será problema para mim. As câmeras no corredor do banheiro não estarão funcionando. Eu já cuidei disso. Tenho a rota de fuga, o carro no local da saída e uma distração preparada. Eles vão achar que a garota está no banheiro e quando se derem conta de que sumiu, estaremos bem longe de lá.

- Não pode haver falha! Entendeu? – O homem disse em tom severo.

- Não haverá falha. Posse te garantir.

- E ninguém o reconheceu? Afinal circulou pela cidade por meses.

- Eu estou bem disfarçado e tenho ótimas referencias. Já esqueceu que fui fuzileiro naval e trabalhei para uma agência secreta? Dane averiguou todas as minhas referências. Não haverá motivos para desconfiar de mim. Levarei a garota para o cativeiro e voltarei para a festa sem ser notado.

- Siga com o plano da forma mais limpa possível. Nos vemos amanhã. – Deu uma gargalhada diabólica. – Não vejo a hora de colocar as mãos nessa Vadia.

- OK! Manteremos contato. – Disse e desligou a ligação. Dessa fez era uma questão de honra fazer tudo certo. Havia falhado várias vezes ao longo desses meses. Até o momento nunca teve uma oportunidade real para por as mãos em Renesmee Black. Agora faria tudo com extrema perfeição e em algumas horas seu trabalho estaria quase terminado. A única coisa que teria que fazer antes de finalmente partir, seria eliminar Jacob Black. Não era homem de cometer erros e não sairia desse trabalho com o nome sujo. Disso tinha absoluta certeza.

[...]


A noite, finalmente, ele se deu por rendido e confessou se lembrar do aniversário dela, que por sua vez estava furiosa por passar o dia inteiro esperando um gesto de carinho.
Os dois se arrumaram, impecáveis em roupas sociais e elegantes para a balada, e saíram de casa seguidos pelos seguranças.

Ness pensou que iriam curtir o aniversário em algum restaurante ou que haveria uma surpresa, daquelas bem especiais que os homens fazem em navios, aviões ou hotéis de luxo. Nem esperava, diante a tudo o que estavam passando, em ter uma festa surpresa em uma boate de luxo. Ficou ansiosa para saber o que Jacob faria e ele me momento algum abriu o jogo. Só se deu conta do que estava acontecendo quando chegaram a porta da boate.

Ficou de olhos arregalados observando a quantidade de carros e de segurança na porta do local. E quando saíram, viram muitos dos seus amigos vestidos de forma impecável. Não era to tipo de festa, que se vestia como “periguete” . Era um evento luxuoso e bem organizado. A boate, por si só, deveria cobrar muito para um evento fechado.

Seus olhos ficaram cheios de lágrimas. Realmente não esperava aquele tipo de surpresa.

- Agora sabe o motivo de eu andar de cochichos ao telefone. – Ele disse no ouvido dela enquanto caminhavam pelo tapete vermelho até a porta da boate.

- Eu nem acredito... Como preparou isso? – Ela perguntou curiosa.

- Na verdade suas amigas fizeram quase tudo. Eu só entrei com as idéias e o dinheiro. – Ele respondeu, passando a mãos por trás de suas costas para abraçar a sua cintura.

- Você é um mentiroso profissional, mas eu te perdôo. Me deixou todos esses dias em cólicas por você andar de conversinhas pelo telefone. Cheguei a pensar que tinha uma amante. Sabia? Estava a ponto de cortar o seu amiguinho fora.

- Você não faria isso com seu parquinho de diversões. – Ele disse em tom presunçoso.

- Não faria? Você não me conhece mesmo, Jacob Black. – Ela respondeu com uma risadinha.

- É claro que conheço. Acha que não medi as conseqüências? O máximo que você faria seria quebrar a casa toda em um acesso de fúria. – Ele respondeu.

Os dois entraram no local e ela observou todo o ambiente. Era muito elegante e confortável. Praticamente todos os jovens de Forks, La Push e adjacências estavam dançando na pista de dança. Era mais do que podia sonhar naquele momento.

- Como fez com a segurança? Não é perigoso? – Ela perguntou em seu ouvido.

- Temos seguranças disfarçados de convidados, câmeras na entrada e nos corredores. Será muito difícil alguém fazer algo aqui dentro. Acho que o FBI também está a postos. Dane estava fazendo os acertos com eles ontem.  – Jacob respondeu.

- HUM! Vejo que planejou tudo muito bem. – Ela respondeu.

- Todos os detalhes. Agora vamos aproveitar a noite. – Os dois caminharam para a pista de dança. Lá ela encontrou suas amigas super animadas com seus parceiros. A dança era eletrizante e sensual. Bem sensual ao melhor estilo do Hip Hop americano. As luzes coloridas rodavam pela pista dando um clima os corpos que se moviam de forma sinuosas. Ali não havia perigo, ameaças e muito menos preocupações. Só queriam se divertir  aproveitando o máximo que poderiam tirar daquela noite.


Por volta das onze horas Ness sentiu vontade de ir ao banheiro. Já estava dançando há umas duas horas na pista de dança. Havia bebido um pouco de vodca e precisava muito se aliviar antes de voltar a se mexer. Amava dançar e exibir o corpão que tinha. Mas desde que começou um “real”  casamento com Jacob que não saia para se divertir.

- Vou ao toalete. – Sussurrou no ouvido dele.

- Não quer que suas amigas a acompanhem?  - Ele perguntou um pouco preocupado. Saiba que era ridículo esse tipo de cuidado. O local estava cercado e não haveria como nada de errado acontecer. Mesmo assim não se sentia confortável em deixá-la ir sozinha.

- Não! Vou rapidinho, amor! Não precisa se preocupar. – Respondeu e se desvencilhou dele em direção ao banheiro.

Na parte superior alguém a observava atentamente. Estava esperando o momento certo para agir. Saia quem em algum momento ela iria ao banheiro. Assim ficou de tocaia, disfarçado de segurança, e esperou o momento certo para ir ao local.

Caminhou sorrateiramente entre as pessoas, observou se não havia ninguém o vendo. A câmera de segurança em frente ao banheiro já não estava funcionando. Tratou de tirar a bateria assim que chegou para vistoria mais cedo. Dessa forma não haveria como averiguarem as imagens depois.

Entrou no banheiro e percebeu que havia alguém dentro da cabine. Mais que depressa abriu a porta e imobilizou a garota que estava sentada no vaso sanitário. Amarrou seus braços e sua boca com um lenço, depois fechou a porta da cabine por fora.

Entrou em outra cabine, colocou uma touca, do tipo ninja, que só deixava os olhos de fora. Ficou esperando em silêncio e observou pela fresta da porta. Viu quando Ness entrou e se dirigiu até uma das cabines. Saiu, foi até a porta, pegou uma das cadeiras que estavam no canto e colocou prendendo a maçaneta. Rapidamente foi até a cabine onde Ness estava, abriu  e a observou com os olhos espantados.

- Quietinha! – Ameaçou puxando a pelo cabeço. Pegou um punhal que estava preso em seu tornozelo e colocou em seu pescoço. – Vamos sair daqui sem fazer barulho. Entendeu¿ Se você tentar fazer algo engraçadinho, nunca mais verá a luz do sol. Eu a deixarei cega. Enfiarei essa lâmina nesses lindos olhinhos azuis. – Ness assentiu com a cabeça. Já sentia as lágrimas descendo pelos seus olhos e inundando a sua face apavorada. – Ouça o que vou dizer e não faça nada de que possa se arrepender. Entendeu¿- Ele perguntou mais uma vez e ela assentiu novamente. Estava apavorada demais para pensar em algo. Não conseguia nem gemer. Quanto mais gritar, lutar ou tentar fugir. Foi totalmente paralisada pelo medo. – Vamos sair pela tubulação de ar. Você vai primeiro e vai me esperar. Se tentar escapar, uma pequena armadilha vai matá-la. Coloquei bombas pelo caminho e se você tentar fugir, fará essa boate, com todos nós, ir pelos ares. Não que ver seus amigos e maridinho mortos¿ Quer¿- Ela negou com a cabeça. – Então suba de vagar e não faça nada imprudente.

O assassino soltou os cabelos de Ness e arrastou pelo braço até o canto do banheiro. Abriu a pequena janela de alumínio da tubulação de ar e a ergueu para entrar no buraco. Ness mal podia se mexer com o local tão apertado. Começava a sentir pânico e falta de ar. O local além de apertado era escuro, sujo e cheio de teias de aranhas. Ela queria gritar, mas não conseguia emitir um som. Não conseguia fazer os músculos se moverem. Fechou os olhos e apenas chorou.

Segundos depois, o assassino estava no buraco ao seu lado. Ele tirou a cadeira da porta, limpou todas as pistas, inclusive desamarrou a garota na cabine e foi para o buraco. Como previa, encontrou Ness chorando apavorada no canto. Ela mal respirava. Parecia muito assustada.

Ele pegou o seu punho e começou arrastá-la pelo buraco estreito. Quando chegaram mais adiante, ele pegou um pequeno cilindro e apertou o botão. – A primeira bomba está desarmada.  – Disse para Ness. Se ela pudesse imaginar que aquilo era um blefe, naquele momento estava claro que não. Mas a sua mente estava tão perturbada que não conseguiu pensar em nada lógico. Via ele desligando as bombas pelo caminho e jogando dentro da pequena mochila que carregava, sem entender como aquilo era possível.

O assassino teve alguns dias para preparar tudo. Era claro. Estava disfarçado na nova equipe de segurança e teve livre acesso para deixar todos os acessórios que precisava. Foi até fácil demais armar tudo aquilo. Mas precisava sair dali com a garota e a levar para o cativeiro. O seu trabalho estava quase pronto.

Os dois engatinharam pelos corredores estreitos ouvindo a música alta e sentindo a trepidação causada pela acústica. Quanto mais cedo saíssem dali,melhor para eles.

Chegaram até os fundos da boate, desceram pelo buraco da tubulação de ar e entraram em um velho depósito. Arrastou Ness pelos cabeços e caminhou com ela por um corredor estreito, cheio de quinquilharias, teias de aranhas, alguns ratos e sacos velhos. Quando encontraram uma pequena portinhola ele abriu a porta, fez Ness descer as escadas e depois seguiu atrás.

Os dois estavam nos esgotos e agora teriam que caminhar um certo tempo até chegarem ao outro lado da rua. Ele havia deixado o furgão a espera em um local onde os seguranças não pudessem ver. Mas a caminhada era longa.

Ness caiu várias vezes na água suja. Aquilo a fez despertar de seu estado catatônico, tentando gritar e correr. O assassino ficou impaciente com a sua rebeldia e em uma luta, desfavorável para ela é claro, deu um golpe em sua cabeça deixando a desacordada. Pegou a no colo e a jogou sobre os ombros... Aff a mulher era pesada apesar de magrinha.

Continuou andando um tempo, pedindo aos céus que não houvessem dado a alarme do seu sumiço até que chegassem ao furgão. E por sorte logo chegou ao buraco do esgoto que havia deixado destampado. Subiu as escadas com dificuldade, visto que a mulher dificultava os movimentos. E teve ainda mais problemas para sair do buraco e tirá-la. Não contava em ter que apagar a garota. Aquilo só atrasava o seu serviço.

Depois que conseguiu tirar Ness pelo buraco saiu e saiu finalmente.

Ele a colocou deitada no furgão, entrou e deu partida para um destino desconhecido.

[...]

Jacob estava impaciente. Ness já havia saído mais de vinte minutos e nada de voltar. Saiu da pista de dança e foi para o bar beber. Seth se sentou com ele e puxou um pouco de conversa.
O tempo continuava a passar e ela não voltava.

- Carly, você não pode ir procurar a sua amiga¿ - Jacob pediu.

- Eu vou ao banheiro. Já volto com sua mulher. – Ela respondeu e saiu.

Jacob continuou a esperar. Observava o ambiente sentindo o nervoso o consumir. Algo lhe dizia que as coisas não iam bem. Começou a suar frio. Passou a mão na testa e limpou o suor. Olhou a pista de dança e naquele momento o coração apertou. Uma angustia o feriu no fundo do coração. Soube que algo havia acontecido.

Levantou-se da cadeira e caminhou em direção aos banheiros, encontrando Carly no caminho.

- Ela não está lá. – A menina disse.

- Como assim ela não está lá¿

- Não está!

- Vou pedir aos seguranças para a localizarem. Reúna as suas amigas e a procurem também.- Jacob correu até a porta onde estava Dane e o chamou.

- Ela sumiu. – Ele disse apavorado. Se pudesse ver o seu rosto, o teria visto mais branco do que uma folha de papel.

- Sumiu¿ Como¿ Ela não saiu da boate. – Ele respondeu e fez sinal para os seguranças com as mãos.

- Ela foi ao banheiro e sumiu. – Disse desesperado.

- Vamos achá-la. Não pode estar longe.

- Não quero que dê alarde. Sejam discretos. – Jacob ordenou e saiu para procurar Ness. O que ele não sabia era que naquele momento ela já estava muito longo e correndo um grande perigo.


Nota Glau
Meninas, cheguei mais cedo do trabalho e parei para fazer uma rápida revisão no cap.
Bem, esse cap já iniciaria com uma passagem de dois meses, mas como vcs ficaram empolgadas com o final do cap passado, resolvi iniciar com um “pequeno” lesco lesco. Espero que gostem.

Eu já conversei com a Heri e enviei mensagem para a Leka.
Cada dia fica mais difícil escrever e me dedicar as fics, as leitoras e ao site como gostaria.
Mas a minha vida é bem complicada e estou mentalmente esgotada.
São dois anos (acho) me dedicando a escrita e chega uma hora que a cabeça já não agüenta.
Eu amo ler. Vocês sabem disso. E ultimamente tenho que decidir entre ler e escrever, pois o meu tempo é cada vez mais curto.
Não tenho a recompensa que gostaria. Escrever já não me faz tão feliz quanto antes.
Acho que isso tudo é culpa de vocês que me acostumaram mal.
Eu quando escrevia Opposing souls vivi praticamente no céu e não me dei conta de que nada que fizesse depois superaria essa fic. Por isso a Herdeira acabou se tornando uma decepção, assim como Galope para felicidade, a song fic vento no litoral e agora Guerra dos sexos.
A maioria das vezes, enquanto escrevo, me sinto frustrada e não quero mais continuar.
Tenho um compromisso de finalizar a fic e por isso vou até o fim. Mas já não tenho pique e tesão para escrever. Antes eu vencia o meu cansaço pela empolgação. Agora já não consigo fazer isso.

Eu fiquei feliz com as palavras da Dani e da Ana Rita. Eu realmente não sabia que Opposing souls foi tão importante para muitas de vocês. E agradeço imensamente o carinho.
Como já notaram, a fic já tem uma passagem de dois meses. Eu vou cortar alguns fatos e tentar ser o mais sintética possível para vocês entenderem o motivo e o assassino.
Depois não voltarei a postar. Não digo que não voltarei a escrever, pois sei que sempre que estiver estressada escreverei algo. Mas o que fizer guardarei para mim.

Quem quiser continuar me acompanhando, é só entrar no facebook e no meu blog.
Vou abrir um menu para resenhas e dicas, onde comentarei os livros que ler e deixarei link paa ebooks. Se surgir alguma novidade é lá que saberão.

Espero que o cap não tenha muitos erros. Fiz uma rápida leitura para corrigir o máximo que podia. Na semana que vem posto outro.

Dito tudo isso, espero que tenham uma ótima leitura.

A propósito, Vivi, obrigada pela 18 recomendação.

UM GRANDE BJU NO CORAÇÃO DE TODAS.
FUIII

terça-feira, 24 de maio de 2011

CAPÍTULO 22 – SEM CONTROLE

POV EDWARD
Sentia-me nas nuvens. Naquela tarde Isabella tinha me deixado tocá-la mais intimamente. Foi simplesmente alucinante. Jamais experimentara prazer igual. Vê-la tendo seu primeiro orgasmo comigo, gemendo meu nome enquanto seu corpo explodia em espasmos foi mágico, além de todas minhas expectativas.
Relembrei a sensação de meus dedos tocando seu sexo. Isabella estava molhada de excitação. Contorcia, buscando maior o prazer naquela carícia.
Percebi o tanto que ela era pequena e delicada. Penetrei-a levemente com o dedo e senti o quanto era apertada. Tive até medo de machucá-la. Não havia dúvidas de que eu teria de ter muita paciência e cuidado com ela quando fôssemos fazer amor. Poderia ser muito doloroso para ela se eu me precipitasse. Só não sabia como conseguiria me controlar devido ao desejo desenfreado que sentia por ela. Eu estava quase ficando louco de vontade de possuí-la, de sentir-me dentro dela. Ia ser quase impossível me segurar até que garantisse seu prazer. O medo voltou a se apossar de mim. Nunca tinha transado com uma virgem. É claro que sabia como me comportar, mas francamente queria já ter tido alguma experiência. Lembrei-me de alguém que poderia me ajudar.
Liguei para meu melhor amigo em Londres. Emmet era um verdadeiro Don Juan e com certeza teria now how nessa área. Enquanto discava seu número, algo em mim dizia que aquilo tinha tudo para dar errado. Afinal se tratava do doido do Emmet. Realmente eu não estava pensando com a cabeça certa ultimamente. Pedir conselhos para ele era algo insano.
Depois de colocar as fofocas em dias (é, homens também fazem isso), entrei finalmente no assunto.
- Emmet, tem experiência em transar com virgens? – Perguntei, sabendo que me arrependeria logo em seguida.
- Como?... Ah, já estou entendendo... VOCÊ AINDA NÃO DEU UM “CRÉU” EM ISABELLA???  Você gueizô de vez, heim cara! Que vergonha ter um amigo assim! Foi só virar americano de novo...
- Emmet, é sério, preciso que me dê umas dicas. – Tinha de ter uma paciência de Jó para agüentá-lo.
- Só me diz uma coisa, você tá na seca? – Era melhor responder a verdade, mesmo sabendo que ele ia usar isso contra mim pelo resto da vida.
- Nem fala, cara. Já estou com LER na mão.
- KKKKKKK!! Vou te indicar um amigo meu que é psiquiatra. Ele pode te ajudar em relação a isso – falou ironicamente. Ele ria tanto que não agüentava nem falar direito. - Isso é pior do que eu imaginava, cara. Se você for transar com ela assim, a primeira lição de sexo que Isabella vai aprender é sobre “ejaculação precoce”. Você vai gozar nas coxas dela, meu amigo. Olha, Edward, você tem de dar “uma” primeiro. Transar com virgem é parada pesada, cara. Tem de ter paciência e esperar a vez dela. Você tem que agir como Guia Turístico: só mostra o caminho e fica vendo ela se divertir.
“Por que mesmo que ele era meu melhor amigo?”
- É, eu imaginei que fosse assim mesmo.
- Então cara, como é que vai agüentar esperar a vez da garota nessa fissura que se encontra? Só tem uma solução, contrata uma “profissa” e se esbalda. Depois, sim, vai lá fazer sua namoradinha conhecer o paraíso.
- Emmet, está tomando seus remédios na hora certa?
- Que remédios?
- OS QUE EU DEVIA TER TE RECEITADO! Cara, esse foi o conselho mais idiota que você podia me dar. Desta vez se superou!
- Ah é, doutor, então use seus conhecimentos científicos e convença seu pinto a se comportar como um cavalheiro e deixar as damas irem primeiro. Tenho certeza que consegue. – Disse, sendo mais cínico que o de costume.
- Tchau, Emmet.
- Boa sorte, Edward.
Desliguei o telefone mais confuso do que antes. Minha sina era mexer com loucos mesmo.
Por mais doido que Emmet fosse, ele tinha lá suas razões, sua idéia não era tão ruim assim. É claro que jamais confessaria isso a ele. Eu poderia unir o útil ao agradável. Me prepararia melhor para ela e ainda sairia do estado deplorável em que me encontrava. Vai que Isabella desse para trás no nosso próximo encontro? Eu não suportaria mais um dia sequer sem sexo, já estava enlouquecendo.
Peguei a lista telefônica e liguei para uma agência de acompanhantes. Não quis para aquela noite. Ainda sentia Isabella em minhas mãos e dormiria pensando nela. Marquei para a manhã seguinte. Matar uma aula não seria problema.
Liguei para Isabella. Conversar com ela me deixou de consciência pesada, principalmente quando menti que passaria a manhã assistindo uma cirurgia. Senti-me sujo, mas forcei-me a acreditar que era por uma boa causa. Não queria admitir que estava sendo um canalha, então encontrei um motivo altruísta para o que ia fazer. Já tinha visto este comportamento em vários pacientes.
Quando o porteiro interfonou dizendo que uma moça “estranha” queria subir, senti meu coração na boca. Ao mesmo tempo em que queria transar com ela, também sentia que o que estava preste a fazer era uma sacanagem muito grande com Isabella...
Autorizei sua entrada.
Ela se apresentou, mas nem reparei seu nome.
“É só sexo, Edward. Isso não é traição.” Coloquei isso na cabeça e fui adiante.
Ela era loira, tinha um corpo muito bonito e aparentava ter uns vinte anos. Não quis levá-la para meu quarto. Minha cama só seria compartilhada com Isabella. Faríamos na sala mesmo.
Como boa profissional que era, foi logo me entregando algumas camisinhas e tomando a iniciativa. Em pouco tempo já estávamos no maior fogo.
Não se comparava, em termos de emoção, sequer a um beijo em Isabella, mas fisicamente estava maravilhoso. Ela era boa no que fazia.
Transamos em várias posições. Não a beijei.
Estávamos nos finalmente, quando ouvi um barulho e olhei para frente.
Meu sangue congelou quando meus olhos encontraram os de Isabella, parada na porta, me olhando como se estivesse em transe.
- Isa... bella? – Como ela podia estar ali?
Aquilo só podia ser um pesadelo ou um tipo de alucinação vinda de alguma droga que nem me lembrava que tinha tomado.
Não sabia o que fazer, parecia que tinha tomado uma paulada na cabeça. A garota, sem avisar, saiu de cima de mim e quando vi estava lá, sentado de frente para Isabella, com meu membro completamente duro, apontado para cima.
Fechei os olhos desejando a morte. Quando os abri, segundos depois, Isabella estava entrando no lavabo. Pelos sons que ouvia, ela estava vomitando.
- Se a bulímica aí for participar é mais caro – a prostituta falou.
Roguei a Deus que Isabella não tivesse ouvido aquilo.
- Cala a boca!! – Falei entre dentes.
Ela pegou suas roupas espalhadas e foi para dentro. Pedi que ficasse no quarto, pois ainda tinha de pagá-la. Vesti rapidamente minhas roupas e fui ao lavabo ajudar Isabella.
Coloquei minha mão em sua testa, tentando afastar seus cabelos do vaso sanitário. Isabella me empurrou com violência, deixando bem claro que não queria que a tocasse.
Lembrei-me que não tinha lavado minhas mãos. Fui até a pia e as lavei. Não toquei mais em Isabella.
Encostei-me no batente da porta e fiquei ali, sem saber o que fazer, sentindo-me o pior e mais desprezível homem do mundo. Minha felicidade estava se ruindo na minha frente, e a culpa era toda minha.
Isabella se levantou, me ignorando, e foi lavar-se. Assim que terminou, passou por mim e foi para a sala, sentando-se no sofá. Parecia muito fraca. Sua pressão devia estar bem baixa, devido aos vômitos. Colocou a cabeça entre as pernas, provavelmente tentando evitar um desmaio.
Não podia vê-la daquele jeito e não fazer nada. Ajoelhei-me do seu lado.
- Está se sentindo melhor? – Perguntei, num fio de voz que me restava.
Levantou a cabeça e me olhou friamente.
- O que você acha, Edward? – Falou ironicamente. Sua expressão era indecifrável.
- Isabella, não sei nem como começar a me explicar, mas antes de tudo quero que saiba que foi apenas sexo, só isso – comecei a falar, tentando justificar aquela barbaridade que ela tinha acabado de presenciar.
- Apenas sexo... – repetiu minhas palavras. Dava pra perceber que não tinha entendido o que elas significavam, se é que tinham algum.
- Eu não sei onde estava com a cabeça quando tive essa idéia, Isabella, mas achei que se desafogasse minhas necessidades um pouco teria mais controle sobre meu desejo por você e assim não a pressionaria tanto. – Apesar de absurda, esta era minha única explicação um pouco mais coerente. Pelo menos Emmet concordaria comigo.
- Está querendo me dizer que eu sou a culpada por você contratar os serviços de uma prostituta, Edward? – A calma de Isabella estava me preocupando.
- Não é isso, Isabella. Você não vai entender por mais que eu me explique, mas precisa saber que foi só sexo, eu nem sequer a beijei. – Isso tinha que fazer alguma diferença...
- Você fala como se sua língua fizesse parte do seu corpo e seu pênis, não. Como se não fosse você quem estava penetrando aquela moça. Por acaso existe algum outro órgão que usaria se fosse comigo? Um especial para namoradas, devidamente conectado ao seu ser? Aonde quer chegar, Edward? – É claro que ela era muito inteligente para aceitar meus argumentos absurdos.
- Isabella, eu daria minha vida para que não tivesse visto uma cena grotesca como essa. Tenho vontade de me matar por tê-la submetido a um constrangimento desses. Você não merece nada disso, mas mesmo me sentindo um verme, que é como me sinto agora, ainda espero que me perdoe. Essa questão de amor e sexo é diferente na cabeça de homens e mulheres. Vocês são mais emocionais, não separam as coisas, mas com homens é diferente. Pode parecer machismo, mas o que fiz não foi traição, não na minha cabeça. Mesmo assim, por favor, perdoe minha fraqueza. - Só me restava agora implorar seu perdão.
- Edward, percebe o abismo que nos divide? Você não consegue sequer ficar uns meses sem sexo e eu ainda sou virgem aos dezoito anos. Não posso te julgar baseando-me nas minhas convicções. Estamos em tempos diferentes. Nós dois estamos certos, pensando separados... Mas juntos, fica tudo errado. – Preferia que ela começasse gritar e a me xingar do que ouvi-la dizendo friamente que nossa relação era impossível. Gelei por dentro.
- Isabella, nós estamos construindo o “nosso” tempo. Não diga que algo tão forte como o amor que temos é errado, porque não é. Se fiz o que fiz, foi para te dar todo o tempo que precisasse. Não jogue tudo fora agora. – Tinha de convencê-la. Ela não podia terminar comigo, eu não agüentaria.
- Não preciso fazer isso, Edward, você já fez. Não tem mais jeito, acabou. Se antes tinha medo de sexo, agora tenho asco. Procure alguém que te satisfaça plenamente. Eu só posso te dar amor, mas pelo visto o que quer é sexo. – Suas palavras doeram fundo. Ela estava coberta de razão. Eu tinha feito parecer que o sexo era mais importante do que ela. Não só fiz parecer, eu realmente coloquei meu prazer acima do nosso amor. Eu não a merecia.
- Isabella, eu a amo muito, mas não vou ficar implorando que me entenda e me perdoe. Se é assim que quer que as coisas terminem, não posso mais fazer nada. O que acabou de dizer prova que nunca soube a intensidade dos meus sentimentos. Só não quero que guarde mágoa de mim, pois nunca tive a intenção de te magoar. – Tentei parecer um pouco indiferente. Não sei como consegui dizer tudo sem desabar. Sentia as lágrimas brotando a qualquer momento.
- Eu sei, Edward. Também não quero que fique magoado comigo. Vamos nos dar um tempo, depois podemos até ser amigos. – Definitivamente era o fim... O meu fim.
- Isso, Isabella, podemos ser amigos... – Desde que ela permitisse que ficasse perto dela, aceitaria ser qualquer coisa seu, só não suportaria não vê-la nunca mais.
Ela entrou no elevador e me lembrei da pergunta que quis fazer o tempo todo e não tinha feito.
Chamei-a.
- Só queria te fazer uma última pergunta. O que veio fazer aqui? – Não sabia nem mesmo como tinha entrado.
- Nada de especial, Edward. Agora não importa mais – falou tristemente e a porta do elevador se fechou.
E não importava mesmo. Sem ela nada mais importava na minha vida.
Entrei no apartamento e levei um susto ao ver a garota sentada no sofá. Seu rosto parecia assustado. Olhei para aquela menina e percebi que estava diante da minha segunda vítima. Mas uma que eu tinha usado sem me importar com seus sentimentos.
Me odiei naquele momento.
Ela me perguntou se era minha namorada e daí em diante nossa conversa fluiu e eu acabei recebendo uma lição de vida vinda de uma simples prostituta. Thereza, esse era seu nome, me fez recuperar as forças para lutar por Isabella. Ia tentar consertar meu erro e a ajudaria a consertar os seus. Ela sonhava em sair das ruas e eu daria uma mão a ela, lhe devia isso. Um colega do mestrado tinha me dito que estava procurando uma recepcionista para seu consultório e eu iria indicá-la.
Ela saiu cheia de esperança do meu apartamento... E cheia de dinheiro também. Acabei pagando a ela dez vezes mais do que o combinado, mas ela fez por merecer. Era uma excelente terapeuta.
Tentei ligar para Isabella, mas seu celular estava desligado. Liguei em sua casa, disseram que não estava.
Desisti, sabia que por telefone não conseguiria nada.
Tomei um banho. Estava saindo do banheiro, nu como vim ao mundo, quando dou de cara com minha vó sentada em minha cama, me fuzilando com os olhos.
- Vó? – Por acaso estavam distribuindo chaves do meu apartamento no semáforo da esquina?
- Eu devia te dar uma surra, menino!!! – Disse, possessa de raiva.
Puxei rapidamente o travesseiro, colocando-o na frente do meu corpo. – Ficar pelado na frente da avó aos vinte e cinco anos de idade não era algo muito confortável.
- O que foi que o senhor aprontou para deixar a Bella daquele jeito? Não sabe controlar esse negócio aí não? Nunca ouviu falar de masturbação e banho frio, seu irresponsável? – Perguntou, apontando para o meio das minhas pernas.
Hoje devia ser o Dia Internacional do Constrangimento. Discutir minha vida sexual com minha avó não me parecia lógico.
- Vó, por favor, me espera na sala que assim que eu me trocar vou lá e gente conversa – implorei.
Ela saiu pisando duro e fiquei desejando, pela segunda vez no dia, estar morto.
Troquei-me e fui para a sala encarar a fera. Se Isabella já tinha contado para ela, então Renee também sabia. A vingança da Isabella tinha começado antes que eu imaginava.
- Edward, é verdade o que fiquei sabendo? – Agora a expressão de raiva tinha sido substituída pela de decepção.
- Infelizmente é, vó, mas antes que fale mais alguma coisa quero que saiba que me arrependo amargamente pelo que fiz. Minha vontade agora é me matar por isso.
- Posso resolver isso para você. – Fiquei com um pouco de medo.
- Vó, como Isabella está? – Eu estava verdadeiramente preocupado com ela.
- Ela está arrasada, Edward. Seus olhos perderam o brilho. Nunca a vi tão decepcionada como hoje. Ela me pareceu tão frágil, mesmo querendo bancar a durona. Não sei o que será daquela pobre menina.
Senti meus olhos se encherem de lágrimas. O que eu tinha feito, Meu Deus?
Berta me viu chorando e desabou.
- Vai ficar tudo bem, querido, não fique assim. – Não tinha feito de propósito, mas minha vó nunca conseguiu me ver chorar. Ela se desesperava.
- Eu não acho que vai não, vó. Isabella nunca me perdoará por esta minha fraqueza. Eu vou tentar tudo o que for possível para conseguí-la de volta, mas não sei se vai dar certo – desabafei, sentindo o peso das minhas palavras.
- Você a ama muito, querido, dá pra ver nos seus olhos. Ela também te ama, eu sei. Vocês vão superar este momento difícil. Vou ajudar no que for preciso.
Ela me abraçou ternamente. Toda sua raiva havia desaparecido. O amor que ela tinha por mim era imenso e eu me sentia um abençoado por tê-la como avó.
Ela enxugou meu rosto e me beijou na testa, puxando-me para alcançá-la.
- E agora, pelo amor de Deus, mantenha seu piu-piu sob controle ou eu mesma o cortarei se fizer Isabella sofrer novamente.
- Por favor, vó, já passei por muito constrangimento hoje. Dá pra tirar meu pênis da nossa conversa? E nunca mais o chame de piu-piu, por tudo que é sagrado. – Sofrimento tinha limite.
- Não é da nossa conversa que você deveria estar preocupado em tirá-lo não, Edward Cullen, é de outro lugar que eu nem ouso citar, mas você sabe muito bem de onde estou falando.
Berta saiu rindo e eu fiquei parado no meio da sala, vermelho como um tomate, não acreditando que aquele dia tinha realmente existido.
Só dormi depois de tomar um comprimido de valium.
Acordei decidido a conversar com Isabella. Sabia onde poderia encontrá-la.
Peguei a foto que me fez apaixonar por seus olhos e que me acompanhou por mais de três anos e fui para a porta do conservatório. Encostei-me em seu carro e esperei por mais de uma hora até que a vi se aproximando. Minhas pernas começaram a tremer e minhas mãos se molharam de suor. Senti-me envergonhado de encontrá-la. Nunca me preocupei de ficar nu diante das mulheres, mas ter sido visto por Isabella naquelas condições tinha sido constrangedor.
- O que você quer, Edward? – Isabella perguntou assim que chegou no carro. Parecia irritada com minha presença
- Quero conversar com você, Isabella. Te liguei várias vezes, mas só dava na caixa postal. Podemos ir a algum lugar onde possamos ficar sozinhos? – Perguntei, desconfiando que sua resposta não seria muito educada.
- Edward, você colocou uma pessoa a mais na nossa estória. Nunca estaremos sozinhos. Aquela prostituta sempre estará conosco, onde quer que estejamos. – Falou, externando sua mágoa pelo que fiz.
- Eu sei que estraguei tudo, Isabella, mas queria muito consertar meu erro. Não sabe como me arrependo do que fiz. – Sem conseguir me conter, levei minha mão em seu rosto e acariciei-o, sentindo a maciez da sua pele. Isabella era linda!
- Edward, nunca mais coloque essas mãos sujas em mim, entendeu?
Doeu tanto ouvir suas palavras que parecia que estava com uma faca cravada em meu peito. Olhei em seus olhos procurando a chama que eles tinham antes, mas tudo o que encontrei foi frieza.
Respirei fundo e me lembrei de tudo que Thereza falou. Não ia fraquejar.
- Tem todo o direito de me odiar, Isabella, mas quero que saiba que não vou desistir de você. Eu te esperei por mais de três anos e não me importo se tiver de esperar por mais três pelo seu perdão. Vai conhecer outro grande defeito meu: eu sou inconvenientemente persistente – falei convicto.
Entreguei a foto para ela e saí sorrindo, satisfeito com minha determinação. Eu ia reconquistá-la, custasse o que custar.
Fui para o hospital, já havia perdido muita aula. No fim da tarde recebi uma ligação de Berta, mas não pude atender. Retornaria assim que desocupasse.
Finalmente fomos dispensados. Estava indo pra casa quando me lembrei de ligar para minha avó.
- Não pude atender naquela hora porque estava em aula, desculpe-me, vó.
- Tudo bem, querido, imaginei que fosse por isso mesmo. Tenho uma coisa pra te contar.
- O que? – Me lembrei de Isabella imediatamente.
- Antes de te conhecer Bella era apaixonada por um cara que era casado com sua melhor amiga. Um triste amor platônico que só eu sabia. Pois bem, ele se separou da esposa e amanhã Bella vai viajar sozinha com ele para Providence.
- Como? – Nada fazia sentido para mim. Minha Isabella apaixonada por outro? E ainda viajaria sozinha com ele? Só podia ser brincadeira.
Enquanto minha vó me contava melhor aquela história, mudei o percurso e dirigi-me para a casa de Isabella. Iria por um fim naquele absurdo.
Carmem me atendeu e pensei que ia descer o braço em mim, tamanha cara feia com que me olhou.
- Preciso falar com Isabella. É urgente.
- Ela não quer falar com você.
- Isso não importa. Desculpe-me, Carmem, mas vou vê-la de qualquer maneira.
Passei por ela e subi a escada feito um louco. Se meu pai me visse agindo da forma grosseira como vinha me comportando, ele morreria de desgosto. Nem eu mesmo andava me reconhecendo.
Abri a porta do quarto de Isabella bruscamente, encontrando-a deitada com a foto que tinha lhe dado nas mãos.
Ela se levantou assustada, mas claramente irritada com minha invasão.
- O que você pensa que está fazendo, entrando assim no meu quarto? – Perguntou, estupefata.
Na verdade nem eu sabia.
- Que estória é essa de viajar com um cara que você nem conhece direito? Você ficou doida, Isabella? – Perguntei, desesperado. Só então percebi que ela estava vestida com uma camisola de renda transparente, que deixava seus seios e sua calcinha à mostra. Senti meu corpo reagindo. Eu era louco por aquela menina! Era tanto amor e desejo que pareciam me sufocar.
Isabella ficou envergonhada quando se deu conta de como estava vestida. Seu rosto corou, deixando-a mais linda ainda.
- Anda me espionando? Como sabe que vou viajar? – Estava confusa por eu ter aquela informação.
- Não muda de assunto, Isabella. Não vou deixar que faça essa viagem. Não vê que não é seguro viajar sozinha com esse cara? Ele está separado, provavelmente está pegando toda mulher que aparece em sua frente. – Pensar em outro homem tocando-a era desesperador. Já tive amigos que se separaram e sabia como eles comemoravam a nova vida de solteiro...
- Não o meça pelos seus atos, Edward. E além do mais isso não é da sua conta. Quem é você para me proibir de alguma coisa? Nós terminamos, Edward! – É obvio que ela estava indignada com minha audácia. Eu tinha acabado de traí-la e estava ali dando uma de “dono” dela. Mas nada disso importava pra mim, meu único objetivo no momento era impedi-la de cair nas garras de um tarado qualquer.
- Você terminou comigo!! Eu ainda te amo, Isabella, e não vou deixar que faça uma besteira. – Ela poderia querer ficar com ele só para vingar-se de mim. Angustiei-me com aquele pensamento.
- Que besteira? Tipo ele me convencer a transar com ele? E o que de mal teria nisso? Seria “só sexo”, Edward – falou sarcasticamente.
Se o que ela queria era me ver pagando tim tim por tim tim o que eu tinha feito, ela podia dar-se por vencida.
- Isabella, não me tira do sério... – Eu estava a ponto de explodir só de imaginá-la fazendo amor com outro – Só estou avisando, se esse FDP encostar um dedo em você eu esfolo ele vivo.
- Edward você está absurdo! Saia do meu quarto e me deixe em paz. O que eu fizer ou deixar de fazer é problema meu... só meu, entendeu?!  - Falou brava, me expulsando do quarto.
Saí batendo a porta. Se esse tal de Jacob atravessasse meu caminho naquele momento eu o matava. Ai dele se fizesse alguma coisa com Isabella, mesmo que com o consentimento dela!!!!
CAPÍTULO 21 – CRESCENDO À FORÇA

POV BELLA

MALANDRAGEM
(Cassia Eller)
Quem sabe eu ainda Sou uma garotinha
Esperando o ônibus Da escola, sozinha...
Cansada com minhas Meias três quartos
Rezando baixo Pelos cantos
Por ser uma menina má...
Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar...
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta
E não aprendi a amar
Eu sou poeta
 E não aprendi a amar...
Bobeira
É não viver a realidade
E eu ainda tenho
Uma tarde inteira
Eu ando nas ruas
Eu troco um cheque
 Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo
Prá cantar...

O que passou, passou.
 Respirei fundo e me levantei da cama. Tinha decidido que ia ser forte, então não ia dar mole para a tristeza e a depressão.
 A dor que estava sentindo era não era física, não se encontrava em nenhum lugar onde pudesse identificá-la e extirpá-la. Ela era como uma nuvem que me envolvia, como uma extensão do meu corpo. Teria de aprender a conviver com ela.
Tomei um banho e desci para o café-da-manhã. Encontrar-me com Renne e Carmem e ter de aturar suas expressões de “coitadinha dela” era um desafio e tanto. Uma prova para eu saber se estava mesmo preparada para agüentar a pressão de continuar levando minha vida.
Sobrevivi!
A aula de violino foi um alento. A música era como um bálsamo para meu sofrimento. Enquanto tocava só conseguia pensar em coisas boas. O mais incrível e que Edward aparecia nestes pensamentos. Seus beijos, seu sorriso, suas mãos em meu corpo. Tudo isso agora fazia parte do meu passado, do arquivo “foi bom enquanto durou...”.
 Saí do conservatório e fui até meu carro. Levei um susto. Edward estava encostado nele. Não tinha me preparado para encontrá-lo. Senti minhas pernas fraquejarem. Eu não estava acostumada a odiá-lo e este sentimento me incomodava. Não era confortável.
- O que você quer, Edward? – Perguntei sem paciência.
- Quero conversar com você, Isabella. Te liguei várias vezes, mas só dava na caixa postal. Podemos ir a algum lugar onde possamos ficar sozinhos? – Perguntou.
Eu tinha realmente desligado meu celular e dado ordens expressas para não me chamarem se ele me ligasse em casa.
- Edward, você colocou uma pessoa a mais na nossa estória. Nunca estaremos sozinhos. Aquela prostituta sempre estará conosco, onde quer que estejamos. – Falei, sentindo meu estômago revirar novamente.
- Eu sei que estraguei tudo, Isabella, mas queria muito consertar meu erro. Não sabe como me arrependo do que fiz. – Disse, levando sua mão em meu rosto, acariciando-o.
- Edward, nunca mais coloque essas mãos sujas em mim, entendeu? – Sei que fui grossa, mas seu toque, por mais repulsa me causasse, ainda me deixava com as pernas bambas, então era melhor evitá-lo.
Ele me olhou por alguns segundos. Seus olhos estavam opacos e tristes.
- Tem todo o direito de me odiar, Isabella, mas quero que saiba que não vou desistir de você. Eu te esperei por mais de três anos e não me importo se tiver de esperar por mais três pelo seu perdão. Vai conhecer outro grande defeito meu: eu sou inconvenientemente persistente.
Edward me entregou uma foto e saiu, sorrindo torto.
Olhei para a fotografia desgastada e me vi junto a uma turma sentada em um sofá. Nem me lembrava de quando a tinha tirado. Provavelmente em uma das reuniões que minha mãe fazia em casa, com suas amigas. Atrás estava escrito “Isabella  – fevereiro/2007”. Era a letra de Edward.
Quando me virei para perguntar o que significava aquilo, ele já tinha sumido.
Ele disse que me esperou por três anos? Como, se nos conhecíamos a apenas alguns meses?
Fiquei sem entender. Guardei a fotografia na bolsa e voltei pra casa, tonta com tudo aquilo.
Minha nova vida estava se mostrando um tanto surreal. Pisquei duas vezes para acreditar no que estava vendo.
Encostado no carro, na porta da minha casa, praticamente na mesma posição em que tinha acabado de encontrar Edward, estava nada menos do que Jacob, o homem por quem nutri o mais lindo e sofrido amor platônico.
Quando vi estava beliscando meu braço, numa atitude tão infantil que quase me fez rir. Precisava ter certeza de que aquilo estava acontecendo.
- Oi, Bella!  - Jacob me abraçou.
- Oi, Jacob! – Estava surpresa com sua visita, mas tentei disfarçar.
- Desculpe vir sem avisar, mas não consegui falar com você – falou, preocupado em estar atrapalhando.
Imaginei os motivos de não conseguir falar comigo.
- Não tem problemas, vamos entrar. – Apesar de tudo, era um prazer tê-lo por perto.
Ele continuava lindo como sempre, mas me surpreendi com a calma em que me encontrava. Antes, só de vê-lo, meu corpo tremia e minhas mãos suavam. Agora não sentia nada disso. Só o via como um amigo. Edward tinha me feito esquecê-lo.
Sentamo-nos na varanda.
- A Ang falou muito mal de mim quando te contou que nos separamos?
- Ela me ligou contando sim, mas não colocou a culpa só em você não, Jacob. – Falei sorrindo. -Sinto muito por vocês. Espero que não seja definitivo.
- Acho que é sim... – Jacob, de repente, fez uma cara de surpreso. – Desculpe meu jeito, mas você está diferente, Bella.
- Eu?
- É, está mais bonita, mais solta. Sei lá, seja o que foi que aconteceu, fez muito bem pra você.
- Obrigada, Jacob – agradeci, meio sem graça.
- Bem, mas voltando ao assunto, eu acho que não tem mais chance de voltarmos. Eu e Ang nos casamos pelos motivos errados, Bella. Já começou tudo errado. Deixamos a oportunidade de sermos melhores amigos para sermos um casal infeliz. Escolhas erradas, entende?
Em escolhas erradas eu tinha doutorado, pensei.
- Entendo... Mas eu pensei que vocês estavam apaixonados quando se casaram. – Me lembrava bem o quanto a cara de apaixonado dele me fez sofrer naquela época.
- Nós também – Jacob disse rindo. – Mas o importante é que descobrimos o erro antes de termos filhos. Seria bem mais difícil do que está sendo.
- É, os filhos sofrem muito em uma separação.
- Bem, Bella, na verdade vim aqui para saber quando podemos ir? – Perguntou.
- Ir onde? – Definitivamente tinha vomitado meu cérebro no banheiro de Edward. Não fazia a mínima idéia do que ele estava falando.
- Ang me disse que tinha combinado tudo com você. Que a apoiara e que a ajudaria. – Jacob falou, confuso com o meu desconhecimento do assunto.
- Hã... – Deus, me ajude, pensei - É que eu ando meio esquecida mesmo. O que é mesmo que combinamos? – Me lembrei que não tinha ouvido metade da nossa conversa ao telefone, mas mesmo assim tinha dito que concordava com algo que Ang tinha me perguntado.
Jacob me olhou desconfiado. Provavelmente achando que eu estava com algum problema mental mais grave do que aquele que já achavam que eu tinha.
- Ang não teve coragem de contar para a Dona Norma que nos separamos e você aceitou ir lá comigo para explicarmos o que aconteceu, afinal ela gosta muito de você. Lembra quem é a Dona Norma? – Perguntou, testando minha sanidade.
 Tive vontade de rir. Jacob estava falando comigo como se eu fosse doente mental.
- Claro que lembro! É a avó da Ang. Eu gosto muito dela e ela também gosta muito de mim. Faz tempo que não a vejo.
- Pois é, como você apoiou Ang a ir para a Austrália estudar, ela te pediu para ajudar-me a contar para a avó sobre a nossa separação. Pelo menos foi isso que ela me disse. Não sei qual das duas está pirando.
- Claro que eu me lembro! Mas espera aí, a D. Norma mudou-se pra cá? – Ou será que...
- Não, Bella. Ela ainda mora em Providence. Vamos ter de viajar pra lá.
- Ah! – Meu Deus, eu teria de viajar com Jacob!
- Era para eu ter te procurado antes, mas estava cheio de trabalho e só agora consegui uma folga. Será que dá para irmos hoje ainda, assim poderemos voltar amanhã.
- Cla... claro.
A avó da Ang era um amor de pessoa, porém era muito conservadora e não aceitava muito separações na família. Já tinha presenciado um briga dela com a filha mais velha, quando cogitou separar-se do marido. Seria tenso contar pra ele sobre Ang e Jacob.
Ultimamente sempre que abria a boca me metia em algum tipo de confusão. Quem mandou eu concordar com algo que nem sabia o que era. Toma!!!!
- Jacob, se importa se formos amanhã cedo? Tenho de falar com minha mãe e desmarcas umas aulas. – Precisava de um tempo para assimilar tudo o que estava acontecendo.
- Tudo bem. Então passo aqui às sete horas. Tudo bem pra você?
- Tudo.
Assim que Jacob saiu, coloquei as mãos na cabeça, desesperada. Havia me metido numa confusão de família e ainda por cima teria de viajar com ele para outra cidade. Tinha a sensação de que estava vivendo em uma dimensão paralela. Cadê aquela vidinha pacata que eu levava?
Liguei para minha mãe e contei sobre a viagem. Ela achou estranho mais concordou.
Fui para meu quarto arrumar minhas coisas. Separei toalha, roupas e produtos de higiene. Não sabia se voltaríamos no mesmo dia. Provavelmente, não.
Comi um lanche que Carmem preparou e voltei para meu quarto. Coloquei uma camisola e deitei. Queria dormir cedo. Tirei a foto da bolsa e fiquei olhando-a, tentando entender por que motivo Edward teria uma foto minha, datada com sua letra há três anos?
O barulho da porta se abrindo de supetão me assustou. Quando vi, Edward estava dentro do meu quarto, com cara de bravo.
Levantei-me rapidamente, indignada com sua audácia.
- O que você pensa que está fazendo, entrando assim no meu quarto? – Perguntei, fula da vida.
Ele nem se deu ao trabalho de me responder.
- Que estória é essa de viajar com um cara que você nem conhece direito? Você ficou doida, Isabella? – Enquanto perguntava, seus olhos passeavam por meu corpo, protegido apenas pela camisola de renda transparente que eu estava usando.
Fiquei vermelha quando percebi que meus seios e minha calcinha podiam ser facilmente vistos por ele. Mas logo a raiva me dominou.
- Anda me espionando? Como sabe que vou viajar? – Berta!!! É claro que minha mãe havia lhe contado e ela mais que depressa contou pro netinho querido.
- Não muda de assunto, Isabella. Não vou deixar que faça essa viagem. Não vê que não é seguro viajar sozinha com esse cara? Ele está separado, provavelmente está pegando toda mulher que aparece em sua frente.
- Não o meça pelos seus atos, Edward. E além do mais isso não é da sua conta. Quem é você para me proibir de alguma coisa? Nós terminamos, Edward! – Minha vontade era gritar para ver se ele entendia isso de uma vez por todas.
- Você terminou comigo!! Eu ainda te amo, Isabella, e não vou deixar que faça uma besteira.
- Que besteira? Tipo ele me convencer a transar com ele? E o que de mal teria nisso? Seria “só sexo”, Edward – disse, abusando do meu direito de ser sarcástica.
- Isabella, não me tira do sério... – Ele parecia que ia explodir, de tão vermelho que estava. – Só estou avisando, se esse FDP encostar um dedo em você eu esfolo ele vivo.
- Edward você está absurdo! Saia do meu quarto e me deixe em paz. O que eu fizer ou deixar de fazer é problema meu... só meu, entendeu?! – Era bom vê-lo sentir o mesmo que senti quando o vi com aquela prostituta.
Ele saiu batendo a porta, bufando de raiva. Iria matar Carmem por deixá-lo entrar em meu quarto.
Mais uma vez fiquei tão irritada com ele que me esqueci de perguntar sobre a foto.
Agora ia me entender era com quem tinha permitido aquela invasão ridícula a meu quarto.
- CARMEM!!!!!!!!
CAPÍTULO 20 – “LELA SERÁ FORTE, PAPAI!”

POV BELLA

Queria poder chorar, mas não conseguia. Algo dentro de mim tinha sido desligado. Talvez eu não tivesse me livrado de todas as minhas armas de autodefesa, pois parecia que tinha me restado o botão de Stand by. Era assim que me sentia, em suspensão.
Entrei em casa desejando que ninguém me visse, mas realmente não era meu dia de sorte.
- Oi, querida, conseguiu arrumar o apartamento do jeito que queria? – Berta perguntou.
Quantas vezes se pode ter uma experiência de “quase morte” no mesmo dia? Não acreditava que minha mãe tinha contado pra ela a nossa conversa da noite anterior. Olhei para Renee perplexa.  Ela fez uma expressão de pesar, se desculpando. Entre ela e Berta não haviam segredos. Era como se as duas fossem sócias também na minha criação.
- O apartamento estava ocupado, Berta. – Falei cinicamente.
Se minha vida era um livro escancarado, então o capítulo “Edward Safado” seria lido por todos também.
- Como assim? – Minha mãe perguntou.
- Edward estava lá com uma prostituta, transando no sofá da sala. – Não sei onde achei forças para repetir aquilo tão naturalmente.
Nem esperei para ver a cara de susto delas, virei as costas e subi para meu quarto.
Nem entrei no quarto direito e as duas já estavam batendo na porta.
- Bella, que história é essa? – Berta parecia estarrecida.
Minha mãe me olhava estranhamente, desconfiando da minha calma.
- É isso mesmo que ouviu! Quando abri a porta da sala, dei de cara com seu querido neto trepando... Desculpe a palavra, Berta, mas é a única que conheço para descrever o que vi. Ainda por cima, com uma prostituta!
- Não acredito que Edward fez isso! Eu mato aquele menino. – Berta estava fora de si.
- Posso te garantir que ele não é mais um menino, Berta. Ele já é beeeemmm crescidinho, em todos os sentidos, se é que me entende – falei sarcasticamente. – Agora, se me dão licença, acho que mereço um tempo sozinha.
- Cla... claro, querida. - Berta esta bastante constrangida com a atitude de Edward.
- Filha, você está bem? – Minha mãe estava chocada. Não sei se com o que acabara de saber, ou se com minha aparente tranqüilidade.
- Não mãe, eu não estou bem. - Fui honesta
Fechei a porta novamente desabei na cama. Fiquei olhando para o teto, esperando que a qualquer momento eu voltasse ao normal e começasse a gritar, chorar, xingar... Nada...
“Nada!!” Esta era a palavra que melhor me definia.
Comecei a pensar nas possibilidades que me restavam. Não poderia ficar deitada, olhando para o teto para sempre, oca por dentro. Uma hora eu teria de sair dali, e precisava achar rapidamente uma forma de fazer isso.
Procurei, escondida em alguma espécie de “lixeira”interna, a minha antiga crisálida, que eu romanticamente havia “excluído” da minha vida. Ela me parecia um lugar tão confortável para estar agora... Mas não a encontrei. Eu não fui precavida,  simplesmente a destruí por completo, acreditando que ao lado de Edward eu estaria segura para sempre. Ele tinha me feito acreditar que eu nunca mais precisaria dela, mas era tarde demais para me arrepender. Tinha a trocado por minhas asas e agora tudo o que desejava era nunca ter tido-as. Elas me fizeram voar alto, me levaram a lugares lindos e desconhecidos, mas também tornaram minha queda mais fatal.
Não, meu casulo definitivamente esta não era mais uma possibilidade. Tinha de descobrir outra forma de me reerguer, alguma força oculta que me fizesse sair do limbo onde me encontrava.
Comecei a sentir meus olhos pesados.
“A garotinha, que aparentava não ter mais de três anos, parecia assustada. Com muito esforço e pouca ajuda, conseguiu subir na imponente cama e sentar-se ao lado da figura esquálida do homem que se encontrava deitado ali. Seus olhos eram tristes e cansados. Ele segurou suas mãozinhas e uma lágrima rolou em sua face.
- O dodói está doendo, papai?
- Não Lela, o papai está bem.
- O que quer com Lela?
Seus dedos tiraram alguns cachos de cabelos que tampavam o rosto angelical da garotinha, acariciando-lhe carinhosamente a face.
- O papai vai fazer uma viagem muito longa, Lela .
- Leva Lela com você. Prometo que Lela fica quietinha.
Mais lágrimas rolaram dos olhos do homem pálido.
- O papai não pode te levar. Ele ficará longe por muito tempo. Você vai crescer e não poderei estar ao seu lado para te proteger, então quero que me prometa que será uma menina forte, que não deixará nada nem ninguém te atingir nem fazê-la sofrer. Seja corajosa, Lela...
A porta se abriu e uma mulher de branco entrou no quarto, interrompendo a conversa dos dois.
A garotinha foi retirada da cama, não antes de fixar seus olhinhos cor de chocolate nos do pai e dizer:
- Lela será forte, papai. Ninguém encontrará Lela no seu esconderijo...
Acordei com o coração acelerado. Quem eram aqueles? Lela não me parecia um nome estranho. Já tinha ouvido-o em algum lugar.
Já passavam das cinco da tarde. A dor em meu peito e a dificuldade de respirar me lembrou o que tinha acontecido.
Tomei um banho e desci para comer alguma coisa. Meu estômago estava completamente vazio e doía.
Minha mãe estava na sala.
- Está melhor, filha? – Perguntou preocupada.
Não respondi. Estava intrigada com o sonho.
- Mãe, conhecemos alguém chamada Lela?
Ela ficou branca e se levantou rapidamente do sofá.
- Você se lembrou, Bella? Impossível, era tão pequena!
- Me lembrei do que, mãe? Foi só um sonho que eu tive, de uma garotinha que se chamava Lela.
- Lela era como seu pai te chamava, querida. Depois que ele morreu, quando você tinha três anos, nunca mais se chamou de Lela, como costumava fazer, e nem deixava que a chamássemos também. Achei que não se lembrava de nada desta época.
- E não me lembro mesmo, mãe. Sonhei com um homem muito magro e doente e uma garotinha que se chamava Lela, mas ele não se parecia com meu pai. Não era como nas fotos que tenho.
- Seu pai ficou muito debilitado antes de morrer, Bella. Ele emagreceu mais de vinte quilos. O câncer acabou com ele.
Eu não tinha nenhuma lembrança do meu pai vivo, mas aquele sonho não saía da minha cabeça, tinha sido tão real. A garotinha, que parecia ser eu, prometia ao pai à morte que seria forte. Se Lela era eu, então eu tinha uma promessa a cumprir...
Comi e fui para o estúdio dançar.
Aproveitei para repassar em minha mente tudo o que tinha visto e conversado no apartamento de Edward.
Flashes da cena do sofá invadiam minha cabeça. Aquela moça tinha tido muito mais de Edward num único momento, do que eu em meses. Eles eram um só naquele instante. Tinham o mesmo objetivo, seguiam para o mesmo lado. Pareciam tão certos juntos...
Edward tinha pedido perdão e dito que me amava. Não acho que ele estava mentindo, mas infelizmente só isso não bastava. Edward precisava também me aceitar e esse era o problema.
Ele queria de mim mais do que eu podia dar, mas isso agora não tinha mais importância... Tudo tinha acabado. Eu não o perdoaria nunca por ter feito aquilo comigo, por não ter me esperado. Edward pôs o sexo na frente do nosso amor e isso era inaceitável. Por mais que doesse, eu teria de esquecê-lo. Eu seria forte o bastante para seguir em frente, de cabeça erguida.
“Lela será forte, papai!!”
Eu seria sim...
CAPÍTULO 19 – TERAPIA

POV EDWARD

Entrei na sala e fechei a porta, deixando Isabella ir embora para sempre da minha vida.
Assustei-me quando a vi sentada no sofá. Tinha me esquecido dela.
- É a sua namorada?
- Era.
- Que mancada, nheim!! Por que me contratou, ela é ruim de cama?
- A gente nunca transou.
- Ah...
- Eu conheci um cara e me apaixonei por ele. Quando ele descobriu o que eu fazia, eu disse a mesma coisa que você falou pra ela: “É só sexo”, mas ele também não entendeu e me deixou... Não são só as mulheres que não aceitam esse argumento...
- É, parece que ele não é muito convincente mesmo, pois acho que a perdi para sempre!
- Não, cara, quem o perdeu para sempre foi ela. Você poderá reconquistá-la e tê-la novamente, mas ela nunca mais terá o homem que imaginou que você fosse.
- Faz sentido.
- Por que vocês não transavam?
- Ela tinha medo, mas estava começando a se soltar. Já me deixava fazer carícias em seu corpo, tocar seu sexo. Ontem ela gozou para mim pela primeira vez. Foi o prazer mais intenso que já tive na vida.
- Me desculpe a franqueza, mas você devia ter esperado por ela. Pelo visto transariam logo.
- Sim, eu devia. Fui um completo idiota.
- Foi mesmo. Sua mãe não te ensinou como se trata uma mulher não?
- Minha mãe morreu quando eu nasci. Quem me criou foi meu pai.
- Ah! Desculpe. Eu sinto muito pelo que falei.
- Tudo bem...
- Por que desistiu tão fácil dela? Se a ama tanto, por que não implorou de joelhos seu perdão?
- Eu não desisti dela, garota, eu desisti foi de mim. Naquele momento, e ainda agora, eu estava tão decepcionado comigo que não me senti digno de tê-la. Ela merece coisa melhor.
- Eu sei como é este sentimento. Às vezes também tenho vergonha do que sou. Olha só o que eu fiz. Mesmo sem querer eu sempre sou motivo de brigas e rompimentos. Da mesma forma que dou prazer, também espalho tristeza por onde passo.
- Não diz isso, você não teve culpa. Quem devia fidelidade a ela era eu.
- Vá atrás dela então, lute pelo amor de vocês. Ela só reagiu assim porque deve ser muito apaixonada por você.
- Eu não tenho esse direito. Eu a convenci de se abrir para o mundo, de se desarmar e na primeira oportunidade a apunhalei pelas costas. Ela deve estar sofrendo muito. Eu sei o quanto, tenho conhecimentos médicos para saber que minha atitude impensada criou seqüelas profundas em Isabella. Eu sou um monstro.
- Se fosse um mostro não estaria aqui se martirizando desse jeito. Você errou muito, mas quem nunca errou? Não fique assim.
Ela me abraçou e chorei feito uma criança em seu colo. Nunca senti tanta falta da minha mãe como naquele momento.
- Como é mesmo seu nome?
- Edward.
- Prazer, Edward, meu nome é Theresa.
- Você tem um bom coração, Edward. Não permita que o sexo te comande. Se sexo fosse tão importante assim, eu seria a pessoa mais feliz e realizada do mundo.
- Você não é feliz?
- Não.
- Deixa essa menina te mostrar como se ama de verdade. Ela tem muito mais a te ensinar do que você a ela.
- Agora é tarde.
- Não me desanime, Edward. Ainda espero sair desta vida, conhecer minha alma gêmea, formar minha família. Se for tarde pra você, imagina para mim...
- Mas sua única vítima é você mesma, enquanto eu fiz sofrer a pessoa mais importante da minha vida, percebe a diferença?
- Não, para mim não tem diferença entre nós. Erros são erros, Edward!
Comecei a rir.
- O que foi?
- Você acabou de fazer uma sessão de psicoterapia comigo.
- Nunca ouviu falar que prostitutas e cabeleireiros são os melhores psicólogos que existem?
- Você faz meus anos de estudos parecerem nada.
- Você é psicólogo?
- Psiquiatra.
- Não é a mesma coisa?
- Não.
- O preço da sua consulta é mais caro do que eu te cobrei?
- Quase dez vezes mais.
- Então vou fazer a transa grátis e só cobrarei a consulta.
- É justo.
- Tá brincando ou vai mesmo me pagar a consulta?
- Vou pagar a consulta sim, foi melhor que a transa.
- Foi nada, sou ótima nas duas. E se não fosse a interrupção, este teria sido o melhor programa que já tive. Você é muito bom de cama, cara. Sua namorada não sabe o que está perdendo.
- Ex.
- Covarde!
- Realista.
- Covarde!
O porteiro interfonou avisando que a encomenda da Stª Isabella tinha chegado. Mandei subir só de curiosidade.
“Encomenda?”
Abri a porta.
- Desculpe a demora, mas fiquei preso no trânsito.
- Tenho de pagar algo?
- Só a gorjeta, o resto já está acertado.
Abri as caixas e entendi tudo.
- Ia ser hoje, Edwrad!
- Ia.
- Ela te ama.
- Amava.
- Covarde!
- Acha que eu tenho alguma chance?
- Claro que tem.
- Estou com medo.
- Quem não tem? O medo nos protege, Edward.
- Quantos anos você tem?
- Cem.
- É, eu percebi.
- Um ano de calçada vale por vinte.
Paguei a consulta para ela.
- Tchau!
- Tchau! Se precisar, me liga.
- O que você quis dizer com isso?
- Como psicóloga, Edward.
- Ah!
- Pelo amor de Deus, você não vai cair em tentação de novo, vai?
- Só tava brincando.
- Ah, bom!
- Sabe trabalhar como recepcionista?
Um sorriso esperançoso enfeitou o rosto de Thereza.
Iríamos consertar nossos erros... Ou pelo menos tentar.
CAPÍTULO 18 – AMOR E SEXO
POV BELLA


(Amor e Sexo – Arnaldo Jabor)

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte...
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema...
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia...
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos...
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom
Amor é do bem...
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade...
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes
Amor depois...
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora...
Amor é isso
Sexo é aquilo
E coisa e tal
E tal e coisa
Ái! O amor!
Hum! O sexo!


Acordei alguns minutos depois. O filme não tinha nem acabado. Levei o maior susto quando percebi que estava só de calcinha, aninhada a Edward, que também estava apenas de cueca. Me senti constrangida, mas não havia nada por perto com o qual eu pudesse me cobrir.

- Vamos ter de repetir outra tarde dessa para vermos o filme novamente, você perdeu a maior parte da história. - Edward brincou, acariciando meu rosto. Trazia um sorriso estonteante no rosto.
- Desculpe-me por ter dormido - falei sem graça.
- Você estava linda dormindo, não tem pelo que se desculpar.
- Edward, não me lembro se falei, mas foi maravilhoso o que fizemos. - E tinha sido mesmo. Não estava nem um pouco arrependida de ter deixado ele me tocar daquela forma tão íntima.
- Eu também gostei muito, Isabella. Ver você gozar pra mim pela primeira vez foi algo que nunca vou esquecer.
Fiquei corada na hora, me lembrando do escândalo que fiz.
Abracei Edward mais forte.
- Eu te amo, Edward.


Assim que me despedi dele, na porta de casa, fui ver Renee.
- Mãe, posso falar com você?
Entrei no quarto apreensiva. Não ia ser fácil conversar sobre isso com ela. Estava deitada, lendo um livro.
- Claro, filha. Sente-se aqui – disse, mostrando-me a beirada do colchão, próximo a ela.
- Acho que vou fazer amor com Edward. - Melhor era ser direta e não ficar enrolando.
Minha mãe não pareceu surpresa nem assustada.
- Pra falar a verdade, pensei que isso já tivesse acontecido entre vocês.
- Não mãe, não aconteceu. Eu não quis, ainda. A gente já chegou perto, mas transar mesmo ainda não.
Torci para ela não perguntar o que era “chegar perto”.
- Edward está de acordo com este limite que você está impondo ao relacionamento de vocês? - Renee perguntou, parecendo preocupada.
- Nós já tivemos uma discussão sobre isso, mas depois ele se desculpou e ficou tudo bem. Eu também cedi um pouco. Acho que agora estou pronta, mãe.
- Se você está segura que é isso o que quer, Bella, acho que não tem problema algum. Você é maior de idade e além do mais está namorando um rapaz que te ama muito e que tem experiência suficiente para fazer este momento ser muito lindo e especial pra você. - Minha mãe adorava Edward.
- Eu também o amo muito, mãe. Ainda fico nervosa por causa da minha inexperiência, mas estou certo de que quero me entregar a ele.
- Tem alguma coisa que queira me perguntar sobre sexo, Bella?
- Não mãe, a teoria eu sei - falei rindo, meio sem graça. - Nos momentos mais íntimos que eu e Edward tivemos, ele sempre foi muito carinhoso e delicado comigo. Acho que posso deixar por conta dele.
- Com certeza, filha. Este é um momento onde tudo o que vocês vão precisar é de cumplicidade e respeito. E responsabilidade, mocinha!! Não vão esquecer de se prevenirem. Sendo médico, acho que Edward deve ser bem criterioso quanto a isso, mas pode ser que com a empolgação ele se esqueça, então se cuide - falou, tocando meu queixo carinhosamente.
- Pode deixar. Mãe, queria fazer uma surpresa pra Edward e vim saber se ainda está com aquela chave que tinha me pedido para entregar a ele, mas que não me deu.
- Nossa!! É mesmo, acabei esquecendo de entregá-la a você para que devolvesse. Ela está na gaveta de documentos, pode pegar. Desculpe-se com ele por mim, pelo esquecimento.
- Não esquenta, mãe. Edward nem lembra disso.
- Quer ajuda?
- Obrigada, mãe, mas quero fazer tudo sozinha.
Ela apenas sorriu, concordando.
Dei um beijo nela, peguei a chave e saí do quarto toda animada para por minha idéia em prática.
Já tinha me decidido: Amanhã iria transar com Edward!! Não esperaria nem mais um dia. Como ele não teria aula no dia seguinte, meu plano de dormir em seu apartamento daria super certo.
A chave era para que eu pudesse entrar lá enquanto ele tivesse na aula e decorar o quarto com velas e pétalas de rosas. Pensei que se ocupasse minha cabeça o dia todo, não teria tempo para ficar nervosa e desistir.
Como Edward iria passar na minha casa assim que saísse do hospital, eu diria a ele que queria assistir o filme novamente, em seu apartamento, e assim que chegássemos ele veria a decoração e entenderia minhas reais intenções. Simples! Simples uma ova... A pior parte viria depois. Eu teria de me deitar com Edward naquela cama e deixar que ele colocasse uma parte bem grande do seu corpo dentro do meu e, diga-se de passagem, não acreditava que caberia. Quanto mais eu pensava nisso mais suava frio. Se todo mundo dizia que era bom, então devia ser, não ia discutir... Mas que não tinha como ser, ah não tinha... Eu bem que poderia ter me apaixonado por um pigmeu... Seria tão mais fácil!
Abandonei meus pensamentos absurdos e procurei dormir. Eu estava ridícula.
Acordei animada em colocar meu plano em prática. Liguei para a floricultura encomendando as pétalas e as velas. Dei o endereço para a entrega e fui para o apartamento esperar. Tinha certeza que Edward não estaria lá, pois tinha me dito que passaria a manhã em cirurgia e por isso não me ligaria.
A portaria estava vazia, então subi sem ser vista. Girei a chave e abri a porta, me deparando com o inacreditável.
A cena era tão crua e animalesca, que tinha lá sua beleza. Não senti vontade de gritar nem fugir. Meus olhos pareciam hipnotizados, presos na figura viril de Edward, completamente nu, sentado no sofá, com as pernas esticadas e uma loira escultural sentada sobre seu membro, cavalgando-o como se fosse um cavalo. As mãos dele seguravam sua cintura, ajudando-a a se mexer freneticamente. Eles estavam tão envolvidos no que faziam que demoraram para perceber minha presença.
Os olhos verdes de Edward se encontraram com os meus. Desta vez não os reconheci. Pareciam selvagens.
- Isa... bella? Ele não podia acreditar no que via.
A loira, que estava de costas para mim, saiu de cima dele, reclamando algo inaudível, deixando a vista o pênis ereto de Edward, envolto ao que devia ser uma camisinha. Entendi a definição de sexo explícito.
Senti a ânsia invadir meu estômago. Fitei a porta do lavabo que estava bem próxima corri pra lá, me debruçando sobre o vaso e colocando para fora tudo o que havia dentro de mim.
“Se a bulímica aí for participar é mais caro.”
“Cala a boca!!” Edward estava fora de si.
Meu Deus, era uma prostituta! E ainda estava insinuando que transaríamos a três??
Vomitei mais ainda. Senti Edward segurando minha testa. Queria gritar que não tocasse em mim com aquelas mãos sujas, mas os vômitos me impediam. Empurrei-o para longe de mim. Ele entendeu e não voltou a me tocar. Ouvi o som de água. Ele devia estar lavando as mãos.
Assim que me senti melhor, levantei-me. Ignorei sua presença parado na porta, me olhando com incredulidade e desespero. Dei descarga e fui para a pia me lavar. Joguei bastante água no rosto na esperança de acordar daquele pesadelo.
Eu estava tão fraca que mal me segurava em pé. Fui para a sala e me sentei em uma poltrona. Se insistisse em caminhar acabaria desmaiando. A loira não estava mais lá. Já não havia mais roupas espalhadas pelo chão.
Abaixei a cabeça, colocando-a entre os joelhos e desejei poder me teletransportar.
Edward se ajoelhou ao meu lado.
- Está se sentindo melhor? – Perguntou, num fio de voz.
Levantei a cabeça e encarei-o. Pensando bem, desta vez não fugiria. Só iria embora depois que chagássemos a uma conclusão sobre o que tinha acontecido.
- O que você acha, Edward? – Falei ironicamente.
- Isabella, não sei nem como começar a me explicar, mas antes de tudo quero que saiba que foi apenas sexo, só isso.
- Apenas sexo... – repeti suas palavras, sem entender o que queriam dizer.
- Eu não sei onde estava com a cabeça quando tive essa idéia, Isabella, mas achei que se desafogasse minhas necessidades um pouco teria mais controle sobre meu desejo por você e assim não a pressionaria tanto. - Edward despejou aquela desculpa descabida e senti a ânsia voltando.
- Está querendo me dizer que eu sou a culpada por você contratar os serviços de uma prostituta, Edward?
- Não é isso, Isabella. Você não vai entender por mais que eu me explique, mas precisa saber que foi só sexo, eu nem sequer a beijei.
Eu devia ter vomitado meu cérebro, pois nada que ele falava fazia sentido.
- Você fala como se sua língua fizesse parte do seu corpo e seu pênis, não. Como se não fosse você quem estava penetrando aquela moça. Por acaso existe algum outro órgão que usaria se fosse comigo? Um especial para namoradas, devidamente conectado ao seu ser? Aonde quer chegar, Edward? - Ou eu entendia menos de sexo do que imaginava, ou ele estava me fazendo de boba.
- Isabella, eu daria minha vida para que não tivesse visto uma cena grotesca como essa. Tenho vontade de me matar por tê-la submetido a um constrangimento desses. Você não merece nada disso, mas mesmo me sentindo um verme, que é como me sinto agora, ainda espero que me perdoe. Essa questão de amor e sexo é diferente na cabeça de homens e mulheres. Vocês são mais emocionais, não separam as coisas, mas com homens é diferente. Pode parecer machismo, mas o que fiz não foi traição, não na minha cabeça. Mesmo assim, por favor, perdoe minha fraqueza.
- Edward, percebe o abismo que nos divide? Você não consegue sequer ficar uns meses sem sexo e eu ainda sou virgem ao dezoito anos. Não posso te julgar baseando-me nas minhas convicções. Estamos em tempos diferentes. Nós dois estamos certos, pensando separados... Mas juntos, fica tudo errado.
- Isabella, nós estamos construindo o “nosso” tempo. Não diga que algo tão forte como o amor que temos é errado, porque não é. Se fiz o que fiz, foi para te dar todo o tempo que precisasse. Não jogue tudo fora agora.
- Não preciso fazer isso, Edward, você já fez. Não tem mais jeito, acabou. Se antes tinha medo de sexo, agora tenho asco. Procure alguém que te satisfaça plenamente. Eu só posso te dar amor, mas pelo visto o que quer é sexo.
- Isabella, eu a amo muito, mas não vou ficar implorando que me entenda e me perdoe. Se é assim que quer que as coisas terminem, não posso mais fazer nada. O que acabou de dizer prova que nunca soube a intensidade dos meus sentimentos. Só não quero que guarde mágoa de mim, pois nunca tive a intenção de te magoar.
- Eu sei, Edward. Também não quero que fique magoado comigo. Vamos nos dar um tempo, depois podemos até ser amigos.
- Isso, Isabella, podemos ser amigos...
Já estava quase dentro do elevador quando Edward me chamou. Coloquei a mão travando a porta e esperei.
- Só queria te fazer uma última pergunta. O que veio fazer aqui?
- Nada de especial, Edward. Agora não importa mais.
Tirei a mão e a porta do elevador se fechou. Fiquei esperando as lágrimas brotarem, mas meus olhos continuaram secos. Nem chorar eu conseguia.

... AMOR SEM SEXO É AMIZADE,

SEXO SEM AMOR É VONTADE...
CAPÍTULO 17 - SURPREENDIDO

 POV EDWARD

... - Vou te levar pra casa agora, mas pense em tudo que conversamos, Isabella. - Temia pelo futuro do nosso relacionamento. Um abismo no que se referia à maturidade sexual nos separava, mas em compensação um amor verdadeiro de avassalador nos unia, e era neste fato que eu depositava minhas esperanças de ser feliz para sempre ao lado de Isabella.
Peguei minhas chaves e a levei para casa.


Entrei no carro transtornado. Estava aliviado por ter desabafado minha frustração, mas receava que tivesse perdido Isabella para sempre.
Meus hormônios tinham tomado as rédeas de nossa conversa. Deixei-me levar por meus instintos e, mesmo sem querer, tinha magoado Isabella.
Ela estava com a razão, eu tinha prometido que teria paciência. Só não dimensionei corretamente a extensão de sua aversão à intimidade. Achei que com o passar dos dias, após alguns encontros nossos, ela se soltaria, mas não foi o que aconteceu... Ela permanecia irredutível quanto suas cruéis regras.
Eu esperava por ela há mais de três anos. Eram mais de mil dias fantasiando tê-la em meus braços. Q quando finalmente consegui, tinha de me contentar apenas com beijos. Realmente era muito pouco para mim. Eu queria mais...
Olhei de lado e percebi que Isabella me observava, absorta em seus pensamentos.
- O que você está pensando, Isabella? - Perguntei, tentando quebrar o clima tenso no carro e também porque não me agüentava de curiosidade. Minhas palavras a pegaram de surpresa.
- Estava pensando como seria ter meus seios em suas mãos.
“HÃ??”
Pisei no freio por reflexo. Ou Isabella estava maluca ou queria me deixar doido. Isso lá era coisa de se dizer para um homem cheio de tesão reprimida?
Por sorte ela estava presa ao cinto de segurança, senão teria batido a cara no vidro. Eu tinha perdido o bom senso e a responsabilidade mesmo!
- ISABELLA, VOCÊ QUER ME MATAR? - Encarei-a intensamente, procurando entender onde aquela garota queria chegar.
- Desculpa - sussurrou baixinho, assustada.
Só então percebi que ela não tinha se dado conta do que falou. A frase tinha saído espontaneamente, direta de seus pensamentos.
“Então era nisso que ela estava pensando?”
Como eu previa, Isabella me desejava sim. Seu corpo ansiava por minhas carícias e era por puro medo que ela me rejeitava. Senti um sorriso se formar no meu rosto. Eu estava olhando para a mulher que eu amava, bem ali a minha frente, e só conseguia enxergar uma garota envergonhada e corada, que acabara de pensar alto, expondo suas fantasias mais secretas. Eu a tinha pego no flagra.
- Você quer que eu te mostre? - Perguntei, cheio de malícia. Se ela fez comigo, também faria com ela, apesar de saber que estava sendo cruel.
Eu poderia mostrar a ela que eles se encaixariam perfeitamente em minhas mãos, como sempre imaginei.
- Você não vai esquecer que eu falei isso, não é mesmo Edward? - Perguntou derrotada. Isabella sabia que eu não deixaria essa passar.
- Ah, mais não vou mesmo - falei rindo.
- Edward, vamos embora, a gente continua esta conversa lá em casa. Ficar aqui no meio da rua é perigoso.
Toquei-me de que estava parado no meio da rua. Realmente isso era perigoso.
- Então vamos, mas não pense que vai fugir desta conversa, Isabella.
Acelerei o carro. Eu estava mais perto de conseguir quebrar as barreiras impostas por ela do que imaginei. Um sorriso bobo se formou em meus lábios.
Fiquei tentando me colocar no seu lugar. Como seria ser tão inexperiente aos dezoito anos? Ter maturidade de adulta para tantas coisas e ser basicamente uma criança em matéria de sexo. Eu precisava voltar a ser paciente com ela. Isabella estava apenas assustada e só com calma e muito carinho eu conseguiria tirar seus medos.
Novamente queria saber o que se passava em sua cabeça. Ela estava pensativa, nem percebeu que havíamos chegado e que eu estendia minha mão para ajudá-la a descer do carro.
Voltando à realidade ela segurou minha mão e saiu. Antes que eu dissesse algo, se adiantou.
- Edward, vem comigo. - Chamou, puxando-me para dentro de sua casa. Tinha uma expressão decidida nos olhos. Fiquei curioso.
Entramos na sala escura. Isabella pediu-me que a esperasse e sumiu no corredor, sem dizer aonde ia. O ambiente estava pouco iluminado e completamente em silêncio. Sentei-me no sofá, apreensivo com o que estava por vir. Não queria criar falsas expectativas. Em se tratando de Isabella, nada era previsível.
Não demorou muito e ela voltou. Sentou-se do meu lado. Parecia inquieta. Segurou minhas mãos e pude notar que as dela suavam frio.
Com a voz insegura, começou a falar.
- Edward, por anos vivi confortavelmente em um casulo que eu mesma construí, protegida dos perigos e fantasmas que me assombravam, mas então você chegou e bagunçou tudo com essa sua mania de me dizer verdades.  Agora eu estou completamente apaixonada por você e... - A palavra “apaixonada” era tudo o que precisava ouvir. Interrompi seu discurso desnecessário com um beijo intenso e cheio de paixão. Isabella prontamente correspondeu, passando seus braços em volta do meu pescoço. Não percebi nenhum sinal de relutância de sua parte. Ela estava relaxada, totalmente entregue. Achei melhor não abusar. Comportei-me como ela esperava. Não iria mais forçá-la a nada. Ia seguir seu ritmo, mesmo que isto me custasse uma LER (lesão por esforço repetitivo) na mão direita.
- Vai me fazer ter de pedir, Edward? - Perguntou, assim que paramos de nos beijar, com o pouco fôlego que lhe restava.
- Pedir o que, Isabella? - Estava tão perdido em meus pensamentos e na doçura de seus lábios, que não me atentei muito para o que ela estava me perguntando.
- Vamos pro meu quarto que eu te mostro - Isabella se levantou e me arrastou escada acima, rumo a seu quarto. Eu estava meio entorpecido com a situação, sem entender o que acontecia. Tinha até medo de ousar acreditar nas possibilidades que me passavam pela cabeça. Ela nem sequer me olhou enquanto subíamos.
Abriu a porta do quarto e me puxou pra dentro.
Nossa Senhora dos Celibatários que me ajudasse!!
- Isabella, tem certeza do que esta fazendo? - Perguntei, segurando-a pela cintura para que me encarasse. Estava perplexo, não podia acreditar que não se tratava de um dos meus sonhos.
- Não sei até onde conseguirei ir, Edward, mas pode ter certeza que é além de onde fomos até hoje. Não vou mais deixar meus medos me vencerem. Quem manda em mim hoje é a minha paixão por você - falou, parecendo travar uma luta consigo mesma.
Sim, era verdade e era real... Isabella estava baixando a guarda.
A beijei mais uma vez, não me contendo de felicidade. Apertei-a em meus braços, aproximando o máximo possível nossos corpos. Queria que Isabella percebesse o estado em que me encontrava para que não houvesse dúvidas por parte dela quanto as minhas expectativas.
Ela ficou um pouco tensa, como das outras vezes, mas depois senti seu corpo se descontraindo.
- Isabella, sua mãe não se importará se me pegar aqui em seu quarto? - Perguntei preocupado. Só faltava Renée pegar a gente dando um “pega” no quarto.
- Ela está viajando. Estamos sozinhos - respondeu rindo.
- Então você está correndo perigo, Isabella Swan... - Sussurrei, com o rosto afundado em seu pescoço, deixando-a toda arrepiada. Alguém lá em cima gostava muito de mim.
Meus lábios passeavam por sua orelha, fazendo suas pernas perderem a força. Se Isabella quisesse parar, era bom que dissesse agora, pois não sei se teria condições de fazê-lo dali pra frente.
- Edward, vou ao banheiro me trocar e já volto. Quero colocar uma roupa mais confortável - falou meio embaraçada.
Ela estava praticamente em pânico, dava para perceber, mas parecia resoluta em sua decisão de dar um passo à frente. Um tempo sozinha era uma boa maneira de recuperar suas forças.
Isabella pegou umas peças de roupas no armário e entrou no banheiro.
Respirei fundo. Precisava manter o controle, afinal ela contava com minha experiência. Mas eu tremia feito um virgem em sua primeira vez. O que estava acontecendo comigo? Já estivera com tantas mulheres em minha vida e agora me comportava como um adolescente inseguro, quase não conseguindo respirar de nervosismo.
Se Isabella percebesse meus receios ficaria mais nervosa ainda. Resolvi retomar o controle da situação.
Tirei meus sapatos e minha camisa e me deitei em sua cama, encostando-me na cabeceira.
Isabella saiu do banheiro vestindo um pijama que quase me fez ter um ataque cardíaco. O short era curto, deixando suas pernas torneadas de fora e a blusa era um pouco transparente. Não era difícil imaginar o corpo que as peças inutilmente tentavam esconder. Acho que não fui muito discreto em minha apreciação...
Isabella estava apreensiva. Olhou para a porta do quarto como se quisesse fugir, mas eu não ia deixar seu medo vencê-la novamente. Estiquei meu braço e peguei sua mão, puxando-a para a cama.
- Você está linda, Isabella. Vem cá.
Ela apenas sorriu, mordendo o lábio. Mal sabia ela que aquele gesto despertava em mim meus mais lascivos instintos.
- Isabella, - disse, segurando seu queixo, - o que quer que estejamos fazendo, se quiser parar é só me pedir, está bem? Prometa-me que não vai fazer nada que não queira ou que não esteja bom pra você?
Precisava deixar claro pra ela que não queria que fizesse nada que a magoasse apenas para me satisfazer.
- Prometo, Edward.
Comecei a beijá-la. Não estava com pressa, faria tudo devagar para não deixá-la nervosa e amedrontada.
Carinhosamente afaguei seus cabelos. Queria que aquele momento fosse especial para ela tanto quanto estava sendo para mim.
- Eu te amo, Isabella - me declarei, com meus lábios quase colados aos seus.
- Também te amo, Edward - falou com sua voz doce, me levando a um estado de completa felicidade.
Deixei o peso do meu corpo cair lentamente sobre ela até estarmos deitados. Fiquei de frente para ela.
- Lá na sala você disse que ia me pedir uma coisa, ainda lembra o que é, Isabella? - Perguntei, já tendo uma vaga idéia do que se tratava.
- Edward, por que não facilita as coisas pra mim? - Isabella estava envergonhada, quase implorando que eu tomasse a iniciativa.
- Gosto de te torturar. Você fica linda com as bochechas coradas. - Realmente adorava quando a deixava sem graça, ela ficava encantadora quando não sabia o que dizer.
- Espero que não tenha faltado às aulas de massagem cardíaca, Dr. Cullen, porque se continuar me deixando sem graça assim... - Achei graça de seu comentário. Ia colocar minhas mãos em seu peito sim, mas não era para fazer massagem cardíaca não...
Sem que ela esperasse, invadi sua boca com minha língua, num beijo faminto. Fui beijando seu pescoço, dando pequenas mordidas que a faziam soltar gemidos, me levando ao limiar da loucura.
Com as mãos macias e inseguras, Isabella começou a acariciar meu peito. Era um toque virginal, mas não menos excitante. Meu coração foi se acelerando. Difícil acreditar que era minha Isabella quem estava comigo ali naquela cama, desarmada, entregue, esperando minhas carícias. Se era um sonho, definitivamente não queria acordar.
Soltei um gemido. Ela estava ficando boa naquilo. Era melhor dar uma parada. Se descesse um pouco que fosse suas mãos, não me responsabilizaria por meus atos.
- Vamos, Isabella, vai pedir ou não? - Voltei a torturá-la.
- Euqueroquevocêtoquemeusseios. Pronto, já falei. - Só entendi o que disse porque já desconfiava o que era, mas não contive os risos. Ela disparou as palavras, uma grudada na outra, numa atitude típica de timidez. Era divertida, e adorava isso nela.
- É em momentos como este que eu tenho certeza que você é a mulher da minha vida, Isabella - falei, me entregando por completo àquela paixão que me consumia.
Sem pressa alcancei a barra de sua blusa e fui levando-a, deixando lentamente que sua barriga perfeita fosse sendo descoberta. Propositalmente deixei meus dedos irem acariciando sua pele e me deliciei vendo-a arrepiar-se.
Apesar de excitada, Isabella estava nitidamente nervosa. Seus músculos estavam rijos e sua respiração irregular. Senti-me compelido a perguntar mais uma vez se era isso mesmo que queria.
- Quer que eu pare, Isabella?
Ela simplesmente mordeu o lábio e balançou a cabeça negativamente. Certamente estava decidida a lutar contra seus medos.
Continuei despindo-a. Quando faltava apenas um movimento para desnudar seus seios, parei. Não sei se foi bem por ela ou se foi por mim, mas precisava daquele tempo, ou meu coração não agüentaria. Fitei seus olhos a procura do último consentimento. Depois daquele momento, seria muito difícil parar.
- Me toque, Edward. - Isabella sussurrou.
Senti meu coração falhar. Era uma bela forma de morrer.
Não consegui dizer nada, apenas sorri e retirei completamente sua blusa, deixando seus perfeitos seios à mostra.
Isabella fechou os olhos. Deixei que ficasse assim, afinal tinha sido a forma que encontrou para ter coragem de continuar. Era próprio dela. Contive o riso para não constrangê-la.
Coloquei minha mão sobre sua barriga e comecei acariciá-la. Sua pele era macia como um veludo. Fui subindo lentamente em direção aos seios. Isabella arqueou o corpo, deixando explícito o quanto estava excitada com meu toque.
Observei-os demoradamente. Eram magníficos.
- Eles são perfeitos, Isabella. - Falei, com a voz cheia de desejo.
Finalmente minha mão alcançou-os. Não seria possível explicar com palavras a emoção e o prazer que senti.
Ao som inebriante dos gemidos de Isabella, acaricie seus seios por um longo tempo, sentindo a maciez de sua pele se contrastar com a rigidez dos bicos excitados. Temia que a qualquer momento Isabella me pedisse para parar, mas para minha alegria ela não o fez. Não me contendo, passei a língua em seu mamilo intumescido. Isabella reagiu na hora, apertando o lençol com as mãos, num claro sinal de prazer.
Deliciei-me naquelas carícias. Minha boca passeou por seus seios, mordiscando carinhosamente e outras vezes sugando-os. Um gosto casto inundava minha boca. Era a primeira vez que me relacionava com uma virgem.
Isabella nunca tinha experimentando aquelas sensações antes. Minhas mãos e boca eram as primeiras que a tocavam ali. Sentia-me como um desbravador, encontrando uma paisagem intocada diante dos olhos.
Isabella, abrindo os olhos, segurou meu rosto em suas mãos e me puxou para que a beijasse. Comprimi minha boca em seus lábios com volúpia. Eu estava tomado pelo calor daquele momento . Minhas mãos voltaram a acariciar seus seios e o beijo ficou cada vez mais ousado.
- Você me deixa louco, Isabella. Nunca me senti assim antes. Nunca desejei tanto uma mulher como a desejo. – Sussurrei em seu ouvido, incapaz de esconder a fome que tinha por seu corpo.
Eu queria... Eu precisava estar dentro de Isabella. Meu corpo clamava pelo dela.
Abracei com mais força e comprimi meu membro excitado em sua coxa. Comecei a me esfregar em sua perna. Se continuasse com aquilo, gozaria a qualquer momento.
“Você está louco, pensei?”
O que eu estava fazendo, meu Deus? Me comportava como um animal. Precisava parar com aquilo urgentemente ou ia acabar deixando meus hormônios me dominarem, assustando-a novamente. “Um passo de cada vez!” Era assim que faríamos.
Parei, sentando-me ao seu lado.
- Isabella, acho melhor eu ir embora. Devemos ir com calma e suponho que se eu continuar aqui isso vai ser impossível. – Eu mal conseguia falar.
Isabella sentou-se também, cruzando os braços para cobrir os seios. Eu ainda tinha o gosto deles em minha boca e ela se preocupando em escondê-los...
- Tudo bem, Edward, estamos meio fora de controle mesmo - disse, meio envergonhada.
Estendi os braços e peguei sua regata que estava na cama, entregando-a para ela.
- Vista isso antes que eu desista de ir embora – falei brincando, porém era a mais pura verdade.
Corada pela vergonha, Isabella começou a vesti-la. Levantei o mais rápido possível para evitar uma recaída. Tinha de ir embora antes que me descontrolasse de vez. Vesti minha camisa, me ajeitando para sair. Percebi que Isabella me observava. Sentei-me do seu lado para calçar os sapatos e olhei-a sorrindo, tentando adivinhar o que se passava naquela cabecinha ímpar. Acariciei seu rosto e beijei-a levemente. Não podia me empolgar.
- Tudo bem com você? - Perguntei, preocupado. Sabia que não tinha sido, nem seria fácil pra ela lidar com essa nova fase da sua vida.
- Eu estou bem, Edward. Foi tudo maravilhoso. Fiquei bem menos nervosa do que achei que ficaria – respondeu calmamente.
- Ainda vamos ter muitos momentos como este, Isabella. Quero que seja completamente minha, mas vamos dar um passo de cada vez. – Expliquei porque tinha me afastado.
- Eu também quero ser sua, Edward. Hoje percebi que quando estou em seus braços meus medos quase somem.
Terminei de amarrar meus sapatos e a coloquei em meu colo. Ouví-la falar daquela forma era uma tentação. Por mais que quisesse, não era tão forte assim para simplesmente virar as costas e ir embora.
Isabella, me surpreendendo mais uma vez, passou os braços em volta de meu pescoço e começou a me beijar próximo da orelha. Um calafrio percorreu meu corpo. Não sei bem por que, mas aquilo a deixou mais desinibida e ela continuou me beijando, agora no pescoço. Sua respiração acelerada junto a minha pele me fazia arrepiar. Eu estava maravilhado com a sua iniciativa. Era extasiante ver Isabella se comportando com aquela desenvoltura, deixando seu lado sedutor se manifestar. Num gesto que quase me fez perder os sentidos, ela passou a ponta da língua em minha orelha. Sem me conter, gemi, encolhendo-me de prazer.
- Isabella, Isabella... Desse jeito vou acabar dormindo aqui – sussurrei.
- Se ficar aqui, não vou te deixar dormir, Edward Cullen - falou, com uma expressão maliciosa no rosto.
Aquele projeto de monstrinha estava querendo me provocar? Essa menina não tinha juízo?
Agora era minha vez de surpreendê-la.
Num movimento bem rápido, deitei-a na cama e me posicionei sobre ela. Procurei sua boca e a beijei com luxúria.
- Ainda quer brincar de me provocar, Isabella? - Perguntei, me divertindo com o seu susto e acanhamento.
- Na...não - falou ofegando.
Ajeitei meu corpo de modo que meu membro se posicionasse sobre o seu sexo, afastando suas pernas para conseguir o encaixe perfeito.
Sabia que estava sendo irresponsável por estar me expondo a tanta tentação, mas estava divertido vê-la se desesperar.
- O que acha que aconteceria se eu ficasse aqui? – Perguntei, sorrindo maliciosamente. Simulei levemente algumas estocadas, forçando minha ereção contra ela. Se tinha alguém sendo torturado ali, com certeza era eu.
- E... eu só es...estava brincan... cando, Edward. - Isabella estava tremendo de susto. Deu pena.
Comecei a gargalhar, saindo de cima dela (com muito esforço, diga-se de passagem).
Ela ficou paralisada.
- Perdeu a noção do perigo, Isabella? - Perguntei, ainda rindo.
- Você vai me pagar por essa, Dr. Cullen – falou brava, num fio de voz.
Ela estava hilária.
- O que vai fazer comigo, me obrigar a ser seu escravo sexual? Você não seria tão cruel assim, seria? – Perguntei de gozação, enquanto me levantava, dando-lhe a mão para ajudá-la a se levantar também.
- Bastaram uns gemidos meus e já ta se achando a última batatinha do pacote, nheim!
E não é que Isabella ainda tinha coragem de me desafiar.
- Vem cá que vou te dar motivos gemer de verdade, menina.
Peguei-a no colo e a joguei na cama novamente. Era excitante brincar com ela daquele jeito.
- Tá bom, ta bom... Eu me rendo! Você ganhou! - Gritou rindo. - Não precisa me mostrar nada. Você é gostoso, bem dotado e bom de cama. - Isabella “jogou a toalha”.
- Agora estamos nos entendendo – falei vitorioso, me sentindo orgulhoso com as palavras dela, mesmo faladas sob pressão.
Rimos juntos por um tempão. Despedi-me dela com um beijo ardente, que quase nos fez começar tudo de novo.
Fui pra casa quase flutuando de felicidade.