quinta-feira, 23 de junho de 2011


CAPÍTULO 25 – VENENO E ANTÍDOTO
By ValentinaLB

POV BELLA
Preferi não contar para minha mãe o episódio da tempestade. Era ridículo ter de assumir que precisei de ajuda. Pior ainda era informar que esta ajuda veio de Edward, o cara que todos esperavam que eu estivesse odiando... E deveria estar mesmo, se conseguisse.
Tentava levar minha vida normalmente, seguindo minha rotina de aulas no conservatório e dança no estúdio, mas faltava alguma coisa, o vazio dos meus dias era prova disso.
 Há tempos Edward não ligava, para se mais exata, desde a noite da chuva.
Perguntava-me se não era eu quem deveria procurá-lo, afinal ele tinha sido tão encantadoramente carinhoso comigo. O problema era que não me sentia à vontade para fazê-lo. Ainda sentia a ferida aberta em meu peito e meu lado racional não aceitava que eu pudesse simplesmente ignorá-la e correr atrás de quem a tinha aberto, apesar de ser exatamente isso o que meu coração pedia.
 Razão X Emoção: A luta estava travada.
Após uma vitória apertada da emoção, disquei seu número, sentindo meu coração acelerado.
- Isabella? – Sua voz estava cheia de surpresa.
- Oi, Edward! – Pensava desesperadamente em algo para dizer, mas as palavras tinham me abandonado completamente.
- Está tudo bem, Isabella? – Meu silêncio estava confundindo-o, afinal tinha sido eu que tinha ligado.
- Tu... tudo. É que eu queria te agradecer mais uma vez pelo dia da chuva.
- Já disse que não precisa me agradecer, mas se mesmo assim quiser me ligar todos os dias para fazê-lo, não vou me importar. É muito bom ouvir sua voz, Isabella.
Ri timidamente.
- Bem, então tchau, Edward. – Queria continuar a conversa, mas estava completamente travada.
- Tchau, Isabella. Eu te amo muito, não se esqueça disso.
“Também te amo, Edward...” 
Não conseguia compreender por que não tive coragem de dizer isso enquanto o telefone estava ligado.
À noite minha mãe chegou com a novidade. Ela e Berta iriam receber um prêmio muito importante que era dado aos profissionais que se destacavam em suas profissões. Era um evento de grande importância na cidade e muito bem conceituado. A festa de entrega era badaladíssima e aconteceria num dos melhores clubes da cidade.
Renée estava transbordando de felicidade.
- Parabéns, mãe, estou muito orgulhosa de você. – Falei, enquanto a abraçava.
- Obrigada, Bella. Quero que esteja lá comigo, querida. Compre um vestido maravilhoso para você, pois quero que conheçam minha mais perfeita criação. Por esta filha linda, sim, eu merecia o maior prêmio do mundo. – Disse, beijando-me o rosto.
- Mãe, você não pode julgar seu próprio trabalho – falei rindo. – Não tem a neutralidade necessária e desconfio que não esteja sendo muito ética.
Rimos bastante, mesmo já imaginando o que me aguardava: Vestido, salto alto, salão, maquiagem... Mas ver a felicidade da minha mãe valia o esforço.
Se Berta seria homenageada também, então era quase certeza que Edward iria à festa. Um sorriso apareceu em meu rosto. Sentia saudade dele.
Compraria o vestido mais lindo que encontrasse. Queria mostrar a ele que teria valido a pena me esperar.
Depois de muito procurar, optei por um preto bem diferente. De uma forma ou de outra iria chamar a atenção.
Estava na praça de alimentação tomando um lanche quando meu celular tocou. Era Jacob.
- Oi, Bella!
- Oi, Jacob!
- Por acaso o nome da sua mãe é Renée Dwyer? – Perguntou.
- É, por quê? – Fiquei intrigada com sua pergunta.
- É que um amigo meu vai receber um prêmio amanhã e vi este nome na lista de homenageados. Lembrei-me que sua mãe se chama Renée e que é arquiteta, então imaginei que fosse ela.
- É ela sim, Jacob. Você vai à festa?
- Vou sim, e você?
- Também vou.
- Então a gente se vê lá. Tchau, linda.
- Tchau, Jacob. Até amanhã então.
Desliguei o telefone apreensiva. Tomara que ele não comentasse nada do meu porre perto da minha mãe ou do Edward. Teria de me lembrar de pedir-lhe que ficasse de boca fechada.
Depois de horas no salão, eu e minha mãe estávamos prontas.
- Está linda, mãe.
- Você está irreconhecível, Bella. Nem tinha percebido que meu bebê tinha virado este mulherão.
- Menos, mãe... – Elogio de mãe é suspeito.
- Conheço alguém que vai ficar louco quando te ver. – Ela disse, com um sorriso malicioso no rosto.
- De quem está falando, mãe? – Perguntei, mas sabia a resposta.
- Do Edward, filha.
- Achei que o odiasse, mãe, pelo que ele fez comigo.
- Bella, minha filha, é claro que não concordo com o que ele fez. Odeio ver seu sofrimento, mas na minha idade aprendemos a ver as coisas de uma forma mais ponderada. Edward é apenas um garoto que foi criado pelo pai, sem nenhuma referência feminina. Os homens geralmente se orgulham da virilidade dos filhos, incentivando e fazendo-os acreditar que sua sexualidade exacerbada é motivo de orgulho. Por mais que Berta tenha tentado estar presente na vida de Edward, não teve muita influência em sua criação. Faltou-lhe uma mãe que lhe ensinasse um pouco mais sobre o amor, sobre os outros tipos de laços que unem um homem e uma mulher.
Fiquei em silêncio, sem saber o que dizer. Não esperava que minha mãe pensasse daquela forma, me surpreendi.
A festa estava deslumbrante.
Assim que entramos, fomos para nossa mesa, que dividiríamos com Berta, e antes mesmo de chagarmos lá pude ver Edward me olhando, com a mão no queixo, como se quisesse segurá-lo para não cair. Senti minhas pernas tremerem com a intensidade daquele olhar. Era como se ele me tocasse com os olhos.
Ele foi o primeiro a me cumprimentar.
- Está simplesmente perfeita, Isabella! – Sua expressão era de encantamento.
- Você também está muito bonito, Edward. – Meu Deus, como aquele homem era maravilhoso! Sua beleza me deixava aturdida.
Berta me abraçou e não se cansava de dizer que eu estava bonita e sexy, me deixando até encabulada.
Acabei me sentando ao lado de Edward.
Começamos a conversar sobre a festa, os convidados, os homenageados, até que uma voz nos chamou a atenção.
- Oi, Bella, está muito bonita! – Reconheci na hora aquele jeito paquerador.
Edward levantou a cabeça, fuzilando-o com o olhar.
- Oi, Jacob. – Me levantei para cumprimentá-lo, dando-lhe um abraço.
Jacob cumprimentou minha mãe e Berta, pois já as conhecia. Virou-se para Edward e estendeu a mão.
- Jacob, este é Edward, meu... – engoli seco sem saber o que falar.
- Namorado! – Edward se adiantou, levantando-se e apertando-lhe a mão. Logo em seguida me puxou pela cintura, aproximando-me de seu corpo.
Fiquei sem ação. Olhei para ele irritada. Quem tinha lhe dado este direito? Eu não era mais sua namorada.
- Nos vemos por aí, linda. – Jacob disse, beijando meu rosto. – E fique longe de cerveja, menina. – Sua risada me fez estremecer. Meu pesadelo ia começar.
Edward me olhou como se perguntasse do que ele estava falando. Seu olhar desviou-se para Jacob que não se intimidou e encarou-o.
Senti o clima tenso entre os dois. Pareciam dois lobos marcando território.
Por sorte alguém o chamou e Jacob saiu de perto da mesa.
- Que história de cerveja é esta, Bella? – Não acreditei que minha mãe ia me dar uma bronca na frente de Edward.
- Depois a gente conversa, mãe – falei, encerrando o assunto.
Bem, pelo menos foi o que pensei...
Edward me puxou pelo braço, me forçando a acompanhá-lo.
- Isabella, vai ter de me explicar o que este idiota insinuou.
- Edward, quer fazer o favor de me largar! Não te devo explicação nenhuma.
Qualquer um podia claramente perceber que eu estava sendo praticamente rebocada para fora do salão.
Ele continuou me puxando, não dando a mínima para minha vontade.
Saímos do salão e Edward só parou quando chegamos ao jardim, onde havia apenas um casal se agarrando tanto que nem percebeu nossa presença.
- Isabella, pelo amor de Deus, o que foi que aprontou? – Nunca tinha visto Edward tão transtornado, nem quando o flagrei com aquela prostituta.
Eu não tinha obrigação nenhuma de explicar-me, mas achei melhor acabar com aquele assunto de uma vez.
- Foi só um porre, Edward, nada demais – falei displicentemente, tentando fazer tudo parecer natural.
- SÓ UM PORRE? – Edward gritou indignado.
- Edward, fale baixo!
- Está bem, eu falo, mas por tudo que é sagrado, Isabella, o que foi que aconteceu naquela viagem? – Edward, apesar de perguntar, dava a impressão que não queria saber a resposta.
- Eu só bebi um pouco mais do que devia, aí eu fiquei muito mal, aí o Jacob me levou para um quarto de hotel, aí eu vomitei em mim e nele, aí ele tirou meu vestido, aí me deitou na cama, aí eu apaguei, aí eu acordei e aí viemos embora. Foi só isso, Edward. – Intencionalmente agi imitando uma criança, que era como ele estava me tratando.
Pensei que Edward ia ter uma síncope.
- Aquele tarado tirou seu vestido? – A cara de ódio com que fez esta pergunta me deu um frio na espinha.
- Estava todo sujo, Edward. Eu também não queria que isto tivesse acontecido. Acha que gostei de acordar só de calcinha ao lado dele? Eu quase morri de vergonha. Eu preferiria estar em coma alcoólica. Foi terrivelmente constrangedor.
Edward pôs as duas mãos na cabeça, num gesto de desespero.
- O FDP se deitou com você praticamente nua? Eu vou a-ca-bar com a vi-da de-le. - Suas palavras saíram pausadas, como se ele quisesse que eu entendesse bem o que iria fazer.
- Não vai fazer nada disso, Edward. Ele foi muito educado e respeitador. Ao contrário de você, ele consegue se controlar diante de uma mulher. E além do mais eu sou solteira, lembra? Mesmo se tivesse acontecido algo entre nós, o que não aconteceu, seria problema meu... ou solução, quem sabe. Afinal a minha virgindade nos causou muitos problemas, não foi Edward? – Perguntei ironicamente.
- Isabella, eu mereço ouvir o que está me dizendo, mas isso não muda em nada a vontade que estou de quebrar a cara desse tal de Jacob. Ele que não banque o engraçadinho para o seu lado, ou não vou me lembrar que estou em uma festa. – Percebi que ele estava sendo completamente sincero.
Era melhor eu ficar bem longe de Jacob para evitar problemas.
Mas espera aí, eu ia deixá-lo dizer o que eu podia ou não podia fazer? Eu o tinha pego transando com outra e ele agora se sentia no direito de me julgar? Ah, não!! Aí já era demais.
- Edward, talvez devesse contratar aquela prostituta novamente, se é que não o fez, pois dizem que sexo acalma. Não me venha bancar o namorado nervosinho agora, que é um pouco tarde para isso. Tudo bem que não sinto ódio por você e que tenha sido extremamente carinhoso comigo naquele dia, mas isso não lhe dá o direito de se meter nos meus relacionamentos. Vou continuar sendo amiga de Jacob e não aceitarei interferências suas.
- Você é quem sabe, Isabella. Faça como quiser, mas que vou quebrar a cara dele se encostar um dedo sequer em você, não duvide.
Edward entrou de volta no salão, me deixando para trás.
Fiquei lá parada, com cara de boba, tentando processar suas palavras. Logo depois entrei também.
Sentei-me sob os olhares curiosos de Berta e minha mãe. Edward não estava na mesa.
Ainda bem que nenhuma delas perguntou nada.
Assim que anunciaram que iria começar as premiações, Edward voltou para a mesa, mas não me dirigiu mais a palavra.
Quando mamãe e Berta foram chamadas, trocamos um breve sorriso, num segundo de trégua.
Fiquei emocionada quando Renée dedicou-me seu prêmio. Lágrimas escorreram dos meus olhos e quando percebi Edward segurava minha mão, num gesto de apoio.
Berta também lhe dedicou a homenagem, fazendo seus olhos brilharem mais que o normal. Ele deve ter feito muito esforço para não chorar como eu. Apertei forte sua mão.
Quando a emoção passou, nos soltamos rapidamente, meio constrangidos.
Depois que as duas voltaram, levantei-me e fui ao toilet. Precisava ver se minha maquiagem estava borrada.  Estava voltando para a mesa quando senti uma mão quente segurar meu braço.
- Pensou que ia se ver livre de mim, Bella. Não saio daqui sem dançar com você – disse, me empurrando para a pista. – Ang me contou que é uma excelente dançarina.
- Jacob, é melhor não. Edward pode querer fazer escândalo.
- Vai deixar seu ex-namorado mandar na sua vida, Bella. Não estou te chamando para ir pra cama comigo, menina. É só uma dança. O que tem de mal?
- Tem razão, vamos. – Era a primeira vez que dançaria em público, mas  estranhamente não estava envergonhada.
Fomos para a pista e começamos a dançar. Estava tocando uma seqüência de músicas dos anos 60 e quando vi estávamos dançando twist. Estava divertidíssimo. Nunca curti tanto Elvis Presley, como naquela festa.
De uma hora para outra começou a tocar uma música lenta do Elvis, que não me lembrava o nome, e Jacob rapidamente me puxou para junto de si e começamos a dançar.
Jacob era bem ousado, e me apertou em seus braços, colando seu corpo completamente no meu.
Sabia que aquilo não ia dar certo. Assim que Edward nos visse, a coisa poderia se complicar.
Foi dito e feito. Minutos depois de a música começar, senti meu ombro sendo puxado.
- Se importa se eu dançar com minha namorada? – Edward perguntou a Jacob, já me envolvendo em seus braços.
- Não é melhor perguntar primeiro se ela quer dançar com você? – Jacob retrucou.
Comecei a temer que aquilo se transformasse em uma briga feia.
- Querem parar de agir como se eu não estivesse aqui – apelei.
- Isabella, vamos sair daqui antes que eu cometa uma loucura. Aliás, eu já teria cometido se minha avó não tivesse implorado pra que eu não o fizesse.  – Edward não estava brincando. Suas mãos tremiam de nervoso.
Achei melhor afastá-lo de Jacob. Alguém poderia sair machucado dali.
- Jacob, depois falo com você. Obrigada pela dança, me diverti muito.
- Também me diverti muito, linda, mas melhor que dançar, é beber com você – disse rindo.
Tive vontade de matar aquele doido. Pensei que Edward avançaria em seu pescoço. Empurrei-o , tirando-o depressa de perto de Jacob.
- Vamos , Edward.
Quando ele segurou em meu braço vi que sua mão além de tremer, suava frio.
Fomos novamente para o jardim.
- Edward você não tem o direito de agir assim. Não pó...
Antes que terminasse a palavra, Edward segurou minha nuca e me beijou com fúria, colando seu corpo ao meu. Sua outra mão puxava minha cintura para junto de si, não havia o mínimo espaço entre nós.
Tentei afastá-lo, me sentindo ultrajada com aquela atitude possessiva, mas quando sua língua invadiu minha boca e seu gosto me inundou, as forças me faltaram. Retribui o beijo, completamente entregue ao prazer que ele me proporcionava. Assim que Edward percebeu meu consentimento, o beijo foi ficando mais calmo, porém não menos intenso.
Minhas mãos subiram para sua nuca e não havia razão no mundo que me convencesse que valeria a pena abrir mão de Edward por orgulho. Eu o amava alucinadamente, e se ele era meu veneno...  também era meu antídoto.

CAPÍTULO 24 – DE SAPO A PRÍNCIPE
By ValentinaLB

POV BELLA
O AMOR
(Carlos Drummond de Andrade)
“Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida. 
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. 
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. 
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor. 
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. 
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida. 
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados... 
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... 
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... Se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva. 
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. 
É o livre-arbítrio.
Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.”

É claro que não faria uma loucura, mas saltar por aquela porta me parecia bem menos doloroso do que ter de continuar encarando Jacob.
Ele riu do meu embaraço. Eu não sabia onde enfiar a cara. Só eu podia ter dito aquelas palavras, não era invenção dele. E por que eu pedi que ele fizesse amor comigo, meu Deus? Eu me fiz de difícil para Edward por tanto tempo, e bastou umas cervejas para cantar o primeiro que vi na minha frente. O que estava acontecendo comigo?
- Não precisa ficar assim, Bella, você estava bêbada, além do mais não tem o menor cabimento você dizer que era apaixonada por mim, afinal eu era o marido da sua melhor amiga. Claro que não acreditei em nada que falou. Mas que fiquei tentado a atender seu pedido, não posso negar – falou rindo, com seu jeito de dizer verdades brincando.
- Jacob, pelo amor de Deus, esqueça tudo o que eu falei. Eu não me lembro de nada, devia estar delirando. Pode ter sido até um caso de possessão, sei lá. – Ele bem podia acreditar nessa.
- Não fique preocupada, Bella, você não estava falando nada coerente, por sinal estava muito engraçada. E tem outra coisa que não te contei, você falou o nome do seu ex o tempo todo. Algo sobre a mão dele no seu corpo. A coisa estava ficando quente, menina. Ainda bem que de repente você apagou, senão eu não teria sido tão cavalheiro quanto fui. – Seu sorriso malicioso me reacendeu a vontade de abrir aquela porta de uma vez e acabar com aquela tortura.
Nunca mais beberia na minha vida!
Despedi-me dele, na porta de casa, desejando silenciosamente que nunca mais nos encontrássemos.
- Te ligo amanhã para saber como passou a noite. Tchau, Isabella. – Jacob me puxou para si e me deu um beijo na bochecha, muito perto da boca, para meu espanto.
- Tchau, Jacob. Desculpe-me por tudo.
Já tinha dois dias desde a viagem a Providence e Edward não tinha me ligado mais. Peguei-me algumas vezes conferindo meu celular, para ver se não tinha chamadas suas. Este meu sentimento de amor e ódio por ele me deixava confusa. Não sei se ainda o odiava, ou mesmo se cheguei a odiá-lo um dia. Talvez minha raiva maior fosse de mim mesma por não esquecê-lo e por continuar desejando-o, mesmo que minhas palavras dissessem o contrário...
Um novo dilema virou o assunto da casa: Convencer minha mãe que eu poderia passar um final de semana em casa, sozinha.
Ela tinha uma festa de inauguração de um restaurante que havia decorado em Lowell , mas não queria viajar pra lá porque Carmem estaria fora, visitando a irmã, e não teria ninguém em casa para dormir comigo.
- Mãe, já sou maior de idade, sei me virar. Será apenas uma noite, pelo amor de Deus. A casa é segura, tem os cachorros, a empresa de segurança monitorando. Não há perigo algum – tentei convencê-la.
- Eu sei, filha, mas fico preocupada. Berta estará lá comigo também. Pra quem ligará se precisar de alguma coisa? 
- Mãe, não vou precisar de nada. Tenho que treinar uma música nova no violino e ficarei no meu quarto, trancada, se preferir. Pode ir mãe, ficarei bem. – Estava adorando a idéia de ficar sozinha por um tempo.
- Está bem, Bella. Acho que tem razão. – Finalmente tinha conseguido convencê-la.
Minha mãe saiu por volta do meio dia. Já tínhamos almoçado. Fechei a casa e subi para meu quarto. Peguei meu violino e comecei a treinar. As horas passaram voando. Já eram cinco horas quando desci para tomar um lanche.
Tomei um banho e tive de sair correndo para atender o celular. Era minha mãe pedindo o primeiro “Boletim” do dia. Ficamos um tempão no telefone.  Desliguei e continuei a tocar. Já nem precisava mais olhar a partitura.
Eram umas dez horas quando coloquei uma camisola e me deitei. Um barulho que eu conhecia bem fez todos meus músculos enrijecerem.
Levantei e fui até a janela. Afastei lentamente a cortina e paralisei com o que vi. Uma tempestade estava se formando. O pânico começou a me dominar. Lembrei-me que estava sozinha. Voltei pra cama, cobri minha cabeça e comecei a controlar minha respiração. O barulho agora era de raios, os que mais me davam medo. Não conseguia evitar as lágrimas, que já teimavam em escorrer. Eu estava desesperada.
“Calma, Bella, calma... É só uma chuva.”
O toque do celular veio ao mesmo tempo do estrondo de um trovão. Atendi sem olhar quem era.
- Alô! – Minha voz era de pavor, não conseguia disfarçar.
- Bella, por favor, abra a portão para mim. Estou aqui fora, na porta da sua casa.
- Edward?
Por mais que precisasse manter distância dele, estar protegida em seus braços era tentador. Eu tinha pavor de chuva, mas tinha mais pavor ainda quando ficava sozinha durante a chuva.
- Já estou indo.
Desci as escadas correndo, rezando para nenhum raio cair enquanto estivesse fora da cama.
Abri a porta e me atirei em seus braços. Meu corpo tremia e eu estava gelada.
Edward me pegou no colo e se sentou no sofá, abraçando-me fortemente.
- Pronto, Isabella, eu já estou aqui. Não está mais sozinha. Fique calma que já vai passar. – Sussurrou ternamente em meu ouvido.
Coloquei meu rosto no vão entre seu ombro e pescoço e fiquei quietinha. Não tinha nenhum outro lugar no mundo onde me sentisse mais feliz e segura do que nos braços de Edward. Cada estrondo que dava ele me apertava mais forte e sussurrava palavras de conforto em meu ouvido.
- Você não me ligou mais. – Comentei baixinho, quando me senti mais calma. Ainda continuava com o rosto enterrado em seu pescoço.
- Isabella, faz idéia da agonia que fiquei quando desligou o seu celular e me deixou imaginando o que podia estar acontecendo você e Jacob? Pensa que não sei que já foi apaixonada nele? Ou ainda é, não sei... – Sua voz pareceu embargada quando falou isso. -Você não tem a mínima noção do desespero que me toma quando penso que pode ter se entregado aquela cara, que ele pode ter tocado seu corpo, beijado sua boca... É uma dor tão intensa que me atrapalha a respirar. Eu não queria que tivesse a oportunidade de me contar que estava com ele, então resolvi não ligar mais.
- Mas você está aqui agora...
- Porque sabia que estava sozinha e que devia estar apavorada. – Sua voz era baixa e carinhosa. - Quando começou as trovoadas não pensei duas vezes antes de pegar meu carro e vir ficar com você. Tive medo que não abrisse a porta para mim, que preferisse enfrentar a chuva sozinha a ficar comigo. Mas meu maior pavor era que ele estivesse aqui.
- Não estamos juntos, Edward. Não tenho nada com Jacob. Estou feliz que esteja aqui.
- Não tanto quanto eu, Isabella – disse quase rindo. - Não imagina como estou me sentindo por tê-la novamente em meus braços, nem que seja apenas porque seu medo superou o ódio que tem de mim. – Sua voz voltou a ficar melancólica.
- Não te odeio, Edward. Tentei, mas não consegui.
- É tão bom ouvir isso, Isabella.
- Por que fez aquilo comigo, Edward? – A pergunta saiu num fio de voz, como um lamento. Não sei por que a fiz. Era como se ela estivesse em minha boca aguardando a oportunidade certa para ganhar som. Já não sabia se chorava de medo ou de mágoa.
- Porque sou um idiota que não soube reconhecer a força do amor verdadeiro, Isabella. Eu deixei que velhas referências interferissem em nossa relação, sem me dar conta que o que eu estava vivendo era muito mais forte e intenso do que uma simples necessidade física.
A ventania se tornou mais intensa e os trovões aumentaram. Fiquei novamente em silêncio. Encolhi-me o máximo que pude em seu peito e me concentrei nas batidas aceleradas de seu coração. Aos poucos fui me desligando da chuva. Quando percebi a chuva tinha passado.
- Agora que já está bem, já vou indo, Isabella.
Tive vontade de pedir que não fosse. Edward passara praticamente a noite inteira comigo no colo, sentado no sofá. Protegendo-me e me amparando com seu carinho. Foi uma verdadeira declaração de amor.
- Obrigada, Edward – disse, saindo do seu colo e me levantando. – Não sei nem como agradecer. – Será que não sabia mesmo?
Edward também se levantou. Aproximou-se de mim, deixando-me com as pernas bambas, agora que o pânico não me dominava mais.
- Eu tenho esperança que ainda me perdoará, Isabella. – Falou, olhando intensamente em meus olhos. - Vou te esperar o quanto for necessário. E não precisa me agradecer. Sempre que precisar estarei do seu lado.
- Já te perdoei, Edward. Agora só preciso me perdoar por ter te perdoado. Isso é que está sendo difícil para mim – desabafei.
Ele me deu aquele sorriso torto que me fazia perder a razão, parecendo muito feliz com o que acabara de ouvir.
- Esta parte é a mais complicada, Isabella. Mas espero que consiga. Estarei te esperando.
Edward beijou minha testa e foi embora. Subi para meu quarto e dormi feliz, sentindo seu cheiro que exalava da minha roupa.

segunda-feira, 20 de junho de 2011



Moon  Craving – Desejo da Lua

Lucy Moonre

Vamos falar sobre o segundo livro da série Filhos da Lua, Craving Moon. Eu simplesmente amei essa estória. E para ter uma idéia já li três vezes por gostar tanto. E às vezes me pego deitada em minha cama, pego o celular, abro o ebook e começo a ler as partes que mais gosto desse livro.

“E vai tocar a minha ama...” Quase morro quando Abigail fala isso para ele. shsuhsushu

Como Emily foi seqüestrada pelo rival dos Batmoral, o rei da Escócia e o da Inglaterra exigem que o Lord Hamilton envie outra filha para se casar com Laird escocês Tarloc.
A mãe da nossa mocinha, Abigail, é uma verdadeira megera e não tem o menor amor a filha por ela ter um defeito auditivo. 

Acontece é que Abigail teve uma terrível febre na infância e após a sua recuperação ficou surda. E a mãe nunca a perdoou por isso. Sendo assim a melhor saída para se ver livre é o casamento.
A megera chega a agredir a filha, que tenta argumentar de que não será capaz de levar a farsa a diante e será rechaçada pelo marido escocês. Mesmo assim sua mãe insiste nesse casamento e Abigail é levada para uma longa viagem.

Nossa mocinha é muito esperta, apesar do seu defeito, consegue ler os lábios e controlar o tom da voz. Isso a ajuda se passar por uma pessoa normal diante de Tarloc e o casamento se realiza.
Gente, o nosso mocinho, apesar de muito marrento, será muito carinhoso com Abigail e no momento em que a vê pela primeira vez, o seu lobo chama por ela. Ele acha que é apenas um instinto de proteção, mas acaba descobrindo que ela é a sua companheira sagrada de fato. Ele tenta negar, mas em seu intimo sabe que a ama.

Os dois têm cenas lindas e românticas durante o livro; Eu, particularmente, amei a primeira vez deles diante do pequeno lago, a cerimônia chrevroqui que ele faz para ela declarando a sua fidelidade. Foi lindo demais esse momento. E quando eles se unem de corpo e alma, ele consegue ouvir a voz de Abigail em sua mente e fica apavorado em um primeiro momento.
Abigail fica emocionada ao ouvir o som da voz do marido chamando por ele, chegando a achar que está ficando louca, mas isso de certa forma é um balsamo para ela. O único problema é que ele tem um segredo a qual não pode revelar e ela muito menos compartilhar a sua aflição. Os dois acabam em uma rede de mentiras e se magoam por causa desses segredos
Não contarei mais. Só o que posso dizer é que esse livro é lindo e delicioso de se ler.