sexta-feira, 24 de junho de 2011



Planos para o futuro

Os Volturis foram embora e finalmente o pesadelo parecia ter passado. Era hora de fazer planos para o nosso futuro. Quase todos em minha família concordavam que não poderíamos ficar muito tempo em Forks, pois era muito perigoso manter a farsa. Para todos os efeitos as pessoas achavam que meus pais e meus tios haviam se mudado para estudar na universidade Dartmouth. Assim não poderiam ser vistos na cidade. “Por quanto tempo conseguiriam ficar incógnita em Forks?” Essa era a pergunta que meu pai, Edward,  e meu avô, Carlisle,  faziam constantemente. Por outro, lado minha mãe, Bella, se via em um eterno dilema:  Não podemos deixar Charlie e Jake para trás!” Ela dizia enfaticamente.

Todos conheciam os riscos de permanecer ali. Alguém poderia ver minha mãe ou um dos irmãos Cullens e questionar sobre a sua presença. Qualquer pessoa que conheceu Isabella Swan notaria a diferença existente na nova Bella. Sua pele muito branca, os olhos cor âmbar, os cabelos cor de cobre e mais volumosos. Ela virou uma verdadeira top model depois da transformação. Era difícil não perceber a diferença da Bella sem sal para a nova mulher. Todos diziam. Isso sem falar em meu avô Carlisle, que teve que abrir mão do que mais amava. Ele não podia mais trabalhar como médico naquela região onde todos o conheciam. “Como explicaria a sua eterna juventude? Tudo aquilo era perigoso demais para nós. O segredo precisava ser mantido para continuarmos em paz. Os nossos inimigos precisavam de uma pequena brecha para atacar novamente e nós não podíamos dar a oportunidade. Todos concordavam, apesar de eu ser muito jovem para compreender a totalidade do que diziam.

Eu crescia em ritmo acelerado, a minha mente já era de uma pessoa adulta, por mais que tentassem esconder as coisas de mim, estava sempre atenta aos acontecimentos da casa. Assim como os outros membros da família, sempre tive ótima audição e conseguia ouvir bem, mesmo quando cochichavam. Assim procurava expressar as minhas opiniões, como uma pessoa completamente independente, mesmo sendo uma pirralha, principalmente quando se tratava do meu futuro. Havia uma parte em mim que queria ser uma eterna criança, passando os meus dias sendo mimada por meu pai, minha mãe, Rosali, Jake, Seth e o restante da família. Isso era extremamente divertido para mim e via com orgulho as disputas de Jake e da minha tia Rosali para me alimentar, quando estabeleciam uma espécie de competição. Ela dava sempre a impressão que arrancaria a cabeça dele fora. Eu realmente gostava das disputas. Aquilo me divertia bastante. Por outro lado, outra parte de mim queria apenas crescer. Ansiava por mais liberdade e poder de escolha. Não queria ser apenas a garotinha indefesa da família. E tanta proteção acabava por me irritar.

Eu amava muito Jake e não queria ficar um dia longe dele. Quando ele tinha que cumprir com as suas obrigações de Alfa, eu ficava muito ansiosa para vê-lo novamente. Não sei se comentei, mas além de ser uma híbrida, em uma família de vampiros, meu melhor amigo era o Alfa de uma matilha de lobos transmorfos. Era uma amizade nada ortodoxa, levando-se em consideração que lobos e vampiros são espécimes inimigas. Nas ocasiões em que Jake ia cumprir com suas obrigações o tempo parecia parar. As horas insistiam em não passar tornando tudo insuportável para mim. Era o momento em que aproveitava para ficar com Bella, a minha doce mãe, quando eu podia sentir o seu calor, passar horas no seu colo, sentir o seu cheiro, brincar com os seus cabelos, fazê-la ver imagens coloridas e agradáveis. Ela olhava para mim com verdadeira adoração, parecia que via a imagem de uma verdadeira santa. Aquilo me fazia sentir a pessoa mais amada e importante do mundo. Às vezes eu me sentia diferente pelo que era. Até mal quando pensava não ser completamente humana. Minha mãe, no entanto, fazia com que me sentisse normal. Era muito reconfortante.

Edward, meu pai, era lindo e irresistível. Sua voz aveludada, o seu cheiro adocicado, rosto esplendido, e os olhos... Tudo nele era inacreditavelmente incrível. Era muito fácil entender a adoração que minha mãe sentia por ele. Além dos seus atributos físicos ele era extremamente altruísta, conservador, inteligente e amável. O problema nessa perfeição toda era somente o defeito... “Seu gênio era extremamente difícil”. Isso era irrelevante levando em consideração que ele era extremamente adorável. Quando olhava para mim ou se referia a mim, podia-se ver a veneração que tinha em seus olhos... “Mais até do que por minha mãe”.  Sua voz era de reverência ao grande milagre quando ele fala o meu nome. Maior até o de ter encontrado Bella depois de cem anos de vida. Acho que se ele pudesse chorar o faria sempre que me olhava.

À noite meus pais me levavam para o nosso chalé, para terem um pouco mais de privacidade. Privacidade em uma família de vampiros era algo que ninguém podia se dar ao privilégio, levando-se em consideração os dons da família e a audição aguçada. Por isso meus pais preferiam o chalé, onde podiam passar as noites se amando. Às vezes acordava a noite e ouvia o grande amor que tinham um pelo outro, em forma de gemidos, sussurros e rosnados. Confesso que aquilo era constrangedor e chegava a aguçar a minha curiosidade. Naquela época eu não sabia nada sobre sexo. Nada é maneira de falar. É claro! Uma criatura que cresceu no meu ritmo lia muito e nessas leituras aprendia “coisas”.  Entretanto, apesar do conhecimento, a minha sabedoria era muito pequena devido a falta de experiência. Assim, ao ouvir os barulhos no quarto dos meus pais, sentia-me extremamente curiosa sobre “o que” ocorria, e principalmente “como” ocorria.

Além da minha família de vampiros e dos meus amigos lobos, ainda tinha o meu avô Charlie, que não compreendia muito bem as coisas que aconteciam, como eu crescia tão rápido e como era tão incrivelmente inteligente. Ele havia feito a escolha de saber a menor quantidade de detalhes possíveis. Mas às vezes tentava encaixar as peças para entender a minha ligação com Bella, pois não era humanamente possível ela ser de fato a minha mãe. Apesar disso, algo dizia para ele que ela era. Sempre que Jake ou minha mãe me levavam para vê-lo, havia a surpresa sem sues olhos. Era evidente a descrença, em seu olhar, em relação ao meu crescimento e inteligência.  Mesmo assim não questionava as coisas estranhas que aconteciam porque esse foi o acordo que fizera com Jake e com meus pais. Ele achava que eu era a sobrinha adotada de Edward, mas sempre procurava semelhanças minhas com Bella. Dizia que eu tinha os seus olhos e os seus cachos, além de ser totalmente descoordenada como ela. Sabia, no entanto, que era melhor para não procurar explicações lógicas.

Apesar de meu pai não gostar muito, Jake sempre me levava para La Push onde eu me divertia com seus irmãos lobos, com Claire, Emily, Rachael, Kim, Sue e Billy. Todos eram muito amáveis comigo, exceto Leah que parecia ter algo engasgado na garganta. Ela não discutiria com uma criança, de aparentemente 6 anos, e mesmo que ela tentasse Jake tomaria as minhas dores. Mesmo assim tinha a plena certeza da sua repulsa por mim. Era mais claro do que a água. Seu olhar zangado às vezes me dava medo.
Minha vida era quase perfeita afinal. Tinha todos junto a mim e era feliz, amada, mimada. Além de ter todo conforto, amor, felicidade... e Jake. “O que uma criança poderia precisar para ser feliz?” Aquela aparente tranqüilidade começou a passar poucos dias antes de eu completar 1 ano, sete anos aparentemente, quando ouvi uma conversa entre Edward e Jake:

-Jacob, temos que conversar. - Disse meu pai com os braços cruzados. A voz parecia apreensiva e triste, enquanto minha mãe estava com uma expressão de dor e angústia. Fiquei atenta a conversa. Sabia que pelas expressões era algo muito sério. Meu coração bateu forte naquele momento e fui tomada por uma estranha angustia. Era a primeira vez que tinha aquela sensação de perda.

-O que está ocorrendo, Edward? - Perguntou Jake com tom apreensivo. Eu o conhecia bem para saber que algo estava o rasgando por dentro. Vê-lo naquela maneira me doeu ainda mais. Queria fazer algo para tomar aquela dor. Apesar disso me mantive incógnita para ouvir o resto da conversa. Sabia que se me descobrisse estaria ferrada.

- Ness vai completar sete anos e as pessoas vão começar a desconfiar que há algo errado. - Disse meu pai, tentando encontrar a palavra certa para explicar a situação. Ele olhou para minha mãe de forma tão estranha. Acho que sabia como ela estava se sentindo. Ela tinha a mesma expressão de dor de Jake. Eles eram amigos há muito tempo e muito cúmplices. Se havia algo que odiava era fazer o amigo sofrer.

- Se você se refere a Charlie e as pessoas em La Push, pode ficar tranqüilo. Todos sabem o suficiente. - Jake respondeu na defensiva. Sua voz estava mais rouca do que normal. Parecia sussurrar enquanto falava. Percebi o esforço que fazia para não perder o controle.

- Você não está entendendo. Já estamos há mais tempo que deveríamos em Forks. Não podemos nem ir até a cidade. Para todos os efeitos estamos todos na faculdade. – Meu pai fez uma pausa e depois continuou. - Está muito perigoso! -Afirmou com uma voz triste.

- O que você quer dizer, Edward? Seja claro, por favor! - Ordenou Jake aumentando o volume da sua voz enquanto arqueava uma das sobrancelhas.  Tive a certeza de que ele já sabia o que estava acontecendo. O que meu pai estava tentando dizer... “Iríamos partir de Forks.”

- Nós vamos embora! - Disse minha com uma voz quase chorosa. Acho que se ela pudesse chorar as lágrimas estariam rolando pelo seu rosto naquele momento. Eu estava no canto da sala, escondida, mas meu pai podia ouvir o desespero nos meus pensamentos. Percebi como aquilo o fez sofrer. Ele não queria que me sentisse daquele jeito. Se pudesse faria algo para evitar aquilo, mas não tinha como fazer nada. Sofria muito por isso.

-Não!! Como assim? Não podemos!! E Jake? Não! Por favor...

Jake falou com um tom mais nervoso dessa vez:

- Vocês sabem que não vou agüentar ficar longe dela. - A sua voz parecia chorosa e eu pude ver as lágrimas se formando no canto de seus olhos. Chorei ao ouvir as suas palavras. Era desesperador. A dor me corroia por dentro. Não conseguia me ver longe dele. Imaginar acordar um dia sem ver o seu sorriso. Não ter mais as suas brigas com Rosalie. Não poder montar em seu logo e correr pela floresta. Era desesperador pensar em tudo aquilo. Algo dentro de mim começou a se romper quando ele disse que não podia agüentar ficar longe de mim.

- O que significa isso? Não conseguir ficar longe de mim? Eu não entendo!!

Naquela hora tentei não raciocinar e só me concentrar  na conversa. Eles estavam decidindo sobre a minha vida no final das contas. Precisava saber o que aconteceria daquele momento em diante.

- Temos que ir. Não podemos mais ficar. Sei que estávamos matando você mais uma vez Jacob, mas não há alternativa agora. – Minha mãe praticamente gritava. Cada palavra estava rasgando-a por dentro. Tinha certeza disso e acho que Jake também sabia. Mesmo assim ele não conseguia evitar o sofrimento. Eu cheguei a ficar sem ar ao ver sua face.

Pude ver o rosto de Jake cheio de lágrimas agora. Parecia um menino naquele momento. Tive tanta vontade de colocar sua cabeça em meu colo e fazê-lo se acalmar. Ele se sentou no sofá, colocou a cabeça nos joelhos e ficou pensativo por alguns momentos... “Algo me dizia que ele estava morrendo por dentro”

De repente, os outros membros da família entraram na sala e pude ver a expressão de tristeza em cada um deles, exceto Tia Rosali, é claro, que parecia muito satisfeita com a situação. Eles ficaram observando sem falar nada. Era notória que não gostavam de provocar aquela dor em Jake. Eles o tinham como membro da família. Estavam acostumados com a sua presença constante dia e noite na casa. Meus avós o tratavam como filho, meus tios e meu pai como irmão, Alice fazia dele um boneco. Ela tentava mudar o seu modo de vestir, pelo menos tentava quando ele deixava. Minha mãe tinha uma relação de amizade, mas havia muito mais atrás de seus sentimentos. Naquela época não conseguia entender bem o que era. Todos sofriam com aquela situação. Acho que mesmo Rosalie não gostava do modo como conduziam aquilo, apesar de não deixar aquilo claro em nenhum momento.

Alguns segundos passaram, eu não consegui refletir sobre tudo aquilo, estava desorientada demais para pensar logicamente. Dirigi-me para perto de Jake, sentei no chão, coloquei a cabeça na sua perna e deixeis as lágrimas descerem pelo meu rosto, sentindo muita dor rasgando o meu peito, como se parte da minha própria vida estivesse sendo arrancada de mim. Nunca pensei que pudesse sentir tanta dor até aquele momento. Foi a primeira vez que me senti daquele jeito. E um grito saiu pela minha boca sem mesmo me dar conta do que fazia.

- EU NÃO VOU!!!!!!!!!!!!!! VOOOUUUU FICAAARRRR COM JAAAAKKKEEEEEE!!

Minha mãe olhou arrasada para mim e disse: - Querida, você não pode ficar. Temos que ir embora. É preciso partir... - Quase gaguejando quando dizia. Ela tentou se aproximar, ma seu estendi a mão para impedir. Não queria ninguém naquele momento que não fosse Jake. Nem mesmo o calor da minha mãe me confortaria. Estava sangrando por dentro.

- Isso é necessário!!! - Ela terminou arrasada

Eu chorava compulsivamente quando Jake me abraçou e desmoronou sem pudor pela presença da minha família. Naquele momento parecíamos duas crianças chorando. Eu sentia os seus braços me apertando, como se não quisesse me deixar partir. O seu corpo estava mais quente do que o normal. Tive a impressão que ele lutava para não se transformar. Mesmo com todo aquele calor, poderia ficar em seus braços para sempre. Era o único lugar em que me sentia confortável.

- Quando? - Perguntou Jake com a voz engasgada pelo choro

- Depois da festa de aniversário. - Respondeu meu pai virando-se de costas. Sua expressão era de profunda dor. Parecia que alguém estava o torturando naquele momento. Acho que ouvir os meus pensamentos desesperados não ajudou muito naquele momento.

Jake me beijou na testa e depois me afastou dele delicadamente. Saiu sem falar mais uma palavra, deixando-me desconsolada.

Sai correndo da sala e fui para o meu quarto, onde poderia chorar sem os olhos críticos da família e passar pela minha dor sozinha. Não queria ninguém me consolando. A última coisa que precisava era ouvir a palavra: “coitadinha”.

Eu estava deitada na minha cama, com as lágrimas ainda rolando pelo meu rosto, o coração rasgando, falta de ar e um desespero que estava me deixando louca, quando ouvi a sua voz e senti o seu cheiro. Desci as escadas correndo e me atirei nos seus braços.

- Oi Ness! - Ele falava enquanto eu o abraçava tão forte que parecia que eu iria quebrar. Sentia que ele era parte de mim e tinha que aproveitar as ultima horas com o meu melhor amigo. Mesmo com os olhares de desaprovação da minha família. Eu sabia que eles não aprovavam tanta aproximação. Principalmente meu pai, que se mostrava ciumento.

Depois de alguns segundos Jake falou:

-Olá! Tenho que conversar com vocês! – Disse com tom cerimonioso. Era até estranho vê-lo falar daquela maneira. Normalmente era mais descontraído, mas era compreensível levando-se em consideração o que estava ocorrendo.

- Pode falar, Jacob. - Disse Carlisle.

- Tenho uma proposta. – Disse arqueando uma das sobrancelhas e fitou a família, esperando uma reação as suas palavras.

- Estamos dispostos a ouvir e chegar a uma solução. - Disse meu pai. Acho que ele já havia lido os pensamentos de Jake, pela cara que fez naquele momento. Mas não era mal educado para não o deixar falar para a família. Eu queria muito ter o seu dom naquele momento. Estava me corroendo por dentro de tanta curiosidade.

- Vocês vão e se estabelecem... Depois eu vou e arrumo lugar próximo a de vocês. - Jake falou me apertando mais forte em seus braços, como se tivesse mede de me soltar e eu sumir dali. Acho que a sua vontade era a de fugir comigo naquele momento. Mas ele não era burro para tentar escapar de um monte de vampiros. Se tivesse sozinho ainda teria alguma chance. Comigo de contrapeso aquilo era quase que impossível.

-Como assim? Você vai embora conosco? Vai abandonar a sua matilha? – Minha mãe perguntou assustada. Acho que nem ela imaginava que ele fosse capaz de um ato daquele. Ela  já sofria muito por ele, apesar de não ter como ajudar, nunca achou que fosse tomar aquela atitude. Ela sabia como ele era ligado aos irmãos da matilha e a sua família. Principalmente como amava aquela reserva. Nem eu acreditei quando disse aquelas palavras.

- Sim, eu vou! Já conversei com Sam e os outros... Todos concordaram. - Jake fez uma pausa e respirou fundo enquanto a sala permanecia em silêncio. Uns olhando para os outros sem terem o que dizer. “Como poderiam se opor diante de tal proposta?” Ninguém abriria mão da vida como ele estava fazendo. Era um gesto mais do que louvável da parte dele, considerando que não éramos nem parentes. “O que aquilo significava?” eu me perguntei naquele momento. Meu pai me olhou atônito naquele momento.

- Eu virei para casa nos fins de semana para visitá-los, até a hora de voltarmos para Forks. Talvez em 6 ou 7 anos... Quando Ness parar de crescer. - Ele concluiu ainda respirando rápido. Estava completamente decidido. Tive a certeza disse pela forma como falava. E conhecendo o bem, como conhecia, sabia que não mudaria de idéia por nada nesse mundo. Mesmo que minha família não o aceitasse, ele iria atrás de nós de uma forma ou de outra.

O silêncio foi insuportável, mas tia Rosali tratou de quebrá-lo com seus gritos histéricos.

- NÃO!! NÃOO!!! ISSO É ABSURDO. – Ela estava muito brava. Sabia que a causa era perdida, mas não deixaria de lutar. Estava convencida que logo o deixaríamos para trás e agora ele iria junto conosco.

- Cale a boca, Rosi! Isso não é decisão sua. - Disse Esme irritada. Ela amava Jake como um filho. Mesmo com a diferença de raças, procurava não fazer distinção e amava cozinhar para ele. Virou uma ótima cozinheira por conta disso. Não gostava quando Rosalie o tratava como um cão sarnento. Alias ninguém gostava, nem mesmo Emmett para dizer a verdade.

- Como pode aceitar, Edward? Você vai permitir esse cachorro morando conosco? - Rosali continuou irritada, protestando e esbravejando o quanto podia. Fuzilava Jake com os olhos. Acho que se ela pudesse, teria o matado naquele momento.

-Carlisle? Como pode? - Ela completou. Olhou para o resto da família, procurando apoio, mas não teve nenhum. Ninguém se opôs.

- Você está certo disso? - Perguntou Carlisle com um tom inquisitivo. Ele se mantinha calmo como sempre, mas podia perceber a sua inquietação. Meu avô sempre procurou fazer o melhor para a família. E naquele momento, o melhor era me fazer feliz. Só que a isso tinha que manter perto de Jake. Mesmo que inconcebível a relação entre raças, ele, assim como os demais, excluindo Rosalie, passavam por cima das diferenças pelo meu bem.

- Sim, estou certo! Eu não tenho alternativa. - Jake disse com uma voz calma e serena.

Carlisle pediu uns minutos para a família se reunir e discutir a questão em outro cômodo da casa. Enquanto Jake e eu fomos para fora de casa. Ficamos nos olhando calmamente por alguns momentos, sem precisar falar nada porque sabíamos exatamente o que o outro estava pensando. Era estranho aquela ligação que tínhamos. De certa forma até reconfortante para os dois.

- Eu não vou deixar você, pirralha! - Ele riu encantadoramente. Pela primeira vez o vi descontraído. Nem parecia o mesmo de momentos antes. O sorriso iluminava todo o rosto e o deixava mais bonito.  Fazia meu coração se encher de calor. Naquela época Jake já era o meu sol particular.

- Eu também não quero ficar longe de você, Jake. Você é meu melhor amigo... É quase o meu irmão. - Eu disse inocentemente. De certa forma era verdade. Não havia malícia em meus pensamentos naquela época. Eu o via apenas como um irmão. Talvez até mais. Havia uma ligação mais forte do que poderia explicar.

Ele mexia nos meus cabelos quando Esme nos chamou:

- Jacob! Nesse! Precisamos de vocês. – Disse com tom urgente e assentimos com a cabeça.

Nós entramos e ficamos ouvimos Carlisle falar sobre os planos para o nosso futuro. Tudo parecia extremamente simples a primeira vista. Eu desconfiava que teríamos problemas, mas não diria nada para ninguém, exceto meu pai, que podia ouvir os meus pensamentos. Isso era outra coisa. Ficaria apenas entre nós.

- Nós nos mudaremos para uma cidade no Canadá, que não ficaria muito distante de Forks, Jake e Ness serão nossos novos filhos adotivos. – Disse com naturalidade.

- Você terá que concordar em morar conosco, já que está abrindo mão da sua vida para ficar com a nossa família. Não permitirei que passe nenhum tipo de necessidade e custearei seus estudos e sua estadia. Você irá para a Universidade, junto com os outros membros da família. E terá os mesmos direitos e deveres. – Continuou falando de forma polida. - Depois que todos terminarem de cursar a Universidade, e Ness estiver aparentando uma adolescente de 16 anos, voltaremos para Forks e nos instalaremos novamente.
- Ness começará na escola na High schooll de Forks e todos já terão uma profissão, sendo capazes de passar por adultos de 25 e 30 anos, com seu próprio negócio de fachada.

Jake balançou a cabeça em sinal de positivo e disse: - Concordo com tudo o que vocês quiserem, mesmo que tenha que me humilhar e se sustentado por sanguessugas, desde que não fique longe de Ness.

- Você tem certeza disso? - Perguntou Carlisle, olhando inquisitivamente enquanto franzia o cenho. Ele sabia do que Jake estava abrindo mão...”O seu orgulho”. Não queria lhe impor nada, mas não o deixaria passar privações por causa da família.

- Absoluta!! - Ele respondeu sinceramente. Se estava fingindo, fez muito bem. Não notei qualquer sinal de hesitação em sua voz ou expressões. Estava ciente dos seus atos. Eu não entendia bem como alguém era capaz de tantos sacrifícios. Mesmo assim agradecia por não permitir ficar longe dele. Acho até que foi egoísmo meu. Sei que foi. “Mas como pensar diferente? Sem Jake acho que morreria de solidão e de frio.”

- Jake, Você vai abandonar a matilha? Você não pode!! - Eu falei olhando em seus olhos. Tentei deixar o meu egocentrismo de lado. Ser altruísta como meus pais. Acho que ele percebeu que não estava sendo tão sincera como tentava parecer. Fui muito mimada desde que nasci e agir em pró da felicidade dos outros não era o meu forte. Normalmente as pessoas faziam isso por mim. Não o contrario. Não era fingimento. Eu me preocupava com ele sem a sua matilha. De verdade! Eu me preocupava. No entanto, acho, que minhas palavras não o convenceram.

- Eu já conversei com Sam e acertamos tudo. Eu virei para La Push nos fins de semanas e nós ficaremos conectados quando eu estiver na forma de lobo. – Disse da forma calma. Sabia que por dentro ele estava sangrando. Nunca havia se afastado dos seus. Ele tinha uma escolha e obviamente eu estava em primeiro lugar. Senti-me péssima com aquilo.

- Você vai abandonar tudo por mim? - Eu sabia que era egoísmo da minha parte desejar isso, mas eu queria entender os motivos dele. Só queria entender porque era mais importante do que os seus irmãos, família e o lugar que amava.

- Quando você nasceu... - Ele suspirou olhando para mim. Havia um brilho diferente em seus olhos. Não consegui identificar exatamente o que era. Ele me olhava como se fosse o mais precioso diamante.

- Eu prometi que protegeria você de todos os perigos. Esse mundo é cheio de criaturas estranhas vampiros e lobisomens, acho que bruxas e feiticeiros... Além dos assassinos italianos. - Ele riu para mim de forma zombeteira. Sabia que ele se referia aos Volturis. Ele sempre se preocupava com um possível ataque. Quando estávamos na floresta, qualquer barulho o deixava alarmado.

- Eu não poderia ficar tranqüilo sabendo que uma dessas criaturas poderia te fazer mal. Eu ficaria muito preocupado e por isso prefiro manter você na minha vista. - Ele terminou como se aquilo fosse natural.

- Jake, Eu sinto muito por obrigá-lo a isso. – Minha mãe disse olhando tristemente para ele. Ela sabia como seria para ele abrir mão de tudo. Ela fez a sua escolha e sabia o que aquilo significaria. Não queria vê-lo se arrepender por se associar sua espécime.

- Não se angustie, Bella. Eu sempre soube que um dia isso aconteceria. - Ele respondeu olhando para ela. Houve uma cumplicidade estranha naquele olhar. Eles sempre faziam isso. Pareciam conversar apenas com o olhar. Não sabia o que aquilo significava. Apenas achava estranho que meu pai não ficasse bravo com os dois. Às vezes ele era extremamente ciumento quando se tratava de Jake.

- Eu já te fiz tanto mal e agora... – Minha mãe não completou a frase. Acho que estava chorando por dentro. Quis entender o que ela quis dizer com “ Eu já te fiz tanto mal” Sabia que havia segredos entre minha mãe e Jake. Odiava aquilo. Realmente odiava. Era possessiva em relação a ele e saber que havia uma ligação entre os dois, uma cumplicidade que ninguém me explicava direito me deixava ciumenta. Ele a olhava como se disse que não precisava falar mais nada. Era estranho quando fazia isso. E ao me ver suplicante, começava a falar para que eu compreendesse o que passava. Eu me sentia uma idiota.  

- Você sabe que eu sempre te amei, Bella. Eu nunca quis ficar longe de você. Mas agora isso é inevitável para mim. Não há outra forma... – Ele hesitou olhando ora para mim e ora para ela. - Eu não tenho escolha.

Eu não tenho escolha... O que queria dizer com aquilo? Será que algum dia me explicaria essas coisas?

- Eu sempre quis que fossemos uma família, mas não queria que você abandonasse tudo. - Ele sussurrou angustiada.

- Eu não estou abandonando nada. – Ele respondeu exasperado. - Estou seguindo a minha vida!! Não se lamente por mim. - Ele ficou olhando para ela, enquanto eu e o resto da família olhávamos para ele com pesar.

- Ness, você toca uma música para mim? - Jake pediu quebrando aquele clima pesado. Abriu um sorriso e fingiu que nada demais acontecia. Mas eu sabia que por dentro ele estava chorando. Acho que todos sabiam na verdade. Ele sabia fingir bem quando queria.

- É claro, Sr Black. - Eu ri para ele enquanto me dirigia para o piano. Estava com coração desolado. Mesmo assim decidi tocar a música com toda a minha alma. Sabia que ele adorava me ouvir tocar. Era o mínimo que podia fazer diante daquele sacrifício. Ele renunciava a vida que tinha para ficar ao meu lado. Jurou me proteger de tudo e de todos. “Mas quem protegeria o seu coração?” Eu queria fazer isso. Juro que queria.  Mas como poderia dar a ele algo que se igualasse a tudo que deixava para trás? Era um grande sacrifício para qualquer um. Até mesmo difícil de entender. Eu me perguntava os seus motivos e apenas não conseguia encaixar as coisas. Ele dizia querer me proteger, mas eu já estava protegida. Minha família era mais do que capaz disso. “Então qual motivo de tanta insistência?”



Naquela noite eu fui dormir pensando em tudo que minha mãe e Jake falaram. Tentei entender o significado daquelas palavras.

O que ela quis dizer? Como ela o fez sofrer? O que significava aquilo tudo? Por que ele precisava me proteger se eu tinha uma família de 8 vampiros? Eu sou egoísta demais a ponto de o permitir aquela loucura?Sim! Eu sou!

Algo dentro de mim gritava para fazê-lo ver as conseqüências dos seus atos. Queria mostrar a ele que não poderia abrir mão de sua vida por mim. Outra parte, entretanto, dizia para continuar a ser egoísta e mimada. Afirmava que eu não sobreviveria sem meu “Sol particular”. Pela primeira vez na vida eu vivi um grande conflito interno. Minha mente, tão prematura, lutava entre a razão e a emoção. No fundo eu só queria ser uma criança, sem preocupações ou aborrecimentos. Queria manter a vida confortável que tinha. Meu coração doía tanto, que era difícil esconder de meus pais a minha aflição. Mesmo a minha mãe, que não podia ler mentes, via em minhas expressões a totalidade da minha angústia.

Como sobreviver a todas essas mudanças, quando se é apenas uma criança crescendo rápido?”

Eu queria obrigar o meu corpo a não crescer. Era tão desesperador viver com todos esses conflitos.  Mas um dia eu pretendia entender o que tudo aquilo significava. Estava pensando sobre aqueles fatos quando cai no sono.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

PRÓLOGO

Depois da batalha contra os Volturis, a vida se tornou feliz para a família Cullen novamente e tudo parecia ter voltado um normal. Eles tinham uma preocupação a menos, mas sabiam que o crescimento acelerado de Renesmee continuaria por algum tempo. Seria necessário apenas sete anos, segundo o único híbrido que conheceram para ela ser uma adolescente. As coisas não eram tão simples como pensavam, mesmo sem os Volturis. Não poderiam continuar mais tempo naquela pequena cidade. Era preciso partir o mais rápido possível. Já haviam feito isso muitas vezes, mas agora existia um problema: “Jacob Black”.
Bella não queria partir o coração de seu melhor amigo novamente e apesar de saber que precisavam ir embora o mais depressa possível, relutava contra a idéia e tentava adiar a partida eminente. Sabia, no entanto, que logo precisavam ir... “Aquilo doeria o coração se ela ainda o tivesse batendo quente e pulsante em sei peito”.
E agora? Será que Jake viveria sem Renesmee? Como ele receberia essa notícia? Ele seria capaz de abrir mão da sua vida para ir atrás do seu pequeno universo? Inimigos mortais poderiam viver sem conflitos? A ligação do imprinting, ou amor, como muitos acreditavam, seria capaz de fazê-lo suportar a perda dos amigos, lar e sua própria família?
Essa é uma história de renúncia, lutas e conflitos. Acima de tudo, é uma grande estória de amor. Um amor que é capaz de tudo o que for necessário para apenas estar junto ao ser amado. Um amor desprendido de interesses, paciente, cuidadoso e acima de tudo gentil. E para quem não ficou feliz com o final de Jacob Black, Irá se surpreender com as surpresas que o destino reservou para ele.

“Sol da minha vida é uma estória que vai fazer você se emocionar”


A MIRAGEM
(Marcus Viana)

Ah! Se pudéssemos contar
As voltas que a vida dá
Prá que a gente possa
Encontrar um grande amor...
É como se pudéssemos contar
Todas estrelas do céu
Os grãos de areia desse mar
Ainda assim...
Pobre coração
O dos apaixonados
Que cruzam o deserto
Em busca de um oásis em flor
Arriscando tudo por
Uma miragem
Pois sabem que há uma fonte
Oculta nas areias...
Bem aventurados
Os que dela bebem
Porque para sempre
Serão consolados...
Somente por amor
A gente põe a mão
No fogo da paixão
E deixa se queimar
Somente por amor...
Movemos terra e céus
Rasgando sete véus
Saltamos do abismo
Sem olhar prá trás
Somente por amor
E a vida se refaz...
Somente por amor
A gente põe a mão
No fogo da paixão
E deixa se queimar
Somente por amor...
Movemos terra e céus
Rasgando sete véus
Saltamos do abismo
Sem olhar prá trás
Somente por amor
A vida se refaz
E a morte não é mais
Prá nós!...

Epílogo

 _ Sei que sou uma pessoa privilegiada. Tenho uma linda família.
É muito bom saber que temos a quem recorrer em momentos difíceis, que temos com quem compartilhar momentos importantes, e sentir que existem pessoas que acreditam na gente e torcem pela nossa felicidade.
É no seio familiar que aprendemos a conviver socialmente, que formamos nossos princípios e valores, é ele o alimento para o nosso crescimento e o lugar para onde retornamos dia após dia.
O mundo progride a todo instante. A cada dia novas descobertas, novas técnicas. Os conceitos mudam, as estruturas se refazem os valores são modificados, mas uma coisa permanece: a importância da família.
Tenho uma mulher linda Renesmee Carlie Cullen Black, a quem eu devo a minha vida ela me fez voltar a viver, sem ela eu não teria uma família linda e tenho orgulho.
Tenho dois filhos Joshua Cullen Black de 15 anos, um adolescente maravilhoso que lembro muito eu na infância determinado, guerreiro e uma filha que tenho muito ciúmes ela vai se casar só quando tiver 60 anos, sei que isso é impossível minha filha chama-se Sarah Cullen Black 11 anos, Sarah é o gênio de sua mãe e a bondade de ambos.
A família mantém um vínculo que agrega nas horas difíceis e empolga nas horas de festa e de alegria. Os pais quando presentes encarnam o tronco salutar de amor que repassam aos filhos através de exemplos, de vivências de sacrifícios, de coisas boas, de carinho. As palavras muitas vezes são desnecessárias ante as atitudes e os olhares de cumplicidade e entendimento.
Só quem não tem uma família é capaz de avaliar a imensa solidão, que nem trabalho e nem realização pessoal pode amenizar, já passei por essa experiência, é um inferno sem fim.
Infelizmente temos que perder membros de nossa família que nos abrem uma ferida muito grande no peito, perdi minha mãe Sarah muito novo, me revoltei contra tudo e contra todos, esse foi o meu momento de rebeldia, não soube enfrentar resolvi me esconder, e por me esconder que fiz diversas coisas ruim pelas quais não me orgulho de citá-los.
Mais a minha perda maior foi de uma grande herói  Billy Black.
Ah pai! Se eu tivesse outra chance Eu ti diria hoje! Tudo o que não disse ontem Eu pediria… Deus! Deixa ele um pouquinho mais comigo Deixa-o ele ver os netos, como eles estão crescidos…
Pediria teus conselhos, só agora compreendo O quanto eles me fazem falta, o que um NÃO! Representa. Que não! Não é repreensão! É muito mais proteção.
Ah! Lembra-se de quando apanhei de você por fazer algo errado? Ui! Como doeu... Chorei naquela época, mas fiz você chorar de tristeza pelas minhas atitudes.
Sabe depois que mamãe se foi ficamos sós nós dois, pois minhas irmãs se casaram e depois ficou só o Senhor pois te abandonei para seguir o exercito.
Levei um tombo e aprendi que existem pessoas e fatos que nem sempre nos fazem felizes, mas que precisam ser rapidamente superados porque devemos seguir em frente.
Aliás, seguir em frente foi a coisa mais importante que aprendi com você, porque nunca o vi reclamando de alguma situação, mas, sim, tomando atitudes para modificar e melhorar.
Você sempre me dizia: "se não der certo aqui, tente ali, mas nunca desista."
E hoje, pensando em você, quero celebrar a vida. Vida que você teve. Vida que você me deu. Vida que vivemos juntos.
E até creio que foi bom para você ter a mim como filho. Mas com toda certeza deste mundo, foi muito melhor ter tido você como pai...


Todos as pessoas da palestra se levantaram e me aplaudiram todas
emotivas pelo meu discurso.


“Obrigado Deus! Eu amo a minha vida!”


Saudades Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades... Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei... Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser... Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro... Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser... Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei! De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito! Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre! Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter! Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram. Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências... Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer! Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar! Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade. Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que... não sei onde... para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi... Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades Em japonês, em russo, em italiano, em inglês... mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota. Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados... para contar dinheiro... fazer amor... declarar sentimentos fortes... seja lá em que lugar do mundo estejamos. Eu acredito que um simples "I miss you" ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades... Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos. Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis! De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...
Fim