sábado, 3 de dezembro de 2011



CAPÍTULO 3 - Pobre Menina Pobre...

ALÉM DO ARCO ÍRIS
(Harold Arlen – Luiza Possi)
Além do arco-íris
Pode ser que alguém veja em meus olhos
O que eu não posso ver
Além do arco-íris
Só eu sei que o amor poderá me dar
Tudo que eu sonhei um dia
A estrela vai brilhar
E o sonho vai virar realidade
E leve o tempo que levar
Eu sei que eu encontrarei a felicidade
Além do arco-íris
Um lugar que eu guardo em segredo
Que só eu sei chegar
Um dia a estrela vai brilhar
E o sonho vai virar realidade
E leve o tempo que levar
Eu sei que eu encontrarei a felicidade
A luz do arco-íris
Me fez ver
Que o amor dos meus sonhos
Tinha que ser você....
...”Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.”
(Clarice Lispector)
Uma parte de Isabella queria acreditar que Edward não a tinha abandonado por vontade própria e sim por coação dos pais; que ele a amava desesperadamente, assim como ela o amava, e que quando ele ficasse sozinho daria um jeito de buscá-la.
Com esta esperança quase infantil, esperou por semanas. Esme e Carlisle voltaram, ostentando um silêncio que a deixava completamente sem informações do que estava acontecendo. Edward não lhe mandava uma carta, ou um telefonema, ou qualquer sinal de que honraria a promessa que lhe fez.
Quando aquele uniforme de arrumadeira lhe foi entregue, ela acordou de seu sonho dourado: “Jamais seria uma Cinderela!” Tinha nascido para Gata Borralheira. Esta era sua verdadeira vocação!
Teve vergonha de si mesma ao perceber o quanto tinha se iludido, acreditando que o filho do patrão poderia amá-la. Quem era ela para merecer tamanha deferência? Simplesmente não era nada... Nem ninguém... Era apenas uma bastarda, rejeitada pelo pai, predestinada a viver nas dependências de empregados daquela casa.
A única pessoa que a amara estava enterrada debaixo da terra.
Bella chegou à triste conclusão de que teria de viver com sua triste sina. Não nascera para ser amada. O amor não tinha sido feito para ela...
Aos quinze anos, sozinha e desiludida, deixou a mansão dos Cullen afogada em mágoas.
O fato era que Edward tinha ido embora sem levá-la e nem ao menos se dignou em explicar-lhe os motivos de sua decisão. Simplesmente rechaçou o amor que ela sentia por ele. A dor que tomava seu corpo era imensa. Parecia que um punhal tinha sido cravado em seu peito.
Juntou todo o pouco que tinha e deixou para trás os altos muros que protegiam o lugar que um dia chegou a pensar ingenuamente que era seu lar.
Na pequena sacola que continha o que era seu, levava também as cartas que recebera de Edward durante o tempo em que acreditou serem namorados. Não tinha tido forças para destruí-las e se envergonhava por isso. Queria eliminá-lo de vez de seus pensamentos, mas ainda doía muito viver sem a memória dele.
Sentia-se incapaz de sentir algo que não fosse revolta, indignação e ódio... Ódio por ainda amá-lo...
Lembrava-se da avó que dedicara dezoito anos de sua vida cuidando de Esme, dando-lhe amor, carinho e atenção. Mais atenção do que podia dar à própria filha, Renée. E o que sua família teve em troca de todo esse amor? Nada!! Sua mãe e ela foram confinadas à coxia da casa, tratadas como pessoas inferiores, que não estavam à altura de seus nobres moradores. Ainda bem que Vó Norma tinha morrido sem ver tamanha ingratidão, pensou.
Bella prometeu à mãe, diante de seu túmulo, que ela seria a última geração de sua família a herdar a subserviência dos Swan. Ninguém no mundo, principalmente as pessoas daquela família ingrata, nunca mais os humilhariam.
Daquele dia em diante os Cullen seriam seus inimigos. Faria de tudo para que aquele amor que insistia em sentir por Edward transformasse em desprezo e ódio... Tinha certeza que conseguiria. Motivos não lhe faltavam...
Trabalharia na Inglaterra até que completasse dezoito anos. Assim que pudesse retirar o dinheiro de sua poupança iria embora para os Estados Unidos. Apesar de saber que Edward estava lá, não era esta sua motivação para atravessar o oceano. Queria aproveitar sua cidadania americana para começar uma nova vida, longe das lembranças doloridas que Londres lhe trazia.
Jonas havia lhe arrumado um emprego de babá na casa dos Richardson. Ela poderia morar no trabalho e continuar estudando à noite.
Sua nova patroa não era diferente de Esme. Tratava-a bem, mas sempre deixando claro que ela era uma simples empregada naquela casa.
O único que lhe demonstrava amor verdadeiro era Thomas, o bebê de quem cuidava.
À noite, confinada em seu pequeno quarto, nas dependências de empregados, chorava, sentindo-se sozinha e desamparada. Não tinha mais ninguém no mundo. Estava entregue à própria sorte e sabia que teria de ser forte para sobreviver. A memória da mãe era a única coisa que lhe dava forças para seguir em frente.
Quando fez dezoito anos, foi ao banco no mesmo dia sacar seu dinheiro. Já tinha avisado a seus patrões que iria embora.
Levou alguns dias decidindo para onde iria. Acabou optando pelo Kansas. Em suas pesquisas soube que em Lawrence havia uma universidade Estadual Pública onde poderia se matricular. Suas boas notas e recomendações das escolas inglesas nas quais estudou poderiam lhe proporcionar facilmente sua aceitação na instituição, ainda que fossem escolas de alunos pobres.
Em algum lugar, dentro de seu coração torturado, a criança que ainda sobrevivia ali alimentava a fantasia de que se tudo desse errado em sua vida ainda haveria a possibilidade de um tornado a levar para o mágico Mundo de Oz, como no filme, e ela então seguiria o caminho de tijolinhos amarelos até encontrar a sua felicidade.
Sim, o Kansas era a melhor opção, ficava além do arco íris...
Isabella abriu a janela do ônibus e deixou o vento bater em seu rosto. Estava chegando a Lawrence, vindo do aeroporto de Wichita, e se sentia renascendo. Esperança era o melhor que trazia consigo. Dos sentimentos que a impulsionavam, este era o único que lhe dava orgulho sentir... Os outros eram raiva, revolta, sofrimento e mágoa...
Ficou numa pensão até que conseguisse alugar um pequeno apartamento. Tratou logo de procurar um emprego. Não podia viver apenas do dinheiro que a mãe havia lhe deixado.
Dois meses após chegar à América, Bella já estava razoavelmente instalada, trabalhando de balconista em uma loja de conveniências à noite e matriculada no curso de Administração de Empresas da Universidade Estadual do Kansas.
Sua vida estava começando a tomar um rumo, mas emocionalmente ela ainda estava aos pedaços. Travava uma luta interna entre o ódio e o amor que ainda sentia por Edward Cullen.
Na faculdade fez amizades, mas se mantinha reservada, não se envolvendo muito com os colegas. Seu medo de se decepcionar com as pessoas ainda a levava a impor uma distância considerável entre ela e quem quer que fosse. Sua experiência em amar e ser amada não tinha sido boa. Preferiu afastar-se da ilusão utópica de que o amor era imprescindível na vida. Amor e dor andavam junto a seu modo de ver.
Estudo e muito trabalho preenchiam os seus dias completamente. Sua vida não era fácil. Já tinha gasto parte do dinheiro que tinha e não ganhava o suficiente para ter muito conforto. Vivia com simplicidade e privações.
Isabella sonhava com uma vida melhor quando se formasse e pudesse enfim arrumar um emprego em tempo integral.
Na solidão de seu quarto, chorava a falta da mãe.
Dois anos depois de se mudar, conheceu aquele que seria um misto de amigo e namorado. Mike lhe devolveu um pouco da alegria que havia perdido. Não estava apaixonada, mas gostava de estar com ele. Aos vinte anos, voltava a sentir-se amada e protegida.
Edward já fazia parte de seu passado.



Glau
E ai? Estão gostando? Vcs não viram nada. A Estória é linda!! Comentem, Favor favor!
Quem gostou da escrita da Bethânia, leia Pena de Anjo e Crisálida. São fantásticas. 
Bjus no core

quarta-feira, 30 de novembro de 2011



Diário de uma paixão
Nicholas Sparks

Nem preciso dizer que Nicholas é o queridinho das leitoras. Com uma leitura suave, doce e sutil, aborda uma enormidade de temas, entre eles dramas amorosos e familiares. Assim não poderia deixar de comentar ao menos um de seus livros. Seria uma injustiça da minha parte e até mesmo uma falta de gosto literário.

Não é novidade para ninguém que eu odeio ler livros que já assisti ao filme. Perco completamente o tesão pela leitura nessas circunstâncias e fiquei receosa em comprar esse livro, visto que já havia assistido o filme diversas vezes. Cheguei a comprar o DVD só para ver naqueles momentos de romântica melosinha. Quando o livro foi colocado na pré-venda, namorei algumas vezes e não comprei. Fiquei bem hesitante quanto a isso.

Depois de um tempo, resolvi ceder e adquiri o bendito. Comecei a ler e a primeira coisa que me chamou a atenção foi à narrativa mais rápida do Nicholas. Acho que para quem acompanha o grupo de discussão, não é novidade que acho a narrativa dele um pouco lenta. Ele detalha muito alguns pormenores e para dizer que o céu está azul e o dia lindo, escreve duas páginas. Só que nesse livro ele foi mais conciso e a leitura bem mais interessante. É claro que para variar o livro não foi exatamente como o filme e me tirou um pouco o encanto. Alguém pode me dizer qual a dificuldade em fazer um filme bem fiel à obra? Eu não sei, sinceramente, o que se passa na cabeça de produtores e roteiristas, mas às vezes dá um pouco de raiva. Tirando isso, tudo ocorreu bem até demais e para variar eu devorei o livro.

Nem preciso dizer que chorei horrores, preciso? Gente, eu li os últimos capítulos no ônibus, na volta para casa, e chorava de soluçar. O homem que estava ao meu lado chegou a me oferecer ajuda... Ai que vergonha! Mas valeu a pena. Foi tudo de bom.

Esse livro é de uma delicadeza tão tocante e a estória, por mais que não existam muitas aventuras e emoções, faz o coração do leitor palpitar de ansiedade, amor e nervosismo. A pessoa se imagina vivendo toda aquela situação e fica completamente em trânsito. Acho que foi por isso que chorei tanto...

Posso contar um segredinho? Para quem está lendo “Para Sempre”, pode ver que a minha narrativa “tenta” ser mais suave e sutil. E a estória, por mais que seja diferente, bem lá no fundo apresenta uma certa semelhança. Foi nos últimos capítulos do livro que eu imaginei “Para Sempre”. Não baseado no livro, mas nos dois velinhos que compartilharam uma vida e mesmo nos últimos momentos vivem uma amor tão real, que mesmo pelas circunstancias da vontade de está naquela situação. Eu não consegui me imaginar assim, mas tive que treinar e pensar como tal para escrever. Acho que está dando frutos, afinal vocês dizem adorar.

Agora vamos falar da estória de  Allie e Noah.No final das contas é ela quem importa aqui.

Amor adolescente, as primeiras descobertas, emoções e desejos. Os dois se conhecem quando Allie vai ver um tempo em Nova Berna e lá conhece o seu primeiro amor. A mais forte, intensa e inesquecível das paixões surge e os dois mergulham de cabeça. Vivem cada dia de forma intensa, como se fosse o último. As coisas ficam tão fortes e íntimas que a mãe de Allie, uma riquinha metida a besta e esnobe, decide que é à hora de separar os dois. Ela não vê futuro naquele romance e joga um balde de água fria... OH mulherzinha insuportável!

O momento da separação é difícil e conflitante, mesmo assim ambos guardam consigo a vontade de continuar a relação à distância. Mas a mãe de Allie não está disposta a permitir que a filha tenha o futuro arruinado, escondendo as cartas que Noah envia para ela. Ambos sofrem intensamente por aquela ruptura e mesmo o tempo não é capaz de apagar as cicatrizes deixadas.

Anos mais tarde, Allie se alista como enfermeira durante a guerra e conhece Lon, um rico, belo e apaixonado jovem que a envolve durante aquele período de carência. Allie reluta contra aquele sentimento, mas acaba se rendendo e os dois passam a namorar. Os pais dela aprovam a relação, baseados na posição social e no dinheiro dele, e logo ficam noivos. Tudo parece bem é ela está feliz com a proximidade do casamento, até o dia em que abre o jornal e vê aquele anúncio...

Noah passou anos amargurado, foi para guerra, arrumou alguns empregos e quando volta para a cidade decide comprar a velha casa onde ele fez planos com Allie. Com a ajuda de seu pai, ele começa a reforma. Mesmo após a morte do pai ele continua no plano de deixar aquele local o lugar dos sonhos dos dois. Tem uma amante, mas que não consegue mantê-lo apaixonado e desejoso. Sua vida é monótona e sem graça até o dia em que decide vender a casa. Parece estranho, mas depois de lutar tanto por deixar o lugar como queria, aquilo parece não satisfazê-lo e faz anúncio de venda. Vários compradores aparecem, mas nenhum parece bom o suficiente para o seu castelo de lembranças. Até o dia que ela ressurge...

A partir desse momento, os caminhos dos dois voltam a se cruzar e Allie tem uma difícil escolha a fazer. É algo muito difícil, pois largar todos os planos, o noivo e a família na véspera do casamento não é nada fácil. Só que aquela paixão, que passou tantos anos recolhida, explode de uma forma, que ela já não sabe se consegue viver sem ele.

No final de tudo, você vê dois velinhos, em uma casa de repouso, recordando tudo através da leitura de um diário...

Acho que já contei demais, né? Eu e meu linguão. Kkk Mas resumindo tudo, a estória é maravilhosa, doce, intensa e deliciosa. Toca o coração do leitor e o deixa completamente rendido. De todos os livros do Nicholas que li, esse foi o que mais gostei, apesar de amar Um amor para recordar (Um momento inesquecível), Diário de uma paixão se tornou um hino de amor. É o livro que terei sempre que quiser ler quando precisar amolecer o meu coração.

Se eu fosse definir em uma só palavra, diria que esse livro é TOCANTE!

Quem não leu, não deixe para depois. Vale à pena comprar.


Espero que gostem!

Sinopse
"Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome em breve será esquecido, mas amei outra pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou." Noah Calhoun Assim tem início uma das mais emocionantes e intensas histórias de amor que você lerá na vida... O livro é o retrato de uma relação rara e bela, que resistiu ao teste do tempo e das circunstâncias. Com um encanto que raramente é encontrado na literatura atual, O Diário de uma Paixão de Nicholas Sparks, o consagra como um contador de histórias clássicas, com uma perspectiva excepcional sobre a mais importante e única emoção que nos mantém. Com mais de 12 milhões de cópias vendidas, o livro que emocionou as pessoas ao redor do mundo, foi traduzido para mais de 20 línguas. 

Bjus no core


CAPÍTULO 2 – Pobre Menino Rico...
EU SEI QUE VOU TE AMAR
(Vinícius de Moraes)
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar.

E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida.

Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou.

Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida.

"Um covarde é incapaz de demonstrar amor; isso é privilégio dos corajosos." (Mahatma Gandhi)
Edward acordou sufocado. Um aperto no peito o impedia de respirar direito. O dia de seu aniversário não era motivo de alegria para ele. O peso que sentia por estar completando dezoitos anos não tinha nada a ver com a responsabilidade que a maioridade impunha, mas sim com o fato de que o tempo que pedira para Bella esperá-lo havia acabado. Era hora de cumprir a promessa que fizera a ela, mas não era bem isso que aconteceria... Iria embora sem ela... Ele não era um homem de palavra!
Edward descobriu ainda na juventude que era um fraco.
Suas malas estavam prontas para atravessar o continente e ir morar no país de sua mãe, mais precisamente em Massachusetts, onde faria faculdade em Yale... E iria sozinho. O pai o convencera a desistir de seu plano de fugir com Bella. Queria-o bem longe da filha da empregada e era assim que seria.
Edward ficou torcendo para que não visse Bella enquanto entrava no carro para ir embora. Não suportaria ver sua cara de decepção quando descobrisse que ele não a levaria para os Estados Unidos como havia lhe prometido.
Sentia-se como um verme, um crápula, um nada...
Não tinha sido homem o bastante para romper com seu apego aos bens materiais e ao dinheiro e se jogar de cabeça no sentimento puro que nutria por ela. Sequer tinha tido a hombridade de avisá-la de sua decisão.
Edward sabia que um dia se arrependeria amargamente de ter sido tão covarde. Pensando bem, Bella merecia alguém melhor do que ele, concluiu decepcionado.
Segurou as lágrimas o máximo que pode, guardando a imensa dor que sentia dentro de si. Ela seria sua companheira por longos anos.
Decidiu naquele momento que não voltaria nunca mais para aquela casa. A mansão da qual o carro se afastava lentamente era para ele como o “Templo de sua vergonhosa existência”. Sim, Edward tinha vergonha de quem era...
Vergonha por nunca ter tido coragem de defender a mãe da violência psicológica que sofria...
Vergonha por não ter defendido Renée e a filha dos preconceitos do pai...
Vergonha por trair a confiança de Bella quando ela mais precisava...
Vergonha por não valorizar o amor que sentiam um pelo outro...
Vergonha por ser um Cullen!!
Quando chegaram ao aeroporto, Edward evitou o olhar acusador de Jonas. Desta vez não havia escrito nenhuma carta para que ele entregasse à Bella. Não tinha tido coragem suficiente para escrever-lhe que tinha trocado seu sorriso ingênuo por uma Ferrari; seu olhar doce por cavalos de raça; seu amor verdadeiro por dinheiro... Era algo vil e deplorável para se deixar documentado, pensou.
Ele, Edward Cullen, a seu ver, era pior que o pai, pois enganadas por seu jeito gentil, suas vítimas desconheciam sua letalidade. A Inglaterra não estava perdendo nada com sua ida para a América... Os pensamentos desta triste constatação o acompanharam por toda a viagem.
Na faculdade se apresentou como Ed Masen. Era assim que queria ser conhecido. Se não podia extirpar o sobrenome Cullen de seus documentos, extirparia de sua vida. Ainda assim sentia que por mais que fugisse e negasse, o caráter duvidoso que herdara de Carlisle estava arraigado em suas veias.
Não tinha um único dia em que Edward não pensava em Isabella, desejando saber o que tinha lhe acontecido. Decidira não perguntar sobre ela. O melhor a fazer era deixá-la seguir sua vida em paz. Ele já tinha feito estragos demais nos sonhos daquela garota, pensava.
Dois meses depois de ter se mudado para New Haven, cidade onde ficava Yale, Edward deixou o imponente apartamento onde morava e se mudou para o alojamento da faculdade. O dinheiro de Carlisle Cullen era como uma droga para ele. Precisava dele e usava-o, mas depois se sentia mal. Fora por causa de seu maldito apego a esse dinheiro que perdera o amor da sua vida.
Com o tempo chegou à conclusão que nunca mais teria Isabella de volta, mas poderia pelo menos resgatar um pouco de sua dignidade. Estava empenhado em se tornar um homem financeiramente independente.
Aos poucos foi se afastando dos pais. Ligava pouco e quase não atendia os telefonemas deles. Só os via quando vinham visitá-lo, o que foi se tornando cada vez menos freqüente, pois sempre arrumava uma desculpa para não poder recebê-los.
Esme sabia que o filho estava chateado por ela ter contado seus planos para o marido. Às vezes se perguntava se não devia tê-lo deixado viver aquele amor. Sua vida era a prova concreta de que dinheiro não trazia felicidade... Mas agora era tarde para se arrepender. Já tinha perdido parte do amor e respeito do filho.
Edward começou a dar aulas particulares para os alunos mais fracos e passou a viver apenas de seus parcos ganhos, numa condição bem mais simples do que a que ostentava antes. Admirava-se do quão feliz se sentia levando aquela vida simples. Dispensou a mesada que o pai lhe mandava, mas ainda tinha de suportar o fato de que era Carlisle Cullen quem pagava sua faculdade.
Vários meses depois de começarem suas aulas, Edward arrumou a primeira namorada, numa tentativa frustrada de preencher o imenso vazio dentro de seu peito. Sylvia era um doce de garota, mas não a amava. Seu coração ainda era e sempre seria de Isabella. Perdeu sua virgindade com ela e teve de suportar o constrangimento de ter uma crise de choro depois que fizeram sexo.
– Edward, amor, não fique assim, você foi bem. Foi tudo maravilhoso! – A namorada tentava consolá-lo enquanto ele soluçava incontrolavelmente.
Sylvia pensava que Edward estava chorando de insegurança por achar que não tinha sido bom o bastante em sua primeira vez, mas na verdade ele chorava por ter rompido o último elo que o ligava a Isabella. Tinha se guardado para ela. Prometeram-se que seriam apenas um do outro e mais uma vez não tinha cumprido sua promessa. Quem devia estar deitada naquela cama era Bella, lamentava ele mentalmente, desolado. Agora não sobrara mais nada dos sonhos que sonharam juntos. Era o fim definitivo da vida que planejara com ela.
Ao fim do segundo ano de Direito, Ed Masen começou a ganhar muito dinheiro. Ele e dois amigos da faculdade, Emmet e Jasper, criaram um site de compras com descontos na internet e sua empresa começou a crescer vertiginosamente. Suas idéias inovadoras alavancaram os negócios e no ano seguinte a “NetSale” já tinha sede própria e empregava dez funcionários. Unindo-se a uma grande empresa do Vale do Silício, o pequeno negócio continuou crescendo nos anos seguintes e seus sócios lucravam cada vez mais. Edward era enfim completamente independente do dinheiro do pai.
Rico, agora pelo próprio esforço e trabalho, e com um diploma de advogado nas mãos, Edward jogou seu capelo para cima, comemorando com os colegas o fim de cinco anos de dedicação aos estudos universitários. Formou-se com honras e méritos, mas continuava se sentindo um fraco e traidor por dentro.
Ganhou os parabéns do pai pela webcam. Carlisle estava em Israel a negócios. Esme foi à formatura. Chorou ao abraçar o filho. Apesar de toda a alegria do momento ela conseguia enxergar no fundo de seus olhos que ele era uma pessoa triste. Suspeitava que fosse uma das grandes responsáveis por isso.
Edward ganhou do pai o valioso anel com o brasão dos Cullen, cravejado com os melhores diamantes que as colônias da Inglaterra já produziram. Era uma jóia que passava de pai para filho, de valor inestimável. Estava na família há mais de quatrocentos anos. Guardou-o no banco. Teria de passar a seu filho um dia.
Naquela noite Edward demorou a dormir. Uma idéia fixa andava ocupando grande parte dos seus pensamentos: precisava pedir perdão a Bella para conseguir levar sua vida em frente.
"É possível repousar sobre qualquer dor de qualquer desventura, menos sobre o arrependimento. No arrependimento não há descanso nem paz, e por isso é a maior ou a mais amarga de todas as desgraças." (Giacomo Leopardi)

Gils, após vários dias com a promoção Um amor de Fanfic no ar, venho aqui para dar o resultado do sorteio para vocês.


A leitora sorteada pelo Randon.org, considerando que só foram apenas três leitoras e mais um comentário da Maribel, foi a Nanda.
Nanda, Parabéns! Espero que aproveite bem o livro. Sei que vai amá-lo. A estória é simplesmente maravilhosa.
 
Obrigada a todas que participaram!


Passe, por favor, um email para glauciablack@ymail.com os dados abaixo para envio do prêmio
Nome, endereço, número, bairro, cidade, estado e cep.
Bjus no core