domingo, 18 de dezembro de 2011




Eu e o Seth fomos direto para minha casa. Deixamos o carro na garagem e seguimos em silêncio em direção a porta.

– Nessie você está estranha hoje. - comentou analisando minha expressão. - Tem alguma coisa que você gostaria de me contar?

Seth me conhecia melhor do que ninguém era impossível tentar esconder alguma coisa dele. O que eu iria dizer? Ou melhor, como eu iria dizer o quão absurdamente eu estava me sentido infeliz, por saber que o Jacob não iria ao baile por minha causa? Como poderia dizer que passei ontem boa parte da noite com Jacob? Eu não podia fazer isso! Então o melhor era disfarçar.

– Não é nada Seth. - respondi tentando parecer convincente. - Apenas venho me sentindo um pouco melancólica por saber que dentro de algumas semanas tudo irá mudar.

– Isso eu posso entender, porque venho me sentindo do mesmo jeito!

Subimos para meu quarto, minha mãe havia saído para algum tipo de reunião na escola. Ela havia deixado o lanche preparado, ela era a melhor mãe do mundo, todos meus amigos sempre gostavam de estar por perto. Meu pai era um pouco mais sério, porém, sempre preparava churrascos maravilhosos para toda turma.

Fizemos nossos deveres, ouvimos música e por fim assistimos a um filme. Quando já havia começado a anoitecer Seth falou que iria ligar para Leah e pedir que ela viesse lhe buscar, mas eu queria ir até a reserva, eu precisava estar naquele lugar. E não vou mentir que não tinha esperança de cruzar com Jacob, porque eu tinha. Se não pudesse conversar com ele, poderia pelo menos ver que ele estava bem de alguma maneira.

– Eu te levo Seth.

– Ah não precisa. -disse contrariado. - Você terá que voltar sozinha depois e...

– Eu quero fazer isso. -insisti pegando as chaves do carro na estante. -E também podemos passar mais um tempinho juntos. Só vou deixar um bilhete para minha mãe.

Quando fui em direção ao bloco de recados, o telefone tocou. Olhei no identificador de chamada, era minha mãe.

– Nessie?

– Oi mãe.

– Filha seu pai me ligou e me chamou para sair para jantar. Você gostaria de ir conosco? - perguntou animada, eu sabia que esses jantares dos dois, eram tanto quanto particulares,então decidi não atrapalhar.

– Humm, não mesmo mãe, não vou ficar segurando vela para você e o papai. -respondi fazendo com que ela risse do outro lado da linha. - E depois eu estou indo para La Push, inclusive estava deixando um bilhete na hora que o telefone tocou.

– Então tudo bem, mas se for chegar tarde, me ligue está bem?

– Sim, pode deixar mãe.

Não demorou muito e já estávamos chegando a La Push. Esse lugar era mágico, eu jamais me cansaria de admirar a beleza das praias desertas e selvagens, que faziam contraste com a floresta densa.

Para ir à casa do Seth, obrigatoriamente deveria passar na frente da casa do Jacob. E quando olhei pela janela pude ver sua moto parada em frente à casa. Minha barriga gelou isso significava que ele estava em casa, e que eu arrumaria algum bom motivo para passar por lá na volta.

– Você não quer entrar Nessie? - Seth perguntou com uma pontinha de esperança iluminando seus olhos. - Sua mãe vai demorar mesmo!

– Hoje não Seth, vou embora.

– Então me liga mais tarde? - Sorri, ele, sempre ficava preocupado por tudo.

– Sim, pode deixar que eu ligo.

Seth me beijou de maneira doce e delicada, por que nossos beijos eram assim, sempre delicados e jamais conseguiríamos passar disso. Com certeza eu o amo, mas somente como amigo e não da maneira que uma mulher ama um homem.

Ouvi o som de uma moto vindo na estrada, meu coração disparou, eu sabia de quem se tratava. Eu reconheceria aquele barulho em qualquer lugar, mesmo que tivesse cem motos iguais ligadas ao mesmo tempo, eu era capaz de identificar a dele.

Jacob passou rápido por nós, mas não deu para saber se ele havia me visto ou não. Meu plano de passar na casa dele acabava de chegar ao fim!

Seth entrou e acenou pra mim uma última vez, antes de fechar a porta. Eu entrei no meu carro e suspirei profundamente, não queria ir para casa agora,mas também para onde poderia ir? Pensei um pouco, e enfim me lembrei de um lugar que eu sempre gostei muito de ir.

O penhasco de La Push era o lugar mais lindo que eu já havia visto na vida, e embora já tivesse conhecido toda a Europa e suas cidades maravilhosas, nada se comparava a esse lugar para mim.Parei meu carro próximo, e sai prontamente, indo me sentar na frente do carro. Deixei minha mente vagar, relembrando tudo que já havia vivido aqui, e aproveitando que estava sozinha, não contive as lágrimas em meu rosto. Chorava de tristeza, chorava por ele, pelo garoto que mais amava na minha vida. Aliás, chego a pensar que ele seria o único que realmente amaria, e depois dele, os outros sempre seriam apenas os outros e mais nada.

Jacob e eu nos conhecemos desde que nascemos. Nossas famílias sempre foram amigas. Dizíamos que iríamos nos casar... Isso parecia muito normal e nossas famílias incentivavam isso em nós, era estranho como ninguém tentava impedir-nos de dizer isso. Nosso primeiro beijo foi aos dez anos, aqui mesmo nesse lugar. Tudo bem que foi apenas um selinho, mas para mim ele sempre seria o meu primeiro beijo. Todas as festas estávamos juntos, estudávamos juntos, brincávamos juntos, aprendemos a dirigir juntos. Jacob entrou para o time de futebol da escola eu entrei para equipe de líderes de torcida. Sempre fizemos tudo junto. Porém as coisas começaram a mudar quando estávamos com 15 anos e decidimos que queríamos aproveitar a vida. Conhecer novas pessoas, se relacionar com outras pessoas, e pela primeira vez, nossa família incentivou a decisão de nos separarmos.

Deste momento em diante começamos a nos afastar porque o ciúme se tornou um grande problema. Havíamos combinado, de que não ficaríamos com raiva ou magoados por vermos o outro beijando outras pessoas. Poderíamos fazer o que quiséssemos e sempre seriamos grandes amigos.

Na teoria foi tudo lindo, mas na prática a coisa foi bem mais complicada. Nunca mais conseguimos nos acertar, pelo contrário vivíamos brigando e nos alfinetando. Todo mundo nós dizia que era porque nós nos amávamos muito, mas sei lá. Jacob nunca se declarou para mim, nunca me disse Eu te amo de maneira séria, pelo menos não que eu sentisse que isso era verdadeiro.

A verdade era que nós havíamos nos acostumado com a idéia de que sempre seriamos um do outro, e isso não é completamente verdade. O amor para crescer e sempre existir, precisa ser alimentado e o nosso não foi, achávamos que ele sempre seria forte, mas não bastou.

As lágrimas continuavam a cair pelo meu rosto ao me lembrar de tudo. Ouvi a moto de Jacob passar pela estrada ao longe, ele não poderia saber que eu estava aqui, e talvez fosse até melhor não saber mesmo.

O tempo passou e eu não percebi só me dei conta quando ouvi alguém se aproximar.

– Ness? - aquela voz rouca extremamente familiar me chamou, fazendo com que eu me sobressaltasse assustada, limpando as lagrimas rapidamente do rosto.

– Humm, Jake? - perguntei abrindo um sorrisinho fraco no rosto. - O que está fazendo aqui?

– Sua mãe ligou preocupada lá em casa dizendo que você não ligou, e que não atende o celular. - respondeu parando a minha frente,analisando atentamente minha expressão.

– Nossa me esqueci completamente. - assumi olhando a hora no celular. - Mas de qualquer forma obrigada, já estou pra casa.

– Tudo bem, eu disse que você estava comigo. - falou se aproximando, e tocando delicadamente meu rosto, enquanto limpava os resquícios das lágrimas que ainda haviam em meus olhos.

– Humm. - foi o único som que consegui emitir, assim que a sua mão tocou meu rosto.

–Estava chorando? - perguntou preocupado. - O que houve?

–Não é nada. - falei rapidamente, tentando mudar de assunto. - Mas porque você disse a minha mãe que estava comigo?

– Achei melhor do que ela ligar para o Seth, e ele sair todo preocupado atrás de você.

– Claro você sempre pensando no bem estar do Seth. - falei irônica.

–Está certo. - assumiu sorrindo, mas não um sorriso qualquer, era o meu sorriso. Quando passei mais cedo vi seu carro parado aqui, e então quando sua mãe me ligou sabia que você estava aqui. - completou se encostando ao meu lado no carro. - Pensei que seria uma boa oportunidade de ficar sozinho com você.

– Jake nem vem, olha ontem a noite foi um erro e... - tentei prosseguir, mas não conseguia, aquelas palavras eram no mínimo mentirosas. Jacob era a coisa mais certa que havia acontecido em minha vida.

– Eu não sabia que você me via como um erro na sua vida. - disse enraivecido, me olhando frustrado.

Ele se afastou, virando para o meu lado oposto, minhas palavras pareciam ter o acertado como um golpe.

– Desculpe. - sussurrei baixo, mas ele pareceu não se importar.

– Bem o recado está dado, acho melhor você ir embora ou então ligar para sua mãe. - falou com amargura evitando me olhar novamente, mas eu merecia por ter pronunciado aquelas palavras a ele. - A gente se vê.

Eu não podia o deixar ir, eu não queria que ele fosse. Fechei os olhos sentindo seu cheiro invadindo meu nariz, e se me concentra-se um pouco mais, poderia sentir o gosto da sua boca.

– Jake. - chamei desesperada, puxando seu braço. - Fica por favor!

– Pra que Ness, pra você dizer que sou um erro depois? - disse rindo sem humor. - Não mesmo!

– Não Jake, fique por que você quer ficar...

– Frase errada Ness. - respondeu ainda naquele tom amargo, tentando se livrar do meu aperto.

– Então fique porque eu quero que você fique, porque eu não suporto ficar longe de você, porque eu sinto sua falta, porque eu sinto vontade de estar nos seus braços novamente, porque eu sinto vontade de sentir sua boca na minha novamente. - declarei de uma vez, para depois concluir praticamente num murmúrio. - Por que eu sinto vontade de ter suas mãos em todo meu corpo, me
completando, me fazendo sua.

Jacob parou voltando seu olhar negro até o meu de maneira intensa. Eu precisava dizer o mais importante, afinal eu não sabia se teria outra chance de dizer isso.

– Fique Jake, porque eu te amo!!!

Nesse momento ele respirou fundo ainda com seu olhar fixo no meu, percebi um pequeno sorriso se esboçar em seus lábios. Olhei para baixo me sentido a pior pessoa do mundo neste momento, como eu poderia ser tão egoísta? Pensando bem eu não merecia ninguém!

– Ness. - ele me chamou, erguendo meu queixo delicadamente com os dedos para que eu o fitasse. - O que você acabou de me dizer... É tudo verdade? Tipo, Você sente isso por mim mesmo?

Apenas Assenti com a cabeça.

– Sabe, eu sempre esperei o dia que você fosse dizer isso pra mim. - confessou alargando ainda mais o sorriso em meu rosto. - Por mais que tivéssemos passado por várias coisas juntos,eu precisava ouvir isso de você!

– Mais eu sempre disse Jake..

– Não com essa verdade. - Seus dedos voltaram a tocar minha bochecha, acariciando. - Você nunca demonstrou isso verdadeiramente enquanto dizia, a frase parecia sair automaticamente da sua boca.

– Você também, Jake, nunca me disse isso. Não da maneira que gostaria de ouvir, mas agora o que importa? Tudo acabou mesmo!

Ele pegou meu rosto com as mãos, com aquele olhar que me fazia perder o equilíbrio, o ar.

– Mas sempre é tempo de recomeçar. Eu tenho te esperado por seis longos meses, Ness. Eu...

– Como assim? Esse é o tempo que estou com Seth!

– Eu sei. - suspirou derrotado.

– Espera ai você ta me dizendo... - olhei para ele confusa.

– Que desde o primeiro dia em que vocês começaram a namorar, eu venho esperando pacientemente o dia em que você voltaria para mim.

– Mais como assim? Nós havíamos combinado que seguiríamos adiante, que nos relacionaríamos com outras pessoas...

– E me arrependo amargamente disso, todos os dias. Por que essa foi à coisa mais idiota que eu poderia fazer. - havia dor em seus olhos agora, ele parecia sofrer assim como eu. - Entregar você de bandeja para outro. O risco foi alto demais e sinceramente não valeu à pena.

– Mais você parecia tão feliz...

– E você também!

Percebi neste momento que nossa decisão apenas havia servido para nos fazer sofrer, porque simplesmente pertencíamos um ao outro.

Mas eu não podia enganar o Jake, eu tinha que ser honesta com ele. Eu não poderia simplesmente resolver minha relação com ele e dizer daqui algumas semanas. Olha estou indo passar as férias na Europa e depois irei estudar em Nova York, e quem sabe podemos namorar por email?

Não eu precisava ser honesta, com ele e comigo mesma.

– Jake eu preciso te contar uma coisa. E que com certeza vai mudar tudo.

– O que foi? Vai se casar com Seth?

Eu sabia que ele estava nervoso, Jake costumava fazer piadas quando se sentia amedrontado.

– Claro que não, de onde você tirou isso?

– Sei lá. - respondeu irritado. - Vocês parecem se dar tão bem.

Havia tristeza em cada palavra dita por ele. Resolvi deixar para falar depois, eu não queria trazer mais dor para o garoto que eu tanto amava. Quando nos formar e todos fossem para Universidade ficaria mais fácil, até mesmo natural dizer que iria estudar em Nova York.

– Eu preciso ir embora. - disse olhando teatralmente o horário no celular. - Já está ficando tarde.

– Fica comigo mais um pouco Ness... Por favor?

Uma parte de mim queria mais que tudo isso, porém, a outra parte dizia para ir embora, eu não queria lhe acarretar mais sofrimento.

– Eu não sei.

– Você quer ficar eu sei você acabou de dizer.

Jake se aproximou rápido demais, passando seus braços fortemente em torno da minha cintura e me colocou sentada no capo do carro. Era impossível sair dali, primeiro porque ele era mais forte que eu e segundo porque eu não queria realmente sair.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Gente, eu ainda não tive tempo para escrever o regulamento do concurso para o Livro A promessa. Então quem quiser esse livro de presente, deve deixar um comentário na dica desse livro, fazendo uma ótima promessa para o próximo ano. Escolherei a vencedora entre os melhores comentários. Se o vencedor for de Portugal terá que escolher outro livro ou me indicar um site de uma livraria que tenha. Já pesquisei na Wook.pt e não há disponível. Vocês tem até sexta feira para comentar. Se não houverem comentários, darei o prêmio para a primeira pessoa que comentou o post. 

Boa sorte! 

bjus no core

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



CAPÍTULO 4 – Saudade Dói
PEDAÇO DE MIM
(Chico Buarque)
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
A saudade que Edward sentia de Bella era tão grande que doía em sua pele, seus órgãos, sua cabeça. Era como se lhe faltasse um pedaço... Precisamente sua melhor parte.
Não eram apenas de seus olhos verdes, de seu cheiro e do seu sorriso que Edward sentia falta, eram também dos sentimentos nobres e puros que ele tinha quando estava junto dela... Sentia falta do menino por quem ela foi apaixonada um dia.
Desde que viera para a América, traindo da forma mais torpe a única mulher que amou (e ainda amava), Edward nunca mais havia se sentido digno de aproximar-se de Bella. Preferiu afastar-se completamente, pois se descobrira uma pessoa fraca e medíocre, que tinha colocado a fortuna do pai como requisito básico para ser feliz. Hoje via o quanto estava enganado naquela época, mas agora era tarde e só lhe restavam o arrependimento e a saudade. Para ele Bella merecia alguém melhor.
Porém algo estava mudando dentro de Edward. O sofrimento e a vergonha que trouxe consigo da Inglaterra serviram de incentivo para uma tomada de atitude. Em cinco anos se tornara um homem do qual começava a se orgulhar. Independente, trabalhador, responsável e, principalmente, confiante.
O arrependimento do que fez a Bella era como uma lâmina cortando sua carne dia e noite... Mas também era sua redenção. Usava seu sofrimento como uma penitência, como o preço que tinha de pagar por seus erros.
Ed Masen era um homem digno e era ele quem desejava ardentemente reencontrar Bella. Precisava vê-la nem que fosse uma única vez, nem que fosse para ouvir dela as mais bárbaras acusações. Queria pedir-lhe perdão, mesmo duvidando que o receberia.
... “Que o espelho reflita em meu rosto
um doce sorriso que eu me lembro
ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade eu não sei”...
A saudade que Isabella sentia da mãe doía como uma ferida aberta em seu peito. Renée tinha sido a única pessoa que a tinha amado de verdade, acreditava Bella, mas infelizmente a morte a levara tão precocemente... Seu coração não agüentou as desilusões que teve. Serem abandonadas pelos homens que amaram era algo que elas tinham em comum, mas ao contrário da mãe, que transformou a dor em mágoa e a mágoa em doença, Bella tinha transformado a sua dor em raiva e ódio.
Evitava pensar em Edward Cullen, mas quando o fazia era com muito rancor. Já tinha conseguido esquecê-lo. Ele agora era apenas um erro do seu passado.
O amor se foi, mas as seqüelas ficaram. Bella não acreditava mais na felicidade. Apenas levava sua vida, dia após dia, rindo quando achava graça e chorando quando ficava triste. Seu coração era estéril, incapaz de gerar amor novamente. A frieza era seu escudo.
Edward respirou fundo e tomou coragem de fazer a pergunta que estava presa em sua garganta para a mãe. Eles estavam no aeroporto, de onde Esme embarcaria para a Inglaterra, depois de assistir a formatura do filho.
– Mãe, poderia me passar o telefone de Isabella? – Ao terminar, olhou para o chão, evitando o olhar de Esme.
Uma das poucas informações que Edward tinha de Bella era que ela tinha se mudado da mansão pouco tempo depois de sua mudança para os Estados Unidos.
Esme não acreditou no que ouvia.
– Meu Deus, Edward, o que você ainda quer com essa garota? Pensei que nem se lembrasse dela mais.
Edward teve de contar até dez para não gritar que não houvera um único dia, desde que a deixara, que não se lembrasse, com o peito sangrando, de seu sorriso meigo, de seus cabelos dourados e do verde de seus olhos; mas preferiu calar-se. Não queria discutir com a mãe.
– Eu não sei onde Bella está. – Esme falou meio irritada.
– Como assim não sabe? – Edward perguntou indignado. – Ela é filha de sua melhor amiga, mãe; neta de Norma. Não quer que eu acredite que você não dá nenhum apoio para ela, principalmente financeiro.
– Edward, Bella foi embora de nossa casa sem ao menos se despedir. Aquela ingrata não deixou nenhuma informação sobre seu destino. Como poderíamos ajudá-la se ela não nos queria por perto?
Edward fitou Esme por alguns segundos, tentando encontrar nela algum resquício, mínimo que fosse, de compaixão. Viu diante de si as conseqüências de se carregar o sobrenome Cullen. A mãe tinha perdido grande parte de sua humanidade e hoje já parecia uma fotocópia do pai.
– Bella não foi embora porque quis, nós a expulsamos de nossas vidas, como se ela fosse algo que nos incomodasse!! Por Deus, mãe, ela era apenas uma criança! Deviam ter procurado-a, chamado-a de volta.
As palavras de Edward saíram sofridas. Agora entendia a dimensão do estrago que tinha feito na vida daquela pobre menina. Por sua causa ela tinha se jogado no mundo sozinha, sem amparo, sem dinheiro. Imaginou as dificuldades que ela teve de passar, o desespero de não poder contar com ninguém. Como será que ela estava vivendo agora? Se é que estava vivendo...
Acusava a mãe de omissão, mas no fundo sabia que o maior responsável por tudo isso era ele mesmo. Fora ele quem a abandonara à própria sorte. Era dele que ela esperava amor e proteção.
Edward não tentou segurar as lágrimas que escorriam por seu rosto. Deixou que caíssem livremente, esperando que elas aliviassem a dor em seu peito. Como pôde ter feito tanto mal àquela garota tão frágil e doce que o amava? Ela não merecia o que tinha lhe feito... Não merecia mesmo!
– Eu ouvi algo sobre ela ter vindo para os Estados Unidos, mas é só o que sei.
Esme despediu-se do filho e entrou preocupada no avião. Temia que ele estivesse desenterrando um problema que julgava encerrado.
Assim que Edward chegou em casa, ligou para Emmet, seu sócio e amigo.
– Arruma um detetive particular para mim. Preciso encontrar Bella. – Foi curto e direto.
– Demorou, heim cara! Até que enfim vai tomar uma atitude de homem.
Emmet conhecia toda a história de Edward e sempre foi a favor do amigo lutar pelo amor que sentia por Bella.
– Minha mãe falou que ela está aqui, Emmet. Eu preciso vê-la!
– Vou falar com meu padrinho. Ele deve conhecer um bom detetive.
O padrinho de Emmet era um ex-agente do FBI. Desde que perdera o pai, que também era do FBI, ele sempre pode contar com o carinho e apoio dele. Eram muito próximos.
Dois dias depois, Edward estava sentado em um bar, conversando com o homem que procuraria Bella para ele. Ele não tinha sequer uma foto para ajudar nas buscas. Passou apenas o nome, idade, características físicas e um envelope contendo dez mil dólares para que o serviço começasse a seu efetuado. As outras parcelas só seriam pagas se Conrad Allister, o detetive, descobrisse o paradeiro de Bella.
Bella viu Mike sair com lágrimas nos olhos de seu pequeno apartamento. O namoro deles não estava dando certo.
Mike queria mais envolvimento por parte dela, mas além de uma sincera amizade, sobrava muito pouco de si para oferecer-lhe.
Bella gostava dele, sentai-se bem recebendo seus carinhos, mas ainda assim mantinha uma distância segura do sentimento chamado “amor”. Tinha medo dele. Sentia-se culpada por fazê-lo sofrer, mas mesmo se esforçando, ainda vivia atormentada pelos traumas do passado.
Marcaram um jantar no outro dia para conversarem melhor. Precisavam de um tempo para refletirem sobre tudo que estava acontecendo entre eles.
O encontro romântico não ajudou muito. Os fatos falavam por si.
Bella beijou Mike e pediu desculpas mais uma vez.
Sete meses depois de começarem a namorar, terminaram. Na verdade foi Mike quem terminou, alegando que a amava demais para suportar tanta indiferença.
Conrad bateu a foto sem flash, sabendo que mesmo assim sairia boa. Seus equipamentos eram o que tinha de mais moderno no ramo da investigação particular.
A fotografia era a última coisa que faltava para anexar em seu primeiro relatório. Quarenta dias depois de ser contratado ele já tinha todas as informações sobre Isabella Swan.
No final da semana ele entregaria uma pasta contendo um breve histórico da vida daquela garota para Ed Masen.
...”E cada vez que eu fujo,
eu me aproximo mais
E te perder de vista assim
é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças
um lugar seguro...
Não é que eu queira reviver
nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro
uma saída
Acabo entrando sem querer
na tua vida”...
Edward fitou a foto, sentindo as mãos tremerem. Bella estava de perfil, sentada ao lado de um homem loiro, que sem a menor dúvida, tratava-se de seu namorado.
Se não fosse seu esforço absurdo em se manter calmo, teria desmaiado bem ali na frente do detetive.
Ver o amor de sua vida de mãos dadas com outro homem era algo para o qual não tinha se preparado. Sabia, claro, que Bella tinha seguido com sua vida, mas constatar que ela agora era de outro doía tão forte que teve vontade de gritar.
– Kansas? – Imprimiu um tom falsamente casual à voz.
– Sim, Ed. Ela se mudou para nosso país há dois anos. Está cursando Administração de Empresas na Faculdade Estadual de Lawrence e trabalha em uma loja de conveniências à noite. Este é Mike Newton, seu namorado. Eles estudam juntos. Neste relatório tem todas as informações que consegui coletar da sua vida no Kansas.
– Ótimo trabalho, Sr. Allister. Aqui está a segunda parte do valor que combinamos. De agora pra frente o pagamento será mensal e será depositado depois que tiver mandado o relatório. Não há mais necessidade de fotos.
Edward queria acompanhar a vida de Bella dia-a-dia, mas não queria mais sentir aquela dor que ainda o massacrava de ter visto-a abraçando outro. Gastaria um bom dinheiro para alcançar seus objetivos. Não conseguiria mais ficar sem ter notícias de seu raio de sol. Pela primeira vez, depois de cinco anos, sentiu-se vivo, mesmo que essa vitalidade tivesse sido despertada pela dor de saber que sua garotinha tinha se tornado uma mulher. Não se sentia mais tão só.
Assim que ficou só, chamou Emmet para conversar. Gostava de confidenciar com o amigo.
– E aí, quando vai procurá-la? – Emmet perguntou impaciente.
– Não sei se eu tenho o direito de aparecer na vida dela agora. Não posso passar cinco anos sumido e de repente simplesmente aparecer e dizer que estou arrependido, bagunçando toda a vida dela.
– Essa moça deve te odiar, Ed. Hã... Desculpe a franqueza, cara.
– É, ela deve me odiar mesmo...
– Você só vai saber se for conversar com ela. Até lá, tudo será suposições.
– Ela tem uma vida muito sofrida, Emm. Trabalha à noite e estuda o dia todo. Mora mal e ganha pior ainda. Tudo isso é culpa minha. Ela não precisava estar passando por tudo isso. Só está assim porque teve de sair da nossa casa, desiludida com o que fiz com ela.
Edward não sabia que a outra opção que deram à Bella incluíai limpar e polir a prataria da mansão dos Cullen.
– Vai lá e conserta seu erro, cara! Dê a ela a vida que ela merece. Você tem dinheiro, pode dar-lhe tudo o que lhe falta.
– Têm estragos que são irreversíveis, Emm. O que eu fiz não tem perdão.
– Às vezes eu duvido que você ame essa mulher como vive dizendo, Ed. Nunca vi uma pessoa tão pouco disposta a lutar por um amor como você.
– Eu sempre fui um covarde... E agora vejo que ainda sou.
– Você tem uma dívida com essa garota, Ed. Prometeu fazê-la feliz e um dia terá de cumprir.
Edward olhou a foto mais uma vez e teve certeza que não a procuraria. Não suportaria ver o ódio em seu rosto quando a encontrasse. Preferia se lembrar de seu sorriso meigo e tímido, quando se encontravam rapidamente na cozinha ou no jardim. Tinha tanto amor em seu rosto naquela época... Mas ele não soube valorizar a riqueza daquele sentimento puro e sincero, concluiu despedaçado.
Depois de Mike, bem depois, veio Tyler. Desta vez Bella achou que conseguiria mergulhar de cabeça naquela relação, mas estava enganada.
Com Eric teve ótimos momentos. Viajaram juntos para New York e se divertiram como nunca. Não tinha tempo para ficar triste ao lado dele, riam o tempo todo. Eric era um palhaço.
Risadas à parte, faltou amor mais uma vez. Mesmo travando uma luta interna para resgatar sua capacidade de amar, Bella perdeu mais um namorado. Já não agüentava mais ser cobrada por não fazer a sua parte nas relações. O que queriam dela ela não tinha pra dar, justificava-se.
A cada relatório que recebia, cinco mil dólares saíam da conta de Edward Cullen em nome de Conrad Allister.
A pilha de trinta e seis pastas, perfeitamente arrumadas na bancada de seu quarto era a prova da persistência de Edward em acompanhar a vida de Bella. Sempre esperava ansiosamente o fim do mês para saber o que sua amada fizera no decorrer daqueles trinta dias.
Acompanhara cada promoção, cada namorado, cada resfriado, cada viagem, enfim, cada acontecimento importante da vida dela no decorrer destes três anos.
Também tivera suas conquistas, namoradas, viagens... Mas nada disso era mais importante para Edward do que saber que em algum lugar, ainda que distante dele, Bella levava sua vida com um pouco mais de facilidade, desconhecendo as ajudas que ele lhe proporcionara. Uma delas foi, através de amigos influentes, ter conseguido um emprego melhor para ela, onde ganharia o dobro do anterior e trabalharia menos horas.
Hoje era sua formatura.
Edward passara a semana toda lutando contra a vontade de ir vê-la. Daria sua vida para poder estar sentado na platéia, aplaudindo-a quando recebesse seu diploma.
Os últimos relatórios que ele recebera informavam que Bella estava namorando um colega de trabalho. James era seu nome e parecia que estavam se dando muito bem. O ciúme mais uma vez estava dilacerando-o.
...”Dói,
de tanto medir a distância ,
saber que não vou te tocar
além da lembrança”...
Bella acordou ansiosa. Finalmente chegara o dia de sua formatura. Sentou-se na cama, beijou a foto da mãe que ficava no porta-retrato na mesinha ao lado da cama e o abraçou. Aquele gesto simbólico era uma forma de amenizar a falta que sentia dos braços quentes e ternos de Renée.
– Eu consegui, mãe! Hoje vou me formar. Foi por você que eu lutei. – A voz de Bella começava a sair embargada pelo choro, enquanto conversava com a fotografia. – Queria tanto que estivesse aqui, mãezinha, mas sei que onde quer que esteja, estará feliz por mim. Esta vitória é para você!
Limpou as lágrimas e foi tomar banho. Seu dia seria atribulado. Tinha ganhado folga no serviço, mas ainda teria de enfrentar salão, depilação, manicure... Queria estar bem linda na festa de formatura.
Na hora marcada, James chegou para buscá-la. Era um homem lindo e Bella pensou que realmente ele era alguém com quem podia se casar, se... Abandonou o pensamento. Era tanto “se”... Se fosse capaz de amar... Se conseguisse se entregar totalmente àquele amor... Se seu coração o deixasse entrar...
Bella riu e chorou naquela noite. Uma parte dela vislumbrava um futuro promissor, mas a outra parte ainda cultuava um passado que não voltaria mais, onde a mãe, a esperança e a felicidade compunham um cenário perfeito.
Não teve com quem tirar as tradicionais fotos de família, porém não se sentia completamente sozinha, em suas fotografias sempre estava acompanhada de suas fiéis e constantes companheiras: As lágrimas.
Os meses foram passando e a vida de Bella começava a melhorar cada vez mais. Seu namoro com James estava durando mais que os outros. Grande parte deste êxito se devia à paciência dele com a namorada.
James não cobrava nem forçava a barra com Bella. Amava-a desesperadamente e tinha convicção de que um dia conseguiria transpor as barreiras que ela levantara em seu coração.
Enquanto isso a vida de Edward se resumia ao trabalho e a Bella. Preenchia todo o vazio de seus dias com as informações que recebia do detetive.
A pilha de pastas só ia aumentando e sua vontade de encontrá-la também.
Profissionalmente Edward estava muito bem. A firma deles crescia mais a cada ano.
Sua relação com os pais ficava cada vez mais fria e distante, se limitando a vê-los nos finais de ano, no Natal.
Não contou a eles nada sobre Bella. Não os queria perto dela, nem enchendo seu saco com aquela conversa de “ela não era a mulher certa para você”.
Já tinha se passado quase cinco anos desde que Conrad Allister intermediava a relação platônica de Edward com Bella.
Seu coração gritava que queria vê-la, mas sua cabeça dizia que não era a coisa certa a fazer.
Edward já não agüentava mais. A saudade rasgava sua carne. A costumeira covardia que o acompanhava desde a juventude estava dando lugar a um espírito destemido, livre e convicto do que queria.
Entre o medo da rejeição e a vontade alucinante de se encontrar com Bella, Edward optou pelo meio termo: O telefone.
Numa manhã de domingo, Edward abriu a qüinquagésima oitava pasta de sua pilha e discou o número de celular que estava anotado ali.
Seu coração dava pulos no peito enquanto o sinal indicava a chamada em curso. Sentou-se com medo de não se segurar em pé.
– Alô! – Uma voz doce atendeu.