sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CAPÍTULO 7 – APERTANDO O PLAY
QUANTAS VIDAS VOCÊ TEM?
(Paulinho Moska)
Meu amor
Vamos falar sobre o passado depois
Porque o futuro está esperando
Por nós dois.
Por favor
Deixe meu último pedido pra trás
E não volte pra ele nunca
Nunca mais.
Porque ao longo desses meses
Que eu estive sem você
Eu fiz de tudo pra tentar te esquecer
Eu já matei você mil vezes
E seu amor ainda me vem
Então me diga quantas vidas você tem
Parado naquele corredor, Edward sentia-se como se fosse desmaiar a qualquer momento.
Esperara dez anos por este dia. Mesmo que o tão sonhado encontro se desse em meio a uma fatalidade, quando Bella não tinha sequer lucidez para saber que ele estava ali; ainda assim a veria, e isso já era motivo suficiente para sentir-se extasiado. De certo modo era confortável estar protegido pelos olhos fechados da garota que ele tanto fizera sofrer.
– Então o senhor é o esposo da nossa “Jane Doe”?
Edward estava tão ansioso que não percebeu a chegada da moça de branco que lhe dirigia a palavra.
– Sou sim. O nome dela é Isabella, senhorita, e estou desesperado para ver minha esposa.
– Eu sou Jéssica, a enfermeira-chefe. Infelizmente não poderá chegar tão perto dela como acho que gostaria, Sr. Cullen. Perdemos um paciente com infecção hospitalar e a UTI está de quarentena. Poderá vê-la pelo vidro, que fica bem perto de seu leito.
– Minha mulher corre risco de pegar esta infecção? – Edward perguntou preocupado.
– Infelizmente há este risco sim, mas estamos tomando todas as precauções para que isto não aconteça.
– Mellhor assim. – Havia um tom de ameaça naquele comentário.
– Acompanhe-me para que possa se vestir para entrar lá. Mesmo que não vá ter contato físico com a paciente, são cuidados necessários para transitar na Unidade de Terapia Intensiva – explicou a enfermeira.
– Tudo bem. – Nem que tivesse que ficar nu, Edward se importaria. Qualquer incômodo seria bem vindo naquela hora.
“Sei que ai dentro ainda mora um pedaço de mim.
Um grande amor
não se acaba assim,
Feito espumas ao vento”...
Devidamente paramentado, Edward aproximou-se do vidro que o separava da cama hospitalar onde Bella estava. Mal conseguia respirar.
– Seu esposo te encontrou, lindinha! Ele veio te ver. – A enfermeira que estava do outro lado falou, toda carinhosa, com o corpo inerte da moça que descansava na cama.
Com a cabeça enfaixada e com vários aparelhos ligados a seu corpo, era difícil reconhecê-la, mas independente do que seus olhos viam, o coração de Edward sabia que era ela, pois batia acelerado, como se um sopro de vida o tivesse ressuscitado.
Sem poder tocá-la, o arrependido ex-namorado começou um monólogo silencioso.
“ Oi Bella, eu estou aqui. Você não está mais sozinha, eu estarei para sempre do seu lado. Quando tudo isso acabar e você acordar, seremos felizes e nada mais nos separará.
Desculpe-me estar te enganando. Eu não queria ter de mentir pra você, mas como não me ama mais, esta é a única forma de me deixar ajudá-la. Não vou mais permitir que seja infeliz, meu amor. Vou te devolver tudo o que lhe tirei.
Eu sinto aqui dentro do meu peito, Bella, que sem o rancor que sentia por mim, tudo o que restará entre nós é apenas amor... Aquele que existia em seus olhos quando a encontrei chorando naquela cadeira de balanço.
Você vai ser feliz de novo, eu lhe prometo!! Desta vez não te decepcionarei.”
Edward saiu da UTI aos prantos. Rever sua menina, seu raio de sol, naquelas condições era muito doloroso. Se a dor redime, como dizem, então ele estava perdoado de seus pecados, pensou, pois não tinha uma única célula de seu corpo que não estava entorpecida pelo sofrimento.
Ele a amava porque se lembrava de tudo o que viveram... Ela só poderia amá-lo porque tinha perdido suas memórias. Seria cômico se não fosse trágico.
Bella ficou mais quarenta e cinco dias internada. Aos poucos o coma induzido foi sendo trocado por uma sedação forte e então as doses de soníferos diminuíram até que ela acordasse naturalmente.
Neste período Edward a visitava todos os finais de semana, sempre atrás do vidro, uma vez que Bella tinha pego uma infecção e apresentava uma leve, mais preocupante, encefalite. Nos outros dias tinha de se dedicar a seu trabalho e à execução dos planos de sua “vida de mentira”.
Emmet e Jasper, que também já estava a par da situação, ficariam à frente dos negócios e Edward faria seu serviço de uma pequena central que seria instalada em sua casa, em Monterey. Sim, como era o desejo de Bella, eles morariam na Califórnia, em uma linda casa de frente para o mar.
A cada dia que passava Edward ficava mais impressionado com a excelência que o trabalho de Roarke alcançava.
A equipe pensava em tudo, não deixando passar o mínimo detalhe que fosse.
A casa já estava alugada e completamente arrumada. Roupas novas tinham sido lavadas para parecerem usadas, sapatos foram gastos, perfumes abertos e entornados... Enfim, todos os produtos de uso pessoal de Bella estavam devidamente caracterizados como se fossem seus há muito tempo. Seus próprios pertences, que estavam nas malas que ficaram no aeroporto, serviram como parâmetro para os que foram providenciados. A diferença era a qualidade e o preço. Edward fez questão que comprassem o que havia de melhor para Bella.
Fotos da casa antiga, livros, cartões de natal antigos... Tudo o que se possa imaginar tinha sido providenciado, até um exame negativo de gravidez fora guardado em uma das suas gavetas.
Graças aos hackers da equipe, Isabella Cullen era cidadã americana devidamente indentificada desde 2007, ano que deixou de se Isabella Swan por ter casado.
Registros de seus documentos, que a polícia julgava terem sido levados pelos assaltantes, estavam devidamente gravados nos sistemas de identificação dos Estados Unidos. Bastaria apenas que Bella solicitasse segunda via deles.
Até um Boletim de ocorrência já existia nos computadores da polícia, postado com data seguinte ao dia do assalto, supostamente feito pelo marido em New Haven. Nele Edward avisava sobre o sumiço da esposa em New York, para onde tinha viajado para fazer compras e não dava notícias há mais de vinte e quatro horas.
Eles realmente pensavam em tudo!
Este detalhe fora de extrema importância quando Edward encontrou com o antipático Investigador de Polícia Jacob Black pela primeira vez. Ele o esperava no corredor assim que saiu da UTI, onde tinha ido visitar Bella pela segunda vez.
– Edward Cullen? – O homem alto e moreno o abordou.
– Sim, sou eu.
– Eu sou o investigador Jacob Black – disse, mostrando seu distintivo. - Sou o responsável pelo caso envolvendo sua esposa. Estava na cola da quadrilha que assaltou a farmácia onde ela foi baleada.
– Nem tão na cola assim. – Edward abusou da ironia. Era evidente que não pretendia ser cordial com o policial, pois já estava intrigado com sua fixação em Isabella. Tinha informações de que ele não saía do hospital.
Jacob o fitou com ódio.
– Infelizmente não, mas pegaremos esses malditos.
– Acho bom mesmo!
– Precisamos saber se a vítima, ou melhor, se a Srª Cullen se lembra do rosto de um deles. Seu testemunho seria muito importante, pois o funcionário do caixa se escondeu atrás do balcão e o gerente que lutou com um dos assaltantes levou uma coronhada enquanto eles ainda estavam encapuzados. Pelo vídeo da câmera de segurança pudemos ver que um terceiro assaltante, com o rosto desprotegido, entrou na farmácia e sua esposa o encarou antes deles fugirem. Infelizmente ele estava de costas para a filmadora e não pudemos identificá-lo. Essa quadrilha rouba remédios controlados e integra um grupo de traficantes poderosíssimo.
– Bella está com amnésia, investigador. Achei que já soubesse disso.
– Claro que sei. Visitava sua esposa antes mesmo do senhor aparecer.
– Achei que só parentes podiam vê-la.
– Eu sou policial, Sr. Cullen. Tenho privilégios.
Jacob Black não tinha ido nem um pouco com a cara do tal Edward Cullen. Desconfiava que sua antipatia se devia à feição nem um pouco ética que tinha desenvolvido por aquela frágil garota solitária que tantas vezes visitara, até mesmo quando não havia necessidade. Saber que era casada deixou-o desiludido.
– Então como acha que ela poderá ajudá-los? – Edward perguntou irritado.
– Pode ser que a simples visão da cara do assaltante em uma foto a faça lembrar de algo.
– Seu problema é físico, Investigador Black, e não emocional. Ela teve uma lesão cerebral na área da memória. Não é algo que vá se curar com uma simples fotografia.
– Pode ser, mas nunca é demais tentar.
Jacob sabia que o que acabara de falar era uma grande besteira, mas queria um único motivo para continuar vendo-a, concluiu envergonhado.
– Não sei se quero vocês importunando minha esposa quando ela acordar.
– Se for de interesse da polícia, não será algo que poderá evitar, Sr. Cullen.
– Veremos!!
– Ah, tem mais uma coisa. Peço desculpas em nome do Departamento de Pessoas Desaparecidas. Não sabemos como, mas o boletim de ocorrência que fez não foi visto pelo policial responsável e não pudemos cruzar as informações para que pudesse encontrá-la mais cedo.
– Agora não importa mais. - Edward falou, entendendo como funcionava os detalhes do plano de Roarke.
– Este anel estava no dedo de sua esposa. – Jacob estendeu a mão, entregando-lhe a jóia de esmeralda. - O hospital deixou aos cuidados da polícia.
Edward sentiu o peito se apertar vendo o presente que fora dado por outro homem à Bella.
– Minha esposa o usava no lugar da aliança. Dei pra ela de noivado – mentiu.
– Engraçado, na parte interna do aro está gravado B&J. O B deve ser de Bella, como a chamou, mas e o “J”?
Um frio percorreu a espinha de Edward. Torceu para não ter deixado evidente o medo que sentiu.
– É um apelido íntimo. Coisa nossa!! – Falou, fingindo um sorriso malicioso.
Jacob sentiu inveja do homem a sua frente.
Despediram-se polidamente e ficou explícito que nunca seriam amigos.
Depois desse encontro, Edward soube que Black voltou algumas vezes no hospital e aquilo o irritou bastante.
Dando sequência ao plano, ligou para os pais dizendo que ficaria um bom tempo afastado, fazendo cursos e pediu que esperassem que ele mesmo entraria em contado quando tivesse tempo.
Esme nem tentou pedir mais explicações ao filho. Já estava se acostumando com sua frieza e distanciamento.
Agora faltava apenas Bella acordar, o que não demoraria, já que os remédios que a dopavam estavam sendo ministrados em doses bem baixas.
Naquela semana Edward nem voltou para Massachusetts, pois Bella poderia despertar a qualquer momento. E foi o que aconteceu... Eram dez horas da manhã quando ligaram do hospital, dando a notícia que ele tanto esperava.
Bella estava acordada!
Disseram que já tinham feito todos os exames necessários e que ela já podia receber visitas.
– Como ela está? – Edward perguntou apreensivo.
– Bom, Sr. Cullen, como esperávamos, ela não se lembra de nada, então resolvemos deixar que o senhor mesmo se apresente. Assim que puder, venha vê-la.
– Claro, chegarei aí o mais breve possível.
Edward desligou o telefone com as mãos trêmulas. Seu coração batia descompassado.
O dia que tanto esperou tinha finalmente chegado.
Tomou um banho rapidamente, pegou alguns documentos e dirigiu-se para o Mount Sinai. Um bolo se formava em sua garganta. Não sabia se ria ou chorava. Estacionou o carro e respirou fundo.
"É engraçado a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer ".
(Caetano Veloso)
A cabeça de Bella doía incessantemente, mesmo após tomar os analgésicos.
Acordara atordoada, sem saber onde estava. A voz dócil da moça de branco que lhe pedia calma, explicando-lhe que estava em um hospital depois de levar um tiro, não conseguiu abrandar seu desespero.
Logo depois disso fora submetida a vários exames e diversas perguntas lhe foram feitas, mas não soube responder nenhuma. Não fazia a menor idéia de quem era. Fizeram uma breve retrospectiva do que tinha lhe acontecido. Bella queria mais respostas ainda, mas ninguém lhe dava. Apenas diziam que logo chegaria alguém que lhe explicaria tudo.
Quem era essa pessoa, sua mãe? Bella se perguntava, mas ninguém a ajudava, nem mesmo sua memória. Fechou os olhos e tentou em vão voltar para a paz do coma.
“O que a memória ama, fica eterno.
Te amo com a memória,
imperecível”.
Quando Edward entrou naquele hospital ele sabia que estava cometendo a maior loucura de sua vida.
Suas mãos vacilaram ao girar a maçaneta da porta do quarto. Um filme de sua vida verdadeira passou rapidamente por sua cabeça. O destino estava lhe dando a oportunidade de consertar um erro. Os meios que usaria eram escusos, mas o amor que sentia pela mulher que estava do outro lado valia qualquer risco. Ele estava a um passo de começar sua vida de mentira. Ou seria o contrário?
Seu coração deu um salto quanto seus olhos a viram. Apesar da palidez e da faixa que contornava sua cabeça, onde o tiro a tinha atingido, ela ainda era a mesma Bella da qual se lembrava. Agora não tinha mais sono, nem vidro, nem tubos os separando. Seria cara a cara.
Sentiu lágrimas de remorso molhar sua face, mas não se importou. Bella merecia cada uma daquelas gotas de sofrimento.
Aproximou-se da cama e sorriu. No peito, seu coração batia num ritmo desordenado, ora acelerando, ora quase parando.
O terror começava a tomar conta de Bella, quando a porta do quarto se abriu.
Viu um homem que aparentava nervosismo entrar. Seu olhar a encontrou e Bella notou que lágrimas saíam de seus olhos. Algo nele era sereno, trazia calma.
Quem era aquele homem? Por que ele chorava? – Tudo era tão confuso em sua cabeça...
As perguntas só aumentavam.
Edward se viu num ponto decisivo em sua vida. Chegara a hora de dar início a sua fantasia. Era tudo ou nada!
– Sou eu, amor, Edward, seu marido! Lembra-se de mim? – Falou carinhosamente, usando os limites de sua força para conseguir pronunciar as palavras sem gaguejar.
Bella olhou para ele atônita.
Como aquele homem podia ser seu marido se nunca o tinha visto na vida? Então não era sua mãe quem viria vê-la, pensou, era seu...
– Meu o quê? – Ela perguntou desesperada. Querendo confirmar o que acabara de ouvir.
– Seu marido! Não se preocupe querida, eu esperava que não se lembrasse de mim. É por causa da amnésia.
Ela não podia negar que havia ternura e amor na forma como ele a olhava. Era estranho imaginar que um dia tinha amado aquele homem, mas não seria difícil isso ter acontecido, ele era tão lindo.
Bella fechou os olhos e deixou as lágrimas correrem. Tudo o que se lembrava era de ter acordado em uma cama de hospital, naquela manhã. Antes disso, sua mente era um completo vazio.
Não sabia sequer seu nome ainda, mas já acabara de conhecer seu marido.
Bella tinha tantas coisas para perguntar para aquele estranho... Só ele poderia por fim àquele buraco negro que a sugava.
Resolveu começar pela mais óbvia.
– Como eu me chamo? – Era tão estranho não saber o próprio nome.
– Isabella Cullen – o homem respondeu, entregando-lhe seu passaporte.
Bella segurou aquele documento como se agarrasse seu passado. Era a primeira prova de que realmente existia. Ficou em silêncio, não perguntando mais nada. Teria muito tempo para conhecer-se melhor.
Edward sentia a consciência pesada por estar mentindo, mas acreditava que os meios justificavam os fins, e o fim, neste caso, era a felicidade deles.
– Vamos pra casa, Bella! – Chamou, achando que ela já estava pronta para ter alta. Não via a hora de começarem suas vidas de casados.
– Isabella não poderá ter alta ainda, Sr. Cullen. Vamos deixá-la em observação por vinte e quatro horas para ver como se comporta sem os sedativos. Só aí saberemos se ela estará ponta para ir embora – falou o médico que se encontrava no quarto.
– Tudo bem, doutor. Ficarei com minha esposa até que tenha alta, amanhã.
– Sem problemas, há uma cama para acompanhante aqui no quarto. O Tratamento particular permite isso.
Edward já tinha dispensado o “filantropo anônimo”, e passado as despesas hospitalares para sua responsabilidade, o que dava na mesma para sua conta bancária.
Estar ao lado de Bella e não sentir rancor em sua voz nem ódio em seu olhar já valia os cincos milhões que tinha gastado com seu plano. Edward estava experimentando uma felicidade sem tamanho, estava inebriado com a presença dela.
“Não há nada que esteja menos sob o nosso domínio que o coração, e, longe de podermos comandá-lo, somos forçados a obedecer-lhe.”
(Jean-Paul Sartre)
Bella ficou constrangida ao imaginar que aquele estranho dormiria na cama ao seu lado. Ele dizia ser seu marido, mas para ela ele não passava de um estranho que acabara de conhecer. Fechou os olhos fingindo dormir. Na poltrona ao lado ele velava seu falso sono. Na verdade ele era alguém que se lembrava dela, que a conhecia melhor do que ela mesma. De repente um pensamento a fez desesperar-se.
– Oh, meu Deus!! Nós temos filhos? - Quase gritou, se esquecendo que fingia dormir.
Esquecera dos próprios filhos? Que tipo de mãe seria ela que nem reconheceria sua própria prole? As lágrimas já começaram a rolar grossas pelo seu rosto.
– Calma, Bella, não precisa ficar assim. Nós não tivemos filhos, ainda... – Edward Cullen falou carinhosamente, levantando-se para acariciar seu rosto.
Suas mãos eram quentes e macias. Seu toque era agradável.
Aquelas palavras a deixaram aliviada, mas o “ainda” a fez lembrar que eles deviam ter tido uma vida sexual antes do tiro, afinal eram marido e mulher; e pelo visto ele pensava em dar continuidade a isso. Sentiu o sangue se juntar em suas bochechas. Talvez ficar no hospital não fosse tão ruim quanto pensava, Bella constatou. Tinha receio de ir embora com ele.
– Sei o que está pensando, Bella. Não se preocupe com isso. Terá todo o tempo que precisar para se acostumar com a vida de casada.
Edward percebera o rubor no rosto de Bella. Sabia que a insinuação de que ainda queria filhos a tinham deixado envergonhada.
Em nenhum momento, desde que dera início a esse plano maluco, tinha pensado em forçar Bella e fazer sexo com ele. Só dormiria com ela se fosse por sua própria vontade. Era o mínimo que podia fazer para não se sentir tão baixo. Abusar tanto assim de sua falta de memória era algo que não faria em hipótese alguma.
– Nós vamos começar uma vida nova, meu amor. Aluguei uma casa em outra cidade, onde ninguém nos conhece. Não quero que viva correndo atrás do seu passado, tentando reconhecer lugares, pessoas, sentimentos... Quero que possamos viver o presente. As coisas serão tão novas para mim quanto pra você. Vamos recomeçar juntos, do zero. Prometo que farei o impossível para que seja feliz, Bella. Eu te amo mais que tudo na vida e vou te ensinar a me amar novamente. Eu tenho certeza que dentro do seu coração, num lugar bem escondidinho, ainda existe o amor que um dia você sentiu por mim.
Bella experimentou uma sensação de leveza e segurança. Era a primeira vez que se sentia assim desde que acordara.
Na verdade era a primeira vez que Bella se sentia assim em dez anos... Mas isso ela não sabia...
Tinha alguém que a amava e era bom saber disso... Melhor ainda se ele parecesse um deus grego, pensou Bella, sorrindo disfarçadamente.
A medicação que tomou a deixou sonolenta. Dormiu o resto da tarde.
Edward ficou ao seu lado o tempo todo, só saindo do quarto para atender o celular. Era Rosalie avisando que a casa já estava pronta para recebê-los e que tudo estava na mais completa ordem.
Não dormiu quase nada. Ficou olhando para Bella a noite toda. Tinha medo de descobrir que tudo não passara de um sonho. Cada segundo ao lado de seu raio de sol era perfeito e não devia ser desperdiçado com a inconsciência do sono.
Na manhã seguinte soube pelo médico que poderia levar sua esposa para casa.
Algumas orientações lhe foram passadas, principalmente a de não deixá-la sozinha nos primeiros dias, devido à possibilidade de desmaios e vertigens.
Edward ouviu tudo com atenção e preocupação.
O médico pediu a Bella que não tivesse pressa em conhecer todo o seu passado. Era melhor que fosse com calma, sugeriu.
– Se ficar muito preocupada com o que passou, Isabella, não terá tempo para ter novas experiências.
Bella concordou.
Vestiu uma das roupas que Edward tinha lhe trazido, sentou-se na cadeira de rodas, seguindo normas do Mount Sinai, e deixou Edward a levar até seu carro.
Os dois tinham medo. Um temia o futuro, o outro, o passado. Restava-lhes o presente... E este tinha acabado de começar!
“Existem duas tragédias na vida.
Uma é perder o que o seu coração deseja...
A outra é conseguir.”

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O canalha
Autor: Carly Phillips



O canalha é uma comédia romântica deliciosa, divertida, amorosa, com uma pitada de perigo e um pouco de sensualidade. É o típico “romance de mulherzinha” que gosto de ler para me acalmar e rir um pouco. A única crítica que tenho a fazer, com toda sinceridade, a esse livro é o título, que acho que não condiz em nada com o que é apresentado. Tirando isso, o livro é divino e consegue envolver o leitor desde o primeiro capítulo. Para quem tem uma leitura rápida, como eu, devo dizer que ler esse livro em um único dia é moleza. Mesmo porque o leitor simplesmente não sente vontade de parar de lê-lo.

Slone Carlisle é a filha de um senador, que lançará sua candidatura a presidência, e tem uma vida de aparências. Aprendeu desde cedo, com a madrasta e o pai, a viver de forma regrada, evitar escândalos e principalmente os jornalistas. Porém ao uma terrível descoberta tira o seu chão e pela primeira vez na vida, Slone faz algo imprudente, vai até um bar e sai de lá com um desconhecido lindo, sedutor e encantador... Isso para não dizer muito gostoso! Suspira, mas coloca foco no texto. OK?

Chase Chandler é um jornalista, sexy, simpático, sedutor e todo educadinho, que sempre viveu em pró da sua família. Desde a juventude, quando seu pai morreu, tomou as rédeas do jornal de sua pequena cidade, da educação dos irmãos e segurança da mãe. Tudo o que ele quer agora, com os dois irmãos casados, é curtir a sua vida de solteiro sem mais preocupações. Sua grande chance profissional surge quando vai para a coletiva do Senador Carlisle. Na noite de sua chegada Chase decidi ir a um bar beber um pouco. Lá conhece uma linda e sedutora mulher, que parece perturbada e deseja fugir dos problemas através da bebida.

Por ai você já consegue imagina do que se trata a trama. Os dois passam uma noite maravilhosa e Chase é um perfeito cavalheiro com Slone naquela noite. O destino cruza os seus caminhos novamente, quando Slone, ainda desorientada, vai para a pequena cidade Yokshire Falls em busca de respostas.

Naquela pequena e pacata cidade, ela se vê cercada de perigos, segredos e reencontra esse homem encantador. O único problema, apesar da atração sexual entre os dois, é que ele pode destruir a vida do seu pai se os segredos vierem à tona. Ela precisa lutar contra esse forte desejo e esconder os seus verdadeiros objetivos ali. Ele se foca em proteger a moça, que passou por uma  terrível circunstância quando chegou ao local, e acaba descobre que há algo misterioso. Assim decidi ir à busca da reportagem da sua vida.

Apesar das nuances da estória, dramas vividos por Slone e Chase, ela é focada no casal, que vivi o conflito entre os sentimentos e suas próprias prioridades. As partes sensuais entre eles são deliciosas, para quem gosta de hot, os diálogos entre ele e sua família, principalmente a mãe casamenteira, são engraçados e me arrancaram boas risadas.

Em resumo o livro é ótimo. Eu sinceramente sou chata com esse estilo de romance e para dar a nota máxima o livro precisa ser bom. Esse realmente me surpreendeu bastante. Tenho a convicção que os leitores não têm nada que reclamar sobre ele.

Sinopse:

Os irmãos Chandler são os homens mais sensuais e cobiçados da pequena cidade de Yorkshire Falls. Chase, o mais velho deles, é solteiro – convicto – e sonha em alavancar sua carreira como jornalista. Em uma viagem a Washington para realizar uma grande matéria, ele se envolve com Sloane Carlisle, uma linda jovem, mas que guarda um segredo que pode colocar os dois em perigo. De repente, o cara que sempre desconsiderou a possibilidade de um casamento, percebe que está se apaixonando. Será que o canalha mais cobiçado da cidade vai se transformar no marido mais sexy do mundo?!


Espero que gostem!

bjus no core


sábado, 28 de janeiro de 2012





OS LINKS DESSA POSTAGEM FORAM DESATIVADOS.

EM BREVE NAS LIVRARIAS!




A Vidente
Autora:  Hannah Howell


Primeiramente devo dizer que sou apaixonada por romances históricos, de regência, e esse foi o primeiro que li que não foi lançado pela editora Nova Cultural. Para mim foi uma grata surpresa e quando comprei o livro, não tinha noção do conteúdo. Nem sabia que se tratava de um histórico, quando comprei por uma indicação. Depois descobri que fazia parte.

  

Bem, os Wherlocke’s e os Vaughn’s são duas famílias que possuem dons especiais. Esses dons - vidência, sensibilidade, intuição, leitura de mente, cura... -  que os tornam reclusos e afastados da sociedade. Através do seu dom Chloe descobre uma terrível trama e salva a vida de bebê. Ela e seu primo Leo o protegem por algum tempo, observando de longe os acontecimentos antes de intervirem. Assim acabam salvando também a vida do pai do menino, o conde Julian. Eles passam a tentar juntar provas contra os inimigos do conde e a partir desse momento, começa uma trama de mistério, traição, assassinatos e amor.

O que gostei no livro foi à união dessas duas famílias. Sabe aquela família com 7 filhos, que saem ao socorro do irmão mais novo que está apanhando? Pois, é! Quando um dos membros da família corre perigo, os outros saem em defesa e colocam os seus poderes em prática.  O final do livro também me agradou bastante e me deixou curiosa pela continuação.

Abordando a época em questão, dizer que por se tratar de um histórico, esse livro não foi exatamente fiel aos costumes, sabendo que uma obra precisa seguir os costumes locais e período que é retratado. Ele não exatamente um histórico que segue as normas.  Destacarei apenas um fato que a meu ver foi o que quebrou a obra.

Naquele período uma “donzela” jamais poderia ficar sozinha com cavalheiros, sem expor a sua reputação, para não dizer arruinar. Acho que esse é o ponto mais falho do livro. A nossa protagonista vivia sozinha com o primo e em determinado momento da trama passa a dividir o mesmo teto, e a cama do protagonista, que ainda por cima é casado... Completamente inaceitável. Se fosse um livro que seguisse a risca os costumes, ela estaria completamente e irrevogavelmente arruinada. Por isso o seu primo deveria o primeiro a zelar pela sua honra e não servir como alcoviteiro. Esse foi o ponto crucial a meu ver e o que mais me chocou.

Outro ponto que não gostei no livro foi à fraqueza de Julian. Sinceramente todos os condes sobre que li tinham o mínimo de dignidade. Já Julian é um fraco, bêbado e corno. Tudo bem que ao longo do livro ele demonstrou alguma força, mas como um todo as suas atitudes deixaram muito a desejar. Não foi o normal do que se esperaria de um aristocrata com título.

O início da trama foi um pouco confuso e demorei um pouco para me situar. Depois tentei me ater aos fatos, mas achei que não foram bem amarrados pela autora. Quando cheguei ao meio do livro, mais ou menos, consegui me encontrar na estória e até a gostar dela. Tirando esses pontos negativos, eu até gostei muito do livro e logo comprei os outros dois para ler.


A capa dos três livros dessa trilogia são maravilhosos e super delicadas. Na versão originai podemos ver homens com torsos expostos, deliciosamente. Mas a Lua de papel preferiu uma capa bem mais trabalhada e devo admitir que acertaram em cheio, porque são super convidativas. 





Espero que gostem! Esse não foi o melhor dos três, sinceramente, mas ajuda para quem deseja entender o segundo e o terceiro. As críticas que li sobre ele não foram boas, mas prefiro ficar com minha opinião. Gostei e pronto! Quem quiser correr e risco, tirando as próprias conclusões, leia essa trilogia. Quem não quiser arriscar, simplesmente o ignore.

Assim que estiver com tempo livre, escreverei para vocês sobre A sensitiva e A intuitiva

Sinopse:

Estamos no século XVIII, na Inglaterra georgiana. Como todas as gerações de sua família, Chloe Wherlocke possui habilidades especiais, e o seu dom é enxergar além da visão física.

Em 1785 ela prevê a morte de uma mulher que acabara de dar à luz e toda uma trama para atender a motivos escusos. Ao encontrar uma criança abandonada ao lado do corpo da mãe, ela salva o bebê e o cria escondido do mundo. Fazia isso por amor, mas talvez houvesse neste gesto alguma força do destino...

Com o passar dos anos, Chloe descobre que o encontro com a criança não havia sido uma simples coincidência e nota, pouco a pouco, um desenrolar de acontecimentos que envolviam todos os membros de sua família, num jogo de traições, mentiras e assassinatos.

Consciente de tudo, ela precisa ser rápida para salvar a vida do pai do menino, o conde Julian Kenwood, e avisá-lo que o filho não morreu. Mas, ao se aproximar da família Kenwood, Chloe percebe seu sentimento de proteção por Julian se transformar enquanto a cada momento tudo fica mais perigoso.

Trecho:
Julian tinha sentido falta das visitas de Chloe apesar de saber que não deveria. Sabia que deveria ter usado o tempo para tirá-la da sua mente, mas, em vez disso, acabou passando muito tempo pensando nela e se perguntando por que ela não o visitava mais com a mesma freqüência. Só de ouvir sua risada foi o bastante para reavivar todo o desejo que imaginava estar curado. Ele se levantou e avançou um passo, atraído pelo modo como uma mecha dos cabelos dela pendia solta, livre do laço que prendia o restante para trás. Ao mesmo tempo em que uma voz no fundo da sua mente dizia para ele se afastar e não tocá-la, Julian avançou e gentilmente ajeitou a mecha de cabelo atrás da orelha. "E que bela orelha", pensou.Num esforço tremendo para desviar os olhos daquela boca sedutora, seus olhos se encontraram. Ele se perdeu nas profundezas daquele azul intenso. Julian começou a aproximar a sua boca da dela, ignorando os ruidosos alarmes que apitavam dentro de sua mente. Há tempos estava curioso para descobrir como seria o sabor daqueles lábios e já não conseguia mais resistir à tentação. Seus olhos arregalados diziam que ela sabia o que ele estava prestes a fazer, mas mesmo assim não fez nada para tentar impedi-lo. Aquilo o deixou alegre e ao mesmo tempo desapontado.

Chloe sabia que Julian estava prestes a beijá-la. Sabia também que deveria afastá-lo, para lembrá-lo severamente de que ele era um homem casado e então sair correndo o mais rápido que conseguisse. Mas, em vez de correr, ela se inclinou na direção dele, ansiosa por tocar naquela boca. Nunca tinha sido beijada e sabia que queria que ele fosse o primeiro, mesmo que, depois do beijo, a realidade da situação fizesse ambos se afastarem.

No momento que seus lábios se encontraram, Chloe soube que estava em apuros. Enquanto Julian roçava a boca sobre a dela, seus dedos deslizaram entre seus cabelos e ela estremeceu com a força que o desejo rugiu dentro de seu corpo. Não era decente beijar um homem casado. Cautelosamente, com medo de que o menor movimento seu pudesse fazer com que ele recobrasse o bom-senso, ela pousou as mãos sobre o peito dele. Julian reagiu com um gemido suave e aumentou a pressão dos lábios. Subitamente, o beijo não era mais um simples e breve ato de satisfazer uma curiosidade travessa.Seus sentidos balançaram quando ele mordiscou de leve seu lábio inferior. Quando ela ofegou por causa do calor que se ergueu, ele enfiou a língua dentro de sua boca. A invasão a surpreendeu por uma fração de segundo apenas, antes que as carícias sedutoras da língua roubassem seus últimos resquícios de resistência para que ela então entrelaçasse os braços ao redor do pescoço de Julian e se entregasse à delícia inebriante do beijo. Neste momento, ela teve a certeza de que nunca tinha provado nada tão bom, com um sabor tão doce.

Quando Julian se afastou abruptamente, Chloe deixou escapar um protesto baixinho, quase mudo. Ela abriu os olhos e percebeu que ele a encarava horrorizado. Uma pontada de dor quase lhe roubou o ar, mas então notou que ele estava um pouco ruborizado e tão ofegante quanto ela. Não foi aversão que o fizera parar, mas o bom-senso. Chloe soltou um longo suspiro, lamentando por ele ter encontrado a razão, que ela tinha deixado de lado sem dificuldade. — É de ferver o sangue, mas você é tão abominavelmente inocente — ele murmurou enquanto a puxava pela mão e a arrastava para fora do quarto.

De repente, Chloe se viu no corredor com a porta do quarto de Julian fechada atrás de si. Ela balançou a cabeça, numa tentativa de recuperar o raciocínio. Quando passou a língua sobre os lábios, percebeu que o gosto dele ainda estava lá e sentiu um aperto no fundo do estômago. Ele tinha razão em ter posto um fim naquilo, mas ela desejou que ele não tivesse recuperado os sentidos tão rapidamente.

Ajeitando os cabelos distraidamente, ela começou a descer a escadaria. Aquele beijo tinha conseguido muito mais do que disparar seu coração e fazer com que o juízo escapasse pelas orelhas. Ele tinha feito com que ela tomasse uma decisão. Depois de vinte e dois anos sem nunca ter se interessado por um homem, agora ela estava disposta a ver até onde este interesse poderia levá-la. Não importavam as conseqüências. 


Bjus no core.

sábado, 21 de janeiro de 2012





Um dia
David Nicholls

Um dia é um fenômeno editorial no Reino Unido, sucesso absoluto de crítica e público, e teve o roteiro adaptado para o cinema pelo próprio autor, David Nicholls. O filme, dirigido pela cineasta dinamarquesa Lone Scherfig, que também dirigiu Educação, traz a atriz Anne Hathaway no papel de Emma Morley.

Eu nem sei como começar a falar sobre esse livro. Então irei direto ao ponto, OK? Esse livro é simplesmente EXCEPCIONAL. Fiquei pensando em várias formas para começar essa resenha, então decidi ir direto ao ponto. Ele é maravilhoso, surpreendente e faz o leitor pensar do início ao fim. Ouso dizer, pois é a minha opinião sincera, que o David simplesmente superou o Nicholas Sparks em todos os livros dele que já li. Alguém pode vir e me contestar. Eu até aceito isso. Mas nenhum outro livro me fez parar para pensar tanto como esse. Foi um verdadeiro choque de realidade do início ao fim. Ainda agora eu me pergunto: “O que estou fazendo da minha vida?” Entretanto, como tenho que ser sincera, devo adverti-los que esse não é o livro ideal para os “fominhas por leitura”. Ai você me pergunta: “Mas por que, Glau?” Eu te respondo: “Esse é o tipo de livro que você não consegue ler rápido. Simplesmente a coisa não rola”.

Primeiro motivo é o fato do autor ser muito detalhista e em cada capítulo abordar tantas coisas, muito minuciosamente, que o leitor precisa que com muita calma. Muitos deles - músicas, citações, autores e locais - descritos no livro eu se quer conhecia. É uma leitura abordada de forma muito inteligente e com certo humor.

O segundo ponto é o fato do livro fazer o leitor pensar demais. Às vezes eu lia um pedaço de um capítulo e tinha que parar para dar uma aliviada e vários pensamentos surgia. Isso ocorreu praticamente o livro inteiro. Então, para quem gosta de devorar, devo dizer que isso é um desafio. AHHHHH! Eu mesma quando o olhei pensei: “Ops! Em dois dias eu mato esse livro”. E não foi bem assim... Foram quatro noites e cinco manhãs lendo de pouco a pouco. Ontem foi a noite mais crucial, porque eu desligava a luz para dormir e tempo depois ligava para voltar a ler. Fui levando assim até dez minutos para 01:00 hs.

Bem, quem diria que uma transa poderia levar a uma grande amizade? Uma noite, um dia e uma conversa, digamos para lá de chata, levou dois jovens, no último dia na universidade a se tornarem grandes amigos. Essa amizade perdurou durante anos e em cada capitulo, o autor conta o que acontecia com eles no aniversário daquele encontro. Muitos altos de baixo, Emma inicialmente vivendo a vida de forma triste, sem perspectivas e tentando encontrar um rumo, já Dex vivendo a sua como se ela fosse uma festa: bebidas, drogas, mulheres, viagens e diversões.

Em certos momentos eu consegui me identificar com Emma e até ser um pouco condescendente com a sua situação. Já com Dex eu fiquei bem chateada, para dizer a verdade, porque ele vivia a vida como se estivesse a passeio e magoou pessoas.

O autor narra os altos e baixos de cada um no mesmo período, as cartas, encontros e desencontros , fazendo o leitor torcer, de certa forma para a vida seguir um curso legal para ambos. Os diálogos e as cartas foram engraçados e de certa forma conturbadas, cheia de humor sardônico. Ambos muito inteligentes e defendendo o seu pensamento e modo de vida. Algumas vezes houve ruptura e os dois se afastaram. Eu confesso que foram partes que me deixaram muito triste. Fiquei até deprimida, devo confessar.

Enquanto Emma tentava encontrar o seu rumo e crescer, não só como mulher e pessoa, mas também na vida profissional, correndo atrás dos sonhos; Dex regredia ano após anos, afastando as pessoas, tornando-se uma pessoa antipática, solitária e de certa forma odiava. Tudo parecia ocorrer em sentido contrário entre eles, até que chegou a um ponto em que nem Emma o suportava mais.

Eu não posso contar mais sobre o livro, além disso. Só que posso dizer que foram quase vinte anos para que os dois finalmente se descobrissem de outra forma. Não por culpa de Emma, que sempre foi o ponto de apoio dele, mas por suas atitudes inconseqüentes e egoístas.



Dito isso, tenho certeza que esse é o livro que todos deveriam ler. Uma verdadeira lição de vida, que faz o leitor pensar sobre as suas próprias decisões. Hoje estou fazendo uma reflexão sobre a minha própria vida e de uma coisa tenho certeza, não quero que continue como está. Simplesmente não posso viver de forma passiva. Preciso correr atrás dos meus sonhos e ser objetiva nisso. Não estou à vida a passeio e não posso vê-la como se fosse um telespectador em um reality show. Essa foi à lição principal, entre muitas outras, que aprendi com esse autor.

Se você ainda não comprou o livro, mesmo que não faça o seu gênero, acho que realmente deveria comprá-lo.

Espero que realmente gostem do que vão ler e tentem extrair o que há de bom, deixando para trás o que não agrega.

Segue o trailer do filme:



Eu já assisti ao filme duas vezes e a estória não sai da minha cabeça. Sinceramente foi algo que me tocou muito.

Espero que gostem

bjus no core

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

CAPÍTULO 6 – CASTELO DE AREIA
TANTO QUERER
(Geraldo Azevedo – Nando Cordel)
Quando a gente se encontra,
cresce no peito
um gosto de vida,
um sorriso,
tanto querer...
É quando a luz da saudade
acende de um jeito
Se faz tanto tempo a gente
não quer nem saber
Agora será como sempre,
eterno,
presente...
Certeza que mesmo distante,
em nós resistiu.
Seja luar,
amanhecer,
saudade vem e vai,
AMOR é o que me levará a você...
...”Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos, mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor”...


Edward atendeu o telefone meio irritado. O que Conrad Allister poderia querer com ele às duas da madrugada?

Não tinha lido o relatório anterior e nem leria o último que ele estava elaborando, mesmo que tivessem lhe custado dez mil dólares.

– Alô!

– Ed, aconteceu uma coisa horrível!

A sonolência amortizou o susto de Edward.

– O que foi, Conrad? – Perguntou, pouco interessado.

– Estava seguindo Isabella aqui em New York e acabei perdendo-a de vista, depois que fugiu do aeroporto, desistindo de ir para a Inglaterra se casar. Só agora descobri seu paradeiro e não tenho boas notícias para lhe dar...

As palavras afobadas do detetive fervilhavam na cabeça de Edward. “New York”... “Fugiu”... “Casar”... “Inglaterra”... “Notícia”... “Horrível”...

Pensou tratar-se de um pesadelo. E dos piores que já tinha tido.

– Isabella levou um tiro durante um assalto e corre risco de morte! – Conrad finalizou a sentença que ainda parecia sem nexo em sua cabeça.

Edward sentou-se em choque na cama, agindo como se uma descarga elétrica de milhões de volts o tivesse atingido.

– O... O que você está dizendo?

– Me informaram que ela está em coma induzido depois da cirurgia em sua cabeça. A enfermeira falou algo sobre perda de massa encefálica e sobre perda de memória, mas não entendi muito bem. Amanhã de manhã, quando o médico dela chegar, terei melhores informações. Acho que ela não escapa.

A cada segundo que se passava parecia que a potência da descarga elétrica aumentava.

– Irei para New York o mais rápido que conseguir.

Edward pulou da cama sem saber o que fazer primeiro. O desespero o tomou de forma que não conseguia concatenar suas idéias. Ligou para Emmet, contando o que acabara de saber. Estava à beira de um ataque nervoso.

– Ed, fica calmo. Estou indo par o seu apartamento. Vai trocando de roupa, toma uma água, que quando eu chegar aí a gente vê o que faz.

Emmet percebeu que o amigo estava em pânico e sabia que não podia deixá-lo sozinho numa hora daquelas.
Edward abriu o guarda-roupa e não conseguia achar algo para vestir. Um único pensamento tomava conta de sua mente: Bella estava morrendo!!

Ele conseguia conviver com sua indiferença, com seu ódio, com seu desprezo... Mas imaginá-la morta era uma dor maior do que poderia agüentar.

Edward balançou a cabeça tentando espantar o pessimismo. “ Ela não vai morrer, não vai!! Bella é forte e agüentará!”

Com a ajuda do amigo conseguiu se acalmar e prepararem a ida para New York. Jasper cobriria a falta deles enquanto estivessem viajando.

Agora não havia nem medo, nem covardia, nem ódio, nem nada que o impedisse de ir ver o amor de sua vida, ainda que pela última vez.

Antes de sair, Edward pegou o envelope lacrado que continha o relatório do mês passado e levou consigo. Queria entender melhor o que Conrad tinha falado sobre Isabella estar de casamento marcado na Inglaterra.
Durante o vôo, leu estarrecido que Bella, “Sua Bella”, estava de mudança para a Inglaterra, onde se casaria com James, seu atual namorado. Edward achou que enlouqueceria, tamanha a angústia que se apoderou de seu coração. Talvez aquele fosse o último preço a pagar por sua crueldade com Bella: Perdê-la pela vida e pela morte.

Conrad os esperava no aeroporto, como haviam pedido.

Enquanto iam de taxi para um hotel, o investigador foi pondo Edward a par de tudo:

– Eu queria fazer um relatório completo da mudança de Isabella para a Europa, então peguei o mesmo vôo que eles e com a ajuda de um amigo que trabalha no JFK, consegui entrar no embarque internacional pela entrada de funcionários. Fiquei sentado ao lado deles. Bella me parecia bem inquieta, até que de repente ela olhou para ele e disse que não iria viajar mais. – Conrad parecia mais assustado com a atitude surpreendente da moça do que com o acontecido. - Eu gravei o que conversaram, mas a qualidade está ruim porque ainda não tive tempo de melhorá-la.

Conrad ligou o play e entregou o pequeno gravador para Edward, que o levou próximo ao ouvido, tentando escutar melhor.

Havia muito barulho e vozes misturadas, mas dava para ouvir claramente.

– James, me desculpe, mas eu não posso ir.

– Por que isso agora, amor? Você só está assustada. Quando chegarmos lá se sentirá mais calma.

– Não, James, eu não posso voltar para a Inglaterra... Definitivamente não posso. E também não conseguirei ser a mulher que merece. Não suportaria te contaminar com minha infelicidade. Me desculpe, me desculpe...

– Bella, eu te amo muito, quero ser seu marido e te fazer feliz como nunca foi, mas se insistir com este absurdo e sair deste aeroporto, será para sempre. Nunca mais me verá. Não posso agüentar mais isso...

– Você vai encontrar alguém que te ame como merece, James.

Uma alegria despropositada tomou conta dele. Ouvir Bella dando um fora no noivo tinha um sabor de vitória para ele.

Mas então se lembrou de algo que ouvira: “Não suportaria te contaminar com minha infelicidade.”
Isabella realmente era infeliz!!... E a culpa era sua. Ela estava morrendo e ele não teria mais tempo para tentar mudar isso... Um novo tipo de remorso o tomou, o remorso pelo tempo que perderam.

Conrad continuou com sua narrativa.

– Eu saí correndo para encontrá-la no saguão, já que tive de voltar pela área dos funcionários. Cheguei a tempo de vê-la entrando em um taxi. Anotei a placa, mas não consegui segui-la. Passei horas tentando descobrir de quem era o taxi e quem era o motorista. Só o encontrei muito tempo depois. Perguntei dela e ele se lembrou na hora, me contando que a deixou em uma farmácia ao lado do New Yoker Hotel. Quando eu já estava indo embora ele me entregou seu cartão e me pediu para, caso a encontrasse, avisá-la que tinha esquecido sua bolsa em seu taxi. Tentei persuadi-lo a me entregar, mas ele falou que só devolveria em mãos.

Foi por isso que não a identificaram.

– A farmácia que ele me indicou estava fechada pela polícia quando cheguei lá. – Conrad continuou, diante dos ouvidos atentos de Edward e Emmet. – Pedi informações e o porteiro do hotel ao lado me contou que tinha acontecido um assalto no estabelecimento e que uma garota loira tinha sido baleada. Pela descrição que ele deu e pelo horário que aconteceu, desconfiei que era Bella. Liguei para alguns jornalistas amigos meus e não demorei em descobrir que a garota baleada durante o assalto tinha sido levada para o Mount Sinai Medical Center. Lá, me passando por jornalista policial, eu pude confirmar que se tratava de Isabella, apesar deles não terem nenhuma informação sobre sua identidade. Hoje de manhã, depois que te liguei, tive acesso a seu primeiro boletim médico. Explicava que ela deu entrada na emergência alerta e falando, mas não sabia dizer quem era, nem a idade e nem o que estava fazendo na farmácia. O médico falou que ela está com amnésia retrógrada irreversível, pois o tiro afetou a região da memória. Depois da cirurgia de retirada da bala, o cérebro dela começou a inchar e eles tiveram de induzir o coma para protegê-la de outros danos. Ela está mal, Edward!

Edward e Emmet ouviram tudo estarrecidos.

– Como assim, amnésia retrógrada? – Edward quis saber mais.

– Parece que ela nunca mais vai se lembrar de nada que aconteceu na vida dela antes do assalto. O médico disse que serão necessários novos exames para confirmar este prognóstico, mas que é quase certo.

– Meu Deus!! – Foi tudo o que Edward conseguiu dizer. - Assim que deixarmos as malas no hotel, vamos direto para o hospital, Emmet. Eu preciso ver Bella urgentemente.

– Ed, acho que isso vai ser impossível. Eu bem que tentei; e olha que não há nada que eu não consiga fazer; mas não me deixaram entrar na UTI. Só é permitida a entrada de parentes – interveio Conrad.

– Eu falo que sou o marido dela! – Edward falou sem pensar, irritado com a possibilidade de ser barrado no hospital.

– Se ela não se lembra mesmo de tudo o que lhe aconteceu, suas possibilidades de reconquistá-la aumentaram bastante, Ed. Pra falar a verdade, parece até que o destino está dando uma mãozinha pra você.

– Emmet pensou alto, arrependendo-se logo em seguida. - Desculpe-me, cara, foi mal! É claro que não tem nada de bom numa tragédia dessas.

A mente de Edward ainda estava presa nas primeiras palavras de Emmet, ignorando por completo suas desculpas.

A amnésia de Bella significaria sua redenção, caso ela sobrevivesse? Sem lembrança não haveria o crime. Sem crime não haveria culpado...

A chegada do taxi diante do hotel o tirou de seus devaneios.
Edward solicitou um quarto duplo para ele e Emmet e outro conjugado para Conrad. Sua facilidade de transitar nos lugares seria muito útil para conseguirem informações sobre Bella.

O detetive adorou o fato de poder sair de seu reles hotelzinho no Queens e se hospedar no Tramp Soho New York Hotel, em Manhattan. Buscaria suas coisas assim que desse.

– Ed, - Conrad falou enquanto subiam pelo elevador – essa história de querer se passar por marido da Bella é sério?

Em sua cabeça a possibilidade de um grande negócio começava a despontar.

– Se for o único jeito de vê-la, sim.

– É que eu conheço um cara, um ex-agente do FBI, que mexe com identidades falsas. Como ninguém sabe quem é Isabella, ele poderia lhe conseguir documentos que provassem que eram casados.

– Nem pensar, isso é furada cara! Como advogado, posso listar pelo menos uns dez crimes que Ed estaria incorrendo – Emmet se adiantou.

– Tudo bem então, é que eu pensei que ele estivesse disposto a fazer qualquer coisa por amor. – O detetive se desculpou.

Edward prestava absurda atenção naquele diálogo quando a porta do elevador se abriu.

Na cabeça deles o assunto não tinha terminado.

– Ed!

– Emmet!

– Conrad!

Chamaram ao mesmo tempo, já no saguão do hotel.

Emmet queria dizer a Edward que por mais que se tratasse de um crime, se fosse importante para ele estar perto de Bella, daria o maior apoio naquele plano absurdo; Conrad queria dizer a Emmet que em vinte anos de profissão, nunca vira um trabalho de Roarke dar errado; Edward queria dizer a Conrad que gostaria saber mais sobre os serviços que seu amigo prestava.

Apenas olhando um para o outro, entenderam o que deveriam fazer. Entraram de volta no elevador e foram para o apartamento de Edward e Emmet. Aquele assunto necessitava de completa privacidade e sigilo.

– Conrad – Edward falou, assim que fecharam a porta do quarto – gostaria de conversar com esse seu amigo.


...”E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também”...


Edward não mediria esforços para estar com Isabella agora. Já tinha sido covarde, omisso e cruel com ela, mas agora estava decidido a ajudá-la. Se para isso precisasse de documentos falsos, arriscaria até sua liberdade. Nada seria mais importante em sua vida, agora, do que o amor que sentia por ela.

– Na verdade eu nunca o vi. - Explicou o detetive - Ele nunca expõe sua identidade. Já fiz trabalhos para ele, mas nunca nos encontramos. Tem uma loira que faz a intermediação para ele. Ele faz muito mais do que documentos falsos. Dizem que o cara era do Marshals Service, o Serviço Federal de Proteção às Testemunhas, do FBI. Parece que ele cansou de trabalhar pro Tio Sam e resolveu trabalhar para os bandidos, que pagam bem melhor. O que eu sei é que ele e sua equipe criam novas vidas e identidades para mafiosos que querem desaparecer do mapa. Ele é conhecido como Roarke por causa daquele seriado “A Ilha da Fantasia”, aonde as pessoas iam para um tipo de paraíso tropical realizarem sua fantasias, que eram criadas pelo anfitrião e seu ajudante nos mínimos detalhes.

– “Patrão, o avião!!” – Emett imitou o anãozinho da Série, mostrando que se lembrava do programa. O riso serviu para descontraírem um pouco. Era o maior anão que eles já tinham visto.

– O cara é excepcional!! Se você quiser ele arruma mais que documentos para você, ele cria a sua vida inteira de casado com Bella, mas vai ter de colocar a mão no bolso com vontade... Bem, Isso se ela estiver com amnésia mesmo... E se sobreviver... – Conrad completou.

A idéia era completamente maluca, mas Edward ainda assim queria conversar com a assessora do tal Roarke. O detetive continuou explicando como era o serviço que o ex-agente prestava.

– Conrad, marque um encontro entre mim e essa loira o mais rápido possível e depois vá para aquele hospital e me passe, minuto a minuto, tudo o que estiver acontecendo com Bella.

– Emmet, por favor, me ajude a providenciar para que Bella tenha o melhor tratamento que o dinheiro possa pagar.

Edward estava finalmente com as rédeas de sua vida nas mãos. Antes tarde do que nunca, pensou.
Os cifrões dançavam diante dos olhos de Conrad Alister. Se o serviço fosse realmente contratado, sua comissão seria gorda.

– Tem certeza do que está fazendo, Ed? – Emmet perguntou quando estavam sozinhos.

– Não, Emmet, não tenho... Mas cansei de fazer o que julgava certo. Agir racionalmente só me afastou de Bella cada vez mais. Quero ser de novo aquele garoto de dezoito anos que queria fugir com uma menor para outro país, acreditando que amor era tudo o que precisavam para serem felizes. Tá faltando um pouco de loucura e inconsequência na minha vida, amigo.

– Conte comigo para o que der e vier, Ed Masen.

Edward sabia que a amizade e fidelidade de Emmet eram inquestionáveis. Amava-o por isso.

Depois de duas horas de ansiedade, recebeu a primeira ligação do hospital.

– Ed, Uma moça chamada Rosalie Hale irá procurá-lo hoje, às vinte e duas horas, no hotel. Eles vão revirar sua vida antes de irem aí, Cullen. Eles só trabalham com total segurança.

– Tudo bem, não tenho nada a esconder.

– Eu conversei com outro médico. Estou me fazendo passar por um jornalista que está cobrindo essa matéria

– falou orgulhoso do seu desempenho. - Informei-me e me disseram que ela permanece estável. Fizeram novos exames e continuam achando que a perda de memória é irreversível. O médico acha que o coma induzido pode ser necessário por um tempo maior. Tem um investigador da polícia que está acompanhando o caso. Ele já veio aqui várias vezes, a enfermeira comentou. Quer o depoimento de Bella de qualquer jeito. O tal do Black parece ser tão insistente quanto eu.

– Obrigado. Continue me ligando sempre que houver novidade. Pagarei por sua dedicação exclusiva, não se preocupe. – Edward agradeceu.

Emmet ligou para a administração do hospital e se apresentou como um empresário que tinha ficado consternado com a situação da garota baleada e que queria pagar o seu tratamento na Clínica Particular do
Hospital, porém gostaria de ficar anônimo.

A administração do Mount Sinai não se opôs. Já estavam acostumados com este tipo de filantropia. Solicitou apenas um depósito compulsório para garantir o pagamento e passou o número da conta onde as despesas futuras com a paciente seriam depositadas, mediante fatura enviada por e-mail.

Depois de tudo resolvido, Edward tomou um banho e deitou em sua cama. Faltavam três horas para o encontro. Tentaria descansar um pouco... Isso se conseguisse manter seus pensamentos sob controle.

Sem conseguir esperar, ligou para Conrad para ter novas notícias, mas o quadro continuava o mesmo.
Edward queria essa documentação o mais rápido possível, para poder ver Bella. A história da “Ilha da Fantasia” não saía de sua cabeça. Já tinha assistido alguns capítulos da série, num desses canais que passavam programas dos anos setenta. Tudo sempre terminava bem para os visitantes e eles iam embora felizes e realizados. Bem que podia ser assim com ele e Bella, sonhou acordado.


Conrad não tinha dito que a tal Rosalie era tão linda. Aparentava ter a mesma idade que ele, supôs.

– Boa noite, Stª Hale. Entre, por favor. – Edward a cumprimentou.

– Boa noite, Sr. Cullen. – respondeu com uma voz sedutora.
Sentaram-se na mesa da anti-sala. Emmet ficou no quarto, evitando ser visto.

– O Sr. McCarty não irá participar de nossa conversa? Não há necessidade que fique no quarto. – Rosalie falou, mostrando que tinha completo controle de tudo o que acontecia ali.

Edward ficou um pouco constrangido com a situação e chamou o amigo para junto deles.
Assim que passou pela porta, Emmet se encantou com a beleza da moça. Abriu seu melhor sorriso, acentuando as covinhas em sua face, que lhe davam um aspecto quase infantil.

– Boa noite, Stª Hale. Vejo que não se parece em nada com o Tatoo – brincou.

Aquele monumento de mulher definitivamente não lembrava o anãozinho da série, pensou.
Recebeu um olhar frio como resposta, mas não se importou, gostava de mulheres difíceis.

– O que quer de nós, Sr. Cullen? – Rosalie foi direta.

– Bem eu... Eu ... É... Eu queria...

– Quer que criemos um casamento perfeito para o senhor e Isabella? – Ela se adiantou, impaciente com a gagueira de Edward.

– Na verdade isso é tão surreal que eu nem sei o que estou desejando.

– Podemos criar a fantasia que quiser, desde que tenha dinheiro para pagar, o que não parece ser seu caso. Apesar de rico, não cremos que tenha cinco milhões de dólares em cash para tornar Isabella Swan sua esposa feliz e apaixonada... Este é o preço da sua felicidade, Edward Cullen...

– Cinco milhões de dólares?? – Emmet perguntou, espantado.

– Geralmente cobramos menos, mas este é um caso especial. Um dos protagonistas não está de acordo com a fantasia. Esta é uma regra que nunca quebramos, mas como ela está com amnésia e não se lembrará de nada, abriremos uma exceção.

Edward percebeu que em pouco tempo eles já conheciam detalhes do caso. Deviam ser realmente bons no que faziam.

– O que eu teria em troca de tanto dinheiro?

– Uma vida nova. Com passado e presente. O futuro fica por conta do cliente. Arrumaremos documentos, lembranças, casa, até filhos se quiser. É claro que não podemos matar todos que conhecem a verdadeira história de vocês, então é necessário que se afastem dos lugares onde podem ser reconhecidos. Lembre-se, Sr. Cullen, existem limitações. É apenas uma fantasia, como um lindo e perfeito castelo de areia... Mas ainda assim, de areia.

– Mas como vocês fariam isso? – Perguntou incrédulo.

– Sr. Cullen, diga-nos apenas o que quer. Como fazer é por nossa conta. Posso garantir-lhe que ficará satisfeitíssimos. Somos extremamente minuciosos e detalhistas. Nossa equipe conta com uma rede de profissionais de todos os ramos. Desde funcionários do alto escalão do governo até o mais simples do cidadão.

– Quanto tempo levariam?

– Somos rápido. Quanto mais material de trabalho nos passar, menor será o tempo.

– Que tipo de material?

– Passarei uma lista assim que efetuar o pagamento. O Sr. Alister disse que tem relatórios sistemáticos da vida dela nos últimos cinco anos. Isso será excelente. Precisaremos também das malas dela e da bolsa, mas já sabemos como conseguí-las.

– Eu tenho de digerir todas essas informações e verificar minha capacidade de pagamento. Assim que tiver uma resposta, entro em contato. – Edward falou.

– Ficaremos aguardando.

Rosalie despediu-se e foi embora, seguida pelo olhar malicioso de Emmet que não conseguia disfarçar o quanto se interessou pela moça.

– Foi bom enquanto durou, Ed. Você não tem cinco milhões para bancar esta loucura.

– Não, não tenho...

– Parecem que são profissionais. Coisa grande, heim!!

– Pelo preço que cobram, tem de ser serviço de primeira.

Edward se deitou e ficou mirando o teto. Seu coração estava apertado, pensando no sofrimento de Bella naquele leito de hospital. Mais uma vez ela estava lutando para sobreviver, vítima da crueldade alheia. A vida tinha sido muito injusta com ela, pensou, imaginando a solidão que poderia estar sentindo naquele hospital.

Como gostaria de fazê-la feliz!!! De ter a oportunidade de consertar seus erros e devolver à Bella toda a alegria que lhe foi negada.

Cinco milhões!! E depois diziam que a felicidade não tem preço... Podia não ter para aqueles que têm a sorte de encontrá-la pela vida, mas para ele e Isabella só restava uma opção: Comprá-la.

Não tinha como levantar essa quantia sem dispor de parte de seus bens. Poderia usar as suas ações da Netsale como garantia em um financiamento, mas precisava do dinheiro com urgência e não poderia se dar ao luxo de esperar. A menos que...


...”De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isso que eu espero
Digo ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
só quero amar!”

O ato que estava preste a cometer poderia ser visto como rebeldia, mais para Edward era mais que isso, era seu “grito de independêcia”, uma forma de romper definitivamente com a cultura aristocrática e preconceituosa que norteou sua criação.

 Levou algumas horas no telefone até que encontrou um interessado.

Exatamente pelo mesmo valor dos serviços de Roarke, vendeu o anel que herdara do pai, a peça que representava o “orgulho” dos Cullen. O preço alto conseguido na jóia foi mais por seu valor extrínseco do que pelas pedras preciosas e pelo ouro que continha. O anel era uma desejada peça de coleção.

Manteria a venda em segredo. Não queria enfrentar a ira do pai muito menos tê-lo por perto neste momento. O colecionador que o comprara era extremamente discreto e não faria alarde de sua nova aquisição.
Havia uma ironia naquilo tudo. A fortuna e o orgulho dos Cullen tinham sido os motivos de ter se separado de Bella... Agora usaria o símbolo máximo do poder desta família para devolver-lhe a felicidade que lhe foi tirada. Era mais do que justo!!!

Não era um bem material valioso que queria deixar para seus filhos, Edward desejava mesmo é que eles se orgulhassem dele. Queria que seus herdeiros o vissem como um homem honrado e justo, capaz de colocar o amor acima do dinheiro e a felicidade acima do preconceito.

Não se lembrava de já ter feito algo fora da lei como agora. Estava criando um plano baseado na mentira para enganar Bella, mas ainda assim era a primeira vez que se orgulhava de sua coragem. Não se enxergava mais como um covarde nem como um irresponsável. Estava lutando por Bella pela primeira vez na vida.


O dinheiro levaria dois dias para estar na sua conta. Teve de voltar a Massachusetts para entregar o anel para o especialista que intermediava a venda. O remorso tantas vezes presente na vida de Edward ficou de fora desta vez. Estava completamente convicto que fazia o certo. Assim que ficou liberado, voltou imediatamente para New York.

Bella continuava em sua batalha pela sobrevivência, vencendo obstáculo por obstáculo.
Assim que transferiu os cinco milhões para a conta na Suiça, soube que não tinha mais volta. A contagem regressiva para sua felicidade estava acionada...

Edward sabia que independente de Isabella sobreviver ou não, o dinheiro não seria devolvido. Toda a garantia do sucesso de seu plano vinha da esperança que aquecia seu coração, na qual se agarrava para não desmoronar. A morte de Isabella não era mais uma possibilidade cogitada... Não para Edward!!


Edward leu com lágrimas nos olhos a certidão de casamento, devidamente vincada e amassada, como deveria ser um documento de três anos atrás.

Era a materialização de um sonho. Um sentimento de plenitude o invadiu. Sentia-se com dezoito anos novamente. Os mesmos planos... A mesma esperança...

O passaporte de Bella também estava pronto. Dentro o carimbo italiano identificava onde tinham passado a lua de mel, conforme planejaram enquanto namoravam por cartas.

As cartas... Foram elas que nortearam todo o trabalho da equipe de Roarke. Tanto as que Edward entregou, com recomendações expressas que fossem devidamente conservadas e devolvidas, quanto as que encontraram na mala de Bella. Ali estavam os sonhos juvenis de dois adolescentes que se amavam loucamente.

Edward procurou o balcão do hospital encenando uma exagerada ansiedade de marido que acabara de descobrir o paradeiro da mulher desaparecida.

– Por favor, acredito que a moça que deu entrada há uma semana aqui no hospital seja minha esposa, Isabella Cullen.

Edward apresentou a certidão de casamento e uma foto dele com a esposa.

Lembrou-se da entediante e cansativa tarde no estúdio fotográfico, tirando fotos na frente de um painel azul, junto de uma garota com as mesmas características de Bella. Com a ajuda de maquiagem e figurinos, criaram diferentes tipos de momentos que comporiam os álbuns de casamento, lua de mel, passeios, festas com amigos e momentos do dia-a-dia deles. As imagens do rosto de Bella, resgatadas de suas fotografias pessoais, foram inseridas depois, usando técnicas de computação gráfica.

A enfermeira olhou bem para a rosto na foto e confirmou ser Isabella.

–Oh meu Deus, é ela sim, senhor. Que bom que alguém a encontrou!

– Eu gostaria de vê-la o mais rápido possível.

– Vou chamar a enfermeira chefe e então providenciaremos suas roupas para entrar na UTI.

– Oh meu Deus!! – Saiu exclamando, demonstrando uma felicidade sem tamanho.

Edward tentava manter a calma, mas estava extremamente nervoso. Além do receio de ser desmascarado, a ansiedade deixava suas mãos trêmulas e sua respiração ofegante. Depois de dez anos iria rever a única mulher que amou em toda sua vida.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


Em chamas – Jogos vorazes 2
Autora Suzanne Collins

Quando terminei Jogos vorazes, estava simplesmente desesperada para saber o futuro de Katniss, Peeta e Gale. Era mais forte do que eu e cheguei ao desespero ao pensar em como seria a nova vida após os jogos. Mas ao começar a ler, não foi exatamente o que esperava para a continuação. O segundo livro é um pouco mais lento do que o primeiro, já começa dias após o retorno e não há aquele clima de vitória que esperava que houvesse.

Após a volta para casa, Katniss e Peeta têm que vier uma farsa, já que todos acham que estão apaixonadíssimos, contudo o que ocorre é exatamente o contrário. Ela acabou magoando os sentimentos dele, deixando um clima chato. O que mais queriam era viver uma vida normal, mas ela recebe ameaças da capital e manter a farsa é necessário para o bem de todos a quem ama. Os seus sentimentos por Gale ficam cada vez mais confusos nesse momento, mas para salvar a sua vida, precisa continuar com a farsa.

Durante a viagem da vitória, por todos os distritos, eles descobrem que os povoados estão se rebelando. E uma das tarefas desse casal de “desafortunados” será acalmar a população. Contudo o contrário acontece e surgem mais rebeliões. Os dois se vêem obrigados a fingir um noivado pelo bem de todos, mas nem isso acalma a sede de vingança dos poderosos.

A capital decide fazer os jogos quaternários, onde os vencedores de cada distrito são obrigados a voltar para a arena de jogos. Mais uma vez Katniss e Peeta se vêem empurrados para a morte, só que dessa vez os dois decidem se unir e tentarem alianças, e sobreviverem aos jogos.

Esse foi um livro de muita dor, indecisão e de certa forma com um triângulo amoroso. Com a evolução, principalmente depois do início dos jogos, o leitor fica com os nervos a flor da pele. Ao terminar, novamente bate um desespero enlouquecedor para saber o que acontecerá com os dois.

Confesso que no final eu até chorei. Foi muito sofrimento para todos e nessa trama tão dramática, eu me vi torcendo arduamente para ela realmente se apaixonar por Peeta. É claro que Galei é lindo e forte, mas Peeta é muito inteligente e altruísta, sempre colocando  Katniss em primeiro lugar. O amor dele foi verdadeiro, enquanto o dela fingido. Sua personalidade nesse livro foi bem mais detalhada e não teve como eu não me apaixonar. Por isso acho que sofri tanto com o fim.

Gente, sei que não é o tipo de romance que estamos acostumadas aqui. Mas essa trilogia é simplesmente demais!!! Eu amei, apesar do sofrimento que passei. Não tenho nem uma palavra para denominá-lo. Se fosse dar uma nota, seria 1000!

Espero que gostem!

Bjus no core