sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CAPÍTULO 7 – APERTANDO O PLAY
QUANTAS VIDAS VOCÊ TEM?
(Paulinho Moska)
Meu amor
Vamos falar sobre o passado depois
Porque o futuro está esperando
Por nós dois.
Por favor
Deixe meu último pedido pra trás
E não volte pra ele nunca
Nunca mais.
Porque ao longo desses meses
Que eu estive sem você
Eu fiz de tudo pra tentar te esquecer
Eu já matei você mil vezes
E seu amor ainda me vem
Então me diga quantas vidas você tem
Parado naquele corredor, Edward sentia-se como se fosse desmaiar a qualquer momento.
Esperara dez anos por este dia. Mesmo que o tão sonhado encontro se desse em meio a uma fatalidade, quando Bella não tinha sequer lucidez para saber que ele estava ali; ainda assim a veria, e isso já era motivo suficiente para sentir-se extasiado. De certo modo era confortável estar protegido pelos olhos fechados da garota que ele tanto fizera sofrer.
– Então o senhor é o esposo da nossa “Jane Doe”?
Edward estava tão ansioso que não percebeu a chegada da moça de branco que lhe dirigia a palavra.
– Sou sim. O nome dela é Isabella, senhorita, e estou desesperado para ver minha esposa.
– Eu sou Jéssica, a enfermeira-chefe. Infelizmente não poderá chegar tão perto dela como acho que gostaria, Sr. Cullen. Perdemos um paciente com infecção hospitalar e a UTI está de quarentena. Poderá vê-la pelo vidro, que fica bem perto de seu leito.
– Minha mulher corre risco de pegar esta infecção? – Edward perguntou preocupado.
– Infelizmente há este risco sim, mas estamos tomando todas as precauções para que isto não aconteça.
– Mellhor assim. – Havia um tom de ameaça naquele comentário.
– Acompanhe-me para que possa se vestir para entrar lá. Mesmo que não vá ter contato físico com a paciente, são cuidados necessários para transitar na Unidade de Terapia Intensiva – explicou a enfermeira.
– Tudo bem. – Nem que tivesse que ficar nu, Edward se importaria. Qualquer incômodo seria bem vindo naquela hora.
“Sei que ai dentro ainda mora um pedaço de mim.
Um grande amor
não se acaba assim,
Feito espumas ao vento”...
Devidamente paramentado, Edward aproximou-se do vidro que o separava da cama hospitalar onde Bella estava. Mal conseguia respirar.
– Seu esposo te encontrou, lindinha! Ele veio te ver. – A enfermeira que estava do outro lado falou, toda carinhosa, com o corpo inerte da moça que descansava na cama.
Com a cabeça enfaixada e com vários aparelhos ligados a seu corpo, era difícil reconhecê-la, mas independente do que seus olhos viam, o coração de Edward sabia que era ela, pois batia acelerado, como se um sopro de vida o tivesse ressuscitado.
Sem poder tocá-la, o arrependido ex-namorado começou um monólogo silencioso.
“ Oi Bella, eu estou aqui. Você não está mais sozinha, eu estarei para sempre do seu lado. Quando tudo isso acabar e você acordar, seremos felizes e nada mais nos separará.
Desculpe-me estar te enganando. Eu não queria ter de mentir pra você, mas como não me ama mais, esta é a única forma de me deixar ajudá-la. Não vou mais permitir que seja infeliz, meu amor. Vou te devolver tudo o que lhe tirei.
Eu sinto aqui dentro do meu peito, Bella, que sem o rancor que sentia por mim, tudo o que restará entre nós é apenas amor... Aquele que existia em seus olhos quando a encontrei chorando naquela cadeira de balanço.
Você vai ser feliz de novo, eu lhe prometo!! Desta vez não te decepcionarei.”
Edward saiu da UTI aos prantos. Rever sua menina, seu raio de sol, naquelas condições era muito doloroso. Se a dor redime, como dizem, então ele estava perdoado de seus pecados, pensou, pois não tinha uma única célula de seu corpo que não estava entorpecida pelo sofrimento.
Ele a amava porque se lembrava de tudo o que viveram... Ela só poderia amá-lo porque tinha perdido suas memórias. Seria cômico se não fosse trágico.
Bella ficou mais quarenta e cinco dias internada. Aos poucos o coma induzido foi sendo trocado por uma sedação forte e então as doses de soníferos diminuíram até que ela acordasse naturalmente.
Neste período Edward a visitava todos os finais de semana, sempre atrás do vidro, uma vez que Bella tinha pego uma infecção e apresentava uma leve, mais preocupante, encefalite. Nos outros dias tinha de se dedicar a seu trabalho e à execução dos planos de sua “vida de mentira”.
Emmet e Jasper, que também já estava a par da situação, ficariam à frente dos negócios e Edward faria seu serviço de uma pequena central que seria instalada em sua casa, em Monterey. Sim, como era o desejo de Bella, eles morariam na Califórnia, em uma linda casa de frente para o mar.
A cada dia que passava Edward ficava mais impressionado com a excelência que o trabalho de Roarke alcançava.
A equipe pensava em tudo, não deixando passar o mínimo detalhe que fosse.
A casa já estava alugada e completamente arrumada. Roupas novas tinham sido lavadas para parecerem usadas, sapatos foram gastos, perfumes abertos e entornados... Enfim, todos os produtos de uso pessoal de Bella estavam devidamente caracterizados como se fossem seus há muito tempo. Seus próprios pertences, que estavam nas malas que ficaram no aeroporto, serviram como parâmetro para os que foram providenciados. A diferença era a qualidade e o preço. Edward fez questão que comprassem o que havia de melhor para Bella.
Fotos da casa antiga, livros, cartões de natal antigos... Tudo o que se possa imaginar tinha sido providenciado, até um exame negativo de gravidez fora guardado em uma das suas gavetas.
Graças aos hackers da equipe, Isabella Cullen era cidadã americana devidamente indentificada desde 2007, ano que deixou de se Isabella Swan por ter casado.
Registros de seus documentos, que a polícia julgava terem sido levados pelos assaltantes, estavam devidamente gravados nos sistemas de identificação dos Estados Unidos. Bastaria apenas que Bella solicitasse segunda via deles.
Até um Boletim de ocorrência já existia nos computadores da polícia, postado com data seguinte ao dia do assalto, supostamente feito pelo marido em New Haven. Nele Edward avisava sobre o sumiço da esposa em New York, para onde tinha viajado para fazer compras e não dava notícias há mais de vinte e quatro horas.
Eles realmente pensavam em tudo!
Este detalhe fora de extrema importância quando Edward encontrou com o antipático Investigador de Polícia Jacob Black pela primeira vez. Ele o esperava no corredor assim que saiu da UTI, onde tinha ido visitar Bella pela segunda vez.
– Edward Cullen? – O homem alto e moreno o abordou.
– Sim, sou eu.
– Eu sou o investigador Jacob Black – disse, mostrando seu distintivo. - Sou o responsável pelo caso envolvendo sua esposa. Estava na cola da quadrilha que assaltou a farmácia onde ela foi baleada.
– Nem tão na cola assim. – Edward abusou da ironia. Era evidente que não pretendia ser cordial com o policial, pois já estava intrigado com sua fixação em Isabella. Tinha informações de que ele não saía do hospital.
Jacob o fitou com ódio.
– Infelizmente não, mas pegaremos esses malditos.
– Acho bom mesmo!
– Precisamos saber se a vítima, ou melhor, se a Srª Cullen se lembra do rosto de um deles. Seu testemunho seria muito importante, pois o funcionário do caixa se escondeu atrás do balcão e o gerente que lutou com um dos assaltantes levou uma coronhada enquanto eles ainda estavam encapuzados. Pelo vídeo da câmera de segurança pudemos ver que um terceiro assaltante, com o rosto desprotegido, entrou na farmácia e sua esposa o encarou antes deles fugirem. Infelizmente ele estava de costas para a filmadora e não pudemos identificá-lo. Essa quadrilha rouba remédios controlados e integra um grupo de traficantes poderosíssimo.
– Bella está com amnésia, investigador. Achei que já soubesse disso.
– Claro que sei. Visitava sua esposa antes mesmo do senhor aparecer.
– Achei que só parentes podiam vê-la.
– Eu sou policial, Sr. Cullen. Tenho privilégios.
Jacob Black não tinha ido nem um pouco com a cara do tal Edward Cullen. Desconfiava que sua antipatia se devia à feição nem um pouco ética que tinha desenvolvido por aquela frágil garota solitária que tantas vezes visitara, até mesmo quando não havia necessidade. Saber que era casada deixou-o desiludido.
– Então como acha que ela poderá ajudá-los? – Edward perguntou irritado.
– Pode ser que a simples visão da cara do assaltante em uma foto a faça lembrar de algo.
– Seu problema é físico, Investigador Black, e não emocional. Ela teve uma lesão cerebral na área da memória. Não é algo que vá se curar com uma simples fotografia.
– Pode ser, mas nunca é demais tentar.
Jacob sabia que o que acabara de falar era uma grande besteira, mas queria um único motivo para continuar vendo-a, concluiu envergonhado.
– Não sei se quero vocês importunando minha esposa quando ela acordar.
– Se for de interesse da polícia, não será algo que poderá evitar, Sr. Cullen.
– Veremos!!
– Ah, tem mais uma coisa. Peço desculpas em nome do Departamento de Pessoas Desaparecidas. Não sabemos como, mas o boletim de ocorrência que fez não foi visto pelo policial responsável e não pudemos cruzar as informações para que pudesse encontrá-la mais cedo.
– Agora não importa mais. - Edward falou, entendendo como funcionava os detalhes do plano de Roarke.
– Este anel estava no dedo de sua esposa. – Jacob estendeu a mão, entregando-lhe a jóia de esmeralda. - O hospital deixou aos cuidados da polícia.
Edward sentiu o peito se apertar vendo o presente que fora dado por outro homem à Bella.
– Minha esposa o usava no lugar da aliança. Dei pra ela de noivado – mentiu.
– Engraçado, na parte interna do aro está gravado B&J. O B deve ser de Bella, como a chamou, mas e o “J”?
Um frio percorreu a espinha de Edward. Torceu para não ter deixado evidente o medo que sentiu.
– É um apelido íntimo. Coisa nossa!! – Falou, fingindo um sorriso malicioso.
Jacob sentiu inveja do homem a sua frente.
Despediram-se polidamente e ficou explícito que nunca seriam amigos.
Depois desse encontro, Edward soube que Black voltou algumas vezes no hospital e aquilo o irritou bastante.
Dando sequência ao plano, ligou para os pais dizendo que ficaria um bom tempo afastado, fazendo cursos e pediu que esperassem que ele mesmo entraria em contado quando tivesse tempo.
Esme nem tentou pedir mais explicações ao filho. Já estava se acostumando com sua frieza e distanciamento.
Agora faltava apenas Bella acordar, o que não demoraria, já que os remédios que a dopavam estavam sendo ministrados em doses bem baixas.
Naquela semana Edward nem voltou para Massachusetts, pois Bella poderia despertar a qualquer momento. E foi o que aconteceu... Eram dez horas da manhã quando ligaram do hospital, dando a notícia que ele tanto esperava.
Bella estava acordada!
Disseram que já tinham feito todos os exames necessários e que ela já podia receber visitas.
– Como ela está? – Edward perguntou apreensivo.
– Bom, Sr. Cullen, como esperávamos, ela não se lembra de nada, então resolvemos deixar que o senhor mesmo se apresente. Assim que puder, venha vê-la.
– Claro, chegarei aí o mais breve possível.
Edward desligou o telefone com as mãos trêmulas. Seu coração batia descompassado.
O dia que tanto esperou tinha finalmente chegado.
Tomou um banho rapidamente, pegou alguns documentos e dirigiu-se para o Mount Sinai. Um bolo se formava em sua garganta. Não sabia se ria ou chorava. Estacionou o carro e respirou fundo.
"É engraçado a força que as coisas parecem ter quando elas precisam acontecer ".
(Caetano Veloso)
A cabeça de Bella doía incessantemente, mesmo após tomar os analgésicos.
Acordara atordoada, sem saber onde estava. A voz dócil da moça de branco que lhe pedia calma, explicando-lhe que estava em um hospital depois de levar um tiro, não conseguiu abrandar seu desespero.
Logo depois disso fora submetida a vários exames e diversas perguntas lhe foram feitas, mas não soube responder nenhuma. Não fazia a menor idéia de quem era. Fizeram uma breve retrospectiva do que tinha lhe acontecido. Bella queria mais respostas ainda, mas ninguém lhe dava. Apenas diziam que logo chegaria alguém que lhe explicaria tudo.
Quem era essa pessoa, sua mãe? Bella se perguntava, mas ninguém a ajudava, nem mesmo sua memória. Fechou os olhos e tentou em vão voltar para a paz do coma.
“O que a memória ama, fica eterno.
Te amo com a memória,
imperecível”.
Quando Edward entrou naquele hospital ele sabia que estava cometendo a maior loucura de sua vida.
Suas mãos vacilaram ao girar a maçaneta da porta do quarto. Um filme de sua vida verdadeira passou rapidamente por sua cabeça. O destino estava lhe dando a oportunidade de consertar um erro. Os meios que usaria eram escusos, mas o amor que sentia pela mulher que estava do outro lado valia qualquer risco. Ele estava a um passo de começar sua vida de mentira. Ou seria o contrário?
Seu coração deu um salto quanto seus olhos a viram. Apesar da palidez e da faixa que contornava sua cabeça, onde o tiro a tinha atingido, ela ainda era a mesma Bella da qual se lembrava. Agora não tinha mais sono, nem vidro, nem tubos os separando. Seria cara a cara.
Sentiu lágrimas de remorso molhar sua face, mas não se importou. Bella merecia cada uma daquelas gotas de sofrimento.
Aproximou-se da cama e sorriu. No peito, seu coração batia num ritmo desordenado, ora acelerando, ora quase parando.
O terror começava a tomar conta de Bella, quando a porta do quarto se abriu.
Viu um homem que aparentava nervosismo entrar. Seu olhar a encontrou e Bella notou que lágrimas saíam de seus olhos. Algo nele era sereno, trazia calma.
Quem era aquele homem? Por que ele chorava? – Tudo era tão confuso em sua cabeça...
As perguntas só aumentavam.
Edward se viu num ponto decisivo em sua vida. Chegara a hora de dar início a sua fantasia. Era tudo ou nada!
– Sou eu, amor, Edward, seu marido! Lembra-se de mim? – Falou carinhosamente, usando os limites de sua força para conseguir pronunciar as palavras sem gaguejar.
Bella olhou para ele atônita.
Como aquele homem podia ser seu marido se nunca o tinha visto na vida? Então não era sua mãe quem viria vê-la, pensou, era seu...
– Meu o quê? – Ela perguntou desesperada. Querendo confirmar o que acabara de ouvir.
– Seu marido! Não se preocupe querida, eu esperava que não se lembrasse de mim. É por causa da amnésia.
Ela não podia negar que havia ternura e amor na forma como ele a olhava. Era estranho imaginar que um dia tinha amado aquele homem, mas não seria difícil isso ter acontecido, ele era tão lindo.
Bella fechou os olhos e deixou as lágrimas correrem. Tudo o que se lembrava era de ter acordado em uma cama de hospital, naquela manhã. Antes disso, sua mente era um completo vazio.
Não sabia sequer seu nome ainda, mas já acabara de conhecer seu marido.
Bella tinha tantas coisas para perguntar para aquele estranho... Só ele poderia por fim àquele buraco negro que a sugava.
Resolveu começar pela mais óbvia.
– Como eu me chamo? – Era tão estranho não saber o próprio nome.
– Isabella Cullen – o homem respondeu, entregando-lhe seu passaporte.
Bella segurou aquele documento como se agarrasse seu passado. Era a primeira prova de que realmente existia. Ficou em silêncio, não perguntando mais nada. Teria muito tempo para conhecer-se melhor.
Edward sentia a consciência pesada por estar mentindo, mas acreditava que os meios justificavam os fins, e o fim, neste caso, era a felicidade deles.
– Vamos pra casa, Bella! – Chamou, achando que ela já estava pronta para ter alta. Não via a hora de começarem suas vidas de casados.
– Isabella não poderá ter alta ainda, Sr. Cullen. Vamos deixá-la em observação por vinte e quatro horas para ver como se comporta sem os sedativos. Só aí saberemos se ela estará ponta para ir embora – falou o médico que se encontrava no quarto.
– Tudo bem, doutor. Ficarei com minha esposa até que tenha alta, amanhã.
– Sem problemas, há uma cama para acompanhante aqui no quarto. O Tratamento particular permite isso.
Edward já tinha dispensado o “filantropo anônimo”, e passado as despesas hospitalares para sua responsabilidade, o que dava na mesma para sua conta bancária.
Estar ao lado de Bella e não sentir rancor em sua voz nem ódio em seu olhar já valia os cincos milhões que tinha gastado com seu plano. Edward estava experimentando uma felicidade sem tamanho, estava inebriado com a presença dela.
“Não há nada que esteja menos sob o nosso domínio que o coração, e, longe de podermos comandá-lo, somos forçados a obedecer-lhe.”
(Jean-Paul Sartre)
Bella ficou constrangida ao imaginar que aquele estranho dormiria na cama ao seu lado. Ele dizia ser seu marido, mas para ela ele não passava de um estranho que acabara de conhecer. Fechou os olhos fingindo dormir. Na poltrona ao lado ele velava seu falso sono. Na verdade ele era alguém que se lembrava dela, que a conhecia melhor do que ela mesma. De repente um pensamento a fez desesperar-se.
– Oh, meu Deus!! Nós temos filhos? - Quase gritou, se esquecendo que fingia dormir.
Esquecera dos próprios filhos? Que tipo de mãe seria ela que nem reconheceria sua própria prole? As lágrimas já começaram a rolar grossas pelo seu rosto.
– Calma, Bella, não precisa ficar assim. Nós não tivemos filhos, ainda... – Edward Cullen falou carinhosamente, levantando-se para acariciar seu rosto.
Suas mãos eram quentes e macias. Seu toque era agradável.
Aquelas palavras a deixaram aliviada, mas o “ainda” a fez lembrar que eles deviam ter tido uma vida sexual antes do tiro, afinal eram marido e mulher; e pelo visto ele pensava em dar continuidade a isso. Sentiu o sangue se juntar em suas bochechas. Talvez ficar no hospital não fosse tão ruim quanto pensava, Bella constatou. Tinha receio de ir embora com ele.
– Sei o que está pensando, Bella. Não se preocupe com isso. Terá todo o tempo que precisar para se acostumar com a vida de casada.
Edward percebera o rubor no rosto de Bella. Sabia que a insinuação de que ainda queria filhos a tinham deixado envergonhada.
Em nenhum momento, desde que dera início a esse plano maluco, tinha pensado em forçar Bella e fazer sexo com ele. Só dormiria com ela se fosse por sua própria vontade. Era o mínimo que podia fazer para não se sentir tão baixo. Abusar tanto assim de sua falta de memória era algo que não faria em hipótese alguma.
– Nós vamos começar uma vida nova, meu amor. Aluguei uma casa em outra cidade, onde ninguém nos conhece. Não quero que viva correndo atrás do seu passado, tentando reconhecer lugares, pessoas, sentimentos... Quero que possamos viver o presente. As coisas serão tão novas para mim quanto pra você. Vamos recomeçar juntos, do zero. Prometo que farei o impossível para que seja feliz, Bella. Eu te amo mais que tudo na vida e vou te ensinar a me amar novamente. Eu tenho certeza que dentro do seu coração, num lugar bem escondidinho, ainda existe o amor que um dia você sentiu por mim.
Bella experimentou uma sensação de leveza e segurança. Era a primeira vez que se sentia assim desde que acordara.
Na verdade era a primeira vez que Bella se sentia assim em dez anos... Mas isso ela não sabia...
Tinha alguém que a amava e era bom saber disso... Melhor ainda se ele parecesse um deus grego, pensou Bella, sorrindo disfarçadamente.
A medicação que tomou a deixou sonolenta. Dormiu o resto da tarde.
Edward ficou ao seu lado o tempo todo, só saindo do quarto para atender o celular. Era Rosalie avisando que a casa já estava pronta para recebê-los e que tudo estava na mais completa ordem.
Não dormiu quase nada. Ficou olhando para Bella a noite toda. Tinha medo de descobrir que tudo não passara de um sonho. Cada segundo ao lado de seu raio de sol era perfeito e não devia ser desperdiçado com a inconsciência do sono.
Na manhã seguinte soube pelo médico que poderia levar sua esposa para casa.
Algumas orientações lhe foram passadas, principalmente a de não deixá-la sozinha nos primeiros dias, devido à possibilidade de desmaios e vertigens.
Edward ouviu tudo com atenção e preocupação.
O médico pediu a Bella que não tivesse pressa em conhecer todo o seu passado. Era melhor que fosse com calma, sugeriu.
– Se ficar muito preocupada com o que passou, Isabella, não terá tempo para ter novas experiências.
Bella concordou.
Vestiu uma das roupas que Edward tinha lhe trazido, sentou-se na cadeira de rodas, seguindo normas do Mount Sinai, e deixou Edward a levar até seu carro.
Os dois tinham medo. Um temia o futuro, o outro, o passado. Restava-lhes o presente... E este tinha acabado de começar!
“Existem duas tragédias na vida.
Uma é perder o que o seu coração deseja...
A outra é conseguir.”

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O canalha
Autor: Carly Phillips



O canalha é uma comédia romântica deliciosa, divertida, amorosa, com uma pitada de perigo e um pouco de sensualidade. É o típico “romance de mulherzinha” que gosto de ler para me acalmar e rir um pouco. A única crítica que tenho a fazer, com toda sinceridade, a esse livro é o título, que acho que não condiz em nada com o que é apresentado. Tirando isso, o livro é divino e consegue envolver o leitor desde o primeiro capítulo. Para quem tem uma leitura rápida, como eu, devo dizer que ler esse livro em um único dia é moleza. Mesmo porque o leitor simplesmente não sente vontade de parar de lê-lo.

Slone Carlisle é a filha de um senador, que lançará sua candidatura a presidência, e tem uma vida de aparências. Aprendeu desde cedo, com a madrasta e o pai, a viver de forma regrada, evitar escândalos e principalmente os jornalistas. Porém ao uma terrível descoberta tira o seu chão e pela primeira vez na vida, Slone faz algo imprudente, vai até um bar e sai de lá com um desconhecido lindo, sedutor e encantador... Isso para não dizer muito gostoso! Suspira, mas coloca foco no texto. OK?

Chase Chandler é um jornalista, sexy, simpático, sedutor e todo educadinho, que sempre viveu em pró da sua família. Desde a juventude, quando seu pai morreu, tomou as rédeas do jornal de sua pequena cidade, da educação dos irmãos e segurança da mãe. Tudo o que ele quer agora, com os dois irmãos casados, é curtir a sua vida de solteiro sem mais preocupações. Sua grande chance profissional surge quando vai para a coletiva do Senador Carlisle. Na noite de sua chegada Chase decidi ir a um bar beber um pouco. Lá conhece uma linda e sedutora mulher, que parece perturbada e deseja fugir dos problemas através da bebida.

Por ai você já consegue imagina do que se trata a trama. Os dois passam uma noite maravilhosa e Chase é um perfeito cavalheiro com Slone naquela noite. O destino cruza os seus caminhos novamente, quando Slone, ainda desorientada, vai para a pequena cidade Yokshire Falls em busca de respostas.

Naquela pequena e pacata cidade, ela se vê cercada de perigos, segredos e reencontra esse homem encantador. O único problema, apesar da atração sexual entre os dois, é que ele pode destruir a vida do seu pai se os segredos vierem à tona. Ela precisa lutar contra esse forte desejo e esconder os seus verdadeiros objetivos ali. Ele se foca em proteger a moça, que passou por uma  terrível circunstância quando chegou ao local, e acaba descobre que há algo misterioso. Assim decidi ir à busca da reportagem da sua vida.

Apesar das nuances da estória, dramas vividos por Slone e Chase, ela é focada no casal, que vivi o conflito entre os sentimentos e suas próprias prioridades. As partes sensuais entre eles são deliciosas, para quem gosta de hot, os diálogos entre ele e sua família, principalmente a mãe casamenteira, são engraçados e me arrancaram boas risadas.

Em resumo o livro é ótimo. Eu sinceramente sou chata com esse estilo de romance e para dar a nota máxima o livro precisa ser bom. Esse realmente me surpreendeu bastante. Tenho a convicção que os leitores não têm nada que reclamar sobre ele.

Sinopse:

Os irmãos Chandler são os homens mais sensuais e cobiçados da pequena cidade de Yorkshire Falls. Chase, o mais velho deles, é solteiro – convicto – e sonha em alavancar sua carreira como jornalista. Em uma viagem a Washington para realizar uma grande matéria, ele se envolve com Sloane Carlisle, uma linda jovem, mas que guarda um segredo que pode colocar os dois em perigo. De repente, o cara que sempre desconsiderou a possibilidade de um casamento, percebe que está se apaixonando. Será que o canalha mais cobiçado da cidade vai se transformar no marido mais sexy do mundo?!


Espero que gostem!

bjus no core


sábado, 28 de janeiro de 2012





OS LINKS DESSA POSTAGEM FORAM DESATIVADOS.

EM BREVE NAS LIVRARIAS!




A Vidente
Autora:  Hannah Howell


Primeiramente devo dizer que sou apaixonada por romances históricos, de regência, e esse foi o primeiro que li que não foi lançado pela editora Nova Cultural. Para mim foi uma grata surpresa e quando comprei o livro, não tinha noção do conteúdo. Nem sabia que se tratava de um histórico, quando comprei por uma indicação. Depois descobri que fazia parte.

  

Bem, os Wherlocke’s e os Vaughn’s são duas famílias que possuem dons especiais. Esses dons - vidência, sensibilidade, intuição, leitura de mente, cura... -  que os tornam reclusos e afastados da sociedade. Através do seu dom Chloe descobre uma terrível trama e salva a vida de bebê. Ela e seu primo Leo o protegem por algum tempo, observando de longe os acontecimentos antes de intervirem. Assim acabam salvando também a vida do pai do menino, o conde Julian. Eles passam a tentar juntar provas contra os inimigos do conde e a partir desse momento, começa uma trama de mistério, traição, assassinatos e amor.

O que gostei no livro foi à união dessas duas famílias. Sabe aquela família com 7 filhos, que saem ao socorro do irmão mais novo que está apanhando? Pois, é! Quando um dos membros da família corre perigo, os outros saem em defesa e colocam os seus poderes em prática.  O final do livro também me agradou bastante e me deixou curiosa pela continuação.

Abordando a época em questão, dizer que por se tratar de um histórico, esse livro não foi exatamente fiel aos costumes, sabendo que uma obra precisa seguir os costumes locais e período que é retratado. Ele não exatamente um histórico que segue as normas.  Destacarei apenas um fato que a meu ver foi o que quebrou a obra.

Naquele período uma “donzela” jamais poderia ficar sozinha com cavalheiros, sem expor a sua reputação, para não dizer arruinar. Acho que esse é o ponto mais falho do livro. A nossa protagonista vivia sozinha com o primo e em determinado momento da trama passa a dividir o mesmo teto, e a cama do protagonista, que ainda por cima é casado... Completamente inaceitável. Se fosse um livro que seguisse a risca os costumes, ela estaria completamente e irrevogavelmente arruinada. Por isso o seu primo deveria o primeiro a zelar pela sua honra e não servir como alcoviteiro. Esse foi o ponto crucial a meu ver e o que mais me chocou.

Outro ponto que não gostei no livro foi à fraqueza de Julian. Sinceramente todos os condes sobre que li tinham o mínimo de dignidade. Já Julian é um fraco, bêbado e corno. Tudo bem que ao longo do livro ele demonstrou alguma força, mas como um todo as suas atitudes deixaram muito a desejar. Não foi o normal do que se esperaria de um aristocrata com título.

O início da trama foi um pouco confuso e demorei um pouco para me situar. Depois tentei me ater aos fatos, mas achei que não foram bem amarrados pela autora. Quando cheguei ao meio do livro, mais ou menos, consegui me encontrar na estória e até a gostar dela. Tirando esses pontos negativos, eu até gostei muito do livro e logo comprei os outros dois para ler.


A capa dos três livros dessa trilogia são maravilhosos e super delicadas. Na versão originai podemos ver homens com torsos expostos, deliciosamente. Mas a Lua de papel preferiu uma capa bem mais trabalhada e devo admitir que acertaram em cheio, porque são super convidativas. 





Espero que gostem! Esse não foi o melhor dos três, sinceramente, mas ajuda para quem deseja entender o segundo e o terceiro. As críticas que li sobre ele não foram boas, mas prefiro ficar com minha opinião. Gostei e pronto! Quem quiser correr e risco, tirando as próprias conclusões, leia essa trilogia. Quem não quiser arriscar, simplesmente o ignore.

Assim que estiver com tempo livre, escreverei para vocês sobre A sensitiva e A intuitiva

Sinopse:

Estamos no século XVIII, na Inglaterra georgiana. Como todas as gerações de sua família, Chloe Wherlocke possui habilidades especiais, e o seu dom é enxergar além da visão física.

Em 1785 ela prevê a morte de uma mulher que acabara de dar à luz e toda uma trama para atender a motivos escusos. Ao encontrar uma criança abandonada ao lado do corpo da mãe, ela salva o bebê e o cria escondido do mundo. Fazia isso por amor, mas talvez houvesse neste gesto alguma força do destino...

Com o passar dos anos, Chloe descobre que o encontro com a criança não havia sido uma simples coincidência e nota, pouco a pouco, um desenrolar de acontecimentos que envolviam todos os membros de sua família, num jogo de traições, mentiras e assassinatos.

Consciente de tudo, ela precisa ser rápida para salvar a vida do pai do menino, o conde Julian Kenwood, e avisá-lo que o filho não morreu. Mas, ao se aproximar da família Kenwood, Chloe percebe seu sentimento de proteção por Julian se transformar enquanto a cada momento tudo fica mais perigoso.

Trecho:
Julian tinha sentido falta das visitas de Chloe apesar de saber que não deveria. Sabia que deveria ter usado o tempo para tirá-la da sua mente, mas, em vez disso, acabou passando muito tempo pensando nela e se perguntando por que ela não o visitava mais com a mesma freqüência. Só de ouvir sua risada foi o bastante para reavivar todo o desejo que imaginava estar curado. Ele se levantou e avançou um passo, atraído pelo modo como uma mecha dos cabelos dela pendia solta, livre do laço que prendia o restante para trás. Ao mesmo tempo em que uma voz no fundo da sua mente dizia para ele se afastar e não tocá-la, Julian avançou e gentilmente ajeitou a mecha de cabelo atrás da orelha. "E que bela orelha", pensou.Num esforço tremendo para desviar os olhos daquela boca sedutora, seus olhos se encontraram. Ele se perdeu nas profundezas daquele azul intenso. Julian começou a aproximar a sua boca da dela, ignorando os ruidosos alarmes que apitavam dentro de sua mente. Há tempos estava curioso para descobrir como seria o sabor daqueles lábios e já não conseguia mais resistir à tentação. Seus olhos arregalados diziam que ela sabia o que ele estava prestes a fazer, mas mesmo assim não fez nada para tentar impedi-lo. Aquilo o deixou alegre e ao mesmo tempo desapontado.

Chloe sabia que Julian estava prestes a beijá-la. Sabia também que deveria afastá-lo, para lembrá-lo severamente de que ele era um homem casado e então sair correndo o mais rápido que conseguisse. Mas, em vez de correr, ela se inclinou na direção dele, ansiosa por tocar naquela boca. Nunca tinha sido beijada e sabia que queria que ele fosse o primeiro, mesmo que, depois do beijo, a realidade da situação fizesse ambos se afastarem.

No momento que seus lábios se encontraram, Chloe soube que estava em apuros. Enquanto Julian roçava a boca sobre a dela, seus dedos deslizaram entre seus cabelos e ela estremeceu com a força que o desejo rugiu dentro de seu corpo. Não era decente beijar um homem casado. Cautelosamente, com medo de que o menor movimento seu pudesse fazer com que ele recobrasse o bom-senso, ela pousou as mãos sobre o peito dele. Julian reagiu com um gemido suave e aumentou a pressão dos lábios. Subitamente, o beijo não era mais um simples e breve ato de satisfazer uma curiosidade travessa.Seus sentidos balançaram quando ele mordiscou de leve seu lábio inferior. Quando ela ofegou por causa do calor que se ergueu, ele enfiou a língua dentro de sua boca. A invasão a surpreendeu por uma fração de segundo apenas, antes que as carícias sedutoras da língua roubassem seus últimos resquícios de resistência para que ela então entrelaçasse os braços ao redor do pescoço de Julian e se entregasse à delícia inebriante do beijo. Neste momento, ela teve a certeza de que nunca tinha provado nada tão bom, com um sabor tão doce.

Quando Julian se afastou abruptamente, Chloe deixou escapar um protesto baixinho, quase mudo. Ela abriu os olhos e percebeu que ele a encarava horrorizado. Uma pontada de dor quase lhe roubou o ar, mas então notou que ele estava um pouco ruborizado e tão ofegante quanto ela. Não foi aversão que o fizera parar, mas o bom-senso. Chloe soltou um longo suspiro, lamentando por ele ter encontrado a razão, que ela tinha deixado de lado sem dificuldade. — É de ferver o sangue, mas você é tão abominavelmente inocente — ele murmurou enquanto a puxava pela mão e a arrastava para fora do quarto.

De repente, Chloe se viu no corredor com a porta do quarto de Julian fechada atrás de si. Ela balançou a cabeça, numa tentativa de recuperar o raciocínio. Quando passou a língua sobre os lábios, percebeu que o gosto dele ainda estava lá e sentiu um aperto no fundo do estômago. Ele tinha razão em ter posto um fim naquilo, mas ela desejou que ele não tivesse recuperado os sentidos tão rapidamente.

Ajeitando os cabelos distraidamente, ela começou a descer a escadaria. Aquele beijo tinha conseguido muito mais do que disparar seu coração e fazer com que o juízo escapasse pelas orelhas. Ele tinha feito com que ela tomasse uma decisão. Depois de vinte e dois anos sem nunca ter se interessado por um homem, agora ela estava disposta a ver até onde este interesse poderia levá-la. Não importavam as conseqüências. 


Bjus no core.