quarta-feira, 28 de março de 2012

POV. Jacob

Após planejar tudo para festa com Leah, precisaávamos colocar o plano em prática, eu não estava muito animado com aquela festa, mas a única coisa que me deixava feliz, não sei o por que, era que Renesmee estaria lá. Ela, desde que eu cheguei, é a única me faz sentir bem, me faz sentir eu mesmo.

Eu havia acabado de acordar e então fui lavar meu rosto e escovar os dentes, quando saí do meu banheiro, meu celular tocou, era Leah:


Alô? eu disse

Jake! Então seu pai já saiu? perguntou ela eufórica

Não sei Leah, acordei agora eu disse bocejando - Eu vou tomar café ok? Quando ele sair eu te ligo e nós vamos pra segunda parte do plano.

Ok, beijos gatão ela disse, então desligou.


Desci e fui até a sala de jantar. Meu pai estava sentado em sua cadeira no centro tomando seu café e lendo jornal, enquanto Rachel estava do seu bebendo suco e mexendo feito uma doida no seu celular. Então, me sentei na cadeira e então meu pai tirou o jornal de seu rosto e olhou pra mim:


Bom dia, Jacob ele disse com sua voz grave.

Bom dia disse apenas.


Eu estava ainda muito chateado com a atitude dele ontem em relação à Renesmee. Ele havia sido muito bruto com ela e por isso ontem à noite quando a encontrei na cozinha resolvi agir normalmente, para não tocar no assunto e com certeza não a machucá-la. Mas o fato que se destacava de ontem não foi a atitude do meu pai e sim o quase beijo que dei em Renesmee.

Não entendo o que me aconteceu para quase beijar ela, ela era minha melhor amiga, mas mexia de tal forma comigo, que não acreditava que o meu coração a via assim.

Mas o que mais me intrigou foi o fato dela se manter ali, não fugir enquanto eu aproximava meu rosto, ou até me dar um tapa pela minha ousadia, mas não, ela se manteve imóvel, apenas me encarando com seus lindos olhos castanho chocolate. Suspirei me livrando desses pensamentos, então Rachel olhou pra mim e riu, retribui fazendo uma careta a ela. Então a Bella surgiu da cozinha e venho até a mesa e perguntou:


Quer café Jacob? Suco? perguntou ela com sua voz suave. Bella me lembrava minha mãe, era carinhosa e sempre estava presente com relação à filha.

Só suco. Estou com pressa. e então ela sorriu e me serviu o suco.

Pressa? Pra ir escola? perguntou meu pai confuso Ou para ver Leah? perguntou ele sorridente.


Meu pai acreditava mesmo que eu estava apaixonado por Leah. Ele sempre dizia Leah iria ser uma perfeita esposa para mim, mas eu sabia que era apenas um golpe de marketing para aumentar o lucro da Corporação, iria ser perfeito pra empresa o filho do dono namorar a filha do falecido dono da afiliada Corporação Clearwater.

Tudo em meu relacionamento com Leah era destinado a lucros. Pois Leah não era apaixonada por mim, Leah apenas acreditava que estava apaixonada por mim, porque tia Sue colocava isso em sua cabeça, pois só o que ela queria era que sua filha se casasse com um cara rico que a garantisse uma boa vida. Isso me causava repulsa, mas eu não tinha muito o que fazer. Eu acreditava que meu destino já estava traçado. Mas não estava.


É pode ser. eu disse dando os ombros. Então meu pai sorriu contente e se levantou.

Bom, eu vou indo para a Corporação. Rachel, vamos? perguntou ele enquanto pegava sua pasta. Rach apenas assentiu e se levantou.

Rachel vai para a Corporação? perguntei confuso. Rachel nunca quis saber da Corporação.

Ela vai me ajudar com a divulgação da empresa. disse ele.

Ah! eu disse. Rachel se formou em Marketing enquanto esteve na França junto com Rebecca. Mas Rebecca não voltou, pois ela havia se casado com um Francês, um tal de Jean-Paul.- De lá da empresa o senhor já vai pro Mississipi?

Sim. Paul irá buscar minhas malas.

Ok.


Então meu pai foi marchando pra fora da sala e Rachel atrás dele. Terminei de tomar meu suco e então fui à escola. Estacionei meu carro e sai dele, então fui surpreendido por um abraço que nem sei de onde veio.


Jake, amor. Já estava com saudades. era Leah. e ai seu pai já saiu?

. eu disse apenas.

Então quando sairmos da escola eu e Seth vamos ao mercado comprar alguns petiscos e ponche. Enquanto você vai distraindo os seus empregados. Ok?

Aham. então fomos seguindo para dentro da escola. Enquanto eu passava pelos corredores o pessoal da escola ia dizendo coisas como E ai Jake, Dizia os meninos como se nos conhecíamos há séculos e as garota falavam Oi Jake e sempre dando uma piscadela.


Pessoal interesseiro! Pensei comigo.

No final do dia, enquanto eu voltava pra casa, eu vi Renesmee entrando na lojinha de antiguidades onde ela trabalhava, eu sempre a observava com cara de entediada no balcão.

Mesmo assim, ela era perfeita.

Cheguei à mansão, Lola e Lauren me esperavam na sala com duas malas enormes:


Senhor Black... começou Lauren.

Jacob, Lauren. Chame-me de Jacob. Apenas Jacob. eu disse sorrindo.

Ok Jacob. É que eu e minha irmã estávamos esperando o senhor chegar para irmos à rodoviária. Como o senhor sabe nos vamos visitar nossa mãe e...

Tudo bem Lauren. eu disse franzindo a testa Se meu pai as liberou, podem ir.

Obrigada. disseram elas. Então Lauren pegou sua enorme mala com dificuldade e Lola fazia o mesmo.

Querem ajuda? perguntei rindo, então as duas riram e assentiram.


Após ter ajudado as irmãs, eu já havia me livrado de mais duas. Agora só faltavam os pais de Renesmee. Fiquei observando pela janela da sala de entrada, até que os vi saindo. Então liguei para Leah:


Leah? eu disse

Jake! ela gritou senti meu ouvido doer

Leah não grita! Tá doida? eu disse

Desculpa amorzinho. E ai a mansão tá livre? Eu e Seth já estamos chegando.

Tá tudo limpo. Podem vir! eu disse

OK. Já estamos chegando.


Fiquei esperando impaciente Leah e Seth chegarem. Então, quando eles chegaram, começamos a arrumar tudo. Quando deu exatamente oito horas o primeiro convidado chegou. Leah que havia trazido sua maquiagem e vestido, se arrumou no quarto de Rachel e depois foi receber os convidados. Seth volto para sua casa e lá se arrumou.

Então eu fui ao meu quarto e tomei um banho, e me vesti. Joguei-me em minha cama e fiquei pensando, Será que Renesmee iria vir? Com certeza não. Renesmee não era de se misturar com esse tipo de gente que viria a festa. Mas eu ia ficar tão alegre se ela viesse. Então soltei um sorriso bobo pensando nisso e no mesmo instante Leah entrou no quarto e pulou do meu lado na cama.


No que está pensando? disse ela alisando meu abdômen

Nada de mais. disse suspirando

Vamos? Quero te apresentar a alguns amigos meus.

Vamos eu disse.


Então, fui guiado por Leah até a sala de estar que apesar de grande, era pequena para a quantidade de pessoas que abrigava. Então Leah foi me apresentando às pessoas, eu mal conseguia prestar atenção, meu pensamento estava longe. Observei as pessoas, eu não conhecia ninguém, a não ser Seth e Claire que estavam se beijando perto da mesa de ponche.

Peraí! Claire? A amiga de Renesmee! Então ela está aqui. Minha Renesmee veio. Saí em disparada a os dois que estavam em um amasso que eu pensava que a qualquer momento um explodiria.


Claire? perguntei a ela. Então ela se desgrudou de Seth e me olhou confusa. Depois de alguns segundos, acredito eu, ela percebeu quem eu era.

Jacob! gritou ela com sua vozinha fina.

Renesmee está aqui? perguntei

Sim. Ela está ali no canto! disse ela apontando para a multidão que de vez enquando sumia para abrir espaço para que eu pudesse vê-la. Ela estava com cara de entediada, mas estava simplesmente linda em um vestido preto que lhe caia muito bem, sorri feito um bobo e sai em disparada a ela.

Renesmee, você veio! eu disse enquanto a abraçava. Senti algo estranho ao abraçá-la, meu corpo se estremeceu, mais essa sensação foi interrompida por pigarreio que vinha de trás de mim. Revirei os olhos e então me virei para pessoa, era Leah, com a cara amarrada e os braços cruzados. Comprimente Renesmee, Lee-Lee disse tentando a fazer desamarrar a cara.

Oi disse ela apenas, indiferente.

Oi Leah disse ela com sua voz suave e encantadora.

E então você veio! eu disse feito um pateta enquanto me virava pra olhá-la, então eu ri da idiotice que tinha falado e ela me acompanhou rindo também.

Se eu não viesse, Claire me mataria. disse ela divertida.

Ah, então esse é o nome da vadiazinha disse Leah bufando.

Como assim? Renesmee disse me encarando Vocês viram Claire?

Vimos, ela nos contou onde você estava.

Ah! Onde ela está?

Se atracando com meu irmão.

Como assim?

Oh Renesmee, você não sabe o que é beijar na boca não, é? eu disse brincando com ela.

Claro que ela não sabe o que é Leah falou debochada - olha só para ela, que homem em sã consciência vai querer algo com a filha de uma empregada?

Olha aqui garota Renesmee disse em um tom tão raivoso, no qual eu nunca tinha a visto falar - eu não admito que você fale assim comigo, não é porque você é uma riquinha que pode fazer tudo que quiser? Quero saber qual homem te atura com esse seu jeito nojento.
Olha aqui você baixinha disse Leah apontando o dedo na cara de Renesmee. Eu não sabia o que fazer - Não é só porque você brincou uma ou duas vezes de casinha com o meu Jacob quando era pirralha, que tem o direito de falar assim comigo. Eu sou Leah Clearwater e você quem é mesmo? Ah! A filha da emprega! Então Renesmee bufou, e saiu andando, Leah riu debochada.

Renesmee! eu gritei indo atrás dela. Mas fui impedido pela mão de Leah que segurava meu braço.

Que foi Jacob, vai trocar sua namorada por essazinha? disse Leah me fitando perplexa. Olhei para Renesmee que ainda caminhava em direção à porta.

E aí Jake meu primo Quil disse passando por mim e eu apenas assenti e então ele saiu pela mesma porta que Renesmee havia saído e então voltei minha atenção pra Leah.

Olha Leah! eu disse Não tô te trocando por ninguém ouviu? Renesmee é minhaamiga, e sua atitude com ela foi desprezível, como você pode falar com ela assim Lee-Lee? eu disse e então ela suspirou.

Ah Jake, me perdoa! ela disse me abraçando, e então eu me afastei.

Não é a mim que você tem que pedir perdão Leah, e sim a Renesmee.

Ah Jake, por favor! Não vai me fazer pedir perdão, pra aquelazinh...

Leah! eu gritei.

Está bem Jacob. Mas você quer mesmo que eu peça desculpa a sua querida protegida e aclamada Renesmeei. ela disse revirando os olhos.

É Renesmee, Leah! eu falei alto E sim, quero que peça desculpas a ela.

Nossa! Parece que prefere a filha da empregada a sua namorada Jake. disse ela fazendo bico.

Não, Leah! Não prefiro ninguém. Renesmee é minha melhor amiga e eu a amo e você... então ela me olhou mais atenta, então percebi a merda que tinha feito. Depois de uma pequena pausa terminei também. então pigarreei e ela arqueou a sobrancelha E não quero ver as duas em pé de guerra ouviu?

OK, meu amorzinho! disse ela vindo me abraçar de novo Por você eu faço tudo! ela mexeu em meu colete o ajeitando. Ouviu? disse ela piscando.

Vamos? eu disse puxando ela pelo braço.

Agora? disse ela surpresa me puxando.

Sim, agora. Antes tarde do que nunca. eu disse a puxando de volta.


Procurei Renesmee pelo jardim da frente, mas ela não estava lá. Fomos até sua casa, mas as luzes estavam apagadas, bati várias vezes na porta, até que ouvi Leah atrás de mim.


Oh meu Deus! disse ela surpresa e então me virei pra olhá-la e ela encarava de longe atrás da casa de Renesmee, acredito que o lindo jardim que a mãe dela cultiva atrás da pequena casinha.

São lindas, né?

O que? Leah me olhou assustada.

As flores. eu disse franzindo a testa São lindas, né?

Eu não estou falando das flores, Jake. E sim do que esta acontecendo em cima das flores. ela disse meio cômica.

Em cima das flores? eu perguntei perdido.

Ora, Jacob. Venha cá logo ver isso disse ela me puxando.


Então, quando ela apontou pra o jardim, fui golpeado pela cena que se acontecia. Quil Ateara o meu primo, estava sentado no jardim beijando ela, minhaRenesmee. Então meu corpo começou a tremer, um turbilhão de sensações estranhas me tomou, Leah colocou a mão em meu ombro e perguntou:

Jacob, o que está acontecendo? perguntou ela preocupada. E então tirei a mão dela do meu ombro, e sai em disparada até eles, respirei fundo.

Quil? Renesmee? eu disse enojado. E então Quil se soltou da minha Renesmee e me encarou. Depois de alguns segundos ele sorriu feito um bobo e disse:

Jake, irmãozinho! ele se levantou e estendeu a mão para me cumprimentar, mas eu me mantive imóvel, pois acredito que qualquer movimento que eu fizesse poderia ser fatal ao pequeno Quil. E então, o que está fazendo aqui, cara?

Jake! disse Leah atrás de mim Vamos deixar os pombinhos as sós. Acho que eles querem privacidade. disse ela rindo Bom, Renesmee, você me provou que sabe beijar hein? disse ela piscando pra Renesmee e ela fazendo careta de que não estava entendo nada.

Cala boca Leah! eu gritei Agora voltando ao assunto, eu que pergunto Quil, o que você esta fazendo aqui? E com eu olhei para Renesmee e ela parecia... Assustada? Renesmee?

Ah, então você conhece ela?

Claro que conheço eu disse indiferente Por quê?

Nada, cara. Que é Jake? Qual é o problema? Por que está tão estressado?

Eu não estou estressado! eu gritei então todos ele olhou assustado pra mim, e então olhei para Renesmee que ainda estava sentada e ela estava com os olhos arregalados. Então voltei minha atenção para Quil. - Olha aqui Quil Ateara! eu disse apontando os dedos ao seu abdômen se você fizer Renesmee sofrer vai pagar caro, ouviu? eu disse em fúrias.

Jake, eu... começou Quil mais foi interrompido.

Peraí Jacob Black! ouvi uma linda voz melodiosa falar, era ela se pronunciando enquanto ela se levantava e se colocava do lado de Quil o abraçando. Com que direito interrompe eu e Quil, e ainda por cima o ameaça? Você acha que é quem? Você é meu amigo, não meu namorado! disse ela me encarando. Seus olhos eram um misto de dor e decepção. Era quase impossível distinguir.

Renesmee... eu sussurrei

Jacob! disse ela firme. E então ela se virou para Quil Estou cansada, me leva até a porta de casa?

Claro linda. disse Quil sorrindo igual um idiota. E então Renesmee me olhou e apenas balançou a cabeça em sinal de despedida, e eles seguiram para longe.


Virei-me e Leah ainda estava atrás de mim, me olhando furiosa. Então sai andando de volta a festa sem olhar pra trás. Leah me seguia a onde eu ia e então, quando fui entrar no banheiro eu explodi.


O que foi Leah? eu gritei

O que foi digo eu Jacob Black ela disse- Que ceninha foi aquela?

Que? perguntei como se não soubesse do que ela falava

Não se finja de idiota disse ela Renesmee é minha amiga e eu a amo disse ela repetindo o que eu tinha dito Pareceu que o amor que você sente por ela não é bem de amigos! E sim outro bem diferente.

Leah, eu não sei do que você está falando eu disse

Sabe sim Jacob! ela gritou Você esta apaixonado pela filha da empregadinha! Aquela cena não foi medo de Quil a magoá-la e sim ciúmes, Jacob Black, ciúmes dela.

Você está pirando Leah!

Não! Não estou! Eu estou é certa Jacob! ela disse você esta apaixonado por ela, e não esconde isso de ninguém.

Leah, não é isso eu disse pegando em sua mão, mas ela me empurrou Eu não estou apaixonado por Renesmee. eu disse pegando novamente a mão dela, então ela se rendeu.

Olhe pra mim Leah disse pegando seu rosto e fazendo com que seus olhos me encarassem Eu não estou apaixonado por... Renesmee.

Sério? perguntou ela

Sério Leah disse por fim. Então ela pulou em cima de mim para um abraço forte.


Após uma conversa com ela, pedi pra que ela conduzisse todos de volta a suas casas, eu estava muito cansado e queria dormir.

Tudo ocorreu como o combinado, no outro dia os pais de Renesmee nem desconfiaram de nada e meu pai havia ligado do Mississipi e ele também não desconfiou de nada.

Renesmee. Aquele nome ficou rodando minha cabeça a noite toda, eu não sabia nem entendia o porquê de tanto pensar nela, o porquê de eu ter tratado Quil daquele jeito. Mas, havia uma explicação que eu me recusava a entender. Eu estava incondicionalmente apaixonado por Renesmee Carlie Cullen, e eu não sabia onde essa paixão me levaria, nem quais consequências elas nos traria, mas eu só queria viver essa paixão, sem medo, nem vergonha de ser feliz.


Oasis - Wonderwall (Protetora)
Hoje será o dia
Que eles vão jogar tudo de volta em você
Por enquanto você já deveria, de algum modo,
Ter percebido o que deve fazer
Não acredito que ninguém
Sinta o mesmo que eu sinto por você agora
Andam dizendo por aí
Que o fogo no seu coração apagou
Tenho certeza que você já ouviu tudo isso antes
Mas você nunca tinha uma dúvida
Não acredito que ninguém
Sinta o mesmo que eu sinto por você agora
E todas as estradas que temos que percorrer são tortuosas
E todas as luzes que nos levam até lá nos cegam
Existem muitas coisas que eu gostaria de te dizer
Mas não sei como
Porque talvez
Você vai ser aquela que me salva
E no final de tudo
Você é minha protetora
Hoje seria o dia
Mas eles nunca vão jogar aquilo em você
Por enquanto você já deveria, de algum modo
Ter percebido o que você não deve fazer
Não acredito que ninguém
Sinta o mesmo que eu sinto por você agora
Todas as estradas que levam a você até lá são tortuosas
Todas as luzes que iluminam o caminho nos cegam
Existem muitas coisas que eu gostaria de te dizer
Mas não sei como
(2x)
Eu disse talvez
você vai ser aquela que me salvará
E apesar de tudo
Você é minha protetora
Eu disse talvez
Você vai ser aquela que me salvará (3x)

terça-feira, 27 de março de 2012

Medo de Amar 7

Nessie estava perdida. Ela sabia disso muito bem. Do momento em que o Duque de Telford a entregasse para o seu tutor, sua vida estaria completamente arruinada. Esteve dias fora de casa e certamente ele estava a sua procura. Edward poderia até manter a pose diante do Duque, mas não por muito tempo. No instante seguinte a sua partida, despejaria a sua fúria sobre ela. Tinha que fazer alguma coisa. Sim! Não podia ficar ali, simplesmente esperando a sua desgraça chegar.

Horas mais tarde, depois de conversar com o duque de Telford, Jacob, ele dissera; Nessie se sentia estranha. Aquele homem a olhava de um jeito tão especial. Fazia tanto tempo que alguém havia lhe tratado com carinho e consideração... Não era só isso. Ela sabia! Ele havia falado em casamento. Não havia entendido mal. Ele dissera que a queria como sua esposa. “Mas como poderia aceitar tal honra, quando era uma fruta podre?” O Jacob merecia mais do que isso. Ela não lhe contaria sobre o sofrimento que havia passado.

Certamente Sua Graça, o duque de Telford, “o duque sombrio”, como ele mesmo havia lhe dito, defenderia sua honra e desafiaria Edward para um duelo. Os duelos estavam proibidos há anos na Inglaterra, mas de tempo em tempo surgiam história de homens que duelavam pela honra de suas filhas, mulheres e até mesmo amantes. Se isso acontecesse, sua desgraça viria a publico e estaria perdida. Não arrumaria emprego nem mesmo de serviçal.

Nessie pediu a aia que a atendia para trazer as suas roupas. A moça não lhe fez nenhuma pergunta e as deixou sobre o aparador, antes de partir. Pretendia fugir aquela noite. Estava muito dolorida e cansada, apesar dos dias que passou desacordada sobre a cama. Mesmo assim achou que seria mais prudente partir logo, e de forma sorrateira. Não queria mais complicações e nem ter que explicar nada ao duque. Ele havia lhe deixado em paz, por hora. No entanto, saiba que voltaria e faria mais perguntas. Perguntas as quais seria impossível responder, sem contar tudo o que havia sofrido. Cada ano morando com a mãe de Edward foram tão ruins quanto ao que ele lhe fizera passar. Estava machucada não só fisicamente, mas também emocionalmente. Não compartilharia sua desgraça com ninguém, mesmo que ele lhe transmitisse, de certa forma, segurança.
Já era muito tarde quando decidiu partir. Levantou-se da cama, com o corpo todo moído. Parecia que havia levado uma surra. Sabia bem como era. Uma vez, logo assim que chegou a casa de sua tia, desobedeceu a uma ordem para limpar todos os sapatos, e a megera lhe dera uma surra com chicote. Ficou marcada por um tempo e foram necessários alguns dias para se recuperar. Nunca mais se esqueceria daquele dia. Lyana, uma das serviçais da casa, limpou as feridas e cuidou delas com esmero, para que não ficassem marcas da violência. Realmente não havia ficado, mas o corpo inteiro doeu por dias. Agora, tentando encontrar forças para fugir, sentia-se exatamente daquela forma.

Uma lágrima rolou pelo seu rosto e Nessie a secou. Não era hora de chorar, sim de agir.

Nessie se levantou com dificuldade, caminhou até o aparador, trocou de roupas lentamente e depois colocou a capa. Pegou sua valise e saiu do quarto, sorrateiramente. Cada passo que dava, o corpo lhe doía ainda mais e a cabeça começou a rodar. Mesmo assim ela seguiu persistente, olhando para cada lado dos corredores, para ver se não havia nenhum empregado ali. Quando se sentiu segura, caminhou até o fim do corredor. Havia duas direções a seguir e Nessie ficou confusa. Parecia perdida em um verdadeiro labirinto. Precisava descobrir o caminho a tomar.

Depois de um momento, analisando as possibilidades, dobrou a direita. O máximo que poderia acontecer era ser apanhada por algum empregado. O duque, Jacob, com toda certeza não estariam em casa. Os nobres passavam as noites em eventos sociais ou em orgias. Era isso que dizia a tia. Edward costumava a faltar muitas festas para ir a orgias em bordéis na cidade. Outros passavam suas noites bebendo e jogando no White’s. Se Jacob tinha a fama de “o duque sombrio”, deveria ter um motivo para isso.

Imaginar Jacob se deitando com mulheres fez o seu coração se apertar e Nessie não entendeu. Não queria sentir nada por ele, além da gratidão por ter salvado sua vida e cuidado dela todos aqueles dias. Entretanto, lembrar-se de Jacob, fazia o coração bater em um compasso diferente. Um sentimento estranho e desconfortável a afligia. Queria estar com ele... Oh como ela queria! Queria aceitar a sua proposta... Que tolice! Não era digna de se tornar sua duquesa. Os olhos encheram de lágrimas e ela se deteve por um instante.

Quando deu mais dois passos e virou na curva seguinte, seu corpo esbarrou em um corpo alto, forte e musculoso. Atreveu-se a olhar para cima e seus olhos encontraram os dele. Aqueles imensos olhos negros, tão penetrantes que bem poderiam ver sua alma. Nessie ficou sem ar e quase esvaneceu. Jacob a pegou nos braços naquele momento.

- O que faz aqui, a essa hora e vestida desse jeito, milady? – Ele perguntou, enquanto a tomava nos braços com delicadeza.

- Eu... Eu... Tenho que ir... Por favor! Por favor me deixe ir! – Ela implorou já chorando. Não queria chorar em sua presença. Mas estar nos braços dele não ajudava nada, quando se sentia tão vulnerável e temerosa. Acabou acomodando a cabeça em seu peitoral, sentindo o sacolejar do corpo, enquanto ele caminhava pelo labirinto de corredores.

- Não permitiria que saísse dessa forma, no meio da noite, como uma fugitiva... Onde está sua gratidão, querida? Por que está fugindo de mim? – Ele lhe perguntou, com aquela voz rouca e sensual. Sentiu um arrepio por todo o corpo naquele momento. Respirou fundo e inalou a sua fragrância máscula. O homem além de lindo, gentil, com uma voz de matar, ainda cheirava muito bem. Nessie se sentiu confusa. Não queria pensar naquilo. Não queria imaginar nada relacionado a ele. Só fazia com que se sentisse pior. Apegar-se ao duque não ajudaria em nada. Pelo contrário. Ela chorou baixinho, enquanto ele adentrava os aposentos consigo nos braços.

- Eu não estou fugindo de Vossa Graça... Estou fugindo... – Não conseguiu continuar e chorou ainda mais. Jacob entrou com ela em seus braços, sentou-se sobre a cama e a ninou como se fosse uma criança. Não disse nada naquele momento. E Nessie se sentiu grata por isso. Se ele tentasse lhe consolar, choraria ainda mais. Seria bem pior do que aquela humilhação. Ela o abraçou forte, fechou os olhos e imaginou que tudo daria certo. Imaginou que o duque a protegeria de Edward e eles ficariam bem. Imaginou um futuro, que não achava ter direito, com filhos e uma família feliz. Sabia que se apegar a ele era o pior erro que poderia cometer. Tinha “medo de amar” e ser magoada. Como tinha medo por ela, por ele e pelo que não poderiam ter.

[...]
Ela havia dormido em seus braços, chorando como uma criança. Jacob se sentia impotente. Queria arrancar toda a dor que sentia. Todo o dinheiro do mundo não pagaria a sua dor. Precisava mantê-la protegida, do que quer que fosse, mas não poderia arriscar sua honra. Beijou a sua testa, acariciou o seu rosto, por mais de uma vez, e depois, com muita relutância, a colocou sobre a cama. Foi difícil ir embora. Queria passar a noite inteira ali, observando-a dormir. Velar o seu sono, como fizera as outras noites. Decidiu, no entanto, ir para o seu quarto, antes que fizesse algo imprudente. Não confiava em seu corpo, quando se tratava de mulheres. Mas ela era diferente para ele, de muitas formas. É claro que sentia atração física. Uma inegável constatação. Só que sua afeição estava além do sexual. Era algo que ele não compreendia. Um sentimento tão forte, que fazia o coração doer. Só de pensar na aflição que sentiu durante aqueles dias em que esteve dormindo, fazia sentir uma estranha dor.

Em seu quarto, Jacob andou de um lado para o outro, tentando decidir o que fazer. Ela não queria voltar para casa e estava fraca demais para um confronto com a família. Ele a manteria ali, pelo menos mais uns dias. Não sabia se aquilo era por ela ou por ele. Era irrelevante naquele momento. A única certeza que tinha, era de que precisava dela desesperadamente. Pensar em alguém lhe fazendo mal, subia-lhe a bile. Destruiria qualquer um que atravessasse os seus caminhos. Ainda naquele dia, mandou um detetive averiguar a vida de Lord Colchester. Precisava saber exatamente onde estava se metendo.

De uma coisa Jacob tinha certeza. Alguém fez mal aquela jovem. Quando ela disse que era uma fruta podre, deu a entender uma única coisa: Fora desonrada por alguém. E se descobrisse que se tratava do marquês... Pobre dele! Estaria arruinado em todos os sentidos. Ele se vingaria por ela e também por ele... Sentia dor só de imaginar alguém... Não! Não queria mais pensar naquilo. Queria apenas pensar nela, nos olhos verdes, lábios carnudos e o nariz tão bonitinho. Aqueles cabelos vermelhos davam ao rosto de anjo uma beleza selvagem. Linda demais!

[...]

Nessie estava sentada confortavelmente em uma poltrona, de frente para a lareira, lendo um romance quando a serviçal entrou e interpelou. – Milady, Sua Graça solicita a sua companhia na sala de jantar. Pediu que usasse o vestido que lhe comprou para a noite de hoje. – Disse a jovem, enquanto ela a olhava atordoada. – O que devo dizer a ele? - Questionou a criada.

- OH! Sim, claro! Diga para Sua Graça que já me juntarei a ele. Só preciso me arrumar antes de ir ao seu encontro. Peça, por gentileza, que a jovem que tem me atendido venha me ajudar, por favor. – Nessie pediu educadamente, levantou-se e foi até o aparador ver a roupa que acabara de ganhar.

Era um lindo vestido de camurça verde, adornado com detalhes dourados. A vestimenta era digna de uma princesa. Bem mais bonito do que qualquer outro vestido que tinha visto sua tia e primas usarem. Nunca na vida, nem mesmo quando o pai era vivo, usou uma roupa tão elegante e cara. Tocou o tecido e sentiu a suavidade da peça em seu dedo. Um leve sorriso escapou de seus lábios. “O duque tem muito bom gosto”. Pensou naquele momento. Ficou imaginando usando aquele vestido, dançando uma linda valsa nos braços de Jacob. O coração palpitava com aquele sentimento tão estranho. Fechou os olhos e deixou a imaginação fluindo.

A porta se abrir e os passos foram em sua direção. A voz suave da jovem a fez despertar dos seus devaneios. – Solicitou minha presença, Milady? – A jovem indagou.

- OH, sim! Preciso que me ajude com esse vestido e com meus cabeços. Você sabe fazer penteados? – Perguntou e a jovem assentiu. – Que bem, Lucy, agora vamos começar. Sua Graça me espera para jantar. – A jovem sorriu docemente para Nessie e as duas começaram os preparativos para aquela noite.

Tirou o vestido de musselina, a jovem a ajudou a colocar o espartilho, apertando somente um pouco por cauda das dores que ainda sentia. Depois pôs o vestido e se olhou no espelho. Estava realmente linda naquela roupa, que lhe caia como luva.  Sentou-se na cadeira diante da penteadeira e deixou que a jovem trabalhasse em seus cabelos por mais algum tempo. Quando terminou, Nessie nem acreditava no que via. Estava espetacular. Ficou orgulhosa de si mesma. Certamente o duque perceberia como era bela, com roupas mais adequadas.
A jovem Lucy saiu por alguns momentos e quando voltou trouxe algumas coisas, que segundo ela ajudaria deixar o rosto ainda mais bonito. Nessie já havia visto aquelas coisas. A sua tia usava aquele pó branco e o outro rosado em seu rosto. Também havia uma pasta em um pequeno tubo, que a jovem usou para deixar os lábios mais rosados. Não passou muito, somente o suficiente para lhe tirar a palidez. Ela ficou grata com a jovem, sorriu-lhe e depois deu um abraço carinhoso. – Obrigada por me deixar bonita.

- Milady já é linda. Estou apenas deixando ainda mais encantadora, minha senhora. – Lucy respondeu com toda cerimônia, mesmo ela já tendo pedido antes para lhe chamar pelo apelido.

- Onde conseguiu essas coisas? – Perguntou a jovem.

- São da duquesa mãe. Ela não vem muito aqui. Tem sua própria casa, que é bem maior do que essa. Mas tenho que por no lugar. Podem me acusar de roubo. - A moça respondeu constrangida.

- OH, não! Eu falo com o duque...

- Não precisa! Já estou colocando no lugar. Só a levarei até a sala de jantar e depois volto. – Respondeu.

A jovem a levou e nesse ficou perplexa com o tamanho da casa. Não imaginava que fosse tão grande. Se fosse sozinha, certamente teria se perdido naquele labirinto. Tudo muito. A duquesa realmente tinha um excelente gosto para a decoração. A casa era simplesmente perfeita, cheia de obras de artes, esculturas e tapeçarias por todos os lados. No salão principal, por onde passou, olhou para cima e viu lindas pinturas de anjos, em um cenário mágico. Ficou por um tempo parada, observado cada detalhe, quando escutou um pigarro  que lhe chamou a atenção. Abaixou a cabeça e seus olhos se depararam com os do duque. Sentiu as bochechas corarem de constrangimento.

- Lady Renesmee, gosta? – Ele perguntou-lhe. Ela olhou para baixo e viu que ele estava comuma expressão indecifrável no rosto. Nessie sentiu seu corpo gelar naquele momento.

- Eu... Eu... Quer dizer elas. – Gaguejou. – São lindas. – Conseguiu falar, finalmente.

O duque caminhou alguns passos até ela, estendeu-lhe o braço, pegou a mão gentilmente e levou aos lábios. Agora, um pouco menos envergonhada, Nessie pode ver que usava um belíssimo fraque negro e luvas brancas. Só não estava de cartola, mas de resto parecia vestido para uma ocasião muito especial. Seu corpo todo estremeceu ao sentir os lábios carnudos em sua pele e se lembrou das luvas... Mas que garfe!

Ele lhe ofereceu o braço e ela o aceitou. Foram de braços dados até o luxuoso salão de jantar, enquanto ele fazia gracejos. – Está belíssima, milady! Poderia jurar que é uma princesa.

- São apenas roupas, Vossa Graça. – Ela respondeu envergonhada. – Aposto que não me achou tão linda quando me encontrou aquela noite.

- Pelo contrário. Foi ali que me encantei pela sua beleza. – As bochechas dela arderam novamente e ela olhou para baixo. O homem além de lindo tinha que ser tão galante? - Sabe tocar piano, milady? – Ele disse para tentar deixá-la um pouco mais calma, ela soube.

- Sei, Vossa... Jacob. – Ela se corrigiu constrangida. – Costumava a tocar antes...

- Antes de seu pai morrer? – Ele incentivou.

- Sim! Costumava a tocar antes do meu pai morrer.- Respondeu.

- Insisto que toque para mim depois do jantar, querida. – Ela estremeceu quando o ouviu chamar de “querida”. Aquilo soou como música para seus ouvidos, fazendo-a sentir uma sensação prazerosa.

- Será uma honra tocar, para Vossa Graça. – Disse com formalidade.

- Jacob! – Ele a corrigiu.

- OH, claro! Sim! Jacob! – Disse sem graça.

Os dois chegaram à mesa, o mordomo puxou a cadeira para que Nessie se sentasse e ela tomou o seu lugar graciosamente. O duque foi até o seu lugar e depois de sentado, fez sinal para que o jantar fosse servido. Tudo foi muito agradável desde a entrada até a sobremesa. Nessie nunca havia comigo nada tão bom. Na casa em que vivia atualmente, normalmente ficava com resto. Na sua infância o pai fora tão avarento que não gostava que o dinheiro fosse desperdiçado com besteiras. Mas ali, comeu do melhor e o licor de pêssego servido também estava maravilhoso. Sentia-se uma verdadeira princesa.

Os dois trocavam olhares sugestivos e ela ficou envergonhada diante dele. Quando o jantar terminou, ele foi até o seu assento e lhe deu a mão gentilmente. Ela aceitou de bom grado e o acompanhou até outra sala. O duque fez alguns gracejos e já era um pouco tarde quando pediu que tocasse para ele. Nessie assentiu com a cabeça e se dirigiu ao piano.

Ela se sentia tão comovida com toda amabilidade dele e a forma como a olhava, que tocou com toda a sua alma, apesar de não praticar há anos. A melodia saiu doce, suave e encantou o duque, que parecia completamente perdido ao ouvir as notas tocadas por ela. Quando Nessie terminou, ele se levantou e caminhou em sua direção. Ficou observando o seu rosto por algum tempo sem falar nada. Ela se levantou constrangida e ele, de súbito, puxou-a pela cintura, colando um pouco os seus corpos. Nessie sentiu um estremecimento naquele momento e fechou os olhos. Foi então que os lábios carnudos pousaram sobre os seus. Ele se movia de forma gentil e a deixou completamente perdida. Era uma sensação totalmente diferente. Nunca imaginou sentir tamanhas emoções. O rosto dele se inclinou lentamente e ela sentiu o toque de sua língua sobre os lábios. Mesmo perplexa com aquela atitude. Ficou calada e deixou que ele a conduzisse. Sabia que era uma imprudência e que poderia pagar caro por aquilo. Mas ali, em seus braços, toda a sensatez a abandonou. Sua língua começou a fazer coisas que ela não compreendia. Apesar disso gostava das sensações que provocava. Ficou totalmente entregue e pouco a poucou entrou no ritmo, deixando que ele conduzisse aquele beijo. Foi sensacional. Não havia outra palavra para descrever tudo aquilo.

Quando ele a puxou ainda mais, fazendo com que os corpos ficassem totalmente colados. Nessie sentiu pânico e quis fugir. Lembranças da tragédia de sua vida invadiram a sua mente. Ela o empurrou e ficou trêmula, com lágrimas rolando pelo rosto.

- Conte-me o que fizeram com você, milady. – Ele disse, tentando controlar o tom da voz, enquanto tentava se aproximar. – Não lhe farei mal. Só quero ajudá-la. – Ela negou com a cabeça e foi para o sofá, onde ficou encolhida como criança assustada. – Juro que um dia descobrirei querida! – Ele afirmou e ela se forçou a olhar para outro lado. Não queria encará-lo naquele momento. Era vergonhoso demais saber que ele provavelmente conhecia a sua situação indigna.

- Vossa Graça, peço permissão para me recolher. Estou muito cansada e com o corpo dolorido. – Ela disse se levantando, mas ele segurou o seu cotovelo e a impediu de sair.  O tom da sua voz era cerimonioso. Porque ela sabia que precisava manter a distância e ser fria com ele. Não poderia permitir que seu coração vacilasse.

- Peço perdão por ter tomado liberdade, querida. Prometo que isso não acontecerá mais. Somente se me prometer fazer as refeições comigo enquanto for minha hóspede. – Ele beijou a sua mão delicadamente e depois sussurrou em seu ouvido, fazendo-a sentir um frio subindo pela espinha. – Faço questão da companhia.

- É claro, Vossa Graça! – Ela fez uma mesura e depois se dirigiu a porta. Seu coração batia muito rápido naquele momento. Se ficasse mais um tempo na presença daquele homem, corria o risco de ceder aos seus encantos.
Nos dias que se seguiram ao acontecimento, Nessie partilhou de sua companhia nas refeições e em passeios a sua estufa, conforme havia prometido. O duque agiu como um verdadeiro cavalheiro e não tomou mais nenhum tipo de intimidade. Os seus olhares, no entanto, diziam que ele queria mais do que ela estava disposta a dar. De repente ela notou que não tinha medo dele. Tinha medo do seu próprio coração.

[...]
Mais cinco dias se passaram e Jacob decidiu que era a hora de devolvê-la a família. Sabia que não seria prudente mantê-la mais tempo. Informaria a situação e os levaria até ela. Depois que voltasse para a casa, pediria permissão para cortejar a jovem. Faria um acordo vantajoso para ambos. Pelo que o detetive averiguou sobre Colchester, estava afundado em dívidas. Casar a prima com um duque, ainda sem pagar o dote, seria muito vantajoso. Ele receberia prestigio e respaldo na sociedade. Esperava que fosse o suficiente.

Naquela manhã Jacob foi ter com Nessie e contar sobre a sua decisão. Ela estava sentada em uma poltrona, tomando chá, quanto ele entrou. Estava linda, em um vestido rosa de musselina, que mandara providenciar. Parecia mais vivida e corada. Quando olhou para ele, seus olhos verdes possuíam um brilho intenso. Era a coisa mais encantadora, que dava um ar de mulher e outras às vezes, quando lhe sorria de forma meiga, de menina. Ela adorava as feições de seu belo rosto. Naqueles dias passou um bom tempo com ela, mesmo com os amigos exigindo-lhe a atenção, para saber o que descobriu. Agora, mesmo não querendo, tinha que tomar uma difícil atitude e devolvê-la para sua família. O coração se apertava só de imaginar a sua partida. Estava muito mais apegado do que deveria, ou gostaria.

- Nessie, preciso informar para sua família que eu a encontrei. Preciso que volte para casa. Ás coisas não podem ficar como... – Ele interrompeu quando viu seu rosto se transformar em uma máscara de pavor. Os olhos estavam suplicantes e aquilo o afligiu. – Por favor, não me olhe assim. Sabe que é o certo a fazer.  – Seu coração estava angustiado só de olhar a expressão de pavor no rosto dela.

- Por favor, Jacob... Vossa Graça – Ela corrigiu-se nervosa e Jacob percebeu as bochechas corarem. Era difícil chamá-lo pelo nome de batismo, de forma tão intima. E todas as vezes que tentava ficava sem jeito.

- Eles não farão nada contra você, querida. – Ele pegou sua mão e a beijou gentilmente. – Cuidarei de tudo. Deixarei claro para Colchester minhas intenções e que estaria observando de longe. Fique tranqüila. Não confia em mim? – Passou o polegar em sua bochecha e fez carícias. Ela abaixou a cabeça, para desviar do seu olhar. Sempre fazia coisas do tipo quando se aproximava. Aquilo o incomodava.

- Serei castigada por ter fugido... Não entende? – Ela sussurrou.

- Entendo bem! Mas não farão mal a você. Eu prometo isso, pequena. -  Segurou o queixo dela, com gentileza, e o ergueu para que o observasse. – Eu a prezo muito, menina. Não deixarei que nenhum mal lhe aconteça. E a visitarei sempre... Quero pedir sua mão.  – Ele disse com a voz bem tranqüila, mas pela pode perceber a sua angustia.

- Não! Não pode! Por favor, não posso me casar com Vossa Graça. – Ela afastou-se do seu toque e virou o rosto para o outro lado. – Se não me ajudará a fugir, rogo-lhe, por sua honra, que não vá me pedir em casamento ou me visitar. Não quero ser cortejada por ninguém. Espero que tenha entendido, Excelência. Porque não falarei novamente. – Levantou-se de forma brusca e caminhou para a janela. Passou os braços ao redor da cintura, abraçando-se, e não falou mais com ele. Jacob saiu do quarto aborrecido, mas não deixaria que sua negativa o desanimasse. Tinha certeza que Colchester venderia até a mãe para conseguir dinheiro. Ele a compraria se fosse necessário.

[...]
Nessie estava pronta. A aia havia avisado que seus familiares a esperavam no escritório de Sua Graça. O momento da sua desgraça havia chegado. Edward até se comportaria bem na frente do duque, mas quando estivessem a sós... Não queria pensar nisso agora. Não mesmo!

Saiu do quarto com a aia e foram ao escritório. Sua paz havia acabado. Sabia disso, mas não deixaria seu desespero transparecer. Fingiria da melhor forma possível. Cada passo que dava, seu corpo tremia e sua respiração ficava irregular. Quando o mordomo fez uma mesura, e abriu a porta para que ela o seguisse, sabia que tudo havia acabado. Estava perdida.

Entrou no cômodo luxuoso, com várias estantes contento uma infinidade de livros, uma lareira enorme, esculturas, tapeçarias, cortinas... Tudo era de um bom gosto excepcional. Ela não teve tempo para admirar o local, pois sua atenção foi chamada pelo barulho da risada, enfadonha, da tia. Quase vomitou naquele momento.

- OH, Vossa Excelência, mais uma vez digo que não há como agradecer por salvar minha amada sobrinha. Foi um verdadeiro cavalheiro. Não é mesmo, Colchester? – Perguntou ao filho.

- Oh, Sim! Teremos uma eterna gratidão convosco, Vossa Graça. Srta. Wood é preciosa demais para nós. – Edward respondeu com um tom forçado. Aquele fingimento era mais do que Nessie poderia suporta.

- Com seu perdão, Excelência, a Lady Wood! – Disse o mordomo, ao anunciar sua entrada. Edward e sua tia Cordélia viraram e ela fez uma mesura perfeita. Podia ver o brilho malévolo nos olhos de ambos. Edward se levantou e caminhou até ela. Seu corpo inteiro tremeu quando ele a abraçou.

- Minha querida prima! Quanta falta sentimos. Ficamos com medo que houvessem a levado de nós. Mas agora, que a encontramos, estarás protegida e “nunca mais sairá sozinha”. – Aquilo era uma ameaça, ela sabia. O abraço foi tão forte que quase quebrou o corpo frágil de Nessie.  – Cuidarei muito bem de você. – Ele sussurrou a promessa de vingança em seu ouvido. Ela não conseguiu responder nada. Olhou apavorada para Jacob e viu como parecia incomodado com aquele abraço. – Agora agradeça a hospitalidade a Sua Graça. – Disse para ela, que o empurrou e se afastou. Caminhou até a mesa, Jacob se levantou, deu a volta e ela estendeu a mão para ele.

- Ob... Obrigada, Vossa Graça! – Fez uma mesura e olhou no fundo dos seus negros olhos, antes de se virar e sair, e o que viu foi dor.

- Eu a visitarei muito em breve, Lady Wood. – Ele respondeu. Nessie escutou a tia agradecendo e caminhou para a porta sem olhar para trás. Edward pegou o seu braço e apertou forte. Ela sabia que aquilo era o mínimo que faria com ela. Ainda escutou quando o duque disse para a tia: Eu a visitarei sempre. Quero me certificar que esteja bem tratada. Afinal essa adorável senhorita, merece toda a gentileza. E a senhora fará isso, não? Se ela sofrer qualquer acidente, eu saberei... – Foi uma ameaça. Ela sabia, assim como Edward e a tia. Eles não a marcariam, mas ela sabia que havia outras formas de tortura.

Caminhou até a saída, de braços dados com Edward, e quando chegaram a rua ele disse. – Não pense que isso ficará assim, Renesmee. Você pagará pelo que fez. – Vociferou.

A tia se postou, do outro lado, e disse: - Você foi uma menina má! E toda menina má merece um castigo. – Dito isso, Nessie sentiu um beliscão em seu braço.  – Isso será o mínimo, sua vagabundazinha. Não pense que porque o duque disse que estará observando, que você esta segura.

Nessie não respondeu. Andou com eles até  a carruagem, entrou e ficou calada, enquanto a tia e Edward a fuzilavam com olhar. Sabia que estava perdida. Sua vida tinha acabado.



Glau
E ai miguxas o que aconteceu com vcs? Cadê os comentários? Poxa vida eu me esforço tanto e vocês nem ligam. Se continuar desse jeito, não continuarei a fic. Estou bem triste com a ausência da maioria das leitoras.
Gostaria de agradecer a Virginia, Deia, Hilsiane e Kaka pelos comentários. A opinião de vocês é muito importante para mim. Ela é o tempero da fic. Quando as pessoas não expressam é porque não gostaram e tem medo de dizer. Então coloquem a boca no mundo e digam o que acham.

Agora eu pergunto o que acharam do cap? O que acontecerá com a Nessie agora? O cap 8 já está pronto, mas a Heri ainda não me devolveu. Como ela está lendo Jogos Vorazes não sei quando esse cap vem. Pretendo postar até a semana que vem.

A parte do cap em que a Nessie janta com o Jacob e toca piano não foi betada. A Heri pediu para acrescentar, mas como só consegui digitar hoje não enviei para ela. Se houver erro peço desculpas. OK?

N/Heri: QUE LINDO! ...” tinha medo por ela, por ele e pelo que não poderiam ter.” Gente que cena! Amo essas expressões, porque Glaucia faz um ótimo drama ao romance. Mas essa menina sofre hein? E essa megera de tia e esse safado de primo, merecem o que?
Comentem , até próxima...bjs







sábado, 24 de março de 2012

Miguxas, entrei de férias essa semana, mas passei toda ela atolada. Acho que algumas sabem que Para sempre virará livro em breve. Esse foi o motivo da minha semana ser curta e cansativa. Fiquei dia e noite editando a estória para enviar a editora. Estou acabada, cansada e com os braços doloridos.

A Heri me enviou o cap 7 e ficou pendente o 8. Contudo pediu algumas coisas no 7 que não consegui reescrever. Como ainda estou muito cansada, só conseguirei revisar e incluir mais trechos durante a semana. Tentarei fazer isso entre segunda e quarta feira.

Peço desculpas pelo atraso, mas é por uma boa causa.

Os links de Para sempre foram removidos, mas se alguém copiou a estória para seu blog, peço que exclua. Ela não pode ser postada na net, por questões contratuais.

Um bom fim de semana para todas

Bjs no core