quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Sol da minha vida6


Apaixonada

A vida parecia feliz e o tempo passou rápido naquela nossa nova vida. A cada dia eu notava as mudanças em meu corpo e rosto. E a cada dia eu sentia que estava ficando adulta e todos diziam que eu estava uma mocinha. Se eles soubessem o quanto essa palavra me irritava!!

Eu me perguntava quando pararia de crescer, quando o meu metabolismo iria estabilizar, pois apesar de ter visto Nual e ouvido a sua história, eu sempre pensava que poderia ser diferente comigo e eu poderia ficar uma velha em pouco tempo. E isso me apavorava muitas vezes.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sol da minha vida5

Nova vida
A viagem foi longa e eu já estava cansada de ficar naquele carro sem nada para fazer. E Bella ficava fazendo cafuné na minha cabeça, tentando me fazer dormir de forma inútil enquanto eu resmungava o tempo todo.
- Por que não fomos correndo?
- Chegaríamos mais rápido!
- Não queremos levantar suspeitas, Renesmee! Edward respondeu pacientemente.
-Tudo bem! Eu agüento isso! Resmunguei novamente.
Quando chegamos a casa, eu fiquei admirada pelo tamanho e beleza vista por fora.
Aquilo não era só uma casa e mais parecia um castelo, daqueles que eu via quando fazia um tur pela Europa, utilizando o Google earth.
-Nossa! Nossa! É.... É... É linda!!! Eu falei admirada.
- Espere só até ver o seu quarto. Disse minha vó Esme.
Eu corri pela imensa sala muito clara, com três grandes sofás, um piano, uma lareira, uma prateleira, quadros no estilo impressionista. E Tudo estava tão bem decorado, como Esme sempre fazia com impressionante bom gosto.
A casa tinha um grande escritório, um biblioteca, uma sala de cinema, uma cozinha era pequena, mas bem decorada, uma lavanderia, uma grande sala de jantar, um salão de festa ainda maior que os outros cômodos. E quanto eu vi aquele salão de festas, imaginei o que Alice aprontaria ali durante os próximos anos e um frio percorreu a minha espinha.
Subimos as escadas para ver os quartos e eu fiquei admirada com a quantidade de quartos que havia no segundo andar da casa: eram 15 ao todo.
Fui para o meu quarto e fiquei encantada com a decoração, que me fazia sentir uma verdadeira princesa em seu castelo encantado. Onde tudo era muito claro e o tom de branco se contrastava com os de rosa do papel de parede. Havia um closet enorme só para mim, uma mesa com computador, em todos nas paredes havia bonecas e ursos em grandes prateleiras, uma linda cama branca com uma mesa de cabeceira de cada lado e luminárias para clarear o ambiente. Ainda havia uma janela que dava uma vista para frente da casa e eu poderia ver aquele impecável jardim todos os dias. O meu banheiro era grande, claro e tinha uma enorme hidromassagem no centro, um grande espelho acima do balcão cheio de produtos.
Tudo lindo e perfeito para mim e eu estava agradecida pelo bom gosto da minha avó.
Fui para o quarto de Jake e vi que ele estava muito triste.
-Jake! Você está arrependido de ter vindo para cá? Eu perguntei.
- Não! Nunca! Só estou estranhando essa casa muito grande... Esse quanto também não me deixa a vontade.
-Jake! Olha as fotos nas paredes! Eu tentava parecer alegre, para distraí-lo de sua tristeza.
- Todos os seus irmãos, seu pai e os seus amigos! Olha as minhas fotos! Como estou diferente nessa!! Você não acha?
- Você está crescendo rápido e ficando uma mocinha. Ele sorriu do jeito que eu sempre amava.
Enquanto eu falava das fotos, Edward entrou e pediu licença para conversar em particular com Jake. E eu fiquei um pouco aborrecida, mas haveria muito tempo para eu ver as fotos e ficar com Jake.
Eu sai para ver o quarto de Bella e Edward, mas do corredor eu pude ouvir a conversa:
- Jake! Nada de ficar sem blusas ou se transformar na frente da Nesse! Ela está crescendo e os seus hormônios parecem está acelerados.
- O que você prometeu está de pé? Edward falava tão rapidamente, que se eu não tivesse uma super audição não ouviria e entenderia o ter da conversa.
- Está Edward! Pode ficar tranqüilo. Jake assentiu.
Eu fiquei me perguntando que conversa era aquele? Que promessa era essa? Mas eu estava tão entusiasmada coma casa que não me preocupei com isso por algum tempo.
Tudo era muito novo para mim e eu queria conhecer cada detalhe da casa, os quartos dos meus tios e avós, a cozinha e o resto da casa.
Jake e saímos de moto, para fazer um reconhecimento da cidade, e de inicio eu não gostei muito.
A cidade era pequena e quase não víamos casas nas pelo caminho e a nossa casa ficava ainda mais longe do centro, afastada convenientemente das outras casas e de qualquer sinal de civilização. Além disso, o caminho para a cidade era cercado de bosques, que facilitariam as minhas pequenas competições com o meu melhor amigo lobo.
A arquitetura da cidade me lembrava as das cidades do interior da Itália, que meus pais me mostravam pela internet e prometiam me levar algum dia para conhecer.
As pessoas eram pouco simpáticas e isso seria bom para minha família, pois não manteríamos laços de amizade naquele bizarro lugar. Então não teríamos que representar uma peça de teatro para as outras pessoas. E isso me deixava aliviada e tranqüila, porque teríamos um pouco de liberdade nela pequena cidade provinciana.
A universidade onde meus pais, tios e Jake estudariam ficava em uma cidade vizinha e não demoraria mais de 20 minutos para chegar lá de carro ou moto, então a casa ficava estrategicamente localizada para facilitar que freqüentassem a universidade, sem precisarem se instalar em repúblicas.
Outra coisa propicia nesse lugar, era que chovia a maior parte do tempo e nevava alguns meses no ano, assim minha família não precisaria se esconder. Então a atmosfera, a cidade, a localização e o clima eram totalmente favoráveis para a nossa nova vida, eu tive a certeza disso enquanto passeava com Jake.
Quando chegamos à casa todos nos esperavam para uma pequena comemoração, mas a cara do Jake não era muito boa. E claramente podia-se ver em seus olhos a tristeza e o desconforto.
-Desculpem! Estou cansado e vou dormir. Ele falou tão baixo que mal podíamos ouvir.
Ele me deu um beijo na testa, antes de subir as escadas em direção ao seu quarto. E eu me sentia muito mal pela infelicidade de Jake. Eu estava extremamente culpada, mas eu tinha que disfarçar isso para que minha família não percebesse que eu estava afetada pelo estado de Jake.
Eu tocava o piano, de repente uma tristeza percorreu o meu corpo novamente quando comecei a tocar a canção que compus para Jake: Sol da minha vida!
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu me culpava pela tristeza dele naquele momento. A dor nos seus olhos na despedida em La Push, as suas lágrimas na moto, a tristeza dele no quarto. De repente meus pensamentos foram invadidos.
- Nesse! Não é culpa sua. Ele vai demorar a se acostumar com a casa, com o lugar, e com a falta dos irmãos. Mas ele está feliz por está protegendo você. Edward se intrometeu nos meus pensamentos.
Eu não respondi nada e as palavras de Edward confortavam o meu coração, quando de repente escutei o uivo de um lobo, que mais parecia um choro. Aquele choro era tão conhecido e peculiar, que fez meu coração ficar mais apertado e a dor me rasgava por dentro.
- Nesse!! Ele só está falando com os seus irmãos. Dê esse tempo a ele! Edward falou novamente.
Eu fui para o meu quarto, liguei o meu computador e fiquei navegando pela internet. E quando eu já estava com sono, fui até o quarto de Edward e Bella para beijá-los antes de dormir:
- Poderiam não fazer tanto barulho a noite? Eu pedi olhando para as expressões assustadas deles.
Aquela pergunta deixou Edward sem graça, mas ele respondeu franzindo a testa:
- As paredes dos quartos dos casais são a prova de som. Ele começou a falar olhando para mim e se virando as vezes para Bella.
-Esme se preocupou com a sua sanidade e com os questionamentos de Jake. Ele falou quase gaguejando.
-Ah ta. Tchau! Eu sorri e fui para o meu quarto.
Fui para o quarto de Jake,com a intenção de dá boa noite para ele, e o encontrei lendo.
- Pensei que já estivesse dormindo? Ele perguntou curioso para mim.
-Não consegui. Estou muito triste e não consegui dormir. Respondi olhando nos seus olhos.
-Por que você está triste? Ele quis saber.
-Porque você está! Eu ri.
-Eu não estou! Só preciso me acostumar. Ele afirmou sorrindo para mim.
-Ta!! Eu vou dormir então. Boa noite Jake! Eu falei depois que dei um beijo no seu rosto quente e perfeito.
Nesse momento, ele me abraçou apertado e ficamos assim por alguns segundos.
- Jake! Eu te amo! Você á mais que um amigo! Você é meu irmão agora.
- Eu te amo mais! Ele agora falava com um sorriso espontâneo e glorioso, que nem de perto lembrava o anterior.
......
Não posso dizer que minha vida estava fácil, pois eu ficava em casa o dia inteiro com Esme enquanto os outros estavam na Universidade. Todavia isso era bom para o meu intelecto, pois tinha tempo para estudar, fazer novas composições, viajar pelo Google earth e conhecer novos países, aprendia novos idiomas. Mas o pior de tudo, isso era que Edward chegava da Universidade para me dá aulas particulares. Acredita nisso? Eu estudava o dia inteiro e quando ele chegava ainda tinha que me ensinar mais.
O melhor disso, era que eu passava muito tempo com ele. E meu jovem pai parecia um irmão mais velho e protetor e aproveitava o Maximo das aulas para me roubar da companhia de Jake.
Eu também me divertia com as histórias que Alice e Rosali contavam da faculdade de moda, dos contos de terror que Emmett me contava, mostrava para Bella tudo o que havia aprendido naquele dia.
E depois disso ainda ficava brincando com Jake: Xadrez, dominó etc. E ele sempre trazia uns jogos divertidos, que saberia que eu adoraria jogar e ganhar dele.
Bella achava injusto que ele sempre deixava eu ganhar, mas eu me aproveitava disso, assim como nas nossas caçadas, e me divertia muito com ele. E por algum milagre ele parecia gostar disso também.
Durante a noite Jake quase não dormia, ficava estudando para se sair bem nas provas. E acredite se puder, eu o ajudava a estudar e até fazia os seus trabalhos, apesar de Edward não aprovar nada disso.
- Você não tem vergonha de deixar Nesse fazer as suas tarefas? Edward vivia resmungando.
Ele tinha muita dificuldade com algumas matérias e eu o ajudava. E para isso eu estudava as suas matérias durante o dia, aprendendo o máximo de cálculo, química, física e outras, para ensiná-lo durante a noite.
Ele sempre dizia que eu parecia ter várias faculdades, mestrados e doutorados. E apesar de eu não ter contado nada para ele, já estava estudando algumas teses de doutorados.
Edward achava divertido, às vezes, quando eu fingia aprender para ajudá-lo, mas como ele lia a minha mente, sabia que já tinha estudado tudo durante o dia só para ajudá-lo.
Mas ele não podia reclamar, porque fazia a mesma coisa com Bella!! Quando percebia que ela estava com dificuldade em alguma matéria, aprendia só para ensiná-la.
Nos fins de semana Jake viajava sozinho, para La Push. E eu ficava morrendo de saudade e contando as horas para ele voltar para casa.
Eu sempre pedia para ir com ele, mas como meus pais não queriam que ninguém me visse não me deixam ir com ele, deixando-me irritada todo final de semana.
Eles tentavam arrumar alguma distração para mim, levavam-me para passear nas outras cidades, Emmett me ensinava lutar, caçávamos, fomos para a Disney umas duas vezes, visitávamos a família de Tanya em Denali. Em resumo, todo fim de semana inventavam alguma distração para eu não ficar reclamando a falta de Jake.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sol da minha vida4

Despedidas
No dia seguinte, acordei cedo bastante eufórica para a minha caçada com o Jake, então tomei banho apressadamente, escolhi uma calça jeans e um suéter escuro, penteei os cabelos, escovei os dentes e desci as escadas correndo.
 
Eu queria que aquela caçada fosse perfeita, porque seria a nossa última em Forks e depois disso tudo seria diferente para nós.
 
-Bom dia mãe! Eu disse para Bella ainda no topo da escada.
-Bom dia querida!
- Está pronta para a caçada?
- Estou! O Jake já chegou? Eu perguntei sem disfarçar a minha ansiedade.
-Ainda não. Mas enquanto isso, vamos tomar café.
- Mãe! Eu vou caçar e não quero comida humana! Eu resmunguei fazendo uma careta.
-Só um pouco! Você vai precisar está forte. Ela exigiu.
-Bom dia a todos! Eu dizia enquanto descia as escadas e me dirigia para a cozinha!
Na cozinha eu podia ouvir a conversa do meu pai, Tanya, Kate, Carmem e os demais.
- Quando vocês vão ? Perguntou Tanya curiosa.
- Amanhã! Ele respondeu.
- Esse cachorro vai com vocês? Dessa vez foi Carmem tentando entender o sentido disso daquilo.
- Sim ele vai. Edward respondeu.
- Isso é no mínimo estranho Edward! Vocês vão morar com um lobisomem? Kate sussurrou criticamente.
- Não! Ele que vai morar conosco. Ele respondeu rindo.
- Você já viu como ela olha para ele Edward? Viu como ela se colocou na posição de fêmea quando atacou àquela garota? Tanya questionou.
- Ela é só uma criança e não tem maldade na cabeça! E ele não pensa nela dessa forma, pois eu já teria o matado. Ele respondeu as críticas dela.
- Ele vai morar conosco, mas o trato é de que faça a faculdade. Assim ele não terá muito tempo livre para ficar com ela. Os dois se verão apenas algumas horas todos os dias...
Um frio percorreu a minha espinha com uma parte da conversa! Ele mataria Jake?
De repente Jake chegou e me deu um beijo na testa, tirando a minha concentração da conversa na cozinha.
Eu ainda fiquei parada uns momentos, pensando naquilo.
-Vamos Nesse? Jake chamou.
-Vamos! Respondi.
-Esperem por mim! Bella gritou do topo da escada.
Quando estávamos já estávamos na sala, ele cumprimentou todos e depois me perguntou?
- O que você quer caçar hoje?
-Leão da montanha! Eu exclamei docemente.
-Você é igualzinha ao seu pai! Ele riu para mim enquanto Edward olhava para ele zangado com alguma coisa que ele havia pensado.
Saímos e Bella veio logo atrás de nós!!
O nosso dia de caça foi muito divertido e como sempre fizemos a nossa velha competição. E Bella achava graça quando eu trapaceava e Jake agia como uma criança disputando comigo.
Nós corremos durante horas, procurando meu apetitoso leão da montanha, mas Jake estava paciente e me me deixou ganhar e ficar com o prêmio, se contentando com alguns herbívoros. E eu por outro lado, mesmo sabendo que se ele quisesse ganharia de mim, estava gloriosa por ter ficado com o disputado alimento.
Quando voltamos para casa, Edward o chamou Jake para conversar em particular. Os dois saíram para a floresta para ficar em uma distância inaudível e ficaram algum tempo sozinhos.
Eu estava curiosa para saber os que eles falavam, mas pelo olhar de Edward e Jake nenhum deles tocaria no assunto comigo, então tive que ficar curiosa e pensando no que teriam falado.
Depois disso Jake se despediu de mim e foi La Push , para finalmente se despedir do seu pai, dos seus amigos, dos seus irmão. Eu fiquei imaginando como tudo isso seria difícil para ele e me sentia muito mal por fazer isso com sua vida, mas ao mesmo tempo eu era egoísta demais para pedir que ele ficasse.
Eu não queria e não podia ficar sem ele! Tudo o que vivemos todas as nossas conversas, as nossas competições, os nossos momentos eram o suficiente para me torna a pessoa mais egoísta do mundo, quando se tratava em ficar ao lado de Jake, o meu melhor amigo... o meu irmão.
-Pai? Eu chamei Edward.
-Posso ir com o Jake? Eu pedi.
-Pode! Edward assentiu.
-Até logo então, eu respondi!
-Jake! Jake! Espere! E vou com você! Eu corri para alcançá-lo saltitante e alegre por ir com ele.
Subimos na moto do Jake e ele dirigiu rapidamente para La Push. E enquanto passávamos pela estrada, vendo as casas conhecidas, as pessoas e a paisagem tão familiar, eu senti saudade desse lugar que fez parte da minha curta vida.
 
Quando chegamos na pequena casa de Jake, todos já estavam esperando para a despedida de seu amigo, irmão e líder. E foram muitos os abraços, as lamentações e os seus olhos encheram de lágrimas vendo a concretização da partida na sua frente. Eu estava como coração cortado pela sua tristeza, mas ao mesmo tempo tinha medo que ele desistisse de ir comigo. Eu realmente era egoísta!! Eu pensei enquanto olhava para as expressões tristes e o pranto nos abraços.
 
Mas havia algo mais que a tristeza nos olhos negros de Jake, havia uma esperança e uma felicidade que eu não conseguia entender. O que isso significava? Como ele podia está feliz? Que esperança era aquela em seu rosto ao olhar para mim?
 
Jake pegou a sua mochila, a colocou nas costas e me chamou:
-Vamos Nesse! O seu olhar cálido e carinhoso estava focado em mim.
- Os outros estão nos esperando e temos que nos apressar. Ele segurou delicadamente a minha mão e me puxou para fora com ele.
Ele olhou para o pai e seus irmão e disse:
- Eu venho todo fim de semana!
-E 6 anos passam rápido... Cuidem-se. Ele se virou e me colocou na moto e depois subiu.
Fomos para a minha casa e no caminho eu ouvia a sua respiração forte e frenética. O seu coração batia forte e quando um soluço saiu da sua boca, eu tive certeza!
- Ele estava chorando!! Eu senti remorso por fazê-lo passar por isso. Eu o queria perto de mim, mas não queria que ele sofresse. Isso me fazia sofrer também. Mas o que eu poderia fazer? Será que eu poderia dizer para ele ficar? Eu pensava várias coisas ao mesmo tempo, mas não tive coragem de falar nada e nem de perguntar se ele estava chorando. A verdade era que eu tinha medo da sua resposta.
Chegamos a casa e todos já estavam prontos para ir, em seus carros nos esperando para ir embora.
Bella abraçou Jake e perguntou enquanto se olhavam por alguns momentos:
- Você tem certeza?
-Eu nunca tive tanta certeza de algo na minha vida. Está ao lado de vocês é tudo que eu preciso para viver. Ele sorriu para ela.
Eu fiquei olhando os dois de longe, tentando entender os olhares penetrantes que trocavam. Os dois eram confidentes, amigos, parceiros e se consideravam dois irmão. E eu me lembro que eles tinham uma sintonia tão grande, que seus pensamentos pareciam conectados muitas das vezes. Eram muito diferentes em algumas coisas, mas muito parecidos em outras.
 
Edward parecia ter ciúme dessa cumplicidade, às vezes, mas ele entendia o sentimento fraterno que unia Bella e Jake. E depois que nasci os laços ficaram mais apertados, todos da família diziam para mim quando eu questionava esse estranho relacionamento dos dois.
Uma vez eu ouvi Bella dizer que ele a salvou de todas as formas que uma pessoa poderia fazer, que ele tinha sido o seu porto seguro, o seu sol, o seu protetor em um tempo que vivia na estranha escuridão. E eu queria entender o significado disso, mas Jake prometeu me explicar quando eu tivesse maturidade para entender.
 
 
E eu as vezes tinha ciúme da cumplicidade dos dois!! Tinha ciúme por ele não ter esse tipo de relação comigo!! De como eles pareciam conectados de alguma forma!! Mas ela era a minha mãe e nutria uma adoração tão profunda pelo Edward, que seria absurdo pensar nos dois de outra forma.
 
 
Depois daquela estranha conversa e olhares silenciosos, todos foram para seu veículo e partimos.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Sol da minha vida3

Preparativos para mudança
Edward, Carlisle e Esme viajaram para preparar a nossa chegada na casa nova, afinal eles precisavam decorar a casa e isso levaria algum tempo, então viajaram algum tempo antes para o Canadá.
Alice, Rosali e Bella ficaram para preparar a minha festa de aniversário, afinal Alice adorava uma festa e mesmo com a aversão que Bella tinha a festa, aquilo era um acontecimento para a nossa família, pois o meu aniversário e, além disso, receberíamos os nossos velhos amigos e os nossos quase parentes de La Push. Então Bella estava bastante animada com essa coisa de festa e se ofereceu para ajudar Alice, apesar da sua falta de talento e gosto. Bella e Rosali tentavam dá opiniões, mas Alice parecia saber bem o que queria e o que faria, não dando muito espaço para elas.
Emmett e Jasper estavam resolvendo as questões legais para os Cullens e Jake cursarem uma Universidade. Então precisavam falsificar alguns documentos e fazer alguns subornos, não se envolvendo muito com a coisa da festa.
Eventualmente a família sai junta para caçar, pois precisávamos de uma boa alimentação e Jake sempre fazia as excursões conosco, pois ele sabia que as competições que fazíamos tornavam a caçada mais interessante para mim. E mesmo não gostando muito de caçar com Emmett, Rosali e Jasper se exibindo, ele fingia que não prestava atenção neles e as coisas ficavam divertidas para nós dois.
É claro que eu sempre trapaceava e ele deixava isso ocorrer, porque sabia que eu não gostava muito de perder para ele. E Bella parecia encantada com isso e se maravilhava com a paciência que ele sempre tinha comigo. Acho que eu nunca teria um amigo como ele.
Para fugir do estresse que Alice, Rosali e Bella ficavam por causa dos preparativos da minha festa, eu aproveitava o máximo de tempo com os meus amigos lobos, Charlie e os humanos de La Push.
Agora Bella já não se importava tanto de Jake e eu andando para todos os cantos juntos e já não implicava ou proibia, porque ela sabia que não iríamos nos separar nem agora e nem nunca. Essa era a certeza que eu tinha e que me mantinha feliz.
Jake as vezes parecia triste por deixar a sua matilha, que eram praticamente seus irmãos, e seu velho pai, mas ele não ficaria completamente ausente, porque viria visitá-los todos os fins de semanas e manteria contato permanente com o Sam e com os outros lobos. Mas mesmo tentando esconder essa tristeza de mim às vezes eu podia ver, quando ele não se dava conta da minha presença, os seus olhos tristes e distantes.
O sorriso que eu tanto amava e que fazia meu dia se iluminar, o sorriso que era a característica marcante dele, os dentes brancos, as maças do rosto arredondado, a covinha no queixo... Tudo aquilo parecia sumir da sua face, deixando uma máscara de tristeza, que me fazia sentir culpada por existir, culpada por fazer ele ser meu eterno protetor, culpada por ele abandonar tudo o que ele amava. Mas eu era muito egoísta para dizer para ele que deveria ficar. Egoísta!! A acusação sempre na minha mente.
Aproveitamos o máximo de tempo em La Push e não nos preocupava com o tempo, pois era insuportável ver minha louca tia Alice arrumando as coisas para a festa e enlouquecendo ainda mais Bella. E eu estava impressionada em como Bella estava agüentando aquela situação, porque primeiro ela era totalmente contra festas e ainda mais com os sandices da de Alice. Mas eu não me preocupava muito com isso, pois ela iria sobreviver. Mas será que eu sobreviveria? Eu procurava não pensar nessa festa até que o dia chegasse.
Agora faltavam apenas dois dias e todos já estavam de volta em casa. Mantendo um clima de melancolia em todos, pois viveram tanto tempo nessa casa e agora teriam que ir embora.
Esme parecia muito mais triste do que os outros, por abandonar o lugar que amava tanto. E sempre resmungava:
- Eu fui tão feliz nessa casa! Tantas lembranças boas!!
Eu ficava emocionada com as palavras da minha doce avó e com certo pesar pela sua tristeza, mas Edward dizia que isso passaria logo.
Os primeiros convidados começaram a chegar dois dias antes da festa: Kachiri, Senna, Zafrina, Eleazar, Carmem, Kate, Tanya.
Era estranho para eles, porque tínhamos nos vistos há apenas 6 meses atrás e de um lindo bebê eu havia me transformado em uma criança grande. E Zafrina quase não me reconheceu, Tanya parecia extasiada de felicidade, Carmem e Kate eram só amores para mim. E eu me sentia mais mimada do que nunca.
Eu era o centro das atenções e fazia questão de mostrar como eu tinha sido feliz naqueles meses. E nenhum deles parecia acreditar no meu desenvolvimento tão rápido.
Naqueles dias, eu brincava com os meus poderes, descobertos por Eleazar, e aprendia que eu tinha mais do que imaginava com Kate e Zafrina.
Minha mãe ficava apavorada me vendo testar os meus novos dos com elas: Além de mostrar as pessoas às imagens que eu quisesse tocando nelas, eu aprendi a fazer isso mentalmente (como Jane, Alec, e Zafrina), eu era um bloqueio de escudos e um espelho para poderes mentais. Então se alguém quisesse me fazer sofrer, como Jane, eu poderia devolver o golpe com o dobro da força e isso seria bem divertido para mim.
Além disso, eu poderia quebrar qualquer escudo e testava isso com Bella.
E Zafrina me ensinou alguns truques para mostrar imagens tenebrosas para os meus oponentes e eu também achava que isso seria bem útil em uma luta.
Eu só não sabia por que esses poderes não funcionavam com Edward, porque eu gostaria de um pouco de privacidade com os meus pensamentos.
Jake ficava muito tenso me vendo treinar os meus poderes com nossos amigos. Ela achava que eu poderia me machucar com os ataques de Zafrina, Kate e Eleazar. Mas eu tentava assegurar que não havia perigo, contudo ele sempre trincava os dentes quando começávamos com as brincadeiras e eu podia sentir os tremores pelo seu corpo.
No dia seguinte chegaram Peter, Charlotte, Alistair, Charles, Makenna, Amun, Kebi, Benjami, Tia, Maggie, Siobhan, Liam. E eu também repassei para eles todos aqueles meses de felicidade, participando-os do meu crescimento, usando meus novos poderes. E eles pareciam não acreditar em todo o que eu os mostrava.
Estava quase na hora da festa, os outros convidados ainda não haviam chegado, mas uma figura misteriosa pareceu na porta e entregou um pacote para Esme. E todos que estávamos entusiasmadas e felizes com a minha festa de 7 anos, ficaram tensos de repente com aquela figura entregando o pacote.
Esme havia entregado o pacote e o bilhete Edward e todos o observavam trincando os dentes.
- Os Volturis enviaram um presente para você querida! A sua voz era perturbadora, mas tentava ser aveludada.
Todos olhavam inquisitivamente quando ele me passou o pacote e um bilhete:
- Estamos felizes por esse dia tão especial Nesse!! Desejamos toda a felicidade do mundo. Esperamos vê-la em breve!! Eu li alto e um frio percorreu a minha espinha. E um pensamento sombrio percorreu o meu ser: Eles não desistiram de mim!
Bella olhou apavorada para Edward, mas fingiu mudar de assunto enquanto todos me olhavam de longe.
Abri o embrulho e era uma linda boneca. Poderia dizer que era a mais linda que eu já vira. Seu rosto era de porcelana e todos os detalhes eram perfeitos. Mas apesar da beleza do presente eu estava tensa, mas abri um sorriso para quebrar aquele clima de tensão.
Ela é muito linda!! Olha só mãe como é delicada e perfeita!!.
Todos riam e achavam graça da minha ingenuidade e pureza, mas Edward podia ler os meus pensamentos e saber que eu estava chateada e com medo da ameaça do Volturis:
- Malditos assassinos italianos!! O que querem? Me assustar? Mas isso não vai acontecer!!
De repente minha visão se iluminou quando ele entrou na sala linda deslumbrante e amável. E além de uma beleza natural, sua roupa era impecável e nem parecia àquele cara com calça jeans rascadas, peitos de fora, cabelos desarrumados.
Não havia não ninguém tão lindo, tão formoso, tão adorável quanto meu Jake. Eu nem me dei conta que a sala estava cheia de convidados me olhando atentamente quando corri para os braços dele, agarrei-me o mais forte o possível em seu pescoço e beijei o seu rosto moreno estonteante.
- Jake você está lindo! Eu disse sem reparar a cara de horror, vergonha e desaprovação de Edward e Bella.
Os nossos amigos vampiros olhavam incrédulos e eu podia ouvir os sussurros:
- Isso não é saudável!
- Ela é só uma criança!
- Como Edward permite isso!
-Ele é um cachorro!
Nesse momento eu fiquei envergonhada e minhas bochechas ficaram vermelhar.
- Odeio ter herdade essa característica humana de Bella! Eu pense e me recompus para cumprimentar os demais convidados que vieram com Jake: Quil, Embry, Su, Emily, Sam, Billy, Seth, Paul, Rachel, Kimi, Jared, Colin, Clair e meu adorável avô Charlie.
E conforme os convidados iam chegando eu os recebia com muito amor e muito feliz por estarem ali compartilhando comigo aquela festa.
Todos pareciam espantados com a decoração que Tia Alice fizera e podia ouvir os comentários:
-Nossa eles sabem mesmo dá uma festa!!
-Está tudo tão perfeito!!
Eu estava extasiada de felicidade era tudo perfeito!!
Eu estava nos braços do meu adorável e lindo pai dançando alegremente, girando pelo salão com muita desenvoltura e ao contrário de Bella não tinha a menor vergonha de dançar. E depois de Edward,
já tinha dançado com quase todos os homens (humanos, lobisomens e vampiros) na sala e não parava quieta um minuto se quer.
Tanya perguntava a Esme:
- De quem essa menina puxou esse ânimo todo?
- A Bella acha que essa alegria saltitante é da sua mãe Renêe.
Quando eu girava nos braços de Edward novamente, pude ver Leah entrando no salão e não gostei muito, mas fiquei na minha.
Ela puxou Jake para dançar e ele foi envergonhado para mão fazer desfeita, eu acredito. E de repente eles estavam muito juntos e ela estava com a cabeça no seu ombro, olhando para mim com cara de desdém. Fazendo surgir uma fúria subiu na minha cabeça e corpo, e quando dei por mim eu havia mostrado os destes rugindo muito alto para ela.
Nesse momentos todos (vampiros e lobisomens) se colocaram em posição de ataque!! Mas Jake estava calmo e deu uma ordem para Leah sair.
Edward me segurava e sussurrava no meu ouvido para que eu me acalmasse. Pois sabia que se me soltasse eu voaria no pescoço dela e isso era o que realmente queria.
- Quem aquela cadela pensa que é para rir da minha cara, para me encarar desse jeito? Eu vou arrancar os olhos dela pai.
-Calma Nesse! Tudo bem, ela já foi! Edward sussurrava no meu ouvido, para disfarçar enquanto todos olhavam para nós.
Meu tio Emmett deu uma risada divertida:
- Tão pequena e já é tão geniosa quanto à mãe! Rrsrsrs
Todos na sala riam achando a piada engraçada ou fingindo achar, para quebrar o clima de tensão que havia ficado no ar depois que Leah se retirou da festa. Mas eu ainda estava vermelha de raiva e se não fossem os humanos... Eu arrancaria o pescoço dela.
Só Charlie olhava com desconfiança e dizia:
-Como pode se tão parecida com Bella? Tão geniosa e temperamental!!
- É a convivência Charlie. Edward respondia rindo.
As conversas paralelas se formavam e todos já pareciam ter esquecido aquele inconveniente.
-Nesse!! Chamou Jake com um sorriso irradiante no seu rosto. As vezes eu tinha a impressão que ele estava olhando para um diamante ou algo precioso.
- Por que você não toca para nós a sua última composição? Ele pediu
-Ela compõe? Alguém que não consegui identificar perguntou cético.
-Ela compõe tão bem quanto o Pai! Respondeu Bella muito orgulhosa.
Eu comecei a dedilhar as teclas do piano e comecei a tocar a canção que compus para o meu Jake. E quando terminei todos aplaudiam incrédulos do que tinham ouvido.
-Como se chama essa canção? Perguntou Kate.
- Se chama Sol da minha vida! Eu respondi olhando para Jake, quando novamente todos me olhavam espantados sem entender o porque.
- Mãe, estou com sono! Eu resmunguei.
- Vou levar você para o quarto, querida. Disse Bella docemente.
Jake veio até mim e deu um beijo na minha testa e disse:
- Durma bem! Não esquece que amanhã vamos caçar, então descanse querida.
Eu fui para o meu quarto muito cansada e minha mãe arrumava a cama enquanto eu trocava de roupa.
-Vocês vão para o chalé hoje ou dormirão aqui? Perguntei.
- Vamos ficar aqui querida! Temos convidados.
- Te amo mãe!!
-Te amo Renesmee.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Sol da minha vida2

Planos para o futuro
 
Os Volturis foram embora e finalmente o pesadelo parecia ter passado. Era hora de fazer planos para o nosso futuro. Quase todos em minha família concordavam que não poderíamos ficar muito tempo em Forks, pois era muito perigoso manter a farsa. Para todos os efeitos as pessoas achavam que meus pais e meus tios haviam se mudado para estudar na universidade Dartmouth. Assim não poderiam ser vistos na cidade. “Por quanto tempo conseguiriam ficar incógnita em Forks?” Essa era a pergunta que meu pai, Edward,  e meu avô, Carlisle,  faziam constantemente. Por outro, lado minha mãe, Bella, se via em um eterno dilema:  Não podemos deixar Charlie e Jake para trás!” Ela dizia enfaticamente.
 
Todos conheciam os riscos de permanecer ali. Alguém poderia ver minha mãe ou um dos irmãos Cullens e questionar sobre a sua presença. Qualquer pessoa que conheceu Isabella Swan notaria a diferença existente na nova Bella. Sua pele muito branca, os olhos cor âmbar, os cabelos cor de cobre e mais volumosos. Ela virou uma verdadeira top model depois da transformação. Era difícil não perceber a diferença da Bella sem sal para a nova mulher. Todos diziam. Isso sem falar em meu avô Carlisle, que teve que abrir mão do que mais amava. Ele não podia mais trabalhar como médico naquela região onde todos o conheciam. “Como explicaria a sua eterna juventude? Tudo aquilo era perigoso demais para nós. O segredo precisava ser mantido para continuarmos em paz. Os nossos inimigos precisavam de uma pequena brecha para atacar novamente e nós não podíamos dar a oportunidade. Todos concordavam, apesar de eu ser muito jovem para compreender a totalidade do que diziam.
 
Eu crescia em ritmo acelerado, a minha mente já era de uma pessoa adulta, por mais que tentassem esconder as coisas de mim, estava sempre atenta aos acontecimentos da casa. Assim como os outros membros da família, sempre tive ótima audição e conseguia ouvir bem, mesmo quando cochichavam. Assim procurava expressar as minhas opiniões, como uma pessoa completamente independente, mesmo sendo uma pirralha, principalmente quando se tratava do meu futuro. Havia uma parte em mim que queria ser uma eterna criança, passando os meus dias sendo mimada por meu pai, minha mãe, Rosali, Jake, Seth e o restante da família. Isso era extremamente divertido para mim e via com orgulho as disputas de Jake e da minha tia Rosali para me alimentar, quando estabeleciam uma espécie de competição. Ela dava sempre a impressão que arrancaria a cabeça dele fora. Eu realmente gostava das disputas. Aquilo me divertia bastante. Por outro lado, outra parte de mim queria apenas crescer. Ansiava por mais liberdade e poder de escolha. Não queria ser apenas a garotinha indefesa da família. E tanta proteção acabava por me irritar.
 
Eu amava muito Jake e não queria ficar um dia longe dele. Quando ele tinha que cumprir com as suas obrigações de Alfa, eu ficava muito ansiosa para vê-lo novamente. Não sei se comentei, mas além de ser uma híbrida, em uma família de vampiros, meu melhor amigo era o Alfa de uma matilha de lobos transmorfos. Era uma amizade nada ortodoxa, levando-se em consideração que lobos e vampiros são espécimes inimigas. Nas ocasiões em que Jake ia cumprir com suas obrigações o tempo parecia parar. As horas insistiam em não passar tornando tudo insuportável para mim. Era o momento em que aproveitava para ficar com Bella, a minha doce mãe, quando eu podia sentir o seu calor, passar horas no seu colo, sentir o seu cheiro, brincar com os seus cabelos, fazê-la ver imagens coloridas e agradáveis. Ela olhava para mim com verdadeira adoração, parecia que via a imagem de uma verdadeira santa. Aquilo me fazia sentir a pessoa mais amada e importante do mundo. Às vezes eu me sentia diferente pelo que era. Até mal quando pensava não ser completamente humana. Minha mãe, no entanto, fazia com que me sentisse normal. Era muito reconfortante.
 
Edward, meu pai, era lindo e irresistível. Sua voz aveludada, o seu cheiro adocicado, rosto esplendido, e os olhos... Tudo nele era inacreditavelmente incrível. Era muito fácil entender a adoração que minha mãe sentia por ele. Além dos seus atributos físicos ele era extremamente altruísta, conservador, inteligente e amável. O problema nessa perfeição toda era somente o defeito... “Seu gênio era extremamente difícil”. Isso era irrelevante levando em consideração que ele era extremamente adorável. Quando olhava para mim ou se referia a mim, podia-se ver a veneração que tinha em seus olhos... “Mais até do que por minha mãe”.  Sua voz era de reverência ao grande milagre quando ele fala o meu nome. Maior até o de ter encontrado Bella depois de cem anos de vida. Acho que se ele pudesse chorar o faria sempre que me olhava.
 
À noite meus pais me levavam para o nosso chalé, para terem um pouco mais de privacidade. Privacidade em uma família de vampiros era algo que ninguém podia se dar ao privilégio, levando-se em consideração os dons da família e a audição aguçada. Por isso meus pais preferiam o chalé, onde podiam passar as noites se amando. Às vezes acordava a noite e ouvia o grande amor que tinham um pelo outro, em forma de gemidos, sussurros e rosnados. Confesso que aquilo era constrangedor e chegava a aguçar a minha curiosidade. Naquela época eu não sabia nada sobre sexo. Nada é maneira de falar. É claro! Uma criatura que cresceu no meu ritmo lia muito e nessas leituras aprendia “coisas”.  Entretanto, apesar do conhecimento, a minha sabedoria era muito pequena devido a falta de experiência. Assim, ao ouvir os barulhos no quarto dos meus pais, sentia-me extremamente curiosa sobre “o que” ocorria, e principalmente “como” ocorria.
 
Além da minha família de vampiros e dos meus amigos lobos, ainda tinha o meu avô Charlie, que não compreendia muito bem as coisas que aconteciam, como eu crescia tão rápido e como era tão incrivelmente inteligente. Ele havia feito a escolha de saber a menor quantidade de detalhes possíveis. Mas às vezes tentava encaixar as peças para entender a minha ligação com Bella, pois não era humanamente possível ela ser de fato a minha mãe. Apesar disso, algo dizia para ele que ela era. Sempre que Jake ou minha mãe me levavam para vê-lo, havia a surpresa sem sues olhos. Era evidente a descrença, em seu olhar, em relação ao meu crescimento e inteligência.  Mesmo assim não questionava as coisas estranhas que aconteciam porque esse foi o acordo que fizera com Jake e com meus pais. Ele achava que eu era a sobrinha adotada de Edward, mas sempre procurava semelhanças minhas com Bella. Dizia que eu tinha os seus olhos e os seus cachos, além de ser totalmente descoordenada como ela. Sabia, no entanto, que era melhor para não procurar explicações lógicas.
 
Apesar de meu pai não gostar muito, Jake sempre me levava para La Push onde eu me divertia com seus irmãos lobos, com Claire, Emily, Rachael, Kim, Sue e Billy. Todos eram muito amáveis comigo, exceto Leah que parecia ter algo engasgado na garganta. Ela não discutiria com uma criança, de aparentemente 6 anos, e mesmo que ela tentasse Jake tomaria as minhas dores. Mesmo assim tinha a plena certeza da sua repulsa por mim. Era mais claro do que a água. Seu olhar zangado às vezes me dava medo.
Minha vida era quase perfeita afinal. Tinha todos junto a mim e era feliz, amada, mimada. Além de ter todo conforto, amor, felicidade... e Jake. “O que uma criança poderia precisar para ser feliz?” Aquela aparente tranqüilidade começou a passar poucos dias antes de eu completar 1 ano, sete anos aparentemente, quando ouvi uma conversa entre Edward e Jake:
 
-Jacob, temos que conversar. - Disse meu pai com os braços cruzados. A voz parecia apreensiva e triste, enquanto minha mãe estava com uma expressão de dor e angústia. Fiquei atenta a conversa. Sabia que pelas expressões era algo muito sério. Meu coração bateu forte naquele momento e fui tomada por uma estranha angustia. Era a primeira vez que tinha aquela sensação de perda.
 
-O que está ocorrendo, Edward? - Perguntou Jake com tom apreensivo. Eu o conhecia bem para saber que algo estava o rasgando por dentro. Vê-lo naquela maneira me doeu ainda mais. Queria fazer algo para tomar aquela dor. Apesar disso me mantive incógnita para ouvir o resto da conversa. Sabia que se me descobrisse estaria ferrada.
 
- Ness vai completar sete anos e as pessoas vão começar a desconfiar que há algo errado. - Disse meu pai, tentando encontrar a palavra certa para explicar a situação. Ele olhou para minha mãe de forma tão estranha. Acho que sabia como ela estava se sentindo. Ela tinha a mesma expressão de dor de Jake. Eles eram amigos há muito tempo e muito cúmplices. Se havia algo que odiava era fazer o amigo sofrer.
 
- Se você se refere a Charlie e as pessoas em La Push, pode ficar tranqüilo. Todos sabem o suficiente. - Jake respondeu na defensiva. Sua voz estava mais rouca do que normal. Parecia sussurrar enquanto falava. Percebi o esforço que fazia para não perder o controle.
 
- Você não está entendendo. Já estamos há mais tempo que deveríamos em Forks. Não podemos nem ir até a cidade. Para todos os efeitos estamos todos na faculdade. – Meu pai fez uma pausa e depois continuou. - Está muito perigoso! -Afirmou com uma voz triste.
 
- O que você quer dizer, Edward? Seja claro, por favor! - Ordenou Jake aumentando o volume da sua voz enquanto arqueava uma das sobrancelhas.  Tive a certeza de que ele já sabia o que estava acontecendo. O que meu pai estava tentando dizer... “Iríamos partir de Forks.”
 
- Nós vamos embora! - Disse minha com uma voz quase chorosa. Acho que se ela pudesse chorar as lágrimas estariam rolando pelo seu rosto naquele momento. Eu estava no canto da sala, escondida, mas meu pai podia ouvir o desespero nos meus pensamentos. Percebi como aquilo o fez sofrer. Ele não queria que me sentisse daquele jeito. Se pudesse faria algo para evitar aquilo, mas não tinha como fazer nada. Sofria muito por isso.
 
-Não!! Como assim? Não podemos!! E Jake? Não! Por favor...
 
Jake falou com um tom mais nervoso dessa vez:
 
- Vocês sabem que não vou agüentar ficar longe dela. - A sua voz parecia chorosa e eu pude ver as lágrimas se formando no canto de seus olhos. Chorei ao ouvir as suas palavras. Era desesperador. A dor me corroia por dentro. Não conseguia me ver longe dele. Imaginar acordar um dia sem ver o seu sorriso. Não ter mais as suas brigas com Rosalie. Não poder montar em seu logo e correr pela floresta. Era desesperador pensar em tudo aquilo. Algo dentro de mim começou a se romper quando ele disse que não podia agüentar ficar longe de mim.
 
- O que significa isso? Não conseguir ficar longe de mim? Eu não entendo!!
 
Naquela hora tentei não raciocinar e só me concentrar  na conversa. Eles estavam decidindo sobre a minha vida no final das contas. Precisava saber o que aconteceria daquele momento em diante.
 
- Temos que ir. Não podemos mais ficar. Sei que estávamos matando você mais uma vez Jacob, mas não há alternativa agora. – Minha mãe praticamente gritava. Cada palavra estava rasgando-a por dentro. Tinha certeza disso e acho que Jake também sabia. Mesmo assim ele não conseguia evitar o sofrimento. Eu cheguei a ficar sem ar ao ver sua face.
 
Pude ver o rosto de Jake cheio de lágrimas agora. Parecia um menino naquele momento. Tive tanta vontade de colocar sua cabeça em meu colo e fazê-lo se acalmar. Ele se sentou no sofá, colocou a cabeça nos joelhos e ficou pensativo por alguns momentos... “Algo me dizia que ele estava morrendo por dentro”
 
De repente, os outros membros da família entraram na sala e pude ver a expressão de tristeza em cada um deles, exceto Tia Rosali, é claro, que parecia muito satisfeita com a situação. Eles ficaram observando sem falar nada. Era notória que não gostavam de provocar aquela dor em Jake. Eles o tinham como membro da família. Estavam acostumados com a sua presença constante dia e noite na casa. Meus avós o tratavam como filho, meus tios e meu pai como irmão, Alice fazia dele um boneco. Ela tentava mudar o seu modo de vestir, pelo menos tentava quando ele deixava. Minha mãe tinha uma relação de amizade, mas havia muito mais atrás de seus sentimentos. Naquela época não conseguia entender bem o que era. Todos sofriam com aquela situação. Acho que mesmo Rosalie não gostava do modo como conduziam aquilo, apesar de não deixar aquilo claro em nenhum momento.
 
Alguns segundos passaram, eu não consegui refletir sobre tudo aquilo, estava desorientada demais para pensar logicamente. Dirigi-me para perto de Jake, sentei no chão, coloquei a cabeça na sua perna e deixeis as lágrimas descerem pelo meu rosto, sentindo muita dor rasgando o meu peito, como se parte da minha própria vida estivesse sendo arrancada de mim. Nunca pensei que pudesse sentir tanta dor até aquele momento. Foi a primeira vez que me senti daquele jeito. E um grito saiu pela minha boca sem mesmo me dar conta do que fazia.
 
- EU NÃO VOU!!!!!!!!!!!!!! VOOOUUUU FICAAARRRR COM JAAAAKKKEEEEEE!!
 
Minha mãe olhou arrasada para mim e disse: - Querida, você não pode ficar. Temos que ir embora. É preciso partir... - Quase gaguejando quando dizia. Ela tentou se aproximar, ma seu estendi a mão para impedir. Não queria ninguém naquele momento que não fosse Jake. Nem mesmo o calor da minha mãe me confortaria. Estava sangrando por dentro.
 
- Isso é necessário!!! - Ela terminou arrasada
 
Eu chorava compulsivamente quando Jake me abraçou e desmoronou sem pudor pela presença da minha família. Naquele momento parecíamos duas crianças chorando. Eu sentia os seus braços me apertando, como se não quisesse me deixar partir. O seu corpo estava mais quente do que o normal. Tive a impressão que ele lutava para não se transformar. Mesmo com todo aquele calor, poderia ficar em seus braços para sempre. Era o único lugar em que me sentia confortável.
 
- Quando? - Perguntou Jake com a voz engasgada pelo choro
 
- Depois da festa de aniversário. - Respondeu meu pai virando-se de costas. Sua expressão era de profunda dor. Parecia que alguém estava o torturando naquele momento. Acho que ouvir os meus pensamentos desesperados não ajudou muito naquele momento.
 
Jake me beijou na testa e depois me afastou dele delicadamente. Saiu sem falar mais uma palavra, deixando-me desconsolada.
 
Sai correndo da sala e fui para o meu quarto, onde poderia chorar sem os olhos críticos da família e passar pela minha dor sozinha. Não queria ninguém me consolando. A última coisa que precisava era ouvir a palavra: “coitadinha”.
 
Eu estava deitada na minha cama, com as lágrimas ainda rolando pelo meu rosto, o coração rasgando, falta de ar e um desespero que estava me deixando louca, quando ouvi a sua voz e senti o seu cheiro. Desci as escadas correndo e me atirei nos seus braços.
 
- Oi Ness! - Ele falava enquanto eu o abraçava tão forte que parecia que eu iria quebrar. Sentia que ele era parte de mim e tinha que aproveitar as ultima horas com o meu melhor amigo. Mesmo com os olhares de desaprovação da minha família. Eu sabia que eles não aprovavam tanta aproximação. Principalmente meu pai, que se mostrava ciumento.
 
Depois de alguns segundos Jake falou:
 
-Olá! Tenho que conversar com vocês! – Disse com tom cerimonioso. Era até estranho vê-lo falar daquela maneira. Normalmente era mais descontraído, mas era compreensível levando-se em consideração o que estava ocorrendo.
 
- Pode falar, Jacob. - Disse Carlisle.
 
- Tenho uma proposta. – Disse arqueando uma das sobrancelhas e fitou a família, esperando uma reação as suas palavras.
 
- Estamos dispostos a ouvir e chegar a uma solução. - Disse meu pai. Acho que ele já havia lido os pensamentos de Jake, pela cara que fez naquele momento. Mas não era mal educado para não o deixar falar para a família. Eu queria muito ter o seu dom naquele momento. Estava me corroendo por dentro de tanta curiosidade.
 
- Vocês vão e se estabelecem... Depois eu vou e arrumo lugar próximo a de vocês. - Jake falou me apertando mais forte em seus braços, como se tivesse mede de me soltar e eu sumir dali. Acho que a sua vontade era a de fugir comigo naquele momento. Mas ele não era burro para tentar escapar de um monte de vampiros. Se tivesse sozinho ainda teria alguma chance. Comigo de contrapeso aquilo era quase que impossível.
 
-Como assim? Você vai embora conosco? Vai abandonar a sua matilha? – Minha mãe perguntou assustada. Acho que nem ela imaginava que ele fosse capaz de um ato daquele. Ela  já sofria muito por ele, apesar de não ter como ajudar, nunca achou que fosse tomar aquela atitude. Ela sabia como ele era ligado aos irmãos da matilha e a sua família. Principalmente como amava aquela reserva. Nem eu acreditei quando disse aquelas palavras.
 
- Sim, eu vou! Já conversei com Sam e os outros... Todos concordaram. - Jake fez uma pausa e respirou fundo enquanto a sala permanecia em silêncio. Uns olhando para os outros sem terem o que dizer. “Como poderiam se opor diante de tal proposta?” Ninguém abriria mão da vida como ele estava fazendo. Era um gesto mais do que louvável da parte dele, considerando que não éramos nem parentes. “O que aquilo significava?” eu me perguntei naquele momento. Meu pai me olhou atônito naquele momento.
 
- Eu virei para casa nos fins de semana para visitá-los, até a hora de voltarmos para Forks. Talvez em 6 ou 7 anos... Quando Ness parar de crescer. - Ele concluiu ainda respirando rápido. Estava completamente decidido. Tive a certeza disse pela forma como falava. E conhecendo o bem, como conhecia, sabia que não mudaria de idéia por nada nesse mundo. Mesmo que minha família não o aceitasse, ele iria atrás de nós de uma forma ou de outra.
 
O silêncio foi insuportável, mas tia Rosali tratou de quebrá-lo com seus gritos histéricos.
 
- NÃO!! NÃOO!!! ISSO É ABSURDO. – Ela estava muito brava. Sabia que a causa era perdida, mas não deixaria de lutar. Estava convencida que logo o deixaríamos para trás e agora ele iria junto conosco.
 
- Cale a boca, Rosi! Isso não é decisão sua. - Disse Esme irritada. Ela amava Jake como um filho. Mesmo com a diferença de raças, procurava não fazer distinção e amava cozinhar para ele. Virou uma ótima cozinheira por conta disso. Não gostava quando Rosalie o tratava como um cão sarnento. Alias ninguém gostava, nem mesmo Emmett para dizer a verdade.
 
- Como pode aceitar, Edward? Você vai permitir esse cachorro morando conosco? - Rosali continuou irritada, protestando e esbravejando o quanto podia. Fuzilava Jake com os olhos. Acho que se ela pudesse, teria o matado naquele momento.
 
-Carlisle? Como pode? - Ela completou. Olhou para o resto da família, procurando apoio, mas não teve nenhum. Ninguém se opôs.
 
- Você está certo disso? - Perguntou Carlisle com um tom inquisitivo. Ele se mantinha calmo como sempre, mas podia perceber a sua inquietação. Meu avô sempre procurou fazer o melhor para a família. E naquele momento, o melhor era me fazer feliz. Só que a isso tinha que manter perto de Jake. Mesmo que inconcebível a relação entre raças, ele, assim como os demais, excluindo Rosalie, passavam por cima das diferenças pelo meu bem.
 
- Sim, estou certo! Eu não tenho alternativa. - Jake disse com uma voz calma e serena.
 
Carlisle pediu uns minutos para a família se reunir e discutir a questão em outro cômodo da casa. Enquanto Jake e eu fomos para fora de casa. Ficamos nos olhando calmamente por alguns momentos, sem precisar falar nada porque sabíamos exatamente o que o outro estava pensando. Era estranho aquela ligação que tínhamos. De certa forma até reconfortante para os dois.
 
- Eu não vou deixar você, pirralha! - Ele riu encantadoramente. Pela primeira vez o vi descontraído. Nem parecia o mesmo de momentos antes. O sorriso iluminava todo o rosto e o deixava mais bonito.  Fazia meu coração se encher de calor. Naquela época Jake já era o meu sol particular.
 
- Eu também não quero ficar longe de você, Jake. Você é meu melhor amigo... É quase o meu irmão. - Eu disse inocentemente. De certa forma era verdade. Não havia malícia em meus pensamentos naquela época. Eu o via apenas como um irmão. Talvez até mais. Havia uma ligação mais forte do que poderia explicar.
 
Ele mexia nos meus cabelos quando Esme nos chamou:
 
- Jacob! Nesse! Precisamos de vocês. – Disse com tom urgente e assentimos com a cabeça.
 
Nós entramos e ficamos ouvimos Carlisle falar sobre os planos para o nosso futuro. Tudo parecia extremamente simples a primeira vista. Eu desconfiava que teríamos problemas, mas não diria nada para ninguém, exceto meu pai, que podia ouvir os meus pensamentos. Isso era outra coisa. Ficaria apenas entre nós.
 
- Nós nos mudaremos para uma cidade no Canadá, que não ficaria muito distante de Forks, Jake e Ness serão nossos novos filhos adotivos. – Disse com naturalidade.
 
- Você terá que concordar em morar conosco, já que está abrindo mão da sua vida para ficar com a nossa família. Não permitirei que passe nenhum tipo de necessidade e custearei seus estudos e sua estadia. Você irá para a Universidade, junto com os outros membros da família. E terá os mesmos direitos e deveres. – Continuou falando de forma polida. - Depois que todos terminarem de cursar a Universidade, e Ness estiver aparentando uma adolescente de 16 anos, voltaremos para Forks e nos instalaremos novamente.
- Ness começará na escola na High schooll de Forks e todos já terão uma profissão, sendo capazes de passar por adultos de 25 e 30 anos, com seu próprio negócio de fachada.
 
Jake balançou a cabeça em sinal de positivo e disse: - Concordo com tudo o que vocês quiserem, mesmo que tenha que me humilhar e se sustentado por sanguessugas, desde que não fique longe de Ness.
 
- Você tem certeza disso? - Perguntou Carlisle, olhando inquisitivamente enquanto franzia o cenho. Ele sabia do que Jake estava abrindo mão...”O seu orgulho”. Não queria lhe impor nada, mas não o deixaria passar privações por causa da família.
 
- Absoluta!! - Ele respondeu sinceramente. Se estava fingindo, fez muito bem. Não notei qualquer sinal de hesitação em sua voz ou expressões. Estava ciente dos seus atos. Eu não entendia bem como alguém era capaz de tantos sacrifícios. Mesmo assim agradecia por não permitir ficar longe dele. Acho até que foi egoísmo meu. Sei que foi. “Mas como pensar diferente? Sem Jake acho que morreria de solidão e de frio.”
 
- Jake, Você vai abandonar a matilha? Você não pode!! - Eu falei olhando em seus olhos. Tentei deixar o meu egocentrismo de lado. Ser altruísta como meus pais. Acho que ele percebeu que não estava sendo tão sincera como tentava parecer. Fui muito mimada desde que nasci e agir em pró da felicidade dos outros não era o meu forte. Normalmente as pessoas faziam isso por mim. Não o contrario. Não era fingimento. Eu me preocupava com ele sem a sua matilha. De verdade! Eu me preocupava. No entanto, acho, que minhas palavras não o convenceram.
 
- Eu já conversei com Sam e acertamos tudo. Eu virei para La Push nos fins de semanas e nós ficaremos conectados quando eu estiver na forma de lobo. – Disse da forma calma. Sabia que por dentro ele estava sangrando. Nunca havia se afastado dos seus. Ele tinha uma escolha e obviamente eu estava em primeiro lugar. Senti-me péssima com aquilo.
 
- Você vai abandonar tudo por mim? - Eu sabia que era egoísmo da minha parte desejar isso, mas eu queria entender os motivos dele. Só queria entender porque era mais importante do que os seus irmãos, família e o lugar que amava.
 
- Quando você nasceu... - Ele suspirou olhando para mim. Havia um brilho diferente em seus olhos. Não consegui identificar exatamente o que era. Ele me olhava como se fosse o mais precioso diamante.
 
- Eu prometi que protegeria você de todos os perigos. Esse mundo é cheio de criaturas estranhas vampiros e lobisomens, acho que bruxas e feiticeiros... Além dos assassinos italianos. - Ele riu para mim de forma zombeteira. Sabia que ele se referia aos Volturis. Ele sempre se preocupava com um possível ataque. Quando estávamos na floresta, qualquer barulho o deixava alarmado.
 
- Eu não poderia ficar tranqüilo sabendo que uma dessas criaturas poderia te fazer mal. Eu ficaria muito preocupado e por isso prefiro manter você na minha vista. - Ele terminou como se aquilo fosse natural.
 
- Jake, Eu sinto muito por obrigá-lo a isso. – Minha mãe disse olhando tristemente para ele. Ela sabia como seria para ele abrir mão de tudo. Ela fez a sua escolha e sabia o que aquilo significaria. Não queria vê-lo se arrepender por se associar sua espécime.
 
- Não se angustie, Bella. Eu sempre soube que um dia isso aconteceria. - Ele respondeu olhando para ela. Houve uma cumplicidade estranha naquele olhar. Eles sempre faziam isso. Pareciam conversar apenas com o olhar. Não sabia o que aquilo significava. Apenas achava estranho que meu pai não ficasse bravo com os dois. Às vezes ele era extremamente ciumento quando se tratava de Jake.
 
- Eu já te fiz tanto mal e agora... – Minha mãe não completou a frase. Acho que estava chorando por dentro. Quis entender o que ela quis dizer com “ Eu já te fiz tanto mal” Sabia que havia segredos entre minha mãe e Jake. Odiava aquilo. Realmente odiava. Era possessiva em relação a ele e saber que havia uma ligação entre os dois, uma cumplicidade que ninguém me explicava direito me deixava ciumenta. Ele a olhava como se disse que não precisava falar mais nada. Era estranho quando fazia isso. E ao me ver suplicante, começava a falar para que eu compreendesse o que passava. Eu me sentia uma idiota. 
 
- Você sabe que eu sempre te amei, Bella. Eu nunca quis ficar longe de você. Mas agora isso é inevitável para mim. Não há outra forma... – Ele hesitou olhando ora para mim e ora para ela. - Eu não tenho escolha.
 
Eu não tenho escolha... O que queria dizer com aquilo? Será que algum dia me explicaria essas coisas?
 
- Eu sempre quis que fossemos uma família, mas não queria que você abandonasse tudo. - Ele sussurrou angustiada.
 
- Eu não estou abandonando nada. – Ele respondeu exasperado. - Estou seguindo a minha vida!! Não se lamente por mim. - Ele ficou olhando para ela, enquanto eu e o resto da família olhávamos para ele com pesar.
 
- Ness, você toca uma música para mim? - Jake pediu quebrando aquele clima pesado. Abriu um sorriso e fingiu que nada demais acontecia. Mas eu sabia que por dentro ele estava chorando. Acho que todos sabiam na verdade. Ele sabia fingir bem quando queria.
 
- É claro, Sr Black. - Eu ri para ele enquanto me dirigia para o piano. Estava com coração desolado. Mesmo assim decidi tocar a música com toda a minha alma. Sabia que ele adorava me ouvir tocar. Era o mínimo que podia fazer diante daquele sacrifício. Ele renunciava a vida que tinha para ficar ao meu lado. Jurou me proteger de tudo e de todos. “Mas quem protegeria o seu coração?” Eu queria fazer isso. Juro que queria.  Mas como poderia dar a ele algo que se igualasse a tudo que deixava para trás? Era um grande sacrifício para qualquer um. Até mesmo difícil de entender. Eu me perguntava os seus motivos e apenas não conseguia encaixar as coisas. Ele dizia querer me proteger, mas eu já estava protegida. Minha família era mais do que capaz disso. “Então qual motivo de tanta insistência?”
 
 
 
Naquela noite eu fui dormir pensando em tudo que minha mãe e Jake falaram. Tentei entender o significado daquelas palavras.
 
O que ela quis dizer? Como ela o fez sofrer? O que significava aquilo tudo? Por que ele precisava me proteger se eu tinha uma família de 8 vampiros? Eu sou egoísta demais a ponto de o permitir aquela loucura?Sim! Eu sou!
 
Algo dentro de mim gritava para fazê-lo ver as conseqüências dos seus atos. Queria mostrar a ele que não poderia abrir mão de sua vida por mim. Outra parte, entretanto, dizia para continuar a ser egoísta e mimada. Afirmava que eu não sobreviveria sem meu “Sol particular”. Pela primeira vez na vida eu vivi um grande conflito interno. Minha mente, tão prematura, lutava entre a razão e a emoção. No fundo eu só queria ser uma criança, sem preocupações ou aborrecimentos. Queria manter a vida confortável que tinha. Meu coração doía tanto, que era difícil esconder de meus pais a minha aflição. Mesmo a minha mãe, que não podia ler mentes, via em minhas expressões a totalidade da minha angústia.
 
Como sobreviver a todas essas mudanças, quando se é apenas uma criança crescendo rápido?”
 
Eu queria obrigar o meu corpo a não crescer. Era tão desesperador viver com todos esses conflitos.  Mas um dia eu pretendia entender o que tudo aquilo significava. Estava pensando sobre aqueles fatos quando cai no sono.