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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Epílogo
Jacob andava de um lado para o outro na sua propriedade de Essex. Desde o seu restabelecimento, decidiu que se afastaria da política e da câmara dos Lordes para dedicar a sua família. Ele e Nessie só estiveram em Londres apenas uma vez, para a apresentação pública da nova duquesa de Telford para a sociedade. Era necessário que todos soubessem que ele havia lhe tomado como esposa e que qualquer mácula na sua reputação deveria ser esquecida.

sábado, 16 de junho de 2012

Medo de Amar – Final

Horas haviam se passado e o duque estava impaciente. Agora ele fazia jus a sua fama de duque sombrio. Esbravejava com os serviçais e até mesmo com os hospedes. Ninguém havia encontrado sinal de sua noiva na propriedade e já era hora do jantar. Estava bravo com a ausência dela e preocupado. Ela não era de sair da propriedade, ainda mais desacompanhada e sem avisar. Jacob resolveu ir até os seus aposentos e tentar encontrar uma missiva que explicasse o desaparecimento. Era bem possível que os criados não houvessem encontrado.


domingo, 10 de junho de 2012

Medo de Amar 16

Jacob a beijava com sofreguidão, sem ao menos permitir respirar um poucos. Suas mãos pareciam estar em todos os lugares, acariciando o seu corpo de forma no mínimo indecorosa. Nessie tentou se afastar algumas vezes, mas ele parecia faminto de seu afeto. Quando o beijo terminou, os dois estavam ofegantes e excitados. Ela bem sabia reconhecer os sinais, depois de tantas intimidades que tiveram.

domingo, 27 de maio de 2012

Medo de Amar 15

Edward estava arrasado e consumido por um ódio o deixava completamente sem lucidez. A única coisa em que pensava era vingança. Ele queria fazer o duque pagar pela humilhação e dor que havia sofrido. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, enquanto praguejava em seus aposentos. Seu valete, mesmo a contra gosto, o limpou e depois partiu ao ver o seu estado de loucura. Já era difícil demais ter passado por tudo aquilo e precisar da ajuda de outras pessoas só fazia a humilhação consumir cada órgão do seu corpo.

domingo, 20 de maio de 2012

Medo de Amar 14

O final desse cap está bem pesado. Se você não tem muito estômago, sugiro parar quando Edward chegar a mansão para sua iniciação.

Os planos eram executados exatamente como Jacob queria. Dias antes o seu administrador lhe informara que já havia conseguido uma quantidade razoável de promissórias para tirar tudo o que Lord Colchester tinha e ainda enviá-lo para a prisão dos devedores. Ele ordenou que seu empregado entrasse com uma ação na justiça, pedindo um pagamento imediato do montante do dinheiro. Sabia, no entanto, que o magistrado daria ainda um mês para o outro quitar a dívida.

sábado, 19 de maio de 2012

Medo de Amar 13

Jacob acordou com os primeiros raios de sol adentrando pelas pequenas frestas contidas nas janelas do aposento. A claridade alaranjada indicava que um novo dia começava e precisava continuar com seus planos. A noite que passou com Nessie, que ainda permanecia aninhada em seus braços, fora a melhor da sua vida. Ele nunca se esqueceria dos toques, dos beijos, gemidos, mas sobre tudo do medo que viu em seus olhos. Estava, mais do que nunca, determinado a fazer Colchester pagar pelo que havia feito. A humilhação não seria suficiente para ele. Jacob se inquietava com isso. Já havia traçado alguns planos, mas ainda estavam muito vagos. Precisava colocar em ação.. Agora, ainda mais do que antes, era necessário fazer o homem que desonrara brutalmente aquela jovem pagar pelo seu feito.

sábado, 28 de abril de 2012


Medo de Amar 12

Depois de se assear e de colocar uma vestimenta mais adequada, Nessie foi ao encontro de Jacob. Ela estava muito nervosa, com o coração batendo em descompasso, estranhas sensações em seu corpo e uma ansiedade consumindo a alma. Estava consumida pela curiosidade de saber sobre tudo o que havia acontecido desde sua partida, mas acima tudo passar um tempo com ele. Era bom desfrutar de sua companhia e ser tomada por aquela avalanche de sentimentos. Foi ao seu encontro na sala de descanso. Mal podia se agüentar de agonia.

Jacob estava vestido de forma menos formal. Trajava uma calça negra de montaria e uma camisa branca de linho, até o pulso. Os botões da gola, e mais alguns abaixo dele, estavam abertos, deixando o peitoral definido à mostra. Ela nunca imaginou assistir um homem da importância do duque vestido como um camponês. Chegou a perder o fôlego com aquela visão, mas fechou a boca, abaixou a cabeça e tentou se recompor, apesar do ardor em suas bochechas indicarem que havia corado pela vergonha.




O local era reservado, simples e acolhedor, apesar de nada na mansão do duque parecer “tão simples”. Mas a pequena sala florida, com a enorme janela, que dava uma visão plena no jardim, móveis na cor marfim, tapeçaria em tons pastel e motivos florais. Os quadros também possuíam desenhos florais, mostrando a beleza da natureza.

- Milady! – Jacob fez uma mesura ao vê-la e ela retribui o gesto, segurando o vestido com uma mão em cada lado da saia e uma leve inclinação de cabeça. Ele abriu um leve sorriso e ela quase perdeu o fôlego com aquela visão tão sublime. Já vira homens bonitos na vida, mas o duque tinha algo de especial e exótico.

- Milorde! Conseguiu se refrescar? – Ela perguntou de forma casual, apenas para puxar conversa. Ele caminhou alguns passos em sua direção, segurou a mão com delicadeza e a levou aos lábios, depositando gentis beijos que queimavam a sua pele e faziam um fogo se espalhar por todo o corpo. Havia se esquecido de colocar as luvas. Estava tão acostumada sem elas, que sempre se esquecia se vesti-las.

- É muito bom poder me assear depois de uma viajem tão longa e cansativa. Realmente precisava trocar de roupa e em banhar. – Os dois se sentaram, frente a frente na uma pequena poltrona.

- O que aconteceu após a minha fuga? Como Edward reagiu? Estava a morrer de curiosidade. – Nessie perguntou ansiosa por notícias de Londres e de sua amiga.

- Ele fez um escândalo. Temo que sua reputação esteja manchada após a indiscrição dele. Mas depois que nos casarmos, todos se esquecerão desse pequeno deslize. – Disse ele com menosprezo a opinião da sociedade.

- Como assim escândalo? – Ela questionou franzindo o cenho de preocupação.

- Começou a procurá-la pela festa e alardeou a fuga. No dia seguinte praticamente invadiu minha casa com um magistrado e depois acionou a Scottland Yard. Acho que seu desespero é tamanho, que foi capaz de colocar um desenho com sua caricatura no jornal. – Nessie continuava a escutar o relato do seu duque. – Mas o que é dele está guardado.

- O que planeja fazer com ele? Não vai matá-lo, vai? – Perguntou receosa. A fama do duque era conhecida, mas jurava que nem a metade do que diziam sobre ele era verdade. Porém a forma como Jacob demonstrava a respeito de Edward a preocupava.

- Eu não vou matá-lo... Não agora! Já ouviu que a vingança é um prato que se come frio? Que os melhores vinhos são sempre os mais velhos? Quanto mais o tempo passa, melhor fica o seu sabor. Quero saborear minha vingança de forma calma, lenta e me deleitar com cada pequena derrota. Só quando ele estiver destruído... Ai... – Ele a olhou. – Então eu o farei sofrer dor física. Não antes da desonra, humilhação, desprezo e loucura. Ainda estou planejando como acabar com ele.

- Da forma como fala, chego a sentir medo. – Nessie estremeceu. – Quero que ele pague pelo que me fez, mas não quero que faça algo ilícito ou perigoso. – Ela o observou e por um momento podia jurar ter visto um sorriso malvado brincando em seu rosto, como criança travessa que acaba de receber o doce. O duque estava tramando algo, mas não queria tomar partido. Quanto menos soubesse, menos sofreia sua consciência.

- Você não precisa ter medo de mim. Eu nunca faria algo que a magoasse. – Ele pousou as costas de suas mãos em seu rosto e fez uma leve carícia. – Entenda uma coisa, minha preciosa. Quando eu sou bom, eu sou ótimo. Quando sou mau... Sou terrível. Eu não precisarei usar as mãos  para ele morrer. Quando acabar com seu primo Edward, ele mesmo tirará sua vida. – Ele a puxou para si e a abraçou. – Agora vamos dar um passeio e conversar um pouco. – Ele disse e ela assentiu.

Nessie esperou que a governanta viesse avisar que tudo estava pronto, como o duque havia pedido, e depois saíram de braços dados. Ela se sentia uma princesa, sendo conduzida pelo sem príncipe em seu reino. Os criados, que os viam passar, apenas se reverenciavam e sorriam de forma satisfeita. Nessie sentia-se feliz ao perceber que havia mais que medo ou respeito pelo duque. Os criados realmente gostavam dele. Chegou a ouvir, algumas vezes, que o duque era um homem bom e justo, que pagava aos empregados de acordo com seus trabalhos, fazia doações para as obras de caridade da paróquia local e sempre que algo ruim acontecia, como um alagamento ou doença, o administrador fazia questão de atender aos arrendatários da terra ducal.  Nessie sabia como a maioria dos nobres era e não ligavam a mínima para as necessidades do povo. O próprio pai fora um homem mesquinho e avarento, cedendo apenas as migalhas aos mais pobres. Isso quando o fazia. Começava a sentir orgulho daquele homem, mesmo o conhecendo tão pouco.

Ao chegarem à entrada da propriedade, o cavalariço os esperava com duas montarias belíssimas. Nessie amava montar e correr pelos pastos, mas se sentia tímida diante do duque. Seria a primeira vez que ele presenciaria suas qualidades de amazona.

O vestido de musselina que trajava era relativamente simples e não possuía armação. Ela raramente usava aquele tipo de roupa. Também não usava o espartilho, que a ajudava a respirar sem dificuldade. Contudo, ao montar, suas pernas ficariam um pouco expostas na cavalgada. Não havia planejado aquilo e por isso não pôs o traje de montaria, mais adequado ao tipo de ocasião. Mais uma vez sentiu uma onda de inquietação dentro de si. Respirou fundo, olhou o semblante de Jacob apenas uma vez e tomou coragem para seguir em frente.

Ele a pegou com tanta facilidade, que parecia uma criança em seu colo. Quando percebeu, já estava montada na égua branca, puro sangue, com uma pelagem tão bonita, longa e brilhante. Nessie adorava aquela égua e já estava habituada a montá-la. Passou a mão sobre sua crina e sorriu ao sentir a suavidade do pelo do animal. Ao virou o rosto, viu que Jacob já estava montado em um belo garanhão negro. A visão era simplesmente espetacular.

Os dois cavalgaram, com a brisa suave açoitando seus rostos. Nessie tentava alcançar o duque, mas ele era mais rápido e imbatível em seu cavalo negro. O animal bem fazia jus à fama do dono, com a pelagem tão negra como uma noite sem lua ou estrelas.

Assistir ao duque naquela cavalgada, mesmo que comendo a poeira, fazia se sentir a mulher mais afortunada do mundo. Apesar de sua desgraça, ele a aceitava com seus defeitos. Não fazia cobranças e era além de tudo paciente e compreensivo. Pensar sobre isso, deixava-a angustiada. Sabia que não poderia se entregar de corpo e alma; e Jacob merecia mais do que podia dar. Mas não era capaz de se afastar dele. Estava tão enredada na teia de seus encantos, que não sabia como se desvencilhar dela.

Após uma longa corrida, Jacob a conduziu para a parte mais afastada da mansão, onde havia um bosque com um pequeno córrego. Nessie já havia nadado no lago, mas na parte mais próximas as terras ducais. Nunca se atreveu a ir tão longe e se embrenhar tanto no meio daquele mato. Ele, no entanto, parecia conhecer a propriedade como suas próprias mãos.

- Ao que parece milorde conheces bem essas terras. Muito me estranha que um homem com tantas responsabilidades e necessite passar tanto tempo na cidade grande, conheça tão bem esse lugar. – Disse Nessie, ainda ofegante pela longa corrida.

- Existem muitas coisas que não sabes de mim, milady. – Respondeu ele em pleno vigor. – Mas teremos tempo para conversar e saberás o que quiseres sobre mim, minha preciosa. – Ele desceu da montaria, depois segurou as rédeas do cavalo e o amarrou em uma árvore. Depois voltou e a ajudou descer da montaria, prendendo em seguida a égua.

Jacob pegou a cesta que estava presa ao seu cavalo, segurou a sua mão e a conduziu pelo bosque, guiando-a para o local que queria repousar e conversar. Os dois andaram alguns metros e logo chegaram ao córrego, que desemborcava em uma linda lagoa. Nessie fechou a boca e abriu algumas vezes ao perceber a beleza do lugar. O sol se infiltrava pela copa das árvores, formando vários filetes de luz brilhantes. Era algo mágico de ser ver. Chegou a perder o fôlego e se sentiu em um verdadeiro paraíso. A brisa era suave e acariciava o seu rosto de forma gentil em breves carícias que a deixavam arrepiada. O cheiro de mato e terra molhada a fazia se sentir bem. O cenário estava perfeito aquela tarde. Ela tinha exatamente tudo; um lugar mágico e o homem mais encantador que já conhecera. Pela primeira vez na vida, ela percebeu que valeu a pena continuar a viver, só para passar por aquele momento. Do contrário passaria pela vida, sem conhecer a sua verdadeira beleza.

Nessie ficou perdida em seus pensamentos por algum tempo e quando se deu por si, Jacob estava abrindo um lençol à margem do córrego, onde colocou a cesta e deitou. Depois ele estendeu a mão para ela e ficou a observando com o olhar travesso. Ela lhe entregou mão sem pestaneja e se sentou com leveza de uma dama ao seu lado. Arrumou o vestido e ficou observando o objeto de sua adoração.

Jacob tirava as botas e as colocava ao lado da toalha. Ela percebeu que seus pés eram grandes, com uma coloração bem clara, em contraste com o tom da sua pele. E quando ele puxou a calça de montaria a altura do joelho, Nessie viu que soas pernas eram enormes, bem torneadas e cabeludas. Nunca havia visto as pernas de um homem, mas tinha certeza que nenhum deles as tinham tão belas quanto a ele. Depois disso, ele desabotoou um pouco mais a camisa, estendeu as pernas, colocou as duas mãos atrás da cabeça, fazendo-as de travesseiro e ficou deitado, observando a beleza que transpassava pela luz que se infiltrava pela copa das árvores. Ele olhava, sem dizer nada, parecia bem pensativo, como se lembrasse de algo.

- O que posso dar pelos seus pensamentos? – Ela interrompeu os devaneios dele, que virou a cabeça lentamente e sorriu de forma encantadora para ela.


- Apenas o prazer de sua companhia, minha graciosa. – Ele respondeu com a voz calma e tranqüila, praticamente em sussurro.

- Como conhece tão bem esse lugar? Passou muito tempo aqui na infância? – Nessie o interrogou e se deitou de lado, olhando para o rosto dele. Os dois ficaram assim, deitados lado a lado, apenas se olhando com uma intensidade, que chegava a tirar o fôlego. Se pudessem, ambos, parariam o tempo e manteriam apenas aquele momento. Havia apenas eles, a beleza da natureza, com um amor tão grande que roubava a capacidade de raciocínio.

- Quando era jovem amei uma mulher. Aliás, eu achava que era amor. Faria tudo por ela, até desafiar a minha família pelos meus sentimentos. Ela era pupila de minha mãe e foi educada para fazer um ótimo casamento, mas meus pais não a consideravam a altura de ser uma duquesa. Um dia eu voltei da escola... Sabe quando a pessoa tem aqueles arroubos e foge? Eu larguei Oxford e fui para casa ver Caroline. Só que tive uma surpresa desagradável. Eu a peguei no estábulo, fornicando... – A voz de Jacob estava cheia de amargura e por alguns segundos ele não conseguiu falar. 

- Tudo bem! – Nessie o tranquilizou, passando a mão sobre o seu rosto, fazendo pequenas carícias para acalmá-lo. Ela queria que ele percebesse que tudo estava bem.

- Não! Eu preciso falar. – Ele respondeu e continuou olhando no fundos dos olhos dela. Por um momento, ela pensou que ele fosse chorar. Seus olhos encheram de água, mas Jacob engoliu o choro, cheio de orgulho e continuou, sem derramar uma lágrima se quer. – Meu pai... A mulher que eu amava era amante do meu próprio pai. Aquilo me destruiu. Eu nunca consegui perdoá-lo. Nunca! Nem quando estava em seu leito de morte fui vê-lo. Todos comentaram a minha ausência no velório. Mas de uma coisa aquilo me serviu. Eu me tornei o que sou hoje. Esse homem que sou devo aquela decepção.  – Jacob nunca havia falado no fato durante aqueles anos. Contou, brevemente, o ocorrido aos amigos meses depois quando voltou a Oxfod. Mas não em detalhes. – Eu surrei o meu próprio pai, eu odiei o mundo, a vida e as mulheres. Naquele dia, jurei que nunca amaria novamente. E aqui que me refugiei por meses. Esse era o meu cantinho perfeito. Nadava nessa lagoa, cavalgava por essas terras e pude conhecer as pessoas que vivem aqui.

- Oh, meu querido! – Nessie exclamou condoendo-se por dele.

- Não sinta pena de mim, meu amor! A dor já passou, apesar de eu ainda sentir pelo que meu próprio pai me fez. Ele não só feriu o meu orgulho, mas roubou o meu coração e os meus sentimentos. Por isso, por muitos anos, eu tive medo de me envolver. Tive muitas amantes e gostei de algumas, mas amar... Amor é algo diferente. Nunca me permiti ficar tempo o suficiente com alguém para sentir amor. Até você chegar e... – Nessie sentiu uma pontada de ciúme em seu coração. Saber que Jacob já havia amado loucamente uma mulher e se envolvido com muitas a deixava insegura. Ela não tinha nada especial, para que ele se quer olhasse para ela. Ela se encolheu e desviou o olhar dele.

- Por quê? – Ela questionou com a voz fraca.

- Por que o quê? – Ele devolveu a pergunta sem entender o questionamento.

- Eu? Por que eu? Não tenho nada demais. Minha tia dizia que esses meus cabelos me dão um ar selvagem, as sarnas que tenho nas bochechas, esses olhos que não combinam. Ela sempre me dizia que tinha aparência de uma cortesã. – Ela deu de ombro e se sentiu como um inseto insignificante.

- Eu me apaixonei por você sem ver seus olhos. Sem notar o ruivo dos seus cabelos. Você estava desacordada e parecia uma serviçal. Mesmo assim, acho que foi aquele momento que te amei. – Ele beijou a testa dela e fechou os olhos, lembrando-se do dia em que a salvou. Ela parecia uma boneca de pano em seus braços. Nessie o abraçou forte e beijou seu ombro – Quando eu tive a real noção da sua beleza, já estava totalmente perdido por ti, minha pequena. Completamente perdido. Tentei negar, mas não adiantou. E tive tanto medo... Depois de tudo o que sofri, nunca quis encontrar uma mulher para amar. Sabia que um dia teria que me casar, para gerar um herdeiro. Mas seria apenas um negócio. Nada mais que isso. Só que ao encontrar você, todos os meus planos foram por rio abaixo.

Os dois se olharam novamente e Jacob se levantou. Ficou de pé de costas para ela e continuou falando. – Mulher, você não tem noção do que fez comigo. Quebrou todo o meu orgulho, derrubou minhas muralhas e me tornou esse ser fraco, apaixonado e dependente.  – Nessie se levantou e o abraçou por trás. Queria o contato físico. Precisava, desesperadamente, sentir o seu calor. – Quando a entreguei para sua família, senti como se toda a minha sanidade fosse posta a prova. Os dias que passei sem notícias foram os piores da minha vida. Ai nos encontramos e descobri o noivado com Colchester, e toda a história suja que ele inventou. Virei um farrapo de homem. Senti meu coração sangrar e o desespero me consumir.

- Jacob... – Ela tentou falar, mas ele continuou.

- Você quase me destruiu... Ou melhor, Colchester quase me destruiu com aquela mentira. Mais mentiras, mais traições eram mais do que poderia suportar naquele momento. Era como se toda a traição do meu pai viesse à tona novamente. Eu mal dormi, não comi e me embriaguei por sua causa. – Ele se virou para ela, ajoelhou-se e segurou a sua mão. – Renesmee Wood, Lady de Colchester, aceita ser minha esposa, duquesa, amada, amante, companheira e confidente? – Perguntou beijou sua mão e olhou dentro dos olhos.

Nessie estava ali, com aquele homem “todo poderoso”, temido e desejado aos seus pés, pedindo sua mão, mesmo sabendo de sua desgraça. As lágrimas escorreram instantaneamente em seus olhos e ela começou a chorar de forma compulsiva. Jacob se levantou e a tomou nos braços, protegendo-a, acalmando-a e afirmando todo amor que sentia. Ambos tinham medo, fugiam e achavam que nunca seriam capazes de um recomeço. Mas agora eles estavam ali, entregues, vivendo um momento único. – Por favor não chore. – Ele pedia beijando suas lágrimas.

- Isso é mais... – Ela soluçava muito. – Muito mais do... – Nessie simplesmente não conseguia falar.

- Só diga sim! Diga que também me quer e tudo estará resolvido. – Ele afirmou com confiança, dando a ela todo o apoio que precisava naquele momento.

- Milorde, sabe que sou defeituosa. – Ela respondeu. – Não posso atender suas expectativas como esposa no nosso leito. Sabe disso? Por que insistes nisso? Isso não é justo com nenhum de nós. Todas as vezes que tocares o meu corpo, eu me lembrarei “dele” me magoando, ameaçando, fazendo coisa... Como posso ser egoísta com um homem que me ama tanto? Precisas encontrar uma mulher adequada, pura e que possa ser uma boa duquesa. – Nessie tentou argumentar.

- Não aceitarei um não, querida. Sabes bem que agora não tem volta. E o que acontecerá conosco, na cama,  será apenas consequência do que sentimos um pelo outro. Não negue que me ama e me deseja. Eu a sinto estremecer em meus braços. Vejo o desejo em seus olhos, posso até jurar que sinto o cheiro da sua feminilidade chamando por mim. Nós nos adaptaremos bem juntos e eu a ensinarei as artes do amor, e como pode ser prazerosa a relação entre um homem e uma mulher. Então diga! – Ele ordenou e encarou seu rosto. Nessie não teve como desviar. Simplesmente não teve. Antes que pudesse raciocinar ela disse:

- Sim eu o amo! Amo! Apesar de ainda sentir medo, eu o amo de forma ardente, que chega a doer a sua falta. Sim, eu aceito! Aceito ser sua esposa. E que Deus nos ajude, porque agora não há mais volta, Jacob. Estás ciente da minha limitação. Não sei como será quando... Não posso nem pensar nisso sem sofrer. – Ela respondeu chorando, ciente das consequências da sua decisão.

- Se tem uma coisa que você não sentirá em meus braços é sofrimento querida. Você até pode chorar, mas somente de felicidade e prazer. Eu a levarei ao céu. Isso é uma promessa e sempre cumpro as minhas promessas. – Dito isso, Jacob a beijou com sofreguidão, espalhando uma trilha de fogo por sua pele. Ele a apertou contra o corpo e depois de um tempo, naquele beijo desesperado, os dois caíram na toalha e ele continuou a devorar os seus lábios, deixando-a completamente excitada com seus toques indecentes e o beijo que lhe roubava o fôlego.

- Jacob... Jacob... Vossa Graça... Preciso respirar. – Ela pediu ofegante. Os dois estavam ofegantes, excitados, com os corpos ardendo e suados. Jacob colou sua testa na dela, fechou os olhos e tentou se acalmar.

- Vamos nadar! Precisamos esfriar um pouco as coisas. – Ele saiu de cima dela e começou a tirar as roupas. Nessie tapou os olhos, apavorada, com a visão.

- O que está fazendo? – Ela questionou, observando-o pelas frestas dos dedos. Viu quando ele ficou apenas de calçola, com corpo quase nu, todo esculpido, ombros largos e musculosos, pernas enormes e torneadas. Tudo em Jacob era grande e perfeito. Exatamente tudo.

- Estou indo nadar. Se quiser aproveitar esse lugar, tire as roupas e venha se juntar a mim. – Nessie ficou hesitante por algum tempo.

Quando Jacob já estava dentro d’água, ela o observou nadando. Abriu e fechou a boca para falar, mas não conseguiu. Sentia-se constrangida com a situação. Mas confiava nele, queria estar com ele, mais que isso. Nessie precisava dos braços de Jacob a envolvendo, garantindo que tudo ficaria bem e que com ele estaria segura. Após um momento de hesitação, ela foi para trás de uma moita, começou a se despir lentamente, louca para mergulhar e cair em seus braços. Deixou as roupas penduradas no galho baixo de uma árvore e as sapatilhas sobre uma pedra. Observou o seu corpo franzino, apenas de combinação de pantalona e bata; e quase desistiu daquela loucura. – VOCÊ NÃO VEM? – Ouvir Jacob gritar lhe deu coragem para seguir em frente. Tinha que dar o primeiro passo. Já estava arruinada mesmo. Mais do que isso não ficaria e confiava em Jacob. Sabia que ele não a magoaria.

Nessie entrou na água e nadou até ele. Quando se encontraram, ele a abraçou forte e a rodopiou dentro da água. Os dois começaram a fazer guerra na água, jogando água um no outro, rindo, gritando e aproveitando o momento para trocar carícias. Em determinado momento, Jacob e puxou para si e a beijou com intensidade. Os dois ficaram trocando carícias dentro da água. Ela sentia a protuberância em suas pernas, mas em momento algum ele abusou de sua posição. Continuou beijando, tocando suas curvas e excitando. Mas as carícias pararam ali. Apesar de Nessie já ter se acostumado com o contato das mãos de Jacob, ainda sentia receio quando estavam juntos. Sabia que não poderia dar o que ele merecia, mesmo que bem lá no fundo, bem no fundo, também quisesse aquilo.

Quando terminaram o banho, Jacob saiu da água e Nessie ficou de costas. Não queria ver “certas” partes do corpo dele. Depois que ele a avisou que estava de costas, ela saiu correndo e foi para trás da moita tentar se secar e colocar o vestido. Não queria ir ter com ele com aquela roupa transparente e colada no corpo. Precisava torcê-la e depois esperar que secasse. Assim o fez. Jacob não gostou muito e parecia impaciente quando foi para seu lado.

Os dois saborearam o lanche feito com carinho pela governanta e ficaram deitados mais algum tempo. Eles compartilharam sobre suas infâncias e Nessie sentiu pena, pela criança triste e solitária que ele foi. Como filho de duque, foi criado pelo tutor, aprendendo tudo que um duque necessitava saber. Jacob nunca pode ser criança de verdade. Ainda no berço já se exigia dele o comportamento de um nobre de sua precedência. Na juventude teve poucos amigos e os conservou durante anos. Hoje eles eram os seus maiores aliados e confidentes.

O tempo passou tão rápido, que ao perceberem já estava escurecendo. A claridade que infiltrava pela copas das árvores já havia ficado mais fraca e foi se esvaindo. Havia chegado a hora de retornar a propriedade. Os dois lamentaram pela partida, mas ainda tiveram tempo para trocar mais carícias antes de finalmente montarem nos cavalos e partirem.

[...]

Jacob pediu à governanta que o jantar fosse servido na mesma sala onde conversaram à tarde. Queria um ambiente mais acolhedor e informal para aquele encontro. Quanto menos formalidade houvesse, mais Nessie se sentira a vontade e a relação dos dois fluiria. Ele já havia ganhado uma pequena batalha, mais ainda faltava muito para vencer a guerra. Conhecia os seus traumas, sabia como ela se sentia e já tivera provas em sua casa, quando ela tinha pesadelos. Precisava ir de vagar e ganhar a sua confiança, assim seria mais fácil.

À tarde que passaram juntos foi maravilhosa e inesquecível. Jacob nunca se sentira tão bem com uma pessoa como com ela. Foi difícil fazer revelações sobre a sua vida, o drama familiar que nunca havia superado e do amor perdido, que destruíra quase todo o seu coração. Não todo, porque Nessie era a prova viva de que ainda havia um ser humano dentro do seu corpo. Ela foi capaz de despertar o que ele tinha de melhor, apesar de também inflamar o seu lado mais sombrio.

Quando voltaram do passeio, passou um bom tempo em seus aposentos se asseando para ela. Queria estar impecável quando a encontrasse. Não tinha pressa, pois tinha certeza que ela estava tão nervosa quanto ele, e, naquele exato momento, também estava cuidando da aparência. Jacob riu ao pensar em como os apaixonados conseguiam ser bobos, querendo sempre agradar e mostrar mais do que eram na verdade. Nunca teve essa necessidade, nem com Caroline. Mas Nessie, era tão especial para ele, que tinha essa estranha necessidade dela enxergá-lo além do título. Não queria somente parecer arrogante, polido, superficial e um perfeito duque. Queria que ela visse o homem perfeito nele, não o título e toda a reverência que ele lhe conferia.

Ao pensar nela sorria. Era estranho para ele. Nunca foi de ficar rindo como um bobo, mas enquanto se arrumava sorria e a coisa saia de forma muito natural. Sentia um alvoroço estranho no estômago, olhava-se no espelho, procurando algum defeito naquela roupa simples que escolhera, cheirava os braços para tentar se certificar que estava perfumado. Penteando a cabeleira negra e rebelde. Jacob se sentia um verdadeiro parvo, mas sorria mesmo assim. Era o efeito do amor.

Quando terminou de ser arrumar, saiu de seus aposentos e foi à porta do quarto de Nessie, verificar se já estava pronta para descerem. Duas batidas na porta e ela logo se abriu. A jovem aia fez uma mesura e informou que a jovem Lady já viria ao seu encontro. Jacob colocou os braços para trás, abaixou a cabeça e se controlou para não sacudir a perna. Só lhe faltava, aquela altura, começar com mania de velho. A impaciência o estava consumindo. Se pudesse, certamente, ele passaria 24 horas do seu dia com ela. Aquilo ainda seria pouco.

Pensar no tempo o fez lembrar que tinha compromissos em Londres e precisava voltar logo. Já havia reuniões marcadas no conselho dos Lordes, com pautas importantes que ele não poderia perder. Seu voto era de extrema importância, bem como a sua influência sobre os outros membros do conselho. Além disso, Jacob precisava se reunir com o investigador particular. Ele já havia recebido alguns pareceres bem importantes sobre Colchester e tivera conversa com três de suas amantes. Acabou descobrindo, através de uma delas, que ele tinha gostos sexuais bem interessantes. Ele só precisava de mais umas informações. Tinha que saber quem era o companheiro de quarto de Colchester em Oxford. Aquilo era primordial e a notícia poderia chegar a qualquer momento. Se o que esperava fosse verdade, seu inimigo seria tão humilhado, mas tão humilhado... Ele já tinha um plano traçado para aquilo, mas ainda precisava de sorte. Se seu companheiro fosse membro da Sociedade dos Libertinos de Fogo de Londres, Edward Wood, vulgo Lorde Colchester, passaria a maior humilhação de sua vida. E ele mal podia esperar por aquilo. Só precisava de um nome. Um único nome e seria o suficiente para levar o plano maquiavélico à diante.

A porta se abriu e Jacob abandonou seus devaneios, quando Nessie saiu trajando um lindo vestido azul claro de seda, com decote nada generoso. Bem que ele queria que o vestido deixasse transparecer mais. Pelas lembranças daquela tarde, sabia que ela possuía seios pequenos como peras. Seus cabelos estavam presos em coques feitos com tranças. O rosto estava levemente rosado, assim como os lindos lábios. Os enormes olhos verdes brilhavam muito e o sorriso se alargou quando ela o viu.

- Vossa Graça! – Nessie fez uma mesura, curvando levemente a cabeça e o corpo. – Desculpe por fazê-lo esperar. – Ela estendeu a mão, que ele pegou com delicadeza e levou aos lábios, que roçaram no tecido suave da luva que usava.

- Eu esperaria por você uma vida inteira, minha preciosa. – Disse ele, com tom galanteador. Depois a abraçou e sem que ela tivesse chance para se afastar, tomou-lhe os lábios em um suave e delicado beijo. Nessie se afastou constrangida e abaixou a cabeça. Mais uma vez ela recuava diante da intimidade.

- Algum criado pode nos ver e... – Ele colocou o dedo sobre os lábios, impedindo-a de continuar.

- Todos que trabalham para mim são leais e sabem que não devem fazer mexericos. Se tem uma coisa que não tolero, é mexerico de empregado. Ser discreto é o que importa para mim. Ninguém ousará a dizer nada. – Ele se pousa ao seu lado e deu o braço, entrelaçando o ao dela. – Agora vamos fazer nossa refeição, beber um bom vinho e conversar. Quero saber mais sobre a sua vida.

- Já sabe tudo sobre minha vida, Jacob. – Ela respondeu enquanto andavam, na penumbra do corredor cercado pelas sombras bruxuleantes das velas presas aos castiçais.

- Deve haver algo que eu não saiba e não me cansarei de ouvir tudo sobre você. O que não nos faltarão assuntos.

- Você é sempre assim tão persistente? – Ela perguntou de brincadeira. – Nunca desiste quando quer algo?

- Eu nunca desisto de algo. Quando quero uma coisa, simplesmente consigo.

Os dois continuaram andando pela mansão, passeando pelos corredores até chegarem à sala reservada para o jantar daquela noite. Se dependesse dele, fariam todas as refeições ali. Não agradava nada que tivesse que se sentar há metros e metros de distância, em uma mesa para umas oitenta ou cem pessoas, só para manter a tradição e o orgulho ducal. Aquilo era uma besteira. Quanto menor à distância e o tamanho do cômodo que estivessem, mais acolhedor e entrosados se sentiriam.

O jantar foi servido pontualmente as oito, os dois conversavam sobre comida, sobre os gostos, bebidas e ele lhe falou sobre suas preferências. Nessie não entendia muito de vinho, mas Jacob prometeu lhe mostrar a adega e lhe oferecer o que havia de melhor em Telford House Park. A partir dali, Jacob lhe contou sobre a propriedade e mais sobre a infância, e também sonhos que teve naquele período.

Depois que a mesa foi retirada pela criadagem, os dois sentaram-se na poltrona, ela colocou-se de lado, quase de costas e ele a abraçou. Ficaram assim por um bom tempo, conversando, fazendo carícias e aproveitando aquele momento tão gostoso.

Uma conversa sobre música surgiu, em meios às confissões e gosto, quando Nessie percebeu Jacob começou a dançar com ela, cantarolando algumas canções e ela só fazia sorri. Ele gostou de senti-la assim tão leve e confiante em seus braços. Cada minuto que passaram juntos, a relação ficava mais leve e cheia de confiança.

Quando a deixou em frete a porta do quarto, os dois trocaram alguns beijos e ele pediu que deixasse a  porta de ligação entre os quartos abertas. Jacob percebeu que ela ficou receosa, mas assentiu positivamente ao pedido.

Nessie usava o quarto principal da senhora da casa, mas ela nunca se preocupou porque ele sempre estivera vazio. Contudo, seu dono agora estava naquele quarto. Se ela quisesse evitá-lo bastaria apenas fechar a porta por dentro. Ele percebeu que apesar de receosa, ela também o desejava e não faria isso. O rubor em seu rosto dizia a ele que estava ciente do que aconteceria, e apesar de temer, de alguma forma também necessitava daquilo.
Jacob não estava com pressa. Ele não queria fazer nada demais naquela noite. Pensava apenas em preparar terreno, estimulando-a, excitando e mostrando que as coisas não precisariam ser dolorosas. Sabia, no entanto, que era fundamental ter paciência e ir bem de vagar. Se ele a assustasse, poderia por tudo o que havia conquistado naquele dia a perder. Ele não faria isso, mas lhe mostraria que não havia necessidade de temê-lo e que seriam perfeitos um para o outro, quando ela decidisse finalmente se entregar. O jogo estava só começando, ele só precisava fazer as jogadas certas. Erro, em seu caso, era imperdoável e não aceitável.

[...]

Nessie entrou em seu aposento sentindo o coração palpitar de nervoso. O duque, ou melhor Jacob, havia pedido para deixar a porta de ligação entre os quartos aberta. Se fizesse isso, daria a ele a liberdade para fazer o que quisesse. Ele deixou claro que não forçaria nada, mas era homem e tinha suas necessidades, ela entendia bem. O dia que passaram juntos foi um verdadeiro sonho e Nessie queria continuar em seus braços. Foi muito bom senti-lo tão perto, com os braços fortes e musculosos circundando-a. Ela já estava se acostumando com aquele contato e sentia falta dele. Sabia que era errado. Caso aquilo viesse a público, sua reputação ficaria ainda mais manchada. Apesar disso, não conseguiu resistir aos seus encantos. Estava completamente apaixonada por ele. Aquilo era irremediável naquele momento.

A aia veio ao quarto para ajudá-la a se despir e ela ficou calada, pensativa, tentando tomar a sua decisão enquanto a moça a ajudava. O tempo passou e Nessie se sentou em frente ao espelho, para que a jovem escovasse os seus cabelos. Ficou observando o seu rosto, percebendo que algo havia mudado. Ela se sentia mais bonita... Mais mulher. Tocou a maçã do rosto e sorriu ao se lembrar das carícias de Jacob. Seu coração batia demasiadamente rápido e a dama notou que estava a ficar impaciente, terminando logo o trabalho e a deixando só.

Assim que a jovem saiu, Nessie foi até a porta principal e a trancou. Não queria que ninguém entrasse e descobrisse o duque em seu quarto. Seria vergonhoso demais para ela e sabia bem como os empregados poderiam se tornar inconvenientes com seus mexericos. Caminhou até a porta de ligação, que ficava do outro lado do quarto, e a abriu, deixando apenas levemente encostada. Depois foi para a cama e se deitou.

Olhando para parede do quarto, que estavam cobertas de sombras bruxuleantes causadas pelas chamas das velas acesas, Nessie lembrou-se daquele fatídico dia, cinco anos antes, quando era apenas uma garota inocente e indefesa. As lágrimas ameaçaram a inundar seus olhos, mas ela as reprimiu e não chorou. Não queria que Jacob a encontrasse chorando. Aquilo o afugentaria e estragaria com todo o clima de romance que viviam.

Ela ouviu um leve rangido da porta e depois ela se fechando. Os passos de Jacob estavam lentos, em direção à cama. Seu coração batia cada vez mais acelerado e sentia um nervoso tão grande que por pouco não se escondera de baixo do lençol. Ficou imóvel como uma estátua, esperando que ele se aproximasse. Observou sua sombra enorme na parede do quarto e quando se deu conta, Jacob estava sentado à beira da cama, segurando sua mão.

- Pensei que desistiria, milady. – Jacob disse beijando sua mão. Ele a olhava de forma tão intensa, que fazia com que se sentisse ainda mais estranha. Ela meneou a cabeça em sinal de negativo e ele passou as costas da mão em seu rosto, em uma suave carícia. Estava vestido com uma calça preta e um robe, também negro. Seus cabeços estavam levemente molhado e possuía um cheio delicioso.

- Que cheiro delicioso! – Ela conseguiu dizer a coisa mais tola do mundo naquele momento. Mas ele parecia irresistível e ela queria senti-lo mais perto. Sentou-se sobre a cama e ele a abraçou.

- É um perfume feito sob encomenda. É à base de sálvia, pimenta chinesa e zimbro, encerrando com madeira de sândalo e nóz-moscada. – Respondeu ele.  Ficaram assim, olhando um para o outro por alguns instantes. Ela não tinha nada inteligente a dizer e se sentia estranhamente perdida com ele, naquela cama. – Você está com medo? – Ele perguntou após percebê-la se encolher quando tocou sua perna. Nessie não queria que ele a tratasse como um cristal, mas quando ele a tocou as memórias daquela noite vieram em sua mente. Ela se lembrou de Edward abrindo-lhe as pernas e a penetrando com força. Seus olhos encheram de lágrimas e ela tentou reprimir o choro. Jacob, é claro, percebeu a situação no mesmo momento. – Não sou Edward e não irei magoá-la como ele fez. Aliás, não farei nada demais essa noite. Só quero me sinta perto, me toque e deixe lhe mostrar como pode ser bom o contato. Não farei o que está pensando. – Ele disse e ela assentiu e depois abaixou a cabeça, olhando para as mãos. Estava nervosa demais para encará-lo naquele momento.

- Desculpa... – Ela sussurrou envergonhada e ele, carinhosamente, segurou seus ombros e a deitou sobre a cama. Depois tirou o robe e deitou de lado, observando-a em silêncio por algum tempo.

- Você não tem que desculpar por nada. Foi magoada demais no passado. É natural que tenha medo. Estou aqui para te ajudar a vencer esse medo. – Jacob começou a brincar com seus cabelos e ela se sentiu um pouco mais relaxada.

- Não me acha uma boba? – Ela finalmente conseguiu perguntar  e ele gargalhou.

- Eu a acho linda, inteligente, irresistível, delicada, educada, paciente... Tudo menos boba. – Ele suspirou fundo e depois perguntou. – Você confia em mim? Para essa noite precisamos de confiança. Não farei nada que lhe cause dor ou desconforto. Só te possuiria no dia que me pedires para isso. Mas preciso mostrar como algumas coisas são boas e que não há razão para medo. Então precisamos de confiança.

- Eu confio em ti com minha própria vida. – Nessie respondeu com convicção.

- Posso te pedir para se despir? – Ele perguntou e ela sentiu as bochechas arder pela vergonha. Apenas assentiu para ele. Sabia que aquilo era perigoso, mas não queria passar a vida inteira sentindo medo. Se tinha alguém que podia e queria confiar, essa pessoa era Jacob. Ela sentou-se na cama novamente e levantou os braços, para que ele lhe tirasse a camisola.

Jacob gentilmente removeu a peça, passando pela cabeça. Nessie se deitou novamente, mas por instinto cobriu os seios com os braços. Viu um sorriso travesso brincar em seus lábios, enquanto ele se deitava de lado para ela, massageando o seu ombro com toque suave.

- Não me acha feia? Essas sardas são tão... Eu sempre as odiei. – Ela disse, enquanto ele passava os dedos sobre as sardas em seu ombro.

- Elas são lindas e me deu vontade de beijá-las. – Jacob responder, inclinou o corpo para o lado e começou a beijar o ombro direito. – Aliás, você é toda linda. – Ele segurou o seu queixo e Nessie sentiu o corpo inteiro se arrepiar. Era tão estranho estar assim na presença de um homem.

Jacob tomou seus lábios de forma gentil e começou beijá-los suavemente. Ela se entregou aos beijos e o abraçou forte, passando os braços por cima de seu ombro, enquanto entrelaçada os dedos das mãos em seus cabeços. Sentiu os corpos colarem naquele momento e todo o seu corpo ardeu por ele. O beijou foi se intensificando e Jacob introduziu a língua em sua boca, como fizeram naquela mesma tarde. Era estranho, mas Nessie estava se acostumando com aquele tipo de beijo ousado.

Suas línguas travaram uma deliciosa batalha, enquanto serpenteavam uma sobre a outra. Ela estava completamente embriagada pelo cheio forte e apimentado, o beijou avassalador que lhe roubava totalmente a sanidade. Sentiu uma mão segurar-lhe o seio e brincar com o bico. Foi algo estranho mais gostoso. Nessie começou a relaxar e se perder com os toques maravilhosos.

- Hummm – Ela gemeu quando interromperam o beijou. Estava ofegante, com um calor fora do comum e o coração ainda mais acelerado.

Jacob deitou a na cama novamente, debruçou-se sobre seu corpo e começou a beijar o pescoço, fazendo-lhe cócegas. Ela deu algumas risadinhas, mas logo perdeu o fôlego quando ele desceu o rosto e lhe tomou o seio com a boca, sugando o forte. Nessie gemeu alto e novamente passou os dedos pelos cabeços dele. Fechou os olhos e se deixou ser levava por aquela enxurrada de sensações maravilhosas e desconhecidas. Ele beijava o seu torso, brincando com os lábios por ele, até chegar à barriga.

- Linda! – Jacob exclamou e ela sentiu orgulho de si pela primeira vez na vida. Os olhos dele estavam inflamados de um desejo tão grande, que pela primeira vez na vida ela se sentiu bela, desejada e amada. Ele distribuiu beijos pelo seu ventre. – Um dia meu filho estará aqui. – Continuou beijando e acariciando de forma gentil. – Minha pequena graciosa. Sonhei tanto com esse momento.

Quando Jacob colocou a não em seu quadril, Nessie se encolheu novamente com medo. Sabia o que estava por vir. Por mais que ele lhe garantisse que não doeria, ela conhecia toda aquela tormenta. Viu nos olhos dele a inquietação naquele momento. – Seu primo pagará caro por isso. Ele sentirá tanta dor... – Vociferou e respirou fundo. Subiu o corpo novamente, distribuindo beijos, passando pela barriga, o abdômen, os seios, pescoço; até que chegou aos lábios e a beijou novamente. Nessie se deixou levar pelos seus toques e em determinado momento sentiu algo em sua feminilidade. Ela tentou interromper o beijou, mas Jacob não permitiu, forçando-a. Já estava prestes a entrar em pânico quando começou a sentir uma sensação de prazer. Levou a mão até o locou e se deu conta de que era a mão de Jacob. – Shiii! Relaxa meu amor! – Ele sussurrou em seu ouvido, após interromper o beijou. Ela fechou os olhos e a sensação de prazer foi aumentando, com uma estranha unidade que se formava em sua fenda. Seu corpo chegou  a uma agonia, por algo que ela nem mesmo sabia o que era. Só queria que ele continuasse e Jacob continuou.

Nessie começou a gemer cada vez mais alto, sem conseguir conter os seus instintos. Abriu os olhos e viu o rosto de Jacob, com um sorriso tão lindo, observando-a com uma expressão de satisfação.

- Jacob eu... Oh!!! Oh céus o que é isso que estou sentindo? – Uma onda de êxtase tomou todo o seu corpo e Nessie começou a se debater sobre a cama, com seu corpo tomado por espasmos que não conseguia conter. Começou a ver tudo brilhado a sua frente.  Agarrou-se a Jacob, enquanto se sacudia. – OH!! – Tentou respirar, mas estava sem ar, ofegante e fraca demais. Jacob tirou os filhos úmidos dos cabelos de sua testa, ainda segurando-a suspensa, beijou-lhe a testa e lentamente foi descendo o corpo, até que ele estivesse na superfície macia do lençol de seda.

Demorou algum tempo até que recobrasse o controle do corpo. Jacob estava deitado de lado, apoiando a cabeça com uma das mãos, enquanto a olhava todo orgulhoso, fazendo carícias no seio.  – Você está se sentindo bem? – Ele perguntou finalmente, quebrando o silêncio.

- Estou... Foi tudo tão... – As palavras morreram em seus lábios. Como explicar para ele o que havia sentido? Nessie não sabia como colocar em palavras as sensações do corpo. Era maravilhoso e ela sentia-se plenamente satisfeita, mas explicar aquilo era tão estranho.

- Você teve um orgasmo. Isso é normal quando a pessoa é estimulada no lugar certo.  – Ela o olhava assustada, esperando pela explicação para tudo aquilo.  Ele dizia todo com paciência e calma. – A maioria das mulheres nunca teve e nunca terá um, porque os homens são apressados, insensíveis e não fazem, ou falam, essas coisas para que suas mulheres não procurem por diversão na rua. Na verdade é puro machismo, mas as coisas são assim. Os homens se deitam com as mulheres, não fazem carinho, satisfazem-se e às vezes nem isso.

- Mas por quê? – Nessie perguntou.

- Os casamentos são arranjados. A maioria dos homens não escolhe sua esposa por amor. São as famílias que fecham o negócio. Assim só se deitam com as mulheres para gerarem os filhos. E não dão a elas a satisfação de terem orgasmos. Isso eles deixam para as amantes e cortesãs. Alguns acabam se encantando com suas esposas. É o caso dos meus amigos Alex e Derick. Eu me lembro que Derick quase fugiu para França quando o pai quis obrigá-lo a casar. Hoje ele é feliz com a mulher e os dois se dão bem na cama. Mas isso é exceção.

- Você disse que as mulheres procuram outros  na rua... – Nessie mordeu os lábios.

- Minha querida, não sejamos hipócritas. Já deve ter ouvido sua tia falar de mulheres que têm casos fora do casamento. Acontece que quando o homem não dá o devido valor, elas saem as escondidas com outros homens. – Nessie pensou por um momento que ele era um desses outros homens. Sua fama o acompanhava. Sentiu-se desconfortável com aquilo. Era estranho saber que mulheres traiam os seus maridos, mas o assunto começava a ficar interessante.

- Você já saiu... – Ela não conseguiu falar e virou o rosto para não encará-lo. Estava arrependida da pergunta. Não queria saber sobre suas amantes. Sentia-se ciumenta em relação a isso.

- Disse que não lhe mentiria nunca. Essa é a nossa regra. Mesmo que seja estranho e que doa certas palavras, direi-te sempre a verdade. Já tive muitas amantes. Muito mais do que gostaria de saber. E sim, fiz muitas coisas com elas. Mas tudo isso é passado. – Ele pegou a sua mão e a colocou sobre o peito. – Eu sou somente teu agora, minha preciosa. Amo-te! Amo-te ardentemente e só tenho olhos para ti, minha querida. – Jacob a beijou novamente e ela se entregou ao beijo. Suas mãos acariciavam o seu corpo, causando-lhe novamente um ardor insuportável. Ele não só sabia como mexer com seus sentimentos, mas também com seu corpo, infiltrando desejos que ela não sabia que poderia sentir.

Os dois rolaram pela cama e ela ficou por cima dele, beijando com sofreguidão. As mãos dele acariciavam suas costas, suas nádegas e depois ele a rolou novamente, ficando por cima.

- Você confia em mim? Farei uma coisa que irá assustá-la, a princípio, mas gostará muito. Será muito melhor o segundo orgasmo. Para isso, no entanto, precisa confiar em mim. Não a machucaria. Sabe disso, não sabe? – Nessie assentiu.

 Jacob ficou de joelhos sobre a cama, segurou as pernas com as duas mãos e a abriu. Nessie se encolheu, mas não disse nada. Começava a ficar apavorada, mas confiava nele. Sabia que não faria aquilo que estava pensando. Viu quando ele colocou os ombros entre as pernas e abaixou a cabeça até sua feminilidade. Quando estava prestes a protestar, sentiu a língua quente de Jacob sobre ela, serpenteando como fazia em sua boca. Nessie começou a ver estrelas novamente e seu corpo a se debater sobre a cama. Abriu os braços e agarrou os lençóis com as duas mãos e deixou a onda de prazer levá-la a patamares desconhecidos. Dessa vez, Nessie gritou alto, sem conseguir reprimir os lábios. Ela se debateu, gritou, já sem forças, quando ele parou e a deixou explodindo de prazer.

Aquela noite foi a mais fantástica e surpreendente de sua vida. Jacob foi carinhoso, paciente e atrevido, mas manteve sua promessa e não ultrapassou os seus limites. Quando Nessie finalmente pegou no sono, com a cabeça deitada sobre o ombro dele e os braços em seu peito, estava exausta demais para conversar. Teve a noite mais tranquila de sua vida e ao invés de pesadelos com Edward, foi com o duque sombrio que ela sonhou. E quando finalmente acordou, com o som da cotovia pela manhã, era uma nova mulher. Já não tinha os mesmos medos. Ao invés de sentir medo de amar, Nessie estava cada vez mais disposta a se entregar e viver plenamente tudo o que o amor lhe oferecia.

Glau
Bem girl, a maior parte desse cap foi feito durante a semana. Faltava terminar, mas estava cansada demais na quinta e ontem cheguei passando muito mal. O meu dia hoje foi na cama, sentindo dor de cabeça na nuca, zonza e uma fraqueza enorme. Só consegui me levantar agora a noite e fiz as últimas 5 páginas do cap. Não ficou lá essas coisas, porque to sem inspiração para fazer esse tipo de cena.

Nem preciso dizer que não foi betado, né? Como terminei de escrever, fiz uma correção rápida e dever haver alguns erros nele.

Bem, espero que estejam gostando da novelinha... De coração.
Como me pediram para ser bem má com Edward, já tenho uma vingança que o fará pensar apenas uma vez quando for abusar de alguém. Ele pagará, literalmente, na mesma moeda e sofrera mais que a Nessie. Isso eu prometo para vcs. O final dele também não será bonzinho. Odeio fim de novela que o vilão só vai preso ou fica louco. Comigo é preto no branco. Então em aguardem.

Como disse, não to bem e verei o que posso fazer para a próxima semana. Se melhorar tento fazer o cap. Se não, sinto muito, mas terão que esperar. Vocês não têm noção do que tenho passado. Estou quase largando o emprego. Parece uma coisa, quando o casamento não está em crise e tenho vontade de chutar o balde, passo um perrengue no trabalho... Mas isso é outra coisa. Porém minha saúde já ta começando a ficar abalada com isso tudo.

Bem, já desabafei. Espero que tenham gostado do cap.

Obrigada pelos comentários

Um bom final de semana.
Bjs no core

domingo, 22 de abril de 2012

Medo de Amar 11

O plano foi um sucesso e Jacob não poderia se sentir mais que satisfeito. Lembranças da noite anterior vinham e o deixavam cheio de orgulho. Em pouco tempo, conseguiu traçar um plano sem erros na execução. Cada um cumpriu a sua parte, sem deixar rastros e ao final da festas Colchester estava desesperado, alardeando o sumiço da sua pupila e noiva. Como se era esperado, na sociedade aristocrática e hipócrita, todos estavam falando sobre a jovem e os motivos da fuga. A reputação de Renesmee estava arruinada, mas em breve seria a sua duquesa e todos se esqueceriam, ou fingiriam se esquecer, do deslize. Tinha dinheiro o suficiente para calar a boca de todos e comprar o respeito para sua esposa. Não se importava naquele momento. O que realmente valia para ele, era a segurança dela e a ruína de Colchester.




sábado, 14 de abril de 2012

Medo de Amar 10

Aquela noite foi uma das piores de sua vida. Jacob queria fazer justiça e estilhaçar Lord Colchester, mas sabia que pela reputação de sua amada teria que se conter. Ficou até altas horas no White’s, bebendo e jogando, para não pensar nas revelações de Renesmee. No final nada adiantou e foi para casa tentar aliviar a dor de cabeça e a ressaca. Tinha que estar disposto na manhã seguinte, para traçar seus planos. Só dispunha de três dias para arquitetar tudo e precisaria de muita ajuda.

Quando acordou já era tarde. Ele, no entanto, não podia se dá ao luxo de ficar na cama. Pediu que lhe trouxesse um café bem forte e deu as primeiras ordens para o seu valete. Tinha que fazer tudo a tempo e sem erro. A vida da jovem que amava dependia do seu empenho.

domingo, 8 de abril de 2012


Medo de Amar 9

Aquela noite Nessie estava realmente linda. Brilhava como esmeralda em um vestido amarelo claro de seda, deixando a prima Catarina irritada com seu esplendor. Colchester dera ordem a criada para fazer um ótimo trabalho. Era a sua apresentação a sociedade  e ele queria se certificar que a aprovassem. Em poucos dias ele anunciaria o noivado e pretendia que achassem que já havia uma ligação entre os dois.

sábado, 31 de março de 2012

Medo de Amar 8

Jacob estava inquieto. Seu coração sofria de uma angustia que não sentia há anos. Três dias se passaram desde que Lady Renesmee Wood partiu com os parentes. Ele não tinha bom pressentimento sobre aquilo. Sabia que seria indiscreto da sua parte visitá-la, assim tão cedo. Enviou-lhe um lindo arranjo de flores colhidas no jardim de sua mãe, a duquesa de Telford, mas não teve mais do que uma mera missiva de agradecimento. Sabia que não fora a jovem tão encantadora que conhecera quem respondeu. Nem tinha muita esperança da tia ter entregado as flores.


terça-feira, 27 de março de 2012

Medo de Amar 7

Nessie estava perdida. Ela sabia disso muito bem. Do momento em que o Duque de Telford a entregasse para o seu tutor, sua vida estaria completamente arruinada. Esteve dias fora de casa e certamente ele estava a sua procura. Edward poderia até manter a pose diante do Duque, mas não por muito tempo. No instante seguinte a sua partida, despejaria a sua fúria sobre ela. Tinha que fazer alguma coisa. Sim! Não podia ficar ali, simplesmente esperando a sua desgraça chegar.

Horas mais tarde, depois de conversar com o duque de Telford, Jacob, ele dissera; Nessie se sentia estranha. Aquele homem a olhava de um jeito tão especial. Fazia tanto tempo que alguém havia lhe tratado com carinho e consideração... Não era só isso. Ela sabia! Ele havia falado em casamento. Não havia entendido mal. Ele dissera que a queria como sua esposa. “Mas como poderia aceitar tal honra, quando era uma fruta podre?” O Jacob merecia mais do que isso. Ela não lhe contaria sobre o sofrimento que havia passado.

Certamente Sua Graça, o duque de Telford, “o duque sombrio”, como ele mesmo havia lhe dito, defenderia sua honra e desafiaria Edward para um duelo. Os duelos estavam proibidos há anos na Inglaterra, mas de tempo em tempo surgiam história de homens que duelavam pela honra de suas filhas, mulheres e até mesmo amantes. Se isso acontecesse, sua desgraça viria a publico e estaria perdida. Não arrumaria emprego nem mesmo de serviçal.

Nessie pediu a aia que a atendia para trazer as suas roupas. A moça não lhe fez nenhuma pergunta e as deixou sobre o aparador, antes de partir. Pretendia fugir aquela noite. Estava muito dolorida e cansada, apesar dos dias que passou desacordada sobre a cama. Mesmo assim achou que seria mais prudente partir logo, e de forma sorrateira. Não queria mais complicações e nem ter que explicar nada ao duque. Ele havia lhe deixado em paz, por hora. No entanto, saiba que voltaria e faria mais perguntas. Perguntas as quais seria impossível responder, sem contar tudo o que havia sofrido. Cada ano morando com a mãe de Edward foram tão ruins quanto ao que ele lhe fizera passar. Estava machucada não só fisicamente, mas também emocionalmente. Não compartilharia sua desgraça com ninguém, mesmo que ele lhe transmitisse, de certa forma, segurança.
Já era muito tarde quando decidiu partir. Levantou-se da cama, com o corpo todo moído. Parecia que havia levado uma surra. Sabia bem como era. Uma vez, logo assim que chegou a casa de sua tia, desobedeceu a uma ordem para limpar todos os sapatos, e a megera lhe dera uma surra com chicote. Ficou marcada por um tempo e foram necessários alguns dias para se recuperar. Nunca mais se esqueceria daquele dia. Lyana, uma das serviçais da casa, limpou as feridas e cuidou delas com esmero, para que não ficassem marcas da violência. Realmente não havia ficado, mas o corpo inteiro doeu por dias. Agora, tentando encontrar forças para fugir, sentia-se exatamente daquela forma.

Uma lágrima rolou pelo seu rosto e Nessie a secou. Não era hora de chorar, sim de agir.

Nessie se levantou com dificuldade, caminhou até o aparador, trocou de roupas lentamente e depois colocou a capa. Pegou sua valise e saiu do quarto, sorrateiramente. Cada passo que dava, o corpo lhe doía ainda mais e a cabeça começou a rodar. Mesmo assim ela seguiu persistente, olhando para cada lado dos corredores, para ver se não havia nenhum empregado ali. Quando se sentiu segura, caminhou até o fim do corredor. Havia duas direções a seguir e Nessie ficou confusa. Parecia perdida em um verdadeiro labirinto. Precisava descobrir o caminho a tomar.

Depois de um momento, analisando as possibilidades, dobrou a direita. O máximo que poderia acontecer era ser apanhada por algum empregado. O duque, Jacob, com toda certeza não estariam em casa. Os nobres passavam as noites em eventos sociais ou em orgias. Era isso que dizia a tia. Edward costumava a faltar muitas festas para ir a orgias em bordéis na cidade. Outros passavam suas noites bebendo e jogando no White’s. Se Jacob tinha a fama de “o duque sombrio”, deveria ter um motivo para isso.

Imaginar Jacob se deitando com mulheres fez o seu coração se apertar e Nessie não entendeu. Não queria sentir nada por ele, além da gratidão por ter salvado sua vida e cuidado dela todos aqueles dias. Entretanto, lembrar-se de Jacob, fazia o coração bater em um compasso diferente. Um sentimento estranho e desconfortável a afligia. Queria estar com ele... Oh como ela queria! Queria aceitar a sua proposta... Que tolice! Não era digna de se tornar sua duquesa. Os olhos encheram de lágrimas e ela se deteve por um instante.

Quando deu mais dois passos e virou na curva seguinte, seu corpo esbarrou em um corpo alto, forte e musculoso. Atreveu-se a olhar para cima e seus olhos encontraram os dele. Aqueles imensos olhos negros, tão penetrantes que bem poderiam ver sua alma. Nessie ficou sem ar e quase esvaneceu. Jacob a pegou nos braços naquele momento.

- O que faz aqui, a essa hora e vestida desse jeito, milady? – Ele perguntou, enquanto a tomava nos braços com delicadeza.

- Eu... Eu... Tenho que ir... Por favor! Por favor me deixe ir! – Ela implorou já chorando. Não queria chorar em sua presença. Mas estar nos braços dele não ajudava nada, quando se sentia tão vulnerável e temerosa. Acabou acomodando a cabeça em seu peitoral, sentindo o sacolejar do corpo, enquanto ele caminhava pelo labirinto de corredores.

- Não permitiria que saísse dessa forma, no meio da noite, como uma fugitiva... Onde está sua gratidão, querida? Por que está fugindo de mim? – Ele lhe perguntou, com aquela voz rouca e sensual. Sentiu um arrepio por todo o corpo naquele momento. Respirou fundo e inalou a sua fragrância máscula. O homem além de lindo, gentil, com uma voz de matar, ainda cheirava muito bem. Nessie se sentiu confusa. Não queria pensar naquilo. Não queria imaginar nada relacionado a ele. Só fazia com que se sentisse pior. Apegar-se ao duque não ajudaria em nada. Pelo contrário. Ela chorou baixinho, enquanto ele adentrava os aposentos consigo nos braços.

- Eu não estou fugindo de Vossa Graça... Estou fugindo... – Não conseguiu continuar e chorou ainda mais. Jacob entrou com ela em seus braços, sentou-se sobre a cama e a ninou como se fosse uma criança. Não disse nada naquele momento. E Nessie se sentiu grata por isso. Se ele tentasse lhe consolar, choraria ainda mais. Seria bem pior do que aquela humilhação. Ela o abraçou forte, fechou os olhos e imaginou que tudo daria certo. Imaginou que o duque a protegeria de Edward e eles ficariam bem. Imaginou um futuro, que não achava ter direito, com filhos e uma família feliz. Sabia que se apegar a ele era o pior erro que poderia cometer. Tinha “medo de amar” e ser magoada. Como tinha medo por ela, por ele e pelo que não poderiam ter.

[...]
Ela havia dormido em seus braços, chorando como uma criança. Jacob se sentia impotente. Queria arrancar toda a dor que sentia. Todo o dinheiro do mundo não pagaria a sua dor. Precisava mantê-la protegida, do que quer que fosse, mas não poderia arriscar sua honra. Beijou a sua testa, acariciou o seu rosto, por mais de uma vez, e depois, com muita relutância, a colocou sobre a cama. Foi difícil ir embora. Queria passar a noite inteira ali, observando-a dormir. Velar o seu sono, como fizera as outras noites. Decidiu, no entanto, ir para o seu quarto, antes que fizesse algo imprudente. Não confiava em seu corpo, quando se tratava de mulheres. Mas ela era diferente para ele, de muitas formas. É claro que sentia atração física. Uma inegável constatação. Só que sua afeição estava além do sexual. Era algo que ele não compreendia. Um sentimento tão forte, que fazia o coração doer. Só de pensar na aflição que sentiu durante aqueles dias em que esteve dormindo, fazia sentir uma estranha dor.

Em seu quarto, Jacob andou de um lado para o outro, tentando decidir o que fazer. Ela não queria voltar para casa e estava fraca demais para um confronto com a família. Ele a manteria ali, pelo menos mais uns dias. Não sabia se aquilo era por ela ou por ele. Era irrelevante naquele momento. A única certeza que tinha, era de que precisava dela desesperadamente. Pensar em alguém lhe fazendo mal, subia-lhe a bile. Destruiria qualquer um que atravessasse os seus caminhos. Ainda naquele dia, mandou um detetive averiguar a vida de Lord Colchester. Precisava saber exatamente onde estava se metendo.

De uma coisa Jacob tinha certeza. Alguém fez mal aquela jovem. Quando ela disse que era uma fruta podre, deu a entender uma única coisa: Fora desonrada por alguém. E se descobrisse que se tratava do marquês... Pobre dele! Estaria arruinado em todos os sentidos. Ele se vingaria por ela e também por ele... Sentia dor só de imaginar alguém... Não! Não queria mais pensar naquilo. Queria apenas pensar nela, nos olhos verdes, lábios carnudos e o nariz tão bonitinho. Aqueles cabelos vermelhos davam ao rosto de anjo uma beleza selvagem. Linda demais!

[...]

Nessie estava sentada confortavelmente em uma poltrona, de frente para a lareira, lendo um romance quando a serviçal entrou e interpelou. – Milady, Sua Graça solicita a sua companhia na sala de jantar. Pediu que usasse o vestido que lhe comprou para a noite de hoje. – Disse a jovem, enquanto ela a olhava atordoada. – O que devo dizer a ele? - Questionou a criada.

- OH! Sim, claro! Diga para Sua Graça que já me juntarei a ele. Só preciso me arrumar antes de ir ao seu encontro. Peça, por gentileza, que a jovem que tem me atendido venha me ajudar, por favor. – Nessie pediu educadamente, levantou-se e foi até o aparador ver a roupa que acabara de ganhar.

Era um lindo vestido de camurça verde, adornado com detalhes dourados. A vestimenta era digna de uma princesa. Bem mais bonito do que qualquer outro vestido que tinha visto sua tia e primas usarem. Nunca na vida, nem mesmo quando o pai era vivo, usou uma roupa tão elegante e cara. Tocou o tecido e sentiu a suavidade da peça em seu dedo. Um leve sorriso escapou de seus lábios. “O duque tem muito bom gosto”. Pensou naquele momento. Ficou imaginando usando aquele vestido, dançando uma linda valsa nos braços de Jacob. O coração palpitava com aquele sentimento tão estranho. Fechou os olhos e deixou a imaginação fluindo.

A porta se abrir e os passos foram em sua direção. A voz suave da jovem a fez despertar dos seus devaneios. – Solicitou minha presença, Milady? – A jovem indagou.

- OH, sim! Preciso que me ajude com esse vestido e com meus cabeços. Você sabe fazer penteados? – Perguntou e a jovem assentiu. – Que bem, Lucy, agora vamos começar. Sua Graça me espera para jantar. – A jovem sorriu docemente para Nessie e as duas começaram os preparativos para aquela noite.

Tirou o vestido de musselina, a jovem a ajudou a colocar o espartilho, apertando somente um pouco por cauda das dores que ainda sentia. Depois pôs o vestido e se olhou no espelho. Estava realmente linda naquela roupa, que lhe caia como luva.  Sentou-se na cadeira diante da penteadeira e deixou que a jovem trabalhasse em seus cabelos por mais algum tempo. Quando terminou, Nessie nem acreditava no que via. Estava espetacular. Ficou orgulhosa de si mesma. Certamente o duque perceberia como era bela, com roupas mais adequadas.
A jovem Lucy saiu por alguns momentos e quando voltou trouxe algumas coisas, que segundo ela ajudaria deixar o rosto ainda mais bonito. Nessie já havia visto aquelas coisas. A sua tia usava aquele pó branco e o outro rosado em seu rosto. Também havia uma pasta em um pequeno tubo, que a jovem usou para deixar os lábios mais rosados. Não passou muito, somente o suficiente para lhe tirar a palidez. Ela ficou grata com a jovem, sorriu-lhe e depois deu um abraço carinhoso. – Obrigada por me deixar bonita.

- Milady já é linda. Estou apenas deixando ainda mais encantadora, minha senhora. – Lucy respondeu com toda cerimônia, mesmo ela já tendo pedido antes para lhe chamar pelo apelido.

- Onde conseguiu essas coisas? – Perguntou a jovem.

- São da duquesa mãe. Ela não vem muito aqui. Tem sua própria casa, que é bem maior do que essa. Mas tenho que por no lugar. Podem me acusar de roubo. - A moça respondeu constrangida.

- OH, não! Eu falo com o duque...

- Não precisa! Já estou colocando no lugar. Só a levarei até a sala de jantar e depois volto. – Respondeu.

A jovem a levou e nesse ficou perplexa com o tamanho da casa. Não imaginava que fosse tão grande. Se fosse sozinha, certamente teria se perdido naquele labirinto. Tudo muito. A duquesa realmente tinha um excelente gosto para a decoração. A casa era simplesmente perfeita, cheia de obras de artes, esculturas e tapeçarias por todos os lados. No salão principal, por onde passou, olhou para cima e viu lindas pinturas de anjos, em um cenário mágico. Ficou por um tempo parada, observado cada detalhe, quando escutou um pigarro  que lhe chamou a atenção. Abaixou a cabeça e seus olhos se depararam com os do duque. Sentiu as bochechas corarem de constrangimento.

- Lady Renesmee, gosta? – Ele perguntou-lhe. Ela olhou para baixo e viu que ele estava comuma expressão indecifrável no rosto. Nessie sentiu seu corpo gelar naquele momento.

- Eu... Eu... Quer dizer elas. – Gaguejou. – São lindas. – Conseguiu falar, finalmente.

O duque caminhou alguns passos até ela, estendeu-lhe o braço, pegou a mão gentilmente e levou aos lábios. Agora, um pouco menos envergonhada, Nessie pode ver que usava um belíssimo fraque negro e luvas brancas. Só não estava de cartola, mas de resto parecia vestido para uma ocasião muito especial. Seu corpo todo estremeceu ao sentir os lábios carnudos em sua pele e se lembrou das luvas... Mas que garfe!

Ele lhe ofereceu o braço e ela o aceitou. Foram de braços dados até o luxuoso salão de jantar, enquanto ele fazia gracejos. – Está belíssima, milady! Poderia jurar que é uma princesa.

- São apenas roupas, Vossa Graça. – Ela respondeu envergonhada. – Aposto que não me achou tão linda quando me encontrou aquela noite.

- Pelo contrário. Foi ali que me encantei pela sua beleza. – As bochechas dela arderam novamente e ela olhou para baixo. O homem além de lindo tinha que ser tão galante? - Sabe tocar piano, milady? – Ele disse para tentar deixá-la um pouco mais calma, ela soube.

- Sei, Vossa... Jacob. – Ela se corrigiu constrangida. – Costumava a tocar antes...

- Antes de seu pai morrer? – Ele incentivou.

- Sim! Costumava a tocar antes do meu pai morrer.- Respondeu.

- Insisto que toque para mim depois do jantar, querida. – Ela estremeceu quando o ouviu chamar de “querida”. Aquilo soou como música para seus ouvidos, fazendo-a sentir uma sensação prazerosa.

- Será uma honra tocar, para Vossa Graça. – Disse com formalidade.

- Jacob! – Ele a corrigiu.

- OH, claro! Sim! Jacob! – Disse sem graça.

Os dois chegaram à mesa, o mordomo puxou a cadeira para que Nessie se sentasse e ela tomou o seu lugar graciosamente. O duque foi até o seu lugar e depois de sentado, fez sinal para que o jantar fosse servido. Tudo foi muito agradável desde a entrada até a sobremesa. Nessie nunca havia comigo nada tão bom. Na casa em que vivia atualmente, normalmente ficava com resto. Na sua infância o pai fora tão avarento que não gostava que o dinheiro fosse desperdiçado com besteiras. Mas ali, comeu do melhor e o licor de pêssego servido também estava maravilhoso. Sentia-se uma verdadeira princesa.

Os dois trocavam olhares sugestivos e ela ficou envergonhada diante dele. Quando o jantar terminou, ele foi até o seu assento e lhe deu a mão gentilmente. Ela aceitou de bom grado e o acompanhou até outra sala. O duque fez alguns gracejos e já era um pouco tarde quando pediu que tocasse para ele. Nessie assentiu com a cabeça e se dirigiu ao piano.

Ela se sentia tão comovida com toda amabilidade dele e a forma como a olhava, que tocou com toda a sua alma, apesar de não praticar há anos. A melodia saiu doce, suave e encantou o duque, que parecia completamente perdido ao ouvir as notas tocadas por ela. Quando Nessie terminou, ele se levantou e caminhou em sua direção. Ficou observando o seu rosto por algum tempo sem falar nada. Ela se levantou constrangida e ele, de súbito, puxou-a pela cintura, colando um pouco os seus corpos. Nessie sentiu um estremecimento naquele momento e fechou os olhos. Foi então que os lábios carnudos pousaram sobre os seus. Ele se movia de forma gentil e a deixou completamente perdida. Era uma sensação totalmente diferente. Nunca imaginou sentir tamanhas emoções. O rosto dele se inclinou lentamente e ela sentiu o toque de sua língua sobre os lábios. Mesmo perplexa com aquela atitude. Ficou calada e deixou que ele a conduzisse. Sabia que era uma imprudência e que poderia pagar caro por aquilo. Mas ali, em seus braços, toda a sensatez a abandonou. Sua língua começou a fazer coisas que ela não compreendia. Apesar disso gostava das sensações que provocava. Ficou totalmente entregue e pouco a poucou entrou no ritmo, deixando que ele conduzisse aquele beijo. Foi sensacional. Não havia outra palavra para descrever tudo aquilo.

Quando ele a puxou ainda mais, fazendo com que os corpos ficassem totalmente colados. Nessie sentiu pânico e quis fugir. Lembranças da tragédia de sua vida invadiram a sua mente. Ela o empurrou e ficou trêmula, com lágrimas rolando pelo rosto.

- Conte-me o que fizeram com você, milady. – Ele disse, tentando controlar o tom da voz, enquanto tentava se aproximar. – Não lhe farei mal. Só quero ajudá-la. – Ela negou com a cabeça e foi para o sofá, onde ficou encolhida como criança assustada. – Juro que um dia descobrirei querida! – Ele afirmou e ela se forçou a olhar para outro lado. Não queria encará-lo naquele momento. Era vergonhoso demais saber que ele provavelmente conhecia a sua situação indigna.

- Vossa Graça, peço permissão para me recolher. Estou muito cansada e com o corpo dolorido. – Ela disse se levantando, mas ele segurou o seu cotovelo e a impediu de sair.  O tom da sua voz era cerimonioso. Porque ela sabia que precisava manter a distância e ser fria com ele. Não poderia permitir que seu coração vacilasse.

- Peço perdão por ter tomado liberdade, querida. Prometo que isso não acontecerá mais. Somente se me prometer fazer as refeições comigo enquanto for minha hóspede. – Ele beijou a sua mão delicadamente e depois sussurrou em seu ouvido, fazendo-a sentir um frio subindo pela espinha. – Faço questão da companhia.

- É claro, Vossa Graça! – Ela fez uma mesura e depois se dirigiu a porta. Seu coração batia muito rápido naquele momento. Se ficasse mais um tempo na presença daquele homem, corria o risco de ceder aos seus encantos.
Nos dias que se seguiram ao acontecimento, Nessie partilhou de sua companhia nas refeições e em passeios a sua estufa, conforme havia prometido. O duque agiu como um verdadeiro cavalheiro e não tomou mais nenhum tipo de intimidade. Os seus olhares, no entanto, diziam que ele queria mais do que ela estava disposta a dar. De repente ela notou que não tinha medo dele. Tinha medo do seu próprio coração.

[...]
Mais cinco dias se passaram e Jacob decidiu que era a hora de devolvê-la a família. Sabia que não seria prudente mantê-la mais tempo. Informaria a situação e os levaria até ela. Depois que voltasse para a casa, pediria permissão para cortejar a jovem. Faria um acordo vantajoso para ambos. Pelo que o detetive averiguou sobre Colchester, estava afundado em dívidas. Casar a prima com um duque, ainda sem pagar o dote, seria muito vantajoso. Ele receberia prestigio e respaldo na sociedade. Esperava que fosse o suficiente.

Naquela manhã Jacob foi ter com Nessie e contar sobre a sua decisão. Ela estava sentada em uma poltrona, tomando chá, quanto ele entrou. Estava linda, em um vestido rosa de musselina, que mandara providenciar. Parecia mais vivida e corada. Quando olhou para ele, seus olhos verdes possuíam um brilho intenso. Era a coisa mais encantadora, que dava um ar de mulher e outras às vezes, quando lhe sorria de forma meiga, de menina. Ela adorava as feições de seu belo rosto. Naqueles dias passou um bom tempo com ela, mesmo com os amigos exigindo-lhe a atenção, para saber o que descobriu. Agora, mesmo não querendo, tinha que tomar uma difícil atitude e devolvê-la para sua família. O coração se apertava só de imaginar a sua partida. Estava muito mais apegado do que deveria, ou gostaria.

- Nessie, preciso informar para sua família que eu a encontrei. Preciso que volte para casa. Ás coisas não podem ficar como... – Ele interrompeu quando viu seu rosto se transformar em uma máscara de pavor. Os olhos estavam suplicantes e aquilo o afligiu. – Por favor, não me olhe assim. Sabe que é o certo a fazer.  – Seu coração estava angustiado só de olhar a expressão de pavor no rosto dela.

- Por favor, Jacob... Vossa Graça – Ela corrigiu-se nervosa e Jacob percebeu as bochechas corarem. Era difícil chamá-lo pelo nome de batismo, de forma tão intima. E todas as vezes que tentava ficava sem jeito.

- Eles não farão nada contra você, querida. – Ele pegou sua mão e a beijou gentilmente. – Cuidarei de tudo. Deixarei claro para Colchester minhas intenções e que estaria observando de longe. Fique tranqüila. Não confia em mim? – Passou o polegar em sua bochecha e fez carícias. Ela abaixou a cabeça, para desviar do seu olhar. Sempre fazia coisas do tipo quando se aproximava. Aquilo o incomodava.

- Serei castigada por ter fugido... Não entende? – Ela sussurrou.

- Entendo bem! Mas não farão mal a você. Eu prometo isso, pequena. -  Segurou o queixo dela, com gentileza, e o ergueu para que o observasse. – Eu a prezo muito, menina. Não deixarei que nenhum mal lhe aconteça. E a visitarei sempre... Quero pedir sua mão.  – Ele disse com a voz bem tranqüila, mas pela pode perceber a sua angustia.

- Não! Não pode! Por favor, não posso me casar com Vossa Graça. – Ela afastou-se do seu toque e virou o rosto para o outro lado. – Se não me ajudará a fugir, rogo-lhe, por sua honra, que não vá me pedir em casamento ou me visitar. Não quero ser cortejada por ninguém. Espero que tenha entendido, Excelência. Porque não falarei novamente. – Levantou-se de forma brusca e caminhou para a janela. Passou os braços ao redor da cintura, abraçando-se, e não falou mais com ele. Jacob saiu do quarto aborrecido, mas não deixaria que sua negativa o desanimasse. Tinha certeza que Colchester venderia até a mãe para conseguir dinheiro. Ele a compraria se fosse necessário.

[...]
Nessie estava pronta. A aia havia avisado que seus familiares a esperavam no escritório de Sua Graça. O momento da sua desgraça havia chegado. Edward até se comportaria bem na frente do duque, mas quando estivessem a sós... Não queria pensar nisso agora. Não mesmo!

Saiu do quarto com a aia e foram ao escritório. Sua paz havia acabado. Sabia disso, mas não deixaria seu desespero transparecer. Fingiria da melhor forma possível. Cada passo que dava, seu corpo tremia e sua respiração ficava irregular. Quando o mordomo fez uma mesura, e abriu a porta para que ela o seguisse, sabia que tudo havia acabado. Estava perdida.

Entrou no cômodo luxuoso, com várias estantes contento uma infinidade de livros, uma lareira enorme, esculturas, tapeçarias, cortinas... Tudo era de um bom gosto excepcional. Ela não teve tempo para admirar o local, pois sua atenção foi chamada pelo barulho da risada, enfadonha, da tia. Quase vomitou naquele momento.

- OH, Vossa Excelência, mais uma vez digo que não há como agradecer por salvar minha amada sobrinha. Foi um verdadeiro cavalheiro. Não é mesmo, Colchester? – Perguntou ao filho.

- Oh, Sim! Teremos uma eterna gratidão convosco, Vossa Graça. Srta. Wood é preciosa demais para nós. – Edward respondeu com um tom forçado. Aquele fingimento era mais do que Nessie poderia suporta.

- Com seu perdão, Excelência, a Lady Wood! – Disse o mordomo, ao anunciar sua entrada. Edward e sua tia Cordélia viraram e ela fez uma mesura perfeita. Podia ver o brilho malévolo nos olhos de ambos. Edward se levantou e caminhou até ela. Seu corpo inteiro tremeu quando ele a abraçou.

- Minha querida prima! Quanta falta sentimos. Ficamos com medo que houvessem a levado de nós. Mas agora, que a encontramos, estarás protegida e “nunca mais sairá sozinha”. – Aquilo era uma ameaça, ela sabia. O abraço foi tão forte que quase quebrou o corpo frágil de Nessie.  – Cuidarei muito bem de você. – Ele sussurrou a promessa de vingança em seu ouvido. Ela não conseguiu responder nada. Olhou apavorada para Jacob e viu como parecia incomodado com aquele abraço. – Agora agradeça a hospitalidade a Sua Graça. – Disse para ela, que o empurrou e se afastou. Caminhou até a mesa, Jacob se levantou, deu a volta e ela estendeu a mão para ele.

- Ob... Obrigada, Vossa Graça! – Fez uma mesura e olhou no fundo dos seus negros olhos, antes de se virar e sair, e o que viu foi dor.

- Eu a visitarei muito em breve, Lady Wood. – Ele respondeu. Nessie escutou a tia agradecendo e caminhou para a porta sem olhar para trás. Edward pegou o seu braço e apertou forte. Ela sabia que aquilo era o mínimo que faria com ela. Ainda escutou quando o duque disse para a tia: Eu a visitarei sempre. Quero me certificar que esteja bem tratada. Afinal essa adorável senhorita, merece toda a gentileza. E a senhora fará isso, não? Se ela sofrer qualquer acidente, eu saberei... – Foi uma ameaça. Ela sabia, assim como Edward e a tia. Eles não a marcariam, mas ela sabia que havia outras formas de tortura.

Caminhou até a saída, de braços dados com Edward, e quando chegaram a rua ele disse. – Não pense que isso ficará assim, Renesmee. Você pagará pelo que fez. – Vociferou.

A tia se postou, do outro lado, e disse: - Você foi uma menina má! E toda menina má merece um castigo. – Dito isso, Nessie sentiu um beliscão em seu braço.  – Isso será o mínimo, sua vagabundazinha. Não pense que porque o duque disse que estará observando, que você esta segura.

Nessie não respondeu. Andou com eles até  a carruagem, entrou e ficou calada, enquanto a tia e Edward a fuzilavam com olhar. Sabia que estava perdida. Sua vida tinha acabado.



Glau
E ai miguxas o que aconteceu com vcs? Cadê os comentários? Poxa vida eu me esforço tanto e vocês nem ligam. Se continuar desse jeito, não continuarei a fic. Estou bem triste com a ausência da maioria das leitoras.
Gostaria de agradecer a Virginia, Deia, Hilsiane e Kaka pelos comentários. A opinião de vocês é muito importante para mim. Ela é o tempero da fic. Quando as pessoas não expressam é porque não gostaram e tem medo de dizer. Então coloquem a boca no mundo e digam o que acham.

Agora eu pergunto o que acharam do cap? O que acontecerá com a Nessie agora? O cap 8 já está pronto, mas a Heri ainda não me devolveu. Como ela está lendo Jogos Vorazes não sei quando esse cap vem. Pretendo postar até a semana que vem.

A parte do cap em que a Nessie janta com o Jacob e toca piano não foi betada. A Heri pediu para acrescentar, mas como só consegui digitar hoje não enviei para ela. Se houver erro peço desculpas. OK?

N/Heri: QUE LINDO! ...” tinha medo por ela, por ele e pelo que não poderiam ter.” Gente que cena! Amo essas expressões, porque Glaucia faz um ótimo drama ao romance. Mas essa menina sofre hein? E essa megera de tia e esse safado de primo, merecem o que?
Comentem , até próxima...bjs