terça-feira, 13 de setembro de 2011

Abduction



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Entrevista para o Fantástico


sábado, 10 de setembro de 2011






E se você fosse escolhida, para ser irmã do amor de sua vida?

Num mesmo ninho, podem nascer diferentes tipos de amor.
Irmãos por acaso, Marina e Daniel se tornam grandes amigos.
O tempo passa e à medida que eles crescem a semente do amor, enraizado em seus corações desde a infância, começa a germinar, desafiando assim as regras impostas por seus pais.
Ao tentar viver esse amor, uma inesperada e assustadora previsão, feita por uma humilde anciã, revela que o futuro será traiçoeiro e cheio de armadilhas.
Eles estarão preparados, para enfrentar todos os desafios que o destino lhes apresentar?

Daniel e Marina uma surpresa, o conflito, um segredo e a oportunidade de viver um “Amor no Ninho”.

Bem gente, eu recebi a indicação desse livro, que foi postado na net como fic  como Estranha no ninho. Pelo que minha amiga Heri disse, a estória é linda e para prestigiar a Maribell eu já adquiri o meu.


Fica aqui a Dica para a leitura


quinta-feira, 7 de julho de 2011


Despedidas

No dia seguinte acordei cedo e bastante eufórica para a minha caçada com o Jake. Tomei banho apressadamente, escolhi uma calça jeans e um suéter escuro, penteei os cabelos, escovei os dentes e desci as escadas correndo.
Queria que aquela caçada fosse perfeita, afinal seria a nossa última na Península Olímpica. Depois disso, tudo seria diferente para nós. Estaríamos em uma nova cidade, morando em uma nova casa, convivendo com os conflitos... Pelo menos tentando.

Queria registrar tudo o que pudesse a respeito daquele lugar que amava. O cheiro das árvores, dos pequenos animais, da terra molhada, dá água salgada do mar, a brisa suave do vento ao entardecer, o som maravilhoso da cachoeira que descia furiosa sobre as pedras... Guardar todas as recordações e sensações que ele me fazia sentia era algo muito precioso para mim. Sabia o quão difícil seria não poder correr por aquelas terras. Não visitar os meus lugares favoritos e encontrar as pessoas de quem gostava. Já me sentia saudosa de tudo aquilo e meus olhos ficavam marejados d’água só de pensar no tempo que ficaria longe de Forks e La Push.

-Bom dia, mãe! - Disse para ela ainda no topo da escada.

-Bom dia querida! – Ela respondeu com um enorme sorriso. Era maravilhoso ver aquela expressão de felicidade em seu rosto. Ao menos ela tentava se mostrar feliz. No fundo eu sabia o quanto aquilo era difícil para ela. Preferi não comentar o assunto. Faria tudo para que aquela manhã fosse maravilhosa para todos nós. Não ficaria chorando antes da partida. Só aproveitaria o meu dia.

- Está pronta para a caçada? – Ela me perguntou.

- Estou! O Jake já chegou? -  Perguntei sem disfarçar a minha ansiedade. Estava acostumada a encontrá-lo sempre que acordava. Mas dadas as circunstâncias, ele devia estar arrumando as coisas para a partida e se despedindo dos seus.

-Ainda não! Enquanto isso vá tomar café. – Ela respondeu enquanto eu descia as escadas. Deu um beijo doce em meu rosto. Sentia o toque frio de sua pele em minha face.

- Mãe! Eu vou caçar e não quero comida humana. - Resmunguei fazendo uma careta. Sabia que ela não me deixaria sair sem comer ou beber nada. Meus pais faziam questão de que eu me alimentasse de comida humana mesmo antes de uma caçada. Apesar de saberem que aquele tipo de comida não me apetecia nem um pouco. Era horrível comê-las e fingir que gostava. Quase nunca conseguia convencer ninguém de que estava gostando da coisa gosmenta e insossa. Para mim era uma verdadeira tortura, mas eles queriam que minha natureza humana prevalecesse sobre a vampiresca.

-Só um pouco! Você vai precisar de energia, mocinha. – Disse de forma exigente. A expressão em seu rosto não deixava dúvida que aquilo era uma ordem. Não aceitaria rebeldia quanto aquilo. Mesmo que quisesse debater sobre o assunto, que era algo que normalmente costumava fazer, aquilo não estava em discussão. E por não querer atrasar a caçada, resolvi me dar por vencida.

Antes mesmo de chegar já podia ouvir as conversas. Vampiros costumam falar baixinho. Não há a necessidade de falar alto devido a super audição. E eu, com os dons recebidos dos meus pais, podia ouvir-los muito bem qualquer mesmo de longe. Assim ouvi meu pai conversando com Tanya, Kate, Carmem e os demais.

- Quando vocês vão? - Perguntou Tanya com tom de curiosidade.

- Amanhã. - Ele respondeu.
- Esse cachorro vai com vocês? - Dessa vez foi Carmem tentando entender o sentido disso daquilo. Sua voz parecia irritada ao falar. Certamente não tinha noção da ligação de Jake com a minha família. Algo, ao meu ver, até compreensível, apesar de não justificar a forma arrogante e depreciativa como o mencionou. Aquilo me fez sentir muita raiva. Tive que me controlar naquele momento.

- Sim, ele vai. – Meu pai respondeu com tom casual. Ele provavelmente estava ouvindo os pensamentos de todos e preferiu não advertir ninguém sobre a forma como se dirigiam a Jake. Sempre foi muito diplomático e usuária essa capacidade para não deixar ocorrer nenhum conflito com os convidados.

- Isso é no mínimo estranho, Edward! Vocês vão morar com um lobisomem? - Kate criticou.

- Não! Ele que vai morar conosco. - Ele respondeu rindo. – É “amigo” da família e não existe nada estranho nisso. – Continuou cordial.

- Você já viu como ela olha para ele, Edward? Viu como ela se colocou na posição de fêmea quando atacou àquela garota? - Tanya questionou. Eu parei na porta e fiquei em silêncio ouvindo as conversas.

- Ela é só uma criança e não tem maldade na cabeça. E ele não pensa nela dessa forma, pois eu já teria o matado. - Ele respondeu as críticas dela ponderando as palavras. Sabia que eu estava ouvindo.

- Ele vai morar conosco, mas o trato é de que faça a faculdade. Assim ele não terá muito tempo livre para ficar com ela. Os dois se verão apenas algumas horas todos os dias. - Um frio percorreu a minha espinha com uma parte da conversa!

Ele mataria Jake? Por que? Nós não ficaríamos juntos. O que tudo aquilo significava?”

De repente Jake chegou e me deu um beijo na testa, tirando a minha concentração da conversa na cozinha. Eu sempre me sentia confortável nos braços de Jake e os beijos carinhosos me faziam sentir maravilhosa. Minhas bochechas começaram queimar. Sabia que deveriam estar vermelhas naquele momento.

Ainda fiquei parada uns momentos, pensando naquilo.

-Vamos, Ness? - Jake chamou.

-Vamos! - Respondi.

-Esperem por mim! – Minha mãe gritou do topo da escada. Ela foi ao quarto fazer algo quando desci e estava voltando. Fiquei aliviada por não tocar no assunto da comida novamente. Quando entramos na cozinha, ele cumprimentou todos e depois me perguntou?

- O que você quer caçar hoje?

-Leão da montanha! - Exclamei docemente.

-Você é igualzinha ao seu pai! - Riu para mim enquanto meu pai olhava para ele zangado com alguma coisa que ele havia pensado. Jake adorava irritar o meu “pobre” pai e se fazer de inocente. Sabia que às vezes era debochado e insuportável. Pensava “coisas” que deixavam meu pai aborrecido e às vezes o faziam perder a cabeça.

Minha mãe se lembrou do meu café e me obrigou a comer algo antes de sair. Pensei que me safaria daquela, mas não teve jeito. Depois do meu “breve” desjejum saímos com ela logo atrás de nós.

O nosso dia de caça foi muito divertido. Como sempre fizemos a nossa velha competição. Para mim o ato da caçada era mais do que necessidade de alimentação. Meu amigo sempre fez com que fosse um jogo divertido e estimulante. Minha mãe achava graça quando eu trapaceava e Jake agia como uma criança disputando comigo. Ele sempre me deixava ganhar, apesar de disfarçar. Hoje sei que fazia isso propositalmente, mas na época era maravilhosa a sensação de vitória que só ele podia me proporcionar.

Nós corremos durante horas, procurando meu apetitoso leão da montanha. Quando o achamos, disputamos por ele e Jake me deixou ganhar e ficar com o prêmio, contentando-se com alguns herbívoros. Era gloriosa a disputa por alimento e o prêmio final mesmo que não tivesse muita sede naquele momento.

Quando voltamos para casa, meu pai o chamou para conversar em particular. Os dois saíram para a floresta, para ficarem a uma distância inaudível, acredito eu, e terem algum tempo a sós. A minha curiosidade era enorme. Daria tudo para ser uma mosquinha para ouvir o que os dois falavam. Pelos olhares do meu pai e de Jake, sabia que nenhum deles tocaria no assunto comigo quando voltassem. Tive que ficar curiosa, pensando no que teriam falado. Fazendo várias conjecturas que não me levaram a nada. Só descobri o teor daquela conversa anos depois.

Depois disso Jake se despediu de mim e foi La Push. Ele ainda tinha que se despedir do seu pai, dos seus amigos, e da irmã. Fiquei imaginando como tudo isso seria difícil para ele. Ainda me sentia muito mal por fazer isso com sua vida. Ao mesmo tempo, eu era egoísta demais para pedir que ele ficasse. Não agüentaria partir sem ele por mais que tivesse a exata noção do meu egoísmo.

Eu não queria e não podia ficar sem ele. Tudo o que vivemos, todas as nossas conversas, as nossas competições, os nossos momentos eram o suficientes para me torna a pessoa mais egocêntrica do mundo quando se tratava em ficar ao lado de Jake. O meu melhor amigo... O meu irmão. Simplesmente não podia me dar ao luxo de partir sem ele.

-Pai? - Chamei. -Posso ir com o Jake?  - Pedi manhosa.

-Pode! - Ele assentiu.

-Até logo então. - Respondi!

-Jake! Jake! Espere! E vou com você!  - Corri para alcançá-lo saltitante. Também queria me despedir dos meus amigos e estar com naquele momento. Sabia o quão difícil seria dizer “Até breve”.


Subimos na moto do Jake e ele dirigiu rapidamente para La Push. Enquanto passávamos pela estrada, vendo as casas conhecidas, as pessoas e a paisagem tão familiar, eu senti saudade daquele lugar que fez parte da minha curta vida. Meu coração apertou e meus olhos encheram de lágrimas. Tive que me segurar para não chorar... Não ainda. Não podia deixá-lo me ver naquele estado. Precisava ser forte. Sabia disso.

Quando chegamos à pequena casa de Jake, todos já estavam esperando para a despedida de seu amigo, irmão e líder. Foram muitos os abraços, as lamentações e os seus olhos cheios lágrimas vendo a concretização da partida na sua frente. Eu estava como coração cortado pela sua tristeza, mas ao mesmo tempo tinha medo que ele desistisse de ir comigo. Eu realmente era egoísta!! Eu pensei enquanto olhava para as expressões tristes e o pranto nos seus olhos. Ver seu pai arrasado, a irmã com olhar perdido e os amigos desanimados com a perda do líder. Eu pude presenciar tudo em primeira mão. A dor dele era a minha dor. Simplesmente não tinha como explicar que meu coração sentia tão quebrado quanto o dele. Ali me dei conta que não havia interferido não apenas na vida de Jake, mas na de todos. Sempre carregaria aquele peso na minha consciência... Sempre.

Havia algo mais que a tristeza em seus olhos negros. Uma esperança, ou  felicidade,  que eu não conseguia entender.

Como ele podia está feliz? Que esperança era aquela em seu rosto ao olhar para mim? Como uma pessoa podia se sentir triste e ao mesmo tempo feliz e esperançosa?”

Jake pegou a sua mochila, colocou-a nas costas e me chamou:

-Vamos, Ness! - O seu olhar cálido e carinhoso estava focado em mim. O brilho nos seus olhos eram intensos demais naquele momento. Parecia que estava vendo uma verdadeira jóia. Ali, mesmo sem entender, tive a certeza de que não houve nenhum tipo de hesitação. Ele fazia tudo consciente e não tinha dúvida quanto a seguir a minha família. Era mais do que dedicação.

“O que aquilo significava?”

- Os outros estão nos esperando e temos que nos apressar. - Segurou delicadamente a minha mão e me puxou para fora com ele. Eu já havia abraçado e beijado todos, mas queria continuar com eles. Queria ver o riso de Seth e o jeito engraçado como ele me abraçava e me jogava para o ar. Acho que de todos ali era o que mais sentiria saudade. Jake não me deixou mais tempo, para pensar no que estávamos deixando para trás. Provavelmente sabia que eu também estava rasgando por dentro. Queria evitar mais dor.

Ele olhou para o pai e seus irmão e disse:

- Eu venho todo fim de semana. – Sua voz rouca era praticamente um sussurro naquele momento. - Seis anos passam rápido... Cuidem-se. – Virou-se, colocou-me na moto, depois subiu e deu partida.
Fomos para a minha casa e no caminho ouvia a sua respiração forte e frenética. O seu coração batia forte e quando um soluço saiu da sua boca, eu tive certeza... Estava chorando.

Eu senti remorso por fazê-lo passar por isso. Eu o queria perto de mim, mas não queria que ele sofresse. Isso me fazia sofrer também.

“O que eu poderia fazer? Será que eu poderia dizer para ele ficar?”   Pensava várias coisas ao mesmo tempo.

- Jake, você quer mesmo ir conosco? Tem certeza? Você... Você... – Já estava chorando também quando ele parou a moto no acostamento. Não queria mais vê-lo sofrer. Não suportava mais ver e sentir a sua dor. Sentia meu coração sangrando por dentro a cada momento.– Pode me visitar...

Ele desceu da moto e se virou para mim. O seu abraço foi muito forte naquele momento e o seu calor conseguir me confortar. Ao mesmo um pouco.

- Pequena, essa é a única certeza que tenho. Eu irei com vocês até o final do mundo. – Beijou o topo da minha cabeça e ficamos abraçados até eu conseguir parar de chorar.

[...]

Chegamos a casa e todos já estavam prontos para ir, em seus carros nos esperando para ir embora. Minha mãe abraçou Jake e perguntou enquanto se olhavam por alguns momentos:

- Você tem certeza? – Acho que se ela pudesse estaria chorando também. Mas como todos sabem, vampiros não podem chorar.

-Eu nunca tive tanta certeza de algo na minha vida. Está ao lado de vocês é tudo que eu preciso para viver. - Ele sorriu para ela. Os dois trocaram um olhar de cumplicidade. Os dois eram confidentes, amigos, parceiros e se consideravam dois irmão. Eu me lembro que eles tinham uma sintonia tão grande, que seus pensamentos pareciam conectados muitas das vezes. Eram muito diferentes em algumas coisas, mas muito parecidos em outras. Fizeram novamente a coisas que eu odiava. Não suportava o jeito que tinham de conversar com os olhos. Queria saber do que se tratava. Nenhum dos dois me contaria certamente.

Meu pai às vezes parecia ter ciúme dessa cumplicidade. Entretanto entendia o sentimento fraterno que unia os dois. Depois que eu nasci os laços ficaram mais apertados. Toda família dizia para mim, quando questionava esse estranho relacionamento, que apenas se sentiam irmãos. Mas eu sabia que havia algo mais... Esse foi o segredo que guardaram grande parte da minha vida. Só hoje entendo o real motivo dessa relação.

Uma vez eu ouvi minha mãe dizer que ele a salvou de todas as formas que uma pessoa poderia fazer. Que ele tinha sido o seu porto seguro, o seu sol, o seu protetor em um tempo que vivia numa estranha escuridão. Queria entender o significado daquilo, mas Jake prometeu me explicar quando eu tivesse maturidade para entender. Sempre a coisa da idade. Ninguém me considerava adulta para contar os segredos. Esperavam que eu crescesse para revelar os mistérios que envolviam a família e principalmente a relação de Jake com minha mãe. Aquilo me irritava bastante.

Eu às vezes sentia ciúmes da cumplicidade dos dois. Por ele não ter esse tipo de relação comigo. Queria que a nossa amizade fosse assim. Perfeita. Queria me conectar com ele, como eles pareciam conectados de alguma forma. Conversar com o olhar, entender os gestos sem precisar dizer nada. Ela era a minha mãe e nutria uma adoração tão profunda pelo meu pai. Era absurdo pensar nos dois de outra forma. Não imaginava minha mãe e Jake tendo uma relação romântica, mas era estranha a forma como se comportavam em alguns momentos. A única explicação que encontrava para os meus sentimentos era ciúme... Só não sabia se era mais dela do que de.


Depois daquela estranha conversa e olhares significativos, todos foram para seu veículo e partimos para a nossa nova vida.

A única coisa que pedia e esperava do futuro, era que pudesse ser feliz no novo lar onde recomeçaríamos tudo. A certeza que isso poderia acontecer, era o meu melhor amigo que seguiria conosco, abrindo mão da sua própria vida em pró da minha felicidade.

sábado, 25 de junho de 2011

Preparativos para mudança

Meu pai e meus avós viajaram para preparar a nossa chegada na casa nova. Uma mudança normalmente leva tempo e com o tipo de vida a que nós, os Cullens, estávamos acostumados, seria preciso alguns dias para escolher e prepararem a nova casa. Não é muito fácil nos dias de hoje encontrar um local grande o suficiente para uma família de dez pessoas, e que fosse totalmente reservado. Quando digo reservado, eu me refiro a um lugar escondido no meio do nada e com uma grande floresta. Era realmente necessário ter uma floresta para caçarmos e Jacob ter a liberdade na sua transformação. Ele não poderia perder a comunicação com a sua matilha.  Minha avó precisaria de alguns dias para decorar a casa, mesmo fazendo isso com a rapidez. Não me entenda mal, acontece que dona Esme é uma pessoa muito perfeccionista e os detalhes contam muito para ela. Decorar a casa, para ela, é uma atividade que requer tempo, apesar de uma tarefa corriqueira. Com esse intuito, eles viajaram alguns dias antes para Honeymoon Bay, uma reserva florestal perto de Kenora no Canadá.

Alice, Rosali e minha mãe Bella ficaram para preparar a minha festa de aniversário. Minha tia maluquinha, Alice, adorava festas e mesmo com a aversão que minha mãe  demonstrava em ocasiões de festividade, aquele seria um acontecimento para a nossa família porque era o meu aniversário. Também seria o momento em que receberíamos os nossos velhos amigos, os mesmos que estiveram ao nosso lado no confronto contra os Volturis, e os nossos quase parentes de La Push. Quando eu digo “quase parentes” estou levando em consideração que a família e os amigos de Jake se tornaram parte importante em minha vida, assim eu os considero como membros da família.
Minha mãe, por mais incrível que possa parecer, estava bastante animada com essa coisa de festa e se ofereceu para ajudar Alice, apesar da sua falta de talento e gosto. Sim! Nesse quesito sempre foi uma grande negação. Se deixasse por conta dela, seria um verdadeiro horror, assim dizia Alice. Rosali e ela tentavam dá opiniões, mas Alice parecia saber bem o que queria e o mais importante, o que faria. Não dando muito espaço para elas e muito menos ouvidos aos conselhos que davam a respeito da decoração. Minha baixinha sempre foi muito decidida.

Emmett e Jasper estavam resolvendo as questões legais para os Cullens e Jake cursarem uma Universidade Kenora. Precisavam falsificar alguns documentos e fazer alguns subornos, por isso não se envolviam o muito com a coisa da festa.

Eventualmente a família saia junta para caçar. Os vampiros, assim como os híbridos, podem viver alguns dias sem sangue, mas isso acaba causando uma espécie de abstinência, o que torna mais difícil a vida de vegetarianos e a resistência ao sangue humano. Para a segurança de todos, mesmo sem sede, é sempre bom estar alimentado. Isso evita algum eventual acidente de percurso.  Nós nos alimentamos de sangue animal, coisa que não me é muito atraente, e justamente por isso, para tornar o ato de me “alimentar” mais interessante, Jake sempre fazia as excursões conosco. Ele sabia que as competições que fazíamos tornavam a caçada mais convidativa para mim. E mesmo não gostando muito de caçar com Emmett, Rosali e Jasper se exibindo, ele fingia que não prestava atenção. Assim as coisas ficavam divertidas para nós dois. Sei que para ele era um grande sacrifício. Ainda é nos dias de hoje, entretanto o seu coração é tão grandioso que esse sempre foi e sempre será, com certeza, o menor dos sacrifícios que fez por mim.

É claro que eu sempre trapaceava e ele deixava isso ocorrer. Sabia que eu não gostava muito de perder, assim sempre dava um jeito para eu ganhar. Eu me sentia maravilhada com as minhas conquistas. Hoje sei que ele faz de propósito, mas na época era apenas uma criança e a sua generosidade me deixava envaidecida. Minha mãe parecia encantada com isso e se maravilhava com a sua paciência comigo. Acho que eu nunca teria um amigo como ele se não fosse por ela. Os dois tinham uma ligação espontânea. Às vezes pareciam conversar apenas com o olhar. Tudo o que Jake fez por mim foi em parte por causa dela. Naquele momento eu não entendia bem as coisas, mesmo assim era grata a ela pelo amigo que tinha.

Para fugir do estresse que Alice, Rosali e minha mãe ficavam por causa dos preparativos da minha festa, eu aproveitava o máximo de tempo com os meus amigos lobos, Charlie e os humanos de La Push. Eu sempre amei a reserva e lá me sentia em casa. Todo aquele verde, o ar puro, a beleza das praias, as casinhas de madeira tão parecidas e mais ainda as pessoas. Todos me tratavam com tanto amor, que era impossível não amar estar com aquelas pessoas. Minha mãe já não se importava tanto de Jake e eu andando para todos os cantos juntos. Já não implicava ou proibia, porque ela sabia que não iríamos nos separar nunca. Essa era a certeza que eu tinha e que me mantinha feliz. Mas houve um tempo em que ela se mostrava relutante. Percebia a careta que ela fazia e o desconserto do meu pai. Os dois não gostavam muito. Acho que tinham medo das pessoas descobrirem o meu segredo e me tratarem mal. Se ela soubesse como eu me sentia bem lá e como os meus lobinhos me amavam...

Jake às vezes parecia triste por deixar a sua matilha e seu velho pai, apesar dele não ter planos para ficar completamente ausente.  Sabia que teria os finais de semana e manteria contato permanente com o Sam e com os outros lobos. Mesmo assim era evidente a tristeza que tentava esconder de mim. Às vezes eu podia ver, quando ele não se dava conta da minha presença, os seus olhos distantes cheios de água. Aquilo realmente me cortava o coração e me fazia sentir como a pior pessoa do mundo. Não queria ser tão egoísta a ponto de arrastá-lo comigo, mas também não conseguiria viver sem ele. Era tão doloroso pensar nesse tipo de coisa. Uma criança, mesmo com o meu amplo conhecimento, não tem muito maturidade para trabalhar algumas coisas em seu coração. Acaba sendo levada apenas pela emoção e deixando o sentimento dos outros de lado. Quando me dava conta disso, sofria de verdade por ele. Mas não fui altruísta, como meus pais, para pedir que ficasse. Sem ele eu não suportaria.

O sorriso que eu tanto amava e que fazia meu dia se iluminar, que era a sua característica marcante, os dentes brancos, as maças do rosto arredondado proeminentes, a covinha no queixo, os lábios carnudos e o olhar zombeteiro... Tudo aquilo parecia sumir da sua face, deixando uma máscara de tristeza, que me fazia sentir culpada por existir, culpada por fazê-lo ser meu eterno protetor, culpada por permitir que abandonasse tudo o que ele amava. Era muito egoísta para lhe dizer que ficasse. Egoísta!! A acusação sempre na minha mente.

Aproveitamos o máximo de tempo em La Push e não nos preocupávamos com o tempo. Afinal era insuportável ver minha tia louca arrumando as coisas para a festa. Pior ainda era ver o desespero da minha mãe diante de tantas coisas a fazer. E eu estava impressionada em como ela estava agüentando aquela situação, porque primeiro era totalmente contra festas e segunda quase morria com as sandices da de Alice... Quer dizer, isso se pudesse morrer. É claro. Não me preocupava muito com isso. Sabia que iria sobreviver mais alguns dias de Alice Cullen completamente surtada. A minha duvida era: “Será que eu sobreviveria? “ Eu procurava não pensar ... Só fugir com meu Jake.

Faltavam apenas dois dias e todos já estavam em casa mantendo um clima de melancolia  e saudosismo. Afinal viveram tanto tempo naquela casa e naquele momento teriam que ir embora. Eu percebia as expressões amuadas dos meus tios e da minha mãe, principalmente. Acho que o único inconveniente em ser imortal é não poder ficar muito tempo em um lugar. Todos aprenderam a viver como nômades. Entretanto, demonstravam clara afeição por Forks e La Push. Ainda havia um novo fator: Ness. Todos sabiam o quando eu amava aquele lugar e como seria a mudança e adaptação para mim. Obviamente estavam preocupados com isso. Minha avó, desde o momento em que retornou, parecia muito mais triste do que os outros por abandonar o seu lar. E sempre resmungava:

- Eu fui tão feliz nessa casa.. .Tantas lembranças boas...

Eu ficava emocionada com as palavras da minha doce avó e com certo pesar pela sua tristeza, mas meu pai dizia que isso passaria logo.

[...]

Os primeiros convidados começaram a chegar dois dias antes da festa: Kachiri, Senna, Zafrina, Eleazar, Carmem, Kate, Tanya. Era estranho para eles, porque tínhamos nos vistos há apenas 6 meses atrás, e de um lindo bebê eu havia me transformado em uma criança grande de aparentemente sete anos. Zafrina quase não me reconheceu, Tanya parecia extasiada de felicidade, Carmem e Kate eram só amores para mim. Eu me sentia mais mimada do que nunca. Era o centro do universo. Paparicada e requisitada por todos, para o desgosto de Jake que não tinham mais a exclusividade sobre mim.

Fazia questão de mostrar como fui feliz naqueles meses. Nenhum deles parecia acreditar no meu desenvolvimento tão rápido. Naqueles dias, eu brincava com os meus poderes, descobertos por Eleazar, e aprendia que eu tinha mais do que imaginava com Kate e Zafrina. Mas minha mãe ficava apavorada me vendo testar os meus novos dos com elas. Tinha medo que isso pudesse se espalhar. Não queria que as pessoas soubessem o quão talentosa era. Sabia que seria uma ótima “peça” para os Voulturis se descobrissem o meu potencial. Conseguia mostrar as pessoas às imagens, boas ou ruins, que eu quisesse sem tocar nas pessoas. Aprendi  a desenvolver o dom mental muito parecido como Jane, Alec, e Zafrina. Além de ser um escudos, para proteger a mim e quem quisesse, era um espelho, refletindo os poderes que recebia de outras pessoas. Isso ajudaria em um contra ataque. Se alguém quisesse me fazer sofrer, como Jane, eu poderia devolver o golpe com o dobro da força. Isso seria bem divertido para mim. Adoraria fazer aquela presunçosa provar do próprio veneno. Também  era capaz de quebrar qualquer escudo e testava isso com Bella. Por todas essas razões, minha pobre mãezinha, morria de medo que isso se espalhasse. Eu seria uma arma letal nas mãos das pessoas erradas, se é que me entende.

E Zafrina me ensinou alguns truques para mostrar imagens tenebrosas para os meus oponentes. Também achava que isso seria bem útil em uma luta. Mataria uma pessoa de medo em dois tempos. Só não sabia por que esses poderes não funcionavam com meu pai. Eu gostaria de um pouco de privacidade com os meus pensamentos. Se pudesse evitá-lo de ler os meus pensamentos seria o céu, mas não conseguia fazer e ele adorava isso. Sempre sabia o que estava pensando antes mesmo de eu me dar conta. Era bem perspicaz e bisbilhoteiro. Eu odiava isso.

Jake ficava muito tenso vendo treinos dos meus poderes com meus amigos. Ela achava que eu poderia me machucar com os ataques de Zafrina, Kate e Eleazar. Eu tentava assegurar que não havia perigo. Ele, no entanto, sempre trincava os dentes quando começávamos com as brincadeiras. Podia sentir os tremores pelo seu corpo. Tinha medo de perder o controle e se transformar em algum momento. Queria ter a capacidade de ler os seus pensamentos para saber o que pensava realmente daquilo. Qual o motivo de tanto medo. Mas justamente o poder que queria eu não tinha. Para a minha mais completa infelicidade... “Bem que meu pai poderia ter sido generoso nesse ponto”.
No dia seguinte chegaram Peter, Charlotte, Alistair, Charles, Makenna, Amun, Kebi, Benjami, Tia, Maggie, Siobhan, Liam. E eu também repassei para eles todos aqueles meses de felicidade, participando-os do meu crescimento, usando meus novos poderes. E eles pareciam não acreditar em todo o que eu os mostrava.

Estava quase na hora da festa, os outros convidados ainda não haviam chegado, mas uma figura misteriosa pareceu na porta e entregou um pacote para Esme. Todos que estávamos entusiasmadas e felizes com meu aniversário ficaram tensos de repente com aquela figura. Acho que perceberam imediatamente do que se tratava. Ela entregou ao meu pai e todos ficaram observando. Havia um clima de suspense no ar. Nem mesmo Jasper conseguiu amenizar a situação. Foi complicado até mesmo para ele controlar tanta tensão.

- Os Volturis enviaram um presente para você, querida! - A sua voz era perturbadora, mas tentava ser aveludada. Meu pai não deixaria que nada estragasse a minha festa. Tentou fazer o máximo para suar casual. Todos olhavam inquisitivamente quando ele me passou o pacote e um bilhete:

- Estamos felizes por esse dia tão especial, Renesmee. Desejamos toda a felicidade do mundo. Esperamos vê-la em breve. - Eu li alto e um frio percorreu a minha espinha. Um pensamento sombrio percorreu o meu ser: Eles não desistiram de mim! Eu tinha certeza que não. Por mais que tudo parecesse bem naquele momento, era um claro aviso que eles voltariam para me ver e averiguar os meus poderes. Eles sabiam que sendo filha de vampiros tão talentosos, eu teria algum dom útil a oferecer. Se soubessem realmente a minha capacidade, acho que não teriam desistido da luta. Tive muito medo naquele momento. Vi minha mãe olhar apavorada para meu pai. Fingi não perceber nada e não deixei transparecer os meus temores, apesar de saber que meu pai ouvir o que estava pensando.

Abri o embrulho sem pressa. Era uma linda boneca. Poderia dizer que era a mais linda que eu já havia visto. Seu rosto era de porcelana e todos os detalhes eram perfeitos. Mas apesar da beleza do presente, não gostei de tê-lo recebido. Preferia não tê-lo ali. Queria me desfazer imediatamente. Estava tensa demais com aquele aviso. Mesmo assim abri um sorriso para quebrar aquele clima de tensão.

Ela é muito linda!! Olha só mãe como é delicada e perfeita!! – Tentei parecer empolgada. Sabia que não acreditariam, mas não custava nada tentar.

Todos riam e achavam graça da minha ingenuidade. Mas meu pai, que podia ler os meus pensamentos, soube que estava chateada, com medo e me sentindo ameaçada pelos Volturis:

- Malditos assassinos, italianos!! O que querem? Me assustar? Mas isso não vai acontecer!!

De repente minha visão se iluminou quando ele entrou na sala de forma deslumbrante e amável. Além de uma beleza natural, sua roupa era impecável e nem parecia àquele cara com calça jeans rascadas, peitos de fora e cabelos desarrumados. Não havia não ninguém tão lindo, tão formoso, tão adorável quanto meu Jake. Eu nem me dei conta que a sala estava cheia de convidados me olhando atentamente quando corri para os seus braços, agarrei-me o mais forte o possível em seu pescoço e beijei o seu rosto moreno estonteante. Fiz aquilo com a maior naturalidade, mas acho que os amigos vampiros não gostaram muito da cena... ”E daí? Quem liga para a opinião dos outros?”

- Jake, você está lindo! - Disse sem reparar a cara de horror, vergonha e desaprovação dos meus pais. Os nossos amigos vampiros olhavam incrédulos e eu podia ouvir os sussurros:

- Isso não é saudável!

- Ela é só uma criança!

- Como Edward permite isso!

-Ele é um cachorro!

Nesse momento eu fiquei envergonhada e minhas bochechas ficaram vermelhar.

- Odeio ter herdade essa característica humana da minha mãe! -Pensei e me recompus para cumprimentar os demais convidados que vieram com Jake. Atrás dele estavam Quil, Embry, Sue, Emily, Sam, Billy, Seth, Paul, Rachel, Kimi, Jared, Colin, Clair e meu adorável avô Charlie. Conforme iam se apresentando, eu os recebia com muito amor e muito feliz por estarem ali compartilhando comigo aquela festa. Eles eram importantes para mim e por mais que o lado vampiro não gostasse da presença dos lobos, não abriria mão por causa de coisas bobas. Era apenas uma noite. Uma festa e todos tinham que se comportar educadamente e aceitar as diferenças.

Todos pareciam espantados com a decoração que Tia Alice fizera e podia ouvir os elogios:

-Nossa eles sabem mesmo dá uma festa!! – Emily falou

-Está tudo tão perfeito!! – Foi a vez de Sue.

Eu estava extasiada de felicidade era tudo perfeito. “Alguém poderia ser mais feliz do que eu naquele momento? Ali estavam todas as pessoas que amava.”

Eu estava nos braços do meu adorável e lindo pai, dançando alegremente, girando pelo salão com muita desenvoltura. Ao contrário da minha mãe, não tinha a menor vergonha de dançar. Depois dele dancei com todos os homens... Humanos, lobisomens e vampiros.  Não parava quieta um minuto se quer. Era a atração da festa e tirei proveito disso. “Mas sabe o que mais gostei?” Foram os braços fortes de Jake me conduzindo na pista de dança. Eu me sentia tão confortável em seus braços. Era simplesmente perfeito

Tanya perguntava a Esme: - De quem essa menina puxou esse ânimo todo?

- A Bella acha que essa alegria saltitante é da sua mãe Renêe. – Minha avó respondeu.

Enquanto girava nos braços de Edward novamente, pude ver Leah entrando no salão e não gostei muito, mas fiquei na minha. Não arrumaria briga com ela na minha festa. Certamente os vampiros tomariam partido e os lobos não permitiriam que ela levasse a pior. Sabia que era melhor me comportar mesmo a contra gosto.

Ela puxou Jake para dançar e ele foi envergonhado. Para mão fazer desfeita, eu acredito, ele a pegou pela mão e de repente eles estavam muito juntos na pista de dança. Ela estava com a cabeça no seu ombro, olhando para mim com cara de desdém. Aquilo fez surgir uma fúria em mim, que subiu para a minha cabeça. Quando dei por mim, havia mostrado os destes rugindo muito alto para ela. Todos, vampiros e lobos, se colocaram em posição de ataque. Mas Jake estava calmo e deu uma ordem para Leah sair. Meu pai me segurava e sussurrava no meu ouvido para que me acalmasse. Sabia que se me soltasse, voaria no pescoço dela. Isso era o que realmente queria. Queria arrebentar aquela cadela.

- QUEM AQUELA CADELA PENSA QUE É PARA RIR DA MINHA CARA? PARA ME ENCARAR DESSE JEITO? EU VOU ARRANCAR OS OLHOS DELA PAI? – Gritava em minha mente. Queria gritar alto, mas me controlei.

-Calma, Ness! Tudo bem! Ela já foi. – Meu pai sussurrava no meu ouvido, para disfarçar enquanto todos olhavam para nós. Estavam perplexos com a cena. Acho quem ninguém esperava que ocorresse. Veja bem, eu só tinha sete anos e já me comportava de forma possessiva. Ele era “meu” e acho que aquilo ficou claro para todos. Mesmo sem saber, dei a maior mancada da minha vida.

Meu tio Emmett deu uma risada divertida: - Tão pequena e já é tão geniosa quanto à mãe! Rrsrsrs – Ele gargalhou. Acho que para quebrar o clima de tensão. Meu tio sempre foi muito brincalhão e aquilo talvez ajudasse a descontrair as coisas.

Todos na sala riam, achando a piada engraçada ou fingindo achar, para quebrar o clima que havia ficado no ar depois que Leah se retirou da festa. Mas eu ainda estava vermelha de raiva e se não fossem os humanos... “Eu teria arrancado o pescoço dela”.

Só Charlie olhava com desconfiança e dizia: -Como pode se tão parecida com Bella? Tão geniosa e temperamental. – Franziu o cenho e ficou pensativo. Ele ficava cada vez mais desconfiado.

- É a convivência, Charlie.  – Meu pai respondia rindo.

As conversas paralelas se formavam e todos já pareciam ter esquecido aquele inconveniente. Eu estava mais calma e meu pai já não me segurava mais. Até conseguia rir das piadas que faziam. Acho que foi quando percebeu que tudo tinha acabado, pelo menos parecia, que Jake veio para mim. Avaliou o meu rosto e depois falou:

 -Ness, Por que você não toca para nós a sua última composição? - Seu sorriso era irradiante e iluminava todo seu rosto. Às vezes eu tinha a impressão que ele estava olhando para um diamante ou algo precioso. Meu coração se aquecia quando fazia aquilo. Sentia-me realmente especial. Tudo em minha volta se iluminava. Era um dom que só ele tinha... “Até hoje ele consegue fazer com que me sinta dessa forma”.

-Ela compõe? - Alguém que não consegui identificar perguntou cético.

-Ela compõe tão bem quanto o Pai. - Respondeu minha mãe muito orgulhosa.

Eu comecei a dedilhar as teclas do piano, tocando uma canção que compus para o meu Jake. Deixei toda a emoção fluir. Fechei os olhos e me lembrei de como me sentia quando me agarrava aos pelos do lobo marrom avermelhado e era conduzida através da floresta. O vento em meus cabelos, o cheiro das criaturas, os barulhos que para muitos seria imperceptível e os rosnados do “meu lobo”.  E o mais importante, como eu me sentia iluminada quando estava com ele. Como o seu sorriso tinha o poder de aquecer o meu coração e o meu corpo.

Quando terminei todos aplaudiam incrédulos do que tinham ouvido.
-Como se chama essa canção? - Perguntou Kate.

- Se chama Sol da minha vida - Eu respondi olhando para Jake, quando novamente todos me olhavam espantados sem entender o porquê. Para mim era algo muito natural. Veja bem, eu não via Jake como “homem”. Ele era apenas o amigo que me fazia feliz. Que tornava os meus dias mais alegres, mais fáceis e estava sempre me protegendo e mimando. Não me imaginava um dia sem ele. Era impossível pensar na vida sem Jake. Para os outros, entretanto, era estranho uma criança sentir tamanha veneração por um “homem”. Mesmo que nisso não houvesse maldade nenhuma.

- Mãe, estou com sono! - Eu resmunguei.

- Vou levar você para o quarto, querida. – Minha mãe disse docemente. Jake veio até mim e deu um beijo na minha testa dizendo:

- Durma bem! Não se esquece que amanhã vamos caçar. Então descanse, querida. – Seus olhos negros brilhavam com tanta intensidade. Pareciam duas perolas negras. Eu o olhei e me senti confortável. Dei um abraço apertado e me despedi de todos antes de sair.

Fui para o meu quarto muito cansada. Enquanto minha mãe arrumava a cama, trocava de roupa pensando em como seria a minha nova vida. Como tudo mudaria em uma casa nova longe de tudo e de todos. Tentei afastar os pensamentos e perguntei a minha mãe:

-Vocês vão para o chalé hoje ou dormirão aqui?

- Vamos ficar aqui querida. Temos convidados.  – Ela respondeu docemente enquanto terminava a tarefa.

- Te amo, mãe!!
-Te amo, Renesmee. – Ela beijou a minha testa antes de me cobrir com edredom e partir.

Deitei em minha cama sabendo que em pouco tempo aquele não seria mais o meu quarto. Já sentia saudade de tudo. Mas sabia que por mais difícil fosse à mudança, tudo ficaria bem enquanto eu tivesse o meu “sol particular” ao meu lado.

sexta-feira, 24 de junho de 2011



Planos para o futuro

Os Volturis foram embora e finalmente o pesadelo parecia ter passado. Era hora de fazer planos para o nosso futuro. Quase todos em minha família concordavam que não poderíamos ficar muito tempo em Forks, pois era muito perigoso manter a farsa. Para todos os efeitos as pessoas achavam que meus pais e meus tios haviam se mudado para estudar na universidade Dartmouth. Assim não poderiam ser vistos na cidade. “Por quanto tempo conseguiriam ficar incógnita em Forks?” Essa era a pergunta que meu pai, Edward,  e meu avô, Carlisle,  faziam constantemente. Por outro, lado minha mãe, Bella, se via em um eterno dilema:  Não podemos deixar Charlie e Jake para trás!” Ela dizia enfaticamente.

Todos conheciam os riscos de permanecer ali. Alguém poderia ver minha mãe ou um dos irmãos Cullens e questionar sobre a sua presença. Qualquer pessoa que conheceu Isabella Swan notaria a diferença existente na nova Bella. Sua pele muito branca, os olhos cor âmbar, os cabelos cor de cobre e mais volumosos. Ela virou uma verdadeira top model depois da transformação. Era difícil não perceber a diferença da Bella sem sal para a nova mulher. Todos diziam. Isso sem falar em meu avô Carlisle, que teve que abrir mão do que mais amava. Ele não podia mais trabalhar como médico naquela região onde todos o conheciam. “Como explicaria a sua eterna juventude? Tudo aquilo era perigoso demais para nós. O segredo precisava ser mantido para continuarmos em paz. Os nossos inimigos precisavam de uma pequena brecha para atacar novamente e nós não podíamos dar a oportunidade. Todos concordavam, apesar de eu ser muito jovem para compreender a totalidade do que diziam.

Eu crescia em ritmo acelerado, a minha mente já era de uma pessoa adulta, por mais que tentassem esconder as coisas de mim, estava sempre atenta aos acontecimentos da casa. Assim como os outros membros da família, sempre tive ótima audição e conseguia ouvir bem, mesmo quando cochichavam. Assim procurava expressar as minhas opiniões, como uma pessoa completamente independente, mesmo sendo uma pirralha, principalmente quando se tratava do meu futuro. Havia uma parte em mim que queria ser uma eterna criança, passando os meus dias sendo mimada por meu pai, minha mãe, Rosali, Jake, Seth e o restante da família. Isso era extremamente divertido para mim e via com orgulho as disputas de Jake e da minha tia Rosali para me alimentar, quando estabeleciam uma espécie de competição. Ela dava sempre a impressão que arrancaria a cabeça dele fora. Eu realmente gostava das disputas. Aquilo me divertia bastante. Por outro lado, outra parte de mim queria apenas crescer. Ansiava por mais liberdade e poder de escolha. Não queria ser apenas a garotinha indefesa da família. E tanta proteção acabava por me irritar.

Eu amava muito Jake e não queria ficar um dia longe dele. Quando ele tinha que cumprir com as suas obrigações de Alfa, eu ficava muito ansiosa para vê-lo novamente. Não sei se comentei, mas além de ser uma híbrida, em uma família de vampiros, meu melhor amigo era o Alfa de uma matilha de lobos transmorfos. Era uma amizade nada ortodoxa, levando-se em consideração que lobos e vampiros são espécimes inimigas. Nas ocasiões em que Jake ia cumprir com suas obrigações o tempo parecia parar. As horas insistiam em não passar tornando tudo insuportável para mim. Era o momento em que aproveitava para ficar com Bella, a minha doce mãe, quando eu podia sentir o seu calor, passar horas no seu colo, sentir o seu cheiro, brincar com os seus cabelos, fazê-la ver imagens coloridas e agradáveis. Ela olhava para mim com verdadeira adoração, parecia que via a imagem de uma verdadeira santa. Aquilo me fazia sentir a pessoa mais amada e importante do mundo. Às vezes eu me sentia diferente pelo que era. Até mal quando pensava não ser completamente humana. Minha mãe, no entanto, fazia com que me sentisse normal. Era muito reconfortante.

Edward, meu pai, era lindo e irresistível. Sua voz aveludada, o seu cheiro adocicado, rosto esplendido, e os olhos... Tudo nele era inacreditavelmente incrível. Era muito fácil entender a adoração que minha mãe sentia por ele. Além dos seus atributos físicos ele era extremamente altruísta, conservador, inteligente e amável. O problema nessa perfeição toda era somente o defeito... “Seu gênio era extremamente difícil”. Isso era irrelevante levando em consideração que ele era extremamente adorável. Quando olhava para mim ou se referia a mim, podia-se ver a veneração que tinha em seus olhos... “Mais até do que por minha mãe”.  Sua voz era de reverência ao grande milagre quando ele fala o meu nome. Maior até o de ter encontrado Bella depois de cem anos de vida. Acho que se ele pudesse chorar o faria sempre que me olhava.

À noite meus pais me levavam para o nosso chalé, para terem um pouco mais de privacidade. Privacidade em uma família de vampiros era algo que ninguém podia se dar ao privilégio, levando-se em consideração os dons da família e a audição aguçada. Por isso meus pais preferiam o chalé, onde podiam passar as noites se amando. Às vezes acordava a noite e ouvia o grande amor que tinham um pelo outro, em forma de gemidos, sussurros e rosnados. Confesso que aquilo era constrangedor e chegava a aguçar a minha curiosidade. Naquela época eu não sabia nada sobre sexo. Nada é maneira de falar. É claro! Uma criatura que cresceu no meu ritmo lia muito e nessas leituras aprendia “coisas”.  Entretanto, apesar do conhecimento, a minha sabedoria era muito pequena devido a falta de experiência. Assim, ao ouvir os barulhos no quarto dos meus pais, sentia-me extremamente curiosa sobre “o que” ocorria, e principalmente “como” ocorria.

Além da minha família de vampiros e dos meus amigos lobos, ainda tinha o meu avô Charlie, que não compreendia muito bem as coisas que aconteciam, como eu crescia tão rápido e como era tão incrivelmente inteligente. Ele havia feito a escolha de saber a menor quantidade de detalhes possíveis. Mas às vezes tentava encaixar as peças para entender a minha ligação com Bella, pois não era humanamente possível ela ser de fato a minha mãe. Apesar disso, algo dizia para ele que ela era. Sempre que Jake ou minha mãe me levavam para vê-lo, havia a surpresa sem sues olhos. Era evidente a descrença, em seu olhar, em relação ao meu crescimento e inteligência.  Mesmo assim não questionava as coisas estranhas que aconteciam porque esse foi o acordo que fizera com Jake e com meus pais. Ele achava que eu era a sobrinha adotada de Edward, mas sempre procurava semelhanças minhas com Bella. Dizia que eu tinha os seus olhos e os seus cachos, além de ser totalmente descoordenada como ela. Sabia, no entanto, que era melhor para não procurar explicações lógicas.

Apesar de meu pai não gostar muito, Jake sempre me levava para La Push onde eu me divertia com seus irmãos lobos, com Claire, Emily, Rachael, Kim, Sue e Billy. Todos eram muito amáveis comigo, exceto Leah que parecia ter algo engasgado na garganta. Ela não discutiria com uma criança, de aparentemente 6 anos, e mesmo que ela tentasse Jake tomaria as minhas dores. Mesmo assim tinha a plena certeza da sua repulsa por mim. Era mais claro do que a água. Seu olhar zangado às vezes me dava medo.
Minha vida era quase perfeita afinal. Tinha todos junto a mim e era feliz, amada, mimada. Além de ter todo conforto, amor, felicidade... e Jake. “O que uma criança poderia precisar para ser feliz?” Aquela aparente tranqüilidade começou a passar poucos dias antes de eu completar 1 ano, sete anos aparentemente, quando ouvi uma conversa entre Edward e Jake:

-Jacob, temos que conversar. - Disse meu pai com os braços cruzados. A voz parecia apreensiva e triste, enquanto minha mãe estava com uma expressão de dor e angústia. Fiquei atenta a conversa. Sabia que pelas expressões era algo muito sério. Meu coração bateu forte naquele momento e fui tomada por uma estranha angustia. Era a primeira vez que tinha aquela sensação de perda.

-O que está ocorrendo, Edward? - Perguntou Jake com tom apreensivo. Eu o conhecia bem para saber que algo estava o rasgando por dentro. Vê-lo naquela maneira me doeu ainda mais. Queria fazer algo para tomar aquela dor. Apesar disso me mantive incógnita para ouvir o resto da conversa. Sabia que se me descobrisse estaria ferrada.

- Ness vai completar sete anos e as pessoas vão começar a desconfiar que há algo errado. - Disse meu pai, tentando encontrar a palavra certa para explicar a situação. Ele olhou para minha mãe de forma tão estranha. Acho que sabia como ela estava se sentindo. Ela tinha a mesma expressão de dor de Jake. Eles eram amigos há muito tempo e muito cúmplices. Se havia algo que odiava era fazer o amigo sofrer.

- Se você se refere a Charlie e as pessoas em La Push, pode ficar tranqüilo. Todos sabem o suficiente. - Jake respondeu na defensiva. Sua voz estava mais rouca do que normal. Parecia sussurrar enquanto falava. Percebi o esforço que fazia para não perder o controle.

- Você não está entendendo. Já estamos há mais tempo que deveríamos em Forks. Não podemos nem ir até a cidade. Para todos os efeitos estamos todos na faculdade. – Meu pai fez uma pausa e depois continuou. - Está muito perigoso! -Afirmou com uma voz triste.

- O que você quer dizer, Edward? Seja claro, por favor! - Ordenou Jake aumentando o volume da sua voz enquanto arqueava uma das sobrancelhas.  Tive a certeza de que ele já sabia o que estava acontecendo. O que meu pai estava tentando dizer... “Iríamos partir de Forks.”

- Nós vamos embora! - Disse minha com uma voz quase chorosa. Acho que se ela pudesse chorar as lágrimas estariam rolando pelo seu rosto naquele momento. Eu estava no canto da sala, escondida, mas meu pai podia ouvir o desespero nos meus pensamentos. Percebi como aquilo o fez sofrer. Ele não queria que me sentisse daquele jeito. Se pudesse faria algo para evitar aquilo, mas não tinha como fazer nada. Sofria muito por isso.

-Não!! Como assim? Não podemos!! E Jake? Não! Por favor...

Jake falou com um tom mais nervoso dessa vez:

- Vocês sabem que não vou agüentar ficar longe dela. - A sua voz parecia chorosa e eu pude ver as lágrimas se formando no canto de seus olhos. Chorei ao ouvir as suas palavras. Era desesperador. A dor me corroia por dentro. Não conseguia me ver longe dele. Imaginar acordar um dia sem ver o seu sorriso. Não ter mais as suas brigas com Rosalie. Não poder montar em seu logo e correr pela floresta. Era desesperador pensar em tudo aquilo. Algo dentro de mim começou a se romper quando ele disse que não podia agüentar ficar longe de mim.

- O que significa isso? Não conseguir ficar longe de mim? Eu não entendo!!

Naquela hora tentei não raciocinar e só me concentrar  na conversa. Eles estavam decidindo sobre a minha vida no final das contas. Precisava saber o que aconteceria daquele momento em diante.

- Temos que ir. Não podemos mais ficar. Sei que estávamos matando você mais uma vez Jacob, mas não há alternativa agora. – Minha mãe praticamente gritava. Cada palavra estava rasgando-a por dentro. Tinha certeza disso e acho que Jake também sabia. Mesmo assim ele não conseguia evitar o sofrimento. Eu cheguei a ficar sem ar ao ver sua face.

Pude ver o rosto de Jake cheio de lágrimas agora. Parecia um menino naquele momento. Tive tanta vontade de colocar sua cabeça em meu colo e fazê-lo se acalmar. Ele se sentou no sofá, colocou a cabeça nos joelhos e ficou pensativo por alguns momentos... “Algo me dizia que ele estava morrendo por dentro”

De repente, os outros membros da família entraram na sala e pude ver a expressão de tristeza em cada um deles, exceto Tia Rosali, é claro, que parecia muito satisfeita com a situação. Eles ficaram observando sem falar nada. Era notória que não gostavam de provocar aquela dor em Jake. Eles o tinham como membro da família. Estavam acostumados com a sua presença constante dia e noite na casa. Meus avós o tratavam como filho, meus tios e meu pai como irmão, Alice fazia dele um boneco. Ela tentava mudar o seu modo de vestir, pelo menos tentava quando ele deixava. Minha mãe tinha uma relação de amizade, mas havia muito mais atrás de seus sentimentos. Naquela época não conseguia entender bem o que era. Todos sofriam com aquela situação. Acho que mesmo Rosalie não gostava do modo como conduziam aquilo, apesar de não deixar aquilo claro em nenhum momento.

Alguns segundos passaram, eu não consegui refletir sobre tudo aquilo, estava desorientada demais para pensar logicamente. Dirigi-me para perto de Jake, sentei no chão, coloquei a cabeça na sua perna e deixeis as lágrimas descerem pelo meu rosto, sentindo muita dor rasgando o meu peito, como se parte da minha própria vida estivesse sendo arrancada de mim. Nunca pensei que pudesse sentir tanta dor até aquele momento. Foi a primeira vez que me senti daquele jeito. E um grito saiu pela minha boca sem mesmo me dar conta do que fazia.

- EU NÃO VOU!!!!!!!!!!!!!! VOOOUUUU FICAAARRRR COM JAAAAKKKEEEEEE!!

Minha mãe olhou arrasada para mim e disse: - Querida, você não pode ficar. Temos que ir embora. É preciso partir... - Quase gaguejando quando dizia. Ela tentou se aproximar, ma seu estendi a mão para impedir. Não queria ninguém naquele momento que não fosse Jake. Nem mesmo o calor da minha mãe me confortaria. Estava sangrando por dentro.

- Isso é necessário!!! - Ela terminou arrasada

Eu chorava compulsivamente quando Jake me abraçou e desmoronou sem pudor pela presença da minha família. Naquele momento parecíamos duas crianças chorando. Eu sentia os seus braços me apertando, como se não quisesse me deixar partir. O seu corpo estava mais quente do que o normal. Tive a impressão que ele lutava para não se transformar. Mesmo com todo aquele calor, poderia ficar em seus braços para sempre. Era o único lugar em que me sentia confortável.

- Quando? - Perguntou Jake com a voz engasgada pelo choro

- Depois da festa de aniversário. - Respondeu meu pai virando-se de costas. Sua expressão era de profunda dor. Parecia que alguém estava o torturando naquele momento. Acho que ouvir os meus pensamentos desesperados não ajudou muito naquele momento.

Jake me beijou na testa e depois me afastou dele delicadamente. Saiu sem falar mais uma palavra, deixando-me desconsolada.

Sai correndo da sala e fui para o meu quarto, onde poderia chorar sem os olhos críticos da família e passar pela minha dor sozinha. Não queria ninguém me consolando. A última coisa que precisava era ouvir a palavra: “coitadinha”.

Eu estava deitada na minha cama, com as lágrimas ainda rolando pelo meu rosto, o coração rasgando, falta de ar e um desespero que estava me deixando louca, quando ouvi a sua voz e senti o seu cheiro. Desci as escadas correndo e me atirei nos seus braços.

- Oi Ness! - Ele falava enquanto eu o abraçava tão forte que parecia que eu iria quebrar. Sentia que ele era parte de mim e tinha que aproveitar as ultima horas com o meu melhor amigo. Mesmo com os olhares de desaprovação da minha família. Eu sabia que eles não aprovavam tanta aproximação. Principalmente meu pai, que se mostrava ciumento.

Depois de alguns segundos Jake falou:

-Olá! Tenho que conversar com vocês! – Disse com tom cerimonioso. Era até estranho vê-lo falar daquela maneira. Normalmente era mais descontraído, mas era compreensível levando-se em consideração o que estava ocorrendo.

- Pode falar, Jacob. - Disse Carlisle.

- Tenho uma proposta. – Disse arqueando uma das sobrancelhas e fitou a família, esperando uma reação as suas palavras.

- Estamos dispostos a ouvir e chegar a uma solução. - Disse meu pai. Acho que ele já havia lido os pensamentos de Jake, pela cara que fez naquele momento. Mas não era mal educado para não o deixar falar para a família. Eu queria muito ter o seu dom naquele momento. Estava me corroendo por dentro de tanta curiosidade.

- Vocês vão e se estabelecem... Depois eu vou e arrumo lugar próximo a de vocês. - Jake falou me apertando mais forte em seus braços, como se tivesse mede de me soltar e eu sumir dali. Acho que a sua vontade era a de fugir comigo naquele momento. Mas ele não era burro para tentar escapar de um monte de vampiros. Se tivesse sozinho ainda teria alguma chance. Comigo de contrapeso aquilo era quase que impossível.

-Como assim? Você vai embora conosco? Vai abandonar a sua matilha? – Minha mãe perguntou assustada. Acho que nem ela imaginava que ele fosse capaz de um ato daquele. Ela  já sofria muito por ele, apesar de não ter como ajudar, nunca achou que fosse tomar aquela atitude. Ela sabia como ele era ligado aos irmãos da matilha e a sua família. Principalmente como amava aquela reserva. Nem eu acreditei quando disse aquelas palavras.

- Sim, eu vou! Já conversei com Sam e os outros... Todos concordaram. - Jake fez uma pausa e respirou fundo enquanto a sala permanecia em silêncio. Uns olhando para os outros sem terem o que dizer. “Como poderiam se opor diante de tal proposta?” Ninguém abriria mão da vida como ele estava fazendo. Era um gesto mais do que louvável da parte dele, considerando que não éramos nem parentes. “O que aquilo significava?” eu me perguntei naquele momento. Meu pai me olhou atônito naquele momento.

- Eu virei para casa nos fins de semana para visitá-los, até a hora de voltarmos para Forks. Talvez em 6 ou 7 anos... Quando Ness parar de crescer. - Ele concluiu ainda respirando rápido. Estava completamente decidido. Tive a certeza disse pela forma como falava. E conhecendo o bem, como conhecia, sabia que não mudaria de idéia por nada nesse mundo. Mesmo que minha família não o aceitasse, ele iria atrás de nós de uma forma ou de outra.

O silêncio foi insuportável, mas tia Rosali tratou de quebrá-lo com seus gritos histéricos.

- NÃO!! NÃOO!!! ISSO É ABSURDO. – Ela estava muito brava. Sabia que a causa era perdida, mas não deixaria de lutar. Estava convencida que logo o deixaríamos para trás e agora ele iria junto conosco.

- Cale a boca, Rosi! Isso não é decisão sua. - Disse Esme irritada. Ela amava Jake como um filho. Mesmo com a diferença de raças, procurava não fazer distinção e amava cozinhar para ele. Virou uma ótima cozinheira por conta disso. Não gostava quando Rosalie o tratava como um cão sarnento. Alias ninguém gostava, nem mesmo Emmett para dizer a verdade.

- Como pode aceitar, Edward? Você vai permitir esse cachorro morando conosco? - Rosali continuou irritada, protestando e esbravejando o quanto podia. Fuzilava Jake com os olhos. Acho que se ela pudesse, teria o matado naquele momento.

-Carlisle? Como pode? - Ela completou. Olhou para o resto da família, procurando apoio, mas não teve nenhum. Ninguém se opôs.

- Você está certo disso? - Perguntou Carlisle com um tom inquisitivo. Ele se mantinha calmo como sempre, mas podia perceber a sua inquietação. Meu avô sempre procurou fazer o melhor para a família. E naquele momento, o melhor era me fazer feliz. Só que a isso tinha que manter perto de Jake. Mesmo que inconcebível a relação entre raças, ele, assim como os demais, excluindo Rosalie, passavam por cima das diferenças pelo meu bem.

- Sim, estou certo! Eu não tenho alternativa. - Jake disse com uma voz calma e serena.

Carlisle pediu uns minutos para a família se reunir e discutir a questão em outro cômodo da casa. Enquanto Jake e eu fomos para fora de casa. Ficamos nos olhando calmamente por alguns momentos, sem precisar falar nada porque sabíamos exatamente o que o outro estava pensando. Era estranho aquela ligação que tínhamos. De certa forma até reconfortante para os dois.

- Eu não vou deixar você, pirralha! - Ele riu encantadoramente. Pela primeira vez o vi descontraído. Nem parecia o mesmo de momentos antes. O sorriso iluminava todo o rosto e o deixava mais bonito.  Fazia meu coração se encher de calor. Naquela época Jake já era o meu sol particular.

- Eu também não quero ficar longe de você, Jake. Você é meu melhor amigo... É quase o meu irmão. - Eu disse inocentemente. De certa forma era verdade. Não havia malícia em meus pensamentos naquela época. Eu o via apenas como um irmão. Talvez até mais. Havia uma ligação mais forte do que poderia explicar.

Ele mexia nos meus cabelos quando Esme nos chamou:

- Jacob! Nesse! Precisamos de vocês. – Disse com tom urgente e assentimos com a cabeça.

Nós entramos e ficamos ouvimos Carlisle falar sobre os planos para o nosso futuro. Tudo parecia extremamente simples a primeira vista. Eu desconfiava que teríamos problemas, mas não diria nada para ninguém, exceto meu pai, que podia ouvir os meus pensamentos. Isso era outra coisa. Ficaria apenas entre nós.

- Nós nos mudaremos para uma cidade no Canadá, que não ficaria muito distante de Forks, Jake e Ness serão nossos novos filhos adotivos. – Disse com naturalidade.

- Você terá que concordar em morar conosco, já que está abrindo mão da sua vida para ficar com a nossa família. Não permitirei que passe nenhum tipo de necessidade e custearei seus estudos e sua estadia. Você irá para a Universidade, junto com os outros membros da família. E terá os mesmos direitos e deveres. – Continuou falando de forma polida. - Depois que todos terminarem de cursar a Universidade, e Ness estiver aparentando uma adolescente de 16 anos, voltaremos para Forks e nos instalaremos novamente.
- Ness começará na escola na High schooll de Forks e todos já terão uma profissão, sendo capazes de passar por adultos de 25 e 30 anos, com seu próprio negócio de fachada.

Jake balançou a cabeça em sinal de positivo e disse: - Concordo com tudo o que vocês quiserem, mesmo que tenha que me humilhar e se sustentado por sanguessugas, desde que não fique longe de Ness.

- Você tem certeza disso? - Perguntou Carlisle, olhando inquisitivamente enquanto franzia o cenho. Ele sabia do que Jake estava abrindo mão...”O seu orgulho”. Não queria lhe impor nada, mas não o deixaria passar privações por causa da família.

- Absoluta!! - Ele respondeu sinceramente. Se estava fingindo, fez muito bem. Não notei qualquer sinal de hesitação em sua voz ou expressões. Estava ciente dos seus atos. Eu não entendia bem como alguém era capaz de tantos sacrifícios. Mesmo assim agradecia por não permitir ficar longe dele. Acho até que foi egoísmo meu. Sei que foi. “Mas como pensar diferente? Sem Jake acho que morreria de solidão e de frio.”

- Jake, Você vai abandonar a matilha? Você não pode!! - Eu falei olhando em seus olhos. Tentei deixar o meu egocentrismo de lado. Ser altruísta como meus pais. Acho que ele percebeu que não estava sendo tão sincera como tentava parecer. Fui muito mimada desde que nasci e agir em pró da felicidade dos outros não era o meu forte. Normalmente as pessoas faziam isso por mim. Não o contrario. Não era fingimento. Eu me preocupava com ele sem a sua matilha. De verdade! Eu me preocupava. No entanto, acho, que minhas palavras não o convenceram.

- Eu já conversei com Sam e acertamos tudo. Eu virei para La Push nos fins de semanas e nós ficaremos conectados quando eu estiver na forma de lobo. – Disse da forma calma. Sabia que por dentro ele estava sangrando. Nunca havia se afastado dos seus. Ele tinha uma escolha e obviamente eu estava em primeiro lugar. Senti-me péssima com aquilo.

- Você vai abandonar tudo por mim? - Eu sabia que era egoísmo da minha parte desejar isso, mas eu queria entender os motivos dele. Só queria entender porque era mais importante do que os seus irmãos, família e o lugar que amava.

- Quando você nasceu... - Ele suspirou olhando para mim. Havia um brilho diferente em seus olhos. Não consegui identificar exatamente o que era. Ele me olhava como se fosse o mais precioso diamante.

- Eu prometi que protegeria você de todos os perigos. Esse mundo é cheio de criaturas estranhas vampiros e lobisomens, acho que bruxas e feiticeiros... Além dos assassinos italianos. - Ele riu para mim de forma zombeteira. Sabia que ele se referia aos Volturis. Ele sempre se preocupava com um possível ataque. Quando estávamos na floresta, qualquer barulho o deixava alarmado.

- Eu não poderia ficar tranqüilo sabendo que uma dessas criaturas poderia te fazer mal. Eu ficaria muito preocupado e por isso prefiro manter você na minha vista. - Ele terminou como se aquilo fosse natural.

- Jake, Eu sinto muito por obrigá-lo a isso. – Minha mãe disse olhando tristemente para ele. Ela sabia como seria para ele abrir mão de tudo. Ela fez a sua escolha e sabia o que aquilo significaria. Não queria vê-lo se arrepender por se associar sua espécime.

- Não se angustie, Bella. Eu sempre soube que um dia isso aconteceria. - Ele respondeu olhando para ela. Houve uma cumplicidade estranha naquele olhar. Eles sempre faziam isso. Pareciam conversar apenas com o olhar. Não sabia o que aquilo significava. Apenas achava estranho que meu pai não ficasse bravo com os dois. Às vezes ele era extremamente ciumento quando se tratava de Jake.

- Eu já te fiz tanto mal e agora... – Minha mãe não completou a frase. Acho que estava chorando por dentro. Quis entender o que ela quis dizer com “ Eu já te fiz tanto mal” Sabia que havia segredos entre minha mãe e Jake. Odiava aquilo. Realmente odiava. Era possessiva em relação a ele e saber que havia uma ligação entre os dois, uma cumplicidade que ninguém me explicava direito me deixava ciumenta. Ele a olhava como se disse que não precisava falar mais nada. Era estranho quando fazia isso. E ao me ver suplicante, começava a falar para que eu compreendesse o que passava. Eu me sentia uma idiota.  

- Você sabe que eu sempre te amei, Bella. Eu nunca quis ficar longe de você. Mas agora isso é inevitável para mim. Não há outra forma... – Ele hesitou olhando ora para mim e ora para ela. - Eu não tenho escolha.

Eu não tenho escolha... O que queria dizer com aquilo? Será que algum dia me explicaria essas coisas?

- Eu sempre quis que fossemos uma família, mas não queria que você abandonasse tudo. - Ele sussurrou angustiada.

- Eu não estou abandonando nada. – Ele respondeu exasperado. - Estou seguindo a minha vida!! Não se lamente por mim. - Ele ficou olhando para ela, enquanto eu e o resto da família olhávamos para ele com pesar.

- Ness, você toca uma música para mim? - Jake pediu quebrando aquele clima pesado. Abriu um sorriso e fingiu que nada demais acontecia. Mas eu sabia que por dentro ele estava chorando. Acho que todos sabiam na verdade. Ele sabia fingir bem quando queria.

- É claro, Sr Black. - Eu ri para ele enquanto me dirigia para o piano. Estava com coração desolado. Mesmo assim decidi tocar a música com toda a minha alma. Sabia que ele adorava me ouvir tocar. Era o mínimo que podia fazer diante daquele sacrifício. Ele renunciava a vida que tinha para ficar ao meu lado. Jurou me proteger de tudo e de todos. “Mas quem protegeria o seu coração?” Eu queria fazer isso. Juro que queria.  Mas como poderia dar a ele algo que se igualasse a tudo que deixava para trás? Era um grande sacrifício para qualquer um. Até mesmo difícil de entender. Eu me perguntava os seus motivos e apenas não conseguia encaixar as coisas. Ele dizia querer me proteger, mas eu já estava protegida. Minha família era mais do que capaz disso. “Então qual motivo de tanta insistência?”



Naquela noite eu fui dormir pensando em tudo que minha mãe e Jake falaram. Tentei entender o significado daquelas palavras.

O que ela quis dizer? Como ela o fez sofrer? O que significava aquilo tudo? Por que ele precisava me proteger se eu tinha uma família de 8 vampiros? Eu sou egoísta demais a ponto de o permitir aquela loucura?Sim! Eu sou!

Algo dentro de mim gritava para fazê-lo ver as conseqüências dos seus atos. Queria mostrar a ele que não poderia abrir mão de sua vida por mim. Outra parte, entretanto, dizia para continuar a ser egoísta e mimada. Afirmava que eu não sobreviveria sem meu “Sol particular”. Pela primeira vez na vida eu vivi um grande conflito interno. Minha mente, tão prematura, lutava entre a razão e a emoção. No fundo eu só queria ser uma criança, sem preocupações ou aborrecimentos. Queria manter a vida confortável que tinha. Meu coração doía tanto, que era difícil esconder de meus pais a minha aflição. Mesmo a minha mãe, que não podia ler mentes, via em minhas expressões a totalidade da minha angústia.

Como sobreviver a todas essas mudanças, quando se é apenas uma criança crescendo rápido?”

Eu queria obrigar o meu corpo a não crescer. Era tão desesperador viver com todos esses conflitos.  Mas um dia eu pretendia entender o que tudo aquilo significava. Estava pensando sobre aqueles fatos quando cai no sono.