segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Guerra Dos Sexos - Jakeness4

Irritação, Atração e Desejo.

Ness estava furiosa e nas horas que se seguiram, ela não conseguiu prestar a atenção em nada.  No intervalo as amigas falavam sobre várias coisas, faziam fofocas e tentavam chamar a sua atenção, mas nada conseguia fazer com que se esquecesse de Jacob.

- Ness, não está ouvindo o que falei? O primeiro jogo da temporada é na próxima semana e precisamos continuar com os treinos. No último jogo foi um vexame completo e não podemos dar mais mancadas. – Carly disse para ela, enquanto saboreava um sanduíche natural. Se fosse em outra ocasião, ela teria chamado a atenção da amiga por comer aquele tipo de besteiras. Daria uma lição de moral sobre como manter um corpo perfeito. Só que aquilo era o que menos lhe importava no momento.

- Temos alguns dias e já treinamos bastantes durante as férias. – Disse fazendo pouco caso.

- Como assim? Você deixou todas estressadas por causa dos treinos e do jogo. Agora age como se não fosse importante.  – Nathaly falou. – E o pior é que Katy e Tânia ainda nem chegaram. Como faremos em elas?

- Já disse que as duas vadias estão fora. Deram mancada no último jogo e não participarão do grupo esse ano. – Disse e continuou a pensar na briga com Jacob, no que faria para colocá-lo para correr e evitar mais vexames. Todas as vezes que discutiam ela perdia a cabeça e acabava brigando. Não era o comportamento que desejava, contudo era impossível não reagir as provocações daquele ser tão fortes.

Do outro lado do salão as suas primas comentavam as brigas e achavam graça de como os dois viviam se alfinetando.

- Ela bem que merece ter um Jacob Black infernizando a sua vida. – Disse Rosalie fazendo pouco caso.

- Não é bem assim, Rose. Sabe bem que ela sempre teve uma quedinha por ele. E que ele nunca teve nada com ela e sempre a desprezou. Acho bem triste esse tipo de situação. – Bella disse defendendo.

- Olha eu não desejo mal para ninguém, mas nossa prima bem que merece. – Disse Alice observando o rosto inexpressível de Ness do outro lado do salão. – Ela tem o prazer de pisar nas pessoas e não de importa com o sentimento de ninguém. O que Jacob faz é dar a ela o troco. Se bem que ele também não é flor que se cheire. É tão irritante e convencido quanto a nossa prima. Na verdade os dois se merecem e acho que um dia perceberão que foram feitos um para o outro... Criaturinhas insuportáveis.

- Acho que o problema dela é falta de homem. – Bella disse.

- Como? Essa vadia já dormiu com todo mundo da escola... exceto Jacob, é claro. Até mesmo com nossos namorados. Você ainda tem pena dela? Fala sério, Bella! Deveria ser canonizada. – Rosalie disse indignada.

- Ela já teve todos, menos o que ama, Rose. Você sabe muito bem o que Jacob fez com ela. Aquilo foi uma grande humilhação e depois disso, ela simplesmente resolveu fazer todos os homens sofrerem. Mas na verdade acho que se ela tivesse alguém que realmente a amasse... – Bella tentou falar, mas foi cortada.

- Corta essa, Bella! Lembra aquele cara que ela ficou saindo alguns meses... Acho que Nicolas? Ele a amava de verdade e ela só fez pisar no cara. Nunca assumiu a relação deles e traia o cara com todo mundo. Ele achava que ela era namorada dele, mas ela não assumia e não ligava para os sentimentos dele. – Alice tentou trazer Bella a realidade.

- Tudo bem! Tudo bem! Vocês venceram,ta. Nossa prima é uma vadia sem coração. – Deu de ombros e ficou olhando para Ness.

Claire foi correndo para a mesa que as amigas estavam e começou a passar o relatório. Ness, no entanto, não ouvia nada do que a garota dizia.

- Olha, eu descobri que os Volturis vieram para cá com os pais. O pai do Alec, Aro Volturi, e sua esposa Heidi vieram a trabalho para Forks. Ele arrumou um emprego no banco como gerente. São de Atlanta e nenhum dos quatro são comprometidos... não que me preocupe com a vida amorosa da Jane, é claro. – Ela falava e Ness não ouvia. – Ness! Ness!

- Não adianta, Claire. – Disse Nathaly. – Ela está pensando na briga com Jacob. Está assim aérea desde que chegou ao refeitório. Quero só ver no que vai dar os dois morando juntos... Isso não vai prestar. – Concluiu.

As três continuaram a conversar sobre a vida dos Volturis, enquanto de longe, de sua mesa, Jacob acompanhava com um olhar malicioso cada movimento naquela mesa. Estava satisfeito por ter conseguido irritar a Ness Cullen e já imaginava como seria quando estivesse na mesma casa. Riu pensando nas brigas e como ela ficaria mal com aquilo. Seu maior prazer era vê-la completamente fora de si... Como ficava linda com raiva.

 Seth o chamou, mas também não estava prestando a atenção nos amigos e nas conversas.

- Hey, cara! – Chamou novamente. -  O que você tem? - Ele perguntou.

- Nada, só estou pensando. – Respondeu.

- Ness Cullen? - Questionou franzindo o cenho.

- Pra que você quer saber o que estou pensando¿ Por acaso paga as minhas contas, “PO”? Vê se me erra. – Disse irritado.

- SHII! Tá irritadinho assim por que? Não tenho culpa se vocês dois vivem brigando. – Disse com raiva.

- Ele está com medo de cair, finalmente, nos encantos dela. – Sam disse caçoando.

- Tá doido? Acha que vou “T...par” com essa vadia? Fala sério! – Não queria continuar aquela conversa. Tinha muita coisa para pensar e estava perdendo a concentração. – Vai se “FU”, “KA”!

- Tá nervosinho assim porque ela se interessou pelo aluno novo? Ou ta doido para comer e sabe que ela não vai te dar? - Quil perguntou caçoando.

- Se eu quisesse essa vadia, ela já estaria na minha cama. Mas ao contrário de vocês, eu não me permito ser usado. Entendeu? Eu uso e não o contrário. Quando quero uma mulher, simplesmente pego. Não fico rastejando atrás de mulher. Acha mesmo que com ela seria diferente? - Usava aquele tom arrogante de sempre. Porém a sua irritação era tanta, que estava passando dos limites. Por que estava tão incomodado? Por que tinha vontade de dar umas palmadas na garota? Ele não sentia nada por ela, nem atração, mas não gostou da forma como ela olhou para o tal Volturi. Jacob se questionava e ao mesmo tempo pensava em como infernizar a sua vida. Ela pagaria por fazê-lo se sentir tão estranho... Com certeza pagaria.

- Vamos fazer uma aposta então, cara. – Disse Sam com tom sarcástico. – Já que se considera tão bom, quero ver se consegue levar a vadia para cama em um mês. Se você ganhar, eu te dou o meu carro. Agora se você perder, a sua preciosa moto vem para mim. O que me diz? - Disse de forma debochada.

- Tá tirando uma com a minha cara? Acha que eu não sou capaz de levá-la para cama? Faça me rir o, “Vi”. –Disse com raiva. – Eu não quero a Ness e não farei aposta nenhuma com você. Fica com seu carro e não me torra a paciência. Para que você acha que vou querer essa lata velha?   - Jacob se levantou da mesa com raiva e a socou. Estava praticamente gritando e chamou a atenção das outras mesas. As pessoas viraram as cabeças para olhar a discussão sem entender o que acontecia. Ness se levantou e olhou para o lado, quando as amigas a cutucaram. Lançou um olhar de desprezo para ele e saiu requebrando aquele traseiro divino. Quase todos os homens viraram para olhar o seu rebolado e Jacob virou-se tentando disfarçar o incomodo que sentia. As suas pernas torneadas se mexiam de forma perfeita, fazendo a requebrar as cadeiras e o popozão.  Por um momento ele se sentiu excitado com aquele rebolado maravilhoso. Saiu do refeitório por outro caminho, evitando cruzar com a criatura que tanto “odiava”.

O tempo se arrastou até a última aula e quando o sinal tocou, Ness pegou as suas coisas e saiu correndo sem esperar as amigas. Queria chegar em casa logo para se trancar em seu quarto e não ter o desprazer de cruzar com Jacob fazendo a sua mudança.

Chegou em casa em dez minutos e correu para o quarto, sem mesmo ir falar com o avô e Esme. Encostou a sua porta, colocou o material sobre uma pequena mesa, foi para o banheiro e lentamente se despiu. Tomou um banho quente,enxugou o corpo, passou creme hidratante,  penteou os cabeços,escovou os dentes e depois foi nua para o closet pegar calcinha e sutiã.
Colou as peças intimas e voltou para o quarto para se distrair um pouco.

A única coisa que a fazia relaxar, além de um bom sexo, era dançar ouvindo música. Ali era ela mesma, sem máscara, sem arrogância, sem pretensão ou a postura irritante que sempre demonstrava. Podia rir, chorar, gritar, dançar e deixar os sentimentos fluírem de verdade. Pensou em quantas vezes chegou em casa quebrada, após brigas e humilhações de Jacob, e se permitiu relaxar dançando em seu quarto.

Ness ligou o som do quarto e começou a dançar de forma sensual uma música árabe. Ela adorava a dança do ventre e deixava o seu corpo se realizar com movimentos sensuais. Sua barriga se movia de forma extraordinária, o corpo reconhecia cada movimento e seguia suas próprias vontades.

Jacob chegara na casa dos Cullens há alguns minutos e levou a sua bagagem para o quarto. Enquanto tirava algumas coisas  de uma das malas, ouviu um som estranho de uma música. Era um som exótico e ao mesmo tempo atraente. Aquilo mexeu com ele, que resolveu averiguar.

Naquele momento imaginou que fosse Ness Cullen e para sacaneá-la mais uma vez, resolveu levar o smartphone para gravar, se fosse algo comprometedor.

Saiu de seu quarto e caminhou até uma porta no final do corredor, seguindo o som atraente da música. Colocou a mão na maçaneta e abriu de vagar, tentando não fazer barulho.

Quando a porta se abriu, levou um choque ao ver aquele corpo exuberante se movendo de forma sexy no quarto. Ela parecia uma dançarina de dança do ventre, com sua cintura se movendo de uma forma que o excitou. Sua ereção se formou em suas calças, deixando o cheio de tesão. Entretanto, apesar do desejo que explodiu dentro dele, resolveu filmar a dança para irritar a garota mais uma vez.

Imaginava a sua cara quando visse o vídeo na internet. Ela teria um acesso de raiva e ele se deliciaria com seus gritos e atitudes totalmente descontrolada.

Enquanto Ness dançava de olhos fechados, imaginava o rosto daquele deus grego vendo seus corpo perfeito naquela dança exótica. Abriu o sorriso mais lindo do mundo, deixando ao lábios carnudos ainda mais desejosos.

Jacob chegou a ficar sem ar ao ver a expressão de prazer triunfante da mulher. Ela era linda, perfeita e muito gostosa. Seu corpo gritava pelo dela, apesar do ódio que sentia daquela criatura tão irritante. Quase caiu e teve que se apoiar na porta naquele momento, fazendo um barulho agudo com a batida.

Ness despertou de seu transe com o barulho e viu Jacob parado na porta, gravando a sua dança com um smartphone. Corou de vergonha naquele momento e colocou os braços na altura dos seios, como se adiantasse de alguma coisa. O ódio subiu para sua cabeça e gritou furiosa.

-  SEU “VI”!!! O QUE FAZ NO MEU QUARTO? O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?  - Pegou uma almofada e jogou nele. Depois um cinzeiro e atirou, atingindo a parede. O objeto se espatifou e partículas de vidros caíram sobre o assoalho. – EU ODEIO VOCÊ! ME DÁ ESSE APARELHO! AGORA! – Continuava atirando objetos contra Jacob, que só ria achando graça e continuava a gravar a cena bizarra. – ME DÁ! – Ela correu em direção a ele, que também começou a correr pelo quarto. Enquanto tentava pegar a criatura que “odiava”, quebrou muitos objetos pelo quarto.

Jacob ria satisfeito e continuava gravar enquanto corria.

- Peguei! – Ela tentou tirar o aparelho da mão dele, que puxou para si com força.

- Esse celular é meu e não pretendo me desfazer dele. Agora a menos que você queria que esse vídeo vá para o Youtube, terá que deixar o seu lindo BMW comigo amanhã. Vai a pé para o colégio e eu triunfarei com o seu carro. – Disse com tom sarcástico, irritando a ainda mais.

- VOCÊ SÓ POD ESTAR BRINCANDO! MEU CARRO? MEU BEBÊ? VÁ SE “FU” SEU CANALHA! – Ela deu um tapa no rosto dele com vontade, que deixou a sua mão doendo e com coloração vermelha. Ele não titubeou e devolveu o tapa. É claro que não colocou a mesma força. Era mais para mostrar a ela para ter respeito ou apanharia.

PLAT!

Plat!

- OH! VOCÊ ME BATEU? ME BATEU! COVERDE! IDIOTA! CANALHA! – Ela gritava com ódio enquanto ele ria.

- Eu nem dei com força. Isso é só para provar a você que se me bater novamente vai apanhar também. Eu não costumo apanhar... Mesmo de mulher. Está me entendendo? Nem sonhe em fazer isso novamente, garota irritante. Da próxima vez eu vou bater com vontade e você ficará com esse rosto lindo marcado. Esta entendendo ou tenho que desenhar? Porque burra do jeito que é, demora a entender as coisas NE? O que você tem de bonita, tem de burra e medíocre. Eu não levo desaforos para casa e você precisa aprender isso.

- Eu vou contar ao meu avô. – Ela disse segurando as lágrimas. Não choraria na frente dele. Não se humilharia mais ainda diante da criatura que tanto “odiava”.

- Vai lá! Conta para ele. – Jacob desafiou. -  O que te faz crer que ele acreditará em você? Eu sou o hóspede dele. Estou chegando agora e você a neta rebelde, mimada e irritante. Ele não acreditará que eu te bati. É só fazer cara de inocente, vadia. – Aquela última palavra a feriu fundo. Sua dor era tanta que achou que não agüentaria segurar as lágrimas. Queria que fosse embora para deixar todo o sofrimento transbordar. Ele sempre a chamou por nomes nada legais, sempre a difamou pelo colégio, mas chamá-la de vadia daquela forma a feriu profundamente. Engoliu seco, desvirou o olhar e virou de costas. Sentou –se em uma cadeira de cabeça baixa e concordou com ele.

- Eu deixarei você ir com meu carro só amanhã. Se esse vídeo vazar na internet, juro que mato você, Black.- Sua voz já era de choro. Tentou não falar muito para ele não perceber a mágoa profunda que causou.

- Pois bem, assim será. Só mais um aviso, oh garota. – Disse com a voz ríspida e depois deu uma risada maliciosa. – Tudo que você fizer para mim nessa casa, receberá em dobro. Não tente me sacanear. Você certamente não me conhece tão bem quanto acredita. E ano ficará satisfeita com minha fúria. Se você se comportar bem, eu não infernizarei a sua vida. Contudo,Todavia, Entretanto... – Ele riu alto. – Se você me provocar, sentira o  peso da minha mão outra vez.  – Riu mais uma vez e a magoou profundamente. – Se bem que dizem as más línguas da escola, que a “PI” Cullen adora levar uma “PO” quando “T...pa”. Acho que você vai até gostar de uma “PO” minhas. Rarara De repente você até gama... AH, eu me esqueci que você já gamou no gostosão aqui. – Ness virou o rosto, fechou os olhos e pressionou as pálpebras bem forte para ele não vê-la chorando. Não daria o gostinho da vitória para ele... Não mesmo.

Jacob saiu do quarto vitorioso e com um vídeo bem interessante. Enquanto ele estivesse de posse daquele vídeo, ela estaria em suas mãos. Foi para o seu quarto, fechou a porta, caminhou até a sua cama e sentou. Abriu a pasta onde ficavam as gravações recentes e começou a assistir. De repente, sem que se desse conta, alguma coisa mexeu com ele. Uma angustia estranha o dominou e teve vontade de chorar.

Socou a cama com raiva e jogou o aparelho sobre as almofadas. Ficou olhando em direção da janela e o rosto choroso de Ness veio a sua mente. Um remorso o consumiu naquele momento e sentiu raiva de si mesmo por isso.

Depois de um tempo, pegou o aparelho sobre a almofada e começou a assistir o vídeo novamente. Sentiu a sua ereção se formar e um louco desejo a dominar.

A quem ele queria enganar? Ele sabia que podia enganar a qualquer pessoa, mas não a si próprio. Durante toda a vida fez de tudo para infernizar a vida dela, e certamente continuaria a fazer agora que moravam juntos, mas no seu íntimo sabia que nunca sentiu tanto desejo por uma mulher como sentia por ela. Seu corpo gritava pelo dela, o coração palpitou mais forte por ela horas antes, e de certa forma sentiu ciúmes do aluno novo. O que aquilo queria dizer? Estaria ele se apaixonando pela sua maior inimiga?

Ness deitou em sua cama e chorou, mas o choro não era de raiva e sim de dor. Ela sentiu o seu coração sangrando por mais uma humilhação. Não conseguia se perdoa por ser tão tola e permitir que Jacob ainda a machucasse. Havia prometido para si mesma que nunca mais choraria por ele. As noites que perdera despedaçada pela humilhação e a paixão não correspondida tinham sido o suficiente. E muitas vezes ela tentou se convencer que o sentimento não existia mais. Porém, diante daquela situação, o que ela faria? Não poderia permitir que ele continuasse a maltratá-la. Tinha que dar uma lição naquele cara tão cruel que tinha prazer em vê-la sofrendo. Seria ela capaz de passar por cima dos sentimentos e dar o troco? Ela conseguiria arrancar aquilo que lhe machucava do coração? Meio a dor tão grande que a consumia, ódio e desejo de vingança, Ness decidiu que o faria pagar por cada lágrima. Ele se arrependeria amargamente por tudo o que a fez passar. Era uma questão de honra.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pena de anjo8


CAPÍTULO 8
by Valentinalb

...Pensando bem, pode ser que ainda restasse alguém que poderia me ajudar, mas mesmo que o encontrasse em sua casa, o que não acreditava muito, duvido que ele abrisse a porta para mim...
As portas estavam abertas quando cheguei.
Fiquei de pé, na frente daquele altar e implorei:
- Deus, me ajude!
                                                  
Não podia negar que a energia daquele lugar era inexplicável. Apesar do desespero que me consumia, sentia-me acolhido, mesmo estando sozinho na igreja. Era como se eu já conhecesse a sensação reconfortante de estar naquele lugar.
Fechei meus olhos e comecei a falar com Deus em meus pensamentos.

“Eu não sei como se faz isso, Deus, pois nunca nos falamos antes. Acho que o certo seria começar com uma oração, mas não me lembro de nenhuma agora. Sei que não tenho direito de te pedir nada, uma vez que sempre duvidei de sua existência, e ainda não estou muito certo dela, mas minha mãe disse certa vez que sua bondade e misericórdia são infinitas, então, por favor, ajude-me a tirar essa dor do meu peito. Traga a Bella de volta pra mim! Não deixe que ela se mate, Deus! Se a salvar da morte prometo que faço qualquer sacrifício que me pedir...”

- O bom filho à casa torna!!
Senti a adrenalina jorrando em minha corrente sanguínea. Deus estava falando comigo?!!
Não dava pra saber de onde vinha a voz, ela ecoava por todos os lados. Virei-me estarrecido para trás, temendo não encontrar ninguém. Ainda muito assustado, vi um homem de terno branco, sentado no banco da frente, bem perto de mim.
- Conhece a Terceira Lei de Newton, Edward?
Ele tinha dito meu nome? Que diabo de pergunta era aquela?
- Está falando comigo? – Perguntei, mesmo tendo certeza que sim.
- Só estamos nós dois aqui. Com quem mais seria? – Respondeu irônico.
 - Não faço idéia... Com Deus, talvez. – Era pouco provável que ele O chamasse de Edward.
- É, faz sentido.
- Como sabe meu nome? Não me lembro de conhecê-lo – falei, aproximando-me do banco.
- Têm muitas coisas das quais não se lembra, Edward. Você não me respondeu a minha pergunta, como quer que eu responda as suas?
“A toda ação corresponde uma reação de mesma intensidade, mesma direção e em sentido contrário.” – falei. – Mas por que está me perguntando isso? O que eu não me lembro?  O que disse antes, sobre retornar? – Estava muito intrigado com o homem que me olhava intensamente e me fazia perguntas estranhas.
- Eu não devia estar aqui, Edward, é contra o regulamento, mas Ele se compadeceu com seu sofrimento e me autorizou dar-lhe algumas explicações. – Riu baixo e continuou. - Você sempre foi o preferido Dele.
- Me desculpe, mas não estou entendendo nada do que está falando. Se não se importa, gostaria de voltar a me concentrar no que eu estava fazendo. – Já estava começando a ficar irritado com o desconhecido. Loucura tinha limite e minha paciência também.
- Não quer saber por que Isabella aparece sempre na sua vida?  - Perguntou, imprimindo um certo sarcasmo na voz.
Meus joelhos curvaram-se sem forças, quase me fazendo cair. Ele estava falando de Bella?
- O que...que sa..sabe sobre Bella? – Quão mais estranho aquilo podia ficar?
- Sei muito... Sei que a ama perdidamente e que abriu mão de sua condição de anjo para viver o amor mais lindo que esse mundo já viu, ao lado dela. Acredita no que estou falando? – Ele tinha uma expressão impassível, difícil de decifrar.
- O... O que está falando? Que loucura é essa? – Quem era esse homem e que história mais maluca era essa?
- Vem comigo, Edward. – Me chamou, numa postura imperativa.
Ele segurou em minha mão e senti como se um sono muito forte me dominasse, fazendo minhas pálpebras se fecharem.
- Abra os olhos, Edward. – Ele mandou.
Assim que meus olhos se abriram vi que estávamos em um lugar que parecia uma campina. Flores lilases formavam um tapete natural e as árvores ao redor pareciam de um verde que eu nunca tinha visto antes.
- O QUE É ISTO? ONDE EU ESTOU? – Se aquilo era um sonho ou um pesadelo eu ainda iria descobrir, mas que não era real eu já tinha certeza.
- Desculpe-me o exibicionismo, mas os efeitos especiais me dão credibilidade. Gostou da paisagem?
- Você me deu algum alucinógeno pra beber? Isso é um barato de alguma droga sintética nova? – Era a única explicação que me ocorria.
- Um único ciclo como humano e já perdeu toda sua capacidade de acreditar no impossível, Edward? – Assim que terminou de falar, duas asas enormes se abriram em suas costas, fazendo-me dar um pulo para trás de susto.
Fiquei completamente mudo, não conseguia pronunciar uma palavra que fosse.
- Sou um anjo, Edward, assim como você foi. Sente-se que vou te relembrar tudo o que aconteceu.
Nada fazia sentido em minha cabeça, mas resolvi me entregar àquela alucinação e saber onde aquilo iria parar.
Sentei-me na grama, entre as flores e observei o homem ao meu lado recolher suas asas e sentar-se ao meu lado, na maior naturalidade do mundo.
Peço que não me interrompa. Tudo o que precisa agora e me ouvir atentamente.
E então começou...
"Há muito tempo atrás você era um Anjo da Guarda, Edward, e eu era seu mentor. Você era experiente em sua função e já tinha acompanhado vários filhos Dele em seus diversos ciclos, até elevarem-se. Isabella seria apenas mais uma protegida.  Pelo menos era para ter sido assim, mas logo em seu primeiro ciclo,  uma vida atrás desta, você começou a vê-la de forma diferente. Ela tinha se tornado uma moça linda e seu coração começou a amá-la de uma forma que não compreendia... De um jeito que era para estar adormecido em você. Então um dia você me procurou, pedindo-me orientação e explicação para aquele amor visceral que sentia por ela. Eu te aconselhei a esquecer tudo, pois não havia a menor possibilidade de vocês se aproximarem, quanto mais se amarem, afinal você era um anjo e Isabella sequer o via.
Acreditamos, eu e Ele, que estava tudo resolvido, até que soubemos que você se personificara e se apresentara para Isabella na forma humana. O livre arbítrio também é aplicado aos anjos, e nada pode ser feito com relação a sua insubordinação, a não ser deixar que arcasse com as conseqüências de seu ato impulsivo
Não demorou muito e Isabella também se apaixonou perdidamente por você, desconhecendo completamente a sua verdadeira identidade.  A necessidade de aproximação física, ou sexo, se assim você entender melhor, tomou conta do seu corpo, mas não tinha a capacidade de consumá-la. Como anjo, mesmo personificado, era impossível a você satisfazer uma mulher. Então mais uma vez me procurou. Queria autorização para se tornar um humano completo, para poder viver toda a plenitude do amor que sentia por Isabella. Te expliquei sobre a questão da ação e reação, a nossa lei maior, e você aceitou nossas condições...
Lembro-me bem da nossa conversa.

- Você não tem direito ao amor físico, sequer deveria necessitar dele.
- Mas eu a amo perdidamente. Quero tê-la para mim.
- Precisará abrir mão da sua condição para poder experimentar este tipo de amor.
- Eu abro.
- Sabe que terá conseqüências. Está mudando o curso da vida dela.
- Eu sei...
- Não se importa?
- Pagarei qualquer preço para tê-la comigo por toda essa vida. Preocuparei com as  conseqüências quando for a hora...

Bem, Edward, você não se importou em saber quais eram as conseqüências e quem pagaria por elas, desde que pudesse viver aquela vida ao lado da moça que você amava perdidamente.
E assim, deposto da sua condição de anjo, vocês viveram o mais bonito amor que esse mundo já viu. Foram felizes por muitos anos, tiveram filhos, netos e bisnetos, até fazerem a passagem para esta vida, ou ciclo, como chamamos.
Isso é tudo o que eu posso te contar agora, Edward. Sua fé ainda é pequena demais para ter a permissão de saber o resto. Quando sua crença for maior que suas dúvidas, nos encontraremos novamente e você terá respondidas todas as suas perguntas.
Edward, meu amigo, você abriu mão da condição de anjo, mas nunca perdeu a sua essência de protetor. Mesmo sem saber, seu coração te leva a proteger as pessoas até hoje. Você não é bom porque foi anjo; você se tornou anjo porque era uma alma boa, e isso sempre o acompanhará. Apenas precisa se conscientizar que não tem mais os poderes que tinha antes. Para ajudar Isabella você só poderá contar com uma coisa: O amor incondicional que sente por ela, e suspeito que esse poder seja ainda mais forte do que os que tinha.
E por fim, e mais importante, nunca poderá falar de nada disso com ninguém, Edward, a menos que queira pagar as conseqüências disso também. Nunca... nunca."
Fechei os olhos tentando processar toda aquela loucura. Tinham tantas perguntas que eu queria fazer, mas minha voz estava presa.
Jamais havia me envolvido com drogas e não fazia idéia de onde vinha aquela “viagem”, pois não era possível que isto estivesse acontecendo mesmo.
Quando os abri, estava de volta à igreja, na mesma posição de antes: em pé, voltado de frente para o altar.
Procurei por todos os lados mais o homem de branco não estava mais ali.
Fui cambaleante até o banco e me sentei. Com a cabeça entre as mãos, procurei o pouco de sanidade que pudesse ter me restado depois desse surto psicótico.
“Que história mais louca!! Por mais psicodélica que fosse, e era, ela tinha lá sua coerência... Explicava tantas coisas na minha vida.
Tinha ido à igreja em busca de Deus e de respostas e agora estava ali, com mais perguntas do que nunca, querendo acreditar que Ele não só existia, como eu ainda tinha sido um dos anjos de seu reino.
Eu estava ficando louco... Só podia ser isso. Mas como poderia ter imaginado tudo o que tinha acabado de vivenciar? De onde, partindo de uma mente descrente como era a minha, foi sair uma história sobre anjos?
Saí da igreja em busca de ar. Já não conseguia respirar lá dentro.
Deixei os barulhos da rua invadirem minha cabeça na esperança que espantassem tamanha confusão que ali se encontrava. Precisava esquecer isso e recuperar minha racionalidade. Fora um surto proveniente de uma estafa mental, apenas isso.
Fui andando pro hotel, que não ficava muito longe de onde estava.
Quando já estava quase entrando no saguão, me senti novamente passeando pelo céu... Lá estava ela!
- Edward. – Sua voz doce penetrou meus ouvidos.
Olhei, não acreditando que estava vendo Isabella, linda, parada na calçada, olhando para mim com aquele sorriso encantador nos lábios.
Fiquei imóvel, sentindo as lágrimas correrem por meu rosto. Não conseguia evitá-las.
O meu amor por ela só podia mesmo ser coisa de outra vida. Como seria possível amá-la com tanta intensidade em tão pouco tempo de convivência?
- Você sumiu... – Lamentei, com a voz embargada pelo choro. Eu parecia uma criança.
- Por que está chorando? – Ela se aproximou e colocou a ponta do dedo sobre uma lágrima que escorria de meus olhos.
Naquele instante, inebriado por aquele simples e quase inperceptível toque, descobri que não era eu quem a salvaria da morte, era ela quem tinha minha vida em suas mãos...