quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Medo de amar 3


Medo de amar 3

Londres, 4 abril de 1816

- Mamãe, por que Nessie não pode ir conosco ao baile da Lady Levestop¿ - Annabel, a mais amável das primas perguntou enquanto Nessie terminava de arrumar os seus cabelos.

- Já disse que não é a vontade do seu irmão. Não devo discutir isso com você. -  Nessie sentiu a opressão em seu peito. Já tinha quase vinte um anos. Na verdade faltava somente três meses para completar a maioridade e nunca teve uma temporada. Agora que suas primas Catarine e Annabel completavam dezessete e dezoito anos, e teriam sua temporada, achou que também lhe seria permitido participar dos bailes nos salões dos casarões mais luxuosos de Londres. Era a filha de um marquês, tinha um belo dote, apesar de não saber exatamente quanto, e era bela. Apesar de não ter esperanças de fazer um belo matrimônio, não depois de ter sido completamente arruinada pelo tutor. Nem mesmo queria. A idéia de um homem a possuindo novamente causava-lhe náuseas e pânico. Mesmo assim gostaria ao menos da oportunidade de sair de casa. Mas ser impedida era outra coisa¿ Ali estava claro que a tratavam apenas como uma mera criada. Era isso que ela era para os Wood’s, que outrora lambiam o seu chão.

Nessie passou os seis anos dentro da casa, usando as roupas usadas e velhas das primas, isso quando lhe davam; em um quarto simplório no soton e sem o mínimo de conforto. É claro que para manter as aparências ela fazia as refeições à mesa com a tia e as primas. De resto, era tratada como uma criada. Ajudava as primas a se vestirem, cuidavam dos seus vestidos e sapatos, mantinha o quarto sempre organizado a medida do possível, ajudava a vestir as roupas e a tirá-las quando voltavam. Em resumo, era a aia das primas. Aquilo chegava a ser ironia. Agora que teriam a sua temporada, estava largada de lado, esperando pela boa vontade para ter sua própria vida.

Três meses... Três meses...

Nessie pensou enquanto ouvia a negativa da tia. Fingiu não se importar com o comentário e ouvir Catarina reclamar. – Se continuar com essa moleza, não chegaremos cedo ao baile. Será que é tão imprestável que nem arrumar cabelos faz direito. Ande logo com isso e venha arrumar os meus.  

- Terminei, Bel. Você está muito bonita. – Ela disse sorrindo enquanto olhava para a prima. A moça possuía beleza singela, mas não era nenhuma beldade ao contrário da irmã. Possuía os cabelos negros, a pele muito branca e os olhos verdes. Não era atraente como a outra prima, afinal Catarina poderia ser considerada uma beldade apesar da futilidade. Era realmente linda e a esperança da mãe para um bom casamento. O coração, entretanto, era pura maldade. Uma víbora maliciosa. Já Annabel era boa, apesar de não fazer nada por ela quando a irmã e mãe davam seus ataques.
                                                                                                     
- Anda logo, Renesmee! – Ordenou a outra prima. Nessie fez uma careta e se dirigiu até a poltrona onde estava sentada. Começou a trabalhar com má vontade nos cabeços da prima e terminou pouco depois. Não ficou tão belo e caprichado quanto o de Annabel. Não deixaria aquela bruxa com o ar de princesa. Estava ali fazendo o papel de aia obrigada.  Aquela situação duraria apenas três meses. Era por isso que rezava constantemente. Depois disso tomaria o que era seu e iria embora daquela casa.

As primas e a tia estavam arrumadas com belas vestimentas de seda, a tia com um belíssimo e luxuoso vestido vinho que marcava o seu corpo, usava os rubis de sua mãe adornando o colo, o que a deixava ainda mais furiosa. As primas com vestidos claros, próprios para a idade e condição de donzela. Annabel com vestido pêssego e Catarina com vestido verde claro. Ambas possuíam combinação de colares, brincos, pulseiras e anéis de diamantes. Estavam belíssimas e fariam bela figura na sociedade, Nessie sabia. O mais revoltante para ela não era o fato de ser impedida de ter uma temporada, mas o de usarem as jóias que eram suas por direito. As mesmas que foram tomadas no dia em que partiu de Colchester.

“Um dia elas serão minhas.” Ela dizia para si mesma tentando conter o ultraje. Aquilo era um abuso. Os parentes se apossaram dos bens e das jóias. Elas desceram para o grande salão e o que viu a deixou pálida. Sentiu uma tonteira e quase desmaiou.

“O monstro!”

Lorde Colchester estava lá. Exuberante com o fraque negro elegante. Na gravata uma esmeralda suntuosa, luvas braças, os cabelos impecavelmente penteados. Ele era um homem belo, mas a sua beleza era apenas exterior. Só ela sabia o que se escondia por trás daquela face encantadora. Ainda podia se lembrar de cada momento, da dor das suas investidas e do tom maldoso da sua voz rouca.

- Está muito bela, Renesmee. – Ele se adiantou e tomou a mão, colocando os lábios sobre ela. O corpo inteiro de Nessie se arrepiou. Ela sentiu pavor e nojo do toque daquele homem. Sentia-se sufocada e queria fugir dali. Não suportaria mais a sua presença. Fez o possível para se manter longe de seus olhos naqueles seis anos. Todas as vezes que ele visitava a família, ela ficava trancada no quarto fingindo indisposição. Ali, no entanto, foi inevitável.  Puxou a mão de rapidamente, abaixou os olhos e tentou não deixar que percebesse o seu medo.

- Boa noite, Lord Colchester!  - Fez uma mesura perfeita, como fora ensinada pela preceptora e depois pediu permissão para se retirar. – Se me derem licença, devo me recolher. Boa festa para vocês.

- “Não! Não! Não fará novamente aquilo comigo”. – Nessie andava de um lado para o outro em seus aposentos. Não suportaria passar por aquele tormento novamente. Precisava fazer algo urgente. Faltava apenas três meses para o seu aniversário. Depois disso estaria livre. Completamente livre. Se ficasse naquela casa correria o risco de ser machucada novamente. Não tinha a intenção de permitir que homem algum possuísse o seu corpo novamente. Não passaria por todo o sofrimento novamente. Durante todos os anos ela acordou chorando durante as noites com o mesmo pesadelo. Aquilo a angustiava.

Depois de muito pensar, Nessie decidiu que deveria fugir para longe. Quando tivesse sua maioridade encontraria um advogado e exigiria os seus direitos. Mas se continuasse ali, certamente estaria perdida. O fato do Lord Colchester não permitir que ela tivesse uma temporada tinha algum significado. Ela era a herdeira e em pouco tempo teria posse dos seus bens. Certamente ele não tinha a intenção de permitir que encontrasse um cavaleiro que a desposasse. Um pensamento estranho passou por sua mente. “E se ele quiser casar comigo?” Oh,Céus! Aquilo exigia uma medida urgente. Se ele tivesse a intenção de desposá-la, para tomar a sua herança, não teria muito que fazer.

Nessie começou a arrumar uma valise com alguns vestidos e roupas íntimas. Não havia muito que levar. Ela nem podia levar as jóias de sua mãe que estavam no cofre da Sra Wood. Mas podia pegar dinheiro. Sim! Precisava de dinheiro. Esqueceria as jóias. Só levaria consigo o brinco e o anel de diamante que usava. A única coisa que sobrou da sua herança.

Foi para o quarto da tia e começou a vasculhar as coisas. Achou alguns guinés, mas não dava para se estabelecer. Saiu do quarto com a valise e passou silenciosamente pelos corredores. Chegou ao primeiro andar e procurou por sinal dos empregados. Não havia nenhum. O mordomo não estava ali, mas ela precisava ir rapidamente para o escritório procurar dinheiro. Entrou no escritório e após vasculhar as gavetas achou uma milha.

Ótimo!

Agora ela só teria que sair pela porta dos fundos, tomando cuidado para não ser vista, pegar uma diligência para outra cidade e se manter escondida por três meses. O plano até parecia perfeito, mas ela sabia que no momento em que se dessem conta do seu desaparecimento iriam procurá-la. Então precisava ser rápida. Ela saiu na escuridão, passou pelo jardim e arbusto sorrateiramente até chegar ao portão da rua.

Mayfer estava silenciosa e pouco iluminada por algumas luminárias. Não havia muito movimento de carruagem àquela hora. Praticamente toda a nobreza que residia na Mayfer estava no bailo no outro lado da cidade. Era uma oportunidade única para sair sozinha à noite. Mesmo assim precisava encontrar um coche de aluguel. Não podia atravessar a cidade para pegar a diligência sozinha.

Nessie correu  pela calçada. Estava com frio. Muito frio. Usava nos ombros apenas um cachecol de lã brando. A lufada de vento a deixou arrepiada. Céus! Ela precisava urgentemente de um abrigo. Estava andando há algum tempo por aquela longa rua e não havia conseguido encontrar um coche de aluguel.

Atravessando a rua correndo, sem olhar para o lado. Quando se deu conta do que acontecia. Uma carruagem partia para cima dela. Nessie não conseguiu reagir. Ficou paralisada de susto. Alguém se arremessou contra ela e a jogou para longe. Sentiu o corpo e a cabeça batendo contra o asfalto e apagou


Medo de Amar2
Medo de Amar4

Nota Glau
E ai, Girls? Quem adivinhar que salvou Nessie do atropelamento ganha um doce! Quem? Quem? Quem? Kkkkk SHUASUASU Ele mesmo! O nosso caramelinho lindo. No próximo cap já o teremos na fic e vocês saberão como ele se apaixonará pela moça desconhecida, desacordada e totalmente frágil.
E Edward? Como ele evitará que o duque se apaixone pela Nessie? Isso só lendo para saber. Eu tenho até o cap 6 pronto e o 7 em andamento. A Heri está super excitada com o que já leu. A estória promete e vocês vão se deliciar com o duque. Isso eu prometo.
Obrigada mais uma vez pelos comentários! Amo todos eles! Os outros caps já estão prontos e betados. A postagem só depende de vcs.
Uma ótima semana!!!
Bjsu no core

N/ Heri: Oi, meninas, apareci enfim... Meu Deus....que capitulo, que historia. To super animada e curiosa, amo essa narrativas... Glaucia não me contou nada do que vem, estou como vcs... na expectativa, sofrendo junto com a Nessie... Então vamos comentar?...bjs

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Medo de amar 2


Medo de amar 2

Nessie não conseguiu sair da cama. Passou a noite inteira sem dormir, ainda sentindo ardência entre as penas, o corpo e o rosto dolorido pelos toques brutais daquele homem. Sabia que não podia contar a ninguém. Nem mesmo a sua preceptora, Srta Chandeler, mas sabia que logo ela viria. Mesmo após a morte do pai, certamente, não a deixaria sem as suas lições. Aquilo era a ultima coisa que queria aquela manhã. Certamente notaria a camisola rasgada e o estado que a menina fora deixada sobre a cama. Sendo assim, Nessie se levantou, com muito esforço após muito pestanejar, e foi fazer a sua toalete. Precisava se limpar, pelo menos tentar tirar o cheiro do homem maldito que maculara o seu corpo, se é que isso algum dia seria possível. Ele a marcou de forma que nunca, mas poderia se esquecer. Destruiu o que tinha de mais precioso e ainda se achava no direito de usá-la como bem entendia. Era humilhante de mais.

Mesmo sem a menor vontade, levantou-se da cama, caminhou lentamente até o toalete para se por ao menos apresentável. Depois de alguns minutos, voltou até a sua cama e se deitou. Ficou ali em chorando, enquanto sentia o peso da perda, dor e humilhação. Não sabia como seria a sua vida, mas tinha a certeza que o novo marquês não faria nada para que fosse agradável. Pela forma como ele a tratou, sabia que a odiava. Tinha a certeza disso. “Mas o que poderia fazer diante de uma situação como aquela?”. Uma mulher, na sociedade em que vivia, não tinha direto a nada. Tudo o que possuía era do seu pai, irmão, tutor ou marido. Era assim e pronto. Uma vez sem o pai, tudo o que era seu seria do tutor até se casar. Depois o marido teria autoridade para fazer o que bem entendesse. Naquele momento teve a certeza de que não se casaria. Não se colocaria a disposição de um homem, para que fosse dono inclusive do seu corpo. Nunca! Jamais.

A porta se abriu e a Srta Chandeler entrou acompanhada de uma das serviçais. Nessie virou o rosto. Não queria encarar a mulher. Não sabia mentir e tinha certeza que se a olhasse acabaria revelando a violência que aquele homem cometeu.

- Srta Renesmee, sei que o momento é de pesar. Seu pai morreu há seis dias e ontem teve que passar pelo estresse da leitura do testamento. Mesmo assim eu insisto para que saia dessa cama. Tem deveres para fazer e coisas novas para estudar. A Srta é filha de um marquês e certamente se casará com um Lord. Por isso precisa ser uma mulher inteligente, dotada de capacidade para conversar sobre uma variedade de assuntos e polida, deve conhecer a arte do flerte, bem como realizar o papel de senhora de uma casa. Há muitas lições a aprender, Nessie. Acho que ficar na cama chorando não a ajudará em nada. – Ela fez o discurso, enquanto a serviçal colocou a bandeja com o desjejum sobre a mesa.  Nessie não respondeu nada. Queria muito desabafar e contar o seu desalento. Não podia. Sabia disso. O marquês arruinaria a sua vida se contasse algo.

- Não sinto vontade de fazer nada, Srta Chandeler. Ficarei na cama até me sentir melhor. Por hora peço que me deixe só.- Dito isso, virou de lado e abraçou  seu travesseiro.

- Tudo bem! – Após ouvir a preceptora anuindo, pediu que a serviçal a ajudasse.

- Senhorita, preciso de sua ajuda. – Disse virando-se para a moça.

- Ao seu dispor, Srta Wood. – A moça disse de forma cálida.

- Estarei na biblioteca se precisar de mim, Renesmee. – A preceptora caminhou para a porta e saiu.

- Preciso que troque essas roupas de cama. – Disse para a jovem e caminhou até a mesa enquanto a serviçal se dirigia para a cama.

Aquele dia a vida de Nessie mudou para sempre. Ela sabia que estava irremediavelmente arruinada. Nenhum homem, mesmo sem um título de nobreza, a desposaria. Ela estaria a mercê do monstro que terminara de arruinar todos os seus sonhos. As lágrimas ainda rolavam pelo seu rosto. O coração estava completamente despedaçado. Tinha certeza que nunca mais se recuperaria daquele terrível acontecimento.

[...]

Deitada em sua cama, Nessie via as sombras das chamas dos castiçais bruxuleando  nas paredes do seu quarto. Havia passado horas deitada desde o ocorrido. A perda do pai ainda doía muito. A incerteza do futuro a abalava tremendamente. Não era fácil suportar tanto sofrimento. Seu peito doía tanto. Talvez até mais do o momento da fatídica violência que sofrera. Não conseguiu dormir. Alimentar-se também foi algo que não fizera com regularidade, mesmo com a insistência de sua aia. Nessie não suportava mais.

Ouviu o ranger da porta se abrindo. O coração acelerou de súbito. Não sabia se era sua aia ou se o monstro que roubara a sua inocência. Fechou os olhos fingiu dormir, entretanto o barulho dos passos fez seu coração acelerar ainda mais e seu corpo inteiro se arrepiar.

Medo!

Isso descrevia o que Nessie sentia. Sabia que não era sua aia e muito menos a preceptora. O barulho dos passos das damas não eram nada como aquilo. Aquele era o barulho de botas. Botas de um homem. Ela se encolheu.

- Não finja dormir, minha querida, tem que me entreter essa noite. – A voz rouca e maquiavélica do homem soou dentro do quarto. Nessie abraçou o travesseiro e não conseguiu falar nada. Via-se acuada como um gato encurralado. “Mas o que podia fazer? Como podia se defender daquele homem?”

- Por... – Engoliu seco. As palavras mal soavam e seus lábios. – Estou machucada...

Lágrimas! Elas rolavam pelo seu rosto. Tremia muito assustada. Fechou ainda mais os olhos quando sentiu o homem a puxar com violência. Ele abriu as suas pernas com violência, arrancou as pantalones, praticamente rasgando, e com a mesma brutalidade anterior, arremeteu-se dentro dela como um animal, entrando e saindo sem a menor compaixão pela menina que chorava.

Nessie fechou os olhos, após sentir as mãos do agressor tapando a sua boca para que não gritasse e chorou com a dor que cada investida provocava em seu corpo.

Esperar.

Era tudo o que podia. Não havia nada a ser feito. Estava completamente imóvel nos braços do seu tutor, sendo violada mais uma vez. Esperar era a única coisa que restava fazer até que tudo finalmente terminasse. Foi o que aconteceu. Ela sentiu quando seu corpo rijo saiu de cima do seu e o homem se pôs sobre a cama. Viu quando ele expeliu um liquido sobre os lençóis, urrando ao despejar todo conteúdo.

Nessie abraçou o travesseiro, fechou os olhos e continuou a chorar baixinho. Sabia que ninguém viria ao seu socorro. Era prisioneira daquele homem terrível e ele era o senhor da casa. Nenhum dos lacaios desafiaria a sua autoridade. Sabia disso. Por mais desesperador que aquilo fosse.

- Esteja pronta para mim amanhã. Tente agir como sua nova condição condiz. É minha amante e terá que aprender a me agradar. – O homem disse com arrogância e saiu da cama. Nessie escutou os passos em direção a porta e depois ouvir o seu ranger.

- Oh Deus! Por que não me ajuda? Por que permite que esse homem faça essas coisas comigo? - Sussurrou desesperada. Sabia que não havia mais saída. Ela se converteria no brinquedo do novo marquês. Edward não era um homem feio. Pelo contrário. Tinha porte de um cavalheiro e uma beleza digna de um príncipe. Mas sua alma era a de um demônio. Se as pessoas soubessem como ele a tratava. A violência com que agia com ela era desumana. E não havia ninguém para protegê-la. Seu pai estava morto e ele era legalmente responsável por ela. Seu dono, como ele mesmo disse.

Momentos depois Nessie ouviu a porta abrir a porta abrir com violência. O barulho de passos de uma mulher caminhando até a cama a alertou. Virou-se para ela e imediatamente pediu ajuda.

- Por favor, ajude-me milady. Estou machucada... – Chorava muito naquele momento. Estava soluçando e pensou que a mulher fosse agir com o mínimo de benevolência. O contrário ocorreu. A mulher a olhou com ódio nos olhos. Parecia insultada, com uma das sobrancelhas arqueadas e o tom arrogante de sua voz disse.

- Como se atreve, sua desavergonhada? Como se atreve a seduzir um marquês? Como filha de um nobre, deveria ter o mínimo de decoro. – Começou a bater o leque sobre a mão enquanto a fitava com a mesma arrogância e altivez. – Mandarei a sua aia arrumar suas coisas. Amanhã cedo partiremos para Londres. Não permitirei essa depravação. Deveria se envergonhar do que fez.

- Ele me machucou... me violou... – Tentou se defender.

- Quieta! – A mulher estava vermelha de fúria. Por um momento achou que ela fosse lhe bater. – Nunca mais se atreva a desferia acusações infundadas sobre o meu filho. Ele não tem culpa de ser uma desfrutável sem o menor pudor. Mas não permitirei que essa situação persista. Virá comigo para Londres e lá ensinarei a se comportar como uma dama. Quem sabe algum dia encontre algum cavalheiro disposto a desposá-la mesmo arruinada. Nada que um bom dote não resolva. Agora se prepare. Partiremos amanhã ao amanhecer.

Nessie apenas assentiu. Estava machucada, magoada e principalmente humilhada. Aquela mulher horrível ousou a colocar sobre si toda a culpa. Seu filho era um monstro e a mulher teve a crueldade de jogar sobre ela o fardo de sua violação. Era um absurdo.

[...]

A senhora Cordélia Wood estava ultrajada. Assim que chegou a mansão herdada por seu filho, em Colchester, ouviu as blasfêmias que os empregados diziam sobre ele. Segundo os sussurros, os Lord Wood estava violando Renesmee Wood. Fato que segundo disseram, acontecera inclusive aquela noite. Ficou indignada com as fofocas que ouviu quando foi fiscalizar a cozinha. Nenhum deles sabia de sua presença e muito menos quem era. Assim falavam abertamente que o novo Lord machucou a jovem, pouco depois do velório do tio. Ela não aceitara aquilo. Simplesmente era inconcebível aceitar tal fato. Precisava se certificar por si própria da verdade.

Caminhou com passos pesados pela imensa galeria que levava até o andar onde os membros da família residiam atrás da aia de Renesmee Wood. Depois ordenou que a moça voltasse aos seus afazeres. Abriu a porta com violência e a cena que viu a chocou.

Não podia acreditar. Aquela garota havia seduzido o seu pobre filho. Ele em sã consciência nunca faria tal temeridade contra aquela jovem. Mas a prova estava ali. Por mais que Sra Wood insistisse em não aceitar e tentasse desculpar os erros do seu filho, estava ali a sua frente. A garota nua, encolhida,  com marcas recheadas pelos braços e pescoço chorando muito.

Para ela era mais fácil jogar a culpa sobre a jovem. Era a única coisa que podia fazer em defesa do seu filho. Não permitiria que aquela jovem enlameasse o nome do novo marquês, por mais que ressentisse com o fato de nunca ser a marquesa,visto que o titulo só seria seu se fosse a viúva mãe do herdeiro. Coisa que nunca aconteceu e nunca aconteceria.

Depois de despejar toda a raiva que sentia sobre a moça, resolveu ir procurar o filho e o “informar” sua decisão diante de situação desastrosa. Não poderia permitir que ele colocasse tudo a perder. Se o fato saísse daquela casa, por um dos criados, ele estaria arruinado. Nenhuma família decente os receberia e ele perderia a chance de um bom casamento. Ninguém veria com bons olhos a violação da filha de um marquês. Precisava dar um jeito naquilo. Urgentemente.

Ao chegar à suntuosa biblioteca, a mulher o encarou de forma fria.

- Não sabia que havia chegado, mamãe. – Edward disse bebendo uma taça de conhaque.

- Vim para me certificar que a casa do novo marquês estava sendo bem conduzida. Entretanto o que descobri me abalou muito. Serei bem direta, Edward, não permitirei que essa situação perdure. Levarei a Srta Wood comigo para Londres amanhã bem cedo.

- Está sendo descortês mamãe. Onde andam os seus bons modos. Não fez uma mesura e dirige-se a mim como se eu fosse um menino. Agora sou um homem. Sou o marquês e o senhor dessa casa. Não tem direito algum de ditar ordens. – Ele bebeu um gole de sua bebida despreocupadamente. Não sabia até que ponto sua mãe estava ciente das coisas e não se entregaria facilmente. Ela continuava com o mesmo tom altivo observando o filho com a sobrancelha arqueada.

- Sei bem que foi “Seduzido” pela sua pupila. Essa situação não continuará, Edward.  – Disse com tom estridente. – Não permitirei que você arruíne tudo por causa de um capricho. Ela irá para Londres comigo e você não se aproximará. Se dermos sorte, algum dia, conseguiremos um bom casamento para ela. Caso os boatos se espalhem, você não será recebido por nenhuma família nobre e não conseguirá uma herdeira. Está me entendendo agora? Como acha que a sociedade veria a sua proximidade com sua pupila? Não me trate como uma pessoa desprovida de inteligência. Sou sua mãe! – Disse exasperada.

- Não há como negá-lo, há? - Perguntou com humor sardônico.

- Não use esse tom irônico comigo! Renesmee irá comigo e lá cuidarei para que não seduza mais nenhum “nobre decente”. – Disse de forma condescendente. Ele sabia que a mãe sempre encontrava forma para desculpar todos os seus erros. Todas as pessoas estavam erradas. O falecido pai, os empregados, os tutores, os professos de Etan e até mesmo os de Oxford. Ela sempre agiu colocando a culpa no mundo por seus erros. Ele sabia que agora encontraria uma forma de culpar Renesmee pelo que havia feito.

- Correto! Tem minha autorização para levar minha pupila. – Disse fazendo uma careta. Pretendia desfrutar dos favores de Renesmee e com a interferência da sua mãe não seria mais possível. Não havia o que fazer. Ela não se daria por vencida. Ele tinha que ceder.
Nota Glau

Gils, não me matem! Prometo que as coisas vão melhorar. Nessie não ficará mais sob o teto de Edward, mas será tratada como uma empregada. Já viram que a mãe dele não presta? Pois é... Se me lembro bem do que escrevi, Jacob aparece no cap 4 para resgatar nossa Nessie. Então fiquem calmas. Eu sei o que estou fazendo
Obrigada mesmo pelos comentários!

Estão com saudade da HERI? Já mandei os caps para ela e daqui a pouco estará aqui conosco fazendo a betagem.]

Mais uma vez obrigada pelo carinho de vcs. Agradeço a confiança que depositam em mim. Não é a primeira vez que escrevo algo louco e não será a última, se acreditarem é claro!

Bjus no core

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Medo de Amar1




Medo de amar 1

Colchester, 10 maio de 1810

Nessie estava destroçada. Seu coração doía e a saudade que sentia do pai já a sufocava. Não conseguiu nem mesmo ficar para a leitura do testamento. Começou a passar mal e após um desmaio foi levada até seus aposentos. Não sabia o que seria de sua vida a partir daquele momento. Já não tinha mãe, ela havia morrido quando tinha apenas sete anos, após uma terrível febre que a deixou convalescente por uma semana. Agora, de uma hora para outra, perdia também o seu pai. “O que seria de sua vida?”.

O marquês era um exímio cavaleiro e adorava montar em seus garanhões. Nunca passou pela cabeça de alguém, nem mesmo a dela, que ele pudesse cair do cavalo e quebrar o pescoço.  Charles Wood era um homem duro, frio e considerado um sovina. Todos, no entanto tinham que concordar que ele amava sua filha. A sua única e preciosa filha. Depois de ter pedido o seu herdeiro, quando tinha somente cinco anos, o homem ficou ainda mais destroçado. Já havia pedido a esposa, a quem tanto amava, e sua sucessão foi comprometida. Nessie pensou que ele voltaria a se casar. Tinha certeza disso. Era ainda uma criança quando seu irmão morreu, mas sabia que seu pai precisava de um filho varão para herdar o seu título. Sabia que isso acontecesse lhe acalentaria o coração. Teria uma família feliz novamente. Foi isso que pensou durante anos.

Naquele momento estava tudo perdido. Não tinha a mãe, o pequeno irmão e o pai. Ninguém mais a quem pudesse chamar de família. Só lhe restava o primo Edward e suas primas. Ela sabia que nunca seria a mesma coisa. Com seus quinze anos, ainda faltaria muito para constituir a sua própria família. Estava destroçada. O coração doía muito e só conseguia chorar. Nada mais adiantaria diante de tantas fatalidades a que sua família fora acometida. Chegou a pensar em morrer também. Assim se juntaria aos pais e ao irmão.

Escutou o barulho da maçaneta, mas continuou encolhida. Certamente era a Sra. Lancy, a governanta da casa, pensou. Preferiu fingir que dormia. Não tinha vontade de falar com ninguém, muito menos de ser consolada naquele momento. Só precisava ficar só e esquecer. Talvez isso a ajudasse lidar com a dor.

Segundo depois passos de uma pessoa caminhando até a cama fizeram seus instintos a deixarem alerta. Virou-se de súbito e para sua surpresa ele estava lá.  Seu coração acelerou naquele momento. Não esperava vê-lo ali. Era indecoroso um homem entrar nos aposentos de uma senhorita que estava desacompanhada. Poderia comprometer a sua honra. Assim não entendia o que Edward fazia diante da sua cama, com olhos de um verdadeiro predador enquanto esquadrinhava o seu corpo. Ficou muito assustada com as expressões sombrias em seu rosto.

- O que... – Tentou dizer, quando de súbito ele se aproximou da cama e colocou o dedo em seus lábios. Seu corpo inteiro tremeu. Foi tomada por uma repulsa de imediato. “O que aquele homem fazia sentado em sua cama tocando os seus lábios?”

- Shhhhhh! – Ele sussurrou. – Não diga e não faça nada, minha querida. – A sua voz era rouca e baixa. – Agora eu sou o seu tutor. Sou o dono da sua vida e das suas vontades. Tudo o que tem, inclusive a sua virtude, estão em minhas mãos. Não grite! – Ele ordenou. Os olhos verdes estavam cheio de luxaria enquanto a olhava. Ele fitou os pequenos seios, que estava desabrochando naquela pequena menina, com desejo. Queria tomá-la e fazer tudo com ela. Nessie teve a certeza disso enquanto ele a olhava.

- Por favor... – Ela suplicou enquanto ele tirou os dedos de seus lábios. As lágrimas se formaram rapidamente em seus olhos. Não conseguiu conter o choro diante do medo que sentia da presença, gestos e palavras daquele homem. Não conhecia bem o primo. Na verdade só teve contato com ele três vezes. A primeira foi na morte do seu avô, quando era anda muito pequena. As outras vezes foram no velório da mãe e depois do irmão. Agora, com o falecimento do pai, Edward era o marquês e o seu tutor. Pelo que conseguiu ouvir antes de desmaiar, quando o testamento era lido, ele como parente homem mais próximo e na condição de herdeiro do titulo, seria o seu responsável. O outro parente que se enquadraria nessa condição, sendo o último na linha de sucessão, era o filho do irmão mais novo do seu avô, que morava na Escócia.

- Renesmee Wood, você será minha hoje e sempre. Não se atreva a gritar ou contar isso a alguém. Se o fizer, juro por Deus que a mato. – Nessie viu quando o primo se levantou e começou a tirar as botas. O medo a congelou. “O que ele pretendia fazer?” Quis se mexer e sair correndo, mas não conseguiu. Era fraca demais para se quer reagir. A voz mal saia de sua boca. Sua fragilidade a impediu de tomar qualquer atitude em sua própria preservação. Ficou pálida ao ver o homem abrindo as calças para colocar a “coisa” para fora.

- Nãoo... – Ela gemeu e se encolheu sobre a cama, ficando na posição fetal. Fechou os olhos e orou. Pediu a Deus que a livrasse daquilo. Não sabia mais o que fazer. Era desesperador se sentir tão impotente. O homem agarrou-lhe as pernas com força e a puxou para baixo. Nessie tentou lutar e fechá-las. Ele, em um gesto impaciente diante da negativa da menina, deu uma bofetada em seu rosto. Aquilo ardeu... Muito. Ela chorou ainda mais, enquanto tentava manter as pernas fechadas.

- Sua vadia desobediente!- Edward disse bufando.  – Já não lhe disse que tudo o que tem é meu por direito? Por que ainda luta comigo? Será bem pior agora, garotinha. Você poderia até aproveitar o momento e desfrutar do prazer que eu estava disposto a te dar. Mas agora... Agora aprenderá a ser boazinha comigo. Sou eu quem mando e você será uma boa menina. – Em um gesto brusco ele a puxou mais, encaixou-se entre as sua pernas e...
Doeu.
- AIIIIII! – Nessie gritou quando sentiu a dor profunda do membro masculino invadindo a sua fenda com brutalidade, rasgando-se a carne. Nunca sentiu uma dor tão grande. Foi dominada por um favor naquele instante e mal podia se mover. Ele começou a se mover dentro dela, enquanto ela chorava. Edward, temendo que alguém ouvisse os gritos, colocou a mão sobre a sua boca e continuou a penetrá-la de forma dura e profunda. Desfrutava do prazer virginal como um animal. Quando percebeu que ela estava rendida e não conseguia reagir à brutalidade das suas penetrações, tirou a mão de sua boca, rasgou a camisola e começou a chupar os pequenos seios.

Nessie fechou os olhos. Não queria ver nada naquele momento. Implorava em uma silenciosa oração para que tudo aquilo terminasse logo. A dor era muito grande, como se sua própria alma estivesse sendo rasgada. Muito desesperador aquele momento. Só queria que acabasse logo. Não suportava mais as duras penetrações castigando a sua carne.

“Por favor, Deus faça isso acabar logo. Não suporto mais.”

 - Agora, Renesme,você deve ficar bem quieta. Será uma boa menina quando eu vier te visitar. Ninguém deve saber o que se passa nesse quarto. Você ficará arruinada se souberem vadia desfrutável que é. Nenhuma família decente a receberá e nunca fará um casamento decente. Então acho que temos um acordo de que não é conveniente que descubram o que se passou. – Ele disse após ter saído de dentro de Nessie e jorrado o líquido sobre os lençóis de seda. Ela virou o rosto para o lado. Era repugnante, pavoroso e humilhante. Queria morrer naquele momento. Sentiu nojo do próprio corpo. Estava muito suja, por dentro e por fora. Só conseguiu assentir com a cabeça e orar para que ele se fosse logo. Não suportaria mais a presença daquele homem em sua cama.


Prólogo
Medo de Amar2



Nota Glau
E ai? Chocante, não? Nessie sofrerá muito nos primeiros caps da fic, mas logo aparecerá o seu duque salvador. Não esperem que seja boazinha com ela. Aprendi que para se fazer uma estória boa, ás vezes é preciso ser má. O que me dizem? Quais as perspectivas de vocês?
Obrigada pelos comentários do prólogo. Espero não decepcioná-las com essa estória.
Um ótimo carnaval!!

Bjsu no core

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Faz de conta que foi assim9

CAPÍTULO 8 – Mentiras e Carinhos...
EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ
(Vinícius de Moraes)
Eu sei e você sabe,
já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo
levará você de mim
Eu sei e você sabe
que a distância não existe
Que todo grande amor
só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor,
não tenha medo de sofrer
Pois todos os caminhos
me encaminham prá você
Assim como o oceano
só é belo com o luar
Assim como a canção
só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
só acontece se chover
Assim como o poeta
só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor
não é viver
Não há você sem mim,
eu não existo sem você.
“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”
(Chico Xavier)
Edward levou Bella até o taxi. Era difícil acreditar que fazia isso na condição de seu marido.
Decidira sublimar o medo de ser desmascarado. Agora queria apenas viver intensamente sua fantasia como se cada dia fosse o último.
Ajudou-a a entrar no carro, sentindo um choque percorrer sua espinha quando segurou em sua cintura, com medo que se sentisse tonta e caísse. Bob, o motorista do taxi que lhe pestava serviços quando estava em New York, bem que tentou ajudá-la, mas Edward fez questão de fazer tudo sozinho.
Bella também não ficou indiferente à proximidade do corpo de Edward ao seu. Inebriou-se com o perfume que aquele homem exalava. Era tão bom quanto o cheiro de chuva ao cair no jardim.
Bella se espantou por lembrar-se de coisas tão banais como o cheiro de terra molhada, mas não ter a mínima lembrança de como fora sua vida ao lado dele.
“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não!... Quero uma verdade inventada”.
(Clarice Lispector)
De manhã, enquanto Bella ainda dormia, Edward tinha pedido a Bob que pegasse sua bagagem no hotel, assim poderiam ir direto para o aeroporto, onde um avião fretado os levariam para a Califórnia.
Na cabeça de Bella o caos ditava as regras. Quanto mais tentava se lembrar de algo, mais se afundava na desorientação. Ela agora entendia porque os bebês choravam tanto quando saíam do útero das mães... Nascer era extremamente assustador.
Sim, Bella se sentia uma recém-nascida. E era. Dependia completamente, tanto física quanto emocionalmente, daquela pessoa que se intitulava seu “marido”. Segurou as lágrimas a todo custo. Não tinha forças nem para se entregar a uma crise.
Edward não ficou alheio ao acanhamento de Bella. Respeitou seu silêncio até chegarem ao aeroporto. Sabia que estes primeiros dias seriam muito confusos e tensos para ela.
A viagem até Monterey foi longa, mas muito confortável.
– Está se sentindo bem, Bella? – Edward perguntou algum tempo depois de decolarem. Não aguentava mais de vontade de conversar com ela.
– Sim, apenas um pouco tonta. – Bella respondeu timidamente.
Edward reclinou sua poltrona, fazendo virar quase uma cama.
– Feche os olhos e tente dormir então, amor. A viagem será longa.
– Acho que é o melhor a fazer mesmo. Obrigada.
Bella ainda se sentia insegura por estar indo embora com um estranho. Quando pensava que morariam na mesma casa e dividiriam desde seus afazeres diários até a cama, um frio na barriga a fazia tremer. Mas pior do que isso era se ver sozinha, como se sentiu ao acordar. Não queria nunca mais passar por aquela sensação de vazio que a acometeu quando abriu os olhos e percebeu que não sabia nem quem era. Edward parecia ser uma boa pessoa. Mesmo sem conhecê-lo, sentia-se bem ao seu lado.
Não demorou muito até que Bella caísse no sono, afinal ainda estava tomando remédios muito fortes.
Acordou com uma voz doce a chamando, bem pertinho do ouvido.
– Amor, chegamos!
Espreguiçou-se, tentando entender onde estava.
– Eu dormi a viagem toda?
– Dormiu. – Edward resondeu rindo.
Bella sentiu-se envergonhada por ter sido uma companhia tão ruim.
– Desculpa!
Edward afagou seus cabelos carinhosamente.
– Não tem do que se desculpar. Você acabou de ter alta depois de dois meses em coma. É mais do que normal que se sinta fraca e sonolenta.
Havia tanta ternura naquelas palavras que ela sentiu vontade de abraçá-lo e agradecer por tudo que estava fazendo por ela, mas faltou-lhe coragem.
– Vem que eu te ajudo a descer do avião. – Edward falou, estendendo-lhe a mão.
A casa onde iriam morar era linda! Edward tinha visto apenas fotos dela, mas de perto era ainda mais deslumbrante.
Os três empregados os esperavam na porta. Cornélia, a cozinheira; Vera, a arrumadeira e Pablo, o jardineiro.
Edward já havia falado com eles apenas por telefone.
Se apresentaram e receberam calorosos desejos de boas vindas. Logo estavam a sós novamente.
A beleza da construção continuava em seu interior. Edward ficou olhando para o rosto de sua esposa, tentando decifrar o que sua expressão queria dizer.
– Nós somos ricos? – Bella perguntou mordendo os lábios.
A pergunta surpreendeu Edward, que abriu um grande sorriso.
– Somos muito bem de vida. Eu tenho uma empresa que presta serviço pela internet, que rende a mim e a meus sócios um excelente lucro.
– É, por esta casa dá pra perceber.
– Você gostou?
– É linda, Edward. Na verdade é perfeita!
Edward deliciou-se com o sorriso que recebeu de Bella. Ela estava com os cabelos presos, para disfarçar a pequena parte que tinha sido raspada na cirurgia, e estava simplesmente linda.
Neste momento um labrador preto entrou na sala e parou ao lado de Bella, cheirando-a amigavelmente.
– Este é Bud, nosso cachorro.
Edward sentiu o medo tomar conta de si. O animal tinha sido treinado por mais de um mês com o cheiro deles. Os tratadores eram experientes nesta técnica de fazer cães se acostumarem a pessoas que não estavam presentes, mas ainda assim ficou com receio que o cão a atacasse e mordesse. Ele já tinha estado algumas vezes com Bud, mas com ela era o primeiro encontro.
Guardado em algum lugar de seu cérebro, ou de seu coração, o amor de Bella pelos cachorros ficou evidente quando ela se abaixou e começou a brincar com ele, conversando carinhosamente com seu mais novo amigo.
– Oi Bud!! Você é tão lindo, cãozinho!! Sentiu minha falta, amigão?
Bud pendeu a cabeça para o lado e, depois de encará-la por um tempo, abanou o rabo e as orelhas dando sinal de completa rendição as encantos de sua nova dona.
“Mais um apaixonado por ela nesta casa”, pensou Edward.
– Quer conhecer a casa comigo? Também é minha primeira vez aqui.
– Sim. – Bella disse, estendendo a mão displicentemente para que fossem de mãos dadas.
Edward pensou que não existia nenhum tipo de medida conhecida na matemática que pudesse dimensionar o tamanho de sua felicidade naquele momento.
A casa realmente era perfeita. Suas paredes de vidro temperado permitiam ver o mar. Fora construída em uma encosta, um pouco afastada da cidade. A praia ficava próxima, bastando descer uma longa escadaria de madeira, exatamente como Bella descreveu sua casa dos sonhos em uma das cartas que escreveu a Edward.
Um dos cômodos que entraram era o quarto do casal. Bella ficou de boca aberta com a beleza da vista daquela parte da casa.
Ela bem que tentou disfarçar o rubor em seu rosto quando olhou para a cama de casal, mas já era tarde demais. Edward a encarava com um sorriso torto, parecendo zombar de sua timidez desnecessária, afinal eram marido e mulher e já deviam ter feito muitas coisas em camas como aquela, pensou Bella. Claro que depois destes pensamentos seu rosto ficou mais vermelho ainda.
Edward sabia que Bella estava sem graça por causa da cama. Ele também se sentia constrangido ao olhá-la. Essa era a parte mais vil de seu plano. Ele sabia que ela o odiava e que jamais dormiria ao seu lado se não tivesse perdido a memória.
– Edward, você só se mudou para cá por causa da minha amnésia? Mudou toda a sua vida por mim? – Bella estava atordoada com o fato de terem ido morar longe de todas as pessoas que conheciam antes.
– Bella, você é a pessoa mais importante pra mim. Eu te amo mais que a mim mesmo. Tudo o que mais quero nesta vida é te fazer feliz. Vir morar aqui com você não é esforço nenhum... É um prazer! Uma vez você me disse que iria comigo até para o fim do mundo... Eu também te digo o mesmo, meu amor.
– Eu te amava assim também? – Ela perguntou, mexendo com as estruturas de Edward.
Ele mordeu os lábios até quase sangrarem. O que diria agora? Contaria a verdade... Que ela o odiava, que nunca o perdoara por tê-la feito infeliz?...
– Você me amava muito. Éramos muito felizes juntos, e eu tenho certeza que ainda seremos. O nosso amor era muito bonito e puro. Nem mágoas, nem rancor, nem culpa, nem doença... Nada teve ou terá força suficiente para por fim nele. – Edward mentiu, desejando que sua covardia no passado não tivesse tornado suas palavras tão mentirosas.
Bella se comoveu com aquela declaração.
– Eu estou te fazendo sofrer... – Constatou, sentindo-se culpada por tê-lo esquecido.
– Não fale um absurdo desses, Bella, você é a melhor parte da minha vida. Só de estar viva, aqui, do meu lado, já é motivo para eu ser o homem mais feliz do mundo.
Edward se aproximou dela e passou os braços em volta da sua cintura. Não ousou beijá-la, mas apoiou o queixo em sua cabeça e fechou os olhos, curtindo cada segundo daquele abraço.
Bella sentiu aqueles braços fortes envolverem sua cintura e retesou-se, temendo que suas intenções fossem outras, afinal estavam diante de uma cama. Aos poucos foi percebendo que se tratava apenas de um abraço... E um abraço muito reconfortante.
Fechou os olhos e se entregou àquele carinho, torcendo para que aquele contato pudesse fazê-la se lembrar de algo, mínimo que fosse. Nada!... Nem a mais insignificante das lembranças retornou à sua cabeça.
Você precisa descansar um pouco, amor – disse Edward, afastando-se. – Suas coisas estão todas no closet. Vá tomar um banho enquanto eu peço a cozinheira para preparar o jantar. Tem algo em especial que queira comer?
– Qual era meu prato preferido?
Perguntas como aquela atormentariam Edward durante todo o plano.
– Ei, não quero que fique tentando se lembrar o que passou. Já disse que vamos começar uma vida nova. Não importa o que gostava, quero saber o que deseja comer hoje? – Edward falou, segurando o rosto de Bella entre as mãos, ternamente.
– Batata frita e frango assado.
A forma como Edward colocava as coisas fazia parecer tão fácil lidar com a falta de memória, pensou Bella. Seria tão bom se pudesse simplesmente esquecer vinte e cinco anos de sua vida e continuar em frente como se nada tivesse acontecido... Mas não era. Sentia-se como se estivesse entre parênteses... Sabendo que sua vida só teria continuidade depois que se lembrasse de tudo.
Edward riu do seu pedido e saiu do quarto, não sem antes beijar a testa daquela adorável mulher com quem realizaria a mais linda fantasia que já existiu.
Bella entrou no closet e se espantou com o que viu. Separada por cores, uma infinidade de peças de roupas lotavam os armários do lado direito, seu lado.
Do outro, as roupas de Edward conviviam naturalmente com as suas, desconhecendo os problemas que os separavam.
Abriu as gavetas e se deparou com lingeries finíssimas e camisolas lindas e sensuais. A maioria tinha aspecto de já terem sido usadas. Por alguns segundos imaginou-se as vestindo, deitada em uma cama de casal, tendo Edward ao lado...
O que será que faziam na cama? Do que ele gostava? Do que “ela” gostava? Por mais que tentasse, tinha dificuldade de pensar em sexo. Na verdade não sabia muito o que imaginar. Como poderia ter se esquecido justamente disso? Lembrava-se de como pentear os cabelos, de como escovar os dentes, de como se maquiar, mas no que se referia a fazer amor parecia que seu conhecimento não condizia com o de uma mulher casada.
Bella balançou a cabeça e riu. “Logo do que fui me esquecer!!”
Depois de um banho relaxante e demorado, vestiu um short jeans e uma regata azul bebê e desceu para a cozinha. Estava com fome.
Edward não estava lá.
– O jantar já está quase pronta, Srª Cullen. Seu esposo pediu que a avisasse que está esperando pela senhora na varanda.
– Obrigada, Cornélia. Nossa, o cheiro está maravilhoso!
Com as luzes acesas a casa ficava mais linda ainda.
Bella encontrou Edward sentado em uma poltrona de ratam, bebendo algo que não soube identificar o que era. Bud estava deitado ao seu lado, dormindo.
– Oi amor, sente-se aqui. A noite está linda!
Estava mesmo, pensou Bella. O prateado das ondas, o vento que trazia o cheiro do mar e a lua enorme que enfeitava o céu fazia tudo parecer uma cena de filme.
– Este lugar é maravilhoso, Edward.
– É sim. Você sempre quis morar em uma casa assim.
Edward viu Bella se sentar na poltrona a seu lado, cruzando as pernas lindas e torneadas que o seu short covardemente desnudava e constatou que seu raio de sol tinha virado uma linda mulher.
Bud levantou-se e foi se deitar ao lado de Bella.
Recebeu um carinho na cabeça e logo dormiu novamente.
– Está se sentindo bem?
– Fiquei um pouco tonta no banho, quando me abaixei para esfregar meus pés, mas logo passou.
– Meu Deus, Bella, eu não devia tê-la deixado sozinha! – Edward se recriminou. - Da próxima vez que for tomar banho, deixará a porta aberta e eu ficarei no quarto. Já imaginou se tivesse desmaiado? Poderia bater a cabeça novamente e isso não pode acontecer de jeito nenhum.
– Calma, Edward, foi só uma tontura leve. Eu estou bem, juro!
– Não saio mais de perto de você nem por um segundo. E não adianta reclamar. – Edward falou, fingindo estar sério.
Serviu o suco de lima que estava na jarra e deu o copo para Bella.
– Beba um pouco, está delicioso.
Bella tomou um gole daquela bebida refrescante e se segurou para não iniciar uma série de indagações sobre sua vida.
Seu médico tinha lhe pedido que relaxasse nos primeiros dias e que evitasse muitas perguntas neste período. O estresse poderia fazer-lhe mal.
Não sabia como era sua vida antes, mas agora não podia se queixar, estava feliz sentada naquela varanda, olhando o mar ao lado de seu marido e de seu cachorro.
O jantar estava delicioso. Bella descobriu que adorava batatinha com catchup, e abusou do direito de comer.
Edward ficava só rindo. Bella parecia uma criança com aquela boca toda lambuzada de molho vermelho.
– É a primeira comida sólida que como desde que acordei.
– Estou percebendo. – Edward falou brincalhão, fazendo cara de espanto.
– Acha que exagerei? – Bella perguntou meio sem graça.
Edward deu uma piscadinha e sorriu, mostrando que não a culpava por sua gula infantil.
Após a sobremesa, subiram para o quarto.
A hora que Bella mais temia tinha chegado. Pegou um pijama de calça e camisa na gaveta e foi se trocar no banheiro. Demorou mais que o necessário.
Edward viu Bella entrar no quarto aflita. Não precisava observar muito para reparar seu nervosismo.
Aproximou-se dela.
– Bella, não tem por que ficar assim, meu amor. Nós só vamos dormir na mesma cama, como já fizemos muitas vezes. Eu já te disse e vou repetir, eu só farei amor com você no dia que me pedir. Até que seja de sua vontade, não a forçarei a nada.
Ele a abraçou novamente e sentiu que Bella tremia. Beijou-lhe os cabelos e foi para o banheiro tomar banho.
Bella aproveitou que estava sozinha e correu para a cama. Deitou-se e se cobriu com o edredon. Mas uma vez ficou maravilhada com a vista que as paredes de vidro proporcionavam. No escuro não dava para ver o mar, apenas a silhueta de um barco, iluminado por pequenas lâmpadas, que balançava na cadência das ondas. Se imaginou como aquele barco solitário, mas então se lembrou que assim como ele, ela também tinha uma âncora: Edward. Adormeceu com aquela visão linda e relaxante.
No banheiro Edward tentava se manter calmo. Estava preste a se deitar ao lado da mulher da sua vida. Dormiriam juntos pela primeira vez... Apenas dormiriam, mas isso já era muito mais do que tinha sonhado.
Fez um balanço do primeiro dia de sua “vida de mentira... E não podia ter sido mais perfeita.
Tirando o fato de estar mentindo para Bella, e isso lhe causava um grande desconforto, o resto tinha sido maravilhoso.
Voltou para o quarto e encontrou-a dormindo. Estava linda...
Deitou-se ao seu lado e puxou-a para junto de si, sentindo o calor que emanava da pele de Bella aquecer seu corpo frio pelo banho.
Dormiu como um anjo... Um anjo maculado pelo pecado... Pelo pecado de amar o impossível.
...”O amor, essa força incontida,
Desarruma a cama e a vida Nos fere, maltrata e seduz
É feito uma estrela cadente
Que risca o caminho da gente
Nos enche de força e de luz”...