sábado, 16 de junho de 2012

Medo de Amar – Final

Medo de Amar – Final

Horas haviam se passado e o duque estava impaciente. Agora ele fazia jus a sua fama de duque sombrio. Esbravejava com os serviçais e até mesmo com os hospedes. Ninguém havia encontrado sinal de sua noiva na propriedade e já era hora do jantar. Estava bravo com a ausência dela e preocupado. Ela não era de sair da propriedade, ainda mais desacompanhada e sem avisar. Jacob resolveu ir até os seus aposentos e tentar encontrar uma missiva que explicasse o desaparecimento. Era bem possível que os criados não houvessem encontrado.



Andou por todo aposento e não encontrou nada. Foi até o reservado de sua noiva e não viu nada estranho. Quando voltava, passou pelo Biombo e percebeu algo mais adiante. Jacob se abaixou e pegou uma colar, que havia arrebentado. Por um momento achou que fosse normal, mas enquanto caminhava até a saída, percebeu um lenço no chão. Então abaixou, pegou o lenço e examinou, percebendo as iniciais de sua casa. Ele tinha o dobrão dos duques de Telford e as letras D&T bordadas. Jacob sentiu um frio na barriga naquele momento. Sabia que o lenço só poderia ser de sua mãe e não imaginava o que ela poderia querer no quarto de Nessie. Isso sem dizer que era Coincidência o desaparecimento ocorrer no mesmo dia fato.

Jacob não acreditava em Coincidência. Não se tratando de sua mãe. Sabia bem com quem lidava e do que a duquesa era capaz. Não era ingênuo para acreditar que os fatos não tinham uma ligação. Ele levou o lenço até o seu nariz o cheirou. Tinha um cheiro forte de ópio misturado com álcool. Após constatar que algo estava muito errado e sua mãe estava metida naquilo, Jacob foi furioso até seu quarto, mas estava vazio. Assim partiu para a sala, onde certamente estaria com as outras senhoras. Ele caminhava a passos largos, quase correndo, porque sabia que o tempo estava contra ele. Não sabia exatamente quanto tempo haviam levado sua noiva. Por isso precisava agir logo ou seria tarde demais. Sua mãe era capaz de tudo, até matar se fosse para o seu benefício.

Chegou à sala, onde as senhoras tomavam chá despreocupadamente e os amigos conversavam em um canto reservado. Aproximou-se da mãe, segurou-a pelo braço e a levantou com brusquidão. – Diga onde ela está? – Ele perguntou furioso, sacudindo-a.

- Que atrevimento é esse, Telford? Perdeu suas boas maneiras com aquela sua noiva? – A duquesa perguntou com ar arrogante, sem deixar cair a sua pose. Ele sabia que ela era culpada e ela sabia que ele tinha conhecimento disso. Mas não se deixaria desmascarar na frente dos convidados. Aquilo era impróprio e uma afronta a sua dignidade.

- Lady Renesmee sumiu. Ninguém viu em lugar algum. – Ele disse furioso, fitando-a com olhar de afronta.

- Se ela fugiu, a culpa certamente não é minha, meu caro. – Agora me solte! – Ela ordenou puxando o braço, mas ele não a soltou.

- Eu encontrei isso aqui no quarto dela. – Ele levantou o lenço e o cordão com a outra mão. – Ela foi levada a força dessa casa. E a única pessoa com interesse em afastá-la é milady. Além disso, esse lenço tem o nosso brasão e iniciais. E cheio de ópio. Agora vai me dizer por bem ou por mal. – Ele inquiriu sem se importar com os olhares das senhoras e dos amigos.

- Jacob você pode estar enganado. Ela pode não ter feito nada. – Disse Alex

- Impossível! Cheire isso! – Jacob passou para Alex. – Agora me diga se isso, há algumas horas atrás, com cheiro mais forte, não deixaria uma pessoa apagada. Minha noiva foi tirada a forças daqui. Ela não saiu de carruagem ou a cavalo. Já me garantiram isso. – Olhou para a mãe mais uma vez com ódio. – Agora me diga, mulher! O que fez com minha noiva.

- Você não se conforma e ter sido abandonado mais uma vez, Telford. Não me culpe se encontrou mais uma desavergonhada para amar.

- CHEGA!! – Ele a sacudiu forte e depois a jogou no sofá. – Escute bem! Escute muito bem, Vossa Excelência, porque não direi novamente. Quando tudo isso acabar, vou mandá-la para uma choupana muito simples. De preferência perto da escócia. Lá viverá com recurso muito limitado apenas para comer e pagar os empregados. Todas as suas jóias serão confiscadas, porque são jóias da família e passarão para a minha esposa. As roupas caras, sapatos, seus cachorros insuportáveis... Tudo o que mais ama na vida, ficará em Londres. Viverá com recurso apenas para comer.

- VOCÊ NÃO OUSARIA FAZER ISSO!- A duquesa perdeu a pose e gritou. – Não pode! Não pode! – Ela o enfrentou.

- Já fiz! Mandei uma missiva para o meu administrador. Quero-o aqui o mais rápido possível. Conduza minha mãe  para seus aposentos e a tranque lá. Ela só sairá quando for para ir para a nova casa. Somente o mínimo de comida para sobreviver. Nada de regalias e extravagâncias. Isso é uma ordem. E quem for pego fazendo as vontades da duquesa, estará na rua na mesma hora. Agora a leve até lá.

- Você não se casará com aquela mulher! Isso é uma promessa, Telford. – Ela vociferou, enquanto saiu conduzida pelo mordomo. Jacob estava a ponto de fazer uma loucura. Começou a andar de um lado para o outro, enquanto pensava onde a mãe poderia ter escondido a noiva.

- Vamos encontrá-la! – Disse Alex para ele.

- Não foi muito severo com sua mãe? – Derick perguntou, enquanto as duas senhoras saiam da sala, para dar-lhes mais privacidade.

- Não! Essa mulher é capaz de tudo. Não duvido nada que tenha feito algo para o padre adoecer. Nunca vi pessoa tão desprovida de sentimento. – Ele estava exasperado demais naquele momento. – Afinal eu sou seu filho! FILHO!  Como pode me odiar tanto a esse ponto?

- Excelência!  - Jacob foi interrompido pela governanta, que entrava na sala. – Tem um homem a sua espera. Ele disse que tem algo a dizer sobre uma jovem. Disse que é urgente e pareceu bem preocupado ao falar.

- Traga-o até aqui! – Jacob ordenou.

Enquanto esperavam, Jacob continuava andando de um lado para o outro. Não se agüentava de tanta preocupação que sentia. O homem interrompeu o silêncio do ambiente e o observou um pouco assustado.

- Fale! – Jacob ordenou.

- Vossa Graça, eu... – Gaguejou e começou a tremer ao ver a face sombria do duque.

- Fui contratado para levar uma Lady... Mas...

- Fale homem! Não está vendo que ele está desesperado? – Disse Derick.

- Eu precisava do dinheiro... – Tentou se explicar. – Tenho um filho doente... Eu não queria... Não mesmo!

- Fale logo, homem de Deus! – Dessa vez foi Alex, que percebeu o duque andando furioso em direção ao famigerado camponês.

- Telford, deixe o homem falar! Se você o matar, não saberá o que foi feito da sua noiva. – Derick disse.

- DIGA LOGO! – Jacob gritou furioso.

- Uma mulher nos pagou. Entramos pelos fundos e fomos até o quarto, ficamos escondidos até a oportunidade. Enrolamos a jovem em tapetes e saímos. A ordem foi para levá-la até a entrada do outro vilarejo. Lá um homem a levaria na carruagem. Foi o que fizemos... Eu juro!!

Os olhos de Jacob estavam inflamados de ódio naquele momento. Se colocasse as mãos em sua mãe, cometeria matricídio. Que Deus o ajudasse a permanecer longe daquela víbora. – Como era o homem? – Jacob perguntou, sentindo um frio subir pela sua espinha. Se sua desconfiança tivesse correta, ele realmente cometeria dois assassinatos. Nada lhe impediria de cometer tal loucura se Nessie estivesse com quem pensava. Estava tão aflito, que não conseguiu perguntar. Um nó se formou em sua garganta, deixando-o estrangulado.

- Como era esse homem? – Perguntou Alex para ele. Sabendo que Jacob estava com dificuldade para formular a pergunta, vendo sua expressão apavorada.

- Ele era muito branco, os lábios finos, nariz finos, olhos verdes... Os olhos pareciam doentio ao olhar para ela e segurá-la. Aquele homem parecia mau. 

- Continue... – Derick ordenou e Jacob se sentou naquele momento. Seu maior pesadelo estava se realizando.

- Ele tinha cabelos acobreados. Não chegava a ruivo, mas tinha um tom de cobre. Vestia-se bem e a carruagem era bem elegante.

- Para onde foram? – Alex inquiriu.

- Nós o deixamos na estrada de Great Totham. Ele seguiu para noroeste. Se não tiver nenhum problema na estrada, em pouco tempo deverá chegar a Tiptree. – Respondeu o homem.

- Deveríamos levá-lo para o magistrado, mas não temos tempo para isso. Somos gratos pela ajuda. Agora vá antes que o duque mude de ideia. – Disse Derick para ele.


- Ele vai levá-la para Colchester House. Por que eu não encontrei um lugar que não ficasse no caminho para Colchester. POR QUÊ?- Gritou Jacob. Estava desesperado naquele momento. Quando resolveu levar Nessie para a propriedade em Essex, não pensou que ela ficava no caminho para a casa de campo do marquês. Aquele foi um erro imperdoável e agora estava pagando por isso.

Levantou-se rapidamente e foi ao escritório. Necessitava pegar armas e munição antes de sair como um louco no encalço de Colchester. Ele sabia que Edward estava louco, pois foi ele quem tratou de deixá-lo completamente surtado. Mas tinha uma vaga idéia que mesmo assim a primeira coisa que faria era procurar um padre. Colchester queria o dinheiro de Nessie, mas não a mataria até ter um documento da igreja comprovando a união. Jacob pensou em seu filho e teve vontade de chorar. Se ele a machucasse e ela perdesse a criança... Que Deus ajudasse a todos. Ele faria Colchester e sua mãe pagarem por aquilo.

Saiu da casa furioso, seguido pelos amigos e por homens armados. Precisavam encontrar imediatamente Colchester e sua preciosa. Eles galoparam rapidamente pela estrada, em direção a Great Totham. Precisava interceptar a carruagem antes que ela chegasse a Colchester House Park.

[...]

Edward observava sua presa adormecida. Uma de suas mãos tocou a bochecha delicada da jovem. A pele era macia e desejável. Há muito tempo Edward não a tocava, agora que a tinha nas mãos aproveitaria todos os anos que ela ficou protegida na casa de sua mãe. Faria a prima sofrer e pagar por tudo o que o duque lhe fez. Todo o sofrimento e humilhação que o levaram aquele estado lastimável de loucura seria pago com aquela jovem.

A carruagem continuava a viagem, já era noite e ele podia ouvir claramente o som das rodas sobre o asfalto pedregoso. Ansiava muito que Renesmee acordasse para atormentá-la. Ele queria se vingar. Tinha sede de vingança em seu sangue. Cada célula do corpo gritava por aquilo. Faria com ela tudo o que a dominatrix francesa e o seu parceiro fizeram com ele. Aquela seria uma bela vingança. Edward gargalhou ao vislumbrar cada momento. Esperou muito por aquilo, mas a viagem não ajudava. A estrada estava ruim por causa das ultimas chuvas e o cocheiro não podia correr muito. Ele não queria chegar a Colchester para começar sua vingança. Pararia no primeiro vilarejo, arrumaria um padre que lhe garantisse direitos de marido e se casaria. Depois da lua de mel, e que lua de mel ele planejava, sua esposa sofreria um acidente o deixaria muito rico novamente. Edward riu de  novo. Já imaginava apertando o frágil pescoço até ela morrer. Queria tanto fazer aquilo.

A carruagem parou bruscamente, jogando os corpos do banco. Edward pegou o corpo adormecido de Renesmee e colocou no mesmo lugar. Depois saiu para ver o que havia ocorrido.

- O que se passa? – Ele perguntou ao cocheiro.

- A roda atolou em um buraco. Precisarei de ajuda para empurrá-la.  – Disse o homem.

- Pelo que me tomas? Eu sou um marquês. – Ele ralhou.

- Será um marquês a pé, milorde. – Respondeu o homem fazendo uma carranca. – Não seguiremos viagem se não tirar essa roda desse buraco.

Edward não tinha o que fazer. Só lhe restava ajudar o homem a empurrar a carruagem. Nada podia ser pior do que aquilo. Ele tinha pressa e se não partissem logo correria o risco do duque alcançá-lo. Ele praguejou e começou a empurrar com empenho. Se conseguissem seguir viagem, chegariam logo ao vilarejo de Tiptree. Lá ele poderia se casar com Renesmee e depois partirem para Colchester House Park.

Um bom tempo passou até conseguirem tirar a carruagem do atoleiro. Já era muito tarde, estava muito escuro, ele podia ouvir o barulho dos grilos e pequenos animais da floresta. Uma brisa fria assolou o seu rosto, seguido do pio de uma coruja. Edward estremeceu, sentindo uma sensação ruim. – Nada irá acontecer! Nada irá acontecer! Ela é minha! Minha! Estaremos casados! – Ele falava sozinho, enquanto o cocheiro o observava caminhar até a porta da carruagem.

- Tem doido para tudo!  - O cocheiro resmungou e seguiu viagem quando o marquês entrou ma carruagem.

Em uma hora, aproximadamente, chegavam ao vilarejo de Tiptree. O cocheiro parou a carruagem em frente a uma hospedaria e abriu a porta para o marquês descer. – Chegamos ao vilarejo senhor.  – Disse o homem.

- Perfeito! Perfeito! Quero que me leve para a capela. Ache a capela e nos leve para lá. Hoje haverá um casamento. – Edward disse para o homem, que viu o sorriso diabólico do marquês. Aquilo não ia bem, ele sabia. Seqüestrar uma nobre e obrigá-la a casar era punível com o enforcamento. E ele era cúmplice daquela loucura toda. Mesmo a contra gosto, levou-os para a capela e deixou que descessem. Recebeu um bom pagamento para levá-los para onde desejasse o homem. Não sabia quem era o bem feito, mas a carta foi bem clara. Deveria sumir com o marquês e a jovem donzela.

O homem viu quando o marquês saiu carregando a jovem desacordada e foi para a capela. Ele não queria ficar ali. Só lhe restava ir beber na taverna e não se envolver naquela confusão toda. Já tinha feito demais.

[...]

Edward bateu várias vezes na porta da capela. Estava com Renesmee nos braços e ela pesava bastante. – ABRAM A PORTA! – Ele gritou – ABRAM! Inferno!

Depois de muito bater, um jovem veio abrir a porta da capela. Ele parecia assustado com toda aquela gritaria. Quando viu o homem com a mulher no colo, achou que fosse uma emergência.

- O que aconteceu, senhor? – Perguntou um rapazote assustado.

- Precisamos entrar! – Edward disse irrompendo a porta. Nem deu tempo do rapaz impedir. Ele caminhou com Renesmee até o altar e a deixou deitada, ainda desacordada, no chão.

- Precisamos chamar um curandeiro, Senhor! – Disse o homem preocupado, ajoelhando-se do lado da mulher.

Edward foi até a porta e a trancou. Não queria que ninguém interrompesse aquele momento. Quando saíssem dali, estariam casados. Quando retornou para o lado de Renesmee, ela estava acordando, ainda desnorteada. Colocou a mão sobre a cabeça e olhava para um lado e para outro. Quando os olhos deles se encontraram, Renesmee se encolheu no chão e sua face era pura expressão de pavor. O jovem percebeu.

- Ainda bem que acordou, minha querida! – Disse ele em tom casual, como se não a houvesse seqüestrado.

- Não! Isso é um pesadelo! – Disse Renesmee.

- Ó não, meu amor! Isso é o nosso sonho. É o nosso casamento. Esperamos tanto por esse dia e agora estamos aqui, no altar e vamos nos unir para sempre... Até que a morte nos separe. – Edward sorriu para ela, passando a mão em seu rosto e Remesmee tentou se afastar, apavorada com o seu toque. Uma lágrima rolou em seu rosto e Edward limpou com um dedo, depois a levou até os lábios e a chupou. O rapaz estava olhado a cena sem entender nada, mas algo lhe dizia que aquele homem não estava no seu estado normal.


[...]

Jacob galopou o mais rápido que podia pelas estradas escuras. Nem se preocupou em esperar os que o seguiam. Tinham que chegar ao vilarejo de Tiptree o mais rápido possível. Eles encontraram rastros da carruagem e sabiam que não havia passado há muito tempo, dava das condições da estrada esburacada. Ele agradeceu mentalmente pelas chuvas que as deixou naquele estado.  Enquanto cavalgava, rezava silenciosamente para que desse tempo de salvar seu amor. Ele nunca se recuperaria se algo lhe acontecesse.

Quando chegaram a Tiptree, Jacob foi direto para a hospedaria perguntar pelos visitantes. Lá ele não encontrou nada, assim saiu e ficou vagando pelo vilarejo. Viu quando os cavalos de seus amigos e criados chegaram, mas não os esperou. Tinha que encontrar o lugar onde Nessie era mantida cativa.

A capela estava fechada, mas Jacob escutou um grito. Um grito de mulher que reconheceria em qualquer lugar.

- AHHH!

- Cale-se! – Ele ouviu a voz de Colchester. – AGORA NOS CASE! – Ele esbravejava para alguém.

 - Eu não sou padre. – Dizia uma voz de rapaz bem jovem.

- MENTIROSO! Se não nos casar, vai morrer agora!

Jacob percebeu que ele estava louco. A porta estava trancada e  não tinha como entrar. Deu a volta na capela e viu uma entrada para a casa paroquial. Sem a menor cerimônia entrou no local e começou a seguir os gritos que vinham da igreja. Nessie chorava, ele sabia. Aquilo só fez o seu ódio aflorar.

Ele caminhou silenciosamente pela casa, procurando uma entrada para a igreja, e quando viu de uma porta para o altar, teve vontade de matar Colchester. Nessie estava deitava de frente para o altar e Colchester tentava lhe abrir as pernas, para consumar o suposto casamento. Ele batia nela, que não permitia o acesso, lutando bravamente. O jovem rapaz lia a bíblia e chorava, enquanto olhava a cena.

Jacob arrebentou a porta, partindo para cima de Colchester como se fosse um búfalo. O impacto do corpo fez com que voassem para longe de Nessie, que se escondeu atrás de um banco.

- Corram! – Jacob ordenou, enquanto socava Colchester, golpeando furiosamente o seu belo rosto. Quando Nessie ameaçou a correr, ele puxou a arma do seu coldre. Por reflexo, Jacob saiu daquela posição e se jogou na frente, levando um tirou no ombro.

- NÃO!!-  Nessie correu para ele, mas Colchester a interceptou e a agarrou pela cintura. Jacob, mesmo ferido, jogou todo o peso do corpo para cima dele, fazendo com que os três caíssem, derrubando a mesa que estava no altar, sobre as velas que estava acesas.

O rapaz que observava tudo, não conseguia nem falar vendo aquela confusão, mas ao perceber o fogo se alastrando através da toalha do púlpito até as cortinas,  correu para a porta e simplesmente fugiu os deixando naquela confusão. Jacob e Colchester continuavam a lutar no chão, e Nessie tentava acertar a cabeça do primo com castiçal.

O fogo se alastrou rapidamente, mas os três continuavam naquela luta. Nessie foi jogada longe e bateu com a cabeça em um dos bancos de madeira, desfalecendo com o impacto da batida. Jacob quis correr até ela, porém ainda continuava trocando socos e chutes com Colchester. Nenhum dos dois desistiria da luta. Ele estava disposto a matar aquele homem, pela ousadia que teve, por tentar violentar novamente seu amor, por tentar obrigá-la a se casar e por todos os crimes que cometeu. Ainda sangrava muito naquele momento, apesar disso continuou a lutar bravamente. Em um dos socos que deu em Colchester, ele foi arremessado sobre os bancos em chama, bateu com a cabeça e desfaleceu.

Jacob correu até Nessie e a segurou em seus braços. Era um alívio tê-la naquele momento. Porém ao olhar em volta todo o local estava ardendo em chamas crepitantes. O teto, feito de palhas e madeira, começava a desabar sobre eles. Ele tentava encontrar uma saída no meio daquele fogaréu, mas a passagem até porta estava obstruída. Observou os camponeses, gritando e jogando água do lado de fora, junto com o rapaz que havia fugido. Seus amigos e empregados também ajudavam a pagar o fogo. Contudo não tinha como esperar.

Juntou todas as forças que tinha, ignorando o tiro que havia levado e o sangramento no ombro, pegou seu amor nos braços e tentou chegar até a porta que dava para a casa paroquial. Para o seu espanto, tudo estava em chamas daquele lado também. O cheiro da fumaça estava deixando-o sufocado e os olhos ardiam. Não havia alternativa, ele passaria pelo fogo com ela nos braços, tentando protegê-la o máximo possível. Que Deus os ajudasse. Se não fizesse isso, os três morreriam queimados. Ele não temia pela sua vida, mas pela dela e a do filho que carregava no ventre.

Jacob passou pelas labaredas de foto, que queimavam suas roupas e sua pele. Foi muito difícil, porém a adrenalina e o espírito de proteção o fizeram passar rapidamente. Quando chegou ao lado de fora, passou Nessie para os braços de Alex a caiu.

[...]

Enquanto fazia respiração boca a boca em Lady Renesmee, Alex observava toda a confusão na porta da capela. Os camponeses tentavam apagar o fogo, enquanto Derick e os serviçais do duque levavam o duque para a hospedaria. Ele havia perdido muito sangue, estava com queimaduras espalhadas pelo corpo e parecia muito mal. A sua jovem noiva estava desacordada, mas fisicamente parecia bem. A única coisa que o preocupava era a fumaça que a jovem havia inalado. Por isso ele logo se pôs a fazer a respiração boca a boca, antes que fosse tarde demais. Sabia que Jacob o mataria se descobrisse aquilo, mas era extremamente necessário.

Após alguns minutos pressionando na altura do seio e intercalando com o procedimento respiratório que havia aprendido em Oxford, Alex viu a jovem começar a tossir lentamente. Sentiu-se aliviado com aquilo.

- O que... – Ela tentou falar, mas voltou a tossir em seguida.

- Calma, milady. – Disse ele. – Haverá tempo para perguntas. Vou levá-la para a hospedaria.

- Jacob... – Ela tossia ainda mais.

- Ele está bastante ferido, mas logo vai se curar. – Respondeu, levantou-se, pegou a nos braços e a levou para a hospedaria. Sem dúvida a jovem precisava de cuidados e descanso. Estava muito suja de cinzas, com o rosto e os braços machucados, dificuldade para respirar por causa da fumaça e ainda precisava que um médico avaliasse, pois corria o risco de perder o bebê. Ele não ousou comentar isso. Jacob pediu segredo quando contou, mas um médico precisava verificar o seu estado.

- Preciso vê-lo... – Ela sussurrou com dificuldade.

- Mais tarde. Agora Precisamos encontrar um médico para examiná-la.

- Não tem um médico cuidando de Jacob?

- Tem uma Curandeira. Há um médico na cidade vizinha e já mandei um dos homens ir buscá-lo. Agora se acalme...  – Alex não estava certo de que tudo daria certo. Não mesmo. Jacob poderia morrer, a jovem poderia perder o bebê e o pior... Ela poderia ter um filho sem pai. Como não eram casados, não teria direito a nada. Aquilo seria um escândalo e sua desgraça. O amigo não merecia tal fim e nem a jovem que ele amava.

Enquanto caminhava com a jovem Lady para a hospedaria, Alex ouviu o comentário de um dos camponeses e aquilo o abalou. Nem o marquês de Colchester merecia aquele final. Nenhum homem merecia morrer queimado... Não mesmo.

[...]

Nessie se recuperou muito rápido de tudo aquilo, apesar das escoriações pelo corpo, o rosto machucado e o cansaço. Ela tentou visitar Jacob no outro quarto da hospedaria, mas os amigos e os serviçais não permitiram. Eles disseram que ele estava mal e precisava se recuperar. Aparentemente a curandeira que estava aplicando suas ervas ainda não havia conseguido grandes resultados. Ao que sabia, seu amor fora ferido de bala e havia perdido muito sangue. Além disso, estava um pouco queimado e as ervas estavam tratando justamente as queimaduras em seus braços e pernas.  Ela sentia dor no coração só de imaginar Jacob machucado daquele jeito. Precisava muito ficar com ele até que se recuperasse. Ela não ficaria trancada naquele quarto, afinal dois dias foram o suficiente para que se recuperasse do mal estar.

- Preciso fazer algo... Preciso! – Nessie saiu do quarto e foi para o que Jacob estava hospedado. Bateu duas vezes na porta e Lorde Brandt veio abri-la.

- Lady Renesmee! – Ele fez uma mesura para ela.

- Lorde Brandt, preciso ver Jacob. Não posso mais ficar de longe apenas esperando notícias. Deixe-me entrar! – Ela ordenou.

- Acho melhor...

- Não! Milord não acha nada. – Ela interrompeu, empurrando a porta.

Quando Nessie entrou, viu que uma senhora aplicava ervas em Jacob. Ele estava desacordado, com um pano branco na testa, ervas escuras cobrindo o ombro, no local onde ele recebeu o tiro de Edward. As lágrimas rolaram pelo seu rosto ao perceber o seu sofrimento. Ela caminhou até a cama, deu a volta e se sentou, segurando a sua mão.

- Ele ficará bem! – Afirmou a senhora. – É um homem muito forte e suas feridas sararão em poucos dias.

- Tem certeza? – Ela perguntou franzindo o cenho de preocupação.

- Tenho! – A senhora continuava a passar algumas folhas sobre as feridas de queimaduras em seus braços. – O mais grave foi o ferimento de bala. Ele está fraco por causa disso. Demorará alguns dias para se recuperar. Logo vocês três ficarão juntos. – Concluiu.

- Como?

- O bebê que carrega. Sei que ele está bem, minha jovem. Eu a examinei e bebeu do chá que dei. Não perderá essa criança. – Nessie assentiu com a cabeça.

[...]

Mesmo doente, sobre uma cama de hospedaria e sendo cuidado por uma curandeira, Jacob fez questão de solicitar um padre para realizar o casamento, garantindo que Nessie não seria desonrada após a sua morte. Não importava que a criança nascesse com menos de nove meses. O importante era que tivesse o seu nome e herdasse o seu título e riqueza. Estiveram presentes o seu administrador, o valete, advogado dele e o dela, os amigos e as esposas. Todos foram testemunhas do casamento e ninguém poderia contestar nada, nem mesmo sua mãe. Ali, no que ele achava ser o leito de morte, fez o seu testamento assegurando os direitos de seu filho e de Nessie, deixando-o sob a tutela de Lord Langlay e posteriormente Lord Brandt se esse viesse a faltar. Não queria nenhum dos primos distantes tomando conta do dinheiro. Sabia bem como aquilo funcionava. Nessie era exemplo vivo disso.

A cerimônia não foi romântica como queria, mas Jacob se sentia em paz. Finalmente ele estava casado com o amor de sua vida.

Antes de todos irem embora, Jacob deu ordens expressas ao seu administrador e ao valete em relação a mãe. Ela seria enviada para uma propriedade que fazia fronteira com a escócia. Teria 500 libras anuais para sobreviver, não levaria as jóias, os vestidos ou qualquer coisa que fosse comprada com o dinheiro dele. A única coisa que ele queria garantido era um casal de empregados. Fora isso a duquesa viveria de forma modesta e não deveria ter recursos para voltar a Londres.

[...]

Cordélia Wood recebeu a missiva do magistrado informando sobre a morte do filho. A dor que sentiu foi muito grande. Ela caiu de joelhos, com as mãos no coração e chorou. Nenhuma mãe tinha que passar por aquele sofrimento, ainda mais saber das circunstâncias que levaram a morte do livro.

Edward estava louco. Estava realmente louco e ela sabia disso há bastante tempo. Mas as cosias se agravaram na ocasião do aniversário de Renesmee. Ela tinha o visitado na ocasião e sabia que ele faria uma besteira em um momento ou outro. Ao que constava, ele a seqüestrou, tentou violentá-la e obrigá-la a um casamento forçado, que seria realizado por um coroinha. Depois de uma terrível luta, onde o duque ficou ferido e quase morreu, assim como Renesmee, seu filho foi deixado em uma capela em chamas para morrer. Ela odiava todos! Odiava principalmente a sobrinha pelo que havia feito.

Agora, além da perda do filho, tinha que sair da casa de Renesmee em um mês, devolver todas as jóias e obras de artes. Era a ruína total. Tinha que pensar seriamente no que fazer. Não podia ir para rua com duas filhas em idade casadouras.

Cordélia caminhou desolada pela casa e ficou pensando em uma solução.  Depois de um bom tempo, resolveu que casaria a sua filha Catarina com Conde de Winchester. Ela relutou muito em aceitar o pedido e a filha disse que nunca se casaria com um velho como ele. Porém não havia outra proposta e estavam prestes a irem para de baixo da ponte.

[...]

Catarina Wood teve todos os sonhos arruinados do dia para a noite. Quando receberam a ordem de despejo, elas tinham esperanças de irem morar na casa do irmão ou em Colchester House Park. Contudo, após a trágica morte de Edward queimado em uma capela, sua mãe a obrigou a casar com um conde de quase sessenta anos. Ela achou que a vida seria fácil como condessa, mas depois de pronunciado os votos seu mundo desabou.

Conde de Winchester enviou sua mãe para morar em um sobrado no centro de Londres. O local era sujo, muito populoso, cheio de famigerados e com péssimas condições de vida. Ela tinha o suficiente apenas para comer e se vestir. Ele disse que não levaria a sogra, de forma alguma, e não bancaria seus gastos. Estava comprando uma esposa, que lhe seria fiel, isso ele garantiu, e que ficaria trancada em sua propriedade em Winchester. Sua noite de núpcias foi o pior dia de sua vida. A partir dali, Catarina virou apenas um pedaço de carne feito para procriar. O conde queria um herdeiro e ela teria que ser possuída dias e noites, por um velho imundo e cheio de vigor, até que seu desejo fosse realizado e parisse uma criança. Ela nunca achou que seria tão infeliz.

Quando pensava no passado, na infância, nos últimos dias de sua vida em Londres, onde freqüentava as grandes festas da sociedade, sofria e invejava a irmã. Sim! Cataria tinha inveja da irmã que sempre rejeitou e humilhou, por ser rechonchuda e não ter a mesma beleza. Enquanto ela penava nas mãos do marido, Annabel e a criada Lyan viviam como rainhas na casa do duque. Eram hospedes de Renesmee e ao que constava, estavam felizes. A vida era muito injusta... Muito mesmo! Pensou Catarina ao ouvir a porta dos aposentos se abrindo novamente.

[...]

A duquesa de Telford nunca pensou que um dia fosse cair tão fundo. Seu filho havia prometido um castigo, que ela não acreditava que fosse lhe dar de verdade. Sempre soube como manipulá-lo, mas agora parecia impossível. Ela não sabia onde ele estava. As únicas notícias que chegaram no dia seguinte do seqüestro foram à luta, os machucados terminais dele, a jovem que estava sã e salva, e a morte de Lorde Colchester.

Ela ficou aflita ao pensar no filho, mas não por sentir amor por ele. Não mesmo! Sua aflição era por saber que ele poderia falecer. Se isso acontecesse sem deixar um herdeiro, um primo distante herdaria o ducado e ela perderia tudo. Nada poderia ser pior do que aquilo.

Nos dias seguintes, quando as Ladies esposas dos amigos retornaram, assim como os advogados, o administrador e valete, soube que no leito de morte Jacob se casou com a jovem Lady Wood. Ela viu uma luz no fim do túnel naquele casamento. Tinha que se humilhar, ao menos fingir, e pedir perdão para sua nora. Depois faria até promessa para que nascesse um menino. Só isso a salvaria  da desgraça. Agora era imperativo que a cortesã parisse um menino.

A duquesa estava fazendo os planos para aquela criança. Já imaginava como iria criá-lo e controlar o dinheiro da herança. Afinal das contas a morte do filho não parecia tão ruim, com um bebê a caminho. Ela daria um jeito de enrolar a nora, pediria perdão, ficaria toda arrependida e humilde. Isso era o suficiente para que a jovem a perdoasse.

Quando foi chamada ao escritório pelo advogado, já tinha uma estratégia traçada. Só que ela não contava que o filho já tinha deixado tudo planejado para a sua derrocada. Quando o advogada contou sobre a viagem e nova casa, a duquesa perdeu a compostura, esbravejou e até se negou a partir. Mas as ordens do filho estavam documentadas e ela teria que partir imediatamente.

Durante a viagem a duquesa pensou em se refugiar na casa de algum conhecido, mas não tinha como explicar o guarda roupa tão simples, a falta de dinheiro e jóias. Para piorar a situação, seu adorado filho colocou uma verdadeira comitiva para escoltá-la até as terras altas. Logo ela, que sempre desprezou os escoceses, agora seria vizinha deles, vivendo sem luxo, sem dinheiro, sem bailes, jóias, boa comida e festas.

Depois de duas semanas de viagem, a duquesa e o valete de seu filho chegaram a North Sundeland, um vilarejo no nordeste da Inglaterra, com saída para o oceano, um local era frio, com uma população pobre e poucos afortunados. Só havia casa de três nobres e eles não habitavam o local. Ela quase surtou a chegar a essa cidade.

Com o passar dos dias, ela percebeu que a vida não seria nada fácil. E para sair daquela situação, teria que implorar e se humilhar para a sua nora. Assim, enviou várias cartas pedindo ajuda, contando sobre as condições precárias em que vivia. Mas nenhuma foi respondida. Uma vez por mês um empregado vinha, pagava os empregados e lhe deixava miseras 500 libras para se alimentar. Mesmo o dinheiro dando para se vestir bem e não faltar comida a mesa, ela não se contentava com migalhas. Era a duquesa de Telford e não desistira nunca.

[...]

- Está pronta, amor?- Jacob perguntou para Nessie, enquanto terminava de se enfeitar. Ele pareceu misterioso naquela manhã e disse para ficar ainda mais bonita do que o normal. Fariam um passeio para um lugar e queria apresentar pessoas. Ela achava desnecessário se arrumar tanto, mas ele fez até questão de deixar um lindo vestido de musselina branco e jóias com pérolas para ela usar. Tudo muito misterioso, mas ele lhe assegurou que gostaria da surpresa.

- Sabes bem que não pode pegar sol, meu amor.  – Ela respondeu carinhosamente, passando os braços por cima dos ombros dele para beijá-lo. Ficou bem na ponta dos pés para alcançar bem o seu rosto e depois distribuiu beijos na face do marido. Parecia um milagre que Jacob estivesse bem, vivo e com poucas cicatrizes pelo corpo, depois de tudo. – Sua pele ainda está sensível por causa das queimaduras.

- Já estou plenamente curado depois de dois meses, amor. Posso perfeitamente levar minha duquesa para um passeio em um dia ensolarado. – Respondeu ele, puxando o corpo da esposa para si, enquanto retribuía os beijos que ela lhe dava. Os dois estavam casados há dois meses, quando ocorreu o fatídico seqüestro, mas não tiveram muitas intimidades por causa das queimaduras e do tratamento. Agora que a curandeira, finalmente, lhe assegurou que estava perfeitamente curado queria aproveitar tudo ao lado dela.

- Estou pronta! – Ela disse – Fiquei bonita? – Ela se soltou do marido e depois deu uma volta pelo quarto para que ele a olhasse.

- Você sempre estará linda para mim, mas hoje é um dia especial e está ainda mais bela. Esse vestido foi feito sob medida para você. – O vestido era simples, porém a deixava como uma fada com o tecido delicado e esvoaçante por cima da musselina, o arranjo de flores e as pérolas. Sua criada fora muito bem instruída sobre como arrumar os cabeços. Jacob queria tudo perfeito.

- Então vamos! Estou curiosa sobre onde quer me levar. Só não se esqueça que temos visitas e não fica bem deixar os visitantes sozinhos na refeição. Por isso precisamos retornar logo. Seria uma péssima duquesa se fizesse isso. – Ele lhe ofereceu o braço e os dois saíram juntos dos aposentos. Estavam felizes com a recuperação. Por muito tempo Nessie se preocupou com o que aconteceria se ele morresse. Foram dias e noites de lágrimas até chegar aquele ponto. Agora estava contente de ter o marido de volta. E o melhor... Inteiro.


Os dois seguiram pela casa, que estava estranhamente silenciosa. Não havia barulho de empregados. Ou melhor, não havia nenhum criado circulando pela enorme mansão. Aquilo era bem estranho, mas Nessie não comentou nada com o marido. Se havia alguma coisa acontecendo, descobriria e, sobre tudo, resolveria depois do passeio.

Continuaram andando e Jacob a conduziu até o jardim. Quando chegaram a certa distância, ela notou que várias cadeiras estavam arrumadas em duas fileiras, com muitas pessoas sentadas. Na frente havia um pequeno altar feito com os mais lindos arranjos de flores, um púlpito e um padre. Nessie olhou para Jacob sem entender nada. Aquilo era estranho e atípico.

- O que está acontecendo, amor? – Ela sussurrou em seus ouvidos, enquanto ele lhe conduzia por um enorme tapete vermelho que se estendia até o altar.

- Teremos um casamento apropriado. Aquele valeu apenas para fins legais. Essa será a nossa cerimônia. Não achou que trataria minha amada duquesa com tanta descortesia. – Ele a virou, beijou a sua testa e sorriu.

- Estou tão surpresa com tudo isso. – Disse e continuaram a andar até o altar. Pararam diante do sacerdote, que os observou com um enorme sorriso.

- Senhores e senhoras, estávamos aqui para apresentar e oferecer uma benção para esse casal. – Começou ele. – Quero deixar claro que esse não é um casamento, porque a cerimônia já foi realizada há dois meses. – Mas como o duque gostaria de algo mais romântico para sua duquesa, vim oferecer a benção. Um homem para casar uma vez precisar de muita persuasão. A maioria dos homens fogem do altar.  – Todos riram. – Uma mulher para fazer um homem se casar com ela duas vezes precisa de muito valor. Normalmente depois dos casamentos os homens querem fugir de suas mulheres. – Os convidados gargalhavam achando graça do padre.

Entre os convidados estavam todos os empregados, os visitantes e alguns camponeses de Essex. Nessie olhou para trás e percebeu que todos estavam sorrindo e pareciam muito felizes. O padre disse algumas palavras em Latim, como sempre faziam em cerimônias de casamento, depois voltou a falar em sua língua.

- As alianças, Vossa Excelência! – Ele disse e Jacob tirou uma caixinha de jóia do paletó e abriu. Dentro havia dois anéis com enormes rubis. – Agora pronuncie os seus votos.

Jacob se ajoelhou diante de Nessie, pegou a sua delicada mão e começou a pronunciar os votos. – Eu te recebo, como minha esposa para amar e respeitar, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, até que a morte nos separe. – Ele tirou a delicada luva da mão da sua esposa e colocou o anel de rubi em seu dedo antes de beijá-lo com veneração. – Antes de você eu não tinha vida, eu não tinha sonhos, esperanças e perspectivas. Vivia um dia após o outro, sozinho, amargurado e infeliz. Tinha uma péssima reputação e não fazia questão de mudar. Não precisava que ninguém me respeitasse, apenas que me temesse. A única coisa que me fazia sentir medo era o amor. Eu tinha medo de amar e de sofrer por alguém que não valesse a pena.  Quando te encontrei, eu me apaixonei por você desmaiada, indefesa e só havia visto o seu rosto na penumbra da noite. Você se lembra? Eu a resgatei de um atropelamento e por dias ficou desacordada. Eu me apaixonei por você sem saber como era sua voz, seu sorriso, seu olhar. Só havia um rosto inerte naquele momento. E quando você abriu os olhos, quando ouvi o som da sua voz novamente e a vi tão assustada, e perturbada, ficou claro que te amaria pelo resto da minha vida. E aqui estamos nós... Hoje eu quero ser um homem respeitado, não temido. Quero ser amado e zelar acima de tudo pela reputação. Quero que nossos filhos não tenham vergonha de serem filhos do duque sombrio. Isso tudo eu devo a você, meu amor. – Jacob beijou novamente os dedos de Nessie e depois se levantou, fitando-a com muito amor enquanto afagava o seu rosto delicado banhado de lágrimas.

- Jacob eu... Eu... – Ela chorava tanto que não conseguia nem falar rápido. Ele tirou o lenço da lapela e lhe ofereceu. Ela tentou se recuperar e depois de um tempo, finalmente conseguiu pronunciar os seus votos. - Eu te recebo como meu esposo, para amar e respeitar, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, até que a morte nos separe – Ela o olhava com muito amor. Parecia um milagre que agora tudo estivesse finalmente bem e que fosse possível a felicidade plena. – Eu também tinha medo de amar, de ser magoada e sofrer. Também te amei no momento em que abri os olhos, mas você parecia tão distante. Achava que era impossível viver esse amor. Hoje vejo que estava errada. A única coisa que quero é ficar ao seu lado e te fazer feliz.

Jacob segurou o rosto delicado com as duas mãos e beijou os lábios da esposa. Eles não se importavam que os outros vissem o amor que compartilhavam. Todos ali foram testemunhas do sofrimento que passaram durante meses. Agora era chegada a hora de colher os frutos. Receberam uma salva de palmas e ao som melódico do violino Jacob a conduziu para a festa que mandou preparar. Tudo estava enfeitado com flores de diversas qualidades, havia muita fartura na comida e não havia distinção entre convidados e empregados. A comida estava posta em uma enorme mesa, para aquele que  quisesse fosse apanhar. Ele queria que a festa do casamento fosse perfeita e realmente foi.

Os dois foram dançar com os demais convidados, como se fossem apenas meros camponeses, e aproveitaram muito aquela grande festividade. Era o momento de sorrir, de viver, de aproveitar e de amar. Depois, quando tudo houvesse acabado, teriam finalmente sua esperada lua de mel.


Glau
Amores,de mi core, chegamos a mais um final de novelinha e estou feliz por concluir mais um trabalho. Fico realmente satisfeita por honrar o compromisso que tenho com vocês. Agradeço a todas que comentaram e as minhas fantasminhas.

Bem, estou na correria, porque tenho algumas coisas para fazer. Espero realmente que tenham gostado do final de fiz para as personagens.

O epílogo já está pronto. Teremos mais 3 páginas, onde vocês saberão como o nosso casal terminou e quantos tiveram. Vcs sempre dizem que faço minhas personagens de coelho. Dessa vez eu acho que me superei na dose. Kkkk

Eu amo vcs! Não se esqueçam disso, OK?? Mesmo quando sou um pouco brava, amo vocês.

Bjs no core

N/Heri: Ah que presente, voltei pelo menos no final (beta fantasma). Se não fosse o capitulo final, diria que a Glau tava fazendo drama com o Edward. Mas com fogo ta muito bom matar esse crápula e autora castigou a sogra, tia e prima. Ela é ótima nisso né meninas? Queremos um prólogo bem romântico e lindiuuuuuuuu.
Que romântico e surpreendente, lindas as palavras de voto dele. Realmente foi tudo lindo aqui, transformador e apaixonante....EPILOGOOOOOOOOOOOOOOOOO...URGENTE!


8 comentários:

Daniela ♥ disse...

Glau minha diva que capítulo tãaoooo bom ... em todos os sentidos!!!
Teve acção, romance, drama ... foi simplesmente fantástico!

Glau o Edward mereçeu morrer, ele era um crápula ordinário que mereceu bem este fim ... =D

Ahh a mae do Jake também mereceu tudo .. e ela ainda teve a lata de querer que o filho morresse e depois iria enganar a nessie =(
Minha nossa essa mulher não tem mesmo escrúpulos.....ela até merecia era ficar nessa casa apenas e só com pouca comida suficiente para sobreviver....nem ninguem ela deveria ter...mas pronto ...

E a prima malvada da nessie....mesmo achando que ela teve um fim mau, pelo menos ela mereceu....foi mau pois foi o que a nessie tb sofreu e acho que ninguem merecia aquilo, no minimo deveria era ficar pobre, mas ficar casada com um velho e ser escrava sexual dele é muito mau ... mas pronto, pelo menos ela mereçeu ...

Glaucia como sempre foi lindo ... esse final onde o jake casou-se novamente com a nessie foi super romantico e lindo....as palavras do padre fixeram-me fartar de rir ... nessa época os homens casavam se apenas por dinheiro e era raro encontrar um amor como este e o padre tem toda a razão xD
Mas o Jake ama verdadeiramente a nessie e isso é muito importante....
Quando foi os votos eu chorei no do jake .. foi tão liiinnnnddoo e sincero =D

Glau como assim desta vez vosse se superou na dose?? Quantos filhos deu a eles??
Ai tadinha da Nessie =(

Ansiosa pelo epilogo =D
Não vejo a hora de o ler !!!!!

Como sempre parabéns pelo exelente capítulo...o final não poderia ser melhor!!!

Beijos grandes minha diva!!!

Unknown disse...

Glau...Adorei o final principalmente com a mãe do Jacob, bem merecido o castigo dela. E a morte do Edward no fogo não poderia ser bem planejada!
Achei lindo a surpresa que o Jake fez pra Nessie o final fechou com lindo enredo com o casamento dos dois, oficializando o amor dos dois entre a sociedade!!!
Agora estou ansiosa pra ver epilogo deste desfecho.
Parabéns!!!
Jana Godoy

ϟ Faa Mariia Anntunes disse...

Simplesmente sem palavras, você consegue deixar uma linda história de amor, muito mais emocionante do que o normal, você nós faz chorar e dar altas gargalhadas com suas histórias, nós faz também ter ansiedade do proximo capitulo e também morrer de raiva, você faz a gente sentir muitas coisa em um só capitulo, eu so tenho que agradecer por você ser essa escritora tão boa e espero do fundo do meu coração que consiga o seu sonho e também que lance opossing souls, que é a melhor fic de todas! E também que é ao que eu mais me pareço, pois causa da idade e algumas coisas a mais! ;)

Katherine Black disse...

A-M-E-I-I-I Glau.....
esse final foi simplesmente perfeitoooo
confesso que fiquei morrendo de medo do Jacob morrer, mas sei que você não é má a esse ponto....
O crápula do Edward mereceu mesmo morrer queimado... Nossa, o destino dado a Cordélia e Catarina foram perfeitooss... certamente ambas sentiram na pele o que ela fizeram com a Nessie....
e a mãe do Jacob, a duquesa de Telford também teve um final ótimo, mas achei pouco... amargando na "miséria" aos olhos dela.. ela merecia era ter que trabalhar. kkkk - como alguém deseja a morte do próprio filho e ainda quer usar o neto mesmo antes dele nascer???
o Jacob é muuuito perfeitooo
o casamento surpresa pra Nessie foi um espetáculo.... perfeitooo.. to sem palavras..
então, resumindo, esse último capitulo foi PERFEITOOO
bjsss

luciene disse...

Glau que capitulo perfeito esse, a duquesa pecou realmente nos detalhes e o Jake que não é burr sacou logo realmente a mãe dele é tão má que realmente mereceu ficar isolada do mundo e aquela tia horrenda queria tanto o dindin que acabou sem nenhum, sem prestigio e com uma filha casada com um velho nojento ecaaaa e pão duro.
Estou ansiosa pelo epilogo e realmente essa fic foi perfeita do começo ao fim. Parabéns
bjksss

hilsiane disse...

Nossa amei o final foi mara ,cheio de acontecimentos e finais merecidos,o comerço foi tenso mais o final foi lindo amei o casamento deles no final foi lindas as palavras de amor do jake,mais agora to louca p/ler o epigolo e saber quantos bbs eles tiveram ja que vc mal falou da gravides dela nesse cap ,eu adoro quando vc faz a nessie de coelho e mara.glaucia mais uma vez parabéns por mais uma fic jake e nessie mara que vc escreve e que eu amo,espero de coração que vc escreva outras e que concerteza eu vou ler .glaucia vc é uma escritora incrivel é esse e seu dom,e teu livro vai se um sucesso.e posta o epigolo tá.bj:anne

Deia disse...

Simplesmente sem palavras...
O final foi lindo, um casamento surpresa... Cheio de juras de amor, foi lindo ver como o Jacob evoluiu durante a novelinha, ele nem parece mais aquele duque sombrio que todos tinham medo.
Realmente o Edward teve o final que ele merecia, essa é um tipo de morte que ninguem merece, mas ele fez por onde, não queria nem imaginar se ele tivesse conseguido consumar o casamento, que cena horrivel um corroinha fazendo um casamento com o noivo tentando consumar o ato durante a cerimonia urg, Acho que ele ainda sofreu pouco, adorei ver o que acpnteceu com a Duquesa foi bem feito ficar sem as regalias, a prima e a tia da Nessie tambem tiveram o que mereceram.
o final foi simplesmente perfeito, eu amo tudo o que você escreve, e estou anciosa para ler o epilogo e saber como o nosso casalsinho terminou.
Agora quero te pedir desculpa, a unica coisa que eu tenho é o meu MSN e uso raramente, não tenho quarquer outra coisa ae que vc fala, por isso não participo da promoção, mas eu to fazendo a minha propaganda do livro falo para as minhas amigas dele, digo que é muito bom alias um dos melhores que já li.
Agora indo para o epilogo e desculpa novamente.

Bruna disse...

Lindo!Lindo!Lindo!!!

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