quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Galope para Felicidade 14



Capítulo 12 - Confronto




Enquanto a carruagem se dirigia para a casa onde estava hospedada, chorava baixinho sob olhares apreensivos de Rachael e Claire.



- Ness, porque simplesmente não desiste de ir. – Claire disse tentando me consolar.



- Não é tão fácil assim, Claire. Provavelmente Lady Foster contará para a filha que nos convidou. E se não comparecermos, ela se sentirá vitoriosa diante da situação. – Disse completamente derrotada, sentindo meu coração apertado pelo medo daquele encontro. Sabia que necessitava encontrar forças em algum lugar para passar por aquilo de cabeça erguida. Meus sentimentos faziam o meu lado racional fraquejar, com medo do que eu veria nos olhos do meu marido. – Além disso, minha mãe infernizará a minha vida se não comparecer. Então o que me resta fazer¿ - Abaixei a cabeça, enxuguei as lágrimas e fiquei calada enquanto ela e Rachael falavam.



- Acho que deve ir. – Disse Rachael. – É a única forma de ter certeza se Jacob ainda ama Carolina. É melhor saber a verdade do que conviver com essa dúvida te corroendo vida inteira. Sem saber se ele não cairia nos braços dela diante de uma oportunidade. Então Creio que o melhor a fazer é enfrentar os seus fantasmas, mesmo que isso te cause dor profunda.



Não respondi e elas permaneceram a cochichar durante o caminho, enquanto a minha mente vagava no tempo, relembrando o dia em que me disse que precisava me amar. Que um dia me amaria e ansiava por aquilo. Eu sabia que o coração não era uma carruagem que podia ser guiada na direção escolhida. E que nem sempre fazia as opções corretas para sua vida.



Chegamos à casa e encontramos Jacob e Lord Black na sala conversando. E no mesmo momento em que me viram, fitaram meus olhos de forma estranha, como se soubessem que algo estava errado.



- Boa tarde, Milord! – Disse para meu sogro, que pegou a minha mão de forma gentil e a beijou.



- Boa tarde, Milady! – Respondeu observando as expressões de meu rosto.



- Ness, você está bem¿ Aconteceu algo¿ - Jacob puxo-me para os seus braços, segurou o meu rosto e ficou me encarando.



- Nada, Jacob. – Respondi de forma seca para ele.



- Não me parece. – Retrucou olhando em meus olhos e desviei o meu olhar. Depois desvencilhei-me de seus braços.



- Rachael¿ - Ele a questionou e depois olhou para Claire.



As duas olharam para ele tentando disfarçar, mas era claro que havia algo errado. E ele sabendo disso, ficou pensativo por um bom tempo.



Pouco depois, Sra Meredith anunciou que a ceia estava à mesa e partimos para a sala de jantar.



O clima estava tenso, Billy calado e sem olhar para a filha, Claire constrangida com a situação, Rachael parecia querer se esconder de todos, Jacob olhava para nós três sem entender o que ocorria. E era até natural, levando-se em conta que não tinha conhecimento da gravidez da irmã e nem do jantar na casa dos Foster.



Todos tomaram os seus lugares a mesa, mas nenhuma palavra foi pronunciada até que Jacob resolveu quebrar o silêncio e perguntar o que se passava.



- Alguém pode me dizer o que está acontecendo nessa casa¿ Todos ficaram mudos¿ - Olhou para mim, para Claire, Rachael e depois para o seu pai. Billy por sua vez, respirou fundo e indagou.



- Sua irmã está grávida de Paul. – Disse com tom desgostoso sem olhar para a filha. Naquele momento, olhei para ela e vi seus olhos encherem de lágrimas enquanto abaixava a cabeça envergonhada.



- Como¿ - Jacob perguntou com espanto.



- Ela andou se esfregando com aquele um pelos matos e embuchou. O que pode ser pior¿ Sua honra no lixo! Sem chance de fazer um bom casamento. – Balançou a cabeça em sinal de negativa e depois continuou com tom desgostoso. – Eu não merecia tamanha vergonha. Fiz de tudo por vocês e o que fazem por mim¿



- Pai, aconteceu... – Jacob começou a falar. – Não era o ideal, mas aconteceu. Agora o que temos a fazer é casar os dois. Essa criança não pode vir a esse mundo sem pai. – Olhou para o pai e depois para a irmã, que chorava baixinho de cabeça baixa. – É seu neto! Aceite isso!



- Pelo andar da carruagem, será o único neto que terei. Tendo em vista que esse casamento que te arranjei não te levou a nada. Que é uma decepção e continua a sofrer por aquela mulher que desprezou. – Senti meu estômago se revirar, as lágrimas se formarem no canto dos meus olhos e uma vontade imensa de correr.



- Com licença, milorde! Não me sinto bem. – Levante me da mesa e saí da sala de jantar segurando as lágrimas para não caírem de meu rosto.



Por mais que estivesse magoada com as palavras de Lord Black, não podia negar que tinha toda a razão quando dizia que o nosso casamento não havia chegado a lugar algum. E certamente tinha razão em dizer que talvez aquele fosse o seu único neto.



Senti uma dor tão forte apertar o meu peito, que cheguei a ficar sem ar.



Caminhei para os meus aposentos arrasada, e com medo de perder de vez o meu marido. Mesmo assim, estava disposta a passar por cima da minha dor para lutar pelo seu amor.



Entrei no quarto, peguei minhas vestes no baú e fui para a casa de banho me limpar antes de ir dormir.



Ouvi duas batidas na porta e Claire me chamou.



- Ness! Ness!



- Entra, Claire. – Respondi enquanto me observava no espelho.



- Eu vim te ajudar com o vestido. Também porque a coisa ficou estranha lá depois que você saiu. – Começou a tagarelar, enquanto abria os botões do meu vestido. – Jacob e o pai começaram a discutir. Ele reclamou que o pai foi indelicado e te magoou. Lord Black reclamou da postura do filho em relação a você e depois começou a falar de Rachael. Então, eu saí para não sobrar para mim.



- Claire, eu preciso ficar sozinha, amiga. Não estou nada bem e quero tentar dormir um pouco. – Disse de forma delicada, tentando não magoá-la enquanto soltava o meu espartilho.



- Tudo bem! Eu só vim te ajudar. Sabia que teria dificuldade com essa roupa. – Respondeu. – Eu estou indo para o outro quarto. Se precisar conversar é só chamar. – Beijou o meu rosto e saiu.



Depois de um tempo me observando no espelho, e constatando como eu estava diferente de alguns meses, resolvi abrir a coisa estranha para a água encher o que chamavam de banheira, tirei o resto das vestes e entrei, deitando o meu corpo na água fria. Encostei a cabeça na beira e fechei os olhos para pensar nos últimos acontecimentos.



Algum tempo se passou, desde que entrara na água para me banhar e pensar na minha vida. Em como conduzir aquela situação difícil, senti o meu corpo doer de tanta aflição por aquele encontro. Então escutei duas batidas na porta.



Toc Toc



- Ness, pequena! – Era a voz rouca e gostosa de Jacob a me chamar.



- Já sairei, Jacob! Só preciso de mais um tempo. – Respondi me levantando da banheira. Peguei a manta para me enxugar, depois comecei a secar o meu corpo. Coloquei as minhas vestes, limpei minha boca, penteei os meus cabelos, passei um pouco da lavanda para ficar cheirosa e saí da casa de banho.



- Tudo bem¿ Você chegou estranha... – Ficou me olhando de forma preocupada. – Aconteceu algo¿ - Tocou o meu rosto e fez um carinho.



- Não aconteceu nada, Jacob. – Desviei o meu rosto para não o encarar.



- Você está me escondendo alguma coisa, pequena. – Insistiu.



- Jacob, não aconteceu só preciso dormir e descansar. Preciso pensar e tentar tirar toda essa tensão do meu corpo. – Respondi para ele.



- Está preocupada com a corrida¿ - Continuou a me interrogar.



- Não... Não, Jacob! Para de me fazer perguntar! Para! – Disse nervosa, quase gritando com ele.



- Definitivamente algo aconteceu e quero saber o que foi¿ - Segurou o meu braço quando tentei sair da sua frente.



- Solta o meu braço! Eu quero dormi! Deixa-me em paz! – Eu o empurrei e fui para a cama.



- Eu fiz alguma coisa¿ Olha para mim, Renesmee! Você não agiria dessa forma comigo se não houvesse um motivo plausível. – Disse se colocando em minha frente.



- O que você sente por mim¿ - Perguntei arqueando uma das sobrancelhas.



- Eu gosto de você. – Respondeu espantado enquanto me olhava



- Gosta como¿ Como é o seu gostar¿ - Eu precisava saber. Precisava entender o que ele sentia para me sentir segura naquele jantar. Não poderia continuar com a dúvida me correndo por dentro. Era demais a dor, a dúvida e o desespero que sentia.



- Às vezes, eu sinto carinho e gosto de você como uma irmã. Outras, eu sinto algo mais forte... Paixão e desejo quando te toco... Mas ai... – Hesitou e virou o rosto para não me encarar.



- Você pensa na Caroline¿ - Segurei o seu rosto e virei para mim. – Quando me toca, acaricia o meu corpo e me beija? - Pensei que fosse quebrar ao fazer aquela pergunta. Senti o chão se abrindo diante de mim, mas precisava saber.



- Às vezes... Mas o problema é que me sinto culpado. Você ainda é tão criança. – Aquele foi o fundo do poço para mim e gritei com ele.



- CRIANÇA! AINDA ME VÊ COMO UMA CRIANÇA¿ PENSA NAQUELA VAGABUNDA QUANDO ESTÁ COMIGO¿ JACOB!



- Ness, não é nada disso, minha pequena. Eu não te uso para pensar em Caroline. E quando acontece é sem perceber. Mas eu acho que ainda é tão nova e tão meiga para ser tocada... Fico com remorso. – Confessou com os olhos cheios de lágrimas. – Eu disse que quero ficar com você. Quero ser feliz ao seu lado e te amar... – Hesitou por um momento. – De certa forma, até acho que a amo. Mas não como deveria ser... Não como você merece.



- SAIII! SAI DAQUI! VAI DORMIR COM SEUS AMIGOS! DEIXA-ME EM PAZ!



- Ness, pequena, não! – Tentou me abraçar, mas eu o empurrei.



- Vai embora, Jacob! – Chorava muito com aquela dor apertando o meu coração muito forte. Não tinha mais forças para discutir, para gritar ou lutar pelo que queria. Só precisava deitar e dormir para esquecer tudo aquilo. Precisava apagar da minha mente aquelas palavras que tanto me machucavam. Uma constatação que era pior do que um tapa na cara: Ele ainda amava Caroline e ainda me via como uma criança.



- Ness...



- Vai! – Antes de ele sair, avisei sobre o jantar. – Amanhã à noite jantaremos na casa de uns conhecidos de meus avós. – Disse e ele assentiu.



- Tem certeza que quer ir¿ - Perguntou se virando para me fitar.



- Sim! – Naquele momento, era uma questão de honra ir até aquele jantar e ver a sua reação diante de Caroline. Já não havia mais saída para nenhum de nós e iria até o fim.



Caminhei para a cama, deitei, encolhi o meu corpo e me cobri com o lençol.



- Ãn ãnn ãnnn por quê¿ Ãnn, ãnn, ãan OH, meu Deus! Não mereço isso... Por quê¿ Por que ele ainda ama essa mulher¿ Ãnn ãn ãnn – Chorei, chorei, chorei até as minhas forças acabarem e pegar no sono.



- xx -



- Ness, acorda! Acorda! – Era a voz de Claire, que passava as mãos pelos meus cabelos enquanto tentava me acordar.



- Ah, Não! – Resmunguei, encolhendo-me na cama e cobrindo a minha cabeça com lençol.



- Jacob, mandou te acordar. Disse que precisavam ir para o hipódromo cedo, porque hoje é o último treino com Nefasto. O que aconteceu¿ Ele estava estranho... Por que não dormiu aqui com você¿ Vocês dois brigaram¿



- Chega! Chega! Já acordei! Pronto! – Sentei na cama irritada com todo aquele interrogatório e ela me olhou assustada. Abaixou a cabeça e se desculpou.



- Desculpa, Ness! Só queria ajudar. – Disse envergonhada e fiquei com dó por ter falado daquela maneira rude.



- Desculpa, Claire. Você não tem culpa dos meus problemas e não queria descontá-los sobre você. – Eu a abracei e ficamos caladas por alguns segundos. – Jacob e eu brigamos. Por isso estou assim irritada... Desculpa.



- Tudo bem, amiga! Deixa eu te ajudar com sua roupa de amazona e com seus cabelos. – Disse-me ajudando a levantar.



- Só preciso que me ajude com o espartilho. E depois vá pegar o meu desjejum. – Respondi.



- Não vai sentar à mesa com os outros¿ - Perguntou intrigada.



- Não! – Balancei a cabeça.- Não quero presenciar o mal humor do meu sogro, a tristeza de Rachael e muito menos ver a face de arrependimento de Jacob. Prefiro ficar aqui nos meus aposentos. Vá e avise que não irei descer. Depois traga o meu desjejum.



- Tudo bem!



- Eu quero me banhar antes de me vestir.



- Novamente¿ Não acha que está tomando muito banho¿ Ness, três banhos por semana já está bom. – Disse para mim.



- Eu adoro tomar banho, Claire. E quem disse que não posso tomar banho todos os dias¿ - Pergunte balançando a cabeça.



- Tá certo!Já volto com o seu desjejum. – Disse e caminhou para a porta.



Fui para a casa de banho e fiz a minha higiene matinal, depois comecei a me vestir, quando Claire entrou no banheiro para me ajudar com o espartilho.



- Você foi rápida. – Disse para ela.



- As coisas estão estranhas... – Hesitou antes de começar a fofoca.- Todos mudos e sem graça.



- Não quero saber de fofoca, Claire. – Disse para ela.



- Tudo bem, Ness. – Pegou o espartilho e começou a arrumar em minha cintura, prendendo as amarras aos poucos.



- Claire, eu vou te avisar pela última vez. Ficarei o dia inteiro fora e pedirei a dona Meredith que a vigie. Se eu souber que anda se esfregando com Quil pela casa, contarei a sua mãe. Estamos entendidas¿ Já avisei que você é nova demais para ficar de agarramento com ele. Quer passar pelo que Rachael está passando¿ Então toma juízo e pare de fogo, menina. – Disse para ela repreendendo, por saber dos flertes entre ela e Quil enquanto estávamos fora de casa.



- Ness... Ness... Oh! Não é nada disso... Por favor... Ness... – Começou a gaguejar de forma nervosa. – Eu... eu...



- Não adianta mentir, que já soube do romance de vocês. – Segurei o seu rosto e encarei os seus olhos. – Prometi a sua mãe que cuidaria de você. E se souber que Quil abusou de sua inocência, mando acoitá-lo. Entendidas¿ - Perguntei e ela assentiu com a cabeça.



- Agora me ajuda a terminar com isso. – Disse e ela não me respondeu.



Depois que terminei de me arrumar, desci com Claire e encontrei Jacob e Seth na entrada da casa nos esperando.



- Nossa! Que demora! – Jacob reclamou sem encarar o meu olhar. Eu também não o olhei e respondi sem vontade.



- Desculpe! Podemos ir¿ - Perguntei caminhando na direção deles e saímos pela porta da casa.



O caminho para o hipódromo foi tenso e não trocamos nenhuma palavra, nossos corpos não se tocaram e nossos olhos não se cruzaram nenhuma vez. Parecíamos dois desconhecidos naquele momento. E eu me sentia tremendamente magoada com aquela situação.



Amava o meu marido mais do que tudo na vida. Queria estar ao seu lado, cair em seus braços, sentir os seus beijos, seus toques suaves em minha pele quando acariciava o meu corpo. Mas estava magoada demais para dar o braço a torcer e falar com ele naquele momento.



Ouvir tudo o que eu ouvi e sentir tudo o que eu senti, havia me fragilizado muito. Eu não tinha nem ânimo para montar aquele cavalo que amava e correr naquela pista.



Sinceramente, se eu pudesse ficaria deitada em minha cama o dia inteiro e não olharia para nada e para ninguém. A dor era insuportável demais para seguir a vida normalmente como se nada houvesse acontecido.



A carruagem parou na porta do hipódromo. Jacob saiu dela, deu a volta e abriu a porta para eu descer. Estendeu-me a mão e segurou, ajudando-me a sair. Nossos olhos se cruzaram pela primeira vez e vi em seus olhos que também estava sofrendo com tudo aquilo. Quis dizer algo que o confortasse, mas não tive coragem para abrir os meus lábios. Abaixei a cabeça, olhando para Seth que nos observava com olhar apreensivo.



-Vamos! – Jacob chamou e caminhou na frente, enquanto eu andava atrás em silencio, sentindo o meu estômago se revirar e uma estranha ansiedade tomar o meu ser.



Fomos até à baia onde estava Nefasto, Seth o tirou e o levou para a pista de corrida. Chegamos até e largada, Jacob colocou a sela no animal e depois me ajudou a subir. E pela primeira vez, abriu um sorriso enquanto me olhava.



- Hoje é o último dia! – Jacob disse enquanto me olhava no lombo do cavalo.



- Sim! - Respondi friamente, virando o meu rosto para não encará-lo.



- Ness! Dê tudo se si. – Disse o Seth enquanto me observava.



Depois de contar até três, Jacob abriu o portão de largada e eu disparei com Nefasto.



O azul do céu cintilante inebriava os meus olhos, enquanto galopava a toda velocidade sobre Nefasto, sentindo os solavancos que meu corpo miúdo sofria com os movimentos rápidos e bruscos do animal que mais parecia um demônio.



Via flashes da arquibancada, da pouca platéia que assistia aquele último treino. E mesmo com a grande preocupação se formando em minha mente, pelo óbvio fato de eu ser a única mulher em meio a grandes cavaleiros naquela competição, minha mente rejeitava qualquer angústia por aquele momento.



Não queria decepcionar Jacob e sabia que mesmo que não vencesse ainda me olharia com admiração. Entretanto, aquela era a forma de chamar a sua atenção para mim. Obrigando-me a empenhar o máximo possível naquela corrida. Apesar disso, a minha mente estava presa a uma idéia que não me abandonava: Caroline.



Aquela seria a noite em que nós três estaríamos dividindo o mesmo ambiente. Eu já havia me sentido estranha nos poucos encontros que tivemos, mesmo sem a presença de Jacob. Naquele momento, com a constatação que estaria ao seu lado, presenciando a sua dor, meu coração apertava e não sabia como me comportaria diante daquela situação. Imaginava de antemão o seu olhar sofrido ao vê-la com outro. Sabia que não era capaz de me sobrepor ao amor que ele sentia. Aquilo me machucava e me levava ao desespero.



Queria arrancar a sua dor e fazer com que me visse como a sua mulher. Estaria segurando a sua mão e se fosse necessário, limparia as suas lágrimas também. Mesmo sabendo o quão orgulhoso e reservado seria, tentando esconder de mim o seu sofrimento.



Tinha que encontrar uma forma de conquistar o seu amor. Mas era desprovida de malícia, só conhecia a coisa sobre cópula por apenas um vago relato de Lizzi... Minha querida e saudosa, Lizzi...



"Será doloroso, mas você não pode gritar ou chorar. Tente ficar calma e deixe que ele faça tudo. Feche os olhos, abras as pernas, segure a dor e o desespero do seu copo. E quando menos perceber, terá terminado e você poderia se recompor."



Se ela realmente estivesse correta, não deveria me sentir tão ansiosa por aquele momento, que teoricamente seria doloroso, cruel e me deixaria marcas profundas. Mas o fato era que me sentia desejosa de passar por tudo aquilo só para estar em seus braços ao menos uma única vez.



Procurei não rememorar aquelas conversas e os detalhes que me fariam desistir de conquistar o seu amor.



Precisava me concentrar na corrida, no olhar de aprovação e orgulho que ele teria quando estivesse acabado. Tentaria afastar as poucas lembranças de Caroline... Minha rival... Uma mulher linda e desejosa que com seus encantos roubou-me o marido antes mesmo de ele ser meu... Roubou a oportunidade de ser feliz antes mesmo de ela se apresentar diante de mim.



Aquela noite, estaríamos frente a frente. E eu lutaria com todas as forças para provar que ela não era merecedora do seu sofrimento.



Depois das últimas milhas, cheguei até a cocheira e Jacob estava com um sorriso lindo no rosto, fazendo sentir um frio gostoso na barriga ao me olhar.



Nefasto parou, mas ficou inquieto relinchando com a presença de Jacob e Seth ao nosso lado. Então fiz lhe um carinho e sussurrei ao seu ouvido.



- Calma, menino! Está tudo bem... Tudo bem.



O cavalo negro, com fogo no olhar, impaciente e de temperamento completamente arredio parou finalmente. Jacob segurou a minha mão e me ajudou a descer.



- Você foi maravilhosa, Ness! – Comentou com sorriso maravilhoso no rosto, deixando os dentes branquinhos à mostra e o olhar de encantamento transparecer. – Está cada vez mais rápida e acho que sairá campeã amanhã.



- Obrigada, Jacob... – Arqueei a sobrancelha e fiquei por um momento perdida em seu olhar inquisitivo, que parecia se questionar o motivo da minha inquietação aquela manhã. Sem imaginar que aquela noite, a fatídica noite, estaria frente a frente com Caroline. Eu não sabia se suportaria tal feito. Não sabia como me sentiria ao ver o seu olhar apaixonado para ela, enquanto eu estava ali, disposta a lhe dar tanto amor e ele sequer notava os meus sentimentos.



- Você está preocupada com a corrida¿ Ou tem outra coisa que esteja lhe deixando apreensiva¿ - Franziu o cenho, segurou a minha delicada mão com a luva de couro, depois apertou a minha cintura e com toda a gentileza me ajudou a descer de Nefasto.



- É só que... – Senti meu coração apertar forte, uma angústia me consumir por inteiro enquanto tentava arrumar coragem para lhe contar sobre o jantar... "Maldita hora que fui aceitar o convite." Pensei – O jantar de hoje... – Engoli seco. - É na casa de um velho conhecido e achei que deveria ter te contado antes de aceitar o convite. – Abaixei a cabeça, engoli seco e senti sua mão segurar o meu queixo, erguendo o para fitá-lo.



- Velho conhecido¿ - Perguntou com estranheza sem entender as minhas inquietações.



- General Foster! – Sussurrei e Jacob ficou absorto, largou a minha mão, pegou a rédea de Nefasto e o conduziu para a cocheira.



Vi Seth me olhar com desaprovação, mas não teceu nenhum comentário a respeito do fato.



Caminhei sozinha pela enorme pista, observando o céu cintilante, as nuvens com suas formas mais engraçadas e me lembrei do dia em que tive que fazer aquela difícil escolha. O dia em que achei que me casaria com um selvagem para salvar a minha família. Mas que sem querer, acabei casando com o amor da minha vida. O único homem que poderia amar e me entregar de corpo e alma. O qual não tinha medo de sentir os infortúnios que a cópula poderia me proporcionar. E de certa forma me fazia almejar estar com ele e sentir o seu corpo envolvendo o meu.



Uma lágrima correu em minha face e caminhando sem destino, comecei conjecturar se um dia ele me amaria como eu o amo, sentindo meu coração apertado pela proximidade desse encontro e do meu maior pesadelo se realizar, tirando Jacob de mim e o jogando direto nos braços de Caroline.



Depois de um tempo caminhando sozinha, fui até a baia onde Jacob e Seth estavam, pedi que Seth saísse para conversamos.



- Seth, posso falar com Jacob a sós, por gentileza¿ - Pedi e ele assentiu com a cabeça, caminhou até a porta e saiu.



Jacob e eu ficamos em silêncio por um tempo. Ele parecia sem graça e não quis tomar a direção da conversa.



- Você me perguntou que tem mais alguma coisa me incomodando. Então vou te responder com sinceridade. Eu fiquei muito magoada com a conversa que tivemos ontem. Magoada pelo fato de você ainda amar aquela vagabunda. E mais ainda por me considerar uma criança. Contudo, fiquei estranha, admito. Mas por não me sentir à vontade de estar em um mesmo ambiente com você e Caroline. – Respirei fundo e mesmo com o coração destroçado continuei. – Não sei como aguentarei vê-lo olhando com amor para ela. – Comecei a chorar completamente arrasada e ele veio até mim, puxou-me pela cintura e me abraçou forte.



- Isso não acontecerá, pequena. – Sussurrou em meu ouvido. – Eu nunca quis te magoar e nunca faria isso com você. Por que não confia em mim um pouco, Ness¿ Só preciso que me dê um crédito... – Suas mãos faziam pequenas carícias em minhas costas enquanto sussurrava de forma doce. – Eu nunca a magoaria desse jeito... Oh, Ness... Eu prometo que vou arrumar a nossa vida... Eu prometo.



Choramos juntos em silêncio, abraçados tentando diminuir aquela mágoa que nos machucava tão profundamente.



- xx -



Passei o resto da tarde deitada em minha cama e depois de uma certa hora, Claire veio me ajudar com o vestido.



Tomei banho, coloquei as calças bufantes, a camisola, o espartilho, a enorme armação que quase não usava, vesti um lindo vestido de seda cor de vinho, coloquei luvas de renda branca, um colar e brinco de pérolas. Depois Claire prendeu os meus cabelos, fez um coque prendendo-os no topo de minha cabeça. Colocou uma tiara de prata, pegou uma mecha e fez uma ondulação, depois soltando-o em minha testa.



Ao terminar com os cabelos, coloquei os sapatos, coloquei um pouco de uma pasta que Rachael me deu para passar nos lábios e dá uma coloração rosada. Passei perfumes e saímos do quarto.



Descemos as escadas e encontrei Jacob lindo com o traje preto que eu havia comprado na semana anterior. Combinando perfeitamente com o chapéu em sua cabeça.



Aquela era a visão mais deslumbrante e nem em nosso casamento, havia o visto tão bonito daquele jeito. Coisa que me deixava ainda mais apreensiva. Pois se eu havia notado toda aquela beleza, certamente Caroline também notaria.



Senti um frio em minha barriga quando ele segurou a minha mão e me conduziu até a porta.



- Você está linda, pequena! – Jacob me olhava com encantamento ao me ver arrumada daquela maneira. Seus olhos brilhavam de excitação e não conseguia desviá-los dos meus olhos. Mordeu os lábios, suspirou e depois sorriu para mim. – Tudo ficará bem, pequena... Eu prometo. – Disse beijando o meu rosto.



- Obrigada, Jacob! Você ficou perfeito nesse traje. – Respondi sorrindo para ele.



- Não precisa ficar nervosa. Agora vamos! - Caminhamos juntos até a porta, saímos da casa e andamos até a rua, onde a carruagem já nos esperava. Seth abriu a porta, Jacob segurou a minha mão e me ajudou a entrar.



O caminho para a casa dos Foster foi rápido, tendo em vista que já havia pedido para Seth verificar o caminho até lá antes de irmos.



As ruas estavam com pouca claridade das lamparinas sobre os postes. Algumas pessoas caminhavam, outras dormiam embaixo das marquises dos estabelecimentos comerciais.



Depois de algum tempo percorrendo o centro da cidade, chegamos até uma área muito afastada, com uma vasta floresta fria e escura até que chegamos a enorme casa dos Foster.



Seth parou a carruagem em frente a porta, abriu para que Jacob descesse.



Jacob me ajudou a sair da carruagem, segurando a minha mão de forma carinhosa. Cruzou os seus braços nos meus e caminhou em silêncio até a porta da casa, onde um mordomo esperava os convidados.



Tudo ocorreu muito rápido e não deu nem tempo para observar a fachada da casa. Ele nos cumprimentou, abriu a porta para nós e entramos na enorme casa com cores brancas e muitas luminárias.



Lady Foster nos recebeu com sua filha Caroline assim que entramos. Senti meu coração disparar naquele momento. E mesmo apavorada com aquela situação, mantive-me com a cabeça erguida e com a postura altiva e uma Cullen.



- Lord Black! – Lady Foster cumprimentou Jacob, estendendo a mão para ele beijar.



- Boa noite, Lady Foster. – Sorriu gentilmente encarando a senhora branca, com cabelos negros presos, vestido rosa luxuoso e joias super extravagantes.



- Fico feliz que tenham aceitado o meu convite. – Respondeu para ele. – Lady Black está lindíssima. – Deu um breve abraço.



- Obrigada pelo convite, Lady Foster. – Agradeci não encarando a sua filha e percebi que Jacob também não a encarava.



- Ah! Essa é a minha filha, Caroline. – Disse apontando para a vaca porca, que tinha um sorriso enorme nos lábios e nos encarava de forma debochada. – A família de seu noivo veio de muito longe para o casamento. Por isso, demoramos tanto para realizar a cerimônia. Mas hoje estão todos reunidos para festejar esse tão esperado casamento. – Disse de forma muito agradável.



Uma jovem senhora se aproximou de Lady Foster e cochichou em seu ouvido.



- Sinto muito, meus caros! Tenho coisas a resolver! - Disse para nós.- Caroline, leve os nossos convidados até o salão enquanto tomo providências para o jantar. – Disse Lady Foster para a filha.



- Tudo bem, mãe! Eu os levo. Pode ir! – Respondeu com sorriso vitorioso após sua mãe sair com a Senhora.



Caroline usava um vestido branco de renda delicada e cheio de babados. Seus volumosos seios quase pulavam do vestido, sua cintura era muito fina, os colares e brincos que usavam eram de brilhante e realçavam o seu visual. Os cabelos estavam presos no topo da cabeça, com longos cachos caindo sobre o pescoço. Usava uma maquiagem do tipo que tia Alice havia mencionado, com os lábios vermelhos e o rosto extremamente branco.



- Jacob, quanto tempo! – Estendeu a mão para ele e sorriu diabolicamente. – Sinto saudade dos nossos passeios. Eu acredito que também sinta saudade de mim. – Permaneceu com a mão estendida para ele que a olhava atônito. - Olha, eu ficarei um bom tempo sem ir até Reading. Mas a primeira coisa que farei quando chegar lá, será enviar um mensageiro para te avisar. Assim poderemos cavalgar juntos. – Ela não olhava para mim, falando com Jacob como se ele fosse muito íntimo e se não houvesse rompido com ele da forma como havia feito.



- Não temos nada a conversar, Caroline. – Jacob disse secamente e não pegou a sua mão.



- É claro que temos! Afinal, deixamos assuntos inacabados. – Disse mordendo os lábios.



- Caroline! Eu sou Renesmee Black, a esposa dele. – Comecei a falar baixo, mas em tom altivo. – Sei que você se agrada muito de um macho para te saciar no meio dos estrumes. Mas acredito que seu noivo e sua família ficariam muito desapontados com esse fato. Está vendo isso tudo aqui¿ Ele é meu! Todo meu! Completamente meu! E não tenho a intenção em dividir com você ou com outra qualquer. Não sei se conhece a minha fama, mas advirto que não sou muito dada a gentilezas. E a minha língua está cheia de veneno... Doida para te picar. – Ela arregalou os olhos e ficou vermelha. Mal conseguiu respirar com as minhas palavras. – Essa noite seja boazinha ou sofrerá as consequências. Se olhar para ele, se o chamar de bonito ou feio, se sorrir para ele ou fizer alguma gracinha, todos saberão das suas peripécias no meio do estrume dos cavalos. Eu duvido que algum homem de bem se casaria com você. – Dei um sorriso diabólico para ela. – Querida, quando eu sou muito boa, sou ótima! Porém quando eu sou má... – Comecei a rir, arquei a sobrancelha e continuei. – Sou melhor ainda!



- Eu.. Eu.. – Ela começou a gaguejar, tremendo e vermelha de raiva.



- Calada! SHIII! Não ouse a abrir essa boca, sua vadia porca! Não me obrigue a ser má com você e contar ao seu noivo que anda correndo atrás de macho no meio do mato. Calada! – Levantei o dedo e ordenei. – Se você ousar chegar perto do meu marido, primeiro arrancarei os seus olhos com minhas unhas. – Mostrei as unhas para ela. – Depois arrancarei os seus cabelos, depois arranharei o seu rosto de vadia e por fim esfregarei a sua cara no estrume do cavalo... Se bem que isso vai te apetecer muito. Entendeu¿ Preciso ser mais clara¿ Se for boazinha, pelo menos até o seu casamento, eu me calarei. Agora, se cruzar o meu caminho novamente e ousar dirigir a palavra para esse homem maravilhoso ao meu lado... Eu acabo com você, sua ordinária! – Apontei o dedo no rosto dela, que arregalou os olhos e mal conseguia respirar. – Agora nos leve até o salão, sorria e finja que nada aconteceu. Qualquer deslize estará arruinada.



Depois que falei aquilo tudo, Caroline nos deu as costas e caminhou até o salão. Jacob pegou a minha mão e beijou antes se a seguirmos.



- xx-



n/glau: E ai meninas? Gostaram do cap? Como será esse jantar? Será que a Ness jogará a M no ventilador? Kkkkk E a Caroline? A vaca vai se comportar? A coitada da Ness só sofre pelo Jacob. E ele ainda continua a pensar na vaca da Caroline. Mas será que depois dessa noite continuará a pensar desse jeito? Será que o Jacob não se dará conta que já a ama? Tomara que isso aconteça logo. Mesmo porque só temos o penúltimo, o ultimo e o epilogo para terminar a fic... SÃO TANTAS EMOÇÕES!



Meninas, quem ainda não leu a fic que eu Beto Love and Hate, dá uma passada lá para prestigiar.

./historia/89359/Love_And_Hate



Bjus no core



n/h: Não vejo a hora da corrida acontecer...gente a Ness parece um leoa selvagem...a garota se irrita , se magoa, ameaça, faz promessas de amor, chorar, e ainda tem veneno...mas será o que Jacob vai pensar e sentir depois dessa noite? Será que se decidi?...Imagina se agora a Caroline porca vai da uma risadinha? Kopkokok...

gente a Glaucia ta na contagem regressiva? NãoOOOO...NãoOOOO!...(piscando o olho pra leitoras)...vai ter epilogo? Vai?...vai?...kopkokoko...diz que sim...autora mais linda do meu core!



[NOTA DA VALÉRIA: Gente, eu queria ter metade da ousadia da Ness. Acho que a coragem dela é brilhante. Essa Caroline mereceu ouvir poucas e boas. Ainda tem gente respirando aí? Bom, se tiver, aguardem os próximos capítulos, porque vocês não perdem por esperar.]

1 comentários:

thayná stéphany rodrigues santiago disse...

Minha boca ficou assim queriada :O
UAU, eu sabia que ela era brava mas não tanto

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