segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A HERDEIRA - JAKEXNESS 23 Desprezado

23 Desprezado - PVO Jacob


Eu havia bebido além do que devia, sentia meu corpo trêmulo, com frio, um torpor estranho me dominando, a cabeça doendo e sentia uma fraqueza. Os gritos ecoaram pelo quarto, obrigando me a abrir os olhos e encará-la. Aquilo foi uma das coisas mais difíceis e esquisitas para mim, pois nunca em minha vida imaginaria a doce e meiga Ness dizendo aquelas coisas dura, e o pior, olhando com olhos de pura fúria para mim.


Tentei falar, me justificar, dizer a verdade pela primeira vez na vida, mas ela parecia completamente transtornada e quando mais tentava falar, mais aguçava a sua fúria e a fazia gritar.

Depois que ela finalmente saiu do quarto, deixando-me com aquela dor estranha no meu coração, uma mágoa que me fazia perder o ar, mas ao mesmo tempo exigia que eu colocasse a mão na consciência começou a me invadir. Por mais estranho que parecesse, só queria senti-la em meus braços, beijar sua boca, acariciar a sua pele e pedir perdão por toda a magia que lhe causei.


Eu sempre fui o seu sonho, tinha plena consciência daquilo, e saber que havia ferido tão fundo do meu coração me doía muito. Havia feito tudo de caso pensado, tive a intenção de fazê-La sofrer e transformar a sua vida em um inferno. No final das contas era tudo parte do plano. Então por que me sentia tão débil? Por que não tinha forçar para ir até ela, lutar pelos meus sentimentos e dizer a verdade? Estive perto demais de dizer a verdade, mas não consegui. Não foi possível fazer o que era certo e o que meu coração pedia. Por isso acabei pagando o preço... Um alto preço para mim, devo confessar e não sabia se continuaria ou não com aquela vingança.

Os dias que seguiram foram terríveis, porque parecíamos dois estranhos. Era como se eu fosse um intruso em sua vida e seu desprezo só me fazia sentir ainda mais a sua falta. Não sei se pelo fato de ter o meu orgulho ferido, por nunca ter sido desprezado por mulher alguma e sempre ter a situação sob controle. Ou simplesmente o fato do meu corpo ansiar pelo dela, dos meus lábios sucumbirem e salivarem diante da sua angelical presença. O lobo dentro de mim gritava para eu atacar a minha presa, mas sabia que nas atuais circunstâncias, se o fizesse a machucaria e causaria um trauma ainda maior. E aquela não era a minha vontade... Não mesmo! Apena queria aquela mulher gemendo nos meus braços ao sussurrar o meu nome. Queria que a entrega fosse verdadeira e ela sentisse como eu. Sabia, no entanto, que era necessário um tempo para que pudesse me olhar novamente e tentar procurar em mim o homem que amava. Tive medo em muitos momentos de que me odiasse e jogasse o amor no lixo. Mas com aquele sentimento latente dentro de mim, sabia que por mais que tentasse, nunca seria capaz de me esquecer completamente.

Os três primeiros dias foram terríveis e não sai da cama, ainda febril, sentindo-me estranho, e esperando que se compadecesse de mim e fosse cuidar da minha saúde. È claro que isso não aconteceu. Ela não se deu ao trabalho e quem me deu remédios, alimentos e cuidou do meu estado foi Sue... Por falar nela, comecei a perceber que de alguma forma, mesmo tento ouvido as barbaridades que disse, o meu segredo sujo, parecia se compadecer de mim e tratou-me como uma mãe. Chegou a dizer que o meu problema era carência afetiva. Que talvez as coisas fossem diferentes se eu tivesse a criação e uma mãe boa, honesta e carinhosa, ao invés de um pai duro e corrupto.


As suas palavras mexeram comigo e fiquei pensando se o mal são seria eu. Se realmente havia como justificar o meu mau comportamento, o meu caráter “duvidoso” e as minhas ambições desmedidas. Afinal meus pais criaram três filhos, Becca não era uma flor de pessoa, mas também não era ruim de um todo. O seu egoísmo, preguiça e mania de grandeza não chegava a ser mau caratismo e não era uma pessoa ruim... Pelo menos eu acreditava naquilo. Já Rachael era um amor de pessoa, sempre se preocupava primeiro com os outros, era honesta, queria vencer pelos próprios méritos, sua bondade era evidente e não aceitava as coisas que eu fazia. Vendo por esse lado, como se justifica um homem tão inescrupuloso como eu? Pensei, pensei, e tentei encontrar uma resposta, mas não havia... Realmente não havia uma resposta para aquilo. As pessoas são do jeito que são e ponto! São influenciadas pelo meio que vivem, mas ser má ou boa depende de seus corações. Se eu escolhi o lado do mal, porque o meu coração estava inclinado para a coisa.

Pensando a cerca dessas coisas, comecei a indagar sobre a maldade e o seu sentido. Será que as pessoas eram essencialmente cheias de maldade? Será que até mesmo o pior dos assassinos não possuíam um pouco de amor em seu coração? Ele não amava nem aos pais? Se a pessoa sente amor, ela é realmente má ou apenas inclinada a atos maldosos? Eu amava minhas irmãs e faria tudo por elas... Quer dizer, quase tudo! Com Ness era diferente e às vezes ela me fazia sentir como se fosse outra pessoa. Ela simplesmente conseguia despertar algo diferente. Senti-la em meus braços era diferente e despertava em mim coisas que eu não queria e que não havia planejado. E naquelas circunstâncias, só podia dar a ela um tempo para se recuperar e segurar o meu lado animal, que desejava o seu corpo com todo o desespero.

Voltei a trabalhar na sexta feira, já me sentia um pouco mais forte, a febre já havia cedido e precisava ver como as coisas estavam na empresa. Após aqueles três dias trancado dentro do quarto, precisava respirar, precisava me sentir eu mesmo e pensar racionalmente sobre as coisas. Afinal aqueles dias me deixaram sensível demais para o meu gosto e não dava simplesmente para ficar remoendo as minhas atitudes. Era chegada a hora de decidir se seguiria com meu plano ou se acabaria com aquilo tudo e me permitiria ser feliz... Feliz? A única vez que me lembro de felicidade foi quando me senti dentro dela. Quando ouvi sussurrar o meu nome e gemer ardentemente por mim. Aquilo me fez feliz. Seria eu capaz de abrir mão disso para continuar a me vingar? Precisava encontrar as respostas corretas e para isso, precisava de ar puro e tranqüilidade para pensar.


Levantei para trabalhar, tomei o meu banho, arrumei-me impecavelmente e desci para tomar meu café. A mesa não estava pronta e não havia sinal de “minha esposa” na sala. Dirigi-me para a cozinha e ao chegar a porta da cozinha, ouvir a conversa entre ela e Sue.


- No momento o que sinto é nojo dele, Sue. - Sua voz estava triste e parecia prestes a chorar. - Eu amei tanto esse homem. Por ele esperei a minha vida inteira e mesmo nesse momento, em que a dor é tão latente em meu coração, acho que ainda o amo. Mas só preciso me fortalecer e fazer com que se sinta tão desprezado quando eu. Ele precisa aprender a ser gente... Isso me doe tanto. Sinto como se estivesse algo apertando meu coração.


Senti um aperto em meu coração. Aquelas palavras foram piores do que espada cortante. Era difícil ouvir da criatura mais doce e meiga que tinha nojo de mim. Ela ainda me amava, apesar disso não era capaz de se entregar a mim e a única coisa que podia me dar naquele momento, era o seu desprezo.


Decidi ir embora para empresa sem mesmo tomar café. Era difícil demais para mim encarar o seu olhar. Não conseguiria ver a dor, o resultado das minhas ações egoístas, em sua face angelical. Pensar era a única coisa que poderia fazer naquele momento.

Quando você pensa que a coisa não pode ficar pior do que estar, parece que o mundo desaba em sua cabeça. E foi exatamente isso me aconteceu naquele dia.

Fui ao trabalho e quando cheguei lá, recebi vários relatórios sobre cliente que estavam querendo romper o contrato com a empresa. E o que tudo indicava, a saída de Carlisle causou inquietação no mercado e fez as ações caírem na bolsa.

Tive que usar o braço firme e tomar uma atitude imediata. E mesmos sabendo que perderia dinheiro a curto prazo, era melhor para a empresa naquele momento manter os clientes, mesmo que o prejuízo imediato fosse prejudicial para a empresa.


- O que é melhor? - Perguntei para os acionistas - Damos a esses clientes descontos razoáveis nos próximos meses e os mantemos conosco. - conclui com tom autoritário.


- Teremos um prejuízo terrível. - Um disse de forma cética.


- Carlisle nunca aprovaria isso. - Outro indagou.

- Carlisle está doente e cabe a mim decidir. Ele tem total confiança em mim e sabe que farei o melhor por essa empresa. Se perdemos um ou dois clientes agora, o mercado ficará mais inquieto. Boatos serão espalhados e os demais acionistas debandarão também. É melhor ter um prejuízo a curto prazo, do que um a longo prazo e a falência dessa empresa. Então o que podemos fazer agora, é manter esses clientes a qualquer custo, mesmo que tenhamos uma pequena perda de receita. Não podemos deixar os especuladores espalharem boatos de que o nosso concorrente está tirando os nossos cliente. Que a empresa não tem estabilidade. Então vamos fazer como eu digo. Sou o presidente dessa empresa e não vejo o motivo de desespero. É melhor perder a batalha, do que a guerra. - Conclui em tom autoritário e todos me olharam com mais tranqüilidade. No fundo sabiam que estava certo, apesar de saberem que nos próximos meses teríamos uma receita menor. O que precisaríamos para conseguir balancear as coisas, era simplesmente conquistar novos cliente. Expandir as fronteiras em busca de mais receitas. Tracei um plano de ação e explanei para todos. Depois percebi que a confiança havia voltado.

Depois da estressante reunião, voltei para o meu escritório e encontrei na sala de espera Becca. Fiquei pensativo, indagando sobre o motivo que a faria sair do luxuoso apartamento para vir até o meu escritório. Ela era interesseira demais e nada a abalaria se não fosse por um “bom” motivo.


- Becca, o que a trás aqui? - Perguntei arqueando a sobrancelha. Vi o sorriso malicioso estampado em seu rosto.

- Quando receberemos os cartões de crédito? - Sussurrou em meu ouvido. - E o meu carro zero? - Olhei para a secretária, certificando-me que ela não havia escutado a conversa. Percebi que estava entretida com o computador, provavelmente navegando na internet, e tentei ser o mais natural possível.


- Vamos entrar? Certos assuntos devem ser conversado em particular. - Peguei a sua mão e a conduzi para dentro da sala.



- Sabe bem que não é de bom tom aparecer aqui para me cobrar as cosias. Se a secretária ouve, sai por ai espalhando boatos. Quer me arruinar? É isso mesmo o que quer? - Segurei firme o seu pulso e encarei o seu olhar.

- Queria que fizesse isso na sua casa? Estava em lua de mel. Não? - Meu olhar era severo, com a intenção de amedrontá-La, apesar de saber que minha querida irmã não se intimidava quando queria algo. - O que sua esposa diria sobre isso? Você prometeu! Prometeu que nos daria conforto, dinheiro e condições de estudar até casarmos. Jurou isso no túmulo dos nossos pais.


- Não me venha com apelo sentimental, Rebecca. Sabe muito bem que estou começando agora e que não posso abrir mão de dinheiro nesse momento.


- Deixa de chorar miséria, irmãozinho. Sabe bem que precisamos de certas coisas para sobreviver. Sabe bem que temos nossas dificuldades. - Acariciou o meu rosto e depois o beijou.


- Já mandei fazer um cartão para você e Rachael. Quanto ao carro, não será possível por enquanto. Ficará no apartamento da empresa até se passar um mês do meu casamento. Entendeu? As coisas estão complicadas para mim e não posso fazer gastos desnecessário agora. Entende isso? Seja boazinha comigo, irmã.


- Está querendo me ludibriar? Achas que me contentarei em ficar naquele apartamento miserável? Olha bem para mim! Sei bem do seu caso com a Casy e se... - Minha irmã havia aprendido bem comigo e estava jogando o mesmo jogo, mas ela não me conhecia bem para saber do que era capaz. Perdi a paciência e dei um basta em suas ameaças.


- BASTA! - Gritei nervoso. - Receberá um cartão de crédito com limite de dois mil dólares. Ficará bozinha naquele apartamento e não me importunara mais. Se acha que pode me chantagear, está muito enganada mocinha. Coloco você na rua, tiro todas as suas coisas e esquecerei que é minha irmã. Mandarei entregar o cartão no apartamento e não quero te ver por um bom tempo. Estou muito decepcionado com você. - Disse de forma severa, mesmo com coração apertado por aquelas ameaças.

- Não faria nada disso. Você nos ama, Jacob. Nunca renegaria suas irmãs querida. Pode gritar, fazer qualquer coisa e ameaçar, mas sei que no fundo se sente mal quando nos faz coisas. Eu vou agora, somente porque estar nervoso, mas em três semanas iremos para a sua casa em La Push, terei o meu cartão e carro. - Beijou o meu rosto e saiu. Fiquei atônito por demonstrar fraqueza diante dela. Certamente havia percebido o meu estado.


Para piorar o meu dia, que não havia começado nada bem, depois de me sentar e começar ver os balancetes, o meu celular tocou e ao atender vi que era uma ligação do meu antigo escritório. Comecei a pensar no que se tratava, intrigado com aquela ligação, mas atendi.


- Alô! - Disse com a voz austera.


- Jacob, amorzinho, quanta saudade de você. Como vai o casamento? - Era voz enjoada da Casy, com tom zombeteiro e debochado.


- O que foi Casy? O que quer agora? - perguntei, tentando demonstrar a calma que não tinha, depois respirei fundo e comecei a olhar a proteção de tela no computador, com retratos da minha Ness passando na tela. Estava tão angustiado com a nossa situação, que nem mesmo o tormento causado por Casy poderia me afligir tanto.

- Fala o que você quer. Estou cheio de serviço, com muitos problemas na empresa e minha cabeça está muito quente. Não estou nada bem para discutir com você agora. Diga logo o que pretende com esse telefonema. - Procurei manter o meu tom de voz baixo e calmo.


- Sua cadelinha está morrendo de saudade de você. Estou juntando dinheiro e já tenho quase tudo o que preciso. No máximo em três semanas chegarei em Seatle. Estou louca para matar a saudade que sinto do meu garanhão. Espero que sua esposinha não o esteja cansando muito. Temos muito o que aproveitar quando eu chegar. - Já imaginava o tormento que seria quando ela se instalasse em Seatle. E tinha que encontrar uma forma de prolongar um pouco aquilo, até me acertasse com Ness e conseguisse a sua confiança novamente.

- Casy, eu estou cheio de problemas. A empresa não vai bem, os acionistas e diretores estão em pânico. Tenho coisas a resolver e meu casamento não vai bem. Será que pode esperar mais um pouco? Será que compreende o momento que estou passando? - Fazia forças para não gritar com ela. Sabia que só pioraria a situação e tendo em vista que o nosso último contato fora mal sucedido, não poderia cometer o mesmo erro.

- Não me venha com conversinha fiada, Jacob. Sabe muito bem que não desistirei de você. - Deu uma gargalhada debochada. - Estarei ai quando menos esperar. Tenha certeza disso e não terá mais como fugir de mim.

- Faça como quiser. Mas não reclame depois. Estou cansado demais para discutir com você agora. Adeus! - Desliguei o telefone e soquei a mesa com fúria. Fiquei observando as imagens no computador e a lembrança daquela conversa não saia de minha mente.

No momento o que sinto é nojo dele, Sue.

Eu amei tanto esse homem...

Ele precisa aprender a ser gente...


Deus, como aquilo me doía! Eu me sentia horrível ao me lembrar daquelas palavras tão duras e ao mesmo tempo melancólicas. Era um conflito terrível entre o amor que sentia e a minha obrigação de me vingar.

Comecei a pensar em uma vingança que não me separasse do amor da minha vida. Que se apenas tirasse os bens dos Cullens, sem os deixar na total miséria, os humilhar e sujar o nome. Será que apenas o dinheiro seria capaz de aplacar o desejo de vingança? Afinal eu já estava na presidência, tinha o poder que precisava para conseguir o que queria. Aquilo bastaria para mim? Seria suficiente? Conseguiria apaziguar a minha consciência apenas com dinheiro? Como foi difícil pensar em tudo aquilo. Imaginar como minha Ness me odiaria se soubesse a verdade por outro que não fosse eu. Tentei falar a verdade e não consegui. Naquele momento aquela angustia me atormentava muito e não tinha como voltar atrás nos meus atos. Sabe, entretanto, que tudo dependia das minhas ações futuras.

Os dias foram se passando lentamente, as coisas ficavam cada vez mais estranhas, meus aborrecimentos na empresa só aumentavam e me obrigavam a atitudes drásticas e corajosas. Meu coração doía a cada vez que olhava minha Ness e percebia o desprezo em seus olhos. Ela era fria demais e nunca demonstrava um sinal de fraqueza diante de mim. Procurei me trancar no escritório nos momentos em que estava em casa. Não conseguia encontrar coragem para encarar o seu olhar, pedir perdão e demonstra arrependimento pelo que havia feito. Por sorte só ficavam em casa a noite e nos fins de semana. E era como se fosse um total estranho naquela casa. Meu corpo sucumbia pelo dela durante as minhas noites de tormenta. Mas não podia cometer um desatino e obrigá-la a ser minha novamente... Não podia e não queria que fosse a força. Decidi que seria paciente e esperaria até que se sentisse confortável para se entregar a mim. Paciência era tudo o que precisava e tudo o que teria até que tudo se resolvesse entre nós.

Mais dias se passaram, até que seus pais apareceram em nossa casa em um final de semana. Era a ocasião propicia para tocá-la e tentar quebrar o clima pela primeira vez na vida,


Apesar de não gostar da minha sogra “narja cascacu”, estava feliz com a sua presença, porque sabia que Ness faria o impossível para manter a farsa do nosso casamento. Então pude tocar a sua pele, beijar os doces lábios, ver o seu sorriso, que sabia ser fingido, e fazer o papel de marido amável.

E nem mesmo as alfinetadas da “narja cascacu” foram capazes de me tirar aquela felicidade. A felicidade de ouvi-la se dirigir para mim com amor e gozar da sua maravilhosa presença.


É claro que nem tudo foi perfeito e que em muitos momentos tive vontade de esmagar a minha “querida narja cascacu”, mas tirando isso e a velha amabilidade de Edward tudo correu bem. Melhor até do que imaginava. E quando partiram, pude finalmente conversar, ajudei a lavar a louça e vi em seus olhos que ainda havia amor e desejo por mim. Aquilo me deixou tão feliz. Não mais de a maravilhosa e grata surpresa de tê-la em meus braços, fazer amor de forma ardente, sentindo-me vivo novamente com o gosto doce de seus beijos e a sensação de prazer avassaladora causada pelo sue corpo. Ela gemia, sussurrava e até me xingava em meio aquilo tudo, mas era minha... Totalmente minha.


Depois que fizemos amor, ela se vestiu e me humilhou como nenhuma outra havia feito. Disse coisas que me deixaram pasmo e me causaram um ódio profundo. Quis gritar, bater e arrancar a sua língua. E depois do meu acesso de fúria, sozinho na cozinha, pois havia saído e me deixado com cara de paspalho, comecei a pensar se não merecia aquilo. Ela só estava fazendo o que havia prometido afinal das contas. Apenas me teria quando tivesse desejo, me usaria, depois jogaria de lado e assim me faria aprender a ser gente... Ela queria que sofresse para que aprendesse com a minha própria dor. Bela maneira de querer tratar as coisas! Estava usando o mesmo ódio e o desejo de vingança que me acometia todos os dias. Aonde pararíamos daquele jeito? Será que viver entre amor e ódio seria o nosso destino? Foi isso que pensei quando finalmente o meu acesso de raiva passou. Depois de quebrar alguns copos e pratos, com vontade de lhe dar umas palmadas pela ousadia. Mas ai veio a calmaria, pude refletir calmamente sobre as coisas e percebi que ela não estava apenas me dando o troco, sim uma forma de me redimir pelos meus atos brutos.


Naquele dia procurei não me aproximar, para evitar fazer algo que me arrependesse e fui para o escritório trabalhar. Era só aquilo que fazia para acalmar o meu coração, afundando me em assuntos chatos e burocráticos.


Na segunda feira eu havia acordado com humor terrível. Não quis tomar o café da manhã e sai sem se quer falar com Sue ou me permitir olhar para o seu filho “Vi...nho”. Sabia que aquilo acabaria ainda mais com o humor que não tinha.


Peguei o carro e partir para Seattle em alta velocidade. Parei em um restaurante no centro da cidade e tomei um café da manhã, lendo as notícias de última hora do jornal. Terminei o desjejum, paguei a conta, peguei o carro no estacionamento e segui para a empresa.

Quando cheguei levei o maior susto da minha vida.



- Bom dia, Sr Black! A senhora Maccalister está lhe aguardando no seu escritório. - Disse Vivian fitando-me de forma analítica.


- Como? Como pôde deixá-la entrar no meu escritório? - Tentava manter o tom de voz baixo, apesar da minha vontade de gritar com ela.


- Ela disse que veio da Inglaterra só para vê-lo. Disse que são velhos amigos e Sr não se importaria. - Perecia temerosa de suas ações. Havia percebido claramente o meu descontentamento.


- Conversaremos depois sobre isso. Não tenho gostado do seu comportamento. Acho que está na hora de trocar de secretária. - Ficou mais vermelha do que pimentão e quase chorou naquele momento.

Entrei na sala e a vi sentada em minha cadeira, tocando a tela do computador, que possui o rosto de Ness ao fundo.


- Oi amor! Sua cadelinha estava morrendo de saudade de você. - Levantou-se da mesa, caminhou em minha direção, com sorriso malévolo, segurou a minha gravata e puxou o meu rosto para si.


- O QUE PENSA QUE... - Praticamente gritava com ela, quando colocou o dedo em meus lábios.


- Sua secretária não precisa ouvir a nossa conversa. Sabe bem como elas podem ser inconvenientes. Não sabe? - Aproximou o seu rosto do meu e deu um selinho em meus lábios. - Estava morrendo de saudade. Estou louca para transarmos gostosinho, amor. - Sentou-se sobre a mesa, abriu as pernas e me puxou para si.


- Não podemos fazer isso aqui. Pode entrar alguém. - Disse tentando controlar a voz.

- Por que não? Você é o presidente afinal. - Segurou as minhas nádegas e me puxou, encaixando-me entre as suas pernas. Senti meu “KA” pulsar com o encontro de nossos corpos. Tentei não pensar racionalmente e deixar meu corpo me dominar para tirar o meu atraso. Puxei para o lado o elástico da sua calcinha, enquanto ela abria o zíper da minha calça. Colocou o meu “KA” para fora e o encaixou em sua entrada. Quando fechei os olhos, imediatamente pensei em Ness e o mais improvável aconteceu... Murchou.


- Mais o que está acontecendo com você, Jacob Black? Que inferno! Eu venho do outro lado do oceano par a”FU” com você e simplesmente brocha? - Ela me empurrou furiosa. - O que aquela vadia Cullen fez com você afinal?- Começou a arrumar a roupa, em seguida andou de lado para o outro impaciente.


- Eu estou com problema na empresa. Estou estressado e cheio de coisas para pensar... Só isso! - Verbalizei, sabendo que ela não cairia naquela conversa fiada.


- Vou te dar um tempo, mas não abusa da minha paciência. OK? - Socou a mesa com raiva. Queria gritar com ela e arrebentar aquela cara de “PU”, mas como presidente aquilo poderia virar um escândalo e precisava ser prudente naquele momento. Que raiva senti.

Você me paga, sua vadia! Acha que está falando com quem? Acha que isso ficará assim? Não sabe no que se meteu, sua ordinária! Eu ainda acabo com você.

- Aonde ficou hospedada? - Perguntei sabendo que a conta viria para mim e que deveria me adiantar a um possível susto quando viesse. Sabia que ela tiraria o maior proveito daquilo tudo e a vontade de esmagá-la era tão grande, que me deixava sufocado.

- Estou na suíte presidencial do hotel Plaza em Seatle. Ora!- Disse como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo. Senti o meu sangue fervilhar e levei as mãos ao seu pescoço.


- Você é louca? Comeu “M” ou o quê? - Apertei forte, enquanto ela tentava se soltar. Vi que cometeria uma loucura e acabei soltando, mesmo com a vontade de esmagá-la com as minhas mãos. - Acha que tenho dinheiro para pagar esse Hotel? Acha? Louca que você é! Louca! Vai sair de lá agora mesmo! Entendeu? - Quase gritava, tamanho era a fúria que sentia.

- E para qual cortiço quer que eu vá? Está bem enganado se pensa que me jogará em qualquer lugar, Jacob. Posso fazer da sua vida um inferno. Sabe disso? Então seja bonzinho comigo e pare de ser sovina. - Seu tom era debochado e sabia que me tinha nas mãos.

Eu ainda acabo com você, sua ordinariazinha! Na escola que estudou, eu já fiz doutorado.

- Rachel e Rebecca vão abandonar o apartamento da empresa em que vivem. Vão morar comigo e com a minha esposa. Então pode ficar lá por um tempo... Até encontrar um lugar para você ficar. - Disse de forma severa. - Não pense que vai ficar as minhas custas. A empresa passa por um péssimo momento e tenho que equilibrar as contas. Não tenho dinheiro para bancar os seus luxos. Então trate de arrumar um trabalho. Não vou sustentar vagabundas.

- Rarara! Não... Não... Não! Pensa que vou trabalhar? Ta enganado, Jacob! Vai bancar as minhas contas e para começar quero um cartão de crédito bem pomposo... Sem limites;


- Está louca! Não tenho condições de bancar nem as minhas irmãs, quanto mais uma vagaba como você.

- Pare de me tratar como um lixo! Eu não sou qualquer uma! Não aceitarei esse tipo de tratamento. Posso destruir a sua vida com um piscar de olhos. Sabe disso, então não brinque comigo! Entendeu? Agora me leve para o apartamento. - Encarou-me com olhar sério e deixou claro que não sairia da minha vida.


- Você não deveria ter vindo. Eu não quero mais você. Sabe disso muito bem e estar forçando a barra entre nós. Tudo bem! Mas espero que esteja claro que isso não ficará assim. O jogo está um a zero para você, mas eu ainda posso virar esse jogo. Sabe bem que sou perigoso e não jogo para perder. E se fosse você, seguiria o meu conselho. Tem a completa noção que não dou conselhos de graça e não costumo avisar aos meus inimigos. Então aceite enquanto ainda é tempo. Contudo, se sua teimosia a fizer insistir nisso, não terei clemência com você. Passarei por cima como um trator no momento certo. Não brinque comigo, Casy! É a última vez que te aviso.


- Acha que não te conheço? Que não sei que precisa de uma parceira para suas armações? Que se livrará de mim assim que encontrar uma forma? Mas antes que isso aconteça, quero usufruir muito disso tudo, amorzinho. Quero transar muito com você e gastar o dinheiro daquela coisa sem sal que tem em casa. - Apontou o dedo no meu nariz.


- Não aponte esse dedo para mim! Nunca mais! Entendeu ? Se fizer novamente, ficará sem ele. E não ouse a falar mal da “minha esposa”. Ela é a mulher mais linda, digna e doce que há nesse mundo. Não há mulher que se compare a ela. Não se atreva a colocar o seu nome nessa boca suja. - Senti uma fúria descomunal tomar conta de mim naquele momento. Como aquela mulher ousava a falar da minha Ness daquela forma? Como? Poderia esmagá-la ali mesmo, só por aquela ousadia.


- Está apaixonado por ela! Está? Eu deveria ter imaginado isso. Há muito tempo você está bem estranho. E não é a primeira vez que falha comigo. Agora para o seu bem e principalmente para o bem da sua esposa, eu o aviso pela última vez! Você precisa me tratar bem e fazer o que mando. Ou quer que bata em sua porta e me apresente para a adorável senhora Black como sua amante? Acho que seria um choque para ela, um mês após o casamento, saber que o marido amado, o homem que tanto amou e por quem foi capaz de se humilhar para se casar... Rarara! - caminhou em direção ao computador, tocou a teça e continuou a rir. - Já vejo esses olhinhos azuis cheios de lágrimas, o rosto vermelho e assustado. Rarara!


- NÃO SE ATREVA! - Parti para cima dela com raiva.- Se você chegar perto da “minha Ness”....


- OH que meda!!! Minha Ness? Cadê a vadia Cullen? - Quase cuspia as palavras, quando parti para cima e agarrei o seu pescoço. O telefone tocou e tive que me recompor.


- Alô!

- Sr Black, só para lembrar que tem uma reunião com cliente em meia hora. Já preparei os documentos e a sala de reunião.


- Obrigado! - Suspirei, tentei acalmar a minha respiração e desliguei o telefone.

- Vá embora, Casy! Já estou fazendo muito por você em te arrumar um teto. Aqui está o endereço do apartamento. Estou ligando para Becca e avisando para ir de taxi para a minha casa. Você ficará lá por tempo determina... Talvez um mês! Quando estiver trabalhando e com lugar para morar, sumirá de vez da minha vida.


- Não! Não! Não Não! - Fez sinal de negativo com o dedo. - Ficarei lá ate arrumar uma mansão para eu morar. Quanto a trabalhar, é algo que não pretendo fazer. Entendeu? Espero que apareça mais tarde e não faça vergonha como sempre. Ok?


- Depois conversamos. - Comecei a anotar o endereço, peguei o telefone e liguei para Becca.

- Alô!


- Oi irmãozinho! Pensou no que te pedi? - Disse com a voz maliciosa,


- Não! Casy está indo para ai. Prepare as suas coisas e as coisas de Rachael, pegue um taxi e vá para a minha casa. Depois ligue para Rachael e avise que foi para lá. Não deixe ela ir para casa. Não quero que veja Casy. Entendeu? Quanto ao que me pediu, vejo assim que tiver dinheiro. - Desliguei sem dar tempo para protestar.

Quando Casy saiu, soquei a mesa com raiva e comecei a pensar no que faria com ela. A minha situação já estava horrível e para completar esse desastre.


Trabalhei o dia inteiro, tentando não pensar naquele monte de problemas, bloqueei o computador, sai da sala e fui para o estacionamento pegar o meu carro. Dirigi por duas horas até La Push, pegando engarrafamentos em Seattle e Port Angeles e quando cheguei em casa, ao invés de um ambiente tranqüilo e acolhedor, encontro uma grande confusão entre minha irmã e Ness.

- Jacob é o dono da casa e tenho direito a fazer o que bem quiser nessa casa. Os empregados devem me obedecer assim como a você, Renesmee. Se digo para eles que precisam de uniforme, horários corretos para servir as refeições e o cardápio que desejo comer, não quero ser contrariada. - Era a voz irritante de Becca, quase gritando com Ness.


- Becca, somos hospedes nessa casa. Não pode chegar já dando ordens. Ela é a dona da casa e tem que respeitar isso. Se ela diz que o jantar é servido as oito, tem o seu direito. Se diz que será servido carne assada, tem que aceitar isso.

- Não! Estou morrendo de fome e não tenho que esperar até as oito para comer. Isso é inadmissível!


- O meu marido chega depois das sete. Aliás, já deve estar chegando, e não tolerarei esse tipo de atitude em minha casa. Que fique claro que Sue e Seth só obedecem a mim nessa casa. Você é uma hospede, como disse sua doce irmã, e é inadmissível que queira dar ordens para a dona da casa. Então ponha-se em seu lugar e pare de arrumar problemas. - Ness disse com a voz firme e decidida. Abri a porta e entrei. Vi toda a confusão na entrada da cozinha, cruzei os braços e tentei colocar ordem naquele caos.


- O que acontece aqui? É o primeiro dia de vocês nessa casa e já temos confusões? - Perguntei de forma severa, arqueando a sobrancelha e Becca me deu um sorriso malévolo.


- Jacob, meu irmão, diz para a chata da sua esposa que tenho o direito de fazer o que quiser. Não é mesmo? - Arqueou a sobrancelha, dando-me um aviso que estava em sérios problemas. Tive vontade de dar umas palmadas nela e dizer para não me ameaçar, mas ela continuava com aquele sorriso travesso. Sabia que estava blefando. Não era burra de colocar tudo a perder e deixar a vida boa para trás.


- Você é hospede nessa casa, apesar de querer que se sinta em casa. Nós quatro somos uma família e quero que veja minha esposa como uma irmã mais velha. Quero que a obedeça e não arrume problemas. Será que sou claro? - Dei o meu aviso e ela pareceu intimidada.

- Temos assuntos pendentes e sabe que deve ser bonzinho comigo. - Rachael e Ness olharam para ela, tentando entender o que dizia, enquanto ela continuava a me encarar. - Essa casa deve ser mais que um lar para mim. Sabe disso! Lembra da promessa que fez aos nossos pais? Lembra do que prometeu para ele no leito de morte? O seu último desejo? Eu me lembro de relatar isso muitas vezes, irmão. Então diga para a sua esposa que precisa me tratar muito bem. Você prometeu cuidar de nós duas. - Veio até mim, abraçou-me e sussurrou em meu ouvido.- Não seja má comigo, Jacob. Não quer que revele os seus segredos.


- Se eu fosse você não me ameaçaria, irmãzinha. - Sussurrei baixinho. - Vá para a sala de jantar e espere por todos. Não entendo o motivo dessa tempestade toda por um horário de jantar.


- Não se trata de horário. - Disse Rachael. - Ela quer mais poder do que a dona da casa. Tem que aprender a respeitar sua esposa. Ao menos isso!


- Só quero viver em paz com vocês duas. Só isso! - Ness afirmou.


Becca saiu batendo os pés, seguida por Rachael e Ness ficou me olhando assustada. Senti que estava completamente perdida diante daquilo tudo. Aproximei do seu corpo, segurei sua cintura com as duas mãos e a puxei para mim.


- Sabe que eu o desprezo, Jacob. - Disse desviando o olhar. - Só fingirei que está tudo bem diante das suas irmãs. Mas não abuse da minha paciência. Entendeu? - Olhou meus olhos de forma fria, não havia sinal de amor ou de paixão, apenas tristeza, desapontamento e dor em seus olhos. Queria arrancar tudo aquele sentimento do seu coração. Levei os lábios até o seu rosto e quando fui beijar os seus, ela virou para outro lado, fazendo com que beijasse a sua bochecha.


- Eu tenho paciência, Ness. Independentemente do que fiz, do que senti e do que ainda possa fazer, sabia que eu te amo de verdade. Sei que não mereço o seu amor e que a única coisa que pode me dar agora é o desprezo, mas tenho paciência e esperarei por você o tempo que for necessário. - Colei os meus lábios em sua bochecha e beijei docemente. Seu corpo estremeceu ao meu toque e seu corpo começou a me repelir, afastando o meu rosto e o meu corpo.


- Por hora só quero que contenha a sua irmã. - Concluiu e foi para a cozinha.


Quando você pensa que uma coisa está ruim, não pode nem imaginar o quanto elas podem piorar. Você se ver mergulhado em um rio de mentiras e não sabe como sair de dentro dele. Uma mentira acaba levando a outra e para sustentar a minha farsa, calando minha irmã e mantendo Casy satisfeita, calada e longe de Ness teria que fazer muitas coisas que talvez me arrependeria. Aquela era a única certeza que tinha naquele momento... A única!

4 comentários:

guidinhapattz disse...

lindo, coitada da ness ate fiquei com pena do jake sai duma encrenca para se enfiar outra...espero que publiques o próximo.
bjs

Anônimo disse...

ADOREI,ESPERO QUE PUBLIQUE O PROXIMO,
E ESPERO QUE NESS E JAKE SE ACERTEM LOGO .
BJOSSSS
PS. Adoro as suas fics.

Pollyana disse...

Glau adorei esse capitulo demais. Adoro essa Fic
Desculpa nunca comentar os outros e porque eu venho correndo so pra ler rapidinho e nunca da tempo de comentar.
Muito Obrigada pelo seu esforço, e por nunca esquecer as suas leitoras prometo que vou comentar sempre!
Bjs Polly

Deia disse...

Ai to com raiva do Jacob, mas depois de ler sobre o quanto ele ta sofrendo fico dividida, sei que ele mereçe pagar por tudo que esta fazendo, mas dá uma dó.
Não me canso de ler essa fic diva.

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